Clube do Balanço: banda paulistana faz a festa dos dançarinos e dos ouvintes

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Quem já teve a chance de assistir a um show do Clube do Balanço sabe que as apresentações dessa banda paulistana se confundem, praticamente, com bailes. Nem poderia ser diferente, já que o guitarrista Marco Mattoli e seus parceiros são especialistas em samba-rock, samba de gafieira e outros ritmos com vocação para a dança.

No álbum “Menina da Janela” (lançamento pelo selo YB), a banda oferece canções e temas instrumentais para fazer a festa dos dançarinos, que também podem ser ouvidos com muito prazer. O irresistível samba “Time Contra” (parceria de Mattoli com Ney Lopes e Magnu Souza) é recheado de metáforas futebolísticas. O samba-soul “Vício Perfeito” (Mattoli) ganha brilho com a aparição de um naipe de metais.

Cantado com elegância pela vocalista e compositora Tereza Gama, “Nó” remete aos intrincados volteios e entrelaços dos dançarinos de samba-rock. Não se surpreenda se não conseguir ouvir o Clube do Balanço sem mexer os pés.

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/2/2016)

BrasilJazzFest: evento traz Herbie Hancock e Wayne Shorter a São Paulo e Rio

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                                                                                                                      Wayne Shorter e Herbie Hancock

O duo do pianista Herbie Hancock com o saxofonista Wayne Shorter –- dois dos músicos e compositores mais cultuados em atividade na cena internacional do jazz -– será a principal atração do próximo BrasilJazzFest. O evento volta a ser realizado em São Paulo e Rio, de 30 de março a 3 de abril.

O compacto elenco dessa edição destaca também o criativo baterista e compositor norte-mexicano Antonio Sánchez, com seu grupo Migration, o quarteto do virtuose tunisiano Anouar Brahem (que toca uma espécie de alaúde) e o quinteto norte-americano Kneebody, que recebe o produtor Daedelus para uma sessão de música eletrônica e jazz. Finalmente, o brilhante bandolinista Hamilton de Holanda, que vai se apresentar com seu quinteto Brasilianos.

Na capital paulista, o evento ocupa três espaços: a Sala São Paulo (só o duo de Hancock e Shorter, no dia 30/3), o Auditório Ibirapuera (nos dias 1º e 2/4) e o parque do Ibirapuera, onde Antonio Sánchez vai executar os solos de bateria que criou para a trilha sonora do filme “Birdman” (de Alejandro González Iñarritu), em 3/4. Já no Rio de Janeiro, o único palco será o Vivo Rio, que vai receber as mesmas atrações, de 1º a 3 de abril.

Sucessor de eventos similares produzidos por Monique Gardenberg, como o Free Jazz Festival, o Tim Festival e o BMW Jazz, o BrasilJazzFest tem curadoria de Zuza Homem de Mello, Zé Nogueira e Pedro Albuquerque.

Os preços dos ingressos – que começam a ser vendidos nesta sexta-feira (4/3), às 13h – vão de R$ 10 a R$ 250.

Mais informações no site oficial do evento: www.brasiljazzfest.com.br/wpjazz/


 

Big bands em São Paulo: Teatro Commune vira ‘point’ de orquestras às segundas-feiras

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                                                                      A Orquestra JuruFrevo, que abre o projeto 
 
Quem conhece a cena instrumental de Nova York sabe que, às segundas-feiras, é possível ouvir ao vivo algumas das melhores big bands e orquestras de jazz da cidade –- como a Mingus Big Band (no clube Jazz Standard) ou a Vanguard Jazz Orchestra (no clube The Village Vanguard), por exemplo.

A boa notícia para os paulistanos fãs de jazz e música instrumental é que a partir de 7 de março o palco do Teatro Commune também vai se abrir para as big bands de São Paulo, sempre nas segundas-feiras, às 21h. Quem assina esse projeto é a produtora Lucia Rodrigues (ex-Supremo).

A série “Toda Segunda É Dia de Big Band” começa com a apresentação da Orquestra JuruFrevo (do Movimento Elefantes), que traz em seu repertório composições e arranjos de mestres da música nordestina, como Capiba, Duda, Zé Menezes, Spok e Dominguinhos, além de composições originais de seus músicos.

A atração seguinte é a Reteté Big Band, que vai se apresentar nos dias 14 e 28 deste mês de março. Prestes a completar 10 anos de atividade, toca standards do jazz e arranjos de Thad Jones e Oliver Nelson, entre outros. É formada por talentosos músicos da cena instrumental paulistana, como o trompetista Sidmar Vieira, o trombonista Jorginho Neto e os saxofonistas Cássio Ferreira e Jota P.

Já no dia 21/3, a atração é a Banda Jazzco. Criada em 1974, essa big band paulistana já teve várias formações, mantendo a proposta original de cultivar um jazz com sotaque brasileiro. Hoje ela inclui craques como os saxofonistas Vítor Alcântara e Gerson Galante, o trombonista Todd Murphy, o guitarrista Fábio Oriente e o baixista Amador Bueno, que fundou a banda.

O Teatro Commune fica na Rua da Consolação, 1218, na área central de São Paulo. Reservas e informações pelo tel. (11) 3476-0792. Preço dos ingressos: R$ 20.

Naná Vasconcelos, Zeca Baleiro e Paulo Lepetit: trio se diverte com a diversidade brasileira

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                                              Ilustração para encarte do CD, baseada em fotos de Matthieu Rougé

Fruto da inédita parceria do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos com o cantor maranhense Zeca Baleiro e o baixista paulista Paulo Lepetit, artistas que já deixaram suas marcas em diferentes gêneros da música popular brasileira, o álbum “Café no Bule” (lançamento do Selo Sesc) logo envolve o ouvinte com sua descontração. O samba de terreiro “Batuque na Panela” antecipa o tom bem-humorado de outras faixas, como o coco-de-roda “Mosca de Bolo” ou o “Xote do Tarzan”.

Também chama atenção a diversidade rítmica do repertório, quase todo assinado pelos três parceiros, que vai de uma dançante ciranda (“Ciranda da Meia-noite”) a um maracatu com tiradas filosóficas (“Loa”), passando pelo afoxé “A Dama do Chama-Maré”, que ganhou tempero de reggae e um naipe de metais. Um disco que não nasceu da pretensão de criar canções rebuscadas, mas sim do prazer proporcionado por esse encontro musical. Prazer que também se estende ao ouvinte. 


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/03/2016)

Jazz na Fábrica: Roscoe Mitchell e Anthony Braxton abrem série de CDs do Selo Sesc

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                                                                                  O saxofonista Roscoe Mitchell                        

Gravados ao vivo, em São Paulo, discos dos músicos norte-americanos Roscoe Mitchell e Anthony Braxton inauguram série do Selo Sesc dedicada a registros de concertos do Jazz na Fábrica –- o festival produzido pelo Sesc Pompeia, que já realizou cinco edições. Veteranos saxofonistas e compositores de Chicago, os dois também têm em comum o fato de serem associados à vertente do jazz de vanguarda, embora suas obras sejam bem diversas.

Um dos criadores do Art Ensemble of Chicago, o lendário coletivo de “free jazz” que adotou esse nome no final dos anos 1960, Mitchell se apresentou com ele por quatro décadas. Multi-instrumentista que domina toda a família dos saxofones, ainda na década de 1970 gravou e fez concertos-solos de sax – mesmo formato de suas apresentações no 3º Jazz na Fábrica, em 2013.


As quatro longas faixas do álbum “Sustain and Run” podem até assustar um ouvinte não-familiarizado com suas liberdades sonoras – não se trata de música para embalar reuniões festivas. Tocando um sax soprano ou um sopranino, Mitchell faz seu instrumento gemer, gritar, uivar, chiar, ranger. É preciso relaxar e se concentrar nos sons para poder fruir a expressividade desses solos.

Já a música de Anthony Braxton (na foto à esquerda) é mais conceitual, mais elaborada. Em vez de aderir ao “free jazz”, a exemplo de muitos de seus contemporâneos, ainda na década de 1960 ele se aproximou da música contemporânea de vanguarda. Desenvolveu novas formas de composição, inclusive utilizando inusitadas notações gráficas, sem abrir mão da liberdade da improvisação.


As faixas “Composition nº 366d” e “Composition nº 367b”, com mais de uma hora de duração cada, ocupam os dois CDs do álbum de Braxton, que toca sax alto, soprano e sopranino ao lado de Taylor Ho Bynum (trompete e flugelhorn), Ingrid Laubrock (sax soprano e tenor) e Mary Halvorson (guitarra). Sons acústicos e eletrônicos formam texturas repletas de surpresas e contrastes dinâmicos. Diferentemente do redundante universo da música pop, na música inventiva de Braxton tudo se move e se transforma, sem repetições. 

Esses CDs estão disponíveis nas lojas das unidades e no site do Sesc

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/02/2016)

Samba paulista: clube JazzB inicia projeto de debates culturais em SP

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                                                                               Uma roda de jongo / Foto de divulgação

O clube paulistano JazzB, conhecido pela qualidade de sua programação de shows de música instrumental brasileira e jazz, inicia 2016 com uma nova atividade. A partir do próximo sábado, dia 20/2, vai realizar semanalmente debates
sobre temas da atualidade, abertos ao público, com intelectuais, artistas e ativistas culturais.

O projeto Sentir, Pensar e Agir começa com o tema “São Paulo também é berço do samba”. O musicólogo Alberto Ikeda (professor-doutor da Unesp) e o produtor cultural Henry Durante (mestre pela USP) vão conversar sobre as origens do samba rural paulista, mostrando exemplos de danças folclóricas e manifestações musicais afro-brasileiras, como o jongo, o caxambu, o batuque de umbigada e o congo.

Para a realização desse projeto o JazzB estabeleceu parceria com o Celacc (Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação), com a Rede Latinoamericana Quilombação e a Dikamba Consultoria em Gestão e Projetos Culturais. O ingresso para os debates (sábados, a partir das 16h) é gratuito.

Outras informações no site do clube JazzB: jazzb.net

 

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