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Sesc Jazz: festival traz a Sun Ra Arkestra e o Art Ensemble of Chicago a São Paulo

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O show de abertura, com o jazz vanguardista e a irreverência da lendária Sun Ra Arkestra (na foto acima), já é capaz de deixar fãs desse gênero musical com água na boca. Este será o saboroso aperitivo do 2.º Sesc Jazz, festival que vai oferecer, de 8 a 27 de outubro, um total de 26 atrações de 12 países. Os shows vão circular pelos palcos de nove unidades do Sesc, na capital, no litoral e no interior paulista.

Evento que resultou, no ano passado, da união dos festivais Jazz na Fábrica (realizado por sete anos nos três palcos do Sesc Pompeia) e Sesc Jazz & Blues (que circulou durante seis anos por várias unidades do Sesc no interior paulista), o Sesc Jazz conserva em sua curadoria a essência da diversidade musical e a alta qualidade das atrações dos festivais que o precederam.

Entre as atrações internacionais desta edição destacam-se: o cultuado grupo Art Ensemble of Chicago, outra instituição do jazz de vanguarda, que se mantém ativo há cinco décadas; os ritmos afro-cubanos e o jazz latino do trompetista Arturo Sandoval e da baterista-revelação Yissy Garcia e sua Bandancha (na foto abaixo); o jazz contemporâneo do veterano saxofonista Gary Bartz e o novo projeto da baterista e ativista Terri Lyne Carrington e seu sexteto Social Science Community.   


Outras atrações que devem estar entre as mais disputadas: o jazz influenciado pelo flamenco do quarteto do pianista Chano Dominguez com a flautista Maria Toro (ambos espanhóis); o diálogo do jazz com o rock comandado pelo trompetista israelense Avishai Cohen e seu quarteto Big Vicious; os grooves eletrônicos do tecladista britânico Kamaal Williams; o encontro do free jazz com a música klezmer nos improvisos do saxofonista norte-americano John Zorn e seu New Masada Quartet.

O elenco nacional também é de primeira linha: os duos de violão e piano de Alexandre e Egberto Gismonti; o jazz orquestral da Nelson Ayres Big Band; a música instrumental brasileira do quarteto Duo + Dois (com os violonistas do Duofel, o flautista Carlos Malta e o baterista Robertinho Silva); o quarteto do gaitista Maurício Einhorn; o quinteto do baterista Edu Ribeiro (com o trompetista Daniel D’Alcântara, o acordeonista Guilherme Ribeiro, o baixista Bruno Migotto e o guitarrista Fernando Corrêa); a pianista e compositora Luísa Mitre, entre outras atrações.

A programação inclui 17 atividades formativas, como workshops, encontros musicais e palestras, que também serão realizadas nas unidades Consolação e Vila Mariana, assim como no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Como já havia feito no Sesc Jazz & Blues 2014, vou ter o prazer de ministrar a palestra “Como Ouvir Jazz Sem Medo”, nas unidades Guarulhos (dia 9/10), Jundiaí (12/10), Araraquara (19/10) e Sorocaba (23/10), com entrada franca.

Os ingressos para os shows começam a ser vendidos a partir das 19h do 1.º de outubro (terça-feira), no portal do Sesc SP. A compra de ingressos também pode ser feita nas bilheterias das unidades do Sesc a partir das 17h30 do dia 2/10 (quarta). A venda é limitada a 4 ingressos por pessoa. Os preços dos ingressos variam entre R$ 15 e R$ 60.


Mais informações no site do festival: sescjazz.sescsp.org.br/
















Jazz na Fábrica: Roscoe Mitchell e Anthony Braxton abrem série de CDs do Selo Sesc

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                                                                                  O saxofonista Roscoe Mitchell                        

Gravados ao vivo, em São Paulo, discos dos músicos norte-americanos Roscoe Mitchell e Anthony Braxton inauguram série do Selo Sesc dedicada a registros de concertos do Jazz na Fábrica –- o festival produzido pelo Sesc Pompeia, que já realizou cinco edições. Veteranos saxofonistas e compositores de Chicago, os dois também têm em comum o fato de serem associados à vertente do jazz de vanguarda, embora suas obras sejam bem diversas.

Um dos criadores do Art Ensemble of Chicago, o lendário coletivo de “free jazz” que adotou esse nome no final dos anos 1960, Mitchell se apresentou com ele por quatro décadas. Multi-instrumentista que domina toda a família dos saxofones, ainda na década de 1970 gravou e fez concertos-solos de sax – mesmo formato de suas apresentações no 3º Jazz na Fábrica, em 2013.


As quatro longas faixas do álbum “Sustain and Run” podem até assustar um ouvinte não-familiarizado com suas liberdades sonoras – não se trata de música para embalar reuniões festivas. Tocando um sax soprano ou um sopranino, Mitchell faz seu instrumento gemer, gritar, uivar, chiar, ranger. É preciso relaxar e se concentrar nos sons para poder fruir a expressividade desses solos.

Já a música de Anthony Braxton (na foto à esquerda) é mais conceitual, mais elaborada. Em vez de aderir ao “free jazz”, a exemplo de muitos de seus contemporâneos, ainda na década de 1960 ele se aproximou da música contemporânea de vanguarda. Desenvolveu novas formas de composição, inclusive utilizando inusitadas notações gráficas, sem abrir mão da liberdade da improvisação.


As faixas “Composition nº 366d” e “Composition nº 367b”, com mais de uma hora de duração cada, ocupam os dois CDs do álbum de Braxton, que toca sax alto, soprano e sopranino ao lado de Taylor Ho Bynum (trompete e flugelhorn), Ingrid Laubrock (sax soprano e tenor) e Mary Halvorson (guitarra). Sons acústicos e eletrônicos formam texturas repletas de surpresas e contrastes dinâmicos. Diferentemente do redundante universo da música pop, na música inventiva de Braxton tudo se move e se transforma, sem repetições. 

Esses CDs estão disponíveis nas lojas das unidades e no site do Sesc

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/02/2016)

 

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