Arte como Respiro: festival do Itaú Cultural exibe diversidade musical do país

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                                                                                    O trio instrumental sergipano Taco de Golfe  

O Itaú Cultural lançou editais de emergência durante as primeiras semanas da quarentena estabelecida para enfrentar a pandemia do Covid-19. O objetivo era movimentar o setor da economia criativa, dando apoio a artistas de diversas áreas, que ficaram sem alternativa de trabalho durante o período de distanciamento social. 

Hoje (23/9) começa mais uma fase do Festival Arte como Respiro - Edição Música, que exibe até domingo (27/9) pocket-shows pré-gravados de artistas contemplados em um dos editais. A programação desta semana inclui 15 atrações de diversos gêneros musicais, da MPB ao jazz instrumental, com três apresentações diárias que começam às 20h.

Destaque na programação desta noite, o cantor, pianista e compositor paulista Breno Ruiz tem sido festejado como uma brilhante revelação na área da canção brasileira. Vai exibir três composições de sua autoria, em parcerias com os letristas Cristina Saraiva e ninguém menos que Paulo Cesar Pinheiro.

Outra atração de hoje é o Taco de Golfe, jovem trio sergipano formado por Gabriel Galvão (guitarra), Filipe Williams (baixo elétrico) e Alexandre Damasceno (bateria). Eles mostram um trabalho autoral, que mistura influências do jazz e do rock. Mais maduro, o contrabaixista baiano Nino Bezerra combina ritmos nordestinos com influências da bossa nova e do jazz, em seu som instrumental.

A programação musical do Festival Arte como Respiro inclui também: o Macaxeira Jazz, quinteto instrumental de Natal (RN), que toca na quinta (24/9); as canções do trio carioca Pietá, que destaca a voz de Juliana Linhares (sexta, 25/9); o cantor e violonista Luiz Tatit, expoente da chamada vanguarda paulista (sábado, 26/9); e o talentoso violeiro e compositor paulista Neymar Dias, no domingo (27/9).

Acesso aos shows no site do Itaú Cultural, em www.itaucultural.org.br, onde você também encontra detalhes sobre a programação de outros editais desse projeto.

 

Documentário: Gervitz revela qualidades humanas em festival de danças do mundo

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                           O dançarino Hamada Nayel, em cena do filme "Na Dança! Doc" / Foto: Divulgação

No último dia do festival de documentários musicais In-Edit Brasil, recomendo o filme “Na Dança! Doc” (direção de Roberto Gervitz) mesmo para quem não tem interesse especial por dança. À primeira vista, trata-se de um registro cinematográfico do 2º Na Dança!, festival de danças e músicas do mundo que a pesquisadora e dançarina Betty Gervitz (irmã do cineasta) comandou em 2018, em São Paulo. Mas assim que músicos e dançarinos de diversos países e etnias começam a contar suas histórias, o filme logo revela a intenção de ir além dos meneios e passos dessas danças. 

Comoventes, depoimentos de artistas que emigraram para São Paulo, como o egípcio Hamada Nayel, a colombiana Margarida Milagos, o senegalês Ibrahima Saar ou o angolano Ermi Panzo, trazem à tona o problemático tema da imigração. E remetem a duas qualidades humanas que parecem ter sido deixadas de lado, nos últimos anos, depois que essa onda de barbárie e retrocessos sociais tomou conta das esferas de poder neste país: a solidariedade e a compaixão.
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Numa sacada 
bem-humorada (que define o próprio espírito do festival, no qual artistas e participantes dançam e cantam juntos quase todo o tempo), Gabriel Levy, acordeonista e diretor musical do evento, rebate o sentido pejorativo que se costuma atribuir ao termo “promiscuidade”. “Promíscuo significa a favor da mistura. Então viva a promiscuidade!”, ele
 brinca, elogiando a diversidade cultural e racial. Nestes tempos de distanciamento social, o filme de Gervitz é uma estimulante celebração à humanidade.

Veja os documentários do 12.º In-Edit Brasil (com ingressos a R$ 3), até 20/9, neste link: https://br.in-edit.org/ 



"Sambalanço": filme de Tárik de Souza narra a história da bossa dançada nos bailes

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                                   O guitarrista Marco Mattoli e o cantor Orlandivo, em show no CopaFest 2011 

Se você ainda não sabe o que é sambalanço, não precisa ficar constrangido. Logo na primeira cena do filme “Sambalanço - A Bossa Que Dança” (direção de Tárik de Souza e Fabiano Maciel, em exibição online até 20/9, no festival In-Edit Brasil), que narra com bom humor a história dessa vertente musical, o pianista Eumir Deodato também admite não saber o que é sambalanço. Mesmo que tenha tocado esse estilo musical, em bailes, na década de 1950.

Autor do livro homônimo (lançado em 2016), o jornalista Tárik de Souza também assina o roteiro e assume a narração do documentário. “Ao contrário da bossa nova, um movimento estético organizado e acompanhado por vários teóricos de plantão, o sambalanço surgiu em paralelo, na surdina, em boates da zona sul e nos clubes da zona norte do Rio de Janeiro”, define o narrador, no estilo personalíssimo que o transformou em referência na crítica musical brasileira.

“O sambalanço, que não era samba de morro, nem sincopado de gafieira, promoveu mais um movimento de quadris do que um batuque de cabeças pensantes. Espalhou-se como um vírus pelas boates e pistas de dança, na virada dos anos 50 para os anos 60”, ele prossegue, em uma das sacadas que fazem de seu texto uma atração especial nesse documentário.

Contagiantes também são as aparições do cantor e compositor Orlandivo (1937-2017), criador de pérolas do sambalanço, como “Tamanco no Samba” (parceria com Helton Menezes), “Bolinha de Sabão” (com Adilson Azevedo) e “Palladium” (parceria com Ed Lincoln, interpretada no filme pelo paulista Marco Mattoli, líder da banda Clube do Balanço). Não bastassem suas melodias inovadoras, Orlandivo ainda introduziu nesse estilo de samba um novo instrumento de percussão: seu inusitado chaveiro com sete chaves.

Outro expoente do sambalanço que contribui com divertidos causos, em seu depoimento para o filme, é o violonista e arranjador Durval Ferreira (1935-2007), autor de clássicos do repertório da bossa nova, como “Estamos Aí”, “Batida Diferente” e “Tristeza de Nós Dois”. Ao lado dele, relembrando sucessos do sambalanço, também estão o cantor Miltinho, o organista Ed Lincoln e o baterista Wilson das Neves, entre outros. Sem falar em interessantes depoimentos de intérpretes como Elza Soares, Silvio César, Dóris Monteiro e João Roberto Kelly.

Se você gosta de samba e se emocionou com documentários que abordam esse gênero musical no festival In-Edit Brasil 2020, como “Elton Medeiros - O Sol Nascerá” (de Pedro Murat), “Porfírio do Amaral: A Verdade sobre o Samba” (de Caio Rubens) ou “Dom Salvador & Abolition” (de Artur Ratton e Lilka Hara), vai se divertir vendo “Sambalanço - A Bossa que Dança”. Uma saborosa aula de jornalismo musical com a grife Tárik de Souza.

Veja os documentários do 12.º In-Edit Brasil (com ingressos a R$ 3), até 20/9, neste link: https://br.in-edit.org/ 






Dom Salvador e Garoto: músicos brilhantes em documentários do 12.º In-Edit Brasil

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                                                               O pianista Dom Salvador - Foto de Phoebe Landrum / Divulgação

Dois brilhantes instrumentistas e compositores paulistas – ainda pouco conhecidos entre o grande público – chamam atenção na seleção de filmes do festival In-Edit Brasil. Em versão online pela primeira vez, a 12ª edição dessa mostra dedicada a documentários musicais reúne mais de 60 filmes nacionais e internacionais inéditos.

“Garoto - Vivo Sonhando” (projeto de Henrique Gomide, Lucas Nobile e Rafael Veríssimo, que também assina a direção) resgata a breve trajetória musical do paulistano Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955). Em composições de sua autoria, como o samba-canção “Duas Contas” ou o samba “Lamentos do Morro”, esse virtuose do violão (na foto abaixo) antecipou inovações harmônicas e rítmicas consolidadas anos mais tarde pela geração da bossa nova.

Por meio de depoimentos (Paulinho da Viola, João Gilberto, Roberto Menescal, Paulo Bellinati e Zé Menezes, entre vários outros), o filme credita o papel essencial de Garoto na modernização da música popular brasileira. Mas o que surpreende nesse documentário é a sólida construção da narrativa a partir de fotos, gravações de programas de rádio e até anotações das agendas pessoais de Garoto, que as usava como diários de suas realizações musicais.

A narrativa é tão rica em imagens, registros musicais e outros elementos que, provavelmente, muitos espectadores nem vão perceber que o protagonista do documentário só é visto e ouvido, em movimento, uma única vez. Trata-se de uma cena do filme “Serenata Tropical” (Down Argentine Way, de 1940), onde Garoto dedilha seu violão, em segundo plano, atrás de Carmen Miranda, que canta “Bambu, Bambu”. 

Essa cena foi filmada durante a viagem aos Estados Unidos, que Garoto fez para acompanhar a cantora, como integrante do conjunto Bando da Lua, no final dos anos 1930. Frustrado por ser tratado como coadjuvante, o violonista retornou ao Brasil. Chegou a receber propostas para voltar, meses depois, mas não foi. A morte precoce, aos 39 anos (vítima de um infarto), o impediu de realizar o desejo de se estabelecer como músico solista, na terra do jazz. 

O pianista, compositor e arranjador Dom Salvador – paulista de Rio Claro, que completa 82 anos neste sábado (12/9)  – também tinha esse sonho e conseguiu realizá-lo. Expoente do samba-jazz, na década de 1960, e pioneiro das fusões do samba com o soul e o funk à frente de seu grupo Abolição, no início dos anos 1970, ele desembarcou com a cara e a coragem, em Nova York, em 1973. Até se tornar reconhecido na cena do jazz, batalhou muito. Chegou a ficar 30 anos sem tocar em palcos brasileiros.

Artur Ratton e Lilka Hara, brasileiros que vivem em Nova York, enfrentaram um duplo desafio ao filmar e dirigir o documentário “Dom Salvador & Abolition”. Além da difícil tarefa de sintetizar em 88 minutos as seis décadas da diversificada carreira musical de Salvador, a dupla também decidiu registrar, nos últimos anos, cenas de seu cotidiano – do trabalho diário no sofisticado restaurante River Café (onde começou a tocar em 1977) até questões familiares.

Especialmente comoventes são as cenas de Salvador com a cantora Mariá, parceira musical e de vida, com qual se casou, em 1965, e teve dois filhos. Desde 2004, quando ela começou a exibir sintomas de demência, até os últimos meses de vida de sua amada (que morreu em abril deste ano), Salvador fez questão de cuidar dela sozinho.

O acesso ao acervo pessoal do pianista permitiu que os cineastas pudessem incluir na trilha sonora do filme algumas gravações inéditas, como trechos da primeira sessão de ensaio da banda Abolição. Ou uma sessão de gravação de Salvador com o percussionista norte-americano Steve Thornton, que conheceu quando se tornou diretor musical da banda do cantor e ator Harry Belafonte, pouco tempo depois de se instalar em Nova York.

Expoentes de diferentes épocas da música popular brasileira, os inovadores Garoto e Dom Salvador merecem ser mais conhecidos e ouvidos pelas gerações mais jovens. Estes documentários certamente podem contribuir para isso.

Veja os documentários do 12.º In-Edit Brasil (com ingressos a R$ 3), neste link: https://br.in-edit.org/ 



New Orleans: WWOZ FM exibe série de 7 dias com gravações de festivais

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                                   Trombone Shorty (no centro), em show no New Orleans Jazz Fest, em 2019  

Cidade do sul dos Estados Unidos que respira música e tradições afro-americanas, New Orleans costumava oferecer dezenas de festivais de diversos gêneros musicais, até o início da pandemia da covid-19. O maior e mais internacional desses eventos –- o New Orleans Jazz & Heritage Festival -– festejou seus 50 anos em 2019, mas foi obrigado a cancelar a edição deste ano, assim como outros festivais pelo mundo. 

Para consolar os fãs do evento, a WWOZ FM (a emissora de rádio mais tradicional e popular da cidade, que também patrocina o palco de jazz nesse festival) transmitiu, quatro meses atrás, a série “Jazz Festing in Place”. Durante oito dias, no mesmo horário do festival (de 11h às 19h), reuniu gravações de grandes momentos do Jazz Fest (é assim que os moradores locais se referem ao evento).

A repercussão dessa série inspirou uma segunda edição que, além de relembrar gravações históricas do Jazz Fest, também vai incluir registros de outros festivais da cidade, como o French Quarter Fest, o Satchmo Summer Fest e o Blues & BBQ Fest, além de shows em clubes locais, como o Snug Harbor ou o Tipitina’s.

O elenco da nova edição da série “Festing in Place -- The Next Fest Thing” destaca músicos, cantores e bandas do primeiro time da música de New Orleans, como os Neville Brothers e os Meters, as cantoras Irma Thomas, Lillian Boutté e Erica Falls, os trompetistas Terence Blanchard e Kermit Ruffins, os pianistas Ellis Marsalis e Allen Toussaint e os guitarristas Walter "Wolfman" Washington e Little Freddie King, entre muitos outros.

A série será transmitida de 4 a 7/9 (sexta a segunda) e de 11 a 13/9 (sexta a domingo), sempre das 13h às 21h (horário de Brasília). Para ouvir, acesse o site da WWOZ FM neste link: https://www.wwoz.org/listen/player
E a programação dos sete dias você encontra aqui: 

 

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