Sandro Albert: guitarrista e jazzista gaúcho, com carreira no exterior, toca em São Paulo

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                                                                                      O guitarrista Sandro Albert


A história pessoal de Sandro Albert poderia render um filme, com um daqueles roteiros de Hollywood temperados com cenas inusitadas e toques de contos de fadas. Não é a qualquer hora que um guitarrista brasileiro, crescido em Porto Alegre (RS) e autodidata, muda-se com a cara e a coragem para os Estados Unidos, onde consegue desenvolver uma carreira musical.

Hoje ele é um instrumentista e compositor respeitado, na competitiva cena do jazz praticado em Nova York. Sandro vive nos Estados Unidos desde 1996, para onde viajou com a intenção inicial de passar seis meses.

“Eu nem falava inglês ao chegar aqui, só sabia contar até dez. Vim com 2.500 dólares no bolso e duas guitarras”, diverte-se, falando de Nova York, pelo Skype. “Meses depois eu estava fazendo meu primeiro show, num cassino de Las Vegas, tocando ao lado de Earth, Wind & Fire, Gap Band e Village People, bandas que ouvi muito enquanto crescia”.

Imagine a cena: um jovem branco e brasileiro, em Los Angeles, disputando com 12 músicos negros a vaga de guitarrista da War – lendária banda californiana de black music, que deixou sua marca na década de 1970.

“Acho que ganhei o emprego porque, no intervalo das audições, comecei a tocar uns choros do Garoto (o violonista e compositor paulista Anibal Sardinha), que aprendi em um livro que ganhei do violonista Paulo Bellinati, antes de embarcar para os Estados Unidos. Os caras ficaram muito impressionados com o que ouviram. Queriam um guitarrista diferente na banda, como eu”.

Sandro passou dois anos na banda War, tocando com regularidade. “Saí pouco depois de ter feito meu show número 150. Aliás, os shows da War sempre estavam lotados. A música dos anos 70 continua muito forte aqui nos Estados Unidos”, comenta o guitarrista.

Em 2001, já mais próximo do jazz, Sandro lançou “Soul People”, seu primeiro disco, que contou com uma participação especial de ninguém menos que Milton Nascimento. Foi desse ídolo, justamente, que recebeu um conselho precioso, numa época em que o cenário para a música instrumental não andava muito promissor por aqui. “Ele me disse para focar mais a minha carreira nos Estados Unidos e na Europa, porque, no Brasil, muitas vezes, santo de casa não faz milagre”.

Hoje, com quatro discos lançados, além de ter se apresentado em alguns dos festivais e clubes de jazz mais importantes dos Estados Unidos e da Europa, Sandro exibe em seu invejável currículo parcerias e colaborações com jazzistas de renome, como Kenny Garrett, Russell Ferrante, Harvey Mason, Peter Erskine, Antonio Sanchez e Terri Lyne Carrington, sem falar em instrumentistas brasileiros de ponta, como Airto Moreira, Toninho Horta e Claudio Roditi.

Dias antes de iniciar mais uma turnê de shows pela Europa, em uma rápida passagem por São Paulo, Sandro Albert vai se apresentar nesta quinta-feira (7/3), no auditório do Sesc Vila Mariana. Para essa ocasião, formou um quarteto com antigos parceiros: Jota Resende (piano), Marco da Costa (bateria) e Rubem Farias (baixo).


Uma rara chance de se ouvir ao vivo um talentoso jazzista brasileiro, elogiado com frequência nos EUA e na Europa, mas que seu país ainda pouco conhece.

Mais informações no site do SESC-SP:

www.sescsp.org.br
 




1 Comentário:

Beatriz Chiung Po disse...

Orgulho nosso. O filho da Catarina.

 

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