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Al Jarreau: cantor de jazz homenageia tecladista George Duke em novo álbum

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                                                                                        George Duke e Al Jarreau

Homenagens póstumas costumam ser melancólicas ou mesmo piegas. Al Jarreau não caiu nessa armadilha sentimental: ao dedicar o álbum “My Old Friend” (lançamento Concord/Universal) ao tecladista George Duke (1946-2013), o cantor norte-americano selecionou nove composições de seu antigo parceiro que representam bem a eclética concepção musical de ambos – do jazz ao soul e ao R&B, passando até por ritmos latinos.
 
Ao gravar esse repertório, Jarreau convocou outros intérpretes afinados com seu universo musical, como as cantoras Dianne Reeves, Lalah Hathaway e Kelly Price, o pianista Dr. John e o saxofonista Gerald Albright. Um desavisado talvez nem perceba a intenção da homenagem, ao ouvir a dançante “Every Reason to Smile”, com participação do cantor Jeffrey Osborne, ou a romântica “Bring Me Joy”, com o próprio Duke nos teclados. Um músico como ele, que quase sempre privilegiou a alegria e a dança em sua obra, não poderia ser lembrado de outra forma.

(resenha publicada no "Guia Folha - edição de 27/9/2014)


Jazz, blues e soul em Chicago: enquanto as lojas de discos ainda existem

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                                                                  Fachada da loja Jazz Record Mart, em Chicago

Se você, como eu, passou muitas horas de sua vida vasculhando prateleiras de lojas e sebos de discos, provavelmente vai entender minha surpresa quando tentei comprar alguns lançamentos, em Chicago (EUA), na semana passada. Como aceitar que uma cidade tão importante para as histórias do jazz e do blues moderno possa hoje oferecer, praticamente, apenas uma loja com bons acervos dedicado a esses gêneros musicais?

Lembrar que Louis Armstrong realizou em Chicago, ainda na década de 1920, algumas das gravações mais influentes para a evolução do jazz, ou que foi nessa mesma cidade que Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Sonny Boy Williamson eletrificaram o blues, só aumentou minha sensação de estranhamento.


                                                                                         Interior da loja Jazz Record Mart

O fato é que ao visitar a Jazz Record Mart (www.jazzmart.com), na área de River North, no centro de Chicago, com uma lista de uns dez CDs de jazz lançados nos últimos meses, sai de lá com apenas um. Obviamente, eu poderia conseguir comprar todos esses discos pela internet, depois de esperar alguns dias (semanas no Brasil), mas é lamentável perceber que o prazer de se sair de uma loja de discos, com algumas novidades na mão, tornou-se coisa do passado.

Claro que ainda vale a pena visitar a JRM, que se intitula, por sinal, “a maior loja de discos de jazz e blues do mundo”. Mesmo que seja só para encontrar um CD ou um LP menos conhecido de algum músico de jazz que você admira, um DVD que jamais chegou ao Brasil, uma revista especializada (como a “Down Beat” ou a “Jazz Wise”, cada vez mais raras em livrarias e bancas), um livro de referência ou a biografia de algum músico menos badalado. 


                                                                         Fachada da loja Dusty Groove, em Chicago

Se você também se interessa por outras correntes da música negra, como o soul, o funk e o R&B, uma ida à Dusty Groove (www.dustygroove.com), na área de Ukrainian Village, também é um programa essencial em Chicago. Apesar de seu nome, curiosamente, essa loja não tem nada de empoeirada, nem mesmo a relativa bagunça que se encontra no acervo da JRM. Tudo é organizado e bem cuidado, como raramente se vê em alguma loja de usados.

Além de raridades na área da black music, a Dusty Groove oferece também uma razoável seção de CDs e LPs usados de jazz, além de uma seção de música brasileira recheada de LPs raros e CDs (alguns pirateados no Japão e na Europa) que você dificilmente vai encontrar no mercado brasileiro. 



                                                                                    Interior da loja Dusty Groove
A algumas quadras da Dusty Groove, em meio às lojinhas descoladas da Milwaukee Street, na alternativa área de Wicker Park, encontram-se outras lojas de discos usados, como a Reckless Records (www.reckless.com), que tem filiais em outras área da cidade, e a vizinha The Exchange (www.myexchangefranchise.com).


Porém, em ambas, as chances de se encontrar algo mais interessante nas prateleiras de jazz e blues são bem menores, pois, nessas lojas, o rock, o pop e a música eletrônica, reinam quase absolutos. Saí de lá, não sei porquê, com o mote de um antigo sucesso do irreverente sambista baiano Riachão na cabeça: “cada macaco no seu galho”. 

                                                                                  Fachada da loja Reckless Records, em Chicago


Jose James: cantor norte-americano mistura jazz, soul e hip hop, em São Paulo

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                             Jose James, no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, em 2011/Photo by Carlos Calado


No universo do jazz, assim como na música popular brasileira, as mulheres são maioria entre os vocalistas. Essa hegemonia explica em parte o “frisson” que o norte-americano Jose James, 33, tem provocado nos festivais e clubes de jazz por onde passa, mas o que conta mesmo é seu original timbre de barítono e o repertório diversificado, que combina jazz, soul e hip hop.

Depois de se destacar como revelação do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (RJ), em 2011, James retorna agora ao Brasil para uma turnê que inclui outros festivais desse gênero, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte. Também se apresenta hoje, no Bourbon Street, em São Paulo.

Contratado pela influente gravadora norte-americana Blue Note, James gravou há pouco seu quarto álbum, “No Beginning, No End”, que tem lançamento previsto para janeiro de 2013. Algumas faixas desse trabalho já têm aparecido em seus shows mais recentes.

“Mesmo que esse álbum misture jazz, soul e R&B, eu acho que ele é o trabalho mais coeso da minha carreira”, diz à "Folha" o cantor e compositor. “É um álbum que preparei durante dois anos e que eu sei que será definitivo para mim”.

Embora seu CD “For All We Know” (2010), calcado em “standards” do jazz, tenha conquistado elogios na imprensa especializada, James rejeita a possibilidade de ficar restrito a um único gênero musical.

“Não quero mais ser tratado como um cantor de jazz. Perceber que o jazz é apenas um rótulo foi algo libertador para mim. Quero que minha música não fique confinada a fronteira alguma”, afirma o intérprete e compositor.

Se, em “For All We Know”, James interpretou clássicos do jazz imortalizados por ídolos do gênero, como Billie Holiday, Dinah Washington e Johnny Hartman, em “No Beginning, No End”, ele revela sua afinidade com o R&B e o soul de astros das décadas de 1960 e 1970, como Marvin Gaye, Donny Hathaway e Roberta Flack.

No palco, James age e se veste quase como um rapper. Mistura, no repertório de seus shows, eletrônica e improvisos vocais na linha do hip hop, com releituras de pérolas do jazz moderno, como “Moanin” (do pianista Bobby Timmons) e uma versão letrada de “Equinox” (do saxofonista John Coltrane).

Por essas e outras, a tradicional revista californiana “Jazz Times” já se referiu a ele, enfaticamente, como “o salvador do jazz”. Na verdade, uma bobagem com aparência de elogio, pois James jamais pretendeu “salvar” o jazz, gênero musical que há mais de um século vem absorvendo elementos de diversos gêneros e estilos da música negra sem se descaracterizar.

Como outros músicos e fãs de sua geração, diretamente influenciada pelo hip hop, James veio a se envolver com o jazz depois de ouvir gravações do rapper Guru e das bandas Digable Planets e A Tribe Called Quest, que fundiram elementos do rap e do jazz, no final dos anos 1980.

“Se aqueles caras estavam dizendo que o jazz era uma música legal, pensei que devia conhece-la mais a fundo. Então fui atrás e percebi que o jazz tem uma história tão rica e imensa sobre a qual pouco se fala por aí. Não é à toa que alguns de seus apreciadores acabam se tornando fanáticos”, observa o cantor e compositor.

(texto publicado originalmente na "Folha de S. Paulo", em 5/09/2012)





Etta James: uma intérprete explosiva que privilegiava a emoção no palco e na vida

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Na cena da música popular norte-americana, Etta James (1938-2012) foi uma das cantoras que melhor expressaram, na década de 60, a dualidade poética e política da soul music. Em canções repletas de referências a frustrações amorosas, esse gênero musical embutia também o desejo do negro de possuir os mesmos direitos de outros cidadãos, numa sociedade dominada pelos brancos.
 
Etta colocava suas emoções à frente de tudo, tanto nos palcos como na vida. Era uma mulher extremada, capaz de revelar amor ou ódio com a mesma intensidade. Cantava como falava: sabia ser suave, mas ficou mais conhecida pelas explosões, fossem de raiva, ressentimento ou sensualidade.


Quando esteve pela primeira vez no Brasil, no Festival Internacional de Jazz de São Paulo, em 1978, deu um show de excessos. Usando roupas espalhafatosas e um cabelão black power, chocou parte da plateia com insinuações sexuais e gestos obscenos, mais apropriados a uma estrela junkie do rock.


Na década seguinte, surpreendeu de novo os fãs paulistanos, em uma temporada no 150 Night Club. Já próxima dos 50 anos, mais sóbria, entrou no palco como uma lady, exibindo jóias e os cabelos alisados, mesmo deixando claro, minutos depois, que não abandonara a atitude intensa e provocadora.


“Sou esquizofrênica até os ossos”, confessou ao escritor David Ritz, que assinou com ela a autobiografia “Rage to Survive”, publicada nos EUA em 1995. “Tive duas mães, duas infâncias e vivi duas vidas diferentes, em duas cidades. Talvez seja por isso que me tornei duas pessoas diferentes”, completou, no primeiro parágrafo.


Nascida em 1938, Jamesetta Hawkins (seu nome verdadeiro) foi criada pelos tios. Sua mãe, grávida aos 14 anos, demorou a revelar à filha a identidade de seu pai. “Eu a via como uma deusa distante, uma estrela que eu não podia tocar, não podia entender, nem mesmo chamar de mãe”, contou a cantora, expondo uma de suas feridas mais profundas.
 

É preciso juntar a isso seu precoce ingresso no showbizz, aos 15 anos, seguido pelo envolvimento com drogas pesadas, para se entender melhor o explosivo contexto de suas interpretações de sucessos como “Tell Mama”, “I’d Rather Go Blind” ou “All I Could Do Was Cry”.
 

Pena que a romântica balada “At Last”, seu maior hit, tenha sido pivô de um episódio constrangedor, já no final de sua vida. Etta não perdoou o fato de Beyoncé, que a interpretou no filme “Cadillac Records” (2008), ter sido convidada a cantar essa música numa festa que comemorou a posse do presidente Obama, no ano seguinte.
 

“Ninguém vai roubar essa canção de mim. Ela é minha”, desabafou, ao se apresentar no Jazz Fest de Nova Orleans, já bastante abatida e cantando sentada, como em outras de suas aparições, naquele ano de 2009. Uma intérprete de sua importância para a música negra não precisaria ter escancarado publicamente esse ressentimento, mas a impulsiva Etta James preferiu dar voz às suas emoções até o fim da vida.
 
(Texto publicado parcialmente na “Folha de S. Paulo”, em 21/1/2012)


Eric Clapton: guitarrista e cantor dá uma lição de dignidade em seu novo álbum

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Ao contrário de muitos de seus fãs, Eric Clapton jamais levou a sério a fama de “deus” da guitarra que herdou ainda na década de 1960. E está longe de ser um desses patéticos roqueiros com mais de 30 anos, que insistem em posar de adolescentes. Em "Clapton" (lançamento Warner), seu 19º álbum, o guitarrista e cantor britânico, que já polarizou tantas vezes as atenções no universo do rock e do pop, mostra que está envelhecendo com dignidade. Esse é um de seus melhores discos.

Como em outros momentos essenciais de sua obra, Clapton voltou ao blues, sua maior fonte de inspiração. Na verdade, foi até mais fundo: no eclético repertório desse álbum, mistura relíquias do blues rural e urbano com alguns clássicos da canção norte-americana e pérolas obscuras do rhythm & blues. Ele abre o disco com “Travelin’ Alone”, vibrante blues do texano Melvin Jackson (1915-1976). Mas é a versão bem relax e acústica de “Rocking Chair”, a canção folk de Hoagy Carmichael popularizada por Louis Armstrong durante décadas, que melhor sintetiza a atmosfera geral de Clapton.


Entre as surpresas do álbum destacam-se duas canções do repertório do gaiato jazzista Fats Waller (1904-1943). Descontraído, Clapton ironiza a própria fama, em “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, e interpreta “My Very Good Friend The Milkman” com igual dose de humor. Em ambas, as participações do trompetista Wynton Marsalis, do pianista Allen Toussaint e do trombonista “Shorty” Andrews, entre outros músicos da Louisiana, trazem o tempero sonoro típico de New Orleans.

Inusitadas também são as releituras das baladas “How Deep Is the Ocean” (de Irvin Berlin) e, especialmente, “Autumn Leaves” (Kosma e Mercer), que Clapton interpreta com uma serenidade rara de se ouvir em suas gravações. E o solo de guitarra não fica atrás, em elegância e discrição. Seu antigo parceiro J.J. Cale (autor dos hits “Cocaine” e “After Midnight”) também participa. Além de contribuir com vocais e a guitarra, ele assina dois charmosos blues: o sombrio “River Runs Deep” e o quase gospel “Everything Will Be Alright”, ambos em arranjos tingidos pelas cordas da London Session Orchestra.


Com pegada suficiente para tocar no rádio, o dançante blues-rock “Run Back to Your Side” é a única faixa composta por Clapton. Nem precisava. Só como intérprete, o bluesman britânico já garante um álbum delicioso. E dá, aos 65 anos, uma lição de integridade artística. 

(resenha publicada na revista "Bravo!", edição de novembro de 2010)



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Chuck Berry & Bo Diddley: show de 1985 promove saboroso encontro de dois pais do rock

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Chuck Berry e Bo Diddley, reconhecidos pais do rock, encabeçam o saboroso documentário “Rock‘n’Roll All Star Jam” (lançamento The Store for Music/ST2), filmado por ocasião de um concerto na Califórnia, em 1985. Não bastasse o prestígio desses veteranos astros do rhythm & blues, a banda de apoio formada por famosos roqueiros e blueseiros é capaz de excitar qualquer fã do gênero. Os guitarristas Ron Wood (Rolling Stones) e Carl Wilson (Beach Boys), o tecladista John Mayall e o gaitista John Hammond estão entre os “acompanhantes”.

Apesar do destaque que recebe na capa deste DVD, Berry é só um convidado. Sua participação se resume a três números: seu hit “My Ding-a-Ling”, o blues “Destination” e o clássico “Rock ‘n’ Roll Music”, de Diddley, o verdadeiro dono da festa.


Além de desfilar vários sucessos, como “I’m a Man”, “Who do You Love” e “Hey Bo Diddley”, o bem humorado bluesman do Mississipi oferece uma lição de sociologia musical, ao explicar que a suposta divisão entre o rock ‘n’ roll e o rhythm & blues tem origem racista: foi criada nos EUA, nos anos 50, quando brancos e negros ainda viviam separados. “Não há diferença entre eles”, afirma o pai do rock.

(resenha publicada no “Guia Folha – Livros, Discos, Filmes, em 26/11/2010)




John Legend & The Roots: canções de protesto dos anos 70 inspiram nova geração do soul

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O título imperativo (“acorde!”) e a presença da politizada banda The Roots já antecipam o tom engajado deste álbum de John Legend, astro da nova geração do soul e do R&B. Ao idealizar “Wake Up!” (lançamento Sony), ainda em 2008, estimulado pela campanha de Barack Obama para a presidência dos EUA, o cantor norte-americano pretendia fazer “música socialmente relevante”, como sugere em texto no encarte do CD.

Para isso, Legend foi buscar inspiração na soul music das décadas de 1960 e 1970, resgatando clássicas canções de protesto, como “Hard Times” (de Curtis Mayfield), “Compared to What” (Eugene McDaniels), “Wholy Holy” (Marvin Gaye) e “I Can’t Write Left Handed” (Bill Withers), entre outras. Ele e seus parceiros da The Roots utilizam batidas de funk e hip hop, vocais de rap ou mesmo guitarras pesadas para criar versões mais modernas dessas canções, sem descaracterizá-las.

Em meio à onda conservadora que tem crescido nos EUA, “Wake Up!” soa pertinente em sua intenção de fazer diferença, mas mereceria ser ouvido até em outra conjuntura política. Legend e The Roots fizeram música que vale por si só. 


(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 26/11/2010)





                                            

8º Bourbon Street Fest: uma história de superação no final da festa de New Orleans

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                                                                                                                    Foto: Inez Medaglia

Em meio à animação do último dia de shows do Bourbon Street Fest, ontem à tarde, em São Paulo, nem todos sentados às mesas do clube paulistano durante o tradicional Jazz Brunch deram a atenção merecida a uma história mencionada no palco.

Com seu sorriso contagiante, a simpática Tricia Boutté (na foto acima) já tinha cantado algumas delícias do rhythm’n’blues, como “My Baby Just Cares for Me”, “Let the Good Times Roll” e “Feel so Good”. Antes de continuar o show, comentou que havia se apresentado naquele mesmo palco, em 2008, deprimida e forçada a usar uma peruca, dias depois de concluir um tratamento à base de quimioterapia.

“Hoje minha vida está muito boa. Eu me casei e recuperei meu cabelo”, desabafou a cantora, em tom de comemoração. Em seguida, dedicou ao marido uma emotiva versão da balada “Teach Me Tonight”, em arranjo jazzístico, com um belo solo do sax tenor Alonzo Bowens.

Ao ouvir o comovente relato de Tricia, fiquei pensando que outras histórias semelhantes, muitas bem piores e sem o mesmo final feliz, foram vividas pelos habitantes de New Orleans depois da destruição desencadeada pelo furacão Katrina, cinco anos atrás. É confortante saber que a música alegre dessa cidade, que a tornou conhecida em todo o mundo, continua ajudando alguns de seus sobreviventes a superar as crises e as lembranças tristes daquela tragédia.

Pensei também em como a paixão de Luiz Fernando Mascaro e Edgard Radesca pela música de New Orleans os levou a imaginar e criar algo que, duas décadas atrás, poderia soar como uma verdadeira loucura: um clube, em São Paulo, que hoje sintetiza o que New Orleans oferece de melhor em termos musicais, com direito até a degustar a original culinária dessa cidade.

Mais tarde, vendo os sorrisos espalhados pelo palco e pela platéia durante os shows de Terrance Simien e Gary Brown, na abarrotada rua dos Chanés, pensei também no privilégio que tem sido acompanhar de perto as atrações desse clube, que em breve vai comemorar 17 anos. Que venham outros shows e festivais tão saborosos como este.

                                                                                                                         

Sabrina Starke: cantora radicada na Holanda é revelação do novo soul europeu

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Assim como o jazz europeu distancia-se cada vez mais das raízes norte-americanas, a soul music produzida hoje no Velho Continente tem demonstrado personalidade própria. Revelação recente desse gênero, na Holanda, a cantora Sabrina Starke (que nasceu no Suriname) já surge como autora de quase todas as faixas de "Yellow Brick Road" , seu primeiro CD, distribuído no Brasil pela EMI.

O fato de este álbum ter sido lançado originalmente pelo influente selo de jazz Blue Note é puramente mercadológico. Em canções como a otimista “Do For Love”, a dançante “Foolish” ou a quase feminista “Second Class Woman”, Sabrina se mostra bem mais próxima de cantoras da cena pop atual, como India.arie ou Amy Winehouse, do que das grandes divas do jazz. O que não a impede de interpretar com a devida emoção baladas como “My King” e “Yellow Brick Road”. Uma estréia promissora. 

(Resenha publicada no "Guia da Folha - LIvros, Discos e Filmes", em 27/11/2009).
  

George Benson: guitarrista e cantor retorna ao lado de alguns figurões do jazz

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Os puristas jamais perdoaram o norte-americano George Benson por sua adesão à música pop, depois de se estabelecer como um dos grandes guitarristas do jazz, na década de 1960. Desde então ele tem preferido colocar sua bagagem jazzística a serviço de gêneros mais populares, como o soul e o R&B.

Em “Songs and Stories” (lançamento Concord/Universal), Benson conta com figurões do jazz, como o produtor e baixista Marcus Miller, a cantora Patti Austin ou mesmo o percussionista brasileiro Paulinho da Costa. Os vocais dobrados com a guitarra, sua marca registrada, também estão presentes em releituras de sucessos do pop, como “Someday We’ll All Be Free” (de Donny Hathaway).

Duas delas, “Don’t Let Me Be Lonely Tonight” (de James Taylor) e “Sailing” (Christopher Cross), foram gravadas no Brasil, com Toninho Horta ao violão. Outra boa surpresa é a dançante “Living in High Definition” (de Lamont Dozier), em extenso arranjo orquestral que remete a trilhas sonoras dos anos 1970.


(Resenha publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 30/10/2009)



 

"Live From Abbey Road": DVD com programas da série traça painel da cena musical

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Exibida no Brasil pelo canal pago de TV Sony, a série musical “Live From Abbey Road” aposta na atmosfera do lendário estúdio de gravação londrino, onde nasceram os melhores discos dos Beatles, utilizando-o como palco para intérpretes, compositores e bandas da cena musical de hoje, que são retratados também em breves depoimentos.

Trazendo 25 destaques extraídos da primeira temporada da série, este DVD duplo (lançamento Freemantle, distribuído no Brasil pelo selo Coqueiro Verde) reúne um elenco eclético: do pop de John Mayer, Norah Jones e Dave Matthews, ao neo-soul de Corinne Bailey Rae e Amos Lee, passando pelo jazz de Wynton Marsalis, pelo rhythm and blues à New Orleans de Dr. John, pelo funk-disco de Jamiroquai ou ainda pelo rock de Kasabian e Primal Scream. Não chega ser um painel muito representativo, mas por sua relativa abrangência pode interessar aos fãs de gostos diversificados.


(texto publicado no Guia da Folha de Livros, Discos e Filmes, em 25/09/2009) 


 

Blues, Soul, Funk e R&B: Casa do Saber exibe o curso "A Alma da Música Negra" em junho

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"Blues, Soul, Funk e R&B: A Alma da Música Negra, de James Brown a Tim Maia" é o título do curso que vou dar na Casa do Saber, de 9 a 30 de junho (2009), às terças-feiras. A idéia é abordar a música negra em suas diversas manifestações ao longo do século XX. Aqui vai o roteiro básico das quatros aulas, que serão ilustradas por gravações originais e videos.

9/06: Blues, spirituals, gospel, rhythm & blues - Como as primeiras manifestações musicais dos negros nos EUA saíram dos campos de colheita de algodão e cultos das igrejas batistas para compor a essência da música popular americana produzida no século XX.

16/06: Motown, Stax e Atlantic, sofisticadas fábricas de sucessos. As concepções musicais e as estratégias mercadológicas dos produtores das gravadoras Motown, Stax e Atlantic para dominarem as paradas de sucesso nos anos 50, 60 e 70.

23/06: A modernidade do soul, do funk e do R&B. O soul e outros estilos da black music dos anos 1960 e 1970 seguiram influenciando o pop ou até mesmo o jazz, nas décadas seguintes, fenômeno que se estende até hoje, com brilho especial na cena musical de New Orleans, onde revela traços originais.

30/06: A black music com sotaque brasileiro. A partir dos anos 1960 a música negra norte-americana influenciou e se misturou com a música brasileira, gerando novos estilos, como o samba-rock, o samba-soul e o samba-funk, numa linhagem que se mantém atuante na cena musical de hoje.


Outras informações pelo tel. 011/3707-8900 ou no site da Casa do Saber: www.casadosaber.com.br

 

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