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Galactic: cultuada banda funk-jazz-rock de New Orleans toca no Brasil em agosto

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                                                                                  Stanton Moore, baterista da banda Galactic

A banda Galactic – destaque do 46º Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos musicais do mundo, que terminou domingo (3/5), na cidade norte-americana de Nova Orleans – vai se apresentar pela primeira vez no Brasil. 

Cultuada há duas décadas na cena musical por suas fusões de funk, soul, jazz, rock e hip hop, a Galactic estará no elenco da 13ª edição do Bourbon Street Fest, que será realizada em agosto, em São Paulo e Rio de Janeiro. 
 
“Estamos esperando essa oportunidade desde 2009. Tínhamos um show marcado no Bourbon Street, em São Paulo, mas, na véspera, minha mala e meu passaporte foram roubados na Argentina. Por isso não pudemos tocar naquela noite”, relembra o baterista Stanton Moore, falando à Folha por telefone.  

Conhecido como um dos músicos mais ativos de Nova Orleans (também comanda um ótimo trio de jazz, toca desde 1999 com a “jam band” Garage a Trois e atua como professor de percussão), Moore comenta que a diversidade de sua obra musical tem tudo a ver com sua cidade natal. 

“Eu acho que tenho muita sorte por ter nascido e crescido em Nova Orleans, porque adoro a cultura musical daqui. Estar em contato diário com essa cultura tão rica e diversificada é uma grande fonte de inspiração para os diferentes tipos de música que eu faço”, explica. 

Até a música brasileira entra nesse cardápio. Em “Carnivale Electricos” (2012), o álbum mais recente da Galactic, faixas como “Magalenha” (de Carlinhos Brown) e “O Cocô da Galinha” (com vocais de Moyseis Marques) estabelecem um diálogo musical com ritmos carnavalescos do Brasil. 
   
“A ideia era mesclar coisas do carnaval de Nova Orleans com coisas do carnaval brasileiro. Como ambos tem raízes culturais na África, você realmente pode ‘emprestar’ ritmos, ou mesmo ideias musicais do Brasil, e cruzá-las com os ritmos de Nova Orleans. Fazer isso foi algo bem natural”, comenta Moore. 

Em sua primeira aparição no Brasil, a Galactic trará como convidada a cantora Erica Falls, já conhecida por aqui, que vem se apresentando com a banda. "Nossa parceria tem funcionado muito bem, musicalmente e pessoalmente. Estamos adorando tocar com Erica. Além de ser uma vocalista incrível, ela tem uma atitude muito legal", elogia Moore. 

Entrevista publicada na edição online da "Folha de S. Paulo", em 5/05/2015. Cobertura realizada a convite do New Orleans Convention & Visitors Bureau e da American Airlines.

Luciano Salvador Bahia: entre a malícia do samba e a irreverência do rock

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A surpresa ao ouvir um disco com canções e sambas tão refinados e espirituosos, como este, só aumenta ao notar que seu autor, quase desconhecido fora da Bahia, já tem uma carreira de três décadas. Depois de tocar por muito tempo na noite soteropolitana (inclusive com Daniela Mercury), o músico, compositor, arranjador e cantor Luciano Salvador Bahia só lançou o primeiro disco autoral em 2006.

“Abstraia, Baby” (lançamento Dubas), seu segundo álbum, provoca e delicia o ouvinte desde o elétrico samba que o abre, “Afobado”. Não à toa, várias das canções são recheadas de referências musicais, como o hilário “Tango do Mal”, que Luciano canta com Eduardo Dussek, ou o samba “Madame Gente Fina”, inusitada paródia do clássico "Pra Que Discutir com Madame?" (de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa), imortalizado por João Gilberto.

Irresistíveis também são o samba-canção “Não Precisa” e o blues-rock “Maciota”. Entre a malícia do samba e a irreverência do rock, Luciano prova que, felizmente, nem toda a produção musical da Bahia se curva ao domínio do famigerado axé. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 28/6/2014)

Ouça aqui as faixas do álbum "Abstraia, Baby":


 

Marku Ribas: caixa sintetiza trajetória do precursor da black music no Brasil

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Precursor da black music com sotaque brasileiro, o carismático cantor, compositor, violonista e ator mineiro Marku Ribas morreu em abril de 2013, aos 65 anos, sem todo o reconhecimento que merecia. Idealizada para comemorar seus 50 anos de carreira, com a edição de dois CDs e um DVD inéditos, a caixa “Marku 50” (lançamento do selo Ultra Music) tornou-se assim uma homenagem póstuma. 

“Batuki”, álbum gravado em Paris, em 1970, resgata as experiências do grupo homônimo que Marku formou com o gaúcho Wilson Sá Brito e os angolanos Mario Clington e Manuel Gomes, misturando MPB, ritmos afro-brasileiros e angolanos. O CD “Parda Pele” registra um show de Marku, em 1997, com sete composições próprias que mostram a diversidade de suas influências: funk, soul, jazz, ritmos afros, até rock.

 Já o documentário de Carlos França, “Atavu”, também incluído na caixa, compila depoimentos e entrevistas do compositor com trechos de shows e de suas aparições no cinema. Sintetiza a trajetória do artista, sem saciar toda a curiosidade do espectador. A original obra de Marku Ribas merece chegar completa ao grande público.

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 26/10/2013)

Gary Moore: guitarrista e bluesman irlandês sua a camisa em tributo a Jimi Hendrix

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O pretexto para a realização deste show foi o lançamento em vídeo da lendária performance de Jimi Hendrix (1942-1970), no Festival de Monterey. Claro que qualquer tributo musical a esse herói da guitarra jamais vai substituir a experiência de ouvi-lo tocar ao vivo, mas a homenagem do bluesman irlandês Gary Moore, morto prematuramente em 2011, é também uma boa oportunidade para aqueles que ainda desconhecem seu talento possam apreciá-lo.

Gravado em 2007, num clube de Londres, o bluray "Blues for Jimi" (lançamento Eagle/ST2) destaca Moore e seu trio interpretando clássicos da obra de Hendrix, como “Purple Haze”, “Foxy Lady” e “Angel”. Traz ainda as participações especiais de dois parceiros de Hendrix: o baixista Billy Cox e o baterista Mitch Mitchell, em “Red House”, “Stone Free” e “Hey Joe”. Moore não é tão bem dotado nos vocais, como Hendrix, mas sua guitarra jamais decepciona. Um bluesman de estilo sanguíneo, que sua literalmente a camisa.


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 29/6/2013


 

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