Fernando Barba: criador do grupo Barbatuques narra em livro sua trajetória musical

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                                                                             Fernando Barba, criador do grupo Barbatuques

Admiro o trabalho musical e pedagógico de Fernando Barba há quase duas décadas. Em 2002, tive o prazer de selecionar o Barbatuques, grupo de percussão corporal criado e liderado por ele, para se apresentar no Prata da Casa, um projeto do Sesc Pompeia dedicado a apoiar novos talentos musicais, do qual fui curador durante dois anos e meio.

Já naquela época, a criatividade do Barbatuques se destacava entre os grupos e artistas participantes. Não foi à toa que, nos anos seguintes, o grupo percorreu o Brasil e desenvolveu uma brilhante carreira que segue até hoje, com turnês no exterior e aparições em eventos internacionais, como o encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016.



Como muitos colegas e fãs de Barba, em abril de 2017, fiquei surpreso e preocupado ao saber que ele teria de enfrentar uma cirurgia urgente, após ser diagnosticado com um tumor no cérebro. Durante o processo de recuperação das sequelas que enfrenta até hoje, Barba decidiu compartilhar suas memórias e experiências musicais. 

No livro “A Vida Começava Lá - Uma História de Repercussão Corporal” (Stacchini Editorial), que escreveu em parceria com Renata Ferraz Torres, sua irmã, Barba relembra com sinceridade e riqueza de detalhes sua ligação com a música corporal, assim como sua essencial participação na trajetória do grupo Barbatuques.

O lançamento será neste domingo (24/11), das 14h às 17h, na Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, zona oeste de São Paulo). Claro que não vou perder essa oportunidade de dar um abraço no querido Barba.





Preta Jazz Festival: evento teve predominância negra e feminina em seu elenco

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                                                              O pianista pernambucano Amaro Freitas, no Preta Jazz Festival  

Um comentário do compositor e cantor Renato Gama sobre o fato de o elenco do Preta Jazz Jazz Festival (ontem, 20/11, em São Paulo) reunir artistas negros, majoritariamente, chamou a atenção da plateia do Auditório Ibirapuera para o ineditismo daquela noite. Nada mais coerente tratando-se de um festival de música ligado à Feira Preta – o maior evento dedicado ao empreendedorismo negro da América Latina.

Se a predominância de artistas negros é habitual em alguns festivais de jazz pelo mundo, como o de Nova Orleans (nos Estados Unidos) ou o da Cidade do Cabo (na África do Sul), por exemplo, não se pode dizer o mesmo de eventos similares no Brasil – um país no qual, ironicamente, mais da metade da população é afrodescendente.

Vale destacar também outra proeza do Preta Jazz, que nem chegou a ser mencionada durante os shows: com exceção do trio do pianista Amaro Freitas, as outras três atrações do festival eram majoritariamente compostas por mulheres. Nos últimos anos, muitos festivais de jazz pelo mundo vêm tentando aumentar a proporção de mulheres em seus elencos, mas a predominância ainda é marcadamente masculina.

Pena que parte da plateia do Preta Jazz (provavelmente não acostumada a noites musicais com mais de três horas de duração, comuns em festivais do gênero) tenha ido embora antes do último show. Quem ficou se encantou com a inédita e bem-humorada parceria da cantora moçambicana Lenna Bahule com a baixista Ana Karina Sebastião (ex-Quartabê), que entraram em cena cantando o clássico samba “Alguém me Avisou” (de Dona Ivone Lara) e exibiram composições próprias recheadas de improvisos (na foto abaixo).   


Atração mais impactante da noite, o pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas demonstrou mais uma vez – à frente de seu poderoso trio, com o baixista Jean Elton e o baterista Hugo Medeiros – porque é festejado como a grande revelação do jazz em nosso país, nos últimos anos. Amaro não se repete: a cada nova apresentação revela uma disposição maior ainda por experimentar novos caminhos e estruturas musicais, em seus improvisos e composições, desprezando clichês. Amaro é um daqueles músicos que podem se apresentar com sucesso em qualquer festival do gênero no mundo.

Conhecido como líder da banda Nhocuné Soul, a qual lidera há mais de duas décadas, Renato Gama abriu mais uma vertente em sua obra, dois anos atrás. Com uma formação instrumental incomum (que inclui fagote e violoncelo ao lado de flauta e sax alto), a Orquestra Profunda de Delicadeza empresta sua sofisticada sonoridade a poemas musicados de escritoras negras. Renato também preparou uma boa surpresa: numa sacada típica de festival de jazz, convidou Amaro Freitas para uma “canja” com integrantes de sua compacta orquestra.

Naruna Costa, Naloana Lima e Martinha Soares, as cantadeiras urbanas do grupo Clarianas (que também são instrumentistas), abriram a noite com um envolvente repertório de cantorias populares que abordam o cotidiano das periferias de nosso país. Não à toa cantam e tocam descalças.

Com um programa original, que inscreve o jazz e a música instrumental dentro da ampla diversidade da música brasileira de ascendência negra, o Preta Jazz Festival estreou bem. Tomara que retorne em 2020.


Duduka da Fonseca Trio: tocante homenagem a Dom Salvador, no clube Bourbon Street

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                                                             O baterista Duduka da Fonseca e baixista Guto Wirtti   

A relação entre músicos de diferentes gerações, especialmente no universo do jazz, costuma chamar minha atenção. A admiração que um instrumentista tem por outro mais experiente, que lhe apontou caminhos musicais ou até mesmo o incentivou a se tornar músico profissional, lembra a relação de um discípulo com seu mentor. Quem teve a sorte de conviver com um(a) professor(a) muito especial, que abriu seu horizonte intelectual ou lhe deu o estímulo que faltava para abraçar uma carreira até então inusitada, sabe do que estou falando.

Voltei a pensar nisso durante a apresentação do Duduka da Fonseca Trio, no último domingo (10/11), no clube Bourbon Street, em São Paulo. Grande baterista carioca, radicado em Nova York desde 1975, Duduka aprendeu a tocar acompanhando discos de jazzistas americanos e brasileiros. Por isso, em 1980, quando o pianista e compositor paulista Dom Salvador (pioneiro do samba-jazz, que também já vivia em Nova York) o chamou para substituir o baterista de seu grupo, Duduka, já próximo dos 30 anos, brincou com ele: “Eu toco com você desde os meus 14 anos”. Ali começou uma parceria e uma amizade de quatro décadas, que prossegue até hoje.   


Duduka narra esse episódio no encarte do excelente álbum que gravou em 2018, com 11 composições de Dom Salvador. Nas gravações de “Duduka da Fonseca Trio Plays Dom Salvador” (CD lançado pelo selo Sunnyside), ele já tinha a seu lado o pianista David Feldman (na foto ao lado) e o baixista Guto Wirtti, jovens craques da cena jazzística carioca, que também o acompanharam no Bourbon Street.

Entre várias belezas musicais, os três tocaram “Retrato em Branco e Preto” (de Tom Jobim e Chico Buarque) e “Waiting for Angela” (Toninho Horta), mas a maior parte do repertório do show saiu mesmo do disco dedicado a Dom Salvador: composições como “Gafieira”, “Farjuto” e “Samba do Malandrinho”, que trazem a assinatura rítmica do original pianista de Rio Claro (SP), além da sensível balada “Mariá”, que ele dedicou à sua esposa.

A admiração que Duduka revela ao anunciar as composições de Salvador é inspiradora. Nestes tempos em que o ódio e a violência parecem ter se tornado tão comuns em nosso cotidiano, a homenagem de um músico a outro de uma geração anterior (numa área profissional em que também há muita competição) soa como uma lição de fraternidade e amor. Uma noite especial para quem estava na plateia do Bourbon Street.



POA Jazz Festival: inspirador, evento gaúcho incentiva conexões e diversidade musical

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                                                                            O grupo instrumental gaúcho Raiz de Pedra 

Não é qualquer festival de jazz que tem a audácia de incluir em sua programação uma banda de hip-hop. Ainda mais um grupo como o Rafuagi, principal nome do gênero no Rio Grande do Sul, que não dispensa críticas à desigualdade social e ao racismo, entre outros temas muito pertinentes, nas letras de suas músicas.

A ideia do curador Carlos Badia, ao convidar o Rafuagi para a 5ª edição do POA Jazz Festival (que terminou já na madrugada de domingo, no Centro de Eventos Barra Shopping Sul, em Porto Alegre), faz todo o sentido. A inusitada parceria com o Quarto Sensorial, trio instrumental que mistura jazz experimental e rock progressivo, trouxe novas sonoridades e mais musicalidade ao hip hop do grupo (na foto abaixo, o rapper Ricky Rafuagi). 


Mesmo assim, na plateia, alguns não gostaram de ouvir o rap “Manifesto dos Porongos”, contundente releitura do “Hino Rio-Grandense”, que o Rafuagi lançou em 2016. Com o refrão “povo que não tem virtude acaba por escravizar”, essa música se refere a um revoltante episódio da Guerra dos Farrapos (1835-1845). Uma tropa formada por centenas de escravos, que receberam a promessa de serem libertados ao final da guerra, foi dizimada graças à traição dos líderes dessa rebelião contra o governo imperial. Um sangrento caso de racismo e violência que poucos conhecem no resto do país.   

Alguns espectadores chegaram a deixar a plateia, incomodados pela crítica desconstrução do hino gaúcho, mas voltaram mais tarde para ouvir uma das atrações mais esperadas do festival. A cantora francesa Cyrille Aimée e o violonista paulista Diego Figueiredo (na foto abaixo) formam um duo encantador, ao recriarem um repertório que inclui clássicos do jazz (“Night in Tunisia”), bossa nova (“Chega de Saudade”) e canções francesas (“La Vie em Rose”). Cyrille também domina a arte do “scat singing” e, em alguns momentos, transforma sua voz doce em um instrumento musical, dialogando nos improvisos com o brilhante violão de Diego.   

Última atração entre os shows do festival, a banda norte-americana Davina & The Vagabonds divertiu a plateia com seu jazz tradicional de brechó e dançantes rhythm & blues. Tatuada, cheia de caras e bocas, a vocalista, pianista e compositora Davina Lozier (na foto abaixo) lembra uma cantora de cabaré, mas possui repertório próprio. Composições como “Sugar Drops” ou “Deep End” remetem a clássicos blues dos anos 1920, recheados de humor e auto-ironias.

A noite de sábado começou com a apresentação do Sexteto Gaúcho, grupo da nova geração do choro, que lançou seu álbum de estreia, “Bicho Solto”, em 2018. Mesmo quando esse sexteto de chorões toca clássicos do gênero, como “Bem Brasil” (de Altamiro Carrilho) ou o delicado “Ternura” (de K-Ximbinho), dá para se sentir, tanto na sonoridade do acordeom de Matheus Kleber, como nos andamentos mais rápidos, o característico sotaque do choro cultivado no Rio Grande do Sul.

Confesso que, ao saber que o formato desta edição do POA Jazz Festival consistia em quatro shows por noite, cheguei a pensar que os espectadores dificilmente resistiriam até o final dos extensos programas. Mas a alta qualidade das atrações musicais manteve o interesse da plateia, em duas noites que se estenderam pelas madrugadas.  

Do reencontro dos músicos do cultuado grupo instrumental gaúcho Raiz de Pedra, que formou uma legião de fãs nos anos 1980 e 1990 (imagine algo como um retorno do Quarteto Novo, tamanha era a excitação que se sentia na plateia) às contagiantes fusões de ritmos do Nordeste brasileiro com o jazz exibidas pela banda paulista Silibrina, passando pelo sofisticado jazz do quarteto do saxofonista holandês Jasper Blom e pelo tributo do jovem pianista Cristian Sperandir ao saudoso compositor gaúcho Geraldo Flach (1945-2011), a noite de abertura, em 8/11, foi também repleta de boas surpresas. 

Vale observar ainda que o POA Jazz leva muito a sério seu slogan “Somos múltiplas conexões”. Além dos oito shows da programação principal, o festival gaúcho também realizou várias atividades paralelas, como uma homenagem ao crítico musical e pesquisador gaúcho Juarez Fonseca por seus 50 anos de carreira ou a exibição do documentário “Zuza Homem de Jazz”, que foi debatido com seu protagonista, o jornalista, produtor e curador musical Zuza Homem de Mello.

Outros debates e palestras abordaram temas como as perspectivas do jornalismo cultural, políticas culturais e a sustentabilidade nos projetos culturais. Houve também uma série de masterclasses, com os integrantes do grupo Raiz de Pedra, com Mathias Pinto, violonista do Sexteto Gaúcho, e Jesse Van Huller, guitarrista do Jasper Blom Quartet. Aliás, esse grupo holandês se apresenta hoje, às 23h, no clube JazzB, em São Paulo.

Num ano tão difícil para a realização de projetos culturais que dependem de patrocínios, em meio a um contexto reacionário de censura e de ataques à cultura de nosso país, o 5.º POA Jazz Festival deu um show de profissionalismo e perseverança, mesmo sendo obrigado a fazer cortes em seus planos iniciais. Um exemplo inspirador a ser seguido nessa área.

(Cobertura realizada a convite da produção do evento)

Sesc Jazz: o carisma de Yissy Garcia, a baterista cubana que toca sorrindo

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                                                                                   A baterista e compositora Yissy Garcia 

Quem acha que o jazz é música para gente velha (uma bobagem preconceituosa que volta e meia ouvimos por aí) morderia a língua se tivesse assistido ao contagiante show que a baterista e compositora cubana Yissy Garcia e seu quinteto Bandancha fizeram ontem (24/10), em mais uma noite do festival Sesc Jazz, no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Além de misturar influências do funk, do hip-hop, do reggae e da música eletrônica em seu jazz contemporâneo de ascendência afro-cubana, Yissy é uma baterista brilhante, que esbanja criatividade nos improvisos. Carismática, ela toca com um irresistível sorriso no rosto, transmitindo à plateia todo o prazer que sente ao tocar sua música.

Yissy abriu o show contando à plateia que seu pai (o baterista Bernardo Garcia, um dos fundadores da Irakere, lendária banda de jazz cubano da qual também faziam parte o trompetista Arturo Sandoval e o saxofonista Paquito D’Rivera) costumava dizer que o Brasil era o seu país favorito. “Estou realizando um sonho nesta noite”, ela disse, demonstrando estar emocionada.

Impossível não lembrar do genial trompetista e jazzista Dizzy Gillespie (1917-1993), que arriscou uma profecia ao visitar a ilha de Cuba, no final dos anos 1980. Segundo ele, o jazz, a música cubana e a música brasileira, que se desenvolveram a partir de raízes comuns, se tornariam uma só no futuro. Mesmo que essa profecia não venha a se realizar, não há dúvida de que essas três preciosas fontes musicais são responsáveis por muito do que se criou de melhor na música do século 20.

Sorte de quem pôde ouvir e se deliciou com a música de Yissy Garcia e sua Bandancha. É sempre bom lembrar que temos primos distantes e queridos em Cuba, cuja música costuma nos emocionar e fazer sorrir.












Sesc Jazz: festival paulista reverencia a arte do saxofonista Gary Bartz

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                                                                             O saxofonista Gary Bartz e o pianista Barney McCall 

Em mais uma noite do festival Sesc Jazz, ontem (20/10, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo), o saxofonista e compositor norte-americano Gary Bartz foi logo avisando à plateia que não costuma interromper seus shows para receber aplausos, nem mesmo para anunciar a próxima música do repertório.

O veterano jazzista não estava brincando. Só interrompeu o show depois de tocar por mais de uma hora, para recuperar o fôlego. Então trocou o sax alto pelo soprano e anunciou uma pérola de seu repertório naquela noite: “Si Tu Vois Ma Mère” 
 a  singela composição de Sidney Bechet, pioneiro do jazz de New Orleans, que Woody Allen resgatou na trilha sonora de filme “Meia-Noite em Paris” (de 2011).

Em seguida, tocou um trecho da melodia de “Ponta de Areia” (de Milton Nascimento), que provocou sorrisos na plateia. Pouco depois veio “Just Friends”, clássica canção americana que os jazzistas tocam com frequência (não à toa gravada por Charlie Parker, o genial saxofonista cuja influência levou Bartz a adotar esse instrumento). Não faltaram também canções compostas pelo próprio Bartz, como “I’ve Known Rivers” e “Precious Energy”, que ele mesmo cantou.

É bem provável que grande parte da plateia estava ali ouvindo Bartz pela primeira vez e que tenha se interessado por ele ao saber de sua parceria com Miles Davis, ainda no final dos anos 1960. Embora seja muito menos conhecido que seu antigo parceiro, Bartz também tocou com outros gigantes do jazz, como Art Blakey, Charles Mingus, Eric Dolphy, McCoy Tyner e Max Roach 
 seu currículo musical é capaz de deixar qualquer jazzista com inveja.    

O que importa mesmo é que Bartz e seus talentosos parceiros – Barney McCall (piano), James King (contrabaixo) e Francisco Mella (bateria) 
 cativaram a plateia durante duas horas de show, sem recorrer a um repertório mais conhecido. Ver um músico de 79 anos exercer seu ofício com tanta dedicação e respeito por sua plateia é algo estimulante.

Sesc Jazz: Gismonti encanta plateia paulista e anuncia álbum com clássicos da MPB

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                                                                 O pianista e compositor Egberto Gismonti

Ontem, ao assistir ao emocionante show de Egberto Gismonti (no festival Sesc Jazz, em São Paulo), fiquei pensando como tive sorte. Pertenço a uma geração que cresceu e amadureceu acompanhando de perto os discos e os shows de Gismonti, Hermeto Pascoal, Paulo Moura, Naná Vasconcelos, Victor Assis Brasil, Cesar Camargo Mariano, Pau Brasil, Cama de Gato e Duofel, entre tantos outros – para ficar apenas no campo de nossa preciosa música instrumental, que tantas belezas produziu desde os anos 1960.

Ao lado do filho Alexandre, talentoso violonista, Gismonti ofereceu à plateia do Sesc Pompeia, praticamente, uma síntese de sua obra musical. Alternando o violão e o piano, como gosta de fazer, sugeriu novas relações entre algumas de suas composições mais conhecidas, misturando-as em inventivas fusões. Também surpreendeu a plateia com belíssimas releituras de “Carinhoso” (talvez a mais emotiva e original versão do choro-canção de Pixinguinha que já ouvi até hoje) e “Retrato em Branco e Preto” (de Tom Jobim e Chico Buarque).

Não bastassem esses dois presentes musicais, Gismonti também revelou durante o show que já está gravando há algum tempo, na Europa, um álbum com releituras de clássicos da música popular brasileira que aprecia. Segundo ele, a sugestão partiu de Manfred Eicher, o produtor do selo alemão ECM, para o qual Gismonti tem gravado desde “Dança das Cabeças”, o cultuado disco que fez em duo com Naná Vasconcelos, em 1976.

Já ao final da noite, ao retornar ao palco, atendeu dois pedidos de bis entre os muitos que partiram da plateia. Primeiro, tocou a lírica “Palhaço”, uma de suas composições mais populares. Depois, uma versão instrumental de “Água e Vinho”, canção cheia de melancolia do seu álbum homônimo de 1972, que encantou muita gente de minha geração. Num país mais sério do que este, um músico do quilate de Gismonti seria homenageado diariamente.



 

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