Quincy Jones: comemorando 75 anos com convidados ilustres no Montreux Jazz Festival
Marcadores: Al Jarreau, Angélique Kidjo, Chaka Khan, Curtis Stigers, Herbie Hancock, James Moody, jazz, Ledisi, patti austin, pop, quincy jones, Rahsaan Patterson, soul, Toots Thielemans | author: Carlos Calado“The 75th Birthday Celebration” registra a noite comemorativa dos 75 anos do maestro e produtor Quincy Jones, realizada em 2008. Durante quase três horas, a trajetória desse influente músico norte-americano, no jazz, no pop e nas trilhas de cinema, é relembrada em show que conta com uma big band e convidados especiais, como Herbie Hancock, Al Jarreau, Toots Thielemans, James Moody, Lee Ritenour, Chaka Khan, Patti Austin, Curtis Stigers e Angélique Kidjo. A qualidade das imagens e do áudio é sensacional.
Confira abaixo um trecho desse show: "What's Going On", o hit de Marvin Gaye, com o trompetista James Morrison, a cantora Ledisi e o cantor Rahsaan Patterson, entre outros músicos.
(texto publicado parcialmente na revista "Homem Vogue", nº 30)
Soul Train: compilação do pioneiro programa de TV de música negra sai em caixa de DVDs
Marcadores: al green, aretha franklin, black music, Curtis Mayfield, Earth Wind and Fire, funk, isaac hayes, isley brothers, jackson five, james brown, marvin gaye, soul train, stevie wonder | author: Carlos CaladoNa década de 1970, os jovens e adolescentes norte-americanos que curtiam soul music, rhythm & blues ou funk não o perdiam por nada. Transmitido pela TV, nas manhãs de sábado, “Soul Train” foi o primeiro programa de grande alcance exclusivamente dedicado à música negra. Exibia apresentações e entrevistas de astros do gênero, como James Brown, Stevie Wonder , Al Green (no video abaixo), Curtis Mayfield, Isaac Hayes, Chaka Khan, Jackson Five e Temptations.
Outra atração que os fãs adoravam era a Soul Train Gang, divertida trupe de bailarinos que a cada semana exibia novas danças, criando modismos, com seus cabelões afros e calças boca-de-sino (veja o clipe abaixo). Vídeos com trechos do programa, que ficou no ar durante três décadas, já circulam há tempos pela internet, mas agora é possível apreciar um número bem maior de preciosidades de seu arquivo, com o lançamento da caixa “The Best of Soul Train” (à venda no site www.timelife.com).
São oito DVDs, com mais de 13 horas de duração, que trazem o que o programa exibiu de melhor durante os anos 1970. Só o elenco reunido no primeiro volume – Aretha Franklin, Marvin Gaye, Gladys Knight, Earth, Wind & Fire, Isley Brothers e Barry White – já é capaz de deixar qualquer fã de música negra com muita água na boca.
(texto publicado na revista "Homem Vogue", nº 30
Fernando Salem: um mergulho no universo do samba com humor afiado
Marcadores: arnaldo antunes, caetano veloso, fernando salem, paulo miklos, samba, vexame | author: Carlos CaladoA trajetória do músico paulista Fernando Salem é tão incomum quanto sua obra. Nos anos 80 e 90, ele exercitou diversos gêneros musicais com as bandas Xoro Roxo, Clínica e Vexame – hoje compõe trilhas sonoras e escreve roteiros para cinema, TV e publicidade. Seu primeiro álbum solo, “Disco” (2000), chamou atenção pelo humor afiado e letras repletas de achados.
Só dez anos depois Salem lança outro álbum e não deixa por menos: em “Rugas na Pele do Samba” (selo Vidal), toca todos os instrumentos e assina a produção, os arranjos e 11 das 13 faixas. Nesse projeto, ele mergulha no universo do samba com o mesmo humor ácido, contando com participações de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos.
Talvez sua irreverência, assim como os efeitos sonoros e citações sampleadas presentes em faixas como a roqueira “Sambadiferente” ou a rapeada “Mudei de Musa”, não agradem os fãs mais conservadores do samba. Os que deixarem os preconceitos musicais de lado podem se divertir ou mesmo se surpreender com as inteligentes sacadas de Salem.
(texto publicado no "Guia da Folha de Livros, Discos e Filmes", em 24/09/2010)
Carlos Malta Quarteto: entre o jazz e a diversidade da música popular brasileira
Marcadores: baião, bossa nova, Carlos Malta, hermeto pascoal, jazz, música instrumental, samba | author: Carlos Calado
Depois de integrar por 12 anos o grupo de Hermeto Pascoal, seu mentor musical, o multi-instrumentista de sopros e compositor Carlos Malta vem desenvolvendo desde 1993 uma bem sucedida carreira de solista. Em “Tudo Azul” (lançamento independente), seu décimo álbum, ele adota o formato do quarteto, já clássico no universo do jazz, sem abrir mão de sonoridades e ritmos mais típicos da música popular brasileira, como a bossa nova, o baião e o partido alto.
Com o apoio seguro de Daniel Grajew (piano), Guy Sasso (baixo acústico) e Richard Montano (bateria), Malta improvisa sobre composições próprias e de seus parceiros, alargando as sonoridades do grupo ao se desdobrar nos saxofones soprano e barítono, no clarone e em várias flautas. O álbum conta também com participações eventuais das vocalistas Misty e Lorena Lobato (nas jazzísticas “Soul Sin/Sou Sim” e “Pat”) e de outros instrumentistas. Música improvisada de alta qualidade, que pode ser conferida no clipe abaixo.
(texto publicado originalmente no "Guia da Folha de Livros, Discos e Filmes", em 24/9/2010)
Yamandu Costa e Dominguinhos: outras belezas musicais no novo encontro da dupla
Marcadores: Bororó, choro, dominguinhos, luiz gonzaga, pixinguinha, samba, yamandu costa | author: Carlos CaladoNão se engane pelo título mal escolhido. “Lado B” (lançamento Biscoito Fino), segundo álbum do violonista gaúcho Yamandu Costa com o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos, não é composto por gravações secundárias, nem por sobras de estúdio do delicioso “Yamandu + Dominguinhos” (2007), álbum que inaugurou essa parceria. A intimidade resultante da convivência nos palcos reforçou ainda mais, nestas gravações de 2009, a espontaneidade que já caracterizava o primeiro encontro da dupla.
A tônica do repertório deste álbum está novamente em clássicos de várias épocas e gêneros da música brasileira, como o nostálgico choro “Naquele Tempo” (Pixinguinha), o vibrante baião “Pau de Arara” (Luiz Gonzaga) ou brejeiro samba “Da Cor do Pecado” (Bororó). Dominguinhos contribui com belezas de sua autoria, como a valsa “Noites Sergipanas” ou os choros “Fuga Pro Nordeste” e “Chorando em Passo Fundo”, este em homenagem à cidade natal de Yamandu, que compôs o divertido “Choro do Gago”. Tomara que essa dupla tenha vida longa.
(resenha publicada originalmente no "Guia da Folha - Livros, Discos e Filmes", em 24/9/2010)
"Confesso que Ouvi": livro de Érico Cordeiro traça perfis de dezenas de jazzistas
Marcadores: bebop, charles mingus, cool, dizzy gillespie, Érico Cordeiro, hard bop, jazz, joe gordon, jutta hipp, Lester Young, lucky thompson | author: Carlos CaladoGrande parte dos jazzistas retratados na obra pertence às brilhantes gerações que, nas décadas de 1940 e 1950, cultivaram o bebop, o cool jazz e o hard bop – escolha que revela as preferências musicais do autor. Nesses textos, publicados previamente em seu blog Jazz + Bossa + Baratos Outros, Cordeiro combina, com o devido equilíbrio, informações biográficas e resenhas de gravações dos músicos focalizados. As frequentes referências cinematográficas e literárias indicam que a erudição do autor não se limita ao universo do jazz.
Para obter o livro de Érico Cordeiro acesse seu blog: www.ericocordeiro.blogspot.com
Projeto Coisa Fina: uma promissora homenagem ao maestro Moacir Santos
Marcadores: jazz, Mario Adnet, moacir santos, movimento elefantes, música instrumental, ouro negro, projeto coisa fina, stan getz, zé nogueira | author: Carlos CaladoNão é à toa que os nomes dos músicos Mario Adnet e Zé Nogueira encabeçam a lista de agradecimentos de “Homenagem ao Maestro Moacir Santos” (lançamento Movimento Elefantes/Tratore) o promissor álbum de estréia da banda paulista Projeto Coisa Fina. Em “Ouro Negro” (2001), um dos discos mais importantes da música brasileira na última década, Adnet e Nogueira revelaram às novas gerações a preciosa e ainda pouco conhecida obra de Moacir Santos (1926-2006).
Foi “Ouro Negro” que estimulou os músicos do Projeto Coisa Fina a garimpar e gravar outras jóias do maestro e originalíssimo compositor pernambucano, como a percussiva “Maracatucutê” (confira o video abaixo), a sofisticada “Stanats” (dedicada por ele ao saxofonista norte-americano Stan Getz) ou a jazzística “Coisa nº 2”.
A homenagem da banda paulista ganha um sentido especial com a inclusão de composições de seus integrantes, claramente inspiradas pelas sonoridades e pela original concepção rítmica de Moacir Santos. Onde quer que esteja agora, o grande maestro tem motivos de sobra para ficar orgulhoso desses frutos de sua música.
(resenha publicada originalmente no "Guia da Folha de Livros, Discos e Filmes", em 24/9/2010)





