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Temporada de jazz: festivais ampliam experiência das plateias na era dos smartphones

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                                            O guitarrista Lucky Peterson, no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 

A chegada do verão, no hemisfério norte, não traz apenas sol, calor e dias mais longos. Para muitos apreciadores de música, é neste período do ano que começa a temporada dos grandes festivais de jazz. Embora mais concentrados na América do Norte e na Europa, hoje esses eventos são realizados nos mais diversos cantos do planeta.

Como tem feito nas últimas décadas, a “Down Beat” (publicação especializada em jazz, blues e gêneros musicais afins) destacou em sua edição de maio um roteiro intitulado “204 grandes festivais de verão”. O fato de o número de eventos incluídos nesse levantamento crescer a cada ano é sintomático.

Megafestivais de jazz, como os de Copenhagen (Dinamarca), Vienne (França), Montreal (Canadá) ou Nova Orleans (EUA), realizados ao ar livre, costumam atrair centenas de milhares de frequentadores. A estratégia desses eventos, que chegam a durar até duas semanas, é oferecer centenas de shows simultâneos em diversos palcos.

Para atrair tamanhas multidões, o cardápio desses festivais tornou-se diversificado, incluindo soul, R&B, funk, hip-hop, reggae, rock, pop, música africana ou caribenha, entre outras vertentes musicais. Há quem critique essa aparente diluição do foco musical, mas é fato que, ao longo de mais de um século de evolução, o jazz tem absorvido influências de todos esses gêneros. Essa hibridez faz parte de sua essência.

Na década de 1990, festivais mais puristas, como o italiano Umbria Jazz, ainda resistiam a se abrir. O diretor artístico Carlo Pagnota orgulhava-se de programar somente jazz, com raras exceções feitas a um ou outro artista do universo pop, como Sting ou Caetano Veloso. Isso foi mudando e, na edição deste ano, o jazz de Joshua Redman e Brad Mehldau vai disputar as atenções dos frequentadores com o pop de David Byrne e a música eletrônica da banda Massive Attack.

Sting e Byrne também participaram há pouco do Jazz & Heritage Festival, em Nova Orleans. Realizado há 49 anos, esse tradicional megaevento, que prioriza vertentes da música afro-americana em seus 12 palcos, foi bastante criticado quando começou a incluir medalhões do rock e do pop, mesmo reservando palcos exclusivos ao jazz moderno, ao jazz tradicional e ao blues.

Engana-se quem pensa que os festivais de jazz derivam de lendários eventos de rock, como o Monterey Pop (1967) ou Woodstock (1969). Criado em 1954 pelo pianista e produtor George Wein, o pioneiro Newport Jazz Festival teve como sede a cidade de Rhode Island, balneário norte-americano onde é realizado até hoje.

No Brasil, apreciadores do jazz tiveram que esperar até 1978 para desfrutar seu primeiro festival. Uma parceria com o evento suíço Montreux Jazz permitiu a realização do Festival Internacional de Jazz de São Paulo, que ainda realizou uma segunda edição em 1980. A transmissão ao vivo desses shows para outras regiões do país, por meio da TV Cultura, contribuiu para a formação de novas plateias para o gênero.

Nas décadas de 1980 e 1990, vieram o Free Jazz Festival e o Heineken Concerts, concentrados, basicamente, no eixo Rio-São Paulo. Já neste século, dezenas de eventos de jazz e blues se estabeleceram em outras regiões do país, formando um circuito que abrange quase todo o ano. O mais antigo é o cearense Festival Jazz & Blues, realizado há 19 anos durante o carnaval, nas cidades de Guaramiranga e Fortaleza.

Alguns desses eventos, como os fluminenses Rio das Ostras Jazz & Blues (cuja 15ª edição termina neste domingo, 17/6) e o Bourbon Festival Paraty (que realizou a 10ª edição em maio), têm relação estreita com as prefeituras dessas cidades. São festivais idealizados como meios para incrementar o turismo nessas regiões, além de estimular a formação cultural dos moradores.

Já o Savassi Festival, que desde 2003 é realizado nas ruas e em teatros de Belo Horizonte (MG), tem um perfil diferente. Em vez de programar jazzistas de renome, o produtor Bruno Golgher optou por estabelecer uma relação direta com os músicos da cena instrumental mineira. Ele incentiva a composição de obras pelos músicos locais e também parcerias com estrangeiros.

Não foi à toa que o número de festivais de jazz cresceu muito desde o início deste século, tanto no exterior como no Brasil, e ainda pode aumentar mais. Esses eventos redefiniram a experiência que as plateias tinham nos clubes ou em teatros: a descontração dos concertos ao ar livre e a possibilidade de se assistir a diversas atrações musicais em um único dia pesam a favor dos festivais.

No caso do jazz, há um diferencial a mais: ver e ouvir um músico, cantor ou instrumentista, em carne e osso, usar o improviso como ferramenta de criação artística. Nesta época em que passamos tantas horas diárias olhando para telinhas de smartphones e tablets, essa é uma experiência especial que nos faz sentir mais vivos.

(Texto publicado no caderno Ilustríssima, da "Folha de S. Paulo", em 17/06/2018)


Novos Talentos do Jazz: inscrições para grupos instrumentais vão até 30/4

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                                                                   O pianista Vitor Arantes, vencedor do concurso em 2017

Alguns dos principais festivais brasileiros de jazz e música instrumental organizaram um concurso que incentiva o cultivo dessas vertentes musicais entre os jovens. Com inscrições abertas até 30/4, o Novos Talentos do Jazz 2018 é dirigido a grupos instrumentais de residentes em todo o território nacional, formados por músicos com até 30 anos de idade.

Promovido pela Rede Nacional de Festivais de Jazz e Música Instrumental, essa competição oferece a possibilidade de os selecionados exibirem sua música em cinco conceituados eventos nacionais: Savassi Festival (Belo Horizonte, MG), Sampa Jazz Fest (São Paulo, SP), POA Jazz Festival (Porto Alegre, RS), Festival de Jazz & Blues (Guaramiranga, CE) e TUM Sound Festival (Florianópolis, SC).

Mais informações neste link: Edital - Novos Talentos do Jazz 2018

Toots Thielemans (1922-2016): o jazz perde o lirismo e o sorriso do grande gaitista

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                                         O gaitista e jazzista belga Toots Thielemans, nos anos 1960  

O jazz perdeu o talento de Toots Thielemans, ícone mundial da gaita. O músico e compositor belga morreu na manhã desta segunda-feira (22/8), dormindo em um hospital de Bruxelas, segundo sua produção. Tinha 94 anos e estava internado havia um mês, após sofrer uma queda.

Introdutor da gaita de boca (ou harmônica) na cena internacional do jazz, ele reinou absoluto por cerca de seis décadas. As limitações técnicas desse instrumento não o impediram, ainda nos anos 1950, de dividir shows e gravações com expoentes do gênero. Para isso adotou a harmônica cromática (evolução da gaita diatônica, que é mais utilizada pelos músicos de blues).

“Quando comecei a tocá-la, na década de 1940, os músicos de Bruxelas diziam que eu devia jogá-la fora. A gaita era tratada como um brinquedo, não um instrumento de verdade”, contou Thielemans a este repórter, em entrevista publicada na “Folha de S. Paulo” , em 2007.

Antes de se popularizar como gaitista, já era reconhecido como um promissor guitarrista. Em 1950, excursionou pela Europa com o sexteto do clarinetista Benny Goodman. No ano seguinte emigrou para os Estados Unidos, onde integrou por seis anos o quinteto do pianista George Shearing.

Já atuando como solista, em 1961, lançou “Bluesette” –- delicada valsa de sua autoria, em cuja gravação associou seu assobio ao som da guitarra. Gravada posteriormente por dezenas de músicos de diversos países, essa composição tornou-se um clássico do jazz e jamais saiu do repertório dos shows do gaitista.

Entre tantas parcerias com jazzistas de alto quilate, como Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Shirley Horn ou Jaco Pastorious, o disco que Thielemans gravou com o pianista Bill Evans, “Affinity” (1979), é um trabalho um tanto esnobado na época, que merece ser reavaliado.

A expressividade de sua gaita também o levou a ser convidado para gravar trilhas sonoras para filmes, como o hoje cultuado “Perdidos na Noite” (1969), “Os Implacáveis” (1972) e “Jean de Florette” (1986), entre outros. Também participou de trilhas sonoras de programas de TV, como “Vila Sésamo”.

Ao gravar um disco com a cantora Elis Regina (“Aquarela do Brasil”, mais tarde rebatizado de “Elis & Toots”), em 1969, Thielemans expressou sua paixão pela música brasileira, interpretando canções de Ary Barroso, Tom Jobim, Edu Lobo e Egberto Gismonti, entre outros.

Já em 1992, reacendeu o namoro com a MPB no álbum “The Brasil Project”. Produzido pelo violonista Oscar Castro-Neves, este reunia canções de Ivan Lins, Djavan, Chico Buarque, João Bosco, Milton Nascimento, Dori Caymmi, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros, além de participações dos próprios compositores. A repercussão internacional desse disco o levou a lançar “The Brasil Project 2”, no ano seguinte.

Desde 1980, quando se apresentou no 2.º Festival Internacional de Jazz de São Paulo, Thielemans retornou várias vezes ao país –- a última foi em 2009, no Festival Jazz & Blues de Guaramiranga (CE). Um festival de jazz com seu nome foi anunciado para setembro, em La Hulpe (a 25km de Bruxelas), onde vivia.

Quem teve a sorte de vê-lo tocar ao vivo, sabe que, além do lirismo rasgado de sua gaita, no palco ele revelava uma alegria contagiante, quase infantil. O sorriso de Toots também vai fazer muita falta.

(Texto publicado na “Folha de S. Paulo”, em 23/8/2016) 









Koko-Jean Davis e Raphael Wressnig: destaques em Guaramiranga e Gravatá

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                               Koko-Jean Davis e Raphael Wressnig, no clube Bourbon Street, em São Paulo
 
Os cearenses e pernambucanos que preferem trocar as folias carnavalescas por jazz, blues e música instrumental vão poder conhecer, nos próximos dias, duas brilhantes revelações da cena musical europeia: a cantora Koko-Jean Davis e o organista Raphael Wressnig, que estão entre as atrações do 17º Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga (CE) e do 1º Gravatá Jazz Festival (PE).

Ontem à noite, em São Paulo, a cantora e o organista deram uma prévia do que vão apresentar durante o Carnaval, nesses festivais do Nordeste. No palco do clube Bourbon Street também estava Igor Prado (na foto abaixo), conceituado guitarrista de blues e principal responsável pela primeira turnê brasileira desses artistas. 


Quem foi ao Bourbon Street sem maiores informações deve ter se surpreendido com o talento de todos. A noite começou com a coesa Igor Prado Band, que ofereceu uma generosa base para os solos do organista austríaco. Raphael Wressnig não é apenas um improvisador criativo, que domina as linguagens de gêneros como o rhythm & blues, o soul, o jazz e o gospel. Performático, chegou até a subir no órgão, deixando a plateia excitada.

Já a carismática Koko-Jean –- moçambicana que vive em Barcelona, na Espanha –- só precisou de alguns instantes no palco para conquistar novos fãs. Não à toa já a compararam à elétrica Tina Turner. Como ela, Koko-Jean revela uma energia contagiante, em suas performances. Seu repertório, calcado na soul music e no rhythm & blues, lembra um pouco o de outra diva do gênero: Sharon Jones. Esse é o caso de “I Don’t Love You no More”, canção que Koko-Jean transformou em sucesso, nos palcos europeus, quando ainda se apresentava com a banda The Excitements.

Bem conhecido no circuito dos festivais brasileiros de blues e jazz, o paulista Igor Prado também vive um momento especial em sua carreira. Depois de liderar o ranking de execução em rádios norte-americanas dedicadas ao blues, seu álbum "Way Down South" foi indicado para o Memphis Blues Awards, um dos prêmios mais respeitados do gênero.

Mais informações nos sites do Festival Jazz & Blues e do Gravatá Jazz Festival.



Festival Jazz & Blues de Guaramiranga: quinteto Vento em Madeira abre evento cearense

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O quinteto instrumental paulistano Vento e Madeira abre amanhã (1º/3) a 15ª edição do Festival Jazz & Blues, que será realizada nas cidades de Guaramiranga e Fortaleza, no estado do Ceará. Baseado na criativa parceria que a flautista Léa Freire e o saxofonista e flautista Teco Cardoso desenvolvem desde a década de 1970, o grupo destaca também o pianista Tiago Costa, o baixista Fernando Demarco e o baterista Edu Ribeiro.

Depois de promover um ensaio aberto, às 17h, na Cidade Jazz & Blues, o Vento em Madeira vai se apresentar às 21h30, com participação especial da cantora Mônica Salmaso, presente também em “Brasiliana” (2013), o segundo álbum do quinteto. Quem abre a noite é o grupo local Marimbanda.

O festival prossegue até dia 4/3 (terça), em Guaramiranga, com as apresentações de Edu Lobo, do guitarrista Robertinho de Recife, de Francis e Olivia Hime, da violinista e cantora cubana Yilian Cañizares, de Itiberê Zwarg e Grupo, do harpista colombiano Edmar Castañeda e do guitarrista Artur Menezes, entre outras atrações.

A programação em Fortaleza, nos dias 6 e 7/3, é mais reduzida: inclui shows de Robertinho de Recife, Big Band Unifor, Lidia Maria, Edmar Castañeda e Andrea Tierra. Um dos maiores eventos do gênero no Brasil, o festival cearense também oferece atividades didáticas nas áreas de música e gastronomia.

Mais informações no site do Festival Jazz & Blues

Festivais de jazz e blues: um circuito em expansão que incentiva o turismo no Brasil

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                       O guitarrista Lucky Peterson, no 11º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

Até a década de 1990, os brasileiros interessados em shows de jazz ou gêneros musicais afins, como blues, soul ou o r&b, tinham poucas opções. Se não pudessem viajar para os Estados Unidos ou para a Europa, onde centenas de festivais de música agitam o período do verão, tinham que se contentar com os raros eventos de jazz e blues realizados por aqui somente no eixo São Paulo-Rio.

Hoje, o cenário é bem diferente. A temporada de festivais desse gênero no país se estende por todo o ano, praticamente, e cobre quase todas as regiões brasileiras. Nos próximos meses, esse circuito destaca shows de músicos de renome na cena internacional, como Pat Metheny, Brad Mehldau, Cassandra Wilson, Esperanza Spalding, Trombone Shorty, Buddy Guy, James Cotton, Bob Mintzer, Stanley Jordan e Egberto Gismonti, entre outros.

“Os festivais de jazz estão proliferando pelo Brasil – alguns são mais ortodoxos, outros mais abertos. Não temos ainda um festival com o prestígio de um Montreux, de um North Sea ou do New Orleans Jazz Fest, mas estamos a caminho”, compara o produtor Edgard Radesca, que acaba de realizar a 5ª edição do Bourbon Festival Paraty. Com recorde de público nas três noites, o evento atraiu mais de 30 mil pessoas à cidade histórica do litoral fluminense. “Sem falsa modéstia, Paraty oferece todas as condições para um festival de prestígio internacional. Música de qualidade, num local paradisíaco, é uma combinação muito forte”.

Radesca já trabalha na preparação do 11º Bourbon Street Fest, com shows gratuitos em São Paulo, Brasília e no Rio, em agosto. “Recebemos solicitações para estendê-lo também a Salvador e Florianópolis, neste ano. Vamos aumentar as atrações dirigidas a plateias mais jovens, já que esta tem sido a tendência do nosso publico”, revela o produtor. No elenco, segundo ele, está confirmada a presença de Trombone Shorty, revelação da eclética cena musical de New Orleans (EUA), que hoje circula pelos principais festivais do mundo, assim como a banda Soul Rebels, que mistura funk, soul, r&b e rock.



                            A banda Soul Rebels, atração do 11º Bourbon Street Fest, em agosto

Outro festival que acaba de realizar sua 11ª edição, o Rio das Ostras Jazz & Blues, também no litoral fluminense, ofereceu cinco palcos, entrada franca e um elenco que não devia nada a festivais similares nos EUA, que destacou o baixista Stanley Clarke, o trompetista Christian Scott e os guitarristas Lucky Peterson, Vernon Reid e Scott Henderson, entre outros. “Muitos já admiram nosso festival lá fora. Confirmo isso pelos convites que recebo para palestras na Europa e nos EUA, e também pelos e-mails de empresários e músicos”, comenta o produtor Stenio Mattos, ressaltando que o evento tem crescido ano a ano.

“O mais importante é que o festival trouxe uma mudança de paradigma cultural: desenvolvimento turístico, novas escolas de música para a cidade, até em nível superior, e o envolvimento da população de Rio das Ostras com o projeto”, considera o produtor. Entre as novidades na estrutura da última edição, além de telões de última geração e um piso para evitar a lama provocada por chuvas eventuais, o evento contou com tendas que ofereciam aluguel de bicicletas para facilitar a locomoção entre os palcos espalhados pela cidade.

Até o final de julho, outros oito festivais serão realizados nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste do país. O maior deles é o 3º BMW Jazz Festival, com shows em São Paulo (de 6 a 9/6) e Rio (de 8 a 10/6). Curador do evento, Zuza Homem de Mello destaca no elenco o trio do pianista Brad Mehldau e a big band da baixista e vocalista Esperanza Spalding, bem conhecidos entre os fãs do gênero no país, além do recém-criado quarteto James Farm, que inclui o saxofonista Joshua Redman.

“A atração para quem quer saber o que há de novo no jazz é o quinteto do baterista Jonathan Blake, que tem como surpresa o sax alto de Jaleel Shaw. Possivelmente será o grupo comentado pelos que estão atrás dos futuros ídolos do jazz”, observa Homem de Mello. Já o guitarrista Pat Metheny, artista de maior visibilidade nessa edição, receberá tratamento inédito em dezenas de festivais realizados pela Dueto Produções desde os anos 1980: noites exclusivas, cujos ingressos já estão esgotados. Para consolo dos que ficaram de fora, Metheny também fará um show gratuito ao ar livre, no dia 9/6 (domingo), às 17h, no parque do Ibirapuera, em São Paulo, além de outro pago, no Bourbon Street Music Club, na noite de 8/6 (sábado).


                          A cantora e baixista Esperanza Spalding, atração do BMW Jazz Festival, em junho

Pioneira na produção de festivais do gênero, Monique Gardenberg confirma a boa imagem do Brasil nessa área. “Acho que carregamos esse prestígio desde 1985, quando criamos com muita seriedade o Free Jazz Festival, para a Souza Cruz. Demos continuidade, em 2003, com a Tim, e agora, com a BMW, produzimos um festival dedicado exclusivamente ao jazz. Ao longo desses quase 30 anos estabelecemos uma relação de confiança com agentes de artistas do mundo inteiro”.

Logo após o BMW Jazz será realizada, em São Paulo, de 10 a 13/6, a primeira edição do Best of Blues Festival. O nome soa pretensioso, mas a programação desse evento inclui shows de quatro conceituados veteranos do gênero: os guitarristas norte-americanos Buddy Guy e Taj Mahal, o pianista e cantor Dr. John (de New Orleans), ou ainda o guitarrista e cantor britânico John Mayall. Outro destaque do evento é a primeira apresentação no país de Shemekia Copeland, ótima cantora de blues.

Com apenas um ano, o paulista Santos Jazz Festival (de 18 a 23/6) já revela crescimento na estrutura de sua segunda edição. “Teremos sete palcos contra três da edição anterior; seis dias de shows contra os quatro do ano passado”, compara Denise Borges, diretora executiva do evento, cujo programa destaca Egberto Gismonti, Banda Mantiqueira, o violonista Romero Lubambo, a cantora Leny Andrade e o trombonista Stafford Hunter.

Eventos já consagrados em várias edições, o 8º Festival Amazonas Jazz (de 23 a 28/7, em Manaus) e o 11º Savassi Festival (de 10 a 21/7, em Belo Horizonte) têm mais em comum do que o fato de estarem agendados para o mês de julho. Promovem atividades para aprimorar a formação dos músicos locais e privilegiam músicos conceituados que não aparecem com frequência em eventos do gênero. O festival amazonense contará neste ano com os saxofonistas americanos Bennie Maupin e Bob Mintzer, com o pianista português Mário Laginha e com o saxofonista cubano Felipe Lamoglia, entre outros.



Bruno Golgher, produtor do Savassi Festival, que prepara para setembro uma edição especial do evento em Nova York, considera que hoje os festivais brasileiros já recebem o mesmo tratamento que seus similares pelo mundo. “É impressionante como a música brasileira é respeitada, amada e tocada por músicos estrangeiros”, diz. Para efetivar essa primeira edição nova-iorquina, Golgher fechou parcerias com duas universidades locais, a Columbia e a New York. E já no próximo ano pretende trabalhar também com o Berklee College of Music.

“Hoje o Savassi Festival possui uma concepção artística ampla: partimos do jazz, tradicional ou não, e da música instrumental brasileira, mas trabalhamos nas interfaces com a música orquestral, com a música eletrônica, com o rock, o hip-hop, o choro e, a partir deste ano, com o folk”, explica o produtor, observando que, ao crescer, o festival viu seu cânone artístico se transformar. Entre os artistas já definidos para a próxima edição, destacam-se dois guitarristas dinamarqueses – Jacob Bro e Mikkel Ploug – escalados para colaborar com os músicos mineiros Anderson Noise e Pedro Durães.

A programação do 3º Jazz na Fábrica – festival produzido pelo Sesc Pompéia, em São Paulo – ainda não esta fechada, mas, segundo sua assessoria de imprensa, a próxima edição focalizará o jazz africano e o latino. Com um perfil musical que reflete a globalização desse gênero musical, o evento tem trazido atrações de diversos países e se estende por um mês – agosto, neste ano. As negociações para trazer a cantora norte-americana Cassandra Wilson, o pianista porto-riquenho Edsel Gomez e o trompetista franco-libanês Ibrahim Maalouf já estão em estágio avançado.


                      O trompetista Terence Blanchard, atração do Choro Jazz Festival, em dezembro

Com quatro edições realizadas na bela praia de Jericoacoara e em Fortaleza (CE), o Choro Jazz Festival também tem crescido, sem abrir mão de sua essência. “A educação musical está acima de tudo. É o que priorizo, cada vez mais, com oficinas ministradas por grandes mestres da música”, afirma o produtor Antonio Capucho, que criou a Escola Choro e Jazz Jericoacoara, em 2012. “Ela funciona durante todo o ano e é sustentada em parte pela produção do festival e pela boa vontade da comunidade”, explica. No elenco deste ano, já estão confirmados o saxofonista Terence Blanchard (na foto acima), o cantor João Bosco e a cavaquinhista Luciana Rabello.

Lançado na semana passada, com show do baixista Stanley Clarke, em Belo Horizonte, o 6º Vijazz & Blues Festival, que nasceu em Viçosa (MG), é sintomático do crescimento do circuito de festivais de jazz pelo país. “Esta edição será a maior de todas, com nossa expansão para as cidades de Ponte Nova, Juiz de Fora e Araxá. Também já temos convites para levar o circuito a outras cidades de Minas Gerais e dos estados de São Paulo e Rio”, comemora o produtor Sergio Lopes.


Programe-se com um roteiro dos principais festivais de jazz e blues, que serão realizados pelo país, nos próximos meses:
http://www.carloscalado.com.br/2013/01/festivais-em-2013-prepare-se-para.html

(versão integral da reportagem publicada no jornal “Valor Econômico”, em 5/06/2013)

Festivais em 2013: os principais eventos de jazz, blues e música instrumental no país

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Este é um roteiro com as atrações dos principais festivais brasileiros em 2013, ampliado e atualizado regularmente, para que os fãs do jazz, do blues e da música instrumental brasileira possam se planejar com antecedência.

                                                       

                                                     O trompetista Terence Blanchard, atração do 5º Choro Jazz

5° Festival Choro Jazz
Quando e onde: de 28 a 30/11, em Fortaleza; de 3 a 8/12, em Jericoacoara (CE)
Atrações: Terence Blanchard, João Bosco, Gilson Peranzzetta e Mauro Senise, Gianluca Littera Quarteto, Trio Curupira, Nonato Luiz e Túlio Mourão, Laércio de Freitas Trio, Luciana Rabello Quarteto, Renato Borghetti, Alegre Correa, Zé da Velha e Silvério Pontes, entre outros 
www.chorojazz.com

10º Chorando Sem Parar
Quando e onde: de 2 a 8/12, em São Carlos (SP)
Atrações: "Homenagem a Nazareth", com César Camargo Mariano e Romero Rubambo; Arthur Moreira Lima; Izaias e Seus Chorões com Dimos Goudaroulis e Tibô Delor; Marcos Nimrichter e Toninho Ferraguti; Michèle Drees Trio, Libertango,Trio Lanzelotte, Saçurá, Choro & Cia e outros



2014

15º Festival Jazz & Blues
Quando e onde: de 28/2 a 4/3/14, em Guaramiranga e Fortaleza (CE)
Atrações: não divulgadas
www.jazzeblues.com.br

7º Garanhuns Jazz Festival
Quando e onde: em março de 2014, em Guaranhuns (PE)
Atrações: não divulgadas
www.garanhunsjazz.com.br/





Os festivais abaixo já aconteceram, mas devem voltar em 2014, em datas ainda não divulgadas:


5º Bourbon Festival Paraty
Quando e onde: de 24 a 26/5/2013, em Paraty (RJ)
Atrações: Stanley Clarke, Incognito, Big Sam's Funky Nation, Germaine Bazzle, Raul de Souza, Céu, Mart'nália, Carlos Barbosa Lima, Jefferson Gonçalves e Big Joe Manfra, Serial Funkers e Ed Motta, entre outros
www.bourbonfestivalparaty.com.br

11º Rio das Ostras Jazz & Blues
Quando e onde: 29/5 a 3/6/2013, em Rio das Ostras (RJ)
Atrações:
Stanley Clarke, Lucky Peterson, Victor Wooten, Christian Scott, John Primer, Scott Henderson, Vernon Reid, Will Calhoun & Donald Donald Harrison, Diego Figueiredo, Léo Gandelman & Charlie Hunter, Arthur Maia e Tributo a Celso Blues Boy, com Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves e Ivo Pessoa, entre outros
www.riodasostrasjazzeblues.com

3º BMW Jazz Festival
Quando e onde: de 6 a 9/6, em São Paulo (SP) e de 8 a 10/6, no Rio de Janeiro (RJ)
Atrações: Pat Metheny & Unity Band, James Farm (com Joshua Redman), Esperanza Spalding Radio Music Society, Egberto Gismonti e Orquestra Corações Futuristas, Brad Mehldau Trio, Johnathan Blake Quintet, Joe Lovano & Dave Douglas Quintet
www.bmwjazzfestival.com

Best of Blues Festival
Quando e onde: de 11 a 13/6, em São Paulo (SP)
Atrações: Buddy Guy, Taj Mahal, John Mayall, Dr. John, Shemekia Copeland, Chris Cornell e Nuno Mindelis
www. dancarmarketing.com.br
                                    

2º Santos Jazz Festival
Quando e onde: de 18 a 23/6, em Santos e Cubatão (SP)
Atrações: Egberto Gismonti, Leny Andrade & Romero Lubambo, Banda Mantiqueira, Robertinho Silva, Yaniel Matos & Max de Castro, Stafford Hunter, Proveta e Banda Marcial Cubatão, entre outros
www.santosjazzfestival.com.br

6º Poços de Caldas Jazz & Blues Festival
Quando e onde: de 4 a 7/7, em Poços de Caldas (MG)
Atrações: Henry Gray, Bob Corritore, Tail Dragger e outros não divulgados
www.jazzbluespocosdecaldas.com.br 
                                           
11º Savassi Festival
Quando e onde: 10 a 21/7, em Belo Horizonte (MG)
Atrações: Jakob Bro Trio, Anderson Noise, Mikkel Plough, Cliff Korman, Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Fabiano Castro, Bernardo Fabris Quinteto, além de outros a serem anunciados

www.savassifestival.com.br
                                      
Petra Jazz Ilhabela
Quando e onde: 18 a 20/7, em Ilhabela (SP)
Atrações: Paquito D'Rivera & Trio Corrente, Playing for Change, Rosa Passos, Spok Frevo Orquestra, Hamilton de Holanda Trio, Bamboo Quarteto, Eduardo Neves Quarteto, Edu Negrão e outros
http://petrajazzilhabela.com.br

8° Festival Amazonas Jazz
Quando e onde: 23 a 28/7, em Manaus (AM)
Atrações: Bob Mintzer, Bennie Maupin, Mário Laginha, Rosa Passos, Chico Pinheiro e outros a confirmar
https://www.facebook.com/events/477699022258305/?ref=nf

8º Ilha Blues Festival Internacional
Quando e onde: 25 a 28/7, em Ilha Comprida (SP)
Atrações: James Cotton, Lurrie Bell, Eddie Taylor Jr., Nuno Mindelis, Michael Dotson, Ari Borger, Artur Menezes, Jefferson Gonçalves, Big Chico, Fulvio Oliveira e General Blues  
www.facebook.com/IlhaBluesFestival


Festival Moacir Santos
Quando e onde: 2 e 3/8, no Teatro Santa Isabel, Recife (PE)
Atrações: The Clare Fisher Big Band, Mark Levine & The Latin Tinge, Banda Ouro Negro, Quarteto Coisas 
www.festivalmoacirsantos.art.br

5º Lençóis Jazz e Blues Festival
Quando e onde: de 2 a 4/8, em Barreirinhas (MA), e de 9 a 10/8, em São Luís (MA) 
Atrações: Stanley Jordan, Yamandu Costa, Igor Prado, Delicatessen, J.J. Jackson, Rio Jazz orchestra, Ari Borger e outros
www.lençoisjazzeblues.com

1º Festival Internacional de Música em Goiás
Quando e onde: 14 a 16/8, em Goiânia; 17 e 18/8, em Pirenópolis (GO)
Atrações: The Soul Rebels, LeRoy Jones & Topsy Chapman, Hamilton de Holanda, Wagner Tiso, Victor Biglione, Bororó, Gilson Peranzzetta, Blues Etílicos, Orquestra de Sopros e Percussão de Goiânia e outras


                                                                        

11º Bourbon Street Fest
Quando e onde: de 18 a 25/8, em São Paulo (SP)
Atrações: Trombone Shorty & Orleans Avenue, The Soul Rebels, Wanda Rouzan, Leo Nocentelli, Leroy Jones & Topsy Chapman, Honey Island Swamp Band e outros
www.bourbonstreetfest.com.br

                                                        
4º Fest Bossa & Jazz
Quando e onde: de 22 a 25/8, em Praia da Pipa (RN)
Atrações: Ivan Lins,Stanley Jordan, Peter 'Madcat' Ruth, Babi Mendes e outras 
http://festbossajazz.com.br


3º Jazz na Fábrica
Quando e onde: de 1/8 a 1/9, no Sesc Pompéia, em São Paulo (SP)
Atrações: McCoy Tyner, Cassandra Wilson, David Murray & Macy Gray, Edsel Gomez, Dr. Lonnie Smith, Richard Bona, Roscoe Mitchell, Ivo Perelman, Ibrahim Maalouf, Sun Rooms, Eliane Elias, João Donato, Raul de Souza, Duo Nazário e outros 
www.sescsp.org.br

10º Mimo
Quando e onde: de 23 a 25/8, em Paraty (RJ); de 29/8 a 1/9, em Ouro Preto; de 2 a 8/9, em Olinda (PE)
Atrações: Stefano Bollani & Hamilton de Holanda, Richard Galliano, Jards Macalé, Herbie Hancock, Stephan Micus, João Bosco, Madredeus, Ibrahim Maalouf, Guillaume Perret & Electric Epic, Rum Tareq Al Nasser, Mandolinman, Gilberto Gil & Orquestra de Sopros da Pro Arte, BNegão e outras
www.mimo.art.br

  
6º Vijazz & Blues  Festival
Quando e onde: de 29/08 a 9/09, em Viçosa, Ponte Nova, Araxá e Juiz de Fora (MG)
Atrações: Peter Madcat Ruth, Flavio Guimarães, Luciano Soares e outros
www.vijazz.com.br

3º Ipiabas Blues Jazz Festival
Quando e onde: de 30/8 a 1/9, em Barra do Piraí (RJ)
Atrações: Stanley Jordan Trio, Peter "Madcat" Ruth, Azymuth e Hélio Delmiro, Kenny Brown, Derico e Chiquinho Jazz Quinteto 
https://www.facebook.com/Ipiabasbluesjazzfestival


3º Petrópolis Jazz & Blues Festival
Quando e onde: de 10 a 12/10, em Petrópolis (RJ)
Atrações: Larry Coryell, Sax Gordon, Peter Fessler, Rodica Weitzman, Vasti Jackson, Taryn Szpilman, Igor Prado Band, Pepe Cisneros, Monte Alegre Hot Jazz Band e outras
www.petropolisjazzeblues.com.br


6º CopaFest
Quando e onde: de 31/10 a 2/11, no Rio de Janeiro (RJ)
Atrações:Wagner Tiso & Som Imaginário, Tomás Improta, Raul de Souza, Max de Castro e Duo Elo
www.copafest.com.br


5º Back2Black Festival                         
Quando e onde: 15 a 17/11, no Rio de Janeiro e em São Paulo
Atrações: Bobby Womack, Femi Kuti & The Positive Force, Keziah Jones, Concha Buika, Mayra Andrade, Orquestra Baobab, The Blind Boys of Alabama, Milton Nascimento, Pee Wee Ellis & Banda Black Rio, Baloji, Keziah Jones, Criolo & Tony Allen www.back2blackfestival.com.br/    

3º Canoas Jazz                              
Quando e onde: 13 a 24/11, em Canoas (RS)
Atrações: Ravi Coltrane, Egberto Gismonti, Sandro Albert, Joyce Moreno, À Deriva, Alegre Correa, Kiko Freitas, Luizinho Santos, Paulinho Cardoso e outros
http://www.canoas.rs.gov.br/~canoasrs/canoasjazz/canoas_jazz.htm
                               

 

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