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10º Best of Blues & Rock Festival: Buddy Guy se despede dos palcos, em São Paulo

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                                                Buddy Guy, guitarrista e cantor, no New Orleans Jazz Fest, em 2018 

O Brasil não poderia ficar fora dessa. Neste ano em que carismático guitarrista e cantor norte-americano Buddy Guy realiza a Damn Right Farewell Tour, sua turnê mundial de despedida dos palcos, o Best of Blues & Rock Festival vai comemorar sua 10.ª edição (de 2 a 4 de junho, na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo), com esse lendário mestre do blues entre suas atrações.

Nem é preciso ser fã de Buddy Guy para imaginar que esse será um dos grandes eventos musicais de 2023. Cultuado por outros astros da guitarra elétrica, como Jimi Hendrix, Jeff Beck, Eric Clapton e Keith Richards, Buddy conquistou seu lugar entre esses heróis do rock e do blues, ao trocar no final dos anos 1950 os pântanos da conservadora Louisiana, sua terra natal, pela efervescente cena musical da urbana Chicago.

No início da década de 1980 (a mesma época em que fez suas primeiras e explosivas apresentações por aqui, no 150 Night Club, em São Paulo), Buddy aceitou uma missão difícil. Ao pressentir que já tinha pouco tempo de vida, o grande Muddy Waters fez a ele um pedido em tom pessoal: “Mantenha o maldito blues vivo”.

Fiel ao veterano mestre do blues eletrificado de Chicago e às lições de outros craques do gênero, como seu parceiro Junior Wells, B.B. King ou Howlin’ Wolf, o incansável Buddy manteve acesa a chama desse gênero musical, fazendo turnês e se apresentando nos melhores clubes e festivais pelo mundo. Seu estilo pessoal, que une a tradição do blues à irreverência do rock & roll, é irresistível.

Tive o privilégio de vê-lo tocar várias vezes, no Brasil e em festivais pelo mundo – a última delas em 2018, no New Orleans Jazz & Heritage Festival, na Louisiana. Não importa se ele interpreta um blues pungente ou detona um eletrizante rock: o sorriso no rosto de Buddy não costuma faltar. Tomara que ainda ele consiga manter essa alegria ao se despedir da plateia brasileira, já próximo de completar 87 anos. Como fã de Buddy há quatro décadas, sei que será difícil segurar as lágrimas.

Informações sobre o elenco e ingressos para o Best of Blues & Rock Festival, que inclui os shows de despedida de Buddy Guy, em São Paulo, dias 3 e 4/6, neste link:
https://www.bestofbluesandrock.com.br/

Gary Moore: guitarrista e bluesman irlandês sua a camisa em tributo a Jimi Hendrix

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O pretexto para a realização deste show foi o lançamento em vídeo da lendária performance de Jimi Hendrix (1942-1970), no Festival de Monterey. Claro que qualquer tributo musical a esse herói da guitarra jamais vai substituir a experiência de ouvi-lo tocar ao vivo, mas a homenagem do bluesman irlandês Gary Moore, morto prematuramente em 2011, é também uma boa oportunidade para aqueles que ainda desconhecem seu talento possam apreciá-lo.

Gravado em 2007, num clube de Londres, o bluray "Blues for Jimi" (lançamento Eagle/ST2) destaca Moore e seu trio interpretando clássicos da obra de Hendrix, como “Purple Haze”, “Foxy Lady” e “Angel”. Traz ainda as participações especiais de dois parceiros de Hendrix: o baixista Billy Cox e o baterista Mitch Mitchell, em “Red House”, “Stone Free” e “Hey Joe”. Moore não é tão bem dotado nos vocais, como Hendrix, mas sua guitarra jamais decepciona. Um bluesman de estilo sanguíneo, que sua literalmente a camisa.


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 29/6/2013


Gal Costa: caixa "Gal Total" reúne 15 primeiros discos da cantora e 28 gravações raras

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Já está nas lojas “Gal Total”, caixa que reúne os 15 primeiros álbuns da carreira de Gal Costa. Do bossa-novista “Domingo” (1967), que ela gravou em parceria com Caetano Veloso, ao popular “Baby Gal” (1983), disco que marcou o final de seu contrato com a gravadora Philips (hoje Universal), essa edição resgata, por meio da voz privilegiada dessa intérprete, um dos períodos mais criativos da música popular brasileira, com destaque para a fase tropicalista.

Além dos 15 álbuns, essa caixa também inclui um CD duplo com 28 gravações raras, extraídas de compactos, de discos de festivais ou de projetos especiais. Muitas dessas faixas estavam inéditas até hoje em CD, como “Dadá Maria” (que Gal gravou em duo com o compositor Renato Teixeira) e “Bom Dia” (de Gilberto Gil e Nana Caymmi), ambas produzidas para o LP “3º Festival da Música Popular Brasileira”, lançado em 1967.

A seguir, uma entrevista com a cantora, que fala de sua paixão pela bossa de João Gilberto e relembra o episódio da canção “Divino Maravilhoso” (veja o video abaixo), marco de uma nova atitude em sua carreira, estimulada pelas inovações da Tropicália. Finalmente, Gal anuncia para 2011 a gravação de seu novo álbum com repertório inédito assinado por Caetano Veloso.

Como foi a sensação de ver as duas primeiras décadas de sua obra musical sintetizadas em “Gal Total”?
Gal Costa - Fiquei muito feliz, porque muitos dos meus discos estavam fora de catálogo. É importante que uma obra tão rica como essa seja registrada, inclusive para os jovens de hoje que se interessam tanto por minha história como pela história do Tropicalismo.

No encarte da caixa, você comenta que resistiu muito à idéia de cantar iê-iê-iê (o rock dos anos 60), apesar da insistência de seu produtor, Guilherme Araújo. Por quê?
Gal - Como eu era totalmente apaixonada por João Gilberto, tinha uma tendência a não gostar de quase mais nada. Eu até gostava de Roberto Carlos, mas não me via cantando aquilo. Era uma questão de postura. Para mim, João Gilberto era um deus e a bossa nova era a maior música que existia no mundo.

O que a fez mudar de atitude?
Gal - Convivendo com Caetano Veloso e Gilberto Gil, fui absorvendo toda aquela discussão do Tropicalismo. Ouvia Jimi Hendrix e Janis Joplin com Gil e aquilo começou a entrar em mim. Quando fui cantar “Divino Maravilhoso” (no Festival de MPB da TV Record, em 1968), Gil perguntou como eu queria fazer. Então disse a ele que queria cantar de uma maneira bem diferente, com um arranjo extrovertido, para fora. Eu queria o oposto do que eu era. Até Caetano, que não participou do ensaio, tomou um susto quando me viu cantar (risos).

Seus fãs mais saudosistas ainda cobram que você mantenha aquela atitude transgressiva dos tempos da Tropicália?
Gal - Essa cobrança já foi feita por muito tempo, mas eu acho que hoje ninguém mais cairia no ridículo de cobrar que eu mantenha aquela postura revolucionária, que eu seja hoje o que eu era na época do Tropicalismo. Se essa cobrança ainda acontecer um dia, vou dar muita gargalhada.

Você sente saudade dos anos 60 ou 70?
Gal – Não sou uma pessoa saudosista. Posso ter saudade da época em que minha mãe era viva, mas não sinto que aquele tempo é melhor do que este. Estou num momento maravilhoso, continuo cantando muito pelo mundo todo. Minha voz está ótima, perfeita. Não perdi nada, só ganhei.

No encarte, você relembra que gravava os vocais de seus discos muitas vezes, no início da carreira. Esse perfeccionismo também tinha a ver com a admiração por João Gilberto?
Gal – Totalmente, tinha tudo a ver com João Gilberto. Não me lembro mais qual, mas sei que cheguei a gravar mais de 25 vezes uma mesma canção para o disco “Domingo”. No final, quando ouvimos, a primeira era a melhor. Com o tempo isso foi se dissipando, esse perfeccionismo exagerado acabou. Hoje, eu gravo a canção quatro ou cinco vezes e escolho a que mais gosto. Às vezes sai direto, logo na primeira vez.

Qual será seu próximo projeto? Vai mesmo gravar em 2011 o disco que Caetano Veloso prometeu produzir?
Gal - Sim, e o grande barato desse projeto é que Caetano está compondo todas as canções. Seis já estão prontas, até já tirei o tom. As músicas são lindas. Considero esse projeto uma homenagem, um presente muito especial de Caetano para mim. Ele é um irmão, temos uma grande identidade musical. Foi João Gilberto que nos uniu.

(Entrevista publicada parcialmente no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 29/10/2010)


"Woodstock": edição britânica do documentário em blu-ray é a mais completa

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Uma dica para aqueles que, como eu, depois de acompanhar as reportagens dos jornais e TVs sobre o 40.º aniversário do festival de Woodstock, ficaram com vontade de rever o monumental filme de Michael Wadleigh. Considerado um dos mais influentes documentários em toda a história do cinema, não fosse ele o festival de Woodstock dificilmente teria repercutido tanto. Talvez não tivesse se tornado um grandes ícones da contracultura dos anos 60 e 70, época em que o soul, o blues e o rock eram dominantes na cena musical.
O fato é que a comemoração dos 40 anos de Woodstock gerou novas edições do documentário. Nos Estados Unidos, a Warner lançou duas edições remasterizadas em DVD da "The Director's Cut" (A Versão do Diretor), a mesma lançada pela primeira vez em DVD, em 1997, com 224 minutos de duração (40 minutos a mais do que a primeira versão exibida nos cinemas).
A embalagem mais simples, com dois DVDs, traz como material extra apenas um breve documentário sobre o museu Woodstock, em Bethel (Nova York). Já a caixa "40th Anniversary Ultimate Collector's Edition", com quatro DVDs, vem recheada de souvenirs, como fac-símiles dos ingressos do festival e de bilhetes escritos por alguns de seus frequentadores, além de uma edição especial da revista "Life". Mas o que vale mesmo são as duas horas e meia de material extra, com gravações de Jimi Hendrix, Santana, Johnny Winter, Paul Butterfield, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, The Who, Mountain, entre outros, que não chegaram a entrar no filme.
Claro que mesmo essa edição mais completa em DVD perde, em termos de qualidade de imagem e som, para a versão em blu-ray. A superioridade do blu-ray se mostra não só no caso do documentário, mas especialmente no longo programa "Woodstock: From Festival to Feature", incluído entre o farto material extra. Com 77 minutos e filmado em alta definição, este disseca toda a realização do festival e do filme, por meio de depoimentos do diretor Michael Wadleigh, do produtor executivo do evento, Michael Lang, e do hoje famoso cineasta Martin Scorsese, que chegou a trabalhar na equipe de filmagem, entre outros participantes.
Agora um detalhe curioso que tem irritado os fãs do filme que, nos EUA, chegaram a pagar 70 dólares por edições "exclusivas" em blu-ray da "Ultimate Collector's Edition", lançadas pelas lojas Amazon e Target. A caixa da Amazon traz números inéditos das bandas Grateful Dead, Jefferson Airplane e Country Joe and the Fish; a versão da Target inclui gravações inéditas de Jimi Hendrix, The Who e Canned Heat.
Imagine como os mais fanáticos (aqueles que querem ver, ouvir e possuir "tudo" já lançado sobre Woodstock) se sentiram ao saber que a versão em blu-ray lançada pela Warner no mercado britânico não traz os badulaques das edições norte-americanas, mas inclui todas as faixas inéditas das caixas da Amazon e da Target. Pior ainda: essa edição pode ser comprada na Amazon UK por 13,98 libras (cerca de 23 dólares).
Portanto, se você quer ver ou rever "Woodstock", já tem um player de blu-ray em casa e não faz questão de lembrancinhas, já sabe qual é a versão mais completa e econômica do filme. O BD britânico que comprei pela web roda em qualquer aparelho de blu-ray (é "região livre"), custou cerca de R$ 50, incluindo o frete, e chegou em 12 dias. Mais difícil será arranjar 7 horas livres para ver e ouvir tudo de uma vez só...

Buddy Guy: imprevisível, guitarrista volta a São Paulo com seus blues

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O guitarrista e cantor Buddy Guy, 72, já se apresentou diversas vezes no Brasil, mas não se esquece da primeira temporada em São Paulo. Esse imprevisível bluesman quebrou a formalidade do antigo 150 Night Club, no hotel Maksoud Plaza, de uma maneira que só se esperaria ver em um show de rock.

“Foi em 1985. Na primeira noite, atravessei a platéia do clube, tocando minha guitarra com um fio bem longo. Achei que iria sair num corredor, mas quando percebi já estava dentro do banheiro feminino, cheio de garotas. Eu me diverti muito”, relembra o músico norte-americano, que toca hoje e amanhã, no HSBC Brasil, em São Paulo.

A atitude irreverente e os improvisos incendiários desse inovador do blues certamente contribuíram para a formação de seu fiel fã-clube. Dele fazem parte até figurões do rock, como o britânico Eric Clapton. Sem falar em Jimi Hendrix (1942-1970), para muitos o melhor guitarrista de todos os tempos, que reconhecia Guy como uma de suas maiores influências.

Ligado originalmente à vertente do blues eletrificado de Chicago, onde iniciou a carreira profissional em 1957, Guy também não esconde sua admiração por outro veterano expoente da guitarra e do blues: B.B. King, 83, com o qual acaba de fazer uma extensa turnê de shows pelos EUA

Discípulo do "rei" do blues

“B.B. King não foi um modelo somente para mim, mas para inúmeros músicos. Acho que todos os guitarristas deveriam gravar em seus instrumentos as iniciais do nome dele, como já fiz em uma de minhas guitarras”, diz, revelando que o mestre não pretende se aposentar tão cedo, como chegou a anunciar anos atrás.

Descontente com o fato de as rádios norte-americanas já não tocarem tanto o blues como faziam no passado, Guy acha que seu gênero musical favorito pode encontrar, na crise que abateu a economia mundial, um cenário favorável para retornar às paradas de sucesso.

“Os negros têm retratado situações difíceis como essa de hoje, em suas músicas, há mais de um século. Já nos acostumamos a cantar e a falar sobre bons e maus tempos, mas a situação de hoje é incrível. Até os ricos estão roubando outros ricos”, comenta o guitarrista, dizendo que pretende abordar esse tema em alguma faixa de seu próximo álbum, que deve sair até o final do ano.

(entrevista publicada na "Folha de S. Paulo", em 26/03/2009)



 

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