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“O Piano que Conversa”: documentário com Benjamim Taubkin desafia padrões

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Não espere pelo habitual narrador para introduzir o tema do filme, muito menos entrevistas com alguns dos personagens. “O Piano que Conversa” documentário de Marcelo Machado, que está sendo exibido no Festival In-Edit, em São Paulo rompe com padrões desse gênero cinematográfico. Tanto que sua encantadora narrativa dispensa até o uso de palavras.

À primeira vista, o protagonista do filme seria um piano de cauda. Logo nas imagens iniciais esse instrumento é desmontado e carregado, cuidadosamente, para um caminhão que vai transportá-lo para um concerto em um festival no interior de São Paulo (sugerindo um “road movie”). Em cenas posteriores a câmera chega a penetrar no interior do piano, revelando a perfeição de seu mecanismo: os movimentos sincronizados dos pequenos martelos de madeira que percutem as longas cordas revestidas de cobre.

Uma beleza estranha, tanto visual como sonora, é desvendada nessa relação íntima que a câmera trava com o piano, mas logo se percebe que o protagonista real da narrativa é Benjamim Taubkin. É por meio da fina sensibilidade desse pianista e compositor paulistano que vamos acompanhar seus encontros com duas dezenas de músicos de diversas regiões do Brasil, de Moçambique, de Israel, da Polônia, da Bolívia e da Coreia do Sul.

Quem acompanha a trajetória musical de Taubkin, registrada em vários discos da gravadora independente Núcleo Contemporâneo, sabe que ele tem realizado criativos diálogos com instrumentistas de várias vertentes e tradições musicais (do jazz ao choro, passando pela diversidade da chamada “música do mundo”) há pelo menos vinte anos. Assim como Machado desafia nesse filme padrões tradicionais dos documentários, Taubkin tem questionado há décadas os limites entre gêneros, em suas experiências musicais.

A coragem de realizar um documentário sem palavras, a sofisticada fotografia de Fernando Fonini, a criativa montagem de Joaquim Castro e a riqueza dos diversos encontros musicais estão entre os muitos atributos de “O Piano que Conversa”, que propõe uma maneira mais sensitiva de se criar (ou mesmo de se assistir) um documentário.

“Eu tinha vontade de entrar mais na música”, disse Marcelo Machado, na rápida conversa que ele e Taubkin estabeleceram com a plateia, anteontem, logo após a exibição do filme, no Museu da Imagem e do Som. As expressões emocionadas de vários espectadores, durante a projeção dos créditos finais, confirmaram que o diretor alcançou seu objetivo nesse inovador documentário.

“O Piano que Conversa” será exibido novamente nos dias 23/6 (no Cine Olido), 6/7 (no Cine Sesc) e 15/7 (no Cine Olido, com bate-papo sobre o filme), em São Paulo.



"Woodstock": edição britânica do documentário em blu-ray é a mais completa

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Uma dica para aqueles que, como eu, depois de acompanhar as reportagens dos jornais e TVs sobre o 40.º aniversário do festival de Woodstock, ficaram com vontade de rever o monumental filme de Michael Wadleigh. Considerado um dos mais influentes documentários em toda a história do cinema, não fosse ele o festival de Woodstock dificilmente teria repercutido tanto. Talvez não tivesse se tornado um grandes ícones da contracultura dos anos 60 e 70, época em que o soul, o blues e o rock eram dominantes na cena musical.
O fato é que a comemoração dos 40 anos de Woodstock gerou novas edições do documentário. Nos Estados Unidos, a Warner lançou duas edições remasterizadas em DVD da "The Director's Cut" (A Versão do Diretor), a mesma lançada pela primeira vez em DVD, em 1997, com 224 minutos de duração (40 minutos a mais do que a primeira versão exibida nos cinemas).
A embalagem mais simples, com dois DVDs, traz como material extra apenas um breve documentário sobre o museu Woodstock, em Bethel (Nova York). Já a caixa "40th Anniversary Ultimate Collector's Edition", com quatro DVDs, vem recheada de souvenirs, como fac-símiles dos ingressos do festival e de bilhetes escritos por alguns de seus frequentadores, além de uma edição especial da revista "Life". Mas o que vale mesmo são as duas horas e meia de material extra, com gravações de Jimi Hendrix, Santana, Johnny Winter, Paul Butterfield, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, The Who, Mountain, entre outros, que não chegaram a entrar no filme.
Claro que mesmo essa edição mais completa em DVD perde, em termos de qualidade de imagem e som, para a versão em blu-ray. A superioridade do blu-ray se mostra não só no caso do documentário, mas especialmente no longo programa "Woodstock: From Festival to Feature", incluído entre o farto material extra. Com 77 minutos e filmado em alta definição, este disseca toda a realização do festival e do filme, por meio de depoimentos do diretor Michael Wadleigh, do produtor executivo do evento, Michael Lang, e do hoje famoso cineasta Martin Scorsese, que chegou a trabalhar na equipe de filmagem, entre outros participantes.
Agora um detalhe curioso que tem irritado os fãs do filme que, nos EUA, chegaram a pagar 70 dólares por edições "exclusivas" em blu-ray da "Ultimate Collector's Edition", lançadas pelas lojas Amazon e Target. A caixa da Amazon traz números inéditos das bandas Grateful Dead, Jefferson Airplane e Country Joe and the Fish; a versão da Target inclui gravações inéditas de Jimi Hendrix, The Who e Canned Heat.
Imagine como os mais fanáticos (aqueles que querem ver, ouvir e possuir "tudo" já lançado sobre Woodstock) se sentiram ao saber que a versão em blu-ray lançada pela Warner no mercado britânico não traz os badulaques das edições norte-americanas, mas inclui todas as faixas inéditas das caixas da Amazon e da Target. Pior ainda: essa edição pode ser comprada na Amazon UK por 13,98 libras (cerca de 23 dólares).
Portanto, se você quer ver ou rever "Woodstock", já tem um player de blu-ray em casa e não faz questão de lembrancinhas, já sabe qual é a versão mais completa e econômica do filme. O BD britânico que comprei pela web roda em qualquer aparelho de blu-ray (é "região livre"), custou cerca de R$ 50, incluindo o frete, e chegou em 12 dias. Mais difícil será arranjar 7 horas livres para ver e ouvir tudo de uma vez só...

 

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