"Sambalanço": filme de Tárik de Souza narra a história da bossa dançada nos bailes

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                                   O guitarrista Marco Mattoli e o cantor Orlandivo, em show no CopaFest 2011 

Se você ainda não sabe o que é sambalanço, não precisa ficar constrangido. Logo na primeira cena do filme “Sambalanço - A Bossa Que Dança” (direção de Tárik de Souza e Fabiano Maciel, em exibição online até 20/9, no festival In-Edit Brasil), que narra com bom humor a história dessa vertente musical, o pianista Eumir Deodato também admite não saber o que é sambalanço. Mesmo que tenha tocado esse estilo musical, em bailes, na década de 1950.

Autor do livro homônimo (lançado em 2016), o jornalista Tárik de Souza também assina o roteiro e assume a narração do documentário. “Ao contrário da bossa nova, um movimento estético organizado e acompanhado por vários teóricos de plantão, o sambalanço surgiu em paralelo, na surdina, em boates da zona sul e nos clubes da zona norte do Rio de Janeiro”, define o narrador, no estilo personalíssimo que o transformou em referência na crítica musical brasileira.

“O sambalanço, que não era samba de morro, nem sincopado de gafieira, promoveu mais um movimento de quadris do que um batuque de cabeças pensantes. Espalhou-se como um vírus pelas boates e pistas de dança, na virada dos anos 50 para os anos 60”, ele prossegue, em uma das sacadas que fazem de seu texto uma atração especial nesse documentário.

Contagiantes também são as aparições do cantor e compositor Orlandivo (1937-2017), criador de pérolas do sambalanço, como “Tamanco no Samba” (parceria com Helton Menezes), “Bolinha de Sabão” (com Adilson Azevedo) e “Palladium” (parceria com Ed Lincoln, interpretada no filme pelo paulista Marco Mattoli, líder da banda Clube do Balanço). Não bastassem suas melodias inovadoras, Orlandivo ainda introduziu nesse estilo de samba um novo instrumento de percussão: seu inusitado chaveiro com sete chaves.

Outro expoente do sambalanço que contribui com divertidos causos, em seu depoimento para o filme, é o violonista e arranjador Durval Ferreira (1935-2007), autor de clássicos do repertório da bossa nova, como “Estamos Aí”, “Batida Diferente” e “Tristeza de Nós Dois”. Ao lado dele, relembrando sucessos do sambalanço, também estão o cantor Miltinho, o organista Ed Lincoln e o baterista Wilson das Neves, entre outros. Sem falar em interessantes depoimentos de intérpretes como Elza Soares, Silvio César, Dóris Monteiro e João Roberto Kelly.

Se você gosta de samba e se emocionou com documentários que abordam esse gênero musical no festival In-Edit Brasil 2020, como “Elton Medeiros - O Sol Nascerá” (de Pedro Murat), “Porfírio do Amaral: A Verdade sobre o Samba” (de Caio Rubens) ou “Dom Salvador & Abolition” (de Artur Ratton e Lilka Hara), vai se divertir vendo “Sambalanço - A Bossa que Dança”. Uma saborosa aula de jornalismo musical com a grife Tárik de Souza.

Veja os documentários do 12.º In-Edit Brasil (com ingressos a R$ 3), até 20/9, neste link: https://br.in-edit.org/ 






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