O violonista e arranjador Marco Pereira
No ano em que se comemora o centenário de nascimento de Dilermando Reis (1916-1977), esse expoente do violão brasileiro recebe uma homenagem capaz de despertar um novo interesse por sua obra. Com a técnica primorosa e a eclética bagagem musical que o credenciam como um dos maiores violonistas brasileiros, Marco Pereira interpreta composições desse mestre do violão, em arranjos com sabor mais atual, no álbum “Dois Destinos” – lançamento com o selo de qualidade da gravadora Borandá.
“Pensei em manter a brejeirice, a simplicidade da música do Dilermando, mas imaginando como ele trataria esse repertório se tivesse hoje uns 30 ou 40 anos de idade”, explica o violonista e arranjador paulista, que admite ter uma relação afetiva com a obra desse mestre das cordas. “Quando comecei a tocar violão, as primeiras músicas que eu aprendi a solar eram choros e valsas do Dilermando. Cheguei a ter um repertório grande de composições dele”, relembra.
Só o fato de ter sido um dos raros instrumentistas que se apresentavam com frequência em programas de TV, durante os anos 1950, já demonstra a popularidade de Dilermando Reis – músico que desenvolveu uma carreira de sucesso a partir da década de 1940, gravando discos e tocando em emissoras de rádio. Muita gente ainda pensa que a valsa “Abismo de Rosas” (de Américo “Canhoto” Jacomino) ou o maxixe “Sons de Carrilhões” (de João Pernambuco) –- hoje clássicos da música instrumental brasileira, que Dilermando transformou em grandes sucessos naquela época –- seriam de sua autoria.
“Ele era um músico espontâneo, com muita naturalidade para tratar a matéria musical, que ia ao encontro do gosto popular da época com seus choros e valsas”, analisa Pereira, que chama atenção para um aspecto técnico ao tentar explicar porque o interesse das plateias pelo violão de Dilermando teria diminuído a partir da década de 1960 –- justamente quando esse instrumento passou a ocupar um lugar de grande destaque na cena musical brasileira.
“Com o advento da bossa nova, veio também a moda do violão com cordas de nylon. Quem tocava violão com cordas de aço, como o Dilermando, passou a ser visto como ultrapassado”, observa Pereira, dizendo-se surpreso por não saber da existência de outros tributos musicais vinculados ao centenário de Dilermando. “O último violonista que eu me lembro de ter feito uma homenagem a ele foi o Raphael Rabello. E isso se deu há mais de 20 anos”.
Violonista comenta suas releituras
Para gravar o álbum “Dois Destinos”, Marco Pereira convidou alguns craques da música instrumental brasileira: parceiros e amigos com os quais já toca há bastante tempo, como o acordeonista Toninho Ferragutti, o flautista Toninho Carrasqueira, os baixistas Neymar Dias e Guto Wirtti, o baterista Sergio Reze e o percussionista Amoy Ribas, além dos clarinetistas Luca Raele e Diogo Maia.
“Decidi escrever arranjos para evidenciar o aspecto mais camerístico que existe na obra do Dilermando”, explica o violonista, que trabalhou nesse projeto com diversas formações instrumentais: de um inusitado duo de violão e clarone (na valsa “Dois Destinos”) a um septeto (no choro “Caxinguelê”). Só mesmo as valsas “Se Ela Perguntar” e “Flor de Aguapé” aparecem em formato de violão solo.
A releitura de “Se Ela Perguntar”, primeira faixa do álbum, já demonstra o cuidado de Pereira ao tratar as composições de Dilermando [retratado na foto abaixo]. Nesse arranjo, além de alterar a tonalidade original (mi menor) para ré menor, utilizou um truque na afinação do violão que amplia a sonoridade do instrumento.
“Assim as notas e os acordes se prolongam mais”, explica o violonista, que também fez pequenas mudanças na harmonia para ressaltar o tom melancólico dessa valsa. “Existe uma certa simplicidade na música do Dilermando, que favorece releituras. Isso dá a você muitas opções. Se fizer com critério, sem invencionices, vai ficar bom”.
O
batuque “Xodó da Bahiana” ganhou uma versão bem-humorada. O fato de
Dilermando ter praticamente decalcado o maxixe “Corta-Jaca”, de
Chiquinha Gonzaga, incentivou Pereira a brincar com outras melodias
nessa releitura. “Dilermando gostava de fazer empréstimos de outros
compositores”, comenta o violonista, que bem ao estilo dos jazzistas se
diverte citando em seus improvisos trechos de “Night in Tunisia”
(clássico do trompetista norte-americano Dizzy Gillespie) e “Segure o
Tchan” (sucesso do grupo baiano Gera Samba).
A
brincadeira já começa na introdução”, aponta o violonista, ressaltando
que utilizou nessa gravação a percussiva técnica do slap (ou “slapping”,
que consiste em golpear as cordas do instrumento com a lateral do dedo
polegar), mais comum entre instrumentistas que tocam baixo elétrico.
Falando
em maxixe, o choro “Gente Boa” aparece em arranjo para trio (com
violão, baixolão e percussão), num ritmo bem amaxixado. “Tive que me
basear na partitura porque eu não conhecia uma gravação do Dilermando.
Acho que essa música ficou quase minimalista, bem gostosa assim”, avalia
Pereira, que nas releituras de outros choros, como “Caxinguelê”, “Tempo
de Criança” ou “Feitico”, acabou se aproximando do ritmo do samba.
Um
dos choros mais populares de Dilermando, “Magoado” ressurge em moderno
arranjo de Pereira, com um tratamento rítmico e passagens improvisadas
que remetem à linguagem do jazz. “Nos arranjos, sempre procurei manter a
exposição dos temas, sem afetações, mas não teria sentido hoje em dia
tocar um chorinho como ele foi pensado originalmente”, justifica.
Outro
exemplo marcante de como Pereira soube atualizar as composições de
Dilermando sem desvirtua-las está no saboroso arranjo de “Dr.
Sabe-Tudo”. “Esse é um choro que já foi muito tocado. Tive a ideia de
passar por cinco tonalidades diferentes, o que dá a graça desse arranjo.
Como achei que ficaria interessante com acordeão, pensei logo em chamar
meu parceiro Toninho Ferragutti, um verdadeiro virtuose desse
instrumento”, relembra o violonista.
“Defendo há muito tempo a
tese de que temos uma grande escola de violão no Brasil. Até hoje você
tem violonistas da nova geração fazendo coisas incríveis por aí”,
comenta Pereira. “É importante que a gente ressalte o valor de figuras
musicais como o Dilermando ou o Garoto, que fizeram parte dessa
história”.
Mais que uma homenagem a um mestre do violão já não
tão lembrado hoje, o álbum “Dois Destinos” demonstra que, além do grande
instrumentista que conhecemos, Marco Pereira é um músico completo.
Graças às suas elegantes releituras, novas gerações de ouvintes vão
poder descobrir mais facilmente os encantos da obra de Dilermando Reis.
(Texto escrito a convite da gravadora Borandá, por ocasião do lançamento do álbum "Dois Destinos")
Marco Pereira: violonista apresenta obra do mestre Dilermando Reis às novas gerações
Marcadores: Amoy Ribas, Canhoto, choro, Dilermando Reis, Diogo Maia, Guto Wirtti, instrumental, João Pernambuco, luca raele, Marco Pereira, neymar dias, sergio reze, toninho carrasqueira, Toninho Ferragutti | author: Carlos CaladoF.A.M. Festival: 2ª edição em SP mantém diversidade musical e entrada franca
Marcadores: barbatuques, Carlos Malta, Coisa Fina, duofel, F.A.M. Festival, guilherme kastrup, instrumental, jazz, KL Jay, marcelo coelho, marco lobo, nailor proveta, raul de souza, Robertinho Silva, Toninho Ferragutti | author: Carlos Calado
Nove meses após sua primeira edição, o descontraído F.A.M. Festival volta a se instalar no Jockey Club de São Paulo, agora durante dois finais de semana (nos dias 10, 11, 17 e 18/9), com entrada franca. A programação musical se mantém diversificada, com shows de música popular brasileira, instrumental, jazz, blues e música étnica, além de intervenções de DJs.
Alguns encontros musicais se destacam entre os 19 shows anunciados, como o do veterano trombonista Raul de Souza com o clarinetista Nailor Proveta, que vão tocar clássicos choros do potiguar K-Ximbinho (1917-1980). Ou a recente parceria dos violonistas do Duofel com outros dois craques do instrumental brasileiro: o flautista Carlos Malta e o baterista Robertinho Silva.
Mais inusitado é o encontro de KL Jay (DJ dos Racionais MC’s) com o projeto Coisa Fina, que aproxima o hip hop de ritmos brasileiros e do jazz. Também com um pé na eletrônica, o reencontro dos percussionistas Guilherme Kastrup e Simone Sou promete resgatar material do Soukast –- projeto experimental que desenvolveram uma década atrás.
A música instrumental também está bem representada em outros shows. O quinteto do percussionista Marco Lobo traz um repertório recheado de releituras de canções de Milton Nascimento. O quinteto do acordeonista Toninho Ferragutti toca choros, valsas e outras belezas de seu recém-lançado álbum “A Gata Café”. Já o saxofonista Marcelo Coelho e seu grupo McLav-in desafiam as supostas fronteiras entre a música popular, a erudita e a música de vanguarda.
Os mais fanáticos por jazz e blues podem escolher ainda entre duas atrações. O trompetista Walmir Gil (integrante da Banda Mantiqueira) comanda um tributo a Miles Davis (1926-1991) com outras feras da cena instrumental paulistana. O organista e pianista Ari Borger toca um repertório amplo, que vai do blues tradicional ao soul-jazz, passando pelo boogie-woogie e pelo funk de New Orleans.
Inspirado em eventos semelhantes realizados nos EUA e no Canadá, o F.A.M. Festival tem um perfil mais familiar. Além de reunir food trucks e barracas de restaurantes paulistanos, assim como stands de moda e design, também oferece atrações dirigidas ao público infantil, como a aula-show “Barbatuquices” (com integrantes do grupo de percussão corporal Barbatuques) ou o espetáculo “Beatles para Crianças”. A curadoria musical do evento é da produtora JazznosFundos.
Mais informações na página do evento: facebook.com/foodartmusicfestival/
Experiência Piazzolla: festival de Buenos Aires pode vir ao Brasil em 2017
Marcadores: Astor Piazzolla, daniel "pipi" piazzolla, escalandrum, experiência piazzolla, gary burton, Gerry Mulligan, hermeto pascoal, néstor marconi, pedro aznar, susana rinaldi, tango, tom jobim | author: Carlos Calado
O compositor e bandoneonista Astor Piazzolla
Qualquer fã de Astor Piazzolla (1921-1992) adoraria estar em Buenos Aires durante esta semana. A primeira edição do festival Experiência Piazzolla – de 6 a 11/9, na Ciudad Cultural Konex – reverencia a obra do grande compositor e bandoneonista argentino por meio de uma série de concertos, mostra audiovisual, espetáculos de dança, debates e workshops.
Alguns artistas escalados para essa extensa programação já se apresentaram em palcos brasileiros, como o cantor e compositor Pedro Aznar e o grupo Escalandrum (liderado pelo baterista Daniel “Pipi” Piazzolla, neto do compositor), que estarão juntos, assim como o bandoneonista Néstor Marconi ou a cantora Susana Rinaldi.
Entre outros destaques do evento, o sexteto Vibraphonissimo promete revisitar os repertórios dos álbuns que Piazzolla gravou com dois conceituados jazzistas: o vibrafonista Gary Burton (“The New Tango”, 1986) e o saxofonista Gerry Mulligan (“Reunión Cumbre”, 1974).
O Brasil também está muito bem representado nesse festival por Hermeto Pascoal e seu grupo, que se apresentam na quinta-feira (8/9). Vale lembrar que o imprevisível “bruxo” de Lagoa da Canoa (na foto abaixo) já visitou composições de Piazzolla, como “Libertango” ou “Años de Soledad”, em seus shows e discos.
Edição brasileira
“Não se trata de uma mostra convencional da obra de Astor Piazzolla, que completaria 95 anos em 2016, mas sim a mais completa imersão no trabalho desse músico realizada até agora em todo o mundo”, avalia o produtor paulista, que também participará de uma das mesas de debates do evento, nesta semana.
Lima chama atenção para o fato de Piazzolla ter sido criticado durante décadas por parte da imprensa local e argentinos mais conservadores, que não aceitavam sua “música contemporânea da cidade de Buenos Aires” (termo com o qual ele se referia à sua música, por não gostar que a chamassem de tango).
“A intenção da Experiência Piazzolla é mostrar ao público mais jovem a originalidade e o modernismo da obra desse compositor. Na mostra audiovisual a plateia vai conhecer muitas histórias de Piazzolla, um aficionado pela pesca de tubarões, assim como sua habilidade como pugilista, sua aversão à boemia portenha e seu antiperonismo feroz”, comenta o produtor.
Outro aspecto da obra de Piazzolla que Toy Lima destaca é sua contribuição para o cinema. “Poucos sabem que ele compôs uma trilha sonora para o filme “O Último Tango em Paris” (de Bernardo Bertolucci), que foi recusada por ser melancólica demais e substituída pela obra-prima de Gato Barbieri”.
Antecipando sua participação num dos debates do evento, Lima diz que vai comparar a rejeição sofrida por Piazzolla em seu país com as críticas que Tom Jobim enfrentava no Brasil. “Astor está para Buenos Aires como Jobim para o Rio ou Gershwin para Nova York”, observa o produtor, equiparando as contribuições desses grandes expoentes da música do século 20.
Mais informações no site do festival Experiência Piazzolla
Qualquer fã de Astor Piazzolla (1921-1992) adoraria estar em Buenos Aires durante esta semana. A primeira edição do festival Experiência Piazzolla – de 6 a 11/9, na Ciudad Cultural Konex – reverencia a obra do grande compositor e bandoneonista argentino por meio de uma série de concertos, mostra audiovisual, espetáculos de dança, debates e workshops.
Alguns artistas escalados para essa extensa programação já se apresentaram em palcos brasileiros, como o cantor e compositor Pedro Aznar e o grupo Escalandrum (liderado pelo baterista Daniel “Pipi” Piazzolla, neto do compositor), que estarão juntos, assim como o bandoneonista Néstor Marconi ou a cantora Susana Rinaldi.
Entre outros destaques do evento, o sexteto Vibraphonissimo promete revisitar os repertórios dos álbuns que Piazzolla gravou com dois conceituados jazzistas: o vibrafonista Gary Burton (“The New Tango”, 1986) e o saxofonista Gerry Mulligan (“Reunión Cumbre”, 1974).
O Brasil também está muito bem representado nesse festival por Hermeto Pascoal e seu grupo, que se apresentam na quinta-feira (8/9). Vale lembrar que o imprevisível “bruxo” de Lagoa da Canoa (na foto abaixo) já visitou composições de Piazzolla, como “Libertango” ou “Años de Soledad”, em seus shows e discos.
Edição brasileira
Para os muitos fãs brasileiros de Piazzolla, uma boa notícia: esse festival deve ganhar uma edição em São Paulo e Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2017, com participações de artistas brasileiros. O responsável por trazer o evento ao país é Toy Lima, idealizador e produtor de importantes festivais, como o Chivas Jazz, o Heineken Concerts e o Bridgestone Music.
“Não se trata de uma mostra convencional da obra de Astor Piazzolla, que completaria 95 anos em 2016, mas sim a mais completa imersão no trabalho desse músico realizada até agora em todo o mundo”, avalia o produtor paulista, que também participará de uma das mesas de debates do evento, nesta semana.
Lima chama atenção para o fato de Piazzolla ter sido criticado durante décadas por parte da imprensa local e argentinos mais conservadores, que não aceitavam sua “música contemporânea da cidade de Buenos Aires” (termo com o qual ele se referia à sua música, por não gostar que a chamassem de tango).
“A intenção da Experiência Piazzolla é mostrar ao público mais jovem a originalidade e o modernismo da obra desse compositor. Na mostra audiovisual a plateia vai conhecer muitas histórias de Piazzolla, um aficionado pela pesca de tubarões, assim como sua habilidade como pugilista, sua aversão à boemia portenha e seu antiperonismo feroz”, comenta o produtor.
Outro aspecto da obra de Piazzolla que Toy Lima destaca é sua contribuição para o cinema. “Poucos sabem que ele compôs uma trilha sonora para o filme “O Último Tango em Paris” (de Bernardo Bertolucci), que foi recusada por ser melancólica demais e substituída pela obra-prima de Gato Barbieri”.
Antecipando sua participação num dos debates do evento, Lima diz que vai comparar a rejeição sofrida por Piazzolla em seu país com as críticas que Tom Jobim enfrentava no Brasil. “Astor está para Buenos Aires como Jobim para o Rio ou Gershwin para Nova York”, observa o produtor, equiparando as contribuições desses grandes expoentes da música do século 20.
Mais informações no site do festival Experiência Piazzolla
Toninho Horta e Maurício Takara: inusitado encontro instrumental no Sesc Pompeia
Marcadores: clube da esquina, encontros instrumentais, Hurtmold, instrumental, Lisandro Massa, mauricio takara, São Paulo Underground, Sesc Pompeia, Thiago Alves, toninho horta | author: Carlos Calado
Thiago Alves (da esq. para dir.), Mauricio Takara, Toninho Horta e Lisandro Massa
Se você é um dos que acompanham os shows da série Encontros Instrumentais desde 2015, em São Paulo, provavelmente pensou, como eu, que este será um dos encontros musicais mais inusitados já realizados no Sesc Pompeia. Até Toninho Horta e Mauricio Takara, músicos que vão se encontrar em um palco pela primeira vez, confessam que, num primeiro momento, estranharam o convite.
Essa surpresa é justificável. Afinal, o que o mineiro Toninho, cultuado guitarrista, arranjador e autor de clássicas canções do Clube da Esquina, teria em comum com o paulista Takara, multi-instrumentista com uma diversificada trajetória musical associada à experimentação e à eletrônica?
“Toninho é um ícone, um monumento da guitarra mundialmente conhecido. No início, fiquei pensando se eu teria mesmo algo para contribuir, se eu conseguiria me expressar dentro de um universo musical tão rico como o dele”, admite Takara. “Fui escutar novamente os discos dele e cheguei à conclusão de que temos uma afinidade: a busca de um universo musical novo e próprio”.
A experiência de tocar com músicos que praticamente desconhecia se tornou recorrente na carreira de Toninho ainda na década de 1980, quando viveu por dois anos nos Estados Unidos. “Em Nova York, você conhece músicos de todo lugar: africano, russo, grego, coreano, austríaco. Já tive relações musicais com gente muito bacana, com concepções bem diferentes”, relembra o autor de canções como “Beijo Partido”, “Viver de Amor” e “Pedra da Lua”.
“Ele tem um universo próprio e muito brasileiro, mas sem aqueles estereótipos que costumam ser associados ao Brasil. Usamos processos totalmente diferentes, mas eu vejo algumas similaridades entre a música do Toninho e a minha”, comenta Takara, conhecido como baterista das bandas Hurtmold e São Paulo Underground, além de desenvolver uma obra autoral, em álbuns como “Puro Osso” e “Mundotigre”.
Bastou um primeiro encontro – ocasião em que se conheceram e esboçaram um ensaio – para os novos parceiros ficarem animados. “O pontapé inicial foi bem bom”, resume Takara, que até compôs um material especialmente para o show. “Fiquei surpreso ao ver um cara estabelecido e tão importante, como ele, se mostrar tão aberto e interessado pelo meu universo musical”, comenta o paulista.
“O resultado me agradou tanto que fiquei a fim de gravar esse encontro musical. A vibração de experimentar um som novo foi muito prazerosa”, comemora Toninho, contente com as releituras de composições de sua autoria, como “Dona Olímpia” e “O Vento”, que estarão no repertório. E como experiente arranjador que é, para ampliar as possibilidades sonoras, decidiu convocar o pianista Lisandro Massa e o baixista Thiago Alves a participarem do show.
Takara também confia no material que prepararam juntos. “Acho que vai ser interessante até para quem acompanha o trabalho do Toninho há bastante tempo. Acho que conseguimos criar uma atmosfera nova, tanto para as músicas dele, como para as minhas”.
Venda de ingressos e outras informações no site do Sesc SP.
(Texto escrito a convite da equipe de programação do Sesc Pompeia, que organiza a série de shows Encontros Instrumentais)
Se você é um dos que acompanham os shows da série Encontros Instrumentais desde 2015, em São Paulo, provavelmente pensou, como eu, que este será um dos encontros musicais mais inusitados já realizados no Sesc Pompeia. Até Toninho Horta e Mauricio Takara, músicos que vão se encontrar em um palco pela primeira vez, confessam que, num primeiro momento, estranharam o convite.
Essa surpresa é justificável. Afinal, o que o mineiro Toninho, cultuado guitarrista, arranjador e autor de clássicas canções do Clube da Esquina, teria em comum com o paulista Takara, multi-instrumentista com uma diversificada trajetória musical associada à experimentação e à eletrônica?
“Toninho é um ícone, um monumento da guitarra mundialmente conhecido. No início, fiquei pensando se eu teria mesmo algo para contribuir, se eu conseguiria me expressar dentro de um universo musical tão rico como o dele”, admite Takara. “Fui escutar novamente os discos dele e cheguei à conclusão de que temos uma afinidade: a busca de um universo musical novo e próprio”.
A experiência de tocar com músicos que praticamente desconhecia se tornou recorrente na carreira de Toninho ainda na década de 1980, quando viveu por dois anos nos Estados Unidos. “Em Nova York, você conhece músicos de todo lugar: africano, russo, grego, coreano, austríaco. Já tive relações musicais com gente muito bacana, com concepções bem diferentes”, relembra o autor de canções como “Beijo Partido”, “Viver de Amor” e “Pedra da Lua”.
“Ele tem um universo próprio e muito brasileiro, mas sem aqueles estereótipos que costumam ser associados ao Brasil. Usamos processos totalmente diferentes, mas eu vejo algumas similaridades entre a música do Toninho e a minha”, comenta Takara, conhecido como baterista das bandas Hurtmold e São Paulo Underground, além de desenvolver uma obra autoral, em álbuns como “Puro Osso” e “Mundotigre”.
Bastou um primeiro encontro – ocasião em que se conheceram e esboçaram um ensaio – para os novos parceiros ficarem animados. “O pontapé inicial foi bem bom”, resume Takara, que até compôs um material especialmente para o show. “Fiquei surpreso ao ver um cara estabelecido e tão importante, como ele, se mostrar tão aberto e interessado pelo meu universo musical”, comenta o paulista.
“O resultado me agradou tanto que fiquei a fim de gravar esse encontro musical. A vibração de experimentar um som novo foi muito prazerosa”, comemora Toninho, contente com as releituras de composições de sua autoria, como “Dona Olímpia” e “O Vento”, que estarão no repertório. E como experiente arranjador que é, para ampliar as possibilidades sonoras, decidiu convocar o pianista Lisandro Massa e o baixista Thiago Alves a participarem do show.
Takara também confia no material que prepararam juntos. “Acho que vai ser interessante até para quem acompanha o trabalho do Toninho há bastante tempo. Acho que conseguimos criar uma atmosfera nova, tanto para as músicas dele, como para as minhas”.
Venda de ingressos e outras informações no site do Sesc SP.
(Texto escrito a convite da equipe de programação do Sesc Pompeia, que organiza a série de shows Encontros Instrumentais)
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