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Savassi Festival: evento mineiro de música instrumental assume formato online

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                            O instrumentista e regente Nivaldo Ornelas (à frente), no Savassi Festival, em 2015
                                   

Em tempo de pandemia e distanciamento social, um dos maiores festivais brasileiros dedicados à música instrumental e ao jazz opta neste ano por uma edição online e mais compacta. O Savassi Festival (de Belo Horizonte) vai oferecer durante cinco dias de programação – de 10 a 14 de novembro – shows, lançamentos de obras musicais inéditas, mesas-redondas, entrevistas e podcasts.

Entre os músicos escalados para shows estarão: o pianista Rafael Martini com a clarinetista Joana Queiroz (dia 13/11, às 20h); o Jamba Trio (Eneias Xavier, Neném e Irio Junior, 13/11, às 20h30), o Duo Mitre (14/11, às 20h); e o pianista DeAngelo Silva (14/11, às 20h30).

Uma novidade da 18.ª edição do Savassi Festival será o Congresso Pensar Música – projeto de perfil acadêmico, que foi organizado pelo professor e flautista Mauro Rodrigues (da Escola de Música da UFMG) e pelo educador e pianista Cliff Korman.

Revezando-se nas mesas-redondas e apresentações musicais, estarão Jovino Santos Neto, Manuel Falleiros, Rafael Pansica, Diogo Monzo, Rafael Martini e Rafael Gonçalves. Esse evento inclui também entrevistas com o saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas, com a flautista e compositora Léa Freire e Bruno Golgher, idealizador e diretor do Savassi Festival.

Gratuitos, todos os eventos serão transmitidos pelo canal do Savassi Festival no YouTube: https://www.youtube.com/savassifestivaljazz

A programação completa pode ser acompanhada pelo site do festival, neste link: www.savassifestival.com.br

Rafael Martini e Alexandre Andrés: músicos mineiros lançam álbum "Haru" em São Paulo

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                                                            O pianista Rafael Martini e o violonista Alexandre Andrés

Foi um prazer especial para mim assistir ao show do pianista Rafael Martini e do violonista e flautista Alexandre Andrés, ontem, no Sesc Pinheiros. Conheci esses talentosos instrumentistas e compositores uma década atrás, ao participar por vários anos do júri do Prêmio BDMG Instrumental, em Belo Horizonte. Graças à dedicação e à sensibilidade da produtora Malluh Praxedes, que o criou, esse influente prêmio já contribuiu para revelar dezenas de jovens craques da música instrumental brasileira.

Martini e Andrés estão lançando o álbum “Haru”, recheado de belas canções que compuseram, algumas delas sozinhos, outras em parcerias com os letristas Makely Ka, Bernardo Maranhão e Leonora Weissman. Os fãs de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e outros autores do lendário Clube da Esquina logo vão notar essa natural ascendência, em algumas canções desse disco, que também já foi lançado no Japão.

Reencontrar Martini e Andrés agora, mais maduros e com suas carreiras estabelecidas, trouxe de volta minha surpresa ao ouvi-los pela primeira vez, bem mais jovens, no concurso patrocinado pelo BDMG. Ambos já esbanjavam talento, como músicos que estavam praticamente começando.

Outra boa surpresa foi ver os dois homenagearem agora, no auditório do Sesc Pinheiros, a grande compositora e flautista paulistana Léa Freire, que fez uma participação especial no show. Esse diálogo criativo, essa admiração mútua entre duas diferentes gerações musicais, me fez pensar que ainda temos algo de que podemos nos orgulhar neste país -- coisa rara por aqui, nos últimos tempos.






Savassi Festival: evento mineiro terá seu selo e planeja edições nos EUA e em Portugal

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                                                                            O pianista e compositor israelense Chai Maestro 

Quem teve a sorte de assistir às apresentações do pianista e compositor israelense Shai Maestro, no Savasssi Festival, certamente vai conserva-las na memória por muito tempo. O jazzista radicado em Nova York e seus parceiros de trio -– o baixista Jorge Roeder e o baterista Obed Calvaire -– foram responsáveis por alguns dos momentos mais emocionantes da 15ª edição desse evento, encerrado no domingo (27/8), em Belo Horizonte (MG).

Maestro introduziu sua composição “From One Soul to Another” com uma breve preleção. Chamou a atenção da plateia para o fato de que, numa época em que a intolerância racial e outras formas de preconceito são tão evidentes, um festival que atrai um público interessado na música instrumental de diversos países tem um significado especial. Ouvir a plateia entoar em uníssono a bela melodia do pianista, que soa como um hino pela paz, foi de arrepiar.

Outro músico israelense que se destacou no último final de semana do evento foi Oded Tzur (na foto abaixo). Tocando emotivas composições próprias, como “Single Mother” e “The Whale Song”, o saxofonista surpreendeu ao soprar seu instrumento de maneira muito suave, no limite do silêncio. Algo raro de se ouvir, que tanto a educada plateia do CCBB, como grande parte dos que acompanharam sua apresentação ao ar livre, souberam apreciar com a devida atenção.  

 
Bem escolhidas, as atrações nacionais representaram a diversidade e o alto nível da música instrumental que se produz hoje em nosso país. No sábado (26/8), o jovem quarteto do pianista Vitor Arantes exibiu composições originais calcadas em ritmos brasileiros. Com uma abordagem mais jazzística, o sexteto do pianista Deangelo Silva também contagiou a plateia com composições próprias, como “Bahia” e “São Paulo”, além de um inventivo arranjo de “Aquelas Coisas Todas” (de Toninho Horta).

Já no domingo, a variedade de estilos foi mais ampla ainda. O pandeirista Túlio Araújo exibiu suas fusões de choro, samba e jazz, incluindo uma participação especial do pianista israelense Guy Mintus. À frente de seu Quinteto Experimental, o guitarrista Daniel Santiago (na foto abaixo, com o baixista Frederico Heliodoro) mostrou composições próprias com marcante influência do rock. Soprando seu pífano, Jorge Continentino deu um tratamento jazzístico a ritmos do Nordeste. E encerrou a noite com uma "canja" de bateristas, com destaque para o veterano Neném, grande craque da cena musical mineira, que dividiu o palco com o norte-americano Obed Calvaire, And
ré “Limão” Queiroz e Felipe Continentino.


Planos para 2018

Ao fazer um balanço da 15ª edição do Savassi Festival, Bruno Golgher, criador e produtor do evento, diz que ficou muito sensibilizado com as apresentações de Shai Maestro, em especial, e de Oded Tzur. “Quando esteve aqui pela primeira vez, cinco anos atrás, Shai deixou uma impressão forte, mas principalmente entre os músicos. Naquela época, a programação do festival na rua ainda era encarada como uma festa. Agora há um público muito mais interessado na música do que em festa”, avalia.

Um projeto do festival ao qual o produtor confere um significado especial é o Música Nova. Esse programa de incentivo à criação de composições de música instrumental contemplou, neste ano, quatro jovens compositores: os pianistas Rafael Martini e Luisa Mitre, a cantora Juliana Perdigão e o vibrafonista Fred Selva.

“Tenho a impressão de que a ênfase do festival em composição e em colaborações musicais exerceu um impacto na percepção das pessoas sobre o que é um festival”, observa Golgher, contando que recebeu um retorno positivo bem maior do que em edições anteriores. “As pessoas começaram a sentir que o festival tem um papel, além de reunir muitos shows sobre um palco. Isso quer dizer que o festival está tocando em um ponto que pode ser desenvolvido”.


O produtor comenta também que, embora algumas pessoas já viessem sugerindo há alguns anos a criação de um selo do festival, ainda tinha dúvidas sobre o momento certo para investir nesse projeto. “Você precisa ter um motivo forte para isso. A ideia é que o selo Savassi grave obras comissionadas pelo festival. Nosso selo não vai ter uma função comercial”, afirma Golgher.

A criação desse selo será, segundo ele, uma das ações mais importantes do Savassi Festival, fechando um ciclo, nos próximos anos. “Os músicos vão compor e apresentar suas obras no festival para um grupo de jornalistas e curadores, que vão divulgar e contratar artistas. O selo, que vai registrar composições feitas para o festival, tornará esse material disponível de uma maneira mais ampla”, explica Golgher, que tem a intenção de lançar o selo em 2018. Por isso, as apresentações de Rafael Martini, Luisa Mitre, Fred Selva e Juliana Perdigão durante esta edição já foram registradas em “multitrack” (um processo de gravação em alta definição sonora).

Outra iniciativa do Savassi Festival com potencial para crescer, nas próximas edições, é o concurso Novos Talentos do Jazz, cujo objetivo é criar oportunidades e abrir espaço para jovens instrumentistas. A partir deste ano essa competição será realizada em parceria com outros dois eventos do gênero no país: o POA Jazz Fest (RS) e o Sampa Jazz Fest (SP).

Representando esses festivais de música instrumental, o produtor gaúcho Carlos Badia e o paulista Daniel Nogueira participaram, ao lado do carioca Pedro Albuquerque (curador do Brasil Jazz Fest), de uma mesa redonda na última sexta-feira (25/8), para conversar sobre as estratégias dessa parceria e suas perspectivas. 


“Foi importante começar essa parceria com outros festivais. Pensando sob o ponto de vista do artista, isso pode mudar uma trajetória. Imagine o efeito sobre a carreira de um músico ou de uma banda jovem que tiver a oportunidade de participar de três festivais. Ou de cinco festivais, quem sabe, já no próximo ano”, comenta Golgher (na foto ao lado, à esquerda, com o curador Pedro Albuquerque). O primeiro músico escolhido para se apresentar nos festivais de Porto Alegre e São Paulo, ainda neste ano, é o pianista e compositor Vitor Arantes.

A parceria entre os três eventos deve resultar em outros desdobramentos, como a realização de um festival de música instrumental brasileira em Nova York, onde o Savassi Festival já realizou três edições, no período 2013-2015. “De nosso primeiro encontro surgiu a ideia de voltar a Nova York, com os três festivais assinando o projeto. Isso pode dar muito certo”, festeja o produtor mineiro, prevendo que o retorno aos EUA tem boas chances de acontecer já no próximo ano.

Os planos de internacionalização do Savassi Festival não param por aí. Depois de trazer o vibrafonista português Eduardo Cardinho para a edição deste ano, Bruno Golgher também pretende levar o evento a Portugal. “Lá ele terá uma configuração diferente de Nova York, onde fizemos um festival de música instrumental brasileira. Em Portugal, teremos um programa de colaboração entre artistas brasileiros e portugueses, que vai resultar em um festival. A ideia é promover um ir e vir permanente”.

Cobertura realizada em Belo Horizonte a convite da produção do Savassi Festival. 








 

Savassi Festival 2017: evento mantém relação orgânica com a cena instrumental mineira

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                                             A cantora Rosa Passos, que vai interpretar canções de Tom Jobim

Vários festivais de jazz e música instrumental deixaram de acontecer neste ano graças à crise econômica que abateu o país. Já o Savassi Festival, que começa nesta sexta feira (18/8), em Belo Horizonte (MG), segue firme e forte. Essa resiliência é fácil de ser explicada. Diferentemente de outros eventos do gênero, que apostam em vistosas atrações internacionais para atrair turistas, o já tradicional festival mineiro tem desenvolvido uma relação orgânica com sua plateia e os músicos locais.

A 15ª edição do Savassi Festival vai oferecer 45 shows, em 15 palcos diferentes, além workshops, debates, concursos e lançamentos de discos. Entre as atrações escaladas para o primeiro final de semana de programação, na capital mineira, destacam-se o show da cantora Rosa Passos, que interpreta canções de Tom Jobim (em 19/8), e o concerto do acordeonista Célio Balona, vencedor do Prêmio Mastermaq Jazz de Minas, com a Orquestra de Câmara Sesiminas (18/8).

Experiência que deu certo em edições anteriores, o palco Jazzinho volta com dois shows  dirigidos ao público infantil (dia 20/8): “Moacir de Todos os Santos”, com o quinteto paulista Quartabê, interpretando composições do maestro pernambucano Moacir Santos; e “Beatles para os Pequenos”, com o grupo do pianista Cliff Korman.

Outro destaque, já na segunda semana de programação, é a noite dedicada ao jazz de Israel, com o quarteto do saxofonista Oded Tzur e o trio do pianista Shai Maestro (em 25/8). Como é de hábito nesse festival, outros músicos estrangeiros vão exibir projetos desenvolvidos em parceria com instrumentistas locais –- neste ano serão o violonista espanhol Julio Ramirez (22/8), o vibrafonista português Eduardo Cadinho (23/8; na foto abaixo) e o pianista israelense Guy Mintus (24/8). 


A criativa cena da música instrumental de Minas Gerais também está bem representada na programação. Além dos shows dos grupos Jamba Trio e Vibrafônico Jazz Quarteto, o projeto Música Nova reúne compositores que vão exibir obras inéditas: a pianista Luisa Mitre (20/8), o vibrafonista Fred Selva (21/8), o pianista Rafael Martini (23/8) e a cantora Juliana Perdigão (24/8).

Outros talentos locais vão lançar discos durante o festival, como o violonista Alexandre Andrés (24/8), o percussionista Serginho Silva (23/8), e o quinteto Semreceita (19/8). Já o programa Mulheres Criando Música Instrumental destaca as apresentações da pianista Eloá Gonçalves e da violonista Kalu Coelho.

No dia 25/8 também será realizada a mesa redonda “Fazendo festivais: identidade e curadoria”. Para debater esse tema, foram convidados Carlos Badia (produtor do Poa Jazz Festival), Daniel Nogueira (produtor do Sampa Jazz Fest) e Pedro Albuquerque (curador do Brasil Jazz Fest), com mediação de Bruno Golgher, produtor do Savassi Festival.

Como em anos anteriores, a programação do festival se estende à cidade do Rio de Janeiro, nos dias 24 e 25/8, com destaque para shows do duo dos pianistas Gilson Peranzzetta e Cliff Korman, do acordeonista Alessandro “Bebê” Kramer com o gaitista Gabriel Rossi, do violonista Zé Paulo Becker e dos jazzistas israelenses Shai Maestro e Oded Tzur. 


Veja a programação completa no site do Savassi Festival 

Malluh Praxedes: livro narra atuação de incentivadora da música instrumental mineira

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               Malluh Praxedes com os músicos Leonardo Brasilino (esq. para dir.), Guinga e Tabajara Belo 

Quem acompanha o universo da música instrumental brasileira, mais especificamente o da cena instrumental de Minas Gerais, sabe da importância de Malluh Praxedes. Produtora de shows e eventos musicais por mais de duas décadas, essa jornalista e escritora mineira ajudou a revelar novos talentos, assim como contribuiu ativamente para que essa vertente musical conquistasse um espaço maior nos meios culturais.

Daí a pertinência do livro “O Som das Minas: nas Anotações de Malluh”, que a editora Mosaico acaba de lançar. Num misto de perfil biográfico e livro-reportagem, o escritor e poeta José Roberto Pereira utiliza o acervo pessoal de Malluh, além de algumas entrevistas, para narrar sua trajetória profissional, desde as colaborações para o jornal “O Estado de Minas”, nos anos 1980, até sua atuação como produtora cultural do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), para o qual criou e desenvolveu vários eventos musicais.

Um dos projetos mais relevantes foi o Prêmio BDMG Instrumental, idealizado por Malluh em 2001, que continua a ser realizado anualmente. Tive o prazer de participar das nove primeiras edições desse evento como integrante do júri, com a missão de eleger os melhores instrumentistas, compositores e arranjadores entre os finalistas selecionados por uma comissão de músicos.

Ao lado do saudoso crítico carioca José Domingos Raffaelli, de colegas da imprensa cultural de Belo Horizonte e músicos do quilate de Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Guinga e Danilo Caymmi, entre outros, tive assim a chance de ouvir pela primeira vez talentos da música instrumental mineira, como o saxofonista Cleber Alves, o violonista Weber Lopes, o baixista Fred Heliodoro, o pianista Rafael Martini ou o multi-instrumentista Antônio Loureiro.

Ainda nessa área, em 2002, Malluh criou o Jovem Instrumentista BDMG, prêmio que concedia bolsas de estudo para estudantes de música, com conceituados instrumentistas que eles mesmos podiam escolher. Aprimorado nas edições seguintes, esse projeto também continua a ser realizado até hoje.

A partir de 2009, quando se desligou do BDMG Cultural, Malluh passou a dedicar mais tempo à sua carreira literária – hoje tem mais de 15 livros publicados. Mesmo assim, não deixou de lado a paixão pela música: suas letras de canções, em parcerias com o compositor e cantor Renato Motha, aparecem em CDs já lançados inclusive no Japão.

Além de esboçar um rápido panorama da música popular cultivada em Minas Gerais durante as últimas décadas, o livro de Pereira indica, principalmente, porque a cena da música instrumental brasileira e seus apreciadores devem muito a Malluh Praxedes.




 

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