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Etta James: compilação relembra sucessos da explosiva cantora de rhythm & blues

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A morte da cantora Etta James, aos 73 anos, em janeiro deste ano, determinou a edição brasileira da compilação "At Last", já lançada em 2010, no exterior, pela Decca/Universal. Com 25 faixas, quase todas gravadas nas décadas de 1960 e 1970, essa seleção oferece um diversificado retrato das fases iniciais da carreira da original intérprete do rhythm & blues e outros gêneros da música negra norte-americana.

A balada “At Last”, maior sucesso de Etta, já surge de cara, com o choroso naipe de cordas, decalcado em gravações posteriores, como “Fool That I Am” ou mesmo nas românticas releituras dos standards “Stormy Weather” e “These Foolish Things”.


Emotiva e explosiva, Etta também exibe seu vozeirão afiado em canções que a acompanharam até seus últimos dias, como a melancólica “I’d Rather Go Blind” ou a dançante “Tell Mama”. Já a releitura de “Light My Fire”, hit da banda The Doors, mostra como uma grande cantora é capaz de imprimir sua personalidade até em canções com gravações aparentemente definitivas. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 26/5/2012)

 

Eliane Elias: pianista investe mais no poder de sedução de sua voz

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Não é fácil se manter no cenário musical, ainda mais por três décadas. Já que as gravadoras sobreviventes do tsunami digital que abateu o mercado fonográfico, uma década atrás, só investem em projetos com maior chance de retorno, a jazzista brasileira Eliane Elias (radicada nos EUA desde 1981) tem apostado mais no limitado poder de sedução de sua voz do que em seu grande talento ao piano.
 

Em “Light My Fire”, seu 21.º álbum, ela amplia a fórmula de “Dreamer” (2004), seu trabalho mais popular. Hits da música pop, como “Light my Fire” (da banda The Doors), em releitura sensual, ou uma versão de “My Cherie Amour” (Stevie Wonder), em francês, dividem o repertório com clássicos da MPB e canções próprias.

Suas versões do samba “Aquele Abraço” e do ijexá “Toda Menina Baiana” contam com os vocais e o violão do próprio autor, Gilberto Gil. Já a releitura vocal da jazzística “Take Five” (Paul Desmond) soa sintomática: ouvir o piano de Eliane, em papel de coadjuvante, deixa uma sensação de desperdício.


(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 31/3/2012)

 

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