A morte da cantora Etta James, aos 73 anos, em janeiro deste ano, determinou a edição brasileira da compilação "At Last", já lançada em 2010, no exterior, pela Decca/Universal. Com 25 faixas, quase todas gravadas nas décadas de 1960 e 1970, essa seleção oferece um diversificado retrato das fases iniciais da carreira da original intérprete do rhythm & blues e outros gêneros da música negra norte-americana.
A balada “At Last”, maior sucesso de Etta, já surge de cara, com o choroso naipe de cordas, decalcado em gravações posteriores, como “Fool That I Am” ou mesmo nas românticas releituras dos standards “Stormy Weather” e “These Foolish Things”.
Emotiva e explosiva, Etta também exibe seu vozeirão afiado em canções que a acompanharam até seus últimos dias, como a melancólica “I’d Rather Go Blind” ou a dançante “Tell Mama”. Já a releitura de “Light My Fire”, hit da banda The Doors, mostra como uma grande cantora é capaz de imprimir sua personalidade até em canções com gravações aparentemente definitivas.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 26/5/2012)
Mostrando postagens com marcador rhythm'n'blues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rhythm'n'blues. Mostrar todas as postagens
Etta James: compilação relembra sucessos da explosiva cantora de rhythm & blues
Marcadores: etta james, jazz, rhythm'n'blues, soul, the doors | author: Carlos CaladoAverage White Band: funk da banda escocesa mostra a globalização da música negra
Marcadores: average white band, AWB, black music, funk, montreux, rhythm'n'blues, soul | author: Carlos Calado
Uma banda escocesa, tocando funk, em um festival de jazz na Suíça? Pode parecer meio insólito, mas o show da Average White Band, no Montreux Jazz Festival, relembrado agora no CD "Live at Montreux, 1977" (lançamento ST2), merece a atenção de qualquer um que tenha interesse pela música pop desse período.
Só o “feeling” musical dos saxofonistas Malcolm “Molly” Duncan e Roger Ball, que criaram a AWB, no final dos anos 60, para tocar soul e rhythm & blues, pode explicar tamanha façanha. Contratados pela gravadora Atlantic, esses escoceses chegaram ao topo do “hit parade” norte-americano, em 1975, com o tema instrumental “Pick Up The Pieces”.
Foi com esse funk irresistível, realçado pela guitarra rítmica de Hamish Stuart, que a AWB abriu seu show em Montreux, dois anos depois. Outras canções assinadas pela banda, como a balada-soul “A Love of Your Own” ou os funks “Person to Person” e “Cut the Cake” confirmam que, já naquela época, o idioma da black music norte-americana estava se tornando universal.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 31/3/2012)
Só o “feeling” musical dos saxofonistas Malcolm “Molly” Duncan e Roger Ball, que criaram a AWB, no final dos anos 60, para tocar soul e rhythm & blues, pode explicar tamanha façanha. Contratados pela gravadora Atlantic, esses escoceses chegaram ao topo do “hit parade” norte-americano, em 1975, com o tema instrumental “Pick Up The Pieces”.
Foi com esse funk irresistível, realçado pela guitarra rítmica de Hamish Stuart, que a AWB abriu seu show em Montreux, dois anos depois. Outras canções assinadas pela banda, como a balada-soul “A Love of Your Own” ou os funks “Person to Person” e “Cut the Cake” confirmam que, já naquela época, o idioma da black music norte-americana estava se tornando universal.
Funk Como Le Gusta: banda paulistana combina black music, ritmos latinos e bom humor
Marcadores: black music, blues, funk, funk como le gusta, jazz, rhythm'n'blues, ska, soul | author: Carlos CaladoCriada no final da década de 1990, a big band Funk Como Le Gusta logo se tornou popular na noite paulistana com seu dançante e bem humorado repertório, recheado de sambas, ritmos latinos, funks e soul music. “A Cura Pelo Som” (lançamento Radar), quarto álbum da banda, traz composições inéditas dos últimos cinco anos, tanto instrumentais como vocais, mantendo a diversidade de influências que sempre a identificou.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 28/10/2011)
Natalie Cole: em turnê pelo Brasil, cantora prepara álbum de música latina
Marcadores: barack obama, jazz, nat king cole, natalie cole, rhythm'n'blues, soul, unforgettable | author: Carlos CaladoNatalie Cole não vai esquecer tão cedo dos quase dois anos em que foi obrigada a interromper sua carreira musical. Em 2008, a cantora norte-americana soube que havia contraído hepatite C. Complicações em seu quadro clínico a levaram a enfrentar um transplante de rim, no ano seguinte
De volta aos palcos, a herdeira do cultuado cantor e pianista Nat King Cole (1919-1965) inicia em Brasília (dia 12, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães) sua primeira turnê pelo país desde a década de 1990, que inclui shows em Belo Horizonte (dia 13, no Palácio das Artes), São Paulo (dia 15, no Via Funchal) e Rio (dia 16, no Vivo Rio).
Falando à Folha, de Miami (EUA), por telefone, Natalie conta que nessa turnê relembra canções de várias fases de sua carreira, incluindo alguns dos sucessos que já lhe renderam nove prêmios Grammy, como “This Will Be (An Everlasting Love)” e “Take a Look”.
“Na última vez em que estive aí no Brasil, meu show era centrado em ‘Unforgettable with Love’, o álbum que dediquei ao repertório de meu pai. Desta vez também vou cantar outras coisas”, ela avisa, referindo-se ao disco lançado em 1991, que a manteve por cinco semanas no topo da parada norte-americana. O sucesso da romântica gravação de “Unforfettable”, no qual Natalie dividiu os vocais com o pai graças à tecnologia digital, foi essencial para que o álbum vendesse mais de 14 milhões de cópias no mundo.
Já trabalhando na pré-produção de um novo disco, o primeiro desde “Still Unforgettable” (2008), no qual interpreta clássicos da canção norte-americana, Natalie revela que pretende fazer “algo diferente de tudo” que gravou até agora, para ser lançado ainda neste ano.
“Estou pensando em um álbum de música latina. Já cantei jazz, já fiz tributos à música do meu pai, já cantei R&B e pop. O que mais posso fazer de diferente?”, justifica, admitindo que pode incluir canções brasileiras nesse repertório. “Sabendo que a música do Brasil é tão importante e maravilhosa, não vejo razão para não contar com ela nesse projeto”.
Sobre a cena musical de hoje, ela não esconde sua insatisfação. “Acho que falta talento. É surpreendente ver que hoje todo mundo no planeta acha que pode ser cantor. Isso é uma loucura. As pessoas até conseguem gravar um disco, mas, quando tentam entreter uma platéia, quebram a cara. Eu jamais pagaria 50 ou 60 dólares para ver essas pessoas num palco”.
Admiradora declarada de Barack Obama, Natalie afirma que continua otimista em relação ao governo do presidente norte-americano. “Ele é um homem que não disfarça quem é. Pode ter cometido alguns erros que deve ter lamentado, mas não se esconde atrás do cargo, como outros presidentes fizeram. Ele é um cara do bem que enfrenta uma oposição muito grande no país. Se isso acontece por motivos raciais, é algo que me parece muito triste e estúpido”, diz ela.
Para terminar, um comentário. Tive a oportunidade de acompanhar parte do show de Natalie, em setembro último, no Curaçao North Sea Jazz Festival, quando pude constatar pessoalmente que ela voltou aos palcos em plena forma, com a elegância e a simpatia de antes. Não fosse o formato desse festival, com shows simultâneos em três palcos, eu certamente teria ficado até o bis.
(Texto publicado parcialmente na “Folha de São Paulo”, em 6/4/2011)
Quincy Jones: produtor se repete com álbum eclético e cheio de astros do rap e do pop
Marcadores: barry white, jazz, jennifer hudson, john legend, quincy jones, rhythm'n'blues, snoop dog, soul | author: Carlos CaladoUm dos produtores mais influentes da indústria musical, conceituado autor de trilhas sonoras e jazzista inovador, Quincy Jones repete a fórmula “elenco eclético e cheio de astros” que já havia usado nos ambiciosos “Back on the Block” (1989) e “Q’s Jook Joint” (1995). Quem conhece esses álbuns, vai logo perceber que o novo “Soul Bossa Nostra” (lançamento Qwest/Universal) fica bem aquém.
Talvez o problema esteja no fato de Jones ter produzido ou escrito os arranjos para apenas sete das quinze faixas. Ou mesmo que muitos convidados não têm intimidade com sua obra. Destacam-se o cantor John Legend, na otimista “Tomorrow”, o vozeirão gospel de Jennifer Hudson, no R&B “You Put a Move on My Heart”, o veterano Bebe Winans, na balada-soul “Everything Must Change”, e o rapper Snoop Dogg, no dançante “Get the Funk Out of My Face”.
Já a robótica versão de T-Pain para “Pretty Young Thing” ou a irritante releitura de “Secret Garden”, com Usher, LL Cool J e o sampleado Barry White, entre outras, soam como descartáveis enganos. Quincy Jones não precisava disso em sua obra.
(resenha publicada originalmente no “Guia Folha – Livros, Disco e Filmes”, em 25/03/2011)
Assinar:
Postagens (Atom)



