Quem acompanhou a edição de 2014 do Rio das Ostras Jazz & Blues, um dos grandes festivais do gênero na América Latina, vai notar a diferença. Em vez da extensa programação durante dois finais de semana, o evento que agita anualmente a cidade litorânea fluminense retornará de 20 a 23 de agosto com um programa mais compacto.
Entre as atrações principais do evento (prejudicado pelo recente cancelamento do show do trompetista Roy Hargrove, por motivo de saúde) estão o eclético percussionista nova-iorquino Omar Hakim (na foto acima), a banda britânica de funk-jazz Incognito (na foto abaixo, o líder e guitarrista Jean-Paul “Bluey” Maunick) e o guitarrista e bluesman californiano Robben Ford.
O blues também estará representado por outros três guitarristas: a norte-americana Carolyn Wonderland, o britânico Matt Schofield e o cearense Artur Menezes. De New Orleans vem o acordeonista Dwayne Dopsie, especialista em zydeco (dançante gênero musical da Louisiana). Entre os brasileiros destacam-se ainda o gaitista Gabriel Grossi e a Orquestra Kuarup.
O produtor Stenio Mattos revela que foi difícil realizar o festival neste ano. “Encaramos uma luta árdua, tentando buscar novas alternativas à dependência do petróleo”, diz o diretor do evento, referindo-se às dificuldades econômicas enfrentadas pela região, voltada à produção petrolífera.
“Temos que continuar mostrando que se pode fazer cultura de alto nível, sem cobrança de ingressos, e ainda trazer benefícios econômicos para a região com o uso correto de leis de incentivo”, afirma o produtor.
Mais que lamentar a redução do número de atrações do evento, em função da grave crise econômica que tem abatido todo o país, os frequentadores do Rio das Ostras Jazz & Blues podem comemorar o fato de, apesar das adversidades, o festival vai realizar sua 13ª edição sem abrir mão da qualidade musical.
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Rio das Ostras Jazz & Blues 2015: festival fluminense resiste à crise econômica
Marcadores: Artur Menezes, carolyn wonderland, dwayne dopsie, Gabriel Grossi, incognito, matt schofield, omar hakim, orquestra kuarup, rio das ostras, robben ford, roy hargrove, stenio mattos | author: Carlos CaladoIncognito: banda inglesa abre o Bourbon Festival Paraty com fusões de funk e jazz
Marcadores: Big Sam’s Funky Nation, bourbon street paraty, funk, germaine bazzle, hamilton de holanda, incognito, instrumental, jazz, raul de souza, stanley clarke | author: Carlos CaladoLíder do Incognito, Bluey observa a vocalista Vanessa Haynes, no Bourbon Street
Guitarrista, compositor, produtor, arranjador, vocalista, baixista. São vários os talentos de Jean-Paul “Bluey” Maunick, o criador e líder da banda britânica Incognito, que vai exibir suas dançantes fusões de funk, soul e jazz, na noite de abertura do 5º Bourbon Festival Paraty – desta sexta (24/5) a domingo (26/5), na cidade de Paraty (RJ), ao ar livre e com entrada franca.
Falando à "Folha de S. Paulo", por telefone, de Londres, Bluey lembrou que em sua única visita ao país, em 1996, quando se apresentou com a Incognito no Free Jazz Festival, estava tão excitado que chegou a dormir uma noite na praia, no Rio de Janeiro.
“As pessoas disseram que eu não deveria fazer aquilo, mas estar no Brasil pela primeira vez era algo muito especial para mim. Infelizmente, naquela viagem não tive tempo para conhecer músicos brasileiros. Mais tarde fiz amizades sólidas com Ed Motta e Alex Malheiros (do grupo Azymuth)”, comenta.
Para os dois shows que fará desta vez Bluey preparou uma espécie de retrospectiva musical das três décadas de sua banda. “Vamos misturar um pouco de tudo que tocamos desde o final da década de 1970. E também algumas surpresas, coisas que as pessoas não esperam que podemos tocar”.
Na quinta-feira, quando se apresentou no Bourbon Street Music Club, em São Paulo, Bluey cumpriu a promessa: surpreendeu a plateia tocando uma versão do clássico funk "Pick Up the Pieces", da banda escocesa Average White Band, lembrou um sucesso da banda carioca Black Rio e ainda chamou o cantor Ed Motta para uma canja.
A rara longevidade da Incognito – numa cena em que tantos artistas e bandas descartáveis surgem tão rapidamente quanto desaparecem – tem a ver, na opinião de Bluey, com suas próprias origens e escolhas musicais.
“Temos a sorte de fazer música que tem história. Quando se abraça uma tradição musical tão rica, que inclui o blues, o jazz, o soul, o funk, ou o que mais saiu dela, como a ‘disco’, a house ou o ‘neo soul’, você pode passar toda sua vida tocando essa música, sem precisar ficar correndo atrás de um novo sucesso. Nossa música não se prende só a uma determinada época”, reflete.
Shows gratuitos
Com 18 atrações musicais, dois palcos e shows itinerantes pelas ruas da cidade, o 5º Bourbon Festival Paraty começa com shows gratuitos do trombonista Raul de Souza e das bandas Incognito e Serial Funkers, com participação de Ed Motta.
Neste sábado, no palco principal, apresentam-se a cantora Céu, o influente baixista norte-americano Stanley Clarke (na foto acima) e a banda Big Sam’s Funky Nation, de Nova Orleans. Também oriunda dessa cidade norte-americana, a veterana cantora Germaine Bazzle vai se apresentar com a The Players New Orleans Jazz Band, no domingo, seguida pelo bandolinista Hamilton de Holanda e pela cantora Mart’nália.
Outros destaques no elenco do evento são o violonista Carlos Barbosa Lima, o cantor e gaitista Paulo Meyer, o projeto Tuto Ferraz Funky Jazz Machine, o gaitista Jefferson Gonçalves e o guitarrista Big Joe Manfra.
(texto publicado parcialmente na versão online da "Folha de S. Paulo")
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