Anos atrás, este encontro musical pareceria um tanto improvável. O que Cau Karam (ao centro, na foto), talentoso violonista e compositor gaúcho conhecido por sua intimidade com o choro e o samba, teria em comum com o À Deriva, inventivo quarteto instrumental paulista, que aposta na criação musical com o máximo de liberdade e sem se prender a gêneros definidos?
O fato é que a aproximação aconteceu, com a necessária abertura de ambos os lados, gerando assim uma criativa parceria musical e o álbum "De Senhores, Baronesas, Botos, Urubus, Cabritos e Ovelhas" (lançamento do selo à Deriva). Autor de seis das dez faixas do álbum, Karam gosta de batizá-las com títulos insólitos, como o do choro “O Hábito Estraga ‘Um Monte’” ou o do quebrado samba “Nem o Freud, Nem o Roberto Carlos”. “Bom Cabrito Não Berra” é, talvez, a faixa que melhor espelha o diálogo entre as diferentes concepções musicais de Karam e do À Deriva: a lírica melodia da flauta evolui para um ruidoso solo de sax tenor, como numa inusitada conversa entre Radamés Gnattali e Ornette Coleman.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 27/7/2013)
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Cau Karam e à Deriva: violonista gaúcho e quarteto paulista em "conversas" criativas
Marcadores: À Deriva, cau karam, choro, instrumental, jazz, samba | author: Carlos CaladoÀ Deriva: quarteto instrumental quer estimular a imaginação dos ouvintes
Marcadores: À Deriva, instrumental, jazz, móbile, música brasileira | author: Carlos Calado
O quarteto instrumental À Deriva / Photo by Mariana Chama
O encarte composto por cinco folhas soltas com fotos em preto-e-branco, sem alusão às faixas do CD, já indica que não se trata de um projeto convencional. Com “Móbile”, seu quarto álbum, o grupo instrumental À Deriva pretende estimular a imaginação de seus ouvintes. O quarteto espera que eles façam suas próprias “leituras” das imagens do encarte, associando-as livremente às gravações do álbum.
A ideia de relacionar a música a outras linguagens artísticas não é casual. Em quase 10 anos de carreira, os integrantes desse quarteto paulista já criaram várias trilhas sonoras para cinema e teatro. Sem se prenderem a um estilo, nem a uma formação instrumental fixa, investem nas explorações sonoras mais diversas. Do lirismo da balada “Bom Retiro” ao caos organizado da free jazzística “Carvoeiro”, “Móbile” é um álbum para ser ouvido com a mesma dose de liberdade pedida por um romance de Júlio Cortázar.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 25/5/2013)
O encarte composto por cinco folhas soltas com fotos em preto-e-branco, sem alusão às faixas do CD, já indica que não se trata de um projeto convencional. Com “Móbile”, seu quarto álbum, o grupo instrumental À Deriva pretende estimular a imaginação de seus ouvintes. O quarteto espera que eles façam suas próprias “leituras” das imagens do encarte, associando-as livremente às gravações do álbum.
A ideia de relacionar a música a outras linguagens artísticas não é casual. Em quase 10 anos de carreira, os integrantes desse quarteto paulista já criaram várias trilhas sonoras para cinema e teatro. Sem se prenderem a um estilo, nem a uma formação instrumental fixa, investem nas explorações sonoras mais diversas. Do lirismo da balada “Bom Retiro” ao caos organizado da free jazzística “Carvoeiro”, “Móbile” é um álbum para ser ouvido com a mesma dose de liberdade pedida por um romance de Júlio Cortázar.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 25/5/2013)
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