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Vitor da Trindade: compositor e cantor elogia a negritude em seu primeiro álbum

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Conhecido na cena musical como integrante do trio Revista do Samba, com o qual já gravou cinco discos, o percussionista, violonista e cantor Vitor da Trindade lança "Ossé" (edição independente), seu primeiro álbum individual. Presente em quase todo o repertório desse trabalho está sua referência maior: para compor 13 das 14 faixas desse disco, ele musicou poemas do avô, o pernambucano Solano Trindade (1908-1974), influente artista e ativista da cultura afro-brasileira.

Do contagiante maracatu “Maracatucar” à funkeada “Amor”, Vitor passeia por vários ritmos de ascendência negra. Canções como “Mulata” ou “Canto à Musa Crioula” elogiam a negritude, mas o viés social, tão característico da obra de Solano, também está presente. Trazendo vocais falados na linha do rap, “Rio” é umas das canções mais atraentes do álbum: acompanhados por muito suingue e humor refinado, os versos do poeta traçam um irônico olhar sobre a dinâmica social na Cidade Maravilhosa. 



André Abujamra: compositor reflete sobre a condição humana sem cair no pessimismo

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Nos anos 1980, quando criou com Maurício Pereira a carismática dupla Os Mulheres Negras, André Abujamra já mostrava que a diversidade de influências musicais e o humor eram essenciais em suas composições. Esses elementos continuam marcantes em “O Homem Bruxa”, seu quarto álbum solo (edição independente), mas o que chama atenção especial agora é o tom humanista de suas letras.

Miséria, drogas, preconceitos, envelhecimento e morte são temas presentes em canções do álbum, como a faixa-título, levada em ritmo afro-cubano, o rap “Mendigo” ou a filosofante “Espelho do Tempo”, que traz uma aparição vocal do
diretor de teatro, ator e pai de André, Antonio Abujamra. 

O fascínio pela tecnologia, que já era evidente nos Mulheres Negras, também está presente na cinematográfica “Segredos da Levitação” e na eletrônica “3 Homens, 3 Celulares” (de Maurício Pereira). Ao completar 50 anos, André Abujamra reflete sobre a condição humana, sem cair no pessimismo, com o humor e a visão criativa que o identificam como artista. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 26/9/2015)




Zeca Baleiro: compositor e cantor maranhense vai do funk ao rap, em 'Calma Aí, Coração'

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A primeira faixa soa como um chacoalhão no ouvinte. “Tanta pobreza humilhada / tanto canalha no topo / Você é feliz, ma non tropo / Porque nenhum bem lhe basta”, provocam os ácidos versos de “O Desejo”, um rap que põe os dedos em muitas feridas da sociedade contemporânea. É assim que Zeca Baleiro introduz o álbum “Calma Aí, Coração” (edição da gravadora Som Livre), gravado ao vivo, na casa noturna carioca Viva Rio.

Como grande parte do repertório deste CD foi lançada no anterior “O Disco do Ano” (2012), a versão em DVD oferece vários extras. Além das mesmas 12 faixas do CD, traz clipes das canções “Tatoo”, “Meu Amigo Enock” e “Calma Aí, Coração”, releituras dos sucessos “Babylon” e “Alma Não Tem Cor” (André Abujamra), e ainda entrevistas com parceiros do maranhense, como Frejat, Hyldon e Wado. Um show bem cuidado, em que a verve crítica de Baleiro chega ao clímax no sarcástico “Funk da Lama”, com direito até a uma hilária coreografia.

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 26/7/2014)

Carlos Careqa: compositor diverte e incomoda com canções infantis feitas para adultos

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Melhor tirar as crianças da sala, assim como os adultos mais pudicos ou conservadores. Os títulos de algumas faixas deste álbum – “Exame de Fezes”, “Meleca”, “Autofelacio” – já sugerem que o irreverente Carlos Careqa não é um desses autores de canções infantis, que marmanjos de 30 ou 40 anos idolatram sem o menor pudor. Hilário nos vocais, Careqa aborda temas incômodos, como sexo, masturbação e velhice, com humor e escancaradas doses de sacanagem e escatologia.

Os arranjos criados por Mario Manga e Marcio Nigro, que também tocam diversos instrumentos, são bem divertidos: como o do “Rap do Peido”, que utiliza sons de flatulências, ou o de “Meleca”, com um naipe de violoncelos daqueles que grudam no ouvido. Em meio à atual ditadura do “politicamente correto”, Careqa faz lembrar que as crianças são bem mais espertas do que mostram, na TV, os comerciais de biscoitos. 

Resenha publicada originalmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 22/2/2014

 

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