Pedro Sá Moraes: CD "Além do Principio do Prazer" tem viés experimental
Marcadores: Coletivo Chama, MPB, pedro sá moraes, thiago amud | author: Carlos CaladoDiz a lenda que, ao encontrar o cantor e compositor Pedro Sá Moraes, o equilibrado Jon Pareles, crítico musical do jornal “The New York Times”, teria se referido ao álbum “Além do Princípio do Prazer” (lançamento Delira Música) com um adjetivo revelador: “Que disco doido!”. Um comentário que, a depender do gosto e da bagagem musical do ouvinte, pode tanto soar tanto atrativo como alarmante.
Integrante do Coletivo Chama, formado por outros inquietos e criativos músicos e compositores cariocas, Moraes parece decidido a levar a canção brasileira para além das experimentações poéticas e sonoras do movimento tropicalista.
“Alarido” (parceria com Thiago Amud), canção que abre o álbum em meio a ruídos eletrônicos e distorções de guitarra, já avisa ao ouvinte: “Quando bater bem no seu tímpano, seu ímpeto vai ser gritar /Mas fique impávido pro silêncio ouvir a música ímpar”. Quem não se deixar assustar pelos arranjos ruidosos e vanguardistas, dificilmente vai se arrepender de ouvir este ambicioso trabalho.
(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 25/4/2015)
Yamandu Costa: dois CDs mostram a maturidade do violonista e compositor gaúcho
Marcadores: Bebê Kramer, Luís Barcelos, Orquestra do Estado de Mato Grosso, Radamés Gnatalli, Rogério Caetano, yamandu costa | author: Carlos CaladoAinda nos anos 1990, quando começou a chamar atenção na cena da música instrumental, o violonista Yamandu Costa dividia opiniões. Muitos festejaram o talento do jovem gaúcho, que chegou a ser comparado ao brilhante Raphael Rabello (1962-1995). Mas também havia os que criticavam os excessos sonoros do garoto-prodígio, em suas performances cheias de vigor.
Já na década seguinte, em meio aos inúmeros shows e gravações que fez, Yamandu desenvolveu parcerias com os veteranos Dominguinhos (1941-2013) e Paulo Moura (1932-2010), que parecem ter contribuído para aparar as arestas de suas interpretações.
Duas gravações recém-lançadas comprovam, não só a maturidade desse superdotado instrumentista, mas também sua evolução como compositor. No álbum “Tocata à Amizade” (lançamento da gravadora Biscoito Fino), ele se une a Alessandro “Bebê” Kramer (acordeom), Luís Barcelos (violão) e Rogério Caetano (bandolim) para interpretar a suíte “Impressões Brasileiras”, que compôs por encomenda do parisiense Museu do Louvre.
Os títulos dos quatro movimentos – “Choro-tango”, “Valsa”, “Frevo-canção” e “Baionga” – já indicam a variedade de gêneros e ritmos que Yamandu escolheu para representar a música brasileira. Completando o repertório do álbum, a “Suíte Retratos” (Radamés Gnatalli) aparece em versão mais descontraída.
Em “Concerto de Fronteira”, CD da Orquestra do Estado de Mato Grosso (lançamento da gravadora Kuarup), Yamandu também contribui como autor e solista. Na longa peça-título, ele é ouvido em um contexto mais erudito, acompanhado pelos naipes de cordas da orquestra. “Bachbaridade”, outra composição própria, é um veículo para o virtuosismo desse músico que encontrou enfim o equilíbrio da maturidade.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 28/3/2015)
Andrea dos Guimarães: releituras despojadas no promissor album da cantora mineira
Marcadores: Andrea dos Guimarães, chico buarque, Humberto Teixeira, ivan lins, luiz gonzaga, MPB, Vitor Martins | author: Carlos CaladoPoucas vezes se ouviu clássicos da música popular brasileira soarem tão sofisticados como neste "Desvelo" (distribuição Tratore), primeiro álbum da cantora e pianista Andrea dos Guimarães. Integrante do grupo Conversa Ribeira, essa mineira radicada em São Paulo surpreende com um trabalho bastante original como intérprete, instrumentista e arranjadora, cuja formação erudita inclui um mestrado em música pela Unicamp.
Sambas e canções conhecidos, como “Ela Desatinou” (Chico Buarque), “Começar de Novo” (Ivan Lins e Vitor Martins) ou “Asa Branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), ressurgem em releituras despojadas. Andrea se acompanha ao piano, criando harmonias inusitadas para dialogar com seu canto expressivo. E ainda se dá ao luxo de exibir belas composições próprias, como as líricas “Ciranda dos Meninos” e “Estrada do Contorno”. Tomara que a mediocridade da cena atual da canção brasileira não seja capaz de esconder essa artista tão talentosa e promissora.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 28/3/2015)
Caixa Cubo: trio paulista prova que jovens tambem gostam de música instrumental
Marcadores: caixa cubo trio, henrique gomide, instrumental, joão fideles, noa stroeter, samba-jazz, Teco Cardoso, Vinicius Dorin | author: Carlos Calado
Quem ainda acredita na falácia de que os jovens não se interessam por musica instrumental precisa conhecer o Caixa Cubo Trio. Depois de se apresentarem em festivais de jazz pela Europa, o pianista Henrique Gomide, o baterista João Fideles e o contrabaixista Noa Stroeter vão lançar “Misturada”, quarto disco do grupo, com show no Sesc Pompeia, em São Paulo, nesta segunda-feira, dia 6.
“Vamos tocar boa parte dos temas que gravamos no álbum ‘Misturada’”, diz Gomide, que criou o Caixa Cubo em 2007, ainda tocando em duo com Fideles, quando estudavam na Universidade de São Paulo.
Uma das características que mais chamam atenção na trajetória desse grupo é o fato de seus quatro discos gravados serem bem diferentes entre si. “Temos a preocupação de nunca estacionar, de constantemente formar novas parcerias, achar novas maneiras de tocar, de ouvir”, afirma o pianista.
Graças ao interesse dos integrantes do Caixa Cubo por diversos gêneros, como o jazz, a música eletrônica, a música clássica e a música instrumental brasileira, o trio tem explorado em suas gravações e shows um repertório bem eclético.
“Acho que o fato de os nossos álbuns serem bem diferentes entre si mostra um pouco dessa nossa vontade de estar sempre renovando e atualizando o projeto”, considera o pianista e compositor.
Desde que o Caixa Cubo assumiu o formato de um trio (com o ingresso do contrabaixista Noa Stroeter, três anos atrás), seu repertório cresceu. Atualmente, segundo Gomide, inclui mais de 200 musicas.
“O plano agora é continuar destrinchando as possibilidades do trio, com enfoque no novo repertório de músicas autorais, mas sempre trazendo ao palco diferentes convidados para contribuir com novas vozes e idéias para a roda”, comenta o pianista. Como convidados, no show desta segunda, estarão os saxofonistas Teco Cardoso e Vinicius Dorin.
O trio vai exibir suas releituras de alguns clássicos da música instrumental brasileira, como “Amphibious” (de Moacir Santos) e “Pirambeira” (de Laércio de Freitas), assim como versões instrumentais das canções “Maricotinha” (Dorival Caymmi) e “Ponteio” (Edú Lobo).
“Vamos aproveitar a oportunidade para tocar arranjos inéditos, como o que fizemos para um tema do grande Nenê baterista. Pode-se dizer que uma parte do repertório do show já indica algumas das direções para o nosso próximo álbum”, comenta Gomide.
Boa chance para se ouvir ao vivo um dos grupos mais promissores da nova geração da música instrumental brasileira.
(texto originalmente publicado na versão online da "Folha de S. Paulo", em 6.4.2015)
“Vamos tocar boa parte dos temas que gravamos no álbum ‘Misturada’”, diz Gomide, que criou o Caixa Cubo em 2007, ainda tocando em duo com Fideles, quando estudavam na Universidade de São Paulo.
Uma das características que mais chamam atenção na trajetória desse grupo é o fato de seus quatro discos gravados serem bem diferentes entre si. “Temos a preocupação de nunca estacionar, de constantemente formar novas parcerias, achar novas maneiras de tocar, de ouvir”, afirma o pianista.
Graças ao interesse dos integrantes do Caixa Cubo por diversos gêneros, como o jazz, a música eletrônica, a música clássica e a música instrumental brasileira, o trio tem explorado em suas gravações e shows um repertório bem eclético.
“Acho que o fato de os nossos álbuns serem bem diferentes entre si mostra um pouco dessa nossa vontade de estar sempre renovando e atualizando o projeto”, considera o pianista e compositor.
Desde que o Caixa Cubo assumiu o formato de um trio (com o ingresso do contrabaixista Noa Stroeter, três anos atrás), seu repertório cresceu. Atualmente, segundo Gomide, inclui mais de 200 musicas.
“O plano agora é continuar destrinchando as possibilidades do trio, com enfoque no novo repertório de músicas autorais, mas sempre trazendo ao palco diferentes convidados para contribuir com novas vozes e idéias para a roda”, comenta o pianista. Como convidados, no show desta segunda, estarão os saxofonistas Teco Cardoso e Vinicius Dorin.
O trio vai exibir suas releituras de alguns clássicos da música instrumental brasileira, como “Amphibious” (de Moacir Santos) e “Pirambeira” (de Laércio de Freitas), assim como versões instrumentais das canções “Maricotinha” (Dorival Caymmi) e “Ponteio” (Edú Lobo).
“Vamos aproveitar a oportunidade para tocar arranjos inéditos, como o que fizemos para um tema do grande Nenê baterista. Pode-se dizer que uma parte do repertório do show já indica algumas das direções para o nosso próximo álbum”, comenta Gomide.
Boa chance para se ouvir ao vivo um dos grupos mais promissores da nova geração da música instrumental brasileira.
(texto originalmente publicado na versão online da "Folha de S. Paulo", em 6.4.2015)
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