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Bourbon Festival Paraty 2016: destaques do evento também tocam em São Paulo

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Só em festivais internacionais de peso você pode encontrar um elenco com esse alto quilate musical. Joshua Redman (na foto ao lado), The Bad Plus, Dianne Reeves, Romero Lubambo, Eumir Deodato, Rosa Passos, Walter “Wolfman” Washington e o o grupo Pau Brasil estarão entre as dezenas de atrações da oitava edição do Bourbon Festival Paraty, de 20 a 22/5, na charmosa cidade histórica do litoral fluminense.

Com 19 shows gratuitos ao ar livre, em três palcos, além de aparições de bandas de blues e jazz tradicional pelas ruas da cidade, esse festival também oferece workshops para estudantes de música (com o saxofonista Leo Gandelman e guitarrista Chico Pinheiro), intervenções do DJ Crizz (antes, durante e depois dos shows principais) e uma exposição de fotos de Pedro Guida, na Galeria Zoom.

Entre as atrações musicais do Bourbon Festival Paraty também se destacam o baixista Thiago Espírito Santo, o guitarrista Ricardo Silveira, a banda do guitarrista de blues Igor Prado (que terá como convidado o cantor norte-americano Willie Walker) e o gaitista e cantor de blues Flávio Guimarães.
 

Shows no Bourbon Street

A boa notícia para os paulistanos que não podem se deslocar até Paraty é que cinco das principais atrações do evento também estarão no clube Bourbon Street, em São Paulo, nos próximos dias. O mini festival começa em 17/5, com o show do excelente violonista carioca Romero Lubambo, que terá como convidada especial a cantora norte-americana Dianne Reeves, uma das grandes intérpretes do jazz contemporâneo. 


A atração do dia 18/5 é a cantora Rosa Passos (na foto ao lado), grande intérprete da MPB e da bossa nova, que estará acompanhada pelo grupo Brasilidade Geral. Na noite seguinte, será a vez do cantor e guitarrista Walter “Wolfman” Washington, mestre do blues de Nova Orleans. No dia 20, a banda do baterista norte-americano Anthony King interpreta clássicos da soul music e do funk, com destaque para os vocais de Ms. Monet e Tony Lindsay.

Finalmente, no dia 24, o cultuado trio de jazz norte-americano The Bad Plus divide o palco do Bourbon Street com o saxofonista Joshua Redman, outro expoente da cena atual do jazz. No repertório desse show entram composições originais extraídas do álbum “Bad Plus Joshua Redman”, lançado em 2015.

Mais informações nos sites do Bourbon Festival Paraty e do Bourbon Street Music Club.

Rio das Ostras Jazz & Blues Festival: os destaques da nona edição

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Recheado de nomes de prestígio nas cenas do jazz e do blues, o elenco do festival de Rio das Ostras, cuja nona edição terminou no último domingo (26/6), já antecipava um evento musical de alta qualidade. Para alguém como eu, que estava visitando pela primeira vez essa emergente cidade do litoral fluminense, foi surpreendente ver cerca de 20 mil pessoas, em cada uma das quatro noites do evento, ouvindo com atenção e aplaudindo com euforia quase todas as atrações.

Outra agradável surpresa foi constatar que não é apenas o típico turista de classe média, tanto desse Estado como de outras regiões do país, que vai a Rio das Ostras para apreciar as dezenas de shows de jazz, blues e música instrumental brasileira que o festival oferece, gratuitamente. Bastava circular pelas platéias de qualquer um dos quatro palcos espalhados pela cidade para verificar que grande parte desse público pertence às chamadas classes C e D. Quem ainda acha que o jazz só interessa a uma pequena elite cultural precisa rever esse senso-comum errôneo e preconceituoso.


                                                                                              Photos by Carlos Calado


VOZEIRÃO – Maior revelação do festival, o cantor norte-americano José James (na foto acima, com o trompetista Takuya Kuroda) conquistou as platéias dos shows que fez nos palcos da Tartaruga e da Costa Azul. Com seu vozeirão de barítono, gestual de MC e um repertório híbrido que mistura jazz, soul e hip-hop, James é um exemplo perfeito de como o jazz se renova absorvendo elementos de outros gêneros musicais. Entre seus melhores momentos, a vibrante releitura de “Moanin’” (de Bobby Timmons; veja o video abaixo) e uma versão letrada de “Equinox” (John Coltrane). 


EMOÇÃO - Confirmando os excelentes shows que já fizera em São Paulo, em 2010, e no Bourbon Festival Paraty, na semana anterior, o quinteto do cubano Roberto Fonseca foi a atração mais emocionante do festival. Nem um problema no teclado do piano, que não pôde ser corrigido a tempo do show de sábado, impediu Fonseca (no centro da foto acima) de fazer uma apresentação sensacional, que levantou a platéia várias vezes. Em composições próprias, como “Consumatum Est (Oya)” e “Lo que Me Hace Vivir”, que combinam lirismo com improvisações contagiantes, ele demonstra ser um músico completo, seguindo a linhagem de outros grandes pianistas cubanos, como Chucho Valdés e Gonzalo Rubalcaba. (Veja o vídeo abaixo)

 
ENCONTRO – O trio Medeski, Martin & Wood também protagonizou um dos melhores shows do festival, no sábado (25/6). Quem imaginou que o saxofonista Bill Evans seria apenas um convidado especial, em alguns números, se enganou. O ex-integrante da banda de Miles Davis participou de todo o show, ganhando espaço para longos improvisos. Uma parceria que, pelo jeito, pode render bem mais que algumas apresentações esparsas. (Veja o vídeo abaixo)


 
SAMBAS – Outro encontro que deu certo foi o do veterano trio Azymuth com o saxofonista Leo Gandelman (na foto acima, com o baixista Alex Malheiros). Releituras instrumentais dos sambas “Me Deixa em Paz” (Monsueto) e “Canto de Osanha” (Baden Powell) brilharam no repertório desse show, que não podia deixar de incluir “Linha do Horizonte”, o hit zen do Azymuth. Na mesma noite de quinta (23/6), o guitarrista Ricardo Silveira, tocou temas instrumentais de seu recente álbum “Até Amanhã”. Incluiu uma versão jazzística do samba “Se Acaso Você Chegasse” (Lupicínio Rodrigues), com destaque para os sopros de Marcelo Martins e Jessé Sadock.



REVELAÇÃO – Na banda do conceituado trompetista norte-americano Nicholas Payton, outra atração do sábado, destacou-se Lawrence Fields, jovem pianista de Saint Louis, que esteve em São Paulo com a banda de Christian Scott, em maio último, no festival Jazz na Fábrica. À frente de seu Sexxxtet, Payton trouxe um projeto inspirado nas fusões do jazz com o funk e o soul que Miles Davis desenvolveu durante a década de 1970. Um show impecável, tecnicamente, mas que carece de mais emoção.



DEBOCHE - O marketing da trompetista holandesa Saskia Laroo, conhecida na Europa como “Lady Miles Davis”, beira a propaganda enganosa. Com um show quase circense, que transita entre o hip hop, o funk e o reggae, incluindo dois rappers, ela se mostra mais preocupada em pular no palco, operando os pedais de efeitos eletrônicos que traz presos à cintura, do que realmente tocar seu instrumento. Sem falar na infame “Courtesy to John Coltrane”, suposta homenagem ao grande ícone do jazz, em levada “disco”, que soa como deboche.


FUSION – Comemorando 30 anos de vida em 2011, a banda norte-americana Yellowjackets voltou a contar com a energia do baterista Will Kennedy, que a deixou durante a última década. Não há dúvida que a presença do saxofonista Bob Mintzer contribuiu para aprimorar o repertório e os improvisos do quarteto, que segue com os fundadores Russel Ferrante (teclados) e Jimmy Haslip (baixo). Para os fãs da típica “fusion” dos anos 1980. 




POSE – Com sua habitual sessão de poses sensuais, Jane Monheit praticamente repetiu a apresentação que fez no festival de Paraty, na semana anterior. Tecnicamente, Monheit é uma cantora acima da média, mas suas interpretações de standards, como “Over the Rainbow” e “Cheek to Cheek”, soam antiquadas e piegas, como se tivessem saído da década de 1940. Alguém precisa dizer a ela que cantar clássicos da bossa nova, como “Dindi” ou “Samba do Avião”, em português capenga, compromete até sua intenção de homenagear a música brasileira. 




BLUES – A ideia de fechar as quatro as noites, no palco principal, com atrações de blues funcionou muito bem. A Igor Prado Blues Band, o norte-americano Bryan Lee, o angolano Nuno Mindelis e a banda do californiano Tommy Castro (na foto acima) proporcionaram encerramentos bem animados e dançantes, em exibições de diversos estilos de blues, que avançaram pelas madrugadas.


PAISAGEM – Instalado em um local inusitado, em frente ao mar, o palco da Tartaruga exibiu algumas das melhores atrações do festival (José James, Nicholas Payton e Yellowjackets), mas só a vista privilegiada do por de sol, em Rio das Ostras, já valeria a ida. 

 
FEIRA – Ao lado do palco principal, na Costa Azul, a Cidade do Jazz & Blues oferece uma feira com produtos artesanais da cidade, venda de CDs e camisetas, praça de alimentação e um espaço para exibição de fotos, filmes e show de artistas locais.

Numa coletiva de imprensa, no último sábado, o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto, admitiu ter pensado em extinguir esse festival, quando assumiu o cargo, em 2005. Chegou a fazer cortes na verba, mas o crescimento do evento, nos anos posteriores, o convenceu de que o festival se tornou um veículo importante para o incremento do turismo e da economia da região. Mérito do idealizador e produtor do evento, Stenio Mattos, que já está planejando a edição comemorativa dos 10 anos do evento, em 2012. Pela qualidade do que se viu e ouviu neste ano, a próxima promete ser no mínimo especial.












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Paulo Moura: clarinetista mostra outra faceta instrumental com o grupo Teatro do Som

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É provável que alguns fãs de Paulo Moura (1932-2010) estranhem “Alento” (lançamento Biscoito Fino), seu primeiro disco póstumo. Em vez dos sambas e choros que identificaram nas últimas décadas a música desse mestre do clarinete, vão ouvir composições que se assemelham a fragmentos de trilhas sonoras.

Gravadas entre 2005 e 2009, essas composições são produtos da parceria de Moura com o quarteto Teatro do Som, formado por Alex Meirelles (teclados e voz), Marcos Zama (percussão), Paulo Martins (flauta e sintetizador) e Ricardo Feijão (violão e baixo). Títulos como “Road Movie” ou “Mantra do Rio” já denotam o tom atmosférico das nove faixas. Gabriel Grossi (gaita), Alessandro Kramer (acordeon), Marcio Malard (cello) e Ricardo Silveira (violão e guitarra), entre outros convidados, ampliam a instrumentação baseada em teclados, cordas, percussão e vocais.

Subordinando-se aos arranjos, Moura quase abdicou nesse projeto do costumeiro papel de solista, para explorar texturas sonoras menos usuais em sua obra. Mais uma lição desse grande instrumentista, que sempre se colocou a serviço da música – sem hierarquias e preconceitos.

(resenha publicada no “Guia Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 25/3/2011)




 

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