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FIGO 2013: Goiás entra com sucesso no circuito dos festivais de jazz e blues

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                                Wagner Tiso e Victor Biglione homenagearam o baixista goiano Bororó (à dir.)

“Nunca vi tanta música nesta cidade”, comentou, sorrindo, o pianista Diones Correntino durante sua apresentação, na última sexta-feira (16/8), em Goiânia. O quarteto desse talentoso instrumentista e compositor foi uma das 24 atrações do primeiro FIGO (Festival Internacional de Música em Goiás), que terminou no domingo (18/8).

O pianista não se referiu apenas à generosa quantidade de shows e concertos oferecidos pelo evento, todos com entrada franca tanto na capital como na simpática cidade de Pirenópolis. Como outros festivais mais abertos, o FIGO incentivou a diversidade, programando diferentes gêneros musicais: do jazz e do blues à música clássica, passando até pelo rap e pela moda de viola.
 
A noite de sexta começou em frente ao Teatro Goiânia, com a alta energia dos dançarinos da comunidade Kalunga, formada por remanescentes de quilombolas (na foto à dir.). Em seguida, já no palco, a cantora e pianista Elen Lara interpretou sucessos da bossa nova e da MPB, como “Estamos Aí” (de Mauricio Einhorn e Durval Ferreira) e “Verde” (Eduardo Gudin), além de canções próprias, segundo ela, com “vibe de música cristã”.

Bem acompanhado por Foka (saxofones), Bruno Rejan (baixo) e Guilherme Santana (bateria), Diones Correntino (na foto abaixo) também exibiu sua verve de compositor, no jazzístico samba “Café com Risadas” e no inventivo baião “Joca Ramiro”, inspirada por Guimarães Rosa. Dois temas extraídos do “Calendário do Som” (de Hermeto Pascoal) e uma suingada versão de “Aqui Ó” (Toninho Horta) também agradaram o público. 
 
Atração final da noite, o quinteto do trompetista norte-americano Leroy Jones na foto abaixo) deliciou a plateia goianiense com uma sessão de jazz tradicional bem ao estilo de New Orleans. No repertório de Jones, destaque para a dançante “I Found a New Baby” (Palmer & Williams) e a emotiva balada “In a Sentimental Mood” (Duke Ellington). Convidada especial do trompetista, a veterana cantora e atriz Topsy Chapman arrancou muitos sorrisos e aplausos, ao interpretar cantar o clássico “Summertime” (Gershwin & Heyward), canção da ópera negra "Porgy and Bess".

No sábado, o festival se transferiu para a cidade de Pirenópolis. A eclética programação, dividida em três palcos, começou ao ar livre, com o bumba-meu-boi do grupo Boi do Rosário. Em seguida, no Cine Teatro Pireneus, os MCs do grupo Black Cia exibiram seus raps, marcados por um enfático discurso antidrogas. Depois entrou a banda paulista Bodes & Elefantes, veículo para o trabalho autoral do tecladista Guilherme Granado, calcado em instrumentos eletrônicos, improvisos livres e toques de experimentalismo. 


Já no Teatro Sebastião Pompeu de Pina, o pianista Gilson Peranzzetta (na foto abaixo) exibiu belas composições próprias, em diferentes formações. Abriu o concerto com o divertido frevo “Lá Vai o Cara”, em solo de piano. Com a big band formada por integrantes da Orquestra de Sopros e Percussão do Cerrado, lembrou a romântica “Love Dance” (parceria com Ivan Lins). Já com a orquestra completa, regida por Cláudio Antunes, tocou “Obsession” (parceria com Dori Caymmi), que destacou o solo de trompete de Manassés Aragão.

A noite terminou com mais duas apresentações, no palco instalado no Largo do Rosário, no Centro Histórico. “Aqui jaz um jazz”, brincou um dos integrantes do Vida Seca, quarteto de percussão de Goiânia, que usa instrumentos construídos com sucata. Recursos teatrais e tiradas de humor também entram em cena, ao lado do repertório que mistura ritmos africanos e latinos com influências do pop e da música contemporânea. 

Atração mais esperada do sábado, a Soul Rebels, moderna banda de metais de New Orleans, conquistou logo a cumplicidade da plateia que abarrotou a rua do Rosário. Graças a seus arranjos dançantes calcados no hip hop, no soul e no funk, incluindo versões instrumentais de sucessos de figurões da música negra, como Jay-Z, Kanye West e Outkast, a Soul Rebels transformou o show em bailão-funk.

Outro grupo instrumental de Goiânia se destacou entre as atrações do domingo, no Teatro. Também conhecidos como Trio Cerrado, Dejan Cosic (teclados), Marcelo Maia (baixo) e Fred Valle (bateria) formam o Alpha Macacos (na foto abaixo), “power trio” que exibiu composições próprias e bem humoradas releituras de dois clássicos do jazz: “Well, You Needn’t” (de Thelonious Monk) e “Caravan” (Juan Tizol).

Ainda no teatro, em seguida entraram o pianista Wagner Tiso e o guitarrista Victor Biglione, que formam um dos duos mais harmônicos da música instrumental brasileira. Com o ecletismo de sempre, tocaram a erudita “Pavane” (de Fauré), o choro “Doce de Coco” (Jacob do Bandolim) e a jazzístico standard “Autumn Leaves”. Homenageado da noite, o conceituado baixista e produtor goiano Bororó juntou-se aos dois, mais ao final do concerto, para tocar composições de Tom Jobim e Edu Lobo ("Vento Bravo").


A noite de domingo, no Cine Teatro Pireneus, começou em altíssimo volume, com o metal do trio goiano Herectic. Mas a plateia só lotou essa sala durante a apresentação do bandolinista Hamilton de Holanda. Entre uma ou outra composição própria, ele exibiu todo seu imenso talento para o improviso, como na originais releituras de “O Que Será?” (Chico Buarque) e "Luiza" (Tom Jobim).

Como na véspera, os shows finais da noite ocuparam o palco do Largo do Rosário, que permite aos frequentadores assistir aos shows sentados nas mesas dos
restaurantes e bares da Rua do Lazer, ao ar livre. Popular banda de Goiânia, comandada pelo cantor e guitarrista André Mols, a TNY esquentou a plateia com versões de clássicos do blues e do soul, de Muddy Waters a Bill Withers.

A última atração do evento foi a veterana banda Blues Etílicos, com destaque para a guitarra e os vocais de Greg Wilson e a gaita de Flávio Guimarães (na foto à direita). Também familiar à plateia de Pirenópolis, a banda carioca, que acaba lançar sua própria marca de cerveja, divertiu os fãs com “Puro Malte”, canção com cara de jingle que intitula seu novo álbum, além de versões blueseiras para sucessos da MPB, como “Espelho Cristalino” (de Alceu Valença) e “Cotidiano nº 2” (Vinicius e Toquinho).

Com um saldo bastante positivo, evidenciado pelo interesse demonstrado pelas plateias de Goiânia e Pirenópolis pelos diversos gêneros musicais reunidos na programação, o estreante FIGO provou que Goiás está pronta para figurar no circuito dos festivais internacionais. Tomara que a próxima edição se realize e consiga superar todos os méritos da primeira.


FIGO 2013: festival mistura jazz, blues e música clássica em Goiânia e Pirenópolis (GO)

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Jazz, blues, música clássica, soul, funk, música instrumental e manifestações da cultura popular. A primeira edição do Festival Internacional de Música em Goiás começa nesta quarta-feira (14/8) com uma proposta arrojada: cinco dias de shows e concertos, nas cidades de Goiânia e Pirenópolis, que misturam diversos gêneros de música popular e erudita.

Para quem não tem preconceitos musicais e gosta de experimentar novos sons, o Figo 2013 oferece 24 atrações internacionais, nacionais e regionais, com entrada franca. Em Goiânia, as três noites terão como principais destaques: o quarteto franco-suíço de jazz No Square (14/8); a Orquestra Filarmônica de Goiás, regida por Carlos Eduardo Moreno (15/8); e o quinteto do trompetista norte-americano Leroy Jones (na foto acima), que trará como convidada a cantora Topsy Chapman (16/8).

Em Pirenópolis, no sábado (17/8), a noite promete terminar em clima de balada dançante, com a black music da banda norte-americana The Soul Rebels (na foto abaixo). Já no domingo (18/8), quem encerra o festival é a banda carioca Blues Etílicos, expoente do blues em nosso país.


Mas o programa é bem mais amplo e destaca também os choros e sambas do trio do bandolinista Hamilton de Holanda, o instrumental do pianista Wagner Tiso com o guitarrista Victor Biglione e o baixista Bororó, a Orquestra de Sopros e Percussão do Cerrado com o pianista e compositor Gilson Peranzzetta, as fusões instrumentais da banda Bodes e Elefantes, os blues da banda TNY (The Not Yet Famous Blues Band), o grupo de percussão Vida Seca e o metal instrumental do trio Herectic.

A cultura popular também está representada pela Congada da Irmandade 13 de Maio, pela Moda de Viola do Ponto de Cultura de Orizona, pelo Grupo de Sussa da Comunidade Kalunga Vão do Moleque, pelo Grupo Boi do Rosário e pelos Trovadores de Pirineus.


Os shows da banda Soul Rebels, do Leroy Jones Quintet e da cantora Topsy Chapman, todos de New Orleans (EUA), inauguram uma parceria do festival com o paulistano Bourbon Street Music Club, principal casa de jazz, blues e música negra do país.

Aliás, os paulistas também poderão apreciar algumas atrações do Figo 2013, nos próximos dias. Soul Rebels, Leroy Jones e Topsy Chapman vão se apresentar durante a 11ª edição do Bourbon Street Fest, de 18 a 25/8, em São Paulo. Já o quarteto No Square (na foto acima) vai tocar no festival Jazz na Fábrica, no Sesc Pompéia, em São Paulo (16/8) e nos Sescs de Catanduva (15/8) e Bauru (17/8), onde será realizado o Jazz and Blues Festival. 


Mais detalhes sobre a programação no site do Figo 2013.
 

 

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