Discos em 2018: 80 recomendações de álbuns de jazz, instrumental, MPB e black music

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Às vésperas de completar 10 anos, este blog oferece a você mais uma lista anual de discos recomendados. Para quem não me conhece e está acessando este blog pela primeira vez, repito algo que já disse em anos anteriores. Não tenho a pretensão de publicar uma lista de “melhores” discos de 2018, pois não concordo com a ideia de que discos de diferentes artistas, que cultivam gêneros musicais diversos, possam ser comparados para se estabelecer um suposto ranking de “melhores”.

Também não acho que o gosto pessoal de um crítico, ou mesmo uma enquete com uma dúzia de supostos experts em música, possam ser utilizados como parâmetros para se afirmar que um disco é superior a outros. Até porque, a cada ano que passa, é maior o número de lançamentos de discos, sejam eles distribuídos em versões físicas (CD ou vinil) ou por meio de plataformas digitais. É praticamente impossível a qualquer crítico especializado ter acesso a toda essa produção fonográfica.

Meu plano inicial era organizar, como no ano passado, uma lista com 50 discos de jazz, música instrumental brasileira, MPB e de algumas vertentes da música negra. Acabei decidindo ampliar esse número para 80 álbuns (listados em ordem alfabética), para não deixar de fora muitos lançamentos de 2018 que merecem atenção.

Finalmente, um aviso importante: como grande parte desses discos que vou recomendar também estão disponíveis no YouTube, se você clicar no título dos discos listados abaixo vai poder ouvi-los ou pelo menos assistir a um vídeo associado a cada um desses álbuns. Se gostar do que ouvir, o artista em questão vai ficar muito contente se você comprar seu disco ou assistir ao seu show quando ele se apresentar em sua cidade.

Aproveito para desejar a você um 2019 repleto de música de boa qualidade. Tomara que esta lista o ajude a descobrir novos artistas e discos. Quem gosta mesmo de música sabe que não há limites para isso. Nossa curiosidade por novos sons sempre se renova. 



                                    
                        

Alexandra Jackson - “Legacy & Alchemy” (Legacy and Alchemy) – Cantando em português quase sem sotaque, essa talentosa intérprete americana declara sua paixão pela música brasileira. Canções de Tom Jobim, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Milton Nascimento se destacam no repertório de seu disco de estreia.

Amaro Freitas - “Rasif” (Far Out) – Ritmos nordestinos, como o baião, o maracatu e o frevo, revelam a identidade do jazz (ou música instrumental, para quem preferir) cultivado por esse inventivo pianista e compositor pernambucano, em seu segundo álbum. Amaro é uma das grandes revelações recentes na cena musical brasileira.

Anaí Rosa - “Anaí Rosa Atraca Geraldo Pereira” (Sesc) – A cantora paulista homenageia Geraldo Pereira, mestre do samba sincopado, cujo centenário é festejado em 2018. Clássicos do gênero, como “Escurinho”, “Acertei no Milhar” e “Cabritada Malsucedida”, surgem em inusitados arranjos de Cacá Machado e Gilberto Monte.

André Abujamra - “Omindá” (independente) – Conhecido por seus trabalhos com Os Mulheres Negras e a banda Karnak, o compositor dedicou 11 anos ao ambicioso projeto de um show-filme sobre as relações do ser humano com a água. Mesmo sem a companhia das belas imagens do espetáculo, as canções continuam soando encantadoras.

Anelis Assumpção - “Taurina” (Scubidu) – A sombra musical do pai, o grande Itamar Assumpção (1949-2003), já não a ofusca mais. Em seu terceiro álbum, a cantora e compositora aborda o universo feminino de modo bem pessoal. Anelis não esconde a tristeza pela morte da irmã, Serena, mas também revela humor e doçura em suas canções.

Aniel Someillan - “Quilombo” (independente) – Primeiro álbum do contrabaixista cubano, que se radicou no Brasil em 2014. A releitura do samba-afro “Canto de Xangô” (de Baden Powell e Vinícius de Moraes), que mistura elementos rítmicos da santeria cubana e do candomblé brasileiro, é exemplar de suas pesquisas musicais.

Antonio Adolfo e Orquestra Atlântica - “Encontros” (AAM) – Nos últimos anos, o pianista e compositor carioca tem lançado discos saborosos e este, em parceria com uma big band, não foge à regra. No repertório, uma versão instrumental de “Sá Marina”, seu grande sucesso, e um arranjo de “Milestones” (Miles Davis), em ritmo de frevo.

Antonio Loureiro - “Livre” (YB) – O título do sexto álbum do multi-instrumentista, compositor e cantor mineiro soa como uma afirmação. Da engajada canção “Resistência” à instrumental “Caipira”, passando pela exuberante versão de “Oriente” (de Gilberto Gil), Loureiro parece decidido a romper fronteiras musicais.

Ari Borger Trio - “Rock ‘n’ Jazz” (independente) – Depois de morar na eclética New Orleans, é natural que este pianista e organista paulistano traga diversidade em sua música. Neste álbum, ele exibe releituras jazzísticas e blueseiras de clássicos dos Beatles, dos Stones e dos Doors, entre outras bandas de rock e pop.


Balaio (Cendi Music) – O quarteto formado em 2009 por Rubem Farias (baixo), Adriano Oliveira (teclados), Leonardo Susi (bateria) e Marco Bosco (percussão) tocou bastante na Ásia e na Europa até, enfim, lançar o primeiro álbum. Calcada em ritmos brasileiros, sua música remete às fusões do jazz dos anos 1970 e 1980.   

Benji Kaplan - “Chorando Sete Cores” (Big Apple Batucada) – Apreciador da música brasileira, o violonista, compositor e arranjador nova-iorquino reveste com cores e texturas eruditas ritmos como o samba, o maxixe, o baião e o maracatu. Para isso, utiliza um quinteto com flautas, clarinetes e trompa, além de seu violão.

Bixiga 70 - “Quebra Cabeça” (Deck) – O 4º álbum da compacta big band paulistana soa como virada de página. A forte ascendência do afrobeat, em seus primeiros discos, dá lugar a composições se abrem para influências de Cabo Verde, Cuba, Jamaica, Índia, Bahia e, naturalmente, da África. Música contagiante para dançar e viajar.

Cacá Machado - “Sibilina” (Circus/YB) – Cinco anos depois do inventivo “Eslavosamba” (2013), seu primeiro álbum, o compositor e professor universitário paulistano exibe mais uma coleção de canções que desafiam padrões. A etérea e ruidosa “Sob Neblina” representa bem o álbum, mas a inquietante “Tem Um” soa como obra-prima.

Cainã Cavalcante - “Corrente” (independente) – Saudado como “genial artista” por ninguém menos que Guinga, o violonista e compositor cearense lança aos 38 anos seu primeiro disco de violão solo. No repertório, belezas como a lírica “Mar de Saudade”, o samba “Vento Sul” e “Forró Gaúcho”, dedicado ao violonista Yamandú Costa.

Carlos Badia e Grupo - “0+2” (independente) – Blues, maracatu, baião, samba: o violonista, cantor e compositor gaúcho (ex-grupo de jazz Delicatessen) não parece preocupado em cultivar gêneros ou ritmos de sua região, no seu segundo disco. Até o belo tema “Uruguai”, que poderia ser considerado um chamamé, soa bem jazzístico.

Carol Panesi & Grupo - “Primeiras Impressões” (independente) – Depois de mais de uma década com a Itiberê Orquestra Família e o grupo de Itiberê Zwarg, a violinista e trompetista carioca gravou seu primeiro álbum. A influência da música universal de Hermeto Pascoal é marcante, mas não falta personalidade às suas composições.

Ceumar, Lui Coimbra e Paulo Freire - “Viola Perfumosa” (Natura/Circus) – A cantora mineira, o violoncelista carioca e o violeiro paulista fazem uma emocionante – e divertida – homenagem à cantora Inezita Barroso (1925-2015), expoente da música caipira. Clássicos como “Luar do Sertão” e “Índia” ganham versões camerísticas.

Coladera - “La Dôtu Lado” (Scubidu) – O português João Pires e o brasileiro Vitor Santana, ambos violonistas, encabeçam esse grupo que realiza um inspirador diálogo entre os universos musicais de Cabo Verde, Portugal e Brasil. Nove das 11 faixas do álbum são cantadas em português, mas a diversidade rítmica é ampla.

Conrado Paulino - “A Canção Brasileira” (independente) – Depois do ótimo álbum “4 Climas” (2015), o violonista argentino lança um sofisticado álbum de violão solo. “Todo Sentimento” (de Cristóvão Bastos e Chico Buarque) e “Sim ou Não” (Djavan) estão entre as pérolas da MPB que ganharam inventivos arranjos.   




Cris Delanno & Nelson Faria - “Bossa Is Her Name” (Batuke) – A cantora americana e o violonista mineiro, ambos radicados no Rio, recriam “Julie Is Her Name” (1955), influente álbum da cantora Julie London. A dupla transforma standards do jazz, como “Cry Me a River”, “’S Wonderful” e “I Should Care”, em atraentes bossas.

Dani Gurgel - “Tuqti” (Da Pá Virada) – O título do 2.º disco autoral da cantora paulistana tem a ver com o estilo de canto onomatopaico que os jazzistas chamam de scat. Dani abre o álbum exibindo sua habilidade vocal, no contagiante samba “Cadê a Rita” (com Gabriel Santiago), mas também interpreta canções em português e inglês.

Daniela Spielmann - “Afinidades” (independente) – Primeiro álbum totalmente autoral da saxofonista e flautista carioca, que também faz parte do grupo Rabo de Lagartixa. No repertório, ritmos brasileiros se misturam com a marcante influência do jazz. Participações especiais de Anat Cohen (clarinete) e Silvério Pontes (trompete).

Douglas Braga - “Música Livre” (independente) – Música clássica, jazz e música instrumental brasileira se encontram neste inusitado álbum idealizado pelo saxofonista e compositor paulista. O clarinetista Nailor Proveta e o violonista Gian Correa contribuíram com obras encomendadas especialmente para o projeto.

Duduka da Fonseca Trio - “Plays Dom Salvador” (Sunnyside) – O baterista carioca, radicado em Nova York, faz contagiante homenagem ao pianista Dom Salvador, que festejou seus 80 anos em 2018. Com David Feldman (piano) e Guto Wirtti (baixo), Duduka relembra “Tematrio” e “Farjuto”, entre outros clássicos do mestre do samba-jazz.

Duo Taufik - “D’Anima” (independente) – Para comemorar 10 anos de parceria, os irmãos Eduardo (piano) e Roberto Taufik (violão) gravaram este álbum com inspiradas composições próprias e criativas releituras de “Lôro” (Egberto Gismonti) e “Último Pau de Arara” (Corumba e Venâncio). Esse duo potiguar merece ser mais conhecido.

Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle - “Edu, Dori & Marcos” (Biscoito Fino) – O encontro desses três grandes compositores e intérpretes da MPB, de fato, ficou restrito à sessão de fotos para a capa. Ainda assim, nas 12 faixas deste álbum, há belezas de sobra nas releituras que cada um deles faz de composições dos outros.

Edu Ribeiro, Toninho Ferragutti e Fábio Peron - “Folia de Reis” (Blaxtream) – A inusitada formação – bateria, acordeom e bandolim – explica a sonoridade diferente deste trio de craques liderado por Ribeiro. No repertório, composições próprias como o frevo “Procure Saber” (de Peron) e o maracatu “Mogiana” (Ferragutti). 




Elza Soares - “Deus É Mulher” (Deck) – Menos sombrio que o anterior “A Mulher do Fim do Mundo”, este álbum da cantora soa mais político e contundente. Entre ruídos e guitarras distorcidas, canções como “Exu nas Escolas” (de Edgar e Kiko Dinucci) e “Credo” (Douglas Germano) parecem ter sido compostas com os olhos num sinistro 2019.

Escalandrum - “Studio 2” (Warner) – Perto de completar 20 anos, o grupo de jazz argentino gravou seu 11º álbum no lendário estúdio Abbey Road, em Londres, só com repertório autoral. Do frenético tema “Acuático” (Nicolás Guerschberg) à melancolia de “Lolo” (Pipi Piazzolla), o brilhante sexteto tem vários motivos para comemorar. 

Eugénia Melo e Castro - “Mar Virtual” (Sesc) – Pioneira no diálogo entre a música popular brasileira e a canção portuguesa, a cantora e compositora lusitana realiza aqui um belo e ousado projeto. Inspirou-se na obra de seu pai, o poeta Ernesto Melo e Castro, que também dialoga com a poesia concretista brasileira. 

Fabiano Chagas - “Tributum” (independente) – No seu segundo álbum, o violonista e arranjador goiano homenageia em composições próprias músicos que admira, como o bandolinista Hamilton de Holanda e os jazzistas John Coltrane, Bill Frisell e Pat Metheny. Participações de Duduka da Fonseca (bateria) e Bororó (baixo). 

Fotografia Sonora - “Viva Airto!” (independente/Tratore) – O quinteto instrumental paulista tem como convidado especial, em seu quarto álbum, ninguém menos que Airto Moreira, grande mestre da percussão. De essência jazzística, as seis composições são assinadas por músicos do grupo, incluindo a homenagem “Viva Airto!”.  


Gaia Wilmer - Migrations (RPR/Biscoito Fino) – A saxofonista catarinense, hoje radicada em Boston (EUA), estreia bem em disco. Suas composições reciclam influências de músicos do jazz, como a americana Maria Schneider e o argentino Guillermo Klein, assim como de Hermeto Pascoal, cujo tema “Acuri” integra o repertório. 

Gilberto Gil - “OK OK OK” (Biscoito Fino) – É estimulante se ver um artista que já não precisa provar mais nada, aos 76 anos, lançar um disco só de composições inéditas. Entre canções leves que dedica a amigos, familiares e musas ocasionais, destaca-se sua sinceridade ao abordar temas difíceis, como o envelhecimento. 
 

Gilson Peranzzetta - “Tributo a Oscar Peterson” (Fina Flor) – Gravada ao vivo, em 2000, só saiu em 2018 esta bela homenagem do pianista carioca ao canadense Peterson (1925-2007), que despertou seu interesse pelo jazz. Com Paulo Russo (contrabaixo) e João Cortez (bateria), Peranzzetta toca standars de Cole Porter e Henry Mancini. 

Guilherme Dias Gomes - “Trips” (independente) – Jazz acústico de excelente qualidade, nesta sessão de gravação comandada pelo trompetista, compositor e arranjador carioca. Idriss Boudrioua (sax tenor), David Feldman (piano), André Vanconcelos (contrabaixo) Rafael Barata (bateria) e Firmino (percussão) formam o sexteto. 




Hamilton de Holanda - “Toca Jacob do Bandolim” (Deck) – Só mesmo um músico criativo como este bandolinista e compositor poderia encarar um projeto tão audacioso. Hamilton recria em quatro álbuns – cada um com uma abordagem musical diferente – a obra monumental de Jacob do Bandolim (1918-1969), mestre do choro.

Hamleto Stamato - “Ponte Aérea” (Fina Flor) – O pianista paulista continua a cultivar com personalidade o estilo ao qual já dedicou vários álbuns: o samba-jazz. Desta vez revisita clássicos de Tom Jobim (“O Morro Não Tem Vez”), Baden Powell (“Berimbau”) e Moacir Santos (“April Child”), além de tocar composições próprias.

Hércules Gomes - “No Tempo da Chiquinha Gonzaga” (independente) – Sem recorrer a releituras, o talentoso pianista capixaba interpreta clássicos da obra de Chiquinha Gonzaga (1847-1935) de maneira respeitosa, mas mais palatável aos ouvidos de hoje. Participações da cantora Vanessa Moreno e do flautista Rodrigo Y Castro.

Isca de Polícia - “Irreversível” (Elo Music) – A banda paulistana, que acompanhava Itamar Assumpção (1949-2003) nos anos 1980, lança seu segundo álbum. No repertório, uma nova safra de canções inspiradas pela estética musical de seu inspirador – a maior parte delas é assinada pelo baixista e produtor Paulo Lepetit.

Itiberê Zwarg & Grupo - “Intuitivo” (Sesc) – Depois de tocar com Hermeto Pascoal durante quatro décadas, esse baixista e compositor já se tornou um expoente da chamada “música universal”. Provas disso são composições de sua autoria incluídas neste álbum, como “Partiu”, “Explodindo Pipoca” e “No Galinheiro do Garga”.

Ivans Lins e Gilson Peranzzetta - “Cumplicidade” (Fina Flor) – O título é bem adequado. Ivan (voz e teclado) e Gilson (piano e arranjos) celebram sem pompas essa parceria de mais de quatro décadas. No repertório, “Setembro”, belo tema da dupla, e sucessos como “Abre Alas” e “Começar de Novo” (de Ivan e Vitor Martins).

Jane Duboc - “Duetos” (independente) – Uma das cantoras mais completas do país, a paraense sempre demonstrou interesse por diversas vertentes musicais – da MPB ao jazz. Neste projeto de viés mais romântico, ela canta em duos com Bianca Gismonti, Mafalda Minnozzi, Celso Fonseca e Fábio Jr., entre vários convidados.

John Coltrane - “Both Directions at Once” (Impulse/Verve) – Uma das surpresas de 2018 foi o lançamento de gravações inéditas do mais cultuado saxofonista do jazz. Ouvidos 55 anos depois, esses registros do quarteto de Coltrane, com McCoy Tyner (piano), Elvin Jones (bateria) e Jimmy Garrison (contrabaixo), ainda soam sublimes.

John Mueller – “Na Linha Torta” (independente) – O cantor, violonista e compositor catarinense aposta em repertório totalmente autoral (com diversos parceiros), em seu segundo álbum. Conta também com participações especiais de Guinga (voz e violão, na faixa-título) e da cantora Ana Paula da Silva, em “Maré Rasa”.  




José James - “Lean on Me” (Blue Note) – Versátil cantor americano, James costuma alternar projetos calcados em diversos gêneros de música negra. Desta vez homenageia Bill Withers, expoente da soul music, que festejou 80 anos em 2018. No repertório, grandes canções, como “Ain’t No Sunshine”, “Just the Two of Us” e “Use Me”.

Joyce Moreno - “50” (Biscoito Fino) – Para comemorar 50 anos de carreira, a cantora e compositora revisita o repertório de “Joyce” (1968), seu disco de estreia. Além das 11 canções assinadas por Paulinho da Viola, Ruy Guerra e Marcos Valle, entre outros, ela inclui a bela “Com o Tempo”, parceria recente com Zélia Duncan. 


Kamasi Washington - “Heaven & Earth” (Young Turks) – Três anos depois de seu cultuado álbum triplo “Epic”, o saxofonista e compositor de jazz se lança em outro ambicioso álbum conceitual de longa duração, que inclui um coro e uma orquestra. Entre as místicas de John Coltrane e Sun Ra, Washington vai erguendo a sua.

Kastrup - “Ponto de Mutação” (independente) – “No Brasil de hoje, precisamos de uma utopia para encarar os próximos anos”, sugere o percussionista, compositor e produtor Guilherme Kastrup. De essência filosófica e experimental, seu álbum reúne um elenco de 25 instrumentistas e vocalistas, como Ná Ozzetti e Arícia Mess.

Leila Maria - “Tempo” (Biscoito Fino) – Quem já ouviu seu disco dedicado ao repertório de Billie Holiday, sabe que ela é uma grande cantora. Mesmo neste álbum, um projeto mais autoral, com canções em português e em parceria com o pianista e produtor Rodrigo Braga, Leila também se vale de seus recursos jazzísticos.

Leny Andrade e Gilson Peranzzetta - “Canções de Cartola e Nelson Cavaquinho” (Fina Flor) – A cantora carioca já havia dedicado álbuns inteiros às obras de Cartola e Nelson Cavaquinho, com arranjos de Peranzzetta. Décadas depois, eles voltam a interpretar sucessos desses preciosos cancioneiros, em emotivos duos de voz e piano.  




Luciana Souza - “The Book of Longing” (Sunnyside) – A refinada cantora e compositora paulistana, que vive nos EUA desde os anos 1990, interpreta poemas de Leonard Cohen e Emily Dickinson, entre outros, que ela mesmo musicou. Tem a seu lado dois craques do jazz: Chico Pinheiro (guitarra) e Scott Colley (contrabaixo).

Luísa Mitre - “Oferenda” (Savassi Festival) – O primeiro álbum da jovem pianista mineira inaugura o selo do Savassi Festival, um dos maiores eventos de música instrumental do país. Influenciada por mestres brasileiros do piano, como Egberto Gismonti e César Camargo Mariano, Luísa também releva referências eruditas em suas composições.

Martin Iaies 4 – “Rewind & FF” (Club del Disco) – Filho do pianista de jazz Adrián Iaies, o guitarrista argentino faz uma promissora estreia em disco. Composições de sua autoria, como “JSV Blues” ou as sensíveis baladas “Sábado” e “Mauri’s Rules” demonstram seu domínio da linguagem do jazz clássico.

Matthew Shipp - “Ao Vivo - Jazz na Fábrica” (Sesc) – Neste concerto solo (registrado em 2016, no festival Jazz na Fábrica, em São Paulo), o inventivo pianista americano toca composições próprias e recria standards. Para fãs do jazz de vanguarda, ouvi-lo descontruir clássicos como “Summertime” (Gershwin) tem um sabor especial.

Mauricio Pereira - “Outono no Sudeste” (independente) – Da bela canção que intitula o álbum à suingada “Quatro Dois Quatro” (sobre o universo do futebol), o compositor e cantor paulistano exibe toda sua versatilidade. “A Mais (Rubião Blues)”, canção que mimetiza os altos e baixos de uma paixão, é um achado.

Música de Montagem (Circus) – O violonista e professor Sergio Molina é também compositor (em parcerias com vários letristas) das nove canções gravadas por esse septeto paulistano. Elas ilustram o procedimento de “montagem” que, segundo tese de Molina, tem sido utilizado na criação da música popular desde 1967.


Nelson Ayres Big Band (independente) – Quase quatro décadas após o impacto de sua pioneira big band na então emergente cena instrumental brasileira, o pianista e compositor paulista voltou a ativá-la e, enfim, lança seu disco de estreia. Não pense que se trata de música orquestral para dançar: é jazz da mais alta qualidade.

Nelson da Rabeca e Thomas Rohrer - “Tradição Improvisada” (Sesc) – Instrumento medieval, precursor do violino, a rabeca pode ser ouvida em várias regiões brasileiras. Seu som áspero aproxima, neste álbum, representantes de tradições bem diversas: o rabequeiro alagoano e o multi-instrumentista suíço, adepto da improvisação livre.

Orquestra à Base de Sopro de Curitiba e Izabel Padovani - “Passarinhadeira” (Tratore) – É difícil acreditar que este disco dedicado às incríveis canções de Guinga possa ter sido gravado ao vivo. Da formação incomum da orquestra, dos sofisticados arranjos e das sensíveis interpretações da cantora nasceu uma coleção de belezas.

Orquestra Mundana Refugi (Sesc) – Liderada pelo violonista e arranjador Carlinhos Antunes, essa orquestra de instrumentação inusitada (formada por músicos refugiados e imigrantes de diversos países, além de alguns brasileiros) mistura no repertório músicas de diferentes tradições – do Haiti e da Andaluzia ao Irã e à Palestina.

Paula Santoro e Duo Taufik - “Tudo Será Como Antes” (independente) – A talentosa cantora mineira se une aos irmãos Eduardo (piano) e Roberto (violão), do Duo Taufic, para recriar sucessos de Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e outros compositores do chamado Clube da Esquina. A leveza dos arranjos chama atenção.   




Paulo Bellinati & Marco Pereira - “Xodós” (Borandá) – Uma amizade de cinco décadas ajuda a explicar a relação quase telepática que caracteriza o encontro desses grandes violonistas.  O repertório do álbum destaca sucessos do sanfoneiro Dominguinhos e de Dilermando Reis, mestre do violão, além de 
composições próprias. 

Poesia - Canções de Carlos Rennó (Sesc) – Letrista conceituado, com mais de 130 canções gravadas por populares intérpretes, Rennó reúne nesse disco 16 de suas canções, incluindo nove inéditas. Para compor esse painel de sua obra, conta com parceiros como Lenine, João Bosco, Chico César, Zeca Baleiro e Arrigo Barnabé.

Raul de Souza - “Blue Voyage” (Sesc) – Trombonista reconhecido mundialmente e mestre do samba-jazz, o carioca de 84 anos oferece a seus fãs um álbum autoral gravado na França. Do contagiante samba “Vila Mariana” à emotiva balada “Primavera em Paris”, passando pela valsa-jazz “St. Martin”, Raul continua em grande forma.

Renato Gama - “Olhos Negros - Vivo” (independente) – Líder da banda paulistana Nhocuné Soul por mais de duas décadas, o cantor e compositor gravou seu primeiro álbum solo. Fusões do samba com o soul, o funk e o reggae dominam suas canções, que abordam com poesia o cotidiano da periferia. Difícil ouvi-las sem dançar.

Rogerio Boccato Quarteto - “No Old Rain” (RPR) – Radicado em Nova York, o baterista paulista estreia como líder, bem acompanhado por Dan Blake (sax tenor e soprano), Nando Michelin (piano elétrico) e Jay Anderson (contrabaixo). Temas de Milton Nascimento, Egberto Gismonti e Toninho Horta ganham novas cores, em criativas versões.

Ron Carter Quartet & Vitoria Maldonado - “Brasil L.I.K.E” (Summit/Tratore) – O cultuado contrabaixista americano e a cantora paulistana gravaram juntos este disco de jazz e bossa nova. Clássicos de Cole Porter, George Gershwin, Tom Jobim e João Donato destacam-se no repertório. Roberto Menescal é um dos convidados.

Rubinho Antunes - “Expedições” (Blaxtream) – O afiado quinteto do trompetista paulista inclui Vinicius Gomes (guitarra), Fabio Leandro (piano), Daniel de Paula (bateria) e Bruno Barbosa (contrabaixo). Composições próprias, como “Silence” e “Indi”, revelam influências do jazz da Europa, onde Rubinho viveu por três anos. 




Sergio Albach - “Clarone no Choro” (independente) – Líder da original Orquestra à Base de Sopro de Curitiba, esse virtuose do clarinete realizou um projeto inusitado: gravou clássicos do choro, executando os solos com um clarone (ou clarinete baixo), instrumento raramente utilizado na música popular brasileira.

Sergio Galvão, Lupa Santiago, Clement Landais e Franck Enouf - “2x2” (Origin) – O “2x2” do título não tem nada a ver com competição, mas sim com o fato de esse quarteto incluir dois músicos brasileiros e dois franceses. Gravado na França, combina jazz contemporâneo da melhor qualidade com influências da música brasileira.  


Stefano Bollani - “Que Bom” (Biscoito Fino) – Fã assumido da música brasileira, o pianista italiano se superou nesta gravação. Com participações especiais de Caetano Veloso, Hamilton de Holanda, Jacques Morelenbaum e João Bosco, ele toca sambas, choros e baiões de sua autoria com muita liberdade e bom humor.

Thiago Amud - “O cinema que o sol não apaga” (Rocinante) – O 3.º álbum do compositor, cantor e violonista carioca confirma seu prestígio como grande revelação da MPB nesta década. Inventivo tanto nas letras como nos arranjos, Amud dedica esse disco ao compositor mineiro Nelson Ângelo. As gravações contaram com 73 músicos.

Toninho Ferragutti e Salomão Soares (independente) – Representantes de duas gerações de nossa música instrumental, o acordeonista paulista e o pianista paraibano decidiram gravar este álbum depois de tocarem juntos somente duas vezes. O baião “Alegria de Matuto” (de Soares) é uma das faixas mais contagiantes do repertório.

Trio Corrente & Orquestra Jazz Sinfônica (independente) – É tanta a sintonia entre os músicos desse grupo instrumental, que ele pode até atuar como solista num concerto com orquestra. Mesmo uma canção já interpretada de tantas maneiras, como “Garota de Ipanema”, ganhou frescor na versão desse trio com a Jazz Sinfônica.

Trio Puelli - “Radamés Gnattali - Integral das obras para piano, violino e violoncelo” (Sesc) – A pianista Karin Fernandes, a violinista Ana de Oliveira e a violoncelista Adriana Holtz interpretam cinco peças (duas são inéditas) do grande compositor gaúcho, que ignorou as supostas fronteiras entre a música popular e a erudita.

Van Morrison and Joey DeFrancesco - “You’re Driving Me Crazy” (Exile/Sony) – O que mais chama atenção neste encontro do cantor pop irlandês com o organista americano é o suingue de DeFrancesco, que também toca trompete, em algumas faixas. No repertório, standards como “You’re Driving Me Crazy” e “Have I Told You Lately”.

Vintena Brasileira - “[R]existir” (independente) – Comandada pelo criativo pianista e compositor paulista André Marques, essa pequena orquestra de formação incomum também inclui viola caipira, bandolim e guitarras, além de sopros, baixo e bateria. Exemplo inspirador de como a música universal de Hermeto Pascoal frutificou.

Yamandu Costa e Ricardo Herz (independente) – Baião, xote, milonga, choro, chamamé – a diversidade rítmica brasileira está bem representada neste álbum, que une pela primeira vez o violonista gaúcho e o violinista paulista. O resultado é tão atraente que, na certa, esses grandes instrumentistas podem se reunir outras vezes.

Yaniel Matos - “Carabalí” (independente) – Radicado em São Paulo há quase duas décadas, o eclético pianista e violoncelista cubano comanda seu trio Carabalí, com Aniel Someillan (contrabaixo) e Eduardo Espasande (percussão). No repertório, composições de sua autoria calcadas em ritmos de Santiago de Cuba, onde nasceu.

(Agradeço a Katia Medaglia pela sugestão da foto e pelo auxílio na produção)

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