Jeanne Lee: 10 anos após sua morte, cantora é preciosidade do jazz conhecida por poucos

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É difícil entender por que razão, quase 10 anos após a sua morte prematura, a cantora Jeanne Lee (1939-2000) ainda é tão pouco conhecida entre os apreciadores do jazz. Dona de uma sublime voz de contralto, com um timbre que parece se misturar com o ar que sai de seus pulmões, essa intérprete norte-americana, que completaria 61 anos neste 29 de janeiro, criou uma aproximação bem pessoal entre o jazz moderno e a vanguarda.

Não foi à toa que o crítico nova-iorquino Ben Ratliff incluiu o álbum "The Newest Sound Around" (RCA/BMG, 1961), que Jeanne Lee gravou com o pianista Ran Blake, entre as 100 gravações mais importantes desse gênero, reunidas no livro "The New York Times Essential LIbrary of Jazz" (Times Books, 2002). Basta ouvir as releituras originalíssimas que ela criou para clássicos do jazz e da canção norte-americana, como "Summertime" (Gershwin & Heyward), "Laura" (Mercer & Raskin) ou "Lover Man" (Davis, Sherman & Ramirez), para se apaixonar por sua voz

Como outros músicos de jazz de sua geração, Jeanne gravava e se apresentava mais na Europa, onde chegou a viver. Foi casada com o vibrafonista alemão Gunter Hampel. Nos últimos anos de sua carreira, seu parceiro mais constante era o ótimo Mal Waldron (também pianista de BIllie Holiday), com o qual gravou os preciosos álbuns "After Hours" (Owl/EMI, 1999) e "White Road - Black Rain" (Tokuma, 1995).



Ironicamente, Jeanne Lee chegou a ser convidada pelo produtor paulista Toy Lima, para a edição de 1999 do Chivas Jazz Festival, mas cancelou a vinda ao descobrir que estava com câncer. O convite foi mantido para o ano seguinte, mas seu estado de saúde não permitiu que ela viajasse ao Brasil. Será que nem agora, 10 anos após sua morte, seus discos vão ser relançados?

2 comentários:

Marlon de Freitas disse...

Qual palavra defeniria a sensação de ouvir Jeanne Lee ?¿


(...)

apenas agradeço ...

abç

Carlos Calado disse...

Marlon, acho que cada ouvinte tem a sua sensação. A minha é de introspecção, um mergulho nas emoções mais profundas. Abraço.

 

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