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Festivais online: Rio Montreux e Sampa Jazz esquentam este final de semana

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                                                                   A cantora Macy Gray, atração do Rio Montreux Jazz        

Este final de semana promete ser agitado para quem gosta de jazz, música instrumental brasileira, soul, funk, r&b e outros gêneros afins. Enquanto a vacina não chega para nos livrar do distanciamento social, dois festivais oferecem atrações internacionais e nacionais para serem curtidas online, em casa, com toda a segurança.

Nesta sexta (23/10), às 17h45, começa a segunda edição do Rio Montreux Jazz Festival. Apoiado no prestígio mundial do evento suíço que já é realizado há mais de cinco décadas, o evento carioca tem como diretor artístico Marco Mazzola – responsável pelas badaladas “noites brasileiras”, que costumavam reunir os maiores astros e estrelas da MPB, nos anos 1980 e 1990, na pequena cidade de Montreux.

O ecletismo musical do festival suíço também está presente na programação do Rio Montreux Jazz. Entre as atrações internacionais deste ano destacam-se o trompetista Christian Scott, a clarinetista Anat Cohen e a cantora Macy Gray, além de craques do instrumental brasileiro, como a lendária banda Som Imaginário, o duo do bandolinista Hamilton de Holanda com o pianista Amaro Freitas, a Orkestra Rumpilezz ou a big band feminina Jazzmin’s.

Nas três noites desse evento, que termina no domingo, não faltam também expoentes da MPB e da bossa nova, como Milton Nascimento, João Donato, a dupla Roberto Menescal e Marcos Valle ou a banda A Cor do Som, entre outros. Confira a programação completa no site do evento: riomontreuxjazzfestival.com.br/#programacao. A transmissão ao vivo poderá acompanhada por este link: youtube.com/riomontreuxjazzfestival

Mais compacta do que em anos anteriores, a quarta edição do festival Sampa Jazz concentra todas as suas atrações no sábado (24/10). Dois workshops com especial interesse para os estudantes e músicos profissionais abrem a programação, comandados pelo guitarrista e compositor Kurt Rosenwinkel (das 11h30 às 13h) e pelo baixista e compositor Michael League (13h às 14h30), líder da banda Snarky Puppy.

Logo em seguida começam os shows. Às 14h, a dupla Salomão Soares (piano) e Vanessa Moreno (voz) abre o programa, que também inclui a cantora Anna Setton (às 16h) e a banda Bixiga 70, que tem a cantora Tulipa Ruiz como convidada (às 1730). Tanto os workshops como os shows serão transmitidos online pelo canal da agência InHaus, no YouTube: bit.ly/2StgSkp

                          

Mastercard Jazz: festival estreia com ótimas atrações, mesmo com chuva

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                                              O guitarrista Lourenço Rebetez, que abriu o festival Mastercard Jazz


Excelente a noite de estreia do festival Mastercard Jazz, ontem, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O guitarrista e compositor paulista Lourenço Rebetez não poderia ter iniciado melhor o evento, à frente de uma orquestra de craques da música instrumental brasileira e a participação luxuosa da cantora Xênia França. 

A plateia também vibrou com o jazz contemporâneo do pianista americano Aaron Parks (na foto abaixo), cujas composições se abrem para o rock, com destaque para os solos do guitarrista Greg Tuohey e do saxofonista Dayna Stephens.


O rapper, tecladista e saxofonista Terrace Martin surpreendeu, exibindo menos hip hop e mais soul music do que se esperaria, em seu set. Não à toa, trouxe como convidada a talentosa cantora Alex Isley, sobrinha dos fundadores da hoje clássica banda de soul music Isley Brothers.  


Pena que a súbita mudança do tempo, com muito vento e chuva (algo já habitual para os paulistanos), tenha levado parte da plateia a ir mais cedo para casa, antes mesmo do show do trompetista Christian Scott. 

O Mastercard Jazz termina hoje, também com entrada franca, às 17h30, na área externa do Auditório Ibirapuera. O programa inclui a banda paulista Bixiga 70, o quarteto britânico Dinosaur, a saxofonista americana Lakecia Benjamin com a banda Soul Squad e ainda o guitarrista americano Robert Randolph e sua The Family Band. Bem-vindo, Mastercard Jazz!


Mastercard Jazz: festival gratuito e ao ar livre traz jazzistas jovens a São Paulo

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                                 O trompetista Christian Scott, atração na noite de estreia do Mastercard Jazz  

Ao ver o programa da primeira edição do Mastercard Jazz, festival que pretende apresentar a um público jovem novos talentos da cena jazzística, um desavisado dificilmente imaginará que a seleção desses artistas foi feita por curadores que trabalham juntos há décadas. O novo evento oferece oito shows gratuitos, neste sábado (31/8) e domingo (dia 1/9), na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Entre as realizações dessa veterana equipe de curadores estão alguns dos principais festivais do gênero em nosso país: Free Jazz (1985-2001), Tim Festival (2003-2008), BMW Jazz (2011-2014) e BrasilJazzFest (2015-2016).

“O Mastercard Jazz é um festival pequeno e voltado para uma faixa etária específica, mas nós o consideramos uma continuação do velho Free Jazz. Os festivais trocam de patrocinadores e mudam de nome, mas nós somos os mesmos”, afirma o instrumentista e produtor musical Zé Nogueira, que participou em 1985 da criação do hoje lendário Free Jazz Festival, ao lado do produtor musical Paulinho Albuquerque e das empresárias (e irmãs) Monique e Sylvia Gardenberg, da Dueto Produções.

Logo se uniu a esse time o jornalista e radialista Zuza Homem de Mello, que trazia a experiência de ter atuado como programador (o termo curador não era usado ainda) das duas edições do pioneiro Festival Internacional de Jazz de São Paulo, em 1978 e 1980. “Foi um evento que deixou todo mundo de queixo caído”, relembra Zuza. Realizado em parceria com o influente festival suíço Montreux Jazz, esse evento reuniu dezenas de músicos do primeiro time do jazz internacional, além de astros do blues, do reggae, até do tango – algo inédito até então no país.

“Muitos jovens acabaram se tornando músicos por causa daqueles festivais de São Paulo”, orgulha-se Zuza. Vale lembrar que as duas edições do evento repercutiram por todo o país graças à transmissão ao vivo dos shows pela TV Cultura e emissoras afiliadas – o diretor de TV Antonio Carlos “Pipoca” Rebesco foi premiado pela alta qualidade das imagens. “Hoje, nenhuma emissora se atreveria a transmitir durante quatro ou cinco horas um espetáculo musical como aquele”, compara Zuza (na foto abaixo, entre os curadores Pedro Albuquerque e Zé Nogueira). 

Sucessor do pioneiro festival paulista, o Free Jazz não deixou por menos. Ao longo de 16 edições, esse evento formou plateias para um gênero musical ainda considerado elitista. Durante sua existência só houve um hiato em 1990, em função das devastadoras medidas econômicas do governo Collor. “Conseguimos fazer um festival que trouxe um elenco espetacular do jazz mundial. Muita gente aprendeu a escutar essa música indo ao Free Jazz. Ele se compara aos grandes festivais do mundo”, considera Nogueira. 
                                                               
Segundo Zuza, ao escolher os artistas do elenco de um festival é necessário ter equilíbrio. “Você precisa balancear as atrações de tal forma que o festival não fique voltado apenas para algum tipo de manifestação peculiar. É preciso pensar sempre que o festival é feito para um público. Você pode até escolher algo que não gostaria de ouvir em sua casa. O importante é que funcione no evento”, observa o curador.

“É inevitável que o gosto pessoal de cada curador pese nas indicações, mas a gente tenta se preocupar mais com o que está acontecendo na cena musical”, diz o produtor musical Pedro Albuquerque, que ingressou nessa equipe em 2007 (durante a preparação da penúltima edição do Tim Festival), meses depois da morte de Paulinho, seu pai. “Quando entrei nessa história, o Zé, o Zuza e meu pai tinham uma dinâmica própria. Talvez eu tenha contribuído, humildemente, no sentido de se buscar músicos mais jovens”.

Essa foi a intenção do trio de curadores ao escolher o elenco da primeira edição do Mastercard Jazz, que oferece oito shows gratuitos, neste sábado e domingo (31/8 e 1.º/9), na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo. “Decidimos apostar em nomes mais novos, que nos parecem combinar com o interesse da juventude de hoje”, resume Zuza. Segundo ele, as dificuldades econômicas que o país atravessa levaram a produção do evento a descartar grandes nomes do gênero para essa edição, pois isso implicaria em um orçamento bem maior para se contratar apenas um ou dois artistas.

“Para pensar em um festival com um elenco mais novo, que possa atrair uma plateia jovem, fomos pesquisar o que está acontecendo nessa esfera, no mundo do jazz. É um barato ver essa garotada fazer uma espécie de retorno à África ou essa coisa de juntar jazz com hip hop”, diz Nogueira, observando que a opção por um festival ao ar livre impõe restrições na hora de definir o elenco. “Certos tipos de música não funcionam ao ar livre. Para um festival com esse formato, a música tem que ter mais pegada”.  

Zuza concorda com essa opção. “Quando se trata de um festival ao ar livre, o artista precisa se preparar para fazer um show diferente do que faria em um ambiente fechado”, diz. “Ele tem que conquistar um público que pode estar comendo pipoca, pode estar conversando, pode estar namorando. Para atrair a concentração desse público, você não pode colocar no palco um artista que faça uma apresentação muito intimista”. 

Foi com essa preocupação em mente que a equipe de curadoria escolheu as três atrações brasileiras do novo festival. Além de destacar a qualidade dos vocais e a beleza de Xênia França, Zuza elogia o trabalho do guitarrista e compositor paulista Lourenço Rebetez, que vai dividir o palco com essa cantora baiana radicada em São Paulo. Já a banda Bixiga 70 é a mais experiente entre as atrações nacionais. “É impressionante como esses garotos conseguiram penetrar no mercado internacional, de uma forma mais bem-sucedida até do que no Brasil”, surpreende-se Zuza.

Pedro Albuquerque chama atenção para o jovem quarteto Dinosaur, com destaque na cena jazzística britânica e que tem como líder a talentosa trompetista e compositora Laura Jurd. “O som do Dinosaur me lembra um pouco da fase elétrica do Miles Davis”, comenta o curador. Outra instrumentista no elenco é a nova-iorquina Lakecia Benjamin, saxofonista que virá acompanhada pela banda Soul Squad. “Lakecia não é uma virtuose do sax, mas tem uma pegada jovem, bem funky”, analisa Pedro.

Também inédito em palcos brasileiros é o show do saxofonista, tecladista e produtor californiano Terrrace Martin (na foto acima), que tem no currículo parcerias com figurões do hip hop e do R&B. Para Zé Nogueira, o fato de Martin ter tocado ultimamente com Herbie Hancock, um dos grandes astros do jazz contemporâneo, é algo natural. “Terrace e outros caras de sua geração dão continuidade ao que Hancock já fez no passado”, afirma.

Outra novidade para a plateia paulistana será o guitarrista, compositor e cantor americano Robert Randolph. Ele vem acompanhado pela Family Band e deve chamar a atenção da plateia com sua “pedal steel guitar”, tocada sobre uma bancada, em posição horizontal. “Acho que ele pode fazer um tremendo show ao ar livre”, aposta Pedro, referindo-se à dançante mistura de blues, soul, funk e rock praticada por Randolph.

Mais conhecidos entre os paulistanos, o pianista Aaron Parks e o trompetista Christian Scott já se apresentaram em outros festivais, com diferentes projetos. “Gostamos muito da música do Aaron, que embora seja jovem já está na estrada há um bom tempo. Ele esteve aqui no BMW Jazz, em 2013, com o quarteto James Farm. Já o Christian é um trompetista fantástico, que está sempre se reinventando”, considera Pedro.

Depois de trabalharem juntos por tantos anos, além dos grandes shows que presenciaram, os três curadores também guardam na memória saborosas histórias de bastidores. Como os pitis de Little Richard, o veterano cantor e pioneiro do rock & roll, que ficou furioso ao desembarcar em São Paulo para o Free Jazz de 1993, porque não encontrou uma limusine para levá-lo ao hotel.

“Monique ligou logo para mim. Pediu que eu corresse para o hotel Maksoud Plaza e preparasse uma recepção de gala para acalmar o Little Richard. Quando ele chegou, muito irritado ainda, eu me desmanchei em elogios a ele”, conta Zuza, rindo. Não bastasse esse incidente, na hora do show Richard voltou a criar problema: não queria entrar no palco antes de Chuck Berry, outro pioneiro do rock & roll escalado para fechar a mesma noite. “Foi um perereco, mas a Monique conseguiu resolver”, diverte-se o curador.

Zé Nogueira lembra de ter tido a chance de conviver por alguns dias com o trompetista Chet Baker (1929-1988), no primeiro Free Jazz, em 1985. “Até tocamos juntos, em uma canja no clube Jazzmania, aqui no Rio. Ele era uma pessoa de poucas palavras, mas muito doce”, conta o saxofonista. “Foi um sufoco mantê-lo aqui, porque ele era viciado em heroína e usava metadona para substituir a droga. Tive até que chamar um médico amigo meu, que gostava de música e aceitou acompanhá-lo durante os dias do festival”, conta Nogueira. Mas Baker enganou o médico e tomou de uma vez toda a metadona reservada para os dias que passaria no país. “Ele sobreviveu por um triz. Por pouco não morreu durante o Free Jazz”, confirma Zuza.

Já Pedro relembra a tumultuada vinda de Wayne Shorter ao BMW Jazz, em 2011. Por causa da repentina erupção do vulcão chileno Puyehue, que espalhou cinzas até a Argentina, onde o saxofonista havia tocado na noite anterior, todos os voos regulares foram cancelados. Shorter e seu grupo tiveram que viajar de ônibus até Uruguaiana (RS), onde embarcaram para São Paulo em um jatinho fretado pela produção. Chegaram cansados, pouco antes do horário de entrada no palco do Auditório Ibirapuera.

“O show foi fantástico”, comenta Pedro, que encontrou o contrabaixista John Patitucci, no dia seguinte. “Ele me disse que nem conseguiram dormir direito naquela noite. Agradeci por terem se esforçado tanto. Wayne (na época com 78 anos) poderia ter desistido, mas fez questão de fazer aquele show, demonstrando o grande respeito que tem por seu público. Essa história foi muito marcante para mim”.

Programação

Sábado (31/8), a partir das 17h30:
Aaron Parks & Little Big; Lourenço Rebetez & Xênia França, Terrace Martin e Christian Scott

Domingo (1/9), a partir das 17h30:
Bixiga 70, Dinosaur, Lakecia Benjamin & Soul Squad e Robert Randolph & The Family Band

New Orleans Jazz Fest 2018: evento musical reforça comemorações dos 300 anos da cidade

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                                            Trombone Shorty e sua banda, atração do New Orleans Jazz Fest                                      
No ano em que a cidade de Nova Orleans festeja seus 300 anos, o New Orleans Jazz & Heritage Festival -- um dos maiores eventos musicais do mundo -- não poderia ficar de fora dessa comemoração. Até porque, mesmo que alguns de seus 12 palcos ao ar livre costumem exibir astros do rock e a música pop internacional, a essência desse festival está na celebração da música afro-americana, especialmente as vertentes cultivadas em Nova Orleans. 

A 49ª edição do Jazz Fest, como é conhecido pelos frequentadores locais, começa nesta sexta (27/4) e se estende ao próximo final de semana, com quase 500 atrações. O elenco destaca popstars como David Byrne, LL Cool J, Sting, Beck, Jack White, George Benson, Smokey Robinson, Common, Jack Johnson, Sheryl Crow, Rod Stewart (substituindo Aretha Franklin, impedida de viajar por ordens médicas) e as bandas Aerosmith e Cage the Elephant.

No entanto, quem já frequentou alguma das tardes de shows no Fair Grounds, o hipódromo local, sabe que essas serão apenas as cerejas no bolo. O que conta mesmo é o fato de todos os anos o Jazz Fest dedicar palcos exclusivos ao jazz moderno, ao blues, ao gospel, à soul music e ao R&B, ao típico jazz tradicional de Nova Orleans, à música caribenha e a gêneros musicais característicos da Louisiana, como o zydeco e a cajun music.

É por esses palcos que circulam grandes talentos da efervescente e eclética cena musical de Nova Orleans, como os trompetistas Terence Blanchard, Christian Scott e Nicholas Payton, os pianistas Jon Cleary e Henry Butler, os cantores John Boutté, Irma Thomas, Germaine Bazzle e Aaron Neville ou as bandas Galactic, The Soul Rebels, Big Sam’s Funky Nation e Rebirth Brass Band -- todos presentes nesta edição.

Para celebrar o tricentenário da cidade, o Jazz Fest reservou seu Pavilhão de Intercâmbio Cultural, espaço que vai exibir performances musicais e de dança, mostra de fotos e degustações de comidas típicas. A ideia é que essas atividades demonstrem as influências de irlandeses, alemães, italianos, vietnamitas e hispânicos, além da contribuição dos indígenas, no original caldeirão cultural da cosmopolita Nova Orleans.

Essa é também a tônica de várias exposições programadas para este ano na capital cultural da Louisiana, como a mostra “Memórias Recuperadas: Espanha, Nova Orleans e a Revolução Americana no Cabildo” (até 8/7 no Museu do Estado da Louisiana). Ou a extensa série “Mulheres de Nova Orleans: Construtoras e Reconstrutoras”, com mostras, palestras e performances em vários museus e espaços públicos, que ressaltam a importância da contribuição das mulheres na história da cidade.

Outro evento comemorativo do tricentenário é o show que o instrumentista e cantor Trombone Shorty -- hoje um dos músicos de Nova Orleans mais populares na cena internacional -- fará neste sábado (28/4), no Saenger Theatre, ao lado de convidados especiais, como Irma Thomas, Kermit Ruffins, Jon Cleary, The Soul Rebels e Cyril Neville. Shorty e sua banda Orleans Avenue também estarão entre os destaques do programa de encerramento do Jazz Fest, na tarde de 6/5. 


Texto publicado originalmente na edição de 27/4/2018 da "Folha de S. Paulo".







BMW Jazz Festival: segunda edição do evento, em São Paulo, superou a anterior

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                                       O Charles Loyd Quartet / Photo by Marcos Hermes-Divulgação

Programar bandas de funk, soul e rock, em festival de jazz, é um recurso populista? Se o jazz morreu ainda na década de 1940, como dizem alguns, esqueceram de avisar aos músicos, fãs e centenas de festivais do gênero realizados hoje pelo mundo? Música instrumental brasileira também pode ser considerada jazz?


Discussões insolúveis como essas têm acompanhado os festivais do gênero, praticamente, desde o pioneiro Newport Jazz Festival, em 1954. Não eram muito diferentes as conversas ouvidas nos corredores do Via Funchal, em São Paulo, durante a segunda edição do BMW Jazz Festival, que terminou já na madrugada de segunda-feira (11/6).

Mesmo assim, poucos discordarão da superioridade desta edição frente à do ano passado, tanto em termos de substância musical, como por ter conseguido representar em seu elenco diversas tendências que circulam hoje pelos festivais internacionais apoiados no sofisticado rótulo do jazz.

Para alegria dos fãs mais puristas, o jazz predominou, na terceira e última noite do BMW Jazz Festival. Começou com a Secret Society, big band do canadense Darcy James Argue, festejado por aproximar a tradição dos arranjos orquestrais no jazz de outros gêneros, como a música clássica e contemporânea, ou mesmo do rock.

Porém, quem foi mal informado ao festival, imaginando ouvir versões orquestrais de canções do Radiohead ou do Nirvana, deparou-se com “Brooklyn Babylon”, suíte baseada numa história do quadrinista croata Danijel Zezelj, que mistura elementos musicais do minimalismo, passagens dramáticas típicas de trilhas cinematográficas e, enfim, uma guitarra bem roqueira. 


                    Stefon Harris, Christian Scott e David Sanchéz / Photo by Marcos Hermes-Divulgação

Mesmo sem contar com os pianistas cubanos Harold López-Nussa e Rember Duharte, que contribuíram bastante para as gravações do projeto Ninety Miles, o vibrafonista Stefon Harris, o saxofonista David Sánchez, o trompetista Christian Scott e grupo incendiaram a plateia com seu jazz contemporâneo calcado em ritmos afro-cubanos. Solando com paixão sua balada “The Forgotten Ones”, Sánchez foi o responsável pelo número mais sublime da noite.

Quem foi mais cedo para casa perdeu outro ponto alto do festival: o show do veterano saxofonista Charles Lloyd, dono de um faro apurado para formar seus grupos. O pianista Jason Moran, o baixista Reuben Rogers e o baterista Eric Harland nem precisariam do polêmico líder, que até hoje rumina a sonoridade e o fraseado do genial John Coltrane (1926-1967), para conquistar os felizardos que os esperaram até de madrugada.


(texto publicado no Folha.com, em 12/06/2012)

Ninety Miles: trio de feras aproxima o jazz da musica cubana

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No universo do jazz, é comum ver músicos se encontrarem para tocar juntos, sem jamais terem se visto antes. Dois anos atrás, o vibrafonista Stefon Harris, 39, o saxofonista David Sánchez, 43, e o trompetista Christian Scott, 29, conceituados jazzistas e compositores, decidiram experimentar algo semelhante. “Ninety Miles” (selo Concord), o CD/DVD que gravaram juntos, praticamente sem se conhecerem, resultou em um dos projetos musicais mais criativos de 2011.
 

“A gravadora veio com a ideia de fazer o disco em Cuba, mas, em vez de tocar com músicos famosos de lá, iríamos trocar experiências com músicos jovens e ainda pouco conhecidos. Esse era o conceito”, conta o porto-riquenho Sánches, em entrevista exclusiva à Folha, por telefone.
 
Assim nasceu o coletivo projeto Ninety Miles (referência à distância de 90 milhas que separa Cuba dos EUA), cuja música poderá ser apreciada ao vivo, por paulistas e cariocas, durante o 2º BMW Jazz Festival, que começa nesta sexta (8/6, no Via Funchal, em São Paulo. Sánchez, Harris e Scott tocam juntos no domingo (em São Paulo) e na segunda (no teatro Oi Casa Grande, no Rio).

 
“Apesar de todas as dificuldades, as condições precárias em que vivem aquelas pessoas, para mim foi muito valioso ter contato com uma cultura que dá tanto valor à arte, como a dos cubanos”, afirma o norte-americano Stefon Harris. “A arte faz parte da vida cotidiana daquelas pessoas. Todos demonstram amar a música”.


Os três jazzistas também enfrentaram dificuldades durante a semana que passaram na ilha caribenha. “Tocamos em um belo teatro, mas sem ar condicionado. Foi um grande desafio tocar naquelas condições, como se estivéssemos em uma sauna. Achei que iria desmaiar tal era o calor lá dentro”, relembra Sánchez, calculando que a temperatura no teatro era de pelo menos 40 graus.


Mesmo assim, a sala se manteve lotada. “O mais fascinante foi ver as pessoas ficarem até o final do concerto, sedentas por ouvir mais música”, observa Sánchez. “A música de Cuba parece uma representação sonora de quem eles são como pessoas. É uma das mensagens mais belas que já conheci na arte”, reflete Harris.


Vale lembrar que um projeto como esse jamais aconteceria até poucos anos atrás. O embargo econômico que os EUA impõem a Cuba desde 1962 ainda está em vigor, mas a administração do presidente Barack Obama relaxou as restrições para que os norte-americanos viajem à ilha, especialmente no caso de projetos de caráter cultural.

 
“Nos Estados Unidos, você é lembrado a toda hora que as pessoas têm níveis sociais diferentes. Em Cuba, as pessoas se vestem de modo parecido e todos os carros se parecem. Lá você não vê a divisão social e econômica que existe nos EUA”, comenta o vibrafonista.


CD conserva a alta temperatura do concerto em Cuba

Ainda inédito em edição brasileira, “Ninety Miles”, o CD/DVD que registra o concerto de Stefon Harris, David Sánchez e Christian Scott, em Havana, transmite por meio da música o intenso calor que tomou conta do palco e da plateia do teatro Amadeo Roldán, um dos mais antigos da capital cubana, naquela noite de maio de 2010.
 
Nove faixas compõem o repertório do álbum, entre composições próprias do trio de jazzistas norte-americanos e de dois jovens e talentosos pianistas cubanos, Harold López-Nussa e Rember Duhar, que participam do álbum com seus próprios grupos, coloridos pela típica percussão afro-cubana.

 
Do ritmo envolvente de “E’cha” (de López-Nussa), à sensível “The Forgotten Ones” – balada que o saxofonista David Sánchez dedica aos “esquecidos” da cidade de Nova Orleans (EUA), após ser quase destruída, em 2005, pelos efeitos do furacão Katrina –, chama atenção a unidade e a intensidade das performances do grupo, que ensaiou apenas dois dias com os colegas cubanos para esse concerto.

 
Tanto Sanchés como Harris não escondem certo incômodo, quando se pergunta a eles se classificariam como “latin jazz” (jazz latino) a música que resultou desse projeto.
“Eu diria que esse rótulo é útil para que as gravadoras vendam os discos, é a linguagem do marketing”, argumenta o saxofonista. “Agora, dois anos após aquela gravação, já estamos procurando outras perspectivas. Não pensamos em música do Caribe, em jazz ou algo assim. Tentamos trazer para o palco nossa própria experiência”.

 
O DVD que acompanha o álbum exibe duas performances extraídas do concerto, a catártica “City Sunrise” (de Sanchéz) e a jazzística “La Fiesta Vá” (López-Nussa). Traz ainda um “making of”, com breves depoimentos dos músicos e imagens da cidade de Havana, sua gente e construções devastadas pela falta de preservação. Esse vídeo até poderia ser mais extenso, mas o que conta mesmo é a beleza intensa da música criada e improvisada pelo Ninety Miles. (CC) 


(textos publicados na "Folha de S. Paulo", em 6.06.2012)

2º BMW Jazz: festival anuncia seu elenco e vai para o Via Funchal

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                                         Stefon Harris, David Sánchez e Christian Scott, do grupo Ninety Miles

Com novo palco em São Paulo e um número maior de shows no Rio de Janeiro, o BMW Jazz Festival anunciou hoje as atrações de sua segunda edição. O evento acontecerá de 8 a 10 de junho (no Via Funchal, em São Paulo) e de 11 a 13 de junho (no Teatro Oi Casagrande, no Rio).

O elenco destaca jazzistas de vários estilos e gerações. O trio formado pelos veteranos Chick Corea (piano), Stanley Clarke (baixo) e Lenny White (bateria) promete revisitar clássicos da fusion dos anos 70 e 80. Outro veterano é o saxofonista Charles Lloyd, que virá como líder de um quarteto de feras da nova geração do jazz contemporâneo: Jason Moran (piano), Reuben Rogers (baixo) e Eric Harland (bateria).

Revelação da cena nova-iorquina, o trompetista Ambrose Akinmusire lidera seu quinteto. Formado há pouco, o grupo Ninety Miles também reúne jazzistas jovens e bastante talentosos: o vibrafonista Stefon Harris, o trompetista Christian Scott, ambos norte- americanos, o saxofonista porto-riquenho David Sánchez e o pianista cubano Harold López Nussa.

Ainda no segmento do jazz, o elenco inclui a big band do compositor e arranjador Darcy James Argue, discípulo de Bob Brookmeyer. E o Clayton Brothers Quintet, formado pelos irmãos John (contrabaixo) e Jeff Clayton (sax), que inclui Terell Stafford (trompete) e Gerald Clayton (piano), filho do contrabaixista.

Duas atrações estão mais próximas da black music e do pop. Revelação da eclética cena musical de New Orleans, o instrumentista e vocalista Trombone Shorty combina soul, funk, hip hop e rock, no repertório de seu grupo Orleans Avenue. Ex-integrantes da banda de James Brown, o saxofonista Maceo Parker, o trombonista Fred Wesley e o saxofonista Pee Wee Ellis emulam com muita vibração o funk e o rhythm & blues do ex-parceiro.

A música instrumental brasileira também estará bem representada pela dupla de acordeonistas Toninho Ferragutti e Bebê Kramer, que terá como convidados outros dois sanfoneiros: Adelson Vianna e Gabriel Levy.

Segundo a produtora do festival, Monique Gardenberg, a mudança do Auditório Ibirapuera para o Via Funchal buscou aumentar o número de ingressos disponíveis, que se esgotaram rapidamente no ano passado.

A venda dos ingressos começa no dia 14/4 (sábado). Os preços variam entre R$ 30 e R$ 120. Na internet, os ingressos podem ser adquiridos por meio de dois sites:

www.viafunchal.com.br (São Paulo) e www.ingresso.com (Rio de Janeiro)

Mais informações no site oficial do evento:
http://www.bmw.com.br/br/pt/insights/events/jazz_festival/2012/showroom/index.html


Melhores de 2011: críticos elegem seus álbuns favoritos em enquete do "Valor Econômico"

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Atendendo a um convite do jornal “Valor Econômico”, com o qual tenho colaborado durante a última década, participei de uma enquete para eleger os melhores discos de 2011. Para essa votação também contribuíram os jornalistas e críticos João Marcos Coelho, Luciano Buarque de Hollanda, Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello.

Quem atua na área musical sabe que essa é uma das tarefas mais difíceis, discutíveis até, nesse ramo. Como justificar que um trabalho artístico nos parece melhor do que outro, sem sermos parciais ou mesmo injustos? Até que ponto nosso gosto pessoal pesa decisivamente nessa decisão?

O fato é que aceitei indicar cinco CDs nacionais e cinco internacionais de qualquer gênero, lançados em 2011. O resultado da enquete está no no site do “Valor Econômico”. Estes foram os 10 álbuns que eu selecionei, em ordem alfabética:
                           


ÁLBUNS NACIONAIS 
Alma Lírica Brasileira - Mônica Salmaso (Biscoito Fino)
Indivisível - Zé Miguel Wisnik (Circus)
Liebe Paradiso - Celso Fonseca e Ronaldo Bastos (Dubas)
Recanto - Gal Costa (Universal)
Vento em Madeira - Quinteto Vento em Madeira (Maritaca)


ÁLBUNS INTERNACIONAIS
Dreamer in Concert - Stacey Kent (EMI)
For True - Trombone Shorty (Verve/Universal)
Live in Marsiac - Brad Mehldau (Nonesuch/Warner)
Ninety Miles - Stefon Harris, David Sánchez e Christian Scott (Concord)
Rio - Keith Jarrett (ECM/Borandá)


42º New Orleans & Jazz Heritage Festival: uma retrospectiva ilustrada da edição de 2011

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                                                                                                                                   Fotos: Carlos Calado
Artista do ano - Com prestígio em alta, depois de algumas aparições na série de TV "Tremé" (HBO), na qual também interpreta o tema musical de abertura, o cantor John Boutté participou de um disputado tributo a Mahalia Jackson, na Tenda Gospel. Recém-eleito "entertainer do ano", pelo jornal musical "Gambit", Boutté está nos planos da próxima edição do Bourbon Street Fest, agendado para agosto, em São Paulo.


Na platéia - Nome já confirmado para a 9ª edição do Bourbon Street Fest (em agosto, em São Paulo), o trombonista e arranjador Delphayo Marsalis, membro de uma das famílias musicais mais famosas de New Orleans, surpreendeu a platéia da Tenda de Jazz. Desceu do palco com sua banda e desfilou pela tenda, para a alegria dos fãs.




Mestre das lentes - Um dos grandes fotógrafos que se dedicaram a registrar imagens dos músicos de jazz, o norte-americano Herman Leonard (1923-2010) foi homenageado com uma singela exposição, na tenda principal do Fairgrounds, o hipódromo de New Orleans, onde é realizado o Jazz Fest.



Revelação do clarinete - A nova-iorquina Anat Cohen voltou a mostrar seu talento ao clarinete e ao sax soprano, tocando em duas tendas: a de jazz moderno e a de jazz tradicional. Nos bastidores, acompanhando a afilhada musical, estava George Wein, 85, o lendário produtor dos primeiros festivais de jazz.


Tenda gospel - Frequentada por platéias bem menores durante os primeiros anos pós-Katrina, a Tenda Gospel voltou a reunir grandes multidões em alguns concertos. Um deles foi o tributo a Sherman Washington (vocalista do Zion Harmonizers, o grupo vocal gospel mais antigo de New Orleans), que morreu neste ano. Na foto acima, Brazella Briscoe, novo líder do grupo, que vem ao Brasil em junho para o BMW Jazz Festival.  



Tradição carnavalesca - Sempre presente na programação de qualquer edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, os tradicionais índios do Mardi Gras, o carnaval local, estavam bem representados pelo Big Chief Monk Boudreaux (na foto acima) e sua banda Golden Eagles.


Nos clubes - O Jazz Fest de New Orleans não se limita às sete tardes de programação ao ar livre, no hipódromo da cidade. Durante os dois finais de semana e nas noites de segunda a quarta-feira, os clubes da cidade oferecem grandes atrações locais, como a banda do cantor e guitarrista Walter "Wolfman" Washington, mestre do soul, do blues e do funk, que abarrotou de fãs o alternativo DBA, na Frenchman Street, versão mais descolada da turística Bourbon Street.

                                                                                                                                    
Noivado no palco - Só mesmo num festival descontraído, como o de New Orleans, poderia acontecer uma cena tão inusitada. O trompetista Christian Scott (que se apresenta neste fim de semana, no festival Jazz na Fábrica, no Sesc Pompéia, em São Paulo) chamou a namorada Isadora ao palco, no meio de seu show, ajoelhou e a pediu em casamento. A platéia sorriu e aplaudiu bastante o tímido casal.


Jazz a rigor - Lá fora o sol estava escaldante, mas o The Golden Striker Trio, formado por Ron Carter (contrabaixo), Russell Malone (guitarra) e Mulgrew Miller (piano), entrou no palco da Tenda de Jazz vestido a rigor. Os três tocaram temas próprios e standards, em arranjos suaves e elegantes. Enquanto isso, nos palcos ao ar livre a garotada curtia o rock e o pop de Robert Plant, The Avett Brothers e Wyclef Jean.


MPB à New Orleans - O nome de Ivan Lins chegou a ser incluído, no início do ano, quando o elenco desta edição do Jazz Fest foi anunciado, mas acabou desaparecendo da programação. Mesmo assim, como em anos anteriores, a MPB esteve presente no repertório da ótima cantora Leah Chase, uma discípula local de Sarah Vaughan, que costuma interpretar canções de Ivan Lins e Tom Jobim.

 

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Jazz na Fábrica: festival do Sesc Pompéia terá ingressos a preços acessíveis, em maio

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                                                               O trompetista Christian Scott, atração do Jazz na Fábrica

Numa cidade com preços tão abusivos como São Paulo (atualmente mais cara até do que Nova York ou Paris), a notícia de um festival internacional de jazz, com ingressos variando de R$ 4 a R$ 32, pode soar como uma fantasia. Ainda mais se esse evento destaca nomes de ponta na cena do jazz norte-americano, como o trio The Bad Plus, a cantora Dee Dee Bridgewater ou o saxofonista Archie Shepp. 

Mas é verdade: o Sesc SP vai realizar, de 7 a 29 de maio, o festival Jazz na Fábrica. Durante quatro semanas, de quinta a domingo, o teatro e a choperia do Sesc Pompéia vão exibir uma programação de alto nível musical, que inclui diversos estilos de jazz e de música instrumental, entre outras vertentes musicais ligadas ao improviso. 

                                              
Além das atrações citadas, também acaba de ser confirmado no elenco o trompetista norte-americano Christian Scott (na foto acima), um dos jazzistas da nova geração mais badalados nos últimos anos, que os paulistas já puderam apreciar na edição do ano passado do Bridgestone Music.

O elenco internacional inclui também atrações vindas da Europa, como o Fire!, trio de free jazz liderado pelo saxofonista sueco Mats Gustafsson, ou ainda os holandeses do Blazin’ Quartet e do Knalpot, grupos que utilizam a linguagem da música eletrônica em suas experimentações.

A preciosa música instrumental de Moacir Santos estará presente nos shows de três atrações nacionais: da Orquestra Ouro Negro, que há 10 anos cultiva a obra desse compositor pernambucano; da Zerró Santos Big Band Project e do Quinteto Vento e Madeira. Outro show que certamente será muito disputado marca o encontro de quatro gigantes do instrumental brasileiro: Toninho Horta, Robertinho Silva, Heraldo do Monte e Arismar do Espírito Santo.

O elenco nacional destaca ainda a cantora Leny Andrade, o sexteto do pianista André Marques e as bandas Hurtmold e Bodes e Elefantes. Aos sábados, a choperia vai promover jam sessions comandadas por Arismar do Espírito, Filó Machado, Djalma Lima e Quarteto Tempo, com entrada franca. Gratuita também será a programação da série Jazz na Rua, com apresentações de “street bands”.


Com curadoria assinada pela equipe do Núcleo de Música do Sesc Pompeia, o festival oferece também atividades didáticas. A flautista Léa Freire e o pianista André Marques vão comandar workshops dirigidos a músicos profissionais e amadores. O jornalista e crítico Carlos Calado (sim, eu mesmo) vai apresentar “Jazz: Introdução à Grande Arte do Improviso”, curso em quatro aulas dirigido a apreciadores de música em geral, sem necessidade de conhecimento técnico.

Finalmente, uma dica importante: os ingressos para o Jazz na Fábrica começam a ser vendidos no dia 1º de maio. Melhor não descuidar, porque a exemplo de outros eventos internacionais promovidos pelo Sesc os ingressos para vários shows devem se esgotar em poucas horas.







New Orleans Jazz & Heritage: festival anuncia as atrações musicais de sua 42ª edição

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Aos 80 anos, Sonny Rollins (na foto ao lado), o mestre do sax tenor, é o grande destaque do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que acaba de anunciar o programa de sua próxima edição. O evento, que vai exibir centenas de shows, no hipódromo, em clubes e casas noturnas dessa multicultural cidade do Estado de Louisiana (sul dos EUA), acontece entre 29/4 e 8/5.

Eclético como sempre, o Jazz Fest promete atrações musicais de vários gêneros: do jazz de Ahmad Jamal, Ron Carter, Christian Scott e Mingus Band ao soul de John Legend & The Roots, Maze, Amos Lee e Lauryn Hill; da música popular brasileira de Ivan Lins ao funk de Maceo Parker e Pee Wee Ellis; do blues de Robert Cray, Keb’Mo e Charlie Musselwhite ao rock de Bon Jovi, Arcade Fire, Robert Plant e Wilco, entre outros.

Mas o que realmente torna único no mundo esse festival é a presença de centenas de artistas e bandas de New Orleans, como Terence Blanchard, Allen Toussaint, Doctor John, Nicholas Payton, Trombone Shorty, Neville Brothers, Galactic, Astral Project, John Boutté, Ellis e Delfeayo Marsalis, Tab Benoit, Jon Cleary, Irvin Mayfield, Irma Thomas, Tom McDermott, Leroy Jones, Bonerama, Luther Kent, Leah Chase, Walter “Wolfman” Washington, Henry Butler e a Preservation Hall Jazz Band, entre tantos outros nomes de peso. Mesmo sendo menos conhecidos que os supostos headliners do festival, os músicos locais não perdem em nada.

Se você ainda não conhece New Orleans, deixo a dica mais uma vez. Essa é a melhor época do ano para se visitá-la, não só pelo clima (em geral, quente e pouco chuvoso), mas justamente pela grande oportunidade que o Jazz Fest oferece: em cerca de dez dias, pode-se ouvir muitos dos melhores artistas e bandas dessa cidade tão musical e divertida, distante da caretice que se vê em muitos outros lugares dos EUA.


Confira a programação completa no site do evento: www.nojazzfest.com

E o video abaixo dá uma certa idéia do que se pode ouvir, ver e comer durante esse festival...



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3º Bridgestone Music: um balanço final

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                                                                                                                     Foto de Mila Maluhy
Pena que o show de Don Byron e seu New Gospel Quintet, última atração do Bridgestone Music, no sábado, tenha sido prejudicado pelo “forfait” do organista Frank Wilkins, que perdeu o vôo para São Paulo. Byron ainda teve uma considerável dose de sorte: conseguiu que o versátil Xavier Davis, pianista do grupo de Christian McBride, substituísse o colega. Mas o estrago já estava feito: o órgão fez falta no repertório centrado em releituras de clássicos do gospel.

Assim restou a Byron fazer um show apenas mediano. Abriu a apresentação com o clarinete, tocando uma relaxada versão de “Giant Steps” (a “prova de resistência” de John Coltrane), movida por ritmos latinos. Mais inusitada ainda, já no meio do show, foi a versão de “Lovesick Blues”, pérola country de Hank Williams, que Byron cantou com os característicos melismas do gênero, num ambíguo tom de caricatura.

Já as releituras de “Feed Me, Jesus” e “Precious Lord” (composições de Thomas E. Dorsey, considerado o pai do gospel negro) contaram com os vocais de DK Dyson. Embora seja uma cantora de recursos,  Dyson chega a soar arrogante, com seu visual imponente e poses artificiais,
diferentemente da simpática Barbara Walker, que conquistou a platéia na noite de estréia. 

Primeira atração do sábado, a cantora canadense Melissa Walker (na foto acima, com McBride) também exibiu muita competência, mas sem brilho especial. Talvez ainda se ressinta do longo período em que teve de se afastar dos palcos para tratar um problema em suas cordas vocais.

Com um repertório que destaca arranjos jazzísticos de sucessos da música pop, como “Mr. Bojangles” (de Jerry Jeff Walker) ou uma curiosa versão de “Flor de Liz” (do brasileiro Djavan), Melissa obteve seus melhores momentos ao homenagear duas ladies do jazz: Nina Simone, com a engajada “Four Women”; e Shirley Horn, com uma versão soul de “Forget Me”. Claro que o quarteto comandado pelo baixista Christian McBride (incluindo os solos de gaita de Gregoire Maret) garantiu um acabamento de primeira linha ao show da cantora.

Depois de três noites excelentes, com destaque para os shows do trompetista Christian Scott, do pianista Ahmad Jamal, do sexteto Escalandrum e do fora-de-série Overtone Quartet, o Bridgestone Music nem precisaria da última noite para se consolidar definitivamente como um festival de alto nível artístico e perfil original, que focaliza o jazz sob o ponto de vista de suas ligações com outras vertentes da música negra. Quem acompanhou esta terceira edição, certamente já está esperando a próxima.


3º Bridgestone Music: trompetista Christian Scott rouba a primeira noite do festival

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                                                                                                     Foto: Carlos Calado                                           
                                                            
Começou bem a terceira edição do Bridgestone Music, ontem, em São Paulo. O garotão Christian Scott, revelação do trompete, roubou a noite de estréia. Conquistou a platéia do Citibank Hall sem fazer concessões: quase só tocou composições próprias, nem um standard ao menos para agradar a ala mais conservadora do público. Decisão corajosa para um músico ainda quase desconhecido no Brasil, como ele, cujos quatro álbuns permanecem inéditos por aqui.

Falante, Scott fez questão de contar como nasceu sua tensa composição “K.K.P.D.”, um dos destaques do show, que faz parte de seu recente CD “Yesterday You Said Tomorrow”. Vítima de uma blitz noturna, em New Orleans, foi arrancado do automóvel por policiais armados, que o xingaram de “negrinho” e o ameaçaram de mandá-lo para o necrotério. O título dessa música reflete a indignação do autor: nele, Scott fundiu as siglas de Departamento de Polícia com a da organização racista Ku Klux Klan.

Duas outras composições, extraídas do mesmo álbum, também se destacaram. Na releitura de “The Eraser” (de Thom Yorke, da banda pop Radiohead), a sobreposição do trompete, do piano repetitivo de Milton Fletcher e de um ruído eletrônico resultaram em uma atmosfera melancólica e hipnótica. A balada “Isadora” prima pela beleza: um tema delicado, em andamento bem lento, acariciado pelo trompete (com surdina) do autor.

Já a apresentação de Uri Caine e seu quarteto Bedrock, segunda atração da noite, dividiu a platéia, inicialmente. O inquieto pianista e compositor radicado em Nova York reúne uma combinação de gêneros musicais bem heterodoxa nesse projeto. Quem mais pensaria em misturar jazz de vanguarda, soul music, R&B, funk e gospel num mesmo set?

O ponto de equilíbrio nessa fusão inusitada é a simpática cantora Barbara Walker (ex-Pieces of a Dream), que encaixa com muito talento seus vocais cheios de swing, nos intrincados improvisos do pianista, incluindo melismas típicos do gospel e da soul music. Não fosse o carisma e o know-how de Barbara, as experimentações de Caine e seu Bedrock correriam o risco de soar frias e cerebrais em excesso.

Uma estréia promissora para quem esteve no Citibank Hall e pretende retornar outras noites ao Bridgestone Music. 

41º New Orleans Jazz & Heritage Festival: uma retrospectiva ilustrada

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                                                                             Fotos: Carlos Calado

Assumindo o papel de Miles Davis na releitura do álbum "Tutu", que foi comandada pelo baixista Marcus Miller (à esquerda), o jovem trompetista Christian Scott confirmou seu talento. Nesta semana ele abre a 3ª edição do Bridgestone Music, em São Paulo.

Carismática como de hábito, a cantora Dee Dee Bridgewater cativou a plateia do Jazz Fest, interpretando sucessos de Billie Holiday, em tributo recém-lançado em CD. Seu diretor musical, o pianista e arranjador porto-riquenho Edsel Gomez (que morou por quase dez anos no Brasil), também se destacou nesse show.
  
Lembra-se do Take 6, aquele sensacional conjunto vocal do Alabama que chegou a se apresentar no Brasil, na década de 1990? Eles continuam cantando a capella (sem acompanhamento) um eclético repertório, que vai do gospel ao hip hop, passando pelo soul, R&B e funk. Uma delícia de ouvir, tanto nos improvisos como nas harmonizações.



Depois que sua sacolejante canção "Tremé Song" virou tema de abertura da série de TV do canal pago HBO ("Tremé", ainda inédita no Brasil), o cantor John Boutté viu sua popularidade aumentar muito. Foi recebido como ídolo no Jazz Fest, merecidamente.   



Outro músico de Nova Orleans que virou herói local, graças também às suas aparições na série "Tremé", Troy "Trombone Shorty" Andrews fez um dos shows mais disputados e dançantes do domingo de encerramento do Jazz Fest. Os paulistas vão poder ouvi-lo novamente em agosto, na próxima edição do Bourbon Street Fest.



 

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