Eugénia Melo e Castro e Milton Nascimento - Photo by Valéria Costa Pinto/Divulgação
Conhecida por sua intimidade com a MPB, que já rendeu diversos trabalhos ao lado de músicos brasileiros, a cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro comemora 30 anos de carreira com "Um Gosto de Sol" (lançamento do selo SESC), álbum gravado em Belo Horizonte (MG), com canções de compositores mineiros, como Milton Nascimento, Beto Guedes e Fernando Brant, entre outros.
À primeira vista, o projeto parece um tributo ao lendário Clube da Esquina, mas é mais que isso. Com sua voz suave e contida, Eugénia recria alguns clássicos dessa geração de compositores, como “Um Gosto de Sol” (Milton e Ronaldo Bastos) e “Tarde” (Milton e Márcio Borges), sugerindo que o lirismo mineiro tem muito a ver com a melancolia da música portuguesa.
Entre um poema de Fernando Pessoa e participações de Milton, Toninho Horta, Tulio Mourão e Chico Amaral, o duo de Eugénia com Wagner Tiso, em “O Cerco” (assinada por ambos), é simbólico: trinta anos atrás, a portuguesa procurou esse pianista e maestro mineiro para guiá-la nos meandros da música brasileira.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 26/05/2012)
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Eugénia Melo e Castro: da melancolia lusitana ao lirismo de Minas Gerais
Marcadores: beto guedes, Chico Amaral, clube da esquina, eugénia melo e castro, fernando brant, márcio borges, milton nascimento, ronaldo bastos, toninho horta, tulio mourão, wagner tiso | author: Carlos CaladoMelhores de 2011: críticos elegem seus álbuns favoritos em enquete do "Valor Econômico"
Marcadores: brad mehldau, celso fonseca, Christian Scott, gal costa, keith jarrett, mônica salmaso, ronaldo bastos, stacey kent, stefon harris, Trombone Shorty, Vento em Madeira, zé miguel wisnik | author: Carlos Calado
Atendendo a um convite do jornal “Valor Econômico”, com o qual tenho colaborado durante a última década, participei de uma enquete para eleger os melhores discos de 2011. Para essa votação também contribuíram os jornalistas e críticos João Marcos Coelho, Luciano Buarque de Hollanda, Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello.
Quem atua na área musical sabe que essa é uma das tarefas mais difíceis, discutíveis até, nesse ramo. Como justificar que um trabalho artístico nos parece melhor do que outro, sem sermos parciais ou mesmo injustos? Até que ponto nosso gosto pessoal pesa decisivamente nessa decisão?
O fato é que aceitei indicar cinco CDs nacionais e cinco internacionais de qualquer gênero, lançados em 2011. O resultado da enquete está no no site do “Valor Econômico”. Estes foram os 10 álbuns que eu selecionei, em ordem alfabética:
ÁLBUNS NACIONAIS
Alma Lírica Brasileira - Mônica Salmaso (Biscoito Fino)
Indivisível - Zé Miguel Wisnik (Circus)
Liebe Paradiso - Celso Fonseca e Ronaldo Bastos (Dubas)
Recanto - Gal Costa (Universal)
Vento em Madeira - Quinteto Vento em Madeira (Maritaca)
ÁLBUNS INTERNACIONAIS
Dreamer in Concert - Stacey Kent (EMI)
For True - Trombone Shorty (Verve/Universal)
Live in Marsiac - Brad Mehldau (Nonesuch/Warner)
Ninety Miles - Stefon Harris, David Sánchez e Christian Scott (Concord)
Rio - Keith Jarrett (ECM/Borandá)
Marcos Valle: da bossa nova ao funk, a trajetória de um inovador da MPB
Marcadores: bossa nova, Eumir Deodato, funk, Geraldo Vespar, joyce, marcelo camelo, marcos valle, MPB, paulo sérgio valle, ronaldo bastos, samba, soul | author: Carlos CaladoO lançamento simultâneo de uma caixa com os 10 primeiros álbuns de Marcos Valle e de seu CD mais recente, “Estática” (ambos em edições da EMI), permite conferir como a obra desse original compositor, cantor, tecladista e violonista carioca se manteve atraente e contemporânea, sem aderir a modismos passageiros.
A caixa “Marcos Valle Tudo” cobre o período 1963-1974. Em seus primeiros álbuns, “Samba Demais” (de 1963) e “O Compositor e o Cantor” (de 1965, que já trazia os sucessos “Samba de Verão” e “Preciso Aprender a Ser Só”), Valle revelou-se um talentoso integrante da segunda geração da bossa nova.
Em “Mustang Cor de Sangue” (1969), ele rompeu com esse modelo inicial: abriu-se a influências da música pop, aproximando-se do soul (“O Evangelho Segundo San Quentin”) e do funk (“Tigre da Esso, Que Sucesso”). Canções como “Black Is Beautiful” e “O Cafona”, do álbum “Garra” (1971), exemplificam a vocação de Valle para criar eficazes grooves.
A caixa inclui também o CD “The Lost Sessions”, com gravações inéditas que o produtor Charles Gavin encontrou ao realizar a pesquisa. Trata-se de um álbum incompleto, que deveria ter sido o terceiro de Valle, mas este desistiu do projeto após uma longa temporada nos EUA. Mesmo que só quatro faixas tragam vocais (incluindo as conhecidas “Os Grilos” e “Batucada Surgiu”), os saborosos arranjos orquestrais de Eumir Deodato, Geraldo Vespar e do próprio Valle já se bastam.
Gravado pelo selo londrino Far Out, “Estática” também inclui canções e temas instrumentais. Além da variedade rítmica que caracteriza seus discos, Valle cerca-se aqui de parceiros de diferentes gerações, como Joyce (no divertido samba “Papo de Maluco”), Ronaldo Bastos (“Baião Maracatu”) e Marcelo Camelo (no samba-funk “Eu Vou”).
Também não poderia faltar seu antigo parceiro, o irmão Paulo Sérgio Valle, com o qual assina o irresistível baião “Arranca Toco”. Aos 67 anos, o compositor e cantor que já fez um radical elogio à juventude, na canção “Com Mais de 30” (“não confie em ninguém com mais de 30 anos”), prova, ironicamente, que modernidade nem sempre vem acompanhada por pouca idade.
(resenha publicada originalmente no “Guia Folha – Livros, Discos, Filmes”, edição de 26/8/2011)
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