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Vitoria Maldonado: parceria com Ron Carter reativa carreira da cantora paulistana

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Vitoria Maldonado é uma cantora de sorte. Com dois discos lançados desde os anos 1990, a também pianista e compositora paulistana pode ver sua carreira (até hoje desenvolvida em relativo “low profile”) ganhar um impulso internacional. Ninguém menos que o norte-americano Ron Carter, um dos contrabaixistas mais cultuados na cena do jazz, gostou de sua voz delicada e a convidou a gravar um disco com seu quarteto. Essa parceria pode ser ouvida no CD “Brasil L.I.K.E.” (selo Summit Records), já distribuído pela Tratore no mercado brasileiro.

No repertório, standards do jazz, como “They Can’t Take That Away From Me” (dos irmãos Gershwin) e “Night and Day” (Cole Porter), surgem em versões com sabor de bossa nova, ao lado de clássicos da MPB, como “Lugar Comum” (João Donato e Gilberto Gil) e “Se Todos Fossem Iguais a Você” (Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees), em versão para o inglês, além de composições de Carter e Vitoria. A produção do disco é assinada por Ruriá Duprat, que também escreveu os arranjos para sua Brasilian Orchestra.

Três convidados especiais presentes nas gravações voltaram a acompanhar a cantora no show de lançamento do álbum (no Sesc Belenzinho, em São Paulo, no último dia 25/3): o violonista Roberto Menescal, o saxofonista Nailor Proveta e o veterano gaitista Omar Izar. Para a seção rítmica, foram convocados outros três craques da música instrumental paulistana: Michel Freidenson (teclados), Sylvinho Mazzuca (contrabaixo) e Duda Neves (bateria).

O jazzista Ron Carter não participou desse show de lançamento do álbum “Brasil L.I.K.E.”, mas, nos bastidores, comentava-se que um reencontro com Vitoria, em palcos brasileiros, ainda pode acontecer.






New Orleans Jazz Fest 2018: será que Aretha Franklin vai aparecer desta vez?

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Desde que a produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival divulgou a programação oficial de sua 49ª edição, que será realizada de 27/4 a 6/5, os admiradores de Aretha Franklin (a maior intérprete da soul music, na opinião de críticos conceituados) já começaram a se perguntar: “Será que desta vez ela vai aparecer mesmo”?

A dúvida se justifica, já que a cantora (hoje com 75 anos) cancelou apresentações anunciadas nesse festival em 2009 e 2010. Para tranquilizar os frustrados fãs locais, Quint Davis, produtor do evento, avisou que desta vez ela reservou quatro dias de hotel na cidade e que terá a seu lado, no show do dia 28/4, uma banda grande com seção de sopros, piano de cauda, órgão e alguns vocalistas. Mais um detalhe importante: como Aretha tem medo de viajar de avião, segundo Davis, ela fará o percurso Detroit-New Orleans de ônibus.

A programação desta edição do Jazz Fest (é assim que a população de New Orleans o chama) destaca outros nomes de peso na área da soul music e do rhythm & blues, como o veterano compositor e cantor Smokey Robinson, a cantora Anita Baker, a banda Maze e o cantor e compositor Charlie Wilson (ex-The Gap Band). Sem falar em Irma Thomas, estrela local conhecida como “rainha do soul de New Orleans”. É ela quem abre o vídeo de divulgação do Jazz Fest 2018, cujo link está ao final deste texto.

Se você nunca esteve em New Orleans, ao ler entre os destaques do festival os nomes de vários medalhões da pop music e do rock, como Aerosmith, Sting, Jerry Lee Lewis, David Byrne, Beck, Jack White, Steve Miller Band ou Jack Johnson, pode ficar com uma impressão errada. Embora destine grande parte da programação de seus dois palcos maiores a atrações de rock e pop, o Jazz Fest reserva outros oito palcos ao jazz, ao blues, ao gospel, ao soul e ao rhythm and blues, à música caribenha, ao zydeco e outros ritmos da Louisiana -– ou seja, a todas as manifestações musicais que fazem parte da herança afro-americana nos Estados Unidos.

Por isso, entre os mais de 400 shows desta edição, há astros de vários gêneros da música negra: como os jazzistas Ron Carter, Dianne Reeves, Archie Shepp, Charles Lloyd, Marcus Miller, Terence Blanchard e Ellis Marsalis; os bluesmen Buddy Guy, John Mayall e a banda The Fabulous Thunderbirds; ou ainda carismáticas bandas locais, como Galactic, Dirty Dozen Brass Band, Soul Rebels, Big Sam’s Funky Nation, Bonerama e a Rebirth Brass Band, entre outras, que misturam vários ritmos em seus repertórios.

Aliás, é impressionante a variedade de gêneros musicais que são cultivados na cosmopolita New Orleans, quase sempre com alta qualidade. Não é à toa que mais de 90% da programação do Jazz Fest é reservada a atrações locais: do hip-hop da divertida banda Tank & The Bangas ao jazz contemporâneo do excelente quarteto Astral Project; do blues moderno de Walter “Wolfman” Washington ao irresistível funk da Ivan Neville’s Dumpstaphunk, que também estarão no programa desta edição.

No ano em que New Orleans comemora 300 anos, o Jazz Fest vai reservar seu último domingo para festejar essa efeméride. Também vai contar com o Pavilhão do Intercâmbio Cultural, onde acontecerá uma programação diária de shows, exposições e degustação de pratos típicos que remetem à influência de povos europeus, orientais e hispânicos na formação cultural da cidade. 


Atualização (em 16/3/2018): A produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival anunciou hoje que Aretha Franklin cancelou sua apresentação. Segundo a nota oficial, "extremamente desapontada", a cantora foi obrigada por seu médico a abandonar as viagens e descansar por pelo menos dois meses. Aretha será substituída, no show de 28/4 em New Orleans, pelo cantor Rod Stewart. 

Conheça a programação completa e outras informações sobre o 49º New Orleans Jazz & Heritage Festival no site oficial do evento: www.nojazzfest.com



Mimo Festival 2016: evento desembarca em Portugal com homenagem a Tom Zé

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                                                                           O cantor e compositor baiano Tom Zé 

Após 13 anos de atividades, período em que levou concertos, mostras de filmes, palestras e workshops musicais a cidades históricas como Olinda (PE), Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG), o Mimo Festival vai se tornar internacional.  Um dos maiores eventos brasileiros de música instrumental com programação inteiramente gratuita, esse festival vai realizar sua primeira edição na Europa. 

O duo do contrabaixista Ron Carter (na foto abaixo) com o guitarrista Pat Metheny, expoentes do jazz norte-americano, o cantor e compositor brasileiro Tom Zé e o guitarrista malinês Vieux Farka Touré estarão entre as dezenas de atrações que o Mimo Festival promete levar, de 15 a 17 de julho deste ano, à cidade histórica de Amaranto, no norte de Portugal. 

Além da exibição de filmes, de atividades musicais educativas e de uma exposição comemorativa dos 80 anos de Tom Zé, a plateia de Amarante também será contemplada com a Chuva de Poesia – evento em que milhares de versos de poemas, impressos em papel, serão lançados das torres de igrejas da cidade, em homenagem a poetas lusitanos. 

Quanto à 14ª edição do Mimo no Brasil, a produção do evento vai divulgar, no dia 1º de junho, as datas e a programação das atividades que serão realizadas, neste ano, em Paraty, Olinda, Ouro Preto e Tiradentes (MG), assim como na capital fluminense. 

Para aqueles que, como eu, ficaram interessados no encontro musical de Ron Cartes e Pat Metheny, a produção do festival já avisou que esse concerto só será realizado em Portugal. 

Outras informações no site do Mimo Festival: http://mimo.art.br/

Miles Davis: caixa reúne quase 4 horas de gravações inéditas do trompetista

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Uma surpresa para os apreciadores do jazz, que viram os lançamentos desse gênero musical desaparecerem do mercado brasileiro na última década: a caixa “Miles Davis at Newport 1955-1975” (lançamento Columbia/Sony Music; R$ 130, em média) traz quase quatro horas de gravações inéditas do trompetista norte-americano que marcou a música do século 20 com seu espírito de transformação constante.

Quarto volume de uma série de registros ao vivo desse artista, que vêm sendo lançados nos EUA desde 2011, a caixa reúne em quatro CDs as apresentações de Miles no Newport Jazz Festival, entre 1955 e 1975. Esse pioneiro evento, criado em 1954 pelo produtor e pianista George Wein, na costa leste norte-americana, serviu de modelo para outros festivais de jazz pelo mundo.

Foi de Wein a ideia de promover, já no segundo ano de seu festival, uma apresentação de Miles com o pianista Thelonious Monk e os saxofonistas Gerry Mulligan e Zoot Sims. Como a sonorização de concertos ao ar livre ainda era precária na época, Miles fez algo incomum ao tocar a melancólica “Round Midnight” (de Monk): encostou a campana do trompete no microfone, para que o som fosse reproduzido de maneira mais clara.

No extenso texto que escreveu para o livreto incluído na caixa, o jornalista Ashley Kahn (autor de um ótimo livro sobre “Kind of Blue”, o disco mais cultuado de Miles) observa que a repercussão dessa performance do trompetista estimulou a gravadora Columbia a contratá-lo. Por meio dessa parceria, que durou três décadas, Miles veio a gravar seus melhores álbuns.

Ao retornar a Newport, em 1958, ele já liderava um dos sextetos mais admirados pelos fãs do gênero, com John Coltrane e Cannonball Adderley (saxofones), Bill Evans (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria). Oito meses antes de gravar com esse mesmo grupo a obra-prima “Kind of Blue”, Miles ainda trazia no repertório pérolas de sua fase “hard bop”, como a sedutora valsa-jazz “Fran-Dance”, de sua autoria, ou o nervoso tema “Two Bass Hit” (Lewis e Gillespie).

Nos anos 1960, ele voltou três vezes a Newport. Em 1966 e 1967, tinha a seu lado o sensacional quinteto com Wayne Shorter (sax tenor), Herbie Hancock (piano), Ron Carter (contrabaixo) e Tony Williams (bateria), que deixou parte da plateia perplexa. Duas diferentes versões de “Gingerbread Boy” (Jimmy Heath) revelam como Miles e parceiros caminhavam para um jazz mais experimental, numa época em que o mundo parecia prestes a explodir em conflitos e revoluções.

“Aquele grupo não estava à frente de seu tempo. Eles eram o tempo”, comenta Wein, no texto do encarte. Já em 1969, outra transformação: Miles exibia sua nova banda com Chick Corea (piano elétrico), Dave Holland (baixo) e Jack DeJohnette (bateria), mostrando em faixas como “Miles Runs the Voodoo Down” e “It’s About That Time” seu interesse em se aproximar do universo do rock e da black music.

Para os felizardos que presenciaram as apresentações de Miles no Brasil, em 1974, um concerto produzido meses depois por Wein, em Berlim (também incluído na caixa), pode trazer lembranças. Ao lado de Dave Liebman (sax soprano), Pete Cosey (guitarra) e Michael Henderson (baixo), entre outros, Miles já tinha mergulhado no funk e no rock. As faixas “Turnaroundphrase” e “Tune in 5” revelam um grau de eletrificação e distorções jamais ouvidas antes nos círculos do jazz. Não à toa os paulistanos cinquentões e sessentões que foram ouvir Miles no Theatro Municipal, naquela época, saíram no meio do concerto.


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 19/12/2015)

Festival Amazonas Jazz: Ron Carter e Dave Liebman vêm para a sétima edição do evento

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Já estabelecido como um dos melhores eventos de jazz e música instrumental do país, o Festival Amazonas Jazz anuncia sua sétima edição, de 24 a 29 deste mês, em Manaus. Como em anos anteriores, a programação principal de concertos ocupará o palco do cultuado Teatro Amazonas, onde, tradicionalmente, também é realizado o Festival Amazonas de Ópera.

A programação deste ano reúne um número maior de atrações brasileiras do que em outros anos. Os grupos Pau Brasil e Zimbo Trio, os duos de Gilson Peranzzetta e Mauro Senise, de Roberto Sion e Itamar Collaço, além da cantora Joyce e do quinteto do pianista e arranjador Eumir Deodato, prometem um panorama variado de estilos de música instrumental brasileira da melhor qualidade.

Dois astros do jazz moderno norte-americano completam o elenco: o contrabaixista Ron Carter (na foto acima), que trará seu quarteto, e o saxofonista Dave Liebman (na foto abaixo), que terá a seu lado dois brasileiros: o violonista e compositor Guinga e o saxofonista Marcelo Coelho. Além de serem músicos brilhantes, que desenvolveram sólidas carreiras no universo do jazz, Carter e Liebman têm algo notável em comum: integraram bandas do trompetista Miles Davis, nos anos 1960 e 1970, respectivamente.


Um dos dois concertos de Liebman, no evento, será como solista da Amazonas Band. Prata da casa, essa afiada big band regida pelo maestro e diretor artístico do festival, Rui Carvalho, tem se apresentado todos os anos, com sucesso. Desta vez a Amazonas Band também fará o concerto de abertura, na noite do dia 24, tendo como convidados o tecladista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise.

Idealizado não apenas com a intenção de oferecer música de alta qualidade ao público local, o Festival Amazonas Jazz investe também na formação dos estudantes de música e profissionais da área, por meio de uma programação pedagógica. Vários dos músicos que se apresentarão no Teatro Amazonas também transmitirão suas experiências pessoais e técnicas em workshops e oficinas.

O encerramento do evento, no domingo (29/7), destaca o quinteto do pianista e arranjador Eumir Deodato. Neste ano, o festival será transmitido ao vivo pela Radio Nacional de Brasília, para várias emissoras do país. Alguns dos shows serão veiculados em vídeo pelo canal Amazon Sat, inclusive em sua página no Facebook.

Confira a programação do evento no site do Festival Amazonas Jazz.

Rosa Passos: afastada dos palcos, cantora retoma a carreira com o álbum "É Luxo Só"

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O ano de 2011 já se aproximava de seu final, quando o lançamento do álbum “É Luxo Só” (pela gravadora Biscoito Fino) veio acompanhado por uma ótima notícia: depois de três anos de afastamento dos palcos, a doce cantora, violonista e compositora Rosa Passos está retomando sua carreira musical.

Nesse álbum em homenagem à eclética Elizeth Cardoso (1920-1990), uma das grandes intérpretes da música popular brasileira, Rosa imprime seu sofisticado estilo vocal, entre o jazz e a bossa nova, a clássicos de Cartola (“As Rosas Não Falam”, “Acontece”), Noel Rosa (“Ultimo Desejo”, “Três Apitos”), Ary Barroso (“É Luxo Só”) e Zé Ketti ("Diz que Fui por Aí").

Nesta entrevista, ela conta o que a levou a interromper a carreira musical, comenta detalhes dessa homenagem a Elizeth e revela seus próximos projetos, incluindo um disco com canções de Djavan e possíveis parcerias com os jazzistas Ron Carter e Kenny Barron. Rosa também comenta o fato de cantoras das novas gerações já não se preocuparem mais com a afinação ou outros detalhes essenciais numa gravação.

Sua carreira internacional estava a todo vapor, no final de 2008, quando você se afastou da música. O que aconteceu?

Rosa Passos - Tive “síndrome de burnout”, uma estafa muito grande provocada por excesso de trabalho. O pianista Keith Jarrett ficou três anos sem tocar pelo mesmo motivo. Quinze anos atrás minha carreira deslanchou no exterior e eu passei a viajar muito. Como entrei num processo de desgaste e continuei trabalhando, meu organismo começou a reclamar. Eu já estava fazendo tudo mais pela obrigação do que pelo coração, nem conseguia mais olhar para o meu violão. Cheguei a ficar mais tempo viajando, do que em casa. Então tive que parar tudo, por recomendação médica. Fiquei baianíssima, só na rede, em casa, cuidando de três gatos e quatro cachorros (risos).

O que a levou a gravar um tributo a Elizeth Cardoso?

Rosa - Foi presente de um amigo, que sugeriu essa homenagem. Eu me animei com a ideia, pesquisei bastante o repertório e os discos da Elizeth, mas não queria fazer nada óbvio. Coloquei algumas músicas no disco, como uma homenagem pessoal. Escolhi músicas que a maioria das pessoas nem sabe que ela gravou, como “Palhaçada” (Haroldo Barbosa/Luis Reis), “Diz Que Fui Por Aí” (Zé Ketti) e “Acontece”, que Cartola fez para ela. Elizeth abraçou toda a música brasileira, não tinha um repertório característico ou limitado. Ela gravou tudo.

O estilo vocal da Elizeth era bem diferente do seu. O que atrai você na obra dela? Rosa - A versatilidade dela como intérprete, algo que sempre admirei muito. Aprendi a gostar da Elizeth com meu pai, aos oito ou nove anos de idade. Ela tinha aquela elegância, foi uma grande intérprete, que sempre esteve à frente de sua época. Outra coisa que me encantou muito nela foi a decisão de cantar as “Bachianas”, de Villa-Lobos. Ou quando gravou o disco “Canção do Amor Demais” (1958), cantando Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que tem João Gilberto tocando violão, já com aquela coisa do começo da bossa nova. Ali, mais uma vez, ela estava à frente.

Mas o fato de seu estilo vocal e o dela serem diversos não tornou mais difícil se aproximar do repertório dela? 

Rosa - Sempre gostei de desafios. Já fiz um disco muito difícil, o “Amorosa”, em homenagem a João Gilberto. Tudo bem, ele é meu ídolo, teve uma grande influência na minha maneira de tocar e cantar, mas, no caso da Elizeth, eu me identifico com a ousadia dela como grande intérprete que foi. Anos atrás a Zezé Motta já homenageou Elizeth, cantando o repertório mais clássico dela. Minha ideia foi trazer a lembrança da Elizeth, mas fazendo uma homenagem mais pessoal. Eu nem saberia como cantar algumas canções mais conhecidas do repertório dela, como “Barracão” ou a “Canção do Amor Demais”.

Quando você gravou o “É Luxo Só”?  

Rosa - Gravei esse disco entre 1º e 5 de março de 2011, em Brasília, com Lula Galvão (violão e arranjos) e Jorge Helder (baixo acústico), meus amigos e parceiros de muitos anos. Foi muito gostoso porque eles ficaram hospedados em minha casa. Eu fazia comidinha para eles e, à tarde, íamos para o estúdio. O show de lançamento também será em Brasília, dias 2 e 3 de março (de 2012), no Teatro Oi. Depois quero fazer São Paulo e, devagarzinho, viajar pelo Brasil. Estou bem animada com esse recomeço. Tenho recebido um carinho muito grande de meus fãs, especialmente pelo Facebook.

O que você acha dessas cantoras de gerações mais recentes, que já não atentam mais aspectos essenciais do canto, como a afinação ou a dicção? 

Rosa - Pois é, a afinação deveria vir em primeiro lugar (risos). Hoje, gravar um disco é a coisa mais fácil do mundo. Existe toda uma tecnologia para isso, que permite até afinar a voz do cantor numa gravação. Então as pessoas não estão mais preocupadas com a técnica da interpretação, com a divisão, com a respiração e a dicção. Acho que essa mudança tem uma razão cultural. Nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas têm aulas de música desde criança, nas escolas. Aqui no Brasil não existe mais isso. Os poucos que têm acesso à formação musical devem isso a seus pais. Eu fui feliz, porque meu pai colocou aulas de música na educação que eu e meus irmãos recebemos. Aqui no Brasil, a criança, o adolescente e o jovem crescem com informação musical da pior qualidade. Só ouvem música de consumo imediato, música popularesca em excesso. Quando dou aulas ou oficinas de música, sempre ressalto o cuidado que você deve ter com a interpretação, com a respiração e a dicção. A estética da música é algo muito importante, que os professores de canto deveriam ensinar.

Você já tem planos para outro disco?  

Rosa - O próximo será uma homenagem ao Djavan, com certeza. Eu amo Djavan de paixão! Quero gravar os clássicos dele com a minha leitura. Quem sabe, ele até dá uma música inédita pra mim (risos). Estou muito feliz, porque cheguei numa fase de minha vida profissional em que me sinto realizada. Em 2008, recebi o título de doutora honoris causa da Berklee School. Já gravei com Ron Carter, gravei e viajei com Yo Yo Ma, toquei com meu amigo Paquito D’Rivera. Me sinto tranquila para poder voltar ao trabalho mais madura.

Como andam os convites para projetos no exterior?  

Rosa - Como plantei meu trabalho com muito carinho e amor, essas portas continuam abertas para mim. Recebi convite para um show com o Wynton Marsalis, em Nova York, em abril, mas não pude ir. Mesmo assim, ele me disse que podemos fazer esse show quando eu quiser. Ron Carter já demonstrou interesse em fazer outro disco comigo. Também recebi a proposta de gravar com outro músico que eu amo de paixão: o pianista Kenny Barron. Ele viria para o Brasil, gravar com músicos brasileiros, e eu seria a cantora convidada. Se isso acontecer mesmo, vou ficar muito feliz, porque ele é um dos meus pianistas preferidos. 

(entrevista publicada parcialmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", na edição de dezembro de 2011)

 

 

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