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BMW Jazz Festival: Zion Harmonizers trazem gospel tradicional de New Orleans

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                                                                                             Foto: Carlos Calado

Em noite que destaca três conceituados saxofonistas norte-americanos, começa hoje, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, o BMW Jazz Festival. O programa reúne o quinteto de Billy Harper, o trio de Joshua Redman e o quarteto de Wayne Shorter.

No sábado, o evento vai exibir a porção mais eclética de seu elenco. A noite intitulada “Roots” (Raízes) mistura o gospel do grupo vocal Zion Harmonizers (na foto acima), os ritmos afro-baianos da Orkestra Rumpilezz e o soul energético da cantora Sharon Jones com a banda The Dap-Kings.

Em entrevista à Folha, no New Orleans Jazz & Heritage Festival (EUA), em maio, o vocalista Brazella Briscoe, líder dos Zion Harmonizers, relembrou que, na década de 1970, o grupo foi criticado por pastores de igrejas batistas que ainda resistiam à ideia de o gospel, gênero musical de essência religiosa, ser cantado fora das congregações – pior ainda num festival de jazz.

“A palavra jazz tinha uma conotação (sexual) que não soava bem aos ouvidos dos pastores”, disse Briscoe, ressaltando que a atuação de seu ex-colega Sherman Washington – morto em março, aos 85 anos – foi decisiva para que o grupo pudesse cantar pela primeira vez no festival de Nova Orleans, em 1972.

“Sherman era muito respeitado em todas as igrejas da Louisiana. Depois de conversar com os pastores, ele conseguiu que os coros participassem do festival. Desde que eles não bebessem cerveja no camarim, estava tudo certo”, disse o líder dos Zion Harmonizers.

Se repetir o formato da apresentação em Nova Orleans, Briscoe vai surpreender a plateia, ao descer do palco para apertar as mãos dos fãs. “Gosto de tocar as pessoas e de ser tocado por elas, porque o toque pode trazer bem estar”, justifica o vocalista, que age como um pregador no show.

(texto publicado na "Folha de S. Paulo", em 9/06/2011)

42º New Orleans & Jazz Heritage Festival: uma retrospectiva ilustrada da edição de 2011

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                                                                                                                                   Fotos: Carlos Calado
Artista do ano - Com prestígio em alta, depois de algumas aparições na série de TV "Tremé" (HBO), na qual também interpreta o tema musical de abertura, o cantor John Boutté participou de um disputado tributo a Mahalia Jackson, na Tenda Gospel. Recém-eleito "entertainer do ano", pelo jornal musical "Gambit", Boutté está nos planos da próxima edição do Bourbon Street Fest, agendado para agosto, em São Paulo.


Na platéia - Nome já confirmado para a 9ª edição do Bourbon Street Fest (em agosto, em São Paulo), o trombonista e arranjador Delphayo Marsalis, membro de uma das famílias musicais mais famosas de New Orleans, surpreendeu a platéia da Tenda de Jazz. Desceu do palco com sua banda e desfilou pela tenda, para a alegria dos fãs.




Mestre das lentes - Um dos grandes fotógrafos que se dedicaram a registrar imagens dos músicos de jazz, o norte-americano Herman Leonard (1923-2010) foi homenageado com uma singela exposição, na tenda principal do Fairgrounds, o hipódromo de New Orleans, onde é realizado o Jazz Fest.



Revelação do clarinete - A nova-iorquina Anat Cohen voltou a mostrar seu talento ao clarinete e ao sax soprano, tocando em duas tendas: a de jazz moderno e a de jazz tradicional. Nos bastidores, acompanhando a afilhada musical, estava George Wein, 85, o lendário produtor dos primeiros festivais de jazz.


Tenda gospel - Frequentada por platéias bem menores durante os primeiros anos pós-Katrina, a Tenda Gospel voltou a reunir grandes multidões em alguns concertos. Um deles foi o tributo a Sherman Washington (vocalista do Zion Harmonizers, o grupo vocal gospel mais antigo de New Orleans), que morreu neste ano. Na foto acima, Brazella Briscoe, novo líder do grupo, que vem ao Brasil em junho para o BMW Jazz Festival.  



Tradição carnavalesca - Sempre presente na programação de qualquer edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, os tradicionais índios do Mardi Gras, o carnaval local, estavam bem representados pelo Big Chief Monk Boudreaux (na foto acima) e sua banda Golden Eagles.


Nos clubes - O Jazz Fest de New Orleans não se limita às sete tardes de programação ao ar livre, no hipódromo da cidade. Durante os dois finais de semana e nas noites de segunda a quarta-feira, os clubes da cidade oferecem grandes atrações locais, como a banda do cantor e guitarrista Walter "Wolfman" Washington, mestre do soul, do blues e do funk, que abarrotou de fãs o alternativo DBA, na Frenchman Street, versão mais descolada da turística Bourbon Street.

                                                                                                                                    
Noivado no palco - Só mesmo num festival descontraído, como o de New Orleans, poderia acontecer uma cena tão inusitada. O trompetista Christian Scott (que se apresenta neste fim de semana, no festival Jazz na Fábrica, no Sesc Pompéia, em São Paulo) chamou a namorada Isadora ao palco, no meio de seu show, ajoelhou e a pediu em casamento. A platéia sorriu e aplaudiu bastante o tímido casal.


Jazz a rigor - Lá fora o sol estava escaldante, mas o The Golden Striker Trio, formado por Ron Carter (contrabaixo), Russell Malone (guitarra) e Mulgrew Miller (piano), entrou no palco da Tenda de Jazz vestido a rigor. Os três tocaram temas próprios e standards, em arranjos suaves e elegantes. Enquanto isso, nos palcos ao ar livre a garotada curtia o rock e o pop de Robert Plant, The Avett Brothers e Wyclef Jean.


MPB à New Orleans - O nome de Ivan Lins chegou a ser incluído, no início do ano, quando o elenco desta edição do Jazz Fest foi anunciado, mas acabou desaparecendo da programação. Mesmo assim, como em anos anteriores, a MPB esteve presente no repertório da ótima cantora Leah Chase, uma discípula local de Sarah Vaughan, que costuma interpretar canções de Ivan Lins e Tom Jobim.

 

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