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New Orleans: WWOZ FM reúne gravações de grandes shows de música negra

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                              A lendária banda The Meters se reencontrou no New Orleans Jazz Fest, em 2015

A WWOZ FM, rádio pública da cidade americana de New Orleans, vai tentar amenizar a saudade que seus ouvintes têm sentido dos shows ao vivo, desde que a pandemia se instalou. A partir desta quinta-feira (22/4) ela transmite outra edição da Jazz Festing in Place, série de gravações com grandes shows do New Orleans Jazz & Heritage Festival.

Um dos maiores eventos do gênero no mundo, o Jazz Fest (como é chamado pelos moradores de New Orleans) comemorou sua 50.ª edição em 2019. No ano seguinte, os ingressos já estavam à venda, quando o festival foi cancelado por causa do distanciamento social necessário para combater a pandemia.

Como já fez em 2020, a WWOZ FM vai transmitir a série Jazz Festing in Place nos mesmos dias e horários em que o Jazz Fest deste ano deveria ocorrer: de 22 a 25/4 (quinta a domingo) e de 29/4 a 2/5, das 13h às 21h (horário de Brasília).

A programação está recheada de expoentes da cena musical de New Orleans, como os pianistas Allen Toussaint, Henry Butler, Ellis Marsalis e Dr. John, os cantores John Boutté, Leah Chase e Irma Thomas, os trompetistas Terence Blanchard e Kermit Ruffins, além das bandas Galactic, Dirty Dozen Brass Band, Preservation Hall Jazz Band e a lendária The Meters (em show gravado no Jazz Fest de 1970), entre outras.

Também não faltam grandes nomes internacionais do jazz, do blues e da música negra americana, como Stevie Wonder e Ella Fitzgerald (em uma inusitada parceria no festival de 1977), as cantoras Dianne Reeves, Shirley Horn e Mahalia Jackson, o trompetista Miles Davis, o baixista Charlie Mingus, o saxofonista Sonny Rollins, o pianista e band leader Duke Ellington e a violinista Regina Carter. Ou até astros da música pop e do rock, como James Taylor, Carole King e Joe Cocker, já que o Jazz Fest costuma oferecer um elenco eclético.

Há também uma atração imperdível para os fãs da música popular brasileira: o show que Milton Nascimento fez no Jazz Fest de 1991 está entre os destaques da série para o próximo domingo. Aliás, como a programação ainda não está totalmente fechada, outras surpresas ainda serão anunciadas nos próximos dias. Para não perder seus shows favoritos, você pode baixar um PDF com os horários dos oito dias de programação, no site da WWOZ, onde também vai encontrar o link para ouvir a série:

https://www.wwoz.org/642501-cubes-jazz-festing-place-2021

New Orleans: WWOZ FM exibe série de 7 dias com gravações de festivais

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                 Trombone Shorty (no centro), em show no New Orleans Jazz Fest, em 2019  

Cidade do sul dos Estados Unidos que respira música e tradições afro-americanas, New Orleans costumava oferecer dezenas de festivais de diversos gêneros musicais, até o início da pandemia da covid-19. O maior e mais internacional desses eventos – o New Orleans Jazz & Heritage Festival -– festejou seus 50 anos em 2019, mas foi obrigado a cancelar a edição deste ano, assim como outros festivais pelo mundo. 

Para consolar os fãs do evento, a WWOZ FM (a emissora de rádio mais tradicional e popular da cidade, que também patrocina o palco de jazz nesse festival) transmitiu, quatro meses atrás, a série “Jazz Festing in Place”. Durante oito dias, no mesmo horário do festival (de 11h às 19h), reuniu gravações de grandes momentos do Jazz Fest (é assim que os moradores locais se referem ao evento).

A repercussão dessa série inspirou uma segunda edição que, além de relembrar gravações históricas do Jazz Fest, também vai incluir registros de outros festivais da cidade, como o French Quarter Fest, o Satchmo Summer Fest e o Blues & BBQ Fest, além de shows em clubes locais, como o Snug Harbor ou o Tipitina’s.

O elenco da nova edição da série “Festing in Place -- The Next Fest Thing” destaca músicos, cantores e bandas do primeiro time da música de New Orleans, como os Neville Brothers e os Meters, as cantoras Irma Thomas, Lillian Boutté e Erica Falls, os trompetistas Terence Blanchard e Kermit Ruffins, os pianistas Ellis Marsalis e Allen Toussaint e os guitarristas Walter "Wolfman" Washington e Little Freddie King, entre muitos outros.

A série será transmitida de 4 a 7/9 (sexta a segunda) e de 11 a 13/9 (sexta a domingo), sempre das 13h às 21h (horário de Brasília). Para ouvir, acesse o site da WWOZ FM neste link: https://www.wwoz.org/listen/player
E a programação dos sete dias você encontra aqui: 

Allen Toussaint: atração do Bourbon Street Fest, compositor faz primeiros shows no país

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Durante cinco décadas ele atuou nos bastidores, compondo canções, escrevendo arranjos e produzindo discos. Por isso, é bem provável que você ainda não tenha ouvido falar em Allen Toussaint, mas pergunte sobre ele a figurões da música pop, como Elvis Costello, Paul Simon ou Paul McCartney, com os quais ele já trabalhou. Todos admiram esse cultuado pianista e compositor de Nova Orleans.

Pela primeira vez no Brasil, Toussaint, 76, será a principal atração da abertura do 12º Bourbon Street Fest, hoje, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. Também vai se apresentar no teatro Oi Casa Grande (dia 18, no Rio) e no Bourbon Street Music Club (dia 19, em São Paulo).

“Quando morei em Nova York, ouvi músicos brasileiros e todos eram ótimos”, diz o pianista norte-americano, em entrevista exclusiva ao Música de Alma Negra. “Essa é uma das razões que me deixam ansioso por conhecer esse país. Acho que o Brasil costuma inspirar boa música”.

Toussaint deixou Nova Orleans, em 2005, quando sua cidade foi devastada pelo furacão Katrina. Ironicamente, a tragédia resultou em uma inusitada reviravolta em sua carreira. Em Nova York, passou a fazer shows de piano solo, no clube Joe’s Pub, onde tomou gosto pelo palco. Desde então suas aparições em festivais de jazz ou na TV só têm aumentado.

“Eu sequer imaginei que um dia estaria sozinho num palco, porque sempre me senti confortável nos estúdios de gravação. Só posso dizer que essa nova situação tem sido gratificante e fico feliz por isso”, comenta o produtor, que já trabalhou com músicos de alto quilate, como Eric Clapton, John Mayall, Etta James, Dr. John, Irma Thomas, Aaron Neville e as bandas The Meters e The Band.

O álbum mais recente de Toussaint, “Songbook” (selo Rouder, 2013) tem um tom autobiográfico. Gravado ao vivo, no Joe’s Pub, reúne não só algumas de suas canções mais populares, como “Southern Nights”, “It’s Raining” e “Soul Sister”, mas também revela a diversidade de sua obra, que abrange diversos gêneros, como o rhythm & blues, o soul, o funk e o jazz.

“Acho que esse álbum reflete a variedade musical que sempre marcou a minha vida. É encantador ter a oportunidade de tocar para plateias que me dão licença para exibi-la e sabem apreciar todos esses gêneros musicais”, comenta o compositor.

A modéstia de Toussaint também se manifesta quando a conversa traz à tona o nome de seu mentor musical: o influente pianista e compositor Professor Longhair (1918-1980), pioneiro do rhythm & blues de Nova Orleans.

“Sou um discípulo do Professor Longhair. No que concerne à música de Nova Orleans, ele é uma espécie de rei. Fico feliz quando dizem que fui influenciado por ele, porque através de mim Professor Longhair continua vivo. Eu, Dr. John e Huey Smith, assim como outros discípulos do Professor em Nova Orleans, vamos continuar honrando sua memória”, afirma.

Quase dez anos após toda a destruição e as mortes desencadeadas pelo furacão Katrina, Toussaint se diz bastante otimista em relação ao cenário musical de sua cidade.

“A música produzida hoje em Nova Orleans vive uma fase muito melhor do que em outras épocas. Mexe com o meu coração pensar em quantas pessoas, não só nos EUA, mas em todo o mundo, tentaram ajudar a cidade porque ficaram consternadas. Como seres humanos, saímos rejuvenescidos daquela tragédia. O Katrina foi um batismo e uma benção para nós”, conclui o compositor.

Bourbon Street Fest 2014: próxima edição destaca expoentes da cena musical de New Orleans

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Atrações já confirmadas, como o pianista Allen Toussaint, o guitarrista Walter “Wolfman” Washington, o trombonista Glen David Andrews e os cantores Germaine Bazzle (na foto ao lado) e Rockin’ Dopsie Jr. prometem: se não for a melhor, a 12ª edição do Bourbon Street Fest – de 16 a 24 de agosto, em São Paulo – certamente será uma das melhores que esse evento já realizou até hoje. 

Pela primeira vez em palcos brasileiros, o veterano Allen Toussaint, cultuado expoente do rhythm & blues de New Orleans (EUA), é autor de clássicos como “Southern Nights”, “Working in the Coalmine” e “Whipped Cream”. Já escreveu arranjos e produziu gravações para diversos figurões do blues e da música pop, como Eric Clapton, Elvis Costello, Paul Simon, Etta James e John Mayall, entre outros.   


Conservando o diversificado perfil musical que exibe desde sua primeira edição, o festival produzido pelo paulistano Bourbon Street Music Club vai trazer mais uma vez nomes de ponta de várias correntes musicais cultivadas em Nova Orleans: do funk e do R&B de Walter “Wolfman” Washington (na foto à direita) ao zydeco e ao rock de Rockin Dopsie Jr.; do jazz de Germaine Bazzle ao funk, ao gospel e ao hip hop de Glen David Andrews. 

O elenco do próximo Bourbon Street Fest vai incluir também duas revelações mais recentes da cena musical de New Orleans: a cantora e guitarrista Mia Borders, que tem chamado atenção com suas letras emotivas, em canções próprias que vão do blues ao rock; e a banda Brazz-a-Holics, que une a tradição das bandas de metais de New Orleans com o balanço do jazz e do funk.

Mais informações no site do Bourbon Street Fest

New Orleans Jazz Fest 2013: da música negra ao pop, evento anuncia suas atrações

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Photos by Carlos Calado

O New Orleans Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos do gênero no mundo, anunciou hoje suas atrações para a sua edição de 2013. De 26/4 a 5/5, cerca de 500 mil pessoas devem passar pelas bilheterias do hipódromo de New Orleans, sem falar nos clubes locais, para se divertir com centenas de shows de diversos gêneros musicais. Ou também para experimentar os saborosos pratos típicos da culinária da Louisiana. 
 
B.B. King, Earth Wind & Fire, George Benson, Roy Ayers, Frank Ocean, Jill Scott, Dianne Reeves, Wayne Shorter, Stanley Clarke/George Duke Project, Charles Bradley, Joshua Redman, Frank Beverly & Maze, Taj Mahal e Eddie Palmieri são algumas das atrações do evento, que costuma dedicar a maior parte de seus palcos ao jazz, ao blues, ao R&B, ao funk, ao gospel e outros gêneros da música negra norte-americana.

 
Se você quer conhecer “in loco” a rica diversidade musical dessa cidade, essa é a melhor época do ano. Todos os grandes nomes da cena local, praticamente, têm lugar garantido nos palcos do Jazz Fest: Terence Blanchard (na foto acima), Irma Thomas (abaixo), Ellis Marsalis, Dr. John, Allen Toussaint, John Boutté, Irvin Mayfield, Nicholas Payton, George Porter, Walter “Wolfman” Washington, Galactic, Tab Benoit, Davel Crawford, Henry Butler, John Mooney, Los Hombres Calientes e Glen David Andrews são apenas alguns, entre centenas de artistas e bandas de alta qualidade.

Neste ano, mais até do que em 2012, o Jazz Fest volta a dedicar um espaço bastante considerável para a música pop e o rock de outras regiões dos EUA, numa tentativa de ampliar suas plateias diárias. The Black Keys, John Mayer, Patti Smith, Billy Joel, Maroon 5, Dave Matthews Band, Fleetwood Mac, Hall & Oatts, Ben Harper, Los Lobos e Widespread Panic são algumas das bandas e popstars que vão se apresentar nos maiores palcos do FairGrounds, todos instalados ao ar livre.

Mais informações sobre a programação, venda antecipada de ingressos, hospedagem na cidade e outros detalhes, você encontra no site oficial do New Orleans Jazz Fest.


 

New Orleans Jazz & Heritage Festival: evento tem mais rock e polêmica neste ano

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Começou, em Nova Orleans (sul dos EUA), a 42.a edição do Jazz & Heritage Festival. Um dos maiores do mundo no gênero, esse evento oferece, neste e no próximo final de semana, em 12 palcos com programação simultânea, mais de 400 atrações.

A expectativa dos produtores é reunir as maiores multidões já vistas no hipódromo local, que chegou a atrair 500 mil pessoas, em edições da década passada. Para isso contam com um elenco eclético, como de hábito, mas que nunca antes exibiu um número tão grande de bandas de rock e pop.


Nomes como os de Bon Jovi, Robert Plant, The Strokes, Arcade Fire, Wyclef Jean, Wilco, Jason Mraz, Lauryn Hill, Mumford & Sons e Jeff Beck, entre outros, estão entre as apostas da produção para conquistar novos contingentes de público que ainda não freqüentam esse evento.


Assim que foi divulgada, em janeiro, a programação tem gerado polêmica. Embora seja um evento fundamental para a economia da cidade, devastada pelo furacão Katrina, em 2005, o Jazz Fest (como é chamado pelos moradores locais) é também considerado peça-chave para a identidade cultural da região.


Não é por outra razão que, todos os anos, astros da eclética cena musical local, como Neville Brothers, Dr. John, Allen Toussaint, Terence Blanchard, Tab Benoit, Galactic, Trombone Shorty e Nicholas Payton, entre centenas de outros, disputam as maiores platéias do evento com as atrações de fora.


O acirramento da polêmica sobre o espaço dado ao rock e ao pop é evidente na entrevista de Irma Thomas (conhecida como a “rainha do soul de Nova Orleans”; na foto acima) à revista “OffBeat”. Escalada para cantar antes do show de Bon Jovi, ela corre o risco de ser vaiada por fãs da banda, como aconteceu com Dr. John, em 2009.


“Espero que não cometam esse erro com Irma Thomas”, disse ela. “Vou estar bem tranqüila, mas eles vão se arrepender se fizerem isso. Vaia é uma coisa estúpida”.


Favorável ao aumento das atrações de pop e rock, para tentar renovar o público do evento, o crítico Keith Spera, do jornal local “The Times-
Picayune”, escreveu: “Para se manter vitais, festivais requerem sangue novo. Em 2011, o Jazz Fest receitou a si mesmo uma transfusão completa”.

“Eu gostaria de saber quanto a AEG pagou a Spera por esse artigo”, retrucou um leitor, referindo-se à empresa internacional de entretenimento que se associou à produção do Jazz Fest, sete anos atrás, e também produz grandes eventos de rock e pop.


(texto publicado na “Folha de S. Paulo”, em 29/4/2011)

New Orleans Jazz & Heritage: festival anuncia as atrações musicais de sua 42ª edição

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Aos 80 anos, Sonny Rollins (na foto ao lado), o mestre do sax tenor, é o grande destaque do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que acaba de anunciar o programa de sua próxima edição. O evento, que vai exibir centenas de shows, no hipódromo, em clubes e casas noturnas dessa multicultural cidade do Estado de Louisiana (sul dos EUA), acontece entre 29/4 e 8/5.

Eclético como sempre, o Jazz Fest promete atrações musicais de vários gêneros: do jazz de Ahmad Jamal, Ron Carter, Christian Scott e Mingus Band ao soul de John Legend & The Roots, Maze, Amos Lee e Lauryn Hill; da música popular brasileira de Ivan Lins ao funk de Maceo Parker e Pee Wee Ellis; do blues de Robert Cray, Keb’Mo e Charlie Musselwhite ao rock de Bon Jovi, Arcade Fire, Robert Plant e Wilco, entre outros.

Mas o que realmente torna único no mundo esse festival é a presença de centenas de artistas e bandas de New Orleans, como Terence Blanchard, Allen Toussaint, Doctor John, Nicholas Payton, Trombone Shorty, Neville Brothers, Galactic, Astral Project, John Boutté, Ellis e Delfeayo Marsalis, Tab Benoit, Jon Cleary, Irvin Mayfield, Irma Thomas, Tom McDermott, Leroy Jones, Bonerama, Luther Kent, Leah Chase, Walter “Wolfman” Washington, Henry Butler e a Preservation Hall Jazz Band, entre tantos outros nomes de peso. Mesmo sendo menos conhecidos que os supostos headliners do festival, os músicos locais não perdem em nada.

Se você ainda não conhece New Orleans, deixo a dica mais uma vez. Essa é a melhor época do ano para se visitá-la, não só pelo clima (em geral, quente e pouco chuvoso), mas justamente pela grande oportunidade que o Jazz Fest oferece: em cerca de dez dias, pode-se ouvir muitos dos melhores artistas e bandas dessa cidade tão musical e divertida, distante da caretice que se vê em muitos outros lugares dos EUA.


Confira a programação completa no site do evento: www.nojazzfest.com

E o video abaixo dá uma certa idéia do que se pode ouvir, ver e comer durante esse festival...



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Eric Clapton: guitarrista e cantor dá uma lição de dignidade em seu novo álbum

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Ao contrário de muitos de seus fãs, Eric Clapton jamais levou a sério a fama de “deus” da guitarra que herdou ainda na década de 1960. E está longe de ser um desses patéticos roqueiros com mais de 30 anos, que insistem em posar de adolescentes. Em "Clapton" (lançamento Warner), seu 19º álbum, o guitarrista e cantor britânico, que já polarizou tantas vezes as atenções no universo do rock e do pop, mostra que está envelhecendo com dignidade. Esse é um de seus melhores discos.

Como em outros momentos essenciais de sua obra, Clapton voltou ao blues, sua maior fonte de inspiração. Na verdade, foi até mais fundo: no eclético repertório desse álbum, mistura relíquias do blues rural e urbano com alguns clássicos da canção norte-americana e pérolas obscuras do rhythm & blues. Ele abre o disco com “Travelin’ Alone”, vibrante blues do texano Melvin Jackson (1915-1976). Mas é a versão bem relax e acústica de “Rocking Chair”, a canção folk de Hoagy Carmichael popularizada por Louis Armstrong durante décadas, que melhor sintetiza a atmosfera geral de Clapton.


Entre as surpresas do álbum destacam-se duas canções do repertório do gaiato jazzista Fats Waller (1904-1943). Descontraído, Clapton ironiza a própria fama, em “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, e interpreta “My Very Good Friend The Milkman” com igual dose de humor. Em ambas, as participações do trompetista Wynton Marsalis, do pianista Allen Toussaint e do trombonista “Shorty” Andrews, entre outros músicos da Louisiana, trazem o tempero sonoro típico de New Orleans.

Inusitadas também são as releituras das baladas “How Deep Is the Ocean” (de Irvin Berlin) e, especialmente, “Autumn Leaves” (Kosma e Mercer), que Clapton interpreta com uma serenidade rara de se ouvir em suas gravações. E o solo de guitarra não fica atrás, em elegância e discrição. Seu antigo parceiro J.J. Cale (autor dos hits “Cocaine” e “After Midnight”) também participa. Além de contribuir com vocais e a guitarra, ele assina dois charmosos blues: o sombrio “River Runs Deep” e o quase gospel “Everything Will Be Alright”, ambos em arranjos tingidos pelas cordas da London Session Orchestra.


Com pegada suficiente para tocar no rádio, o dançante blues-rock “Run Back to Your Side” é a única faixa composta por Clapton. Nem precisava. Só como intérprete, o bluesman britânico já garante um álbum delicioso. E dá, aos 65 anos, uma lição de integridade artística. 

(resenha publicada na revista "Bravo!", edição de novembro de 2010)



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"Treme": tragédia e reconstrução de New Orleans é o tema de nova série de TV da HBO

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Uma das maiores tragédias deste século, mas também um dramático exemplo de superação humana, o episódio do furacão Katrina, em 2005, que destruiu grande parte da cidade de New Orleans (Louisiana, sul dos EUA), é o tema da nova série do canal HBO. Assinada por David Simon (criador das séries "The Wire" e "Generation Kill"), "Treme" estréia dia 11 de abril na TV norte-americana. 




Contando com participações de vários astros da cena musical de New Orleans, como o trompetista Kermit Ruffins, os pianistas Dr. John e Allen Toussaint, Trombone Shorty e as bandas Galactic, Rebirth Brass Band e Treme Brass Band, entre outros, o elenco destaca como protagonista o ator Wendell Pierce (da série "The Wire"), no papel do trombonista Antoine Batiste. Um dos temas musicais da série é interpretado pelo cantor John Boutté, que esteve em São Paulo em 2005, como atração do Bourbon Street Fest.

A expectativa quanto à repercussão dessa série é grande, especialmente no meio artístico de New Orleans. "Treme" pode ser um veículo importante para que grande parte dos próprios norte-americanos conheça mais sobre a cultura e os hábitos dessa cidade tão original e diferente do resto dos Estados Unidos - e justamente por isso ainda esnobada e mal compreendida por muitos norte-americanos.


 

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