Mostrando postagens com marcador instrumental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador instrumental. Mostrar todas as postagens

São Paulo Jazz Weekend: novo festival abraça a bossa, o choro e o som instrumental brasileiro

|

 

                                                                             A cantora norte-americana Dianne Reeves     

Muita gente pensa que os grandes festivais de música ao ar livre surgiram na segunda metade da década de 1960, época em que a geração hippie sonhava com uma sociedade libertária e naturalista, em um mundo mais pacífico. Impulsionados pelo carisma de ídolos do rock e da música negra daquele período, como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Otis Redding, festivais nos Estados Unidos, como o Monterey Pop (em 1967) e Woodstock (1969), difundiram essa impressão errônea.  

O pioneirismo nesse setor do showbiz pertence, de fato, ao Newport Jazz Festival, hoje chamado de “avô dos festivais de música”. Esse evento comemorou 70 anos em julho último, em Rhode Island, com uma edição recheada de craques do gênero. Seu fundador, o pianista e produtor George Wein (1925-2021) também foi responsável pela criação de outros eventos similares, como o New Orleans Jazz & Heritage, megafestival que segue firme em sua trajetória de 54 anos, na Louisiana. Na edição deste ano, sua atração principal foi simplesmente a banda inglesa The Rolling Stones.      

Quem quiser conferir as credenciais do veterano Newport Jazz vai se surpreender ao assistir ao clássico documentário “Jazz on a Summer’s Day” (de Bert Stern e Aram Avakian, disponível no YouTube). Cenas filmadas durante a edição de 1958 desse festival captam com requinte a descontração e as reações dos fãs na plateia, em meio a brilhantes performances de Thelonious Monk, Anita O’Day, Louis Armstrong e Gerry Mulligan, entre outros.

Passadas sete décadas, hoje os festivais de jazz são realizados nos mais diversos cantos do mundo. Para atender seu público, que pode reunir diversas faixas etárias, os organizadores sabem que já não é suficiente oferecer apenas boa música. Muitos frequentadores valorizam a possibilidade de tomar um drinque e se alimentar bem, em meio à maratona musical, ou mesmo dispor de locais agradáveis para relaxar ou se refrescar entre um show e outro.

Um festival diferente de seus pares

A preocupação com o conforto da plateia também está na lista de itens essenciais do São Paulo Jazz Weekend, festival que realiza sua primeira edição nos dias 28 e 29/09 (sábado e domingo), na área externa do Memorial da América Latina. Mas o que mais chama atenção é o seu menu musical, que combina diversos estilos de jazz, bossa nova, choro e muita música instrumental brasileira. Em outras palavras, um festival diferente de quase todos por aí: sem rap, rock, metal, funk carioca ou música sertaneja, em seus dois palcos.

“Nosso objetivo maior é fomentar o mercado”, afirma a produtora Giselle Ventura, que assina a direção do evento com o músico Thiago Espírito Santo. “A gente cria uma oportunidade para um público que virá ao Memorial por causa dos shows de Dianne Reeves, do Shai Maestro Trio ou de Seu Jorge & Daniel Jobim. Ali esse público vai encontrar um leque de sons e músicos jovens que ainda não conhece”, diz ela.

O nome do “bruxo” Hermeto Pascoal chegou a ser anunciado para o primeiro dia do festival, mas seu show foi cancelado porque ele terá que passar por uma intervenção cirúrgica. “Isso pegou a gente de surpresa. Não é fácil substituir um músico como o Hermeto, porque muita gente vai ao festival na expectativa de assistir ao show dele”, admite Thiago. A solução foi convidar Yamandu Costa, que estará de passagem pelo Brasil. O conceituado violonista gaúcho, que hoje vive em Portugal, terá a seu lado dois antigos parceiros: o baterista Edu Ribeiro e o próprio Thiago, no baixo.

O diretor do Jazz Weekend conta que o projeto do novo festival já existe há oito anos, mas ainda não tinha saído do papel por falta de patrocínio. “Em 2020 quase deu certo, mas aí veio a pandemia”, relembra Thiago. “São poucos os festivais que se arriscam a mexer com música instrumental”, comenta, observando que após o longevo Free Jazz Festival (realizado de 1985 a 2001), quase todos os eventos do gênero no Brasil se tornaram “abrangentes”. Em outras palavras, exageram nas doses de música pop e derivados.

Conforto para a plateia

Além da programação musical de alta qualidade, Thiago destaca também a estrutura do Jazz Weekend, criada para que a plateia se sinta confortável ao encarar a maratona de shows. “Eu não posso fazer um festival com 10 horas de duração e oferecer banheiros químicos. Então teremos uma estrutura com 98 cabines de banheiros de louça, com pia e espelho. Já na área de alimentação, mesas de piquenique vão permitir que as pessoas possam se sentar para comer”. 

Diferentemente de outros festivais com mais de um palco, o evento não vai programar shows simultâneos – livrando assim os frequentadores de serem obrigados a escolher entre um show ou outro. As apresentações no Palco Laércio de Freitas (homenagem ao pianista e compositor paulista, que morreu em julho) vão durar de 40 a 60 minutos.  

Texto publicado no caderno de cultura do jornal "Valor Econômico"

Programação        

Sábado (28/9)
Roda de Choro (às 11h10), Irmãos e Brothers (às 12h25), Carol Panesi (às 13h40), Henrique Mota (às 14h55), Amaro Freitas (às 16h10), Scott Kinsey Group (às 17h40), Yamandu Costa Trio (às 19h10) e Dianne Reeves (às 20h30).

Domingo (29/9)
Morgana Moreno e Marcelo Rosário (às 11h15), Dani e Débora Gurgel Big Band (às 12h30), Octeta (às 14h), Brazú Quintê (às 15h05), Salomão Soares e Guegué Medeiros (às 16h15), Shai Maestro Trio (às 19h), Seu Jorge e Daniel Jobim (às 20h30).   

Ingressos e horários

Abertura dos portões: dia 28, às 11h; dia 29, às 11h

Onde: Memorial da América Latina - Acesso para o público pelo Portão 2, na Rua Tagipuru.

Ingressos: R$ 85,00

Onde comprar: 
https://spjw.byinti.com/#/event/UtXz3Q4u0vYLlfI3Cvrw



       
   

eFestival: concurso festeja 20 anos revelando talentos do instrumental e da canção brasileira

|

                                                                                  A banda instrumental paulista Silibrina  

 Uma dica especial para instrumentistas e cantores ou mesmo estudantes de música de todo o território brasileiro: já estão abertas as inscrições para mais uma edição do eFestival. Pioneiro na utilização da internet, esse concurso musical vem desempenhando há duas décadas a necessária missão de revelar e apoiar talentos da música brasileira.

Assim como o cantor paulista Lula Barbosa ou o duo vocal mineiro Renato Motha e Patrícia Lobato, jovens instrumentistas de diversos estados do país, como o contrabaixista gaúcho Guto Wirtti, a violinista carioca Carol Panesi, o trompetista paulista Sidmar Vieira ou a banda Silibrina (liderada pelo tecladista pernambucano Gabriel Nóbrega) já brilharam como finalistas do eFestival.

Como em edições anteriores, a seleção dos finalistas será realizada por uma equipe de curadoria musical. Já os vencedores do concurso serão definidos por meio de votação popular. As inscrições podem ser feitas até 30 de junho, no site oficial do evento: www.efestival.com.br, onde os candidatos encontram informações detalhadas sobre o concurso, como o regulamento e um tutorial passo-a-passo para fazer sua inscrição.

Uma novidade desta edição é que o concurso será dividido em duas categorias musicais: Instrumental e Canção. Depois de escolher uma delas, os candidatos devem optar por uma entre três subcategorias: Público Geral, Profissionais da Saúde ou Corretores de Seguros.

A comissão curatorial vai escolher 10 finalistas em cada subcategoria – a lista será divulgada em 29 de julho. Durante o mês de agosto se dará a votação popular. Além de receber prêmios em dinheiro, os vencedores ganharão também o direito de dividir palcos com artistas de destaque na cena musical brasileira – obviamente, quando já não houver mais restrições à realização de shows.

Idealizado e produzido pela Dançar Marketing, o eFestival conta com patrocinadores e apoiadores como as empresas SulAmérica, Uninassau e Chilli Beans, além de parceria com o Ministério do Turismo, através da Secretaria Especial da Cultura, e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Pela primeira vez, vou ter o prazer de dividir a curadoria musical desse evento com o maestro, pianista e arranjador Ruriá Duprat – músico que admiro há décadas e que já exerceu essa função em edições anteriores do eFestival.

Neste ano em que a pandemia nos força mais uma vez a proteger nossa saúde e a de nossos familiares por meio do distanciamento social, o eFestival oferece aos músicos de talento a oportunidade de exibir suas composições e performances a um público mais amplo. E, graças à internet, de maneira segura.

Mais informações no site oficial do eFestival

Discos em 2020: mais 30 álbuns recomendados de música instrumental brasileira

|

O distanciamento social imposto pela pandemia não impediu que os instrumentistas brasileiros continuassem a produzir, mesmo obrigados a se afastarem dos palcos, com o fechamento dos clubes, bares, casas noturnas e teatros. Dezenas e dezenas de álbuns desse gênero foram gravados e lançados durante 2020, provando mais uma vez que nossa música instrumental vive uma fase de muita diversidade e refinamento sonoro.

Para quem não chegou a ler uma seleção de discos e outros projetos de essência instrumental que elaborei a convite do Sesc Pinheiros, em agosto de 2020, recomendo uma conferida no link ao final deste post. Todos os discos listados e comentados naquele texto também mereceriam figurar nesta lista – em outras palavras, as duas listas se completam.

Espero que estas sugestões ajudem você a conhecer novos músicos e a ampliar o repertório que vai frequentar suas audições musicais durante os ainda incertos meses que nos aguardam, enquanto a vacina não estiver disponível a todos. Para mim, uma das melhores atividades que podemos desfrutar durante um período de distanciamento social é ouvir música que desperte nossa sensibilidade. Aproveite!

Ana de Oliveira - “Dragão dos Olhos Amarelos” (Tratore). Radicada no Rio, a violinista paulistana já brilhou como solista em várias orquestras. Neste inusitado álbum de violino solo, ela demonstra inventividade e coragem, ao criar composições instantâneas inspiradas por memórias e vivências. Na lírica “Posso Chorar” (que Hermeto Pascoal dedicou a ela, nos anos 1980), Ana tem a seu lado o pianista André Mehmari.

André Juarez - “Azul” (Pôr do Som). “Choro Azul”, a faixa de abertura, já surpreende o ouvinte: a atmosfera relax de blues se transforma em um choro jazzístico, com citações da clássica “Rhapsody in Blue” (de Gershwin). Entre diversos encontros da música brasileira com o blues e o jazz, comandados pelo vibrafonista paulista, a versão de “Lamento Sertanejo” (de Dominguinhos e Gilberto Gil) soa especialmente inspirada.

Antonio Carlos Bigonha - “Saudades de Amanhã” (Tratore). Mineiro radicado em Brasília, o pianista e compositor é um discípulo assumido de Tom Jobim. Em seu quarto álbum, ele volta a contar com arranjos e o violão do mestre Dori Caymmi, além de dois craques do instrumental brasileiro: o baixista Jorge Helder e o baterista Jurim Moreira. Bigonha ainda se deu ao luxo de requisitar a Orquestra de Cordas de São Petersburgo.

Arismar do Espírito Santo - “Cataia: da Folha ao Chá” (Gramofone). Os fãs desse músico de muitos talentos sabem que o baixo elétrico tem lugar de destaque entre os diversos instrumentos dominados por ele. Por isso o que logo chama atenção, nestas gravações com os paranaenses Glauco Soler (baixo) e Mauro Martins (bateria), é o fato de o paulista Arismar se concentrar no piano e no violão, além dos descontraídos vocais.



Arthur Dutra & Jeff Gardner (Tratore). O percussionista carioca e o pianista nova-iorquino radicado no Rio celebram neste album a feliz parceria que desenvolvem há alguns anos. No repertório, composições próprias como a caribenha “Merengueto”, a balada “Olhos de Arco-Iris” ou a jazzística “Africa Beat”. Participações especiais do saxofonista Marcelo Martins e dos cantores Sergio Santos e Ilessi, entre outros.

Benjamim Taubkin e Adriano Adewale - “Alfabeto” (Núcleo Contemporâneo). Após o álbum que gravaram juntos no clube londrino Vortex, em 2013, o pianista e o percussionista, ambos paulistas, lançam registros extraídos da turnê que fizeram por dez cidades inglesas, no mesmo ano. As sete faixas foram compostas nos palcos, de modo espontâneo. Segundo Taubkin, a ideia é evitar o já conhecido, o lugar comum.

Daniel Murray - “Sombranágua: Septeto Autoral” (Totem Musicais). O septeto liderado pelo violonista carioca – com Luiz Amato (violino), Adriana Holtz (violoncelo), Sarah Hornsby (flauta), Gustavo Barbosa-Lima (clarinete), Pedro Gadellha (contrabaixo) e Caito Marcondes (percussão) – lembra um erudito conjunto de câmara, mas o que se ouve é um repertório autoral da melhor tradição de nossa música instrumental.

Daniel Pezim - “De Prima” (independente). Mineiro radicado em São Paulo, o contrabaixista e compositor formou um quarteto de feras da cena instrumental (com o guitarrista Djalma Lima, o saxofonista Vitor Alcântara e o baterista Cuca Teixeira), para a gravação de seu primeiro disco. Além de um jazzístico samba dedicado ao saudoso saxofonista Vinicius Dorin, Pezim exibe outras sete composições próprias.



Edson Natale - “Âmbar: Os Afluentes da Música” (Spin). Músicos de nosso primeiro time, como o clarinetista Nailor Proveta e o acordeonista Toninho Ferragutti, brilham no eclético elenco reunido pelo violonista e compositor paulista. Inspiradora, a música instrumental de Natale também recorre a palavras e vozes, como as de Ná Ozzetti e Vanessa Moreno, para abordar as contradições e angústias destes tempos difíceis.

Dom Angelo - “Mongiovi Trio” (Boa Vista). De essência jazzística, este álbum do guitarrista e produtor pernambucano é o terceiro desse gênero lançado por ele. Ao lado de Miguel Mendes (baixo elétrico) e Rostan Junior (bateria), Angelo mostra composições próprias, além de uma releitura instrumental da canção “Copo Vazio” (de Gilberto Gil). Participações do pianista Amaro Freitas e do cantautor Marcello Rangel.

Emiliano Castro - “7 Caminos” (Selo Sesc). Os cinco anos que o violonista paulistano passou na Espanha, estudando flamenco, também abriram seus ouvidos para a riqueza da música latino-americana com ritmos de matrizes africanas. Neste álbum autoral, tocando violão de sete cordas, ele exibe composições influenciadas pela linguagem do flamenco, além de uma releitura da canção “Atrás da Porta” (Chico Buarque).

Ghadyego Carraro - “Tribute” (independente). Gaúcho de Passo Fundo, o contrabaixista homenageia ídolos e mestres que o influenciaram, como Tom Jobim (“Wave”), Milton Nascimento (“Vera Cruz”) e Astor Piazzolla (“Oblivion”). Para as gravações contou com convidados de diversas regiões do país, como o baterista potiguar Di Stéffano, o gaitista paulista José Staneck e o violonista Alegre Corrêa, seu conterrâneo.



Gian Correa - “Gian Correa Big Band” (YB). Ao dizer que seu terceiro disco foi “100% composto de coração e de alma”, o violonista paulista não está dourando a pílula. Quem já o ouviu tocar choros em formações menores pode se deliciar agora com seu violão de sete cordas à frente de uma suingada big band. O frevo “Trançando as Pernas” e o samba “O Tema Tá Chegando” (com o acordeom de Mestrinho) soam irresistíveis.

Hamleto Stamato - “Autoral” (Tratore). Bem-acompanhado por craques da cena instrumental do Rio, como Marcelo Martins (sax tenor), Jessé Sadoc (trompete) e Vittor Santos (trombone), o pianista exibe um repertório autoral. Quem associa Stamato ao samba-jazz, pode se se surpreender com suas incursões por ritmos caribenhos ou com a lírica “Bodas”, uma bossa cujo arranjo inclui as cordas da St. Petersburg Studio Orchestra.

Louise Woolley - “Rascunhos” (Blaxtream). A pianista paulistana compôs os oito temas instrumentais deste álbum durante uma temporada na Europa, por encomenda do evento mineiro Savassi Festival. Os músicos que participam das gravações são talentosos como ela: Lívia Nestrovski (vocais), Jota P (sax tenor), Diego Garbin (trompete e flugel), Danilo Silva (violão), Bruno Migotto (contrabaixo) e Daniel de Paula (bateria).

Ludere - “Baden Inédito” (Tratore). Em seu quarto álbum, o brilhante quarteto – Phillippe Baden Powell (violão), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (baixo) e Daniel de Paula (bateria) – abriu o baú do grande Baden Powell (1937-2000). Além de sete temas inéditos, o repertório traz as canções “Vai Coração” (parceria com Pretinho da Serrinha) e “A Lua Não Me Deixa” (com Eduardo Brechó), nas vozes de Vanessa Moreno e Fabiana Cozza.



Marcio Hallack - “Desse Modo” (Kuarup). O pianista e compositor mineiro faz várias homenagens neste belo álbum, à frente de seu trio, que também destaca os excelentes Esdras “Neném” Ferreira (bateria) e Enéas Xavier (baixo). De um choro dedicado ao mestre Guinga (“Chorin”) a uma valsa-jazz composta em tributo ao grande maestro pernambucano Moacir Santos, Hallack reafirma seu privilegiado dom musical.

Mauro Senise - “Ilusão à Toa” (Biscoito Fino). Depois de dedicar discos a grandes expoentes da MPB, como Gilberto Gil, Dolores Duran e Edu Lobo, o experiente saxofonista carioca aborda a sofisticada obra de Johnny Alf – compositor e precursor da bossa nova. Ao reler 12 canções (preciosidades como “O Que É Amar”, “Olhos Negros” ou “Céu e Mar”), Senise valoriza-as ainda mais, utilizando diversas formações instrumentais.

Michel Pipoquinha e Pedro Martins - “Cumplicidade” (Tratore). Jovens revelações da música instrumental, o baixista cearense e o guitarrista brasiliense se conheceram na véspera do festejado show que fizeram em 2017, no Festival Choro Jazz, em Jericoacora (CE). Além de temas autorais, eles recriam composições de Hermeto Pascoal (“Azeitona”), Cartola (“Desfigurado”) e Toninho Horta (“Raul”), que também toca no álbum.

Orquestra do Estado de Mato Grosso - “Flores, Janelas e Quintais: Homenagem a Milton Nascimento” (Kuarup). Com regência do maestro Leandro Carvalho e arranjos do solista Vittor Santos (trombone), a orquestra mato-grossense revisita o cancioneiro do mestre do Clube da Esquina. No repertório, clássicos como “Cravo e Canela”, “Nos Bailes da Vida”, “Encontros e Despedidas”, “Canção da América” e “Ponta de Areia”.



Ozorio Trio - “Big Town” (Brasil Calling). Influências do blues rural, do folk e da nossa música caipira se misturam neste álbum, que nasceu com a mudança do violonista paulistano Marcelo Ozorio para um viveiro de plantas, no Paraná. Com participações do Quadril Quarteto de Cordas, as composições de Ozorio são entremeadas por divertidas vinhetas, como “Eguinha Quarto de Milha”, “Locomotiva” e “Phil, the Groove”.

Projeto B - “Live in Seattle” (independente). Em concerto registrado durante turnê pelos EUA, em 2012, o quinteto paulista mistura música erudita contemporânea com elementos da música instrumental brasileira e do jazz de vanguarda. No repertório, “A Sagração da Primavera” (de Igor Stravinky), “Choros nº 5” e “Prole do Bebê” (de Heitor Villa-Lobos), além de composições próprias, como “Labirinto” e “Tapete Mágico”.

Rafael Martini - “Vórtice” (Estúdio 304). O compositor e multi-instrumentista mineiro registrou, nestas gravações de 2016, seu trio com Pedro Santana (baixo) e Yuri Vellasco (bateria). A ideia é resgatar a ligação com o rock, que marcou sua formação inicial. Os criativos arranjos de “Rain Song” (da banda Led Zeppelin) e “Meditação” (Tom Jobim) ilustram bem o projeto, calcado em sons acústicos e sintetizados.

Rodrigo Bragança e Benjamim Taubkin - “Sobrevoo” (Núcleo Contemporâneo). O guitarrista mineiro radicado em São Paulo e o pianista paulistano demonstram grande afinidade musical, neste álbum com repertório autoral e assumidas influências jazzísticas. “Um disco para se escutar com calma”, sugere Taubkin, que homenageia em uma composição o pianista Lyle Mays (1953-2020). Paisagens musicais para ouvidos sensíveis. 

Rodrigo Nassif Trio - “Estrada Nova” (independente). Outro gaúcho de Passo Fundo radicado em Porto Alegre, o violonista e compositor comanda seu coeso trio, que também destaca Samuel Basso (baixo) e Leandro Schirmer (bateria), além de contar com vários convidados. Composições como “Brincando na Tempestade”, “Cheiro de Pão” e “Inverno no Cassino” trazem atmosferas particulares, como se fizessem parte de trilhas sonoras.

SaxBrasil - “10 Anos” (independente). O quarteto de saxofones da cidade de Sorocaba (SP) festeja sua primeira década de atividade, dedicada ao repertório brasileiro de música de câmara para essa formação. Além de interpretar quatro peças compostas especialmente para o grupo, relembra dois clássicos do repertório nacional para o saxofone: “Pau-Brasil” (de Liduíno Pitombeira) e “Mobile” (de Ronaldo Miranda).

Sidmar e Sidiel Vieira - “2Vieira - vol. 1” (independente). Talentosos irmãos que atuam na cena instrumental paulista, o baixista e o trompetista recriam em duo clássicos da música cristã, como “Minha Pequena Luz” (This Little Light of Me), que ouviam na casa dos pais. Recheados de influências do gospel e do jazz, os saborosos arranjos também são da dupla. (À venda só nos perfis de Sidmar e Sidiel no Facebook e no Instagram).

Sinfônica de Santo André + Hamilton de Holanda (Selo Sesc). Concerto gravado no Sesc Santo André (SP), em novembro de 2019, que marcou a estreia do “Concerto Brasileiro para Bandolim e Orquestra”, do bandolinista e compositor. O repertório mistura música clássica e popular, com destaque para a “Suíte Retratos” (de Radamés Gnattali), e a releitura da canção “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinícius de Moraes).  



Túlio Mourão - “Barraco Barroco” (Jazz Mineiro). Neste álbum que festeja seus 50 anos de carreira, o compositor e pianista recebe três expoentes da cena instrumental de Minas: Chico Amaral (sax tenor), Juarez Moreira (violão) e Toninho Horta (guitarra). No repertório, Túlio exibe lindas baladas de sua autoria, como “Jardim do Afeto” e “A Última Montanha”, além de três temas que revelam sua admiração pela música ibérica.

Vitor Arantes Quarteto - “Elo” (Umbilical). Vencedor do concurso Novos Talentos do Jazz, no Savassi Festival 2017 (MG), o pianista paulistano estreia em disco, ao lado de Matheus Mota (guitarra), Gabriel Borin (contrabaixo) e Jonatan Goes (bateria), com participação especial de Josué dos Santos (sax tenor). Além de três extensas faixas assinadas pelo líder, o álbum inclui uma releitura de “Bebê” (de Hermeto Pascoal).

Você encontra outros discos de música instrumental brasileira lançados em 2020, que eu também recomendo, neste link:

Música na pandemia: projetos instrumentais em tempos de isolamento


Savassi Festival: evento mineiro de música instrumental assume formato online

|

                            O instrumentista e regente Nivaldo Ornelas (à frente), no Savassi Festival, em 2015
                                   

Em tempo de pandemia e distanciamento social, um dos maiores festivais brasileiros dedicados à música instrumental e ao jazz opta neste ano por uma edição online e mais compacta. O Savassi Festival (de Belo Horizonte) vai oferecer durante cinco dias de programação – de 10 a 14 de novembro – shows, lançamentos de obras musicais inéditas, mesas-redondas, entrevistas e podcasts.

Entre os músicos escalados para shows estarão: o pianista Rafael Martini com a clarinetista Joana Queiroz (dia 13/11, às 20h); o Jamba Trio (Eneias Xavier, Neném e Irio Junior, 13/11, às 20h30), o Duo Mitre (14/11, às 20h); e o pianista DeAngelo Silva (14/11, às 20h30).

Uma novidade da 18.ª edição do Savassi Festival será o Congresso Pensar Música – projeto de perfil acadêmico, que foi organizado pelo professor e flautista Mauro Rodrigues (da Escola de Música da UFMG) e pelo educador e pianista Cliff Korman.

Revezando-se nas mesas-redondas e apresentações musicais, estarão Jovino Santos Neto, Manuel Falleiros, Rafael Pansica, Diogo Monzo, Rafael Martini e Rafael Gonçalves. Esse evento inclui também entrevistas com o saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas, com a flautista e compositora Léa Freire e Bruno Golgher, idealizador e diretor do Savassi Festival.

Gratuitos, todos os eventos serão transmitidos pelo canal do Savassi Festival no YouTube: https://www.youtube.com/savassifestivaljazz

A programação completa pode ser acompanhada pelo site do festival, neste link: www.savassifestival.com.br

Guinga: 70 anos do compositor e violonista serão festejados em lives gratuitas

|

                                                         Leila Pinheiro e Guinga / Foto de Renato Mangolin/Divulgação 

A estreia chegou a acontecer, em março, no palco do CCBB Rio de Janeiro, mas o projeto foi interrompido pela quarentena. Nada mais justo que a série de shows planejada para comemorar os 70 anos de Guinga – um dos grandes compositores da moderna canção brasileira, além de brilhante craque do violão – seja retomada, no formato de lives gratuitas. 

A série Guinga e as Vozes Femininas, que começa hoje (quinta, 8/10), às 20h, será composta por nove shows. Com seu inseparável violão, Guinga recebe em cada apresentação uma cantora e um instrumentista. O repertório, extraído da preciosa obra musical desse compositor carioca, também varia a cada noite.

Hoje, na nova estreia da série, Guinga recebe a cantora Leila Pinheiro e o violonista Marcus Tardelli. Na sequência, ele vai dividir o palco com: Cíntia Graton e Tardelli (15/10); Simone Guimarães e o violonista Jean Charnaux (22/10); Anna Paes e o clarinetista Pedro Paes (25/10); Bruna Moraes e Charneux (29/10); Ana Carolina e Charneux (1/11); Ilessi e Charneux (5/11); Luísa Lacerda e o saxofonista Zé Nogueira (8/11); e, novamente, Leila Pinheiro e Tardelli (12/11).

O projeto inclui também um ciclo de palestras ministradas pela cantora e violonista Anna Paes, que já pesquisa a obra do compositor há duas décadas. Serão três palestras: “Guinga e Paulo César Pinheiro” (em 24/10, às 20h); “Guinga, Memória, História e Identidade” (31/10) e “Viva Aldir! A parceria entre Guinga e Aldir Blanc” (7/11). Finalmente, o próprio Guinga oferece uma masterclass intitulada “A influência de Villa-Lobos e Tom Jobim na obra do compositor” (10/10, às 20h).

Para assistir: youtube.com/bancodobrasil

Duo + Dois: um quarteto que toca com alegria e toda a liberdade do jazz

|

                                 Carlos Malta (da esq. para dir.), Fernando Melo, Luiz Bueno e Robertinho Silva

Quando músicos consagrados decidem se lançar em uma nova parceria, é natural que as expectativas de seus admiradores aumentem. Em agosto de 2016, ao saber que os violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, do Duofel, iriam estrear um quarteto com o o saxofonista e flautista Carlos Malta e o percussionista Robertinho Silva, logo pensei no grande potencial criativo desse projeto. Como não esperar algo especial desses quatro instrumentistas de alto quilate, que há décadas transitam por diversas vertentes musicais?

Mesmo tendo a oportunidade de assistir a uma das primeiras apresentações desse quarteto (ainda em 2016), confesso que, passados dois anos, me surpreendi ao escutar este álbum. Eu não esperava encontrar no repertório tantos clássicos da música popular brasileira, em releituras que chamam atenção pelos inusitados tratamentos harmônicos e rítmicos, sem falar nos criativos improvisos do grupo.

Também fiquei impressionado pelo grau de coesão e empatia sonora que o quarteto revela nessas gravações. Mesmo que Malta e Silva tenham iniciado esse projeto como convidados do Duofel, basta ouvir qualquer faixa deste álbum para se perceber que hoje eles são parceiros ativos. Os quatro tocam como se já estivessem juntos há muitos anos.

Entre vários achados musicais fica difícil destacar uma ou outra gravação. É bem possível que, como eu, você se encante pela onírica releitura do “Canto de Yemanjá” (de Baden Powell e Vinícius de Moraes), não resista à suingada condução rítmica de “Água de Beber” (Tom Jobim e Vinícius), se emocione com a evanescente versão de “Cais” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) ou sorria ao ouvir a contagiante introdução e os improvisos do grupo em “Maracangalha” (Dorival Caymmi).

“Este projeto é marcante, em nossa história, porque trouxe algo que nunca tínhamos experimentado em quase 40 anos de carreira do Duofel: a liberdade do jazz, no sentido de se criar a música na hora ou de se transformar algo mais ou menos combinado. Essa foi umas das parcerias mais felizes que eu e Fernando já experimentamos”, comenta o violonista Luiz Bueno.

Depois de escutar este disco outras vezes, tenho certeza de que a alegria, a liberdade criativa e a fina musicalidade que o quarteto Duo + Dois transmite nestas gravações também vai contagiar muitos outros ouvintes.


Texto escrito a convite do Selo Sesc para o encarte do CD "Duo + Dois". O show de lançamento acontece na próxima segunda-feira (25/3), às 19h, no teatro do Sesc Consolação, pelo projeto Instrumental Sesc Brasil. Mais informações em:  www.sescsp.org.br/programacao/181792_DUO+DOIS#/content=saiba-mais





Amaro Freitas: o jazz brasileiro do pianista que já conquistou plateias na Europa

|


Para quem ainda não o conhecia, deve ter soado muito excitante e surpreendente a apresentação do trio do pianista Amaro Freitas, ontem (11/01), no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo. Até mesmo para aqueles que se tornaram fãs imediatos desse inventivo músico e compositor pernambucano, ao ouvi-lo em sua primeira aparição na capital paulista, em agosto de 2017 (aliás, no mesmo palco, como atração do festival Jazz na Fábrica), não faltaram surpresas nesse show.

Amaro chegou há pouco de sua primeira turnê pela Europa, finalizada em novembro com duas apresentações no lendário clube de jazz londrino Ronnie Scott’s. Os programas dessas noites já sugeriam que seu prestígio está em franca ascensão na cena mundial. Em ambas o brasileiro dividiu a noite com um grande pianista do jazz: o italiano Stefano Bollani e o cubano Chucho Valdés.

Acompanhado por Jean Elton (contrabaixo) e Hugo Medeiros (bateria), craques de seu trio com o qual toca desde 2015, Amaro está divulgando seu segundo álbum – lançado em CD e vinil pelo selo independente britânico Far Out, ainda sem edição brasileira anunciada. “Rasif” (cujo título remete à palavra árabe que deu origem ao nome de Recife, cidade natal de Amaro) é o sucessor do belo “Sangue Negro” (2016), álbum de estreia que o transformou em grande revelação do jazz.

Amaro abriu o show de ontem, sozinho, ao piano, tocando “Dona Eni”, um alucinado baião de sua autoria com inusitada divisão rítmica. “O baião é marcado em dois, mas eu dividi em oito e tirei uma perninha para ficar em sete”, explicou o compositor, sorrindo. Emendou com a percussiva “Trupé”, composição inspirada no coco ritmado por tamancos de madeira do tradicional grupo Samba de Coco Raízes de Arcoverde, da Zona da Mata pernambucana.

Em algumas músicas do show -- como no frevo “Paço”, cheio de mudanças rítmicas -- o telepático trio de Amaro contou também com a flauta e o sax barítono do talentoso convidado Henrique Albino. Já no jazzístico frevo “Encruzilhada” (do álbum “Sangue Negro”), introduzido com um toque de ironia como “o nosso hit”, o pianista se diverte, citando trechos de temas de Thelonious Monk e Billy Strayhorn durante seus improvisos.

Nesse show de quase duas horas de duração, Amaro e seus parceiros provaram que estão prontos para contagiar plateias de festivais e clubes de jazz de qualquer lugar do mundo. “Essa interação entre músicos e plateia é maravilhosa. Nem vou conseguiu dormir hoje à noite”, agradeceu o pianista, ainda emocionado.

Para alguns que estavam na plateia, como eu, além do prazer de ter ouvido um músico tão original e com um potencial criativo imenso, ficou também uma sensação de orgulho. Em meio à mediocridade reinante, a inovadora música de Amaro Freitas faz pensar que, ao menos no campo cultural, o Brasil ainda tem muito o que o exibir aos olhos e ouvidos do mundo, sem correr o risco de dar mais vexames.













4.º POA Jazz Festival: sax catártico de Rudresh Mahanthappa brilha na primeira noite

|

                                                                             O saxofonista Rudresh Mahanthappa

Não é comum se ver, em um festival de jazz, um grupo musical ser recebido aos gritos por uma plateia que, com poucas exceções, mal o conhecia. Foi assim que começou a espetacular apresentação do trio Indo-Pak Coalition, que encerrou a primeira noite do POA Jazz Festival, ontem, no Centro de Eventos BarraShoppingSul, em Porto Alegre (RS).

Liderado pelo energético saxofonista Rudresh Mahanthappa, musico de origem indiana radicado nos Estados Unidos, o trio destaca outros instrumentistas de alto calibre sonoro: o guitarrista paquistanês Rez Abbasi e o baterista norte-americano Dan Weiss, que também brilha ao percutir sua tabla.

O trio excitou e hipnotizou a plateia com composições de Mahanthappa, como a encantatória “Snap” e a meditativa “Showcase”, entre outras. Em alguns momentos, em meio a solos frenéticos que pareciam leva-lo ao transe, as pupilas do saxofonista quase desapareciam, evidenciando o caráter catártico dessa música.

Bastante aplaudido também foi o trio vocal argentino Bourbon Sweethearts. Mel Muñiz (violão e ukelele), Cecilia Bosso (baixo acústico) e Agustina Ferro (trombone) conquistaram a plateia tocando e cantando composições próprias, além de alguns clássicos da canção norte-americana, como “I Cried for You” (Billie Holiday) e “Swing It, Sister” (Mills Brothers), em arranjos que remetem ao estilo de grupos vocais dos anos 1930 e 1940.

O eclético programa da primeira noite do POA Jazz Festival começou com a apresentação do jovem quarteto local Marmota Jazz, formado por André Mendonça (baixo acústico), Pedro Moser (guitarra), Leonardo Bittencourt (piano) e Bruno Braga (bateria). Além de composições próprias, inspiradas em obras de jazzistas contemporâneos (como Aaron Parks ou Shai Maestro), o quarteto também tocou standards como “The Man I Love” (George & Ira Gershwin) e “My Funny Valentine” (Rodgers & Hart), com destaque para a participação de Pedro Veríssimo, nos vocais.

Nos intervalos entre um show e outro, a POA Jazz Band (com formação semelhante às bandas de rua norte-americanas do início do século 20), mantém a animação da plateia, lembrando dançantes clássicos do jazz tradicional. Difícil imaginar uma noite mais variada e bem-sucedida para a abertura do 4.o POA Jazz Festival.


(Cobertura realizada a convite da produção do festival)


Dom Salvador: pianista radicado em Nova York vai festejar seus 80 anos em São Paulo

|


Quando desembarcou nos Estados Unidos, em 1973, o pianista Dom Salvador tinha planejado passar um mês de férias, na casa de uma sobrinha, em Nova York. Reconhecido nos meios musicais da época como um dos expoentes do samba-jazz e experiente músico de estúdio, ele teve enfim a oportunidade de frequentar pela primeira vez os clubes de jazz daquela metrópole. Queria se aprofundar mais no gênero musical que tanto admirava.

Salvador nem imaginava que se tornaria morador de Nova York, onde passou a maior parte de sua vida. Uma parceria com o saxofonista Charlie Rouse (ex-parceiro do genial pianista Thelonious Monk) marcou o início da série de gravações e apresentações que o brasileiro veio a fazer com outros craques do jazz, como Ron Carter, Eddie Gómez e Herbie Mann. Já o convite para assumir a função de diretor musical do cantor e ator Harry Belafonte, em 1977, rendeu a Salvador o visto de permanência nos Estados Unidos.

Assim, passou 30 anos sem se apresentar em palcos brasileiros. Em 2003, quando o Chivas Jazz Festival decidiu homenageá-lo, entusiasmadas plateias de São Paulo e Rio deixaram claro que não queriam mais passar tanto tempo sem ouvir o original samba-jazz e a música instrumental brasileira de Salvador.

“Foram duas noites inesquecíveis. Como eu estava distante do país há muito tempo, já nem esperava encontrar tanta gente interessada em minha música”, relembra o pianista, que desde então voltou a tocar e a gravar no Brasil com alguma frequência. Mais sorte têm os nova-iorquinos, que podem ouvi-lo cinco vezes por semana, há mais de 40 anos, no River Café – sofisticado restaurante às margens do East River.

Às vésperas de completar 80 anos, ele vai festejar essa data especial (12/9) no Brasil. Durante o mês de agosto fará apresentações no Festival Sesc Jazz (dias 25 e 26/9, no Sesc Pompeia, na capital paulista; e dias 22 e 24/8, respectivamente, nas unidades de Birigui e Piracicaba, no interior de São Paulo). Ao lado de Salvador estarão Daniel D’Alcântara (trompete), Jorginho Neto (trombone), Rodrigo Ursaia (sax e flauta), Sérgio Barrozo (contrabaixo) e Mauricio Zottarelli (bateria).

Ele abre um sorriso ao falar sobre o recente lançamento do álbum “Duduka da Fonseca Trio Plays Dom Salvador” (selo Sunnyside), com 11 de suas composições no repertório. Baterista e seu antigo parceiro que também vive em Nova York, Fonseca revisita nesse disco clássicos da obra de Salvador, como a balada “Mariá” ou os sambas “Tematrio” e “Meu Fraco é Café Forte”, ao lado do pianista David Feldman e do contrabaixista Guto Wirtti.   


“Eu me sinto orgulhoso por Duduka ter realizado esse projeto. Ele conhece todas as nuances de minhas músicas e, de certo modo, me tirou do ostracismo em matéria de composição”, comenta Salvador, que calcula ter mais de 300 composições próprias na gaveta. “Sempre compus bastante, mas nunca insisti nisso”, admite, com humildade.

Salvador também elogia o talento do pianista David Feldman, com o qual já gravou um álbum, ainda inédito, com duos de pianos. “David é um músico excelente. Ele foi muito cuidadoso durante essas gravações com o trio do Duduka. Ligava para mim quando tinha dúvidas nas partituras, até enriqueceu algumas de minhas composições. Fiquei muito feliz ao ouvir esse disco”.   


Outra gravação que estará disponível em breve, liderada pelo próprio Salvador, registra a apresentação que ele fez em novembro de 2015, no Zankel Hall, salão de recitais do Carnegie Hall, em Nova York. Trata-se de um concerto comemorativo dos 50 anos do Rio 65 Trio, cultuado grupo liderado por Salvador, que deixou apenas dois álbuns gravados.   

Na resenha desse concerto, publicada pelo “The New York Times”, o crítico Ben Ratliff apontou a “boa forma” de Salvador, além de sintetizar com precisão seu original estilo ao piano: “samba na mão esquerda e fraseado de jazz na mão direita”. Ao lado do pianista estavam o contrabaixista Sergio Barrozo, integrante da formação original do Rio 65 Trio, e Duduka da Fonseca, que assumiu o lugar de Édison Machado (1934-1990), sua grande fonte de inspiração à bateria.  

Apesar da costumeira modéstia, Salvador tem consciência de que seu estilo ao piano é praticamente uma assinatura. Lembra-se da reação do antigo parceiro Sergio Barrozo, quando gravaram o álbum “Dom Salvador Trio” (Biscoito Fino, 2007), seu primeiro disco produzido e lançado no Brasil depois de 35 anos. “Logo no primeiro ensaio, o Sergio me disse que já tinha se esquecido de que ninguém toca samba como eu toco”, conta, rindo.

Nada mais natural para um paulista nascido na interiorana cidade de Rio Claro, que se tornou conhecido nas mais badaladas boates paulistanas, ainda no início dos anos 1960. Já vivendo no Rio, em 1964, não demorou a chamar atenção nas “jam sessions” e nos shows do Beco das Garrafas, reduto da bossa nova, onde tocou ao lado de Jorge Ben e Elis Regina, entre outros.

Os fãs mais jovens de Salvador também valorizam o pioneirismo de seu grupo Abolição, marco na história da black music produzida no Brasil. Por sugestão do produtor Hélcio Milito (baterista do lendário Tamba Trio), ele criou em 1970 um grupo formado exclusivamente por músicos negros, para participar do Festival Internacional da Canção. As roupas africanas e os pés descalços dos integrantes do grupo causaram impacto, numa época em que o movimento “black power” chamava atenção, nos Estados Unidos.

“Em entrevistas, chegavam a nos perguntar se o nosso grupo tinha alguma tendência racista. Hoje eu tenho uma certa vergonha por ter chamado o grupo de Abolição, mas naquela época esse termo parecia fazer sentido”, comenta Salvador, reconhecendo uma certa ingenuidade na maneira como a questão racial ainda era abordada no país, na década de 1970.

Já em relação ao aspecto mais musical do Abolição, vale notar que Salvador aderiu às influências da black music que estavam em voga na época, mas não abriu mão de suas raízes. No repertório do único álbum do grupo, “Som, Sangue e Raça” (CBS, 1971), ao lado do emergente samba-soul (que mais tarde veio a inspirar a criação da Banda Black Rio) também havia pitadas de baião e choro.  

Embora ressalte que, mesmo na fase do Abolição, jamais se envolveu diretamente com política ou alguma forma de ativismo, Salvador se mostra preocupado ao ver no noticiário manifestações pela volta do regime militar no Brasil. “Essas pessoas que estão pedindo a volta dos militares ao poder não sabem o que realmente se passou no país durante aquela época. Ver que isso está acontecendo hoje no Brasil provoca até arrepios”, comenta.


(Texto para o caderno de cultura do jornal "Valor", publicado em 6/7/2018)







Duofel: violonistas festejam 40 anos de carreira com convidados especiais

|

                                                         Fernando Melo e Luiz Bueno, do Duofel - Foto: Gal Oppido 

São poucos os grupos musicais que conseguem se manter ativos durante 40 anos. Mais raros ainda são aqueles, como o Duofel, que construíram sólidas obras musicais, calcadas em gravações relevantes e projetos criativos. Desde 1978, quando decidiram formar esse duo de violões, os autodidatas Fernando Melo e Luiz Bueno jamais abriram mão de fazer música instrumental com personalidade própria. 

“Não temos preconceitos musicais. A gente gosta de experimentar todos os tipos de música”, observa o paulista Bueno, que conheceu o alagoano Melo em 1976, quando tocavam guitarra e baixo, respectivamente, na banda de rock progressivo Boissucanga. A seriedade da dupla já se mostrava em seu projeto inicial: para se aprofundarem nos meandros da rítmica brasileira, os dois viajaram meses pelo interior de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, pesquisando manifestações folclóricas e ritmos musicais, como o maracatu, o baião e a embolada.

Na década de 1980, a produtiva parceria de sete anos com a cantora Tetê Espíndola deflagrou uma extensa série de encontros que o Duofel tem realizado com instrumentistas e cantores de diversos gêneros musicais: do vanguardista compositor e pianista paranaense Arrigo Barnabé ao percussionista paulista João Parahyba (presente em “As Cores do Brasil”, o primeiro álbum da dupla, gravado em 1990, na Alemanha); do percussionista indiano Badal Roy ao genial multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, que praticamente adotou o duo, em 1993.

“Hermeto é nosso padrinho. A convivência com ele abriu nossos horizontes musicais”, comenta Melo. Graças aos inventivos arranjos que o “bruxo” de Lagoa da Canoa idealizou para “Kids of Brazil” (álbum que o Duofel gravou nos EUA, em 1996), o interesse da dupla em pesquisar novas sonoridades e diferentes afinações para seus violões cresceu mais ainda.

A maior conquista do Duofel durante essa trajetória de quatro décadas, na opinião de Bueno, foi se dar o direito de abordar qualquer gênero musical, sempre adotando uma linguagem própria. Não foi à toa que, para gravar “Duofel Plays The Beatles” (2009), o disco mais popular lançado até hoje pelo duo, ele e Melo esperaram mais de uma década até imprimir a assinatura musical da dupla nesse projeto de releituras de sucessos do quarteto britânico.

“Só quando sentimos que a gente já poderia se divertir tocando Beatles, nós gravamos o disco”, diz Bueno. Essa “diversão” se apoiou em um método intuitivo de harmonização e arranjo, que ele e o parceiro desenvolveram com o tempo. “Geralmente, os caras que fazem arranjos usam toda a estrutura harmônica da música e traçam um caminho. A gente faz o contrário: lembramos da música e já saímos criando. Gostamos de partir da criatividade, harmonizando a música sem ficarmos presos ao original”, observa Melo.

Hoje, somando mais 150 composições editadas, sete trilhas sonoras, treze álbuns e três DVDs, o Duofel comemora 40 anos de carreira musical, num ambiente em que sempre se sentiu muito à vontade: tocando ao vivo. E como costuma fazer há décadas em seus projetos, não dispensa a companhia inspiradora e criativa de antigos e novos parceiros.

Finalmente, aquela pergunta inevitável: como o próprio Duofel explicaria essa longevidade tão incomum no cenário musical, em meio a tantos artistas e bandas descartáveis? “Nosso envolvimento com a música é muito intenso, até um pouco insano, em relação à vontade de que ela esteja sempre ‘up to date’, seja com instrumentos, sonoridades, experimentações ou repertórios. Nosso grande barato é fazer esse som que só o Fernando e eu sabemos fazer juntos”, conclui Bueno. Sorte dos fãs de diversas gerações do Duofel, que desfrutam essa brilhante parceria musical há quatro décadas.


DUOFEL 40 ANOS

Show no Sesc 24 de Maio (r. 24 de Maio, 109, região central de São Paulo/SP). 
Dia 10/3 (sábado), às 21h; dia 11/3 (domingo), às 20h.
Convidados: Hermeto Pascoal, Carlos Malta, Robertinho Silva, Benjamim Taubkin e Dani Black (no dia 10/3); Hermeto Pascoal, Arismar do Espírito Santo, Simone Soul e Raul Misturada (no dia 11/3).
Ingressos à venda no site do Sesc SP: www.sescsp.org.br  








Festivais em 2018: roteiro de eventos de jazz, música instrumental e blues pelo Brasil

|


Aqui você encontra um roteiro com as atrações musicais dos principais festivais brasileiros já anunciados para 2018. É atualizado regularmente para que os fãs do jazz, da música instrumental brasileira, da bossa nova, do choro, do blues, do soul e da black music possam se programar com antecedência.    


                                                     Gary Brown, atração do Bourbon Street Fest


Brasil Guitarras
Quando e onde: 8/12/2018, no Parque da Juventude (São Paulo/SP) 
Atrações: Armandinho Macedo, Faiska, Nuno Mindelis, Edgard Scandurra, Robertinho do Recife, Andreas Kisser, Edu Ardanuy, Frank Solari, Luiz Carlini e Marcelo Barbosa

15.º Bourbon Street Fest
Quando e onde: de 14 a 16/12/2018, em São Paulo (SP)
Atrações: Nu Beginnings, Gary Brown, Orleans Street Jazz Band e DJ Crizz
www.facebook.com/bourbonstreetfest/

3.º Curitiba Jazz Festival 
Quando e onde: 15 e 16/12/2018, em Curitiba (PR)
Atrações: Raul de Souza, Leny Andrade, Guinga, Carlos Dafé, MUV, Coração Brasileiro, Grana Louise, Ensax Orquestra, Bananeira Brass Band, Denis Mariano e outras
www.facebook.com/curitibajazzfestival/

Fest Bossa & Jazz 
Quando e onde: de 13 a 16/12/2018, em Praia da Pipa (Natal, RN)
Atrações: Blues Etílicos, Taryn Szpilman, Di Steffano Quarteto, Duo Maresia, Los Chaskys, Bruna Hetzel e Macaxeira Jazz, Moby Dick e outras 






























Festivais realizados em 2018:


1.º Cunha Fest
Quando e onde: de 25 a 28/1/2018, em Cunha (SP)
Atrações: Serial Funkers convida Ed Motta, Big Time Orchestra convida Tiago Abravanel, Folk It All convida Leo Mancini, Trouble Doll convida Heloá Holanda, Fernando Rios - "Viva Tim e Ben", Vasco Faé, Orleans Street Jazz Band 
www.cunha.sp.gov.br


3.º Gravatá Jazz Festival
Quando e onde: de 10 a 13/02/2018, em Gravatá (PE)
Atrações: Earl Thomas & Just Groove com Igor Prado, Amaro Freitas Trio, Victor Biglione & Alma Thomas, Blues Etílicos, Uptown Blues Band, Blues Explosion (Gustavo Andrade e Jefferson Gonçalves), Quinteto Violado e outras 
www.facebook.com/gravatajazzfestival

19.º Festival Jazz & Blues 
Quando e onde: de 10 a 13/2/2018, em Guaramiranga (CE); 15 e 16/2/2018, em Fortaleza (CE)

Atrações: Dori Caymmi, Juarez Moreira, Arismar do Espírito Santo, Filó Machado, Adriano Grineberg, Gustavo Andrade e Jefferson Gonçalves, Filipe Catto, Waldonys com Big Band Unifor, Duo Estro Cuba, Davi Duarte, Nilton Fiore, André de Sousa, Gustavo Cocentino, Roberto Lessa, Rodrigo Morcego, Trio Guará, Netinho de Sá, Robertinho Marçal, Lu D'Sosa, Rebeca Cãmara, Natanael Pereira, Igor Ribeiro, Marilia Lima, Rafael Barbosa, Divas do Blues e outras
www.jazzeblues.com.br

8.º Nublu Jazz Festival
Quando e onde: de 15 a 17/03/2018, no Sesc Pompeia (São Paulo, SP) e no Sesc São José dos Campos (SP)
Atrações:  Neneh Cherry, Morcheeba, Seun Kuti & Egypt 80, Shabaka Hutchings, Ilhan Ersahin, Kenny Wollesen, Dave Harrington, Bebel Gilberto, G T'Aime e outras. 
nublujazzfestival.com/

Jazz & Blues Festival
Quando e onde: 29/3/2018, como parte da programação do evento Caruaru por Paixão, em Caruaru (PE) 
Atrações: Uptown Blues Band, George Israel, Allycats Band e Joanathan Richard

2º Festival Ilhabela Bossa & Choro
Quando e onde: de 6 a 8/4/2018, em Ilhabela (SP) 
Atrações: Wanda Sá com César Camargo Mariano, Paula & Jaques Morelenbaum, Toninho Horta & Alaíde Costa, BossaCucaNova com Roberto Menescal, Gian Correa Quinteto, Viva Tim & Ben e outras 
www.facebook.com/ilhabelabossaechoro/

5.° RioMar Jazz Fest
Quando e onde: de 27 a 30/4/2018, em Recife (PE)
Atrações: Kenny Brown, Victor Biglione & Alma Thomas, Amaro Freitas, Jesuton, Carlos Bala, Alexandre Cunha, Ramon Montagner, Uptown Blues Band, George Israel e Tambora 3
riomarrecife.com.br/arquivos/hotsites/jazzfestival/page/perfil.php

Tabuleiro Jazz Festival
Quando e onde: de 27 a 30/4/2018, em Conceição do Mato Dentro (MG)
Atrações: Toninho Horta, Paul McCandless, Paul Hanson, Stephan Kurmann, Michael Eckroth, Joyce Moreno, Carlos Malta, Magno Alexandre, Enéias Xavier, Marcio Bahia e Lincoln Cheib, Caxi Rajão Trio, Estevam Rupestre, Felipe Gaeta, Deco Lima e outros
www.tabuleirojazzfestival.com.br

3.º Só Vibras

Quando e onde: de 3 a 6/5/2018, na Unibes Cultural, em São Paulo (SP)
Atrações: André Juarez, Percussivo USP, Beto Caldas, Ricardo Valverde, Aquim Sacramento, Beto Montag, Trio Retrato Brasileiro e Grupo PIAP
www.facebook.com/events/679694228821688/ 



4.º Buena Vista Jazz & Blues 
Quando e onde: 5/5/2018, em Sete Lagoas (MG)
Atrações: Bauxita e Blueswing
www.sympla.com.br/buena-vista-jazz--blues-festival---4-edicao__262523


 10.º Bourbon Festival Paraty
Quando e onde: de 25 a 27/05/2018, em Paraty (RJ)
Atrações: César Camargo Mariano & Madison McFerrin, Stanley Jordan Trio, Gary Brown, Vanessa Collier & Fred Sunwalk, Nuno Mindelis, Banda Black Rio, Rubem Farias convida Live Foyn Friis, Taryn Szpilman, Blackalbino, Tony Tornado, Ed Motta e outras 
www.bourbonfestivalparaty.com.br  

4º Festival BB Seguros de Blues e Jazz
Quando e onde: 26/05/2018, em Curitiba (PR)
Atrações: Hermeto Pascoal, Stanley Jordan & Dudu Lima, Pepeu Gomes, Nuno Mindelis, O Bando e outras a serem anunciadas
business.facebook.com/festivalbbseguros/


7.º Santa Jazz
Quando e onde: de 25 a 27/5 e de 31/5 a 2/6/2018, em Santa Teresa (ES)
Atrações: João Donato, Stanley Jordan, Amaro Freitas, Arthur Maia, Tulio Mourão & Celio Balona, Leon Beal & Igor Prado, Marvio Ciribelli, J.J. Jackson, Delicatessen Jazz, Rosa Maria Colin, Massimo Valentini, Adriano Grineberg, Nelson Faria, Gabriel Grossi, Carlos Malta e outros 
www.santajazz.com.br 


15.º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 
Quando e onde: de 15 a 17/6/2018, em Rio das Ostras (RJ)
Atrações: Stanley Jordan e Armandinho, Amaro Freitas, Banda Black Rio, Marlon Sette, Rosa Marya Colin e Jefferson Gonçalves, Azymuth & DJ Nuts, Igor Prado & Just Groove, Fred Sun Walk & The Dog Brothers, Big Gilson e outras a serem confirmadas
www.riodasostrasjazzeblues.com/joomla/

4.º Ilhabela Folk & Blues
Quando e onde: de 29/6 a 1º/07/2018, em Ilhabela (SP)
Atrações: Anthony King's Band, Tony Lindsay, Zeca Baleiro Folk & Blues, Tributo a B.B. King com Nuno Mindelis, Victor Biglione & Tuco Marcondes, Izzy Gordon, Marcelo Jeneci e outras
www.folkbluesilhabela.com.br/ 


7.º Santos Jazz Festival
Quando e onde: de 26 a 29/07/2018, em Santos (SP)
Atrações: Toninho Horta, Duofel, Carlos Malta, Robertinho Silva, Filipe Catto & Adriano Grinenberg, Orquestra Mundana Refugi, Izzy Gordon, Afrojazz, Jesuton, DJ Negralha, B-Negão  
                                             
4.º Festival BB Seguros de Blues e Jazz
Quando e onde: 28/7, no Parque Villa-Lobos (São Paulo, SP), 4/08 (Brasilia, DF), 17/11 (Recife, PE) e 24/11/2018 (Porto Alegre, RS)
Atrações: Al DiMeola, Lil Jimmy Reed, Pepeu Gomes, Leo Gandelman, O Bando, Ladies  Instrumental Band e BB Seguros Jazz Band   

3.º Loucomotiva Blues & Jazz Festival
Quando e onde: de 2 a 4/08/2018, em Barbacena (MG)
Atrações: Lil' Jimmy Reed, Blues Etílicos, Ed Motta, Sideral Tropical Blues, Rodrigo Nézio e Refinaria

16.º Savassi Festival
Quando e onde: de 3 a 12/08/2018, em Belo Horizonte (MG)
Atrações: Yotam Silberstein, Hadar Noiberg, Nik Paython, Shira Ouziel, Louise Woolley, Juarez Moreira, Frederico Heliodoro, Tulio Araujo, Choro Amoroso, Felipe Vilas Boas e MG Big Band, Carolina Serdeira, Malvina Lacerda, Alexandre Gismonti, Salomão Soares, Combo 5 Por 5, The Otis Trio e outras a serem anunciadas

1.º Sesc Jazz
Quando e onde: de 14/08 a 2/09/2018, em São Paulo, Araraquara, Birigui, Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Ribeirão Preto e Sorocaba (SP)
Atrações: James 'Blood' Ulmer & Memphis Blood Blues Band (com Vernon Reid), Archie Shepp & Ritual Trio, Buika, Vijay Iyer Sextet, Charles Tolliver, Henry Threadgill's Zooid, Omar Sosa Quarteto Afro-Cubano, Renee Rosnes, Dom Salvador Sexteto, Jason Lindner, Melissa Aldana & Crash Trio, Stefano Bollani, Dorival (com Tutty Moreno, Rodolfo Stroeter, Nailor Proveta e André Mehmari), Fred Frith Trio, Susana Santos Silva, Jupiter & Okwess, Isfar Sarabski & Trio Shahriyar, Mike Moreno e Guilherme Monteiro, Time Is a Blind Guide (com Thomas Stronen), Itiberê Zwarg & Grupo, Iconili, Salomão Soares Trio e Lourenço Rebetez 
www.sescsp.org.br/programacao/161482_SESC+JAZZ+2018#/content=programacao


8.º Fest Bossa Jazz
Quando e onde: 14 e 15/9/2018, em Mossoró (RN)
Atrações: Igor Prado & Just Groove, Sesi Big Band Convida Roberta Sá, Taryn Donath Trio, Alan Jones, Monxoró Brass
www.festbossajazz.com.br/ 

4.º Buena Vista Jazz & Blues Festival
Quando e onde: 15/09/2018, em Sete Lagoas (MG)
Atrações: Duo Groove, Dama-Triz e Blueswing

www.sympla.com.br/buena-vista-jazz--blues-festival---sete-lagoas__343321  


3.º Sampa Jazz Fest  
Quando e onde: de 20 a 22/09/2018, em São Paulo (SP)
Atrações: Richard Bona, Hermeto Pascoal Big Band, Bixiga 70, Meretrio, Dani Gurgel Quinteto, Meretrio, Carol Panesi, Esdras Nogueira
www.sampajazzfest.com.br/

6.º Ilhabela in Jazz

Quando e onde: 28 e 29/09 e 5 e 6/10/2018, em Ilhabela (SP)
Atrações: Ambrose Akinmusire, Paolo Fresu & Chano Dominguez, Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Tributo a Victor Assis Brasil (com Nelson Ayres), Bixiga 70, Vintena Brasileira, Renato Borghetti, Gabriel Grossi, Fabio Gouvea, Cleber Almeida, Fábio Peron e outras a serem anunciadas  
www.ilhabela.com.br/events/ilhabela-in-jazz-2018-o-festival-de-jazz-de-ilhabela/

4.º POA Jazz Festival

Quando e onde: de 9 a 11/11/2018, em Porto Alegre (RS)
Atrações: Rudresh Mahanthappa, Bourbon Sweethearts, Mariano Loiácono Quinteto, Gilson Peranzzetta Trio, Maurício Einhorn com Nelson Farias e Guto Wirtti, Edu Ribeiro Quinteto, Vitor Arantes Quarteto, Instrumental Picumã, Marmota Jazz e POA Jazz Band. 
www.facebook.com/portoalegrejazzfestival

4.º Festival BB Seguros de Blues e Jazz
Quando e onde: 17/11/2018, em Recife (PE); 24/11/2018, em Porto Alegre (RS)
Atrações: a serem divulgadas  
www.facebook.com/festivalbbseguros/

 

©2009 Música de Alma Negra | Template Blue by TNB