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Quatuor Ébène: quarteto de cordas francês se une a dois 'brasilianistas'

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Nos meios da música clássica, um projeto como este é chamado de “crossover”, por misturar repertório e intérpretes originários de diferentes gêneros musicais. Em seu álbum “Brazil” (lançamento Erato/Warner), o talentoso quarteto de cordas francês Quatuor Ébène se une a dois “brasilianistas”: a cantora e jazzista norte-americana Stacey Kent e o cantor e compositor francês Bernard Lavilliers. 

Para quem já aprecia as incursões da doce Stacey pela música brasileira, as versões de “Águas de Março” (Tom Jobim) e “So Nice” (“Samba de Verão”, de Paulo Sérgio e Marcos Valle, que participa dos vocais) podem soar um pouco “déjà-vu”. Não à toa, as faixas do álbum que mais chamam atenção são instrumentais: a bela “Ana Maria” (do jazzista Wayne Shorter), o baião “Bebê” (Hermeto Pascoal) e o dramático “Libertango” (Astor Piazzola), cujas releituras confirmam a inventividade do quarteto. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 29/09/2014) 

Melhores de 2011: críticos elegem seus álbuns favoritos em enquete do "Valor Econômico"

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Atendendo a um convite do jornal “Valor Econômico”, com o qual tenho colaborado durante a última década, participei de uma enquete para eleger os melhores discos de 2011. Para essa votação também contribuíram os jornalistas e críticos João Marcos Coelho, Luciano Buarque de Hollanda, Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello.

Quem atua na área musical sabe que essa é uma das tarefas mais difíceis, discutíveis até, nesse ramo. Como justificar que um trabalho artístico nos parece melhor do que outro, sem sermos parciais ou mesmo injustos? Até que ponto nosso gosto pessoal pesa decisivamente nessa decisão?

O fato é que aceitei indicar cinco CDs nacionais e cinco internacionais de qualquer gênero, lançados em 2011. O resultado da enquete está no no site do “Valor Econômico”. Estes foram os 10 álbuns que eu selecionei, em ordem alfabética:
                           


ÁLBUNS NACIONAIS 
Alma Lírica Brasileira - Mônica Salmaso (Biscoito Fino)
Indivisível - Zé Miguel Wisnik (Circus)
Liebe Paradiso - Celso Fonseca e Ronaldo Bastos (Dubas)
Recanto - Gal Costa (Universal)
Vento em Madeira - Quinteto Vento em Madeira (Maritaca)


ÁLBUNS INTERNACIONAIS
Dreamer in Concert - Stacey Kent (EMI)
For True - Trombone Shorty (Verve/Universal)
Live in Marsiac - Brad Mehldau (Nonesuch/Warner)
Ninety Miles - Stefon Harris, David Sánchez e Christian Scott (Concord)
Rio - Keith Jarrett (ECM/Borandá)


Stacey Kent: cantora volta a demonstrar sua paixão pela música brasileira

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Ela não se cansa de declarar seu amor pela música brasileira. Tanto é que, desde 2008, a cantora norte-americana Stacey Kent já esteve quatro vezes no país. Na última visita, em outubro, ao participar do concerto comemorativo dos 80 anos do monumento ao Cristo Redentor, no Rio, ela falou à "Folha de S. Paulo" sobre o CD “Dreamer in Concert”, que a EMI acaba de lançar no Brasil.

“Sempre que meus fãs iam conversar comigo, após os concertos, me perguntavam quando eu faria um disco gravado ao vivo. Eles queriam levar o show para casa”, diz ela, justificando o conceito desse álbum, depois de gravar mais de uma dezena de discos em estúdios, sempre acompanhada pelo saxofonista Jim Tomlinson, seu marido.

No novo CD, registrado em maio último, no La Cigale, em Paris, Stacey interpreta clássicos da canção norte-americana e do jazz, como “If I Were a Bell” (Frank Loesser), “They Can’t Take That Away From Me” (Ira e George Gershwin) e "It Might As Well Be Spring" (Rogers e Hammerstein), além de recentes composições de Tomlinson com o escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro.

Com sua voz doce e “cool”, ela também passeia com elegância pela moderna canção francesa, em “Ces Petit Riens” (Serge Gainsbourg) e “Jardin D’Hiver” (Biolay e Zeidel). E, naturalmente, reverencia a música brasileira, com três canções de Tom Jobim, “Corcovado”, “Águas de Março” e “Dreamer” (Versão de "Vivo Sonhando"), além do "Samba Saravah" (Pierre Barouh, Vinicius de Moraes e Baden Powell).

“Sei que ainda tenho muita coisa a aprender sobre a cultura do Brasil e isso é um projeto para a vida inteira. Química pessoal é algo raro. Eu me sinto bem demais aqui. É uma sensação muito forte”, diz Stacey, já em português fluente. A admiração pela música brasileira a levou frequentar cursos intensivos de língua portuguesa, nos últimos três verões.

O fato de ser “muito emotiva”, segunda ela, ajuda a explicar sua empatia com os brasileiros. “Vocês não têm medo de falar das coisas tristes ou dolorosas, não têm medo de chorar. Eu também gosto, tanto no estúdio, como no palco, de compartilhar minhas emoções, meu coração, com as pessoas”.

 
A cantora também se mostrou eufórica ao falar de seu encontro com o cantor e compositor carioca Marcos Valle, que conhecera na véspera do concerto em homenagem ao monumento do Cristo Redentor. Juntos, cantaram o clássico “Samba de Verão”, de autoria do brasileiro.

“A química entre nós foi tão incrível que passamos quase a noite inteira falando. Era impossível sair. Quando é que teremos outra oportunidade de cantar e conversar com um músico tão fantástico como Marcos Valle?”, disse Stacey, descrevendo o encontro, que também incluiu Tomlinson, seu parceiro.

(reportagem publicada parcialmente, na "Folha de S. Paulo", em 15/12/2011)



Jim Tomlinson e Stacey Kent: dupla interpreta com graça clássicos do jazz e da bossa

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Lançado originalmente em 2005, este álbum assinado pelo saxofonista britânico Jim Tomlinson acaba de ganhar edição brasileira por ocasião da recente apresentação que ele fez com a cantora Stacey Kent, em São Paulo. Parceiros musicais (e casados) desde a década de 1990, os dois seguiram em “The Lyric” (lançamento Blue Note/EMI) a bem sucedida fórmula musical de outros saborosos álbuns dessa intérprete norte-americana.

A paixão de Stacey pela música brasileira, que a tem levado a estudar seriamente a língua portuguesa nos últimos anos, já era evidente no repertório deste CD, que inclui três clássicos da bossa nova. Em “Manhã de Carnaval” (de Luiz Bonfá), que abre o álbum, a influência “cool” de Stan Getz (1927-1991) soa bem evidente no sax tenor de Tomlinson, que também é o solista da leve versão instrumental de “Outra Vez” (Tom Jobim). Já na releitura de “Corcovado” (outra de Jobim) é a voz delicada de Stacey que rouba a cena. 


No resto do repertório, destacam-se clássicos da canção norte-americana, como “I’ve Grown Accustomed to His Face” (Lowe e Lerner), “Stardust” (Carmichael e Parish) ou “My Heart Belongs to Daddy” (Cole Porter), que Stacey canta com graça e delicadeza, tirando proveito de seu timbre vocal juvenil. Para os fãs da cantora, que já apreciam seus outros álbuns com Tomlinson, “The Lyric” é mais um item essencial. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes, em 27/5/2011)


Stacey Kent e Trio Corrente: jazz e música clássica na série beneficente da Tucca

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A cantora norte-americana Stacey Kent (na foto acima) e o baixista Israelense Avishai Cohen vão estar entre as atrações da nova série internacional de concertos beneficentes organizada pela TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), que exibe astros do jazz e da música clássica, na capital paulista.

A temporada 2011 da série começa com o concerto da cellista russa Nina Kotova, dia 30/3, na Sala São Paulo. A delicada Stacey Kent e o saxofonista Jim Tomlinson, seu parceiro, serão os convidados do Trio Corrente, um dos melhores grupos da atualidade na cena da música instrumental brasileira, na noite de 4/5. O world jazz de Avishai Cohen será a atração seguinte da série, em 1/6.

Outras informações no site da TUCCA: http://www.tucca.org.br/eventos/musicapelacura.asp




Stacey Kent: de volta ao Brasil, agora também cantando em português

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Quando cantou aqui no Brasil, em 2008, a norte-americana Stacey Kent não estava fazendo média ao dizer que sua paixão pela música brasileira a fez decidir estudar nossa língua a sério. Falando por telefone de Vermont (EUA), onde acaba de frequentar pela segunda vez um curso de imersão de sete semanas, ela avisa que os fãs poderão enfim ouvi-la cantar em português, em São Paulo (9/9), Itajai (10/9), Porto Alegre (14/9) e Rio (16/9).

“Isso vai acontecer, sem dúvida, mas também quero cantar outras coisas de meus álbuns”, diz ela, referindo-se às canções francesas do recente CD “Raconte-moi” (Blue Note), aos standards jazzísticos que relê com charme há mais de uma década ou às canções do saxofonista Jim Tomlinson (seu marido) com o poeta Kazuo Ishiguro, que estão no álbum “Breakfast on the Morning Tram” (Blue Note, 2007).

Já falando um português surpreendente para tão pouco tempo de estudo, Stacey conta que seu “affair” com a MPB anda mais intenso ainda. “Todo dia eu descubro alguma coisa nova”, diz, mencionando os nomes de Cartola, Jorge Ben e Simone entre suas últimas descobertas.


                                                                                                                         

Diana Krall: sussurrando e derrapando no português, em "Quiet Nights"

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Diana Krall e outros cantores estrangeiros, que têm insistido em gravar em português, precisam conversar urgentemente com a cuidadosa Stacey Kent. Também uma fã assumida da música brasileira, essa norte-americana declarou, quando se apresentou aqui, no ano passado, que só pretende cantar em português depois de estudar a sério nossa língua e dominar sua pronúncia.

Por mais que sejam boas as intenções de Diana, sua suposta homenagem à música brasileira quase se transforma em piada, ao se ouvir tantas derrapadas na pronúncia dos versos da canção “Este Seu Olhar” (faixa do novo CD "Quiet Nights"). Suas tentativas de decalcar o sotaque carioca chegam a ser hilariantes. Tom Jobim, autor dessa canção, não merece. Nem mesmo os fãs brasileiros da cantora merecem ouvir algo assim.

Esse não é o único senão de “Quiet Nights”, que, de maneira geral, soa como uma seqüela pouco inspirada do álbum “The Look of Love” (2001). A começar pelo repertório um tanto óbvio, que inclui um costumeiro Burt Bacharach (“Walk on By”) e standards da canção norte-americana que já foram gravados centenas de vezes, inclusive de maneira mais criativa, por outros intérpretes do jazz.

Naturalmente, os arranjos do experiente Claus Ogerman ajudam a criar uma aura de consistência sonora, mas será que Diana pensou que só por ter transformado “Garota de Ipanema” em “The Boy from Ipanema” já conseguiu imprimir algo de novo a uma canção tão desgastada por décadas de redundância?

Outro aspecto que incomoda é a maneira como ela canta nessas gravações, quase sussurrando, com a voz mais grave do que em outros álbuns. A intenção da cantora é, obviamente, soar mais sensual, mas o resultado não convence, soa meio falso. Será que Elvis Costello levou a sério essa “carta de amor”?

(publicada na “Folha de S. Paulo”, em 8/04/2009)


 

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