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New Orleans Jazz Fest: evento volta em abril após hiato de dois anos

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                                          Trombone Shorty e sua banda, no 50.º New Orleans Jazz Fest, em 2019 

Uma notícia animadora para fãs do jazz e da música negra (em especial para quem acompanhou a série “New Orleans, Um Caldeirão Musical”, que escrevi e apresentei há pouco na rádio Cultura FM, em São Paulo). Depois de duas edições adiadas por causa da pandemia, o New Orleans Jazz & Heritage Festival – um dos maiores eventos do gênero no mundo – confirmou as principais atrações de sua 51.ª edição, agendada no período de 29 de abril a 8 de maio.

Centenas de músicos de diversos gêneros dessa cidade tão musical fazem parte da programação, como Trombone Shorty, Irma Thomas, Jon Cleary, Charmaine Neville, Preservation Hall Jazz Band, John Boutté, Erica Falls, Kermit Ruffins, Galactic, Terence Blanchard, Delfeayo Marsalis, Donald Harrison e Astral Project. E para quem gosta de música pop, rock, soul, hip hop e derivados: The Who, Foo Fighters, Elvis Costello, Ludacris, Randy Newman, Erykah Badu, Kool & The Gang, Rickie Lee Jones e Lionel Ritchie, entre outros.

Se você tem planos de conhecer New Orleans, essa é uma das melhores épocas do ano para fazer isso. No site do Jazz Fest você já encontra a programação praticamente completa e informações sobre hospedagem durante o evento. Além disso, já pode garantir os ingressos para os sete dias de programação musical do festival (sem falar nos clubes e teatros da cidade, que também oferecem dezenas de shows especiais nessa época).

Aqui o link para o site oficial do festival: https://www.nojazzfest.com/


New Orleans: WWOZ FM exibe série de 7 dias com gravações de festivais

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                 Trombone Shorty (no centro), em show no New Orleans Jazz Fest, em 2019  

Cidade do sul dos Estados Unidos que respira música e tradições afro-americanas, New Orleans costumava oferecer dezenas de festivais de diversos gêneros musicais, até o início da pandemia da covid-19. O maior e mais internacional desses eventos – o New Orleans Jazz & Heritage Festival -– festejou seus 50 anos em 2019, mas foi obrigado a cancelar a edição deste ano, assim como outros festivais pelo mundo. 

Para consolar os fãs do evento, a WWOZ FM (a emissora de rádio mais tradicional e popular da cidade, que também patrocina o palco de jazz nesse festival) transmitiu, quatro meses atrás, a série “Jazz Festing in Place”. Durante oito dias, no mesmo horário do festival (de 11h às 19h), reuniu gravações de grandes momentos do Jazz Fest (é assim que os moradores locais se referem ao evento).

A repercussão dessa série inspirou uma segunda edição que, além de relembrar gravações históricas do Jazz Fest, também vai incluir registros de outros festivais da cidade, como o French Quarter Fest, o Satchmo Summer Fest e o Blues & BBQ Fest, além de shows em clubes locais, como o Snug Harbor ou o Tipitina’s.

O elenco da nova edição da série “Festing in Place -- The Next Fest Thing” destaca músicos, cantores e bandas do primeiro time da música de New Orleans, como os Neville Brothers e os Meters, as cantoras Irma Thomas, Lillian Boutté e Erica Falls, os trompetistas Terence Blanchard e Kermit Ruffins, os pianistas Ellis Marsalis e Allen Toussaint e os guitarristas Walter "Wolfman" Washington e Little Freddie King, entre muitos outros.

A série será transmitida de 4 a 7/9 (sexta a segunda) e de 11 a 13/9 (sexta a domingo), sempre das 13h às 21h (horário de Brasília). Para ouvir, acesse o site da WWOZ FM neste link: https://www.wwoz.org/listen/player
E a programação dos sete dias você encontra aqui: 

New Orleans Jazz Fest: ao festejar 50 anos, evento reforçou seu apoio à diversidade

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                            Trombone Shorty (no centro) se despede da plateia do 50.º New Orleans Jazz Fest 

Talvez só mesmo a orientação progressista da cosmopolita cidade norte-americana de Nova Orleans possa explicar o fato de artistas como a rapper Boyfriend ou a “queen diva” Big Freedia terem se apresentado no New Orleans Jazz & Heritage Festival, cuja 50.ª edição terminou no último domingo (5/5). Quem já as ouviu sabe que as músicas de ambas não têm nada a ver com o jazz.

Difícil imaginar a feminista Boyfriend (personagem que essa rapper nascida em Nashville assume até em entrevistas), num festival mais conservador do gênero. Vestindo lingerie, com caricatos bobes no cabelo, ela transpôs para o palco do Jazz Fest (é assim que os moradores da cidade se referem ao evento) os shows que vem fazendo há alguns anos em boates LGBT de Nova Orleans. Sua versão de “Another Brick in the Wall”, da clássica banda de rock Pink Floyd, é hilariante.

Inusitado também é ver em um dos maiores palcos do Jazz Fest o “bounce” de Big Freedia 
— uma frenética modalidade de música eletrônica, cuja dança acrobática chega a lembrar os rebolados do grupo baiano É o Tchan. Em vários momentos, o show da “queen diva” se transforma praticamente em uma competição. Os dançarinos se esforçam para mostrar que podem fazer seus traseiros tremerem mais que os dos colegas.

“O Jazz Fest está ficando velho”, brincou o instrumentista e cantor Trombone Shorty, 33, hoje um dos artistas de Nova Orleans mais populares mundialmente, quase ao final do show de encerramento do festival. Minutos antes, ele protagonizou um emotivo encontro de gerações ao receber os veteranos músicos da banda Neville Brothers, que até 2012 costumavam encerrar o evento no mesmo palco – o maior dos doze instalados no hipódromo da cidade.  


                                   
Acompanhado pelo irmão Cyril e pelo filho Ivan, o cantor Aaron Neville interpretou uma pungente versão do hino religioso “Amazing Grace”, sob o olhar emocionado de Shorty, que tinha apenas 12 anos quando fez as primeiras aparições ao lado dos Neville Brothers. Tratando-se de um festival que sempre estimulou colaborações entre músicos de diferentes gerações, essa cena já entrou para a história do evento.

As altas temperaturas verificadas durante quase todo o festival podem ajudar a explicar alguns desatinos incomuns, vistos nos oito dias de programação. Ontem, na tenda de jazz moderno, os disputados lugares para assistir ao excelente show do quinteto do pianista e compositor Herbie Hancock (na foto acima) renderam alguns bate-bocas na plateia.  




Pior foi o que se viu no primeiro domingo (28/4), quando um dos clãs musicais mais populares de Nova Orleans homenageou seu líder. A tenda de jazz foi pequena demais para o esperado reencontro dos irmãos Branford, Wynton, Delfeayo e Jason Marsalis (na foto acima) com o pai  o pianista e educador Ellis Marsalis, 84. Não bastassem as ríspidas disputas pelas últimas cadeiras vazias, membros da produção chegaram a perturbar o show várias vezes, gritando para que as pessoas desocupassem os corredores e entradas da tenda.

Entre os destaques mais jazzísticos do festival, a jovem cantora Cécile McLorin Salvant confirmou em um show primoroso 
 com meia sala vazia, ironicamente, mas aplaudida de pé  que é uma das grandes intérpretes da cena atual do gênero. Mais sorte teve o cantor José James, cujo tributo em vida ao soulman Bill Withers (hoje com 80 anos) foi festejado por uma plateia mais ampla e eufórica. Uma boa surpresa foi o jazz cigano dos instrumentistas do grupo europeu Django Festival Allstars.    


Ao final dos oito dias de programação fica a impressão de que a 50ª edição não será tão inesquecível quanto pretendiam seus organizadores. O cancelamento do show dos Rolling Stones (o vocalista Mick Jagger teve de enfrentar uma cirurgia cardíaca), um mês antes, deixou o evento sem sua atração mais famosa. Talvez já não houvesse mais tempo hábil para reforçar a grade de programação, que poderia ter sido mais brilhante, em uma data tão especial.

Mesmo assim, no caso de um festival tão eclético, com mais de 500 atrações que vão do gospel e do blues tradicional ao jazz contemporâneo, passando por quase todas as vertentes da música popular afro-americana, uma avaliação geral é sempre algo muito pessoal. Até porque, no imenso leque de atrações do New Orleans Jazz & Heritage Festival, cada um acaba escolhendo o seu próprio programa.

(Texto publicado parcialmente no website da "Folha de S. Paulo", em 7/05/2019. Viagem realizada a convite da New Orleans & Company e do Cambria Hotel)

New Orleans Jazz Fest: evento festeja 50 anos com Kamasi e Rolling Stones no elenco

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                                     Kamasi Washington, atração do 50º New Orleans Jazz & Heritage Festival

No ano em que o New Orleans Jazz & Heritage Festival comemora seu 50º aniversário, o produtor Quint Davis e sua equipe deram uma demonstração de grande prestígio. Encabeçando as centenas de atrações anunciadas hoje para esse evento – um dos maiores festivais do gênero no mundo, que será realizado de 25 a 28/4 e de 2 a 5/5 – está a veterana banda britânica de rock The Rolling Stones, cuja próxima turnê pelos Estados Unidos pode ser a última.

Outros astros de diversos gêneros musicais também se destacam no elenco desse festival: jazzistas como o pianista Herbie Hancock e os saxofonistas Kamasi Washington e James Carter, o soulman Al Green, os bluesmen Robert Cray, Buddy Guy e John Hammond, a clássica banda de funk Earth, Wind & Fire e cantores de várias vertentes da música negra norte-americana, como Diana Ross, Mavis Staples, Cecile McLorin Salvant, Shirley Caesar, Jose James e Gregory Porter.

Desde novembro, quando surgiram os primeiros rumores de que os Rolling Stones iriam se apresentar em New Orleans e, pouco depois, veio a notícia de que o evento teria um dia a mais (25/4), a polêmica se instalou nas redes sociais. O anúncio de que os habituais apoiadores da rádio pública local WWOZ (que já tinham comprado pacotes com passe livre para todo o festival) não teriam acesso ao dia do show dos Rolling Stones (2/5) irritou muita gente.

Os ingressos para esse dia do festival serão vendidos separadamente, nesta quinta-feira (17/1), com restrições. Só residentes da Louisiana, portando documento oficial, terão direito a comprar dois ingressos ao preço de 185 dólares cada (fora os impostos). No dia seguinte, os ingressos restantes – se sobrarem – serão vendidos ao público em geral. Para os outros dias do festival, quando comprados nas bilheterias do evento, os ingressos custam 85 dólares.  



Também deve causar alguma polêmica, como já acontece há pelo menos duas décadas, a inclusão no elenco de outras atrações da música pop e do rock – como as cantoras Kate Perry e Alanis Morissette, os cantores Dave Matthews e Tom Jones ou o guitarrista Carlos Santana, nesta edição. A exemplo de outros festivais do gênero pelo mundo, a produção do evento tem adotado esse recurso para ampliar as plateias que frequentam o Fair Grounds (o hipódromo local), onde esse festival é realizado desde 1970.

Para quem ainda não conhece New Orleans, uma das cidades mais musicais do mundo, uma observação essencial: o nível dos artistas locais costuma ser tão alto, que é comum durante o festival você se surpreender com shows de músicos sobre os quais nunca ouviu falar antes.

Portanto, para quem vai ao Jazz Fest pela primeira vez (é assim que os moradores da cidade se referem a ele) torna-se praticamente obrigatório assistir a shows de atrações locais, como os músicos da família Marsalis, que neste ano vão homenagear o veterano pianista Ellis Marsalis, ou ainda Terence Blanchard (na foto acima), Trombone Shorty, Jon Cleary, Nicholas Payton, Aaron Neville, Donald Harrison, Kermit Ruffins, Davell Crawford, Irma Thomas e Germaine Bazzle, além das bandas Galactic, Astral Project, Dumpstaphunk, Rebirth Brass Band, The Soul Rebels e Bonerama, entre muitas outras atrações da cidade, que mais uma vez vão se alternar entre os 12 palcos do Jazz Fest.


Atualização - Com o cancelamento da turnê dos Rolling Stones, em 30/3, por causa da cirurgia cardíaca a que Mick Jagger foi submetido (em 5/4), a produção do festival incluiu a veterana banda de rock Fleetwood Mac, no elenco do dia 2/5. Mais informações sobre o New Orleans Jazz & Heritage Festival em www.nojazzfest.com







New Orleans Jazz Fest: alto nível da 49ª edição promete grande festa no próximo ano

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                                                                     A cantora Dianne Reeves, no New Orleans Jazz Fest 2018

Terminou no último domingo a 49.a edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, um dos maiores eventos musicais do mundo. A comemoração dos 300 anos da cidade, capital cultural do estado americano da Lousiana, fazia prever muitas menções a essa efeméride durante as sete tardes de shows, mas a música acabou falando mais alto.

Atração final do festival no maior de seus 12 palcos, o instrumentista e cantor Trombone Shorty (hoje o musico mais popular de Nova Orleans na cena internacional) fez uma homenagem ao saxofonista Charles Neville. Ex-integrante da lendária banda The Neville Brothers, que encerrou o Jazz Fest durante decadas, ele morreu aos 79 anos em 26/4, véspera da abertura do evento.

Shorty, de 32 anos, relembrou emocionado do convite que recebeu, ainda adolescente, para participar de um show dos Neville Brothers no Jazz Fest. E chamou ao palco os músicos Cyril, Ian e Ivan Neville (irmão e sobrinhos do saxofonista) para cantarem juntos "Fire on the Bayou", um dos hits dos irmãos Neville.

Conhecida dos paulistanos por suas temporadas no clube Bourbon Street, a cantora Charmaine Neville dançou muito durante sua exuberante apresentação, no sábado. "Sei que meu pai está aqui em espírito", disse, logo ao entrar em cena, tentando conter a emoção. 


No dia anterior, o cultuado cantor Aaron Neville (na foto ao lado), que se apresenta com os Neville Brothers desde 1977, já tinha levado para o palco o saxofone do irmão, em seu show no festival. "Ele está aqui com a gente", disse, visivelmente abatido. 

Tristezas à parte, não faltaram alegria e animação durante o último final de semana. "Não sei explicar como isso aconteceu, mas este é o nosso 40.º show no Jazz Fest", brincou no sábado Tony Dagradi, saxofonista do Astral Project, sensacional quarteto de jazz da cidade, que merece ser mais conhecido internacionalmente.

No mesmo palco dedicado ao jazz moderno, a carismática cantora Dianne Reeves já foi ovacionada logo ao entrar em cena. Seu excelente guitarrista e violonista, o carioca Romero Lubambo, também brilhou durante todo o show, especialmente na releitura jazzística da bossa "Corcovado” (Tom Jobim).

No domingo, enquanto Jack White entretia a plateia mais jovem com seu rock, no palco dedicado à música negra urbana, o veterano cantor Smokey Robinson, 78, atraiu uma multidão de fãs de várias geracões para ouvir sucessos do soul e do R&B, que compôs para o clássico selo Motown, como "My Girl", "Get Ready" e "I Second That Emotion".

Outro veterano que o público de domingo não queria deixar sair mais de cena foi o guitarrista e cantor Buddy Guy. Aos 81 aos, o expoente do blues de Chicago não deixou por menos: depois de eletrizar a plateia por mais de uma hora, ainda desceu do palco e foi tocar "Slippin'in" no meio dos fãs.

Como já é habitual, num festival com cerca de 500 atrações musicais, não faltaram revelações. Como a talentosa cantora Quiana Lynell, que fez uma participação especial no show do trompetista Terence Blanchard, que está produzindo seu disco de estreia. Ou o guitarrista e cantor Mr. Sipp, músico do Mississippi que surpreendeu na tenda de blues.

Pelo alto nível musical que o New Orleans Jazz & Heritage Festival exibiu neste ano, sua edição de 50 anos promete uma daquelas festas para ficar na memória por muito tempo.

Resenha publicada parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 8/05/2018. Viagem realizada a convite do New Orleans Visitors Bureau e do B on Canal Hotel. 



New Orleans Jazz Fest 2018: evento musical reforça comemorações dos 300 anos da cidade

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                                            Trombone Shorty e sua banda, atração do New Orleans Jazz Fest                                      
No ano em que a cidade de Nova Orleans festeja seus 300 anos, o New Orleans Jazz & Heritage Festival -- um dos maiores eventos musicais do mundo -- não poderia ficar de fora dessa comemoração. Até porque, mesmo que alguns de seus 12 palcos ao ar livre costumem exibir astros do rock e a música pop internacional, a essência desse festival está na celebração da música afro-americana, especialmente as vertentes cultivadas em Nova Orleans. 

A 49ª edição do Jazz Fest, como é conhecido pelos frequentadores locais, começa nesta sexta (27/4) e se estende ao próximo final de semana, com quase 500 atrações. O elenco destaca popstars como David Byrne, LL Cool J, Sting, Beck, Jack White, George Benson, Smokey Robinson, Common, Jack Johnson, Sheryl Crow, Rod Stewart (substituindo Aretha Franklin, impedida de viajar por ordens médicas) e as bandas Aerosmith e Cage the Elephant.

No entanto, quem já frequentou alguma das tardes de shows no Fair Grounds, o hipódromo local, sabe que essas serão apenas as cerejas no bolo. O que conta mesmo é o fato de todos os anos o Jazz Fest dedicar palcos exclusivos ao jazz moderno, ao blues, ao gospel, à soul music e ao R&B, ao típico jazz tradicional de Nova Orleans, à música caribenha e a gêneros musicais característicos da Louisiana, como o zydeco e a cajun music.

É por esses palcos que circulam grandes talentos da efervescente e eclética cena musical de Nova Orleans, como os trompetistas Terence Blanchard, Christian Scott e Nicholas Payton, os pianistas Jon Cleary e Henry Butler, os cantores John Boutté, Irma Thomas, Germaine Bazzle e Aaron Neville ou as bandas Galactic, The Soul Rebels, Big Sam’s Funky Nation e Rebirth Brass Band -- todos presentes nesta edição.

Para celebrar o tricentenário da cidade, o Jazz Fest reservou seu Pavilhão de Intercâmbio Cultural, espaço que vai exibir performances musicais e de dança, mostra de fotos e degustações de comidas típicas. A ideia é que essas atividades demonstrem as influências de irlandeses, alemães, italianos, vietnamitas e hispânicos, além da contribuição dos indígenas, no original caldeirão cultural da cosmopolita Nova Orleans.

Essa é também a tônica de várias exposições programadas para este ano na capital cultural da Louisiana, como a mostra “Memórias Recuperadas: Espanha, Nova Orleans e a Revolução Americana no Cabildo” (até 8/7 no Museu do Estado da Louisiana). Ou a extensa série “Mulheres de Nova Orleans: Construtoras e Reconstrutoras”, com mostras, palestras e performances em vários museus e espaços públicos, que ressaltam a importância da contribuição das mulheres na história da cidade.

Outro evento comemorativo do tricentenário é o show que o instrumentista e cantor Trombone Shorty -- hoje um dos músicos de Nova Orleans mais populares na cena internacional -- fará neste sábado (28/4), no Saenger Theatre, ao lado de convidados especiais, como Irma Thomas, Kermit Ruffins, Jon Cleary, The Soul Rebels e Cyril Neville. Shorty e sua banda Orleans Avenue também estarão entre os destaques do programa de encerramento do Jazz Fest, na tarde de 6/5. 


Texto publicado originalmente na edição de 27/4/2018 da "Folha de S. Paulo".







New Orleans Jazz Fest 2015: veteranos da black music dos anos 1970 atraem multidões

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                                                                                                              O trio de soul music O'Jays

Depois do primeiro final de semana, prejudicado por fortes temporais que resultaram na redução de alguns shows, a 46.a edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival terminou no último domingo (3/05), contemplada com quatro dias de sol para suas centenas de atrações ao ar livre, no hipódromo local. 
 
Ao anunciar o instrumentista e cantor Trombone Shorty, última atração do palco principal, o produtor Quint Davis se referiu ao tumultuado início do evento. “Começamos com uma tempestade. Fomos batizados e ficamos enlameados, mas vocês permaneceram com a gente. Quer saber? Vamos fazer tudo de novo no próximo ano”, brincou.

Num ano em que a ala pop de seu elenco foi menos atrativa do que a de edições anteriores, o Jazz Fest teve seu dia de maior público no sábado. Uma multidão de pelo menos 60 mil pessoas acompanhou a apresentação de Elton John. O cantor e pianista britânico já não alcança mais as notas agudas de suas canções, mas compensa essa deficiência com simpatia, conversando com a plateia.  

Já no domingo, a comunidade negra local superlotou a plateia do palco Congo Square para ouvir a soul music do O’Jays –  trio vocal da Filadélfia que marcou a década de 1970 com vários sucessos. Alguns deles, como “Love Train”, “For the Love of Money” e “Backstabbers”, foram cantados em coro pela plateia.

Antes, os felizardos que chegaram cedo puderam se deliciar com mais um episódico reencontro de Art Neville (teclados), Leo Nocentelli (guitarra), George Porter Jr. (baixo) e Zigaboo Modeliste (bateria), ninguém menos que os integrantes originais da The Meters (foto à esq.), a lendária banda de funk dos anos 1970, um dos maiores orgulhos musicais da cidade de New Orleans.  

Com uma programação um tanto repetitiva, o palco dedicado ao jazz moderno só se destacou com uma atração por dia. Na sexta-feira, a revelação vocal Cécile McLorin Salvant brilhou com seu repertório incomum e interpretações originais. No sábado, o veterano saxofonista Charles Lloyd e seu afiado quarteto conquistaram a plateia com a criatividade de seus improvisos. No encerramento de ontem, não bastassem os ótimos arranjos, o baixista Christian McBride e sua big band ainda trouxeram como convidada a sensacional Dianne Reeves (na foto abaixo).

Outra cantora que também se destacou neste final de semana foi Macy Gray. Convidada especial da Galactic (cultuada banda de funk de Nova Orleans que, aliás, virá ao Brasil para o Bourbon Street Fest, em agosto), a doidona Macy arrancou risadas da plateia, até dos próprios músicos, ao contar que acabara de resolver uma crise conjugal fumando um “grande e gordo baseado”.

Curiosamente, dez anos após a tragédia desencadeada pelo furacão Katrina, o Jazz Fest não fez qualquer referência maior a esse episódio que mudou a vida de muita gente na cidade – cerca de 200 mil moradores (quase todos negros) jamais retornaram. Um sinal de que, ao menos para os músicos e fãs da música produzida em Nova Orleans, já se trata de águas passadas.  

Cobertura para a "Folha de S. Paulo", realizada a convite do New Orleans Convention & Visitors Bureau e da American Airlines. Resenha publicada ontem, na versão online da "Folha".


New Orleans Jazz Fest 2015: homenagens e tributos musicais se destacam neste ano

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Foi anunciado ontem o elenco da próxima edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que vai ser realizado de 24 de abril a 3 de maio deste ano, na capital cultural da Louisiana, no sul dos Estados Unidos. O que chama atenção de cara, na 46ª edição desse evento, é o número considerável de homenagens e tributos musicais, incluídos na programação.

Já no primeiro dos dois finais de semana do evento, em 25/4, a cantora Cassandra Wilson vai apresentar seu show dedicado a uma das maiores intérpretes do jazz em todos os tempos, intitulado “Coming Forth by Day: A Celebration of Billie Holiday”. Preciso dizer que é uma atração imperdível?

Ainda nesse sábado, o guitarrista e cantor Tony Hall – músico bem conhecido entre os frequentadores dos festivais promovidos pela casa noturna paulistana Bourbon Street Music Club – vai fazer seu tributo a James Brown, o “Chefão do Soul”, ao lado da banda New Orleans Souls Stars.

Já no domingo (26/4), o cantor e tecladista Henry Butler fará sua homenagem a um grande pioneiro do jazz tradicional de New Orleans (a terra natal de ambos): o pianista e compositor Jelly Roll Morton.  


Ainda nesse dia, também não deixa de ser um tributo musical o concerto em que o saxofonista e clarinetista Victor Goines fará com o Faubourg Quartet. Ele promete recriar as polêmicas gravações que o genial Charlie Parker, um dos criadores do moderno bebop, fez com um naipe de cordas, na década de 1950.

Outros tributos e homenagens estão agendados para o segundo final de semana do Jazz Fest (a maneira carinhosa como os moradores de New Orleans se referem a esse festival). A velha guarda local vai estar em peso no show da The Palm Court & Friends, inspirado pelo legado musical do trompetista e cantor Lionel Ferbos, morto no ano passado aos 103 anos!

Na mesma quinta-feira (30/4), o cantor Philip Manuel, intérprete sofisticado que combina influencias do jazz e da soul music, promete releituras da obra de um certo quarteto britânico, no show “Swings the Beatles”.

No segundo sábado do evento (1º/5), o cantor e pianista Davel Crawford (na foto acima) homenageia, no show “To Fats With Love”, outro gigante musical de New Orleans: o cantor, pianista e compositor Fats Domino, pioneiro do rock’n’roll. Ainda nessa tarde, a cantora texana Ruby Wilson fará um tributo a Bessie Smith, a “Imperatriz do Blues”.

Na tarde de encerramento (em 3/5), o grande trompetista e cantor Louis Armstrong, outro dos orgulhos musicais de New Orleans, será homenageado em shows de dois de seus conterrâneos mais famosos: o pianista e cantor Dr. John e o trompetista e cantor Kermith Ruffins (na foto abaixo).

Claro que é esse é apenas um pequeno recorte musical em um festival que oferece todo os anos mais de 400 atrações – locais, nacionais e de outros países – durante os sete dias de programação, ao ar livre, na área do Fairgrounds, o hipódromo da cidade.

Menos chamativas do que em anos anteriores, as atrações de rock, pop e black music incluem Elton John, The Who, Chicago, The O’Jays, John Legend, Wilco, Jerry Lee Lewis, Stevie Winwood, Jimmy Cliff, Macy Gray, convidada da banda local Galactic, e a oportunista Lady Gaga (em seu “projeto jazzístico” com o cantor Tony Bennett).


O blues, gênero que costuma estar bem representado todos os anos, nesta edição será defendido por Buddy Guy, Taj Mahal, Robert Cray, Jimmy Vaughan, Tedeschi Trucks Band e Lil’ Ed & The Blues Imperials, entre outros. 


Já o elenco de jazz destaca, além da citada Cassandra Wilson, a Christian McBride Big Band (com participações dos cantores Dianne Reeves e Jeffrey Osborne), Charles Lloyd, Kenny Garrett, Monty Alexander, Cécile McLorin Salvant, The Terence Blanchard E-Collective, Irvin Mayfield & The New Orleans Jazz Orchestra e a banda de jazz-soul BWB (com os instrumentistas Rick Braun, Kirk Whalum e Norman Brown).

Se essas atrações podem ser consideradas as cerejas que vão enfeitar o bolo desta edição, quem já acompanhou o Jazz Fest sabe que os astros da cena local estão sempre presentes e não devem absolutamente nada aos artistas de outras regiões do país, seja em qualidade musical, originalidade ou diversidade.

Só os nomes de Trombone Shorty, Allen Toussaint, Irma Thomas, The Meters, Walter “Wolfman” Washington, Aaron Neville, Preservation Hall Jazz Band, John Boutté, Astral Project, Leah Chase, George Porter, Marcia Ball, Tab Benoit, Nicholas Payton, Donald Harrison, Ellis Marsalis, Rebirth Brass Band, Dirty Dozen Brass Band, The Radiators, The Soul Rebels e Glen David Andrews, entre dezenas de outros, já garantiriam um espetacular festival de música em qualquer lugar do mundo. 


Mais informações, incluindo venda de ingressos e hospedagem em New Orleans durante o festival, você encontra no site do festival: http://www.nojazzfest.com/ 

O video que anuncia o elenco deste ano traz uma ideia simpática: trechos dos sucessos de algumas das atrações são tocadas pela banda de metais The Soul Rebels. Para ver esse video, clique no link abaixo:



New Orleans Jazz Fest 2014: veteranos do rock entram no elenco para atrair plateias maiores

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Eric Clapton, Bruce Springsteen, Santana, Robert Plant, John Fogerty, Phish, Johnny Winter, Boz Scaggs, Alabama Shakes, Arcade Fire, Avett Brothers, Vampire Incident. Qualquer festival de rock e música pop gostaria de exibir ao menos alguns desses nomes em sua programação, mas todos eles estarão na 45ª edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival – de 25 de abril a 4 de maio, em New Orleans, a capital cultural da Louisiana (EUA).

A cada ano que passa esse festival – um dos maiores do mundo no gênero, com mais de 400 atrações musicais exibidas em 12 palcos – parece abrir mais espaço para a música pop e o rock. Sim, mas não se trata de um processo de descaracterização. Eclético em sua essência, o Jazz Fest (como é conhecido pela população local) recorre a veteranos figurões e bandas alternativas do rock e do pop para atrair mais público, mas continua exibindo um precioso  panorama de diversos gêneros musicais de ascendência negra.

No elenco anunciado hoje, no site do Jazz Fest, destacam-se atrações jazzísticas, como os cantores Al Jarreau, Gregory Porter, René Marie e Rachelle Ferrell, o pianista Chick Corea, o organista Dr. Lonnie Smith e o saxofonista Pharoah Sanders. Também há veteranos e revelações mais recentes do soul, do funk e do R&B, como os cantores Bobby Womack, Chaka Khan, Charles Bradley (na foto abaixo), Charlie Wilson, Frankie Beverly e sua banda Maze. 


Como em anos anteriores, a diversidade da programação vai da salsa do panamenho Rubén Blades ao rap da banda Public Enemy, do blues rural e urbano de Keb’ Mo’ ao folk de “Sugarman” Rodriguez, do country de Lyle Lovett ao pop (dispensável) da cantora Christina Aguilera.

Como já aconteceu na edição de 2000, o Brasil será homenageado neste ano. No Pavilhão de Trocas Culturais, será erguida a tenda Casa do Brasil, para shows de música e dança, exibições de artesanato e degustação de pratos da culinária de rua brasileira. Entre os músicos convidados estarão o cantor Mauricio Tizumba e seu grupo Tambor Mineiro (de Minas Gerais), o Afoxé Omô Nilê Oguniá (Pernambuco), a banda Baiana System (Bahia), o flautista João do Pife (de Caruaru, Pernambuco), além do cantor e violonista gaúcho Riccardo Crespo e grupo Sol Brasil, entre outros artistas radicados na cidade.


Mas o que torna o New Orleans Jazz Fest único no mundo, todos os anos, é a participação de centenas de músicos locais de diversos gêneros e estilos, que não devem nada aos astros mais conhecidos de outras regiões do país: Trombone Shorty, Irma Thomas, Aaron Neville, Branford Marsalis, Terence Blanchard, Allen Toussaint, Walter “Wolfman” Washington (na foto à esq.), John Boutté, Irvin Mayfield, Leah Chase, Kermitt Ruffins, George Porter, Tab Benoit, Davel Crawford, Henry Butler, Nicholas Payton e Dr. Michael White, além de bandas como Preservation Hall Jazz Band, Astral Project, Galactic, The Radiators, Dirty Dozen Brass Band e Hombres Calientes, para citar apenas alguns. Sem eles, o New Orleans Jazz Fest jamais seria o que é.
 
Outras informações sobre a programação e o elenco, venda antecipada de ingressos, hospedagem na cidade e outros detalhes você encontra no site oficial do New Orleans
Jazz Fest.

E abaixo uma animação com as atrações do Jazz Fest 2014:
 

 

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