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Bossa Nova: o movimento musical é reavaliado por Tárik de Souza em um livro essencial

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                                            João Gilberto - Foto de Tuca Vieira/Creative Commons  


O título pode sugerir algo um pouco diferente aos desavisados. “João Gilberto e a insurreição bossa nova: outros lados da história”, novo livro de Tárik de Souza, não é uma biografia do lendário cantor e compositor baiano, que surpreendeu os fãs da música popular brasileira, no final dos anos 1950, com uma inovadora batida ao violão e seu canto minimalista, quase falado. Ao mesclar a influência do jazz com o samba, a bossa nova inaugurou a era moderna da canção brasileira. 

Com esse livro que reavalia a história e os personagens da bossa nova, o conceituado crítico musical e jornalista carioca completa uma trilogia sobre o universo do samba, ao destacar aspectos desse espontâneo movimento musical que ainda não haviam sido devidamente abordados. Em 2003, Tárik lançou “Tem mais samba: das raízes à eletrônica” (Editora 34), um panorama do mais popular gênero musical brasileiro. Já em 2016, no livro “Sambalanço, a bossa que dança” (Kuarup), ele dissecou a vertente suingada da bossa nova, que contagiou os salões de dança durante as décadas de 1960 e 1970.

“Este livro é praticamente autobiográfico”, diz o autor, explicando que essa obra resultou de sua intensa relação pessoal e profissional com a bossa nova, desde as primeiras manifestações desse movimento no cenário musical brasileiro. “Eu vivi a bossa nova. Sempre acompanhei tudo, li tudo, fui a todos os shows. E quando me tornei jornalista, entrevistei o pessoal da bossa diversas vezes”, relembra o jornalista.

Lançada pela editora porto-alegrense L&PM, essa extensa e meticulosa obra de 444 páginas é, na definição de Tárik de Souza, “um livro bossa nova sobre a Bossa Nova”. No prefácio, intitulado “João e a Bossa instalaram o Brasil na vanguarda musical do planeta”, o autor avisa que “para abarcar esse movimento disruptivo de forma coerente com seu objeto de estudo, a abordagem do livro também teria que ser ‘bossa nova’ – fora da linearidade das historinhas com princípio, meio e fim”.

Eixo central da narrativa, o protagonista João Gilberto (1931-2019) está presente desde as primeiras páginas do livro. A começar por uma compilação de versos de canções que o homenageiam, assinadas por discípulos e colegas da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Carlos Lyra, João Bosco, Joyce Moreno, Jards Macalé e Tom Zé, entre outros.  

Já no capítulo final, intitulado “Um cantinho, um banquinho, um violão e a voz acoplada – o legado de um divisor de águas”, Tárik reúne reveladores depoimentos de diversos compositores e intérpretes de nossa música: do vanguardista paranaense Arrigo Barnabé à cantora bossa novista paraense Leila Pinheiro; do mestre baiano Dorival Caymmi à intérprete holandesa Josee Koning, um exemplo da internacionalização da bossa, entre muitos outros. De modo geral, esses artistas relatam como receberam a influência avassaladora de João e as inovações dessa tendência musical.

Para realizar sua análise da obra musical de João Gilberto, Tárik utilizou como bússola o material extraído de uma entrevista exclusiva que fez “com a lenda em pessoa”. Trata-se de uma conversa de quatro horas com João, em maio de 1971, quando o autor trabalhava na revista “Veja”, em São Paulo, na qual o compositor comentou a maneira como selecionava seu repertório e o tratamento que dava às canções. O experiente crítico musical também encara nesse livro a missão de analisar todos os discos gravados por João, faixa a faixa, ao longo de suas seis décadas de sua carreira.   

O capítulo “Inclusão, Diversidade e Pluralismo” rebate um preconceito que persegue a bossa nova há décadas. “Um dos mais rombudos clichês pespegados no invólucro mágico da bossa nova é o de um movimento elitista, privilégio restrito a uma rapaziada branca da zona sul carioca. Mentira deslavada, que este capítulo contesta”, afirma o autor. “O fator determinante tem a ver com a geopolítica da cidade, então mandatária capital federal do país e sua sede cultural, aí incluídas as principais emissoras de rádio e TV, casas de shows, imprensa e gravadoras”.

Dirigindo esse capítulo àqueles que chegaram a atribuir uma conotação racista à bossa nova, Tárik destaca com detalhes as importantes contribuições de diversos artistas negros, como a cantora carioca Alaíde Costa (que só recentemente tem recebido a consagração que já merecia nos anos 1960), o pianista e compositor carioca Johnny Alf (considerado um avançado precursor da bossa), o maestro e compositor pernambucano Moacir Santos, o cantor e compositor carioca Jorge Ben e ainda três instrumentistas e compositores paulistas: o saxofonista e clarinetista Paulo Moura, o pianista e maestro Laércio de Freitas e o pianista e arranjador Dom Salvador, que vive em Nova York desde 1973, mas nos últimos anos vem sendo descoberto pelas gerações mais jovens.    

Só por denunciar preconceitos e rejeitar clichês estabelecidos há décadas na bibliografia que aborda a bossa nova, assim como pela iniciativa de reavaliar importantes contribuições a esse movimento de músicos que foram subestimadas no passado, o livro de Tárik de Souza já seria obrigatório para os fãs dessa vertente musical. É muito mais, é uma leitura essencial para qualquer apreciador da música popular brasileira. Como já definiu e cantou Caetano Veloso, "a bossa nova é foda".

Dom Salvador e Garoto: músicos brilhantes em documentários do 12.º In-Edit Brasil

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                                                               O pianista Dom Salvador - Foto de Phoebe Landrum / Divulgação

Dois brilhantes instrumentistas e compositores paulistas – ainda pouco conhecidos entre o grande público – chamam atenção na seleção de filmes do festival In-Edit Brasil. Em versão online pela primeira vez, a 12ª edição dessa mostra dedicada a documentários musicais reúne mais de 60 filmes nacionais e internacionais inéditos.

“Garoto - Vivo Sonhando” (projeto de Henrique Gomide, Lucas Nobile e Rafael Veríssimo, que também assina a direção) resgata a breve trajetória musical do paulistano Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955). Em composições de sua autoria, como o samba-canção “Duas Contas” ou o samba “Lamentos do Morro”, esse virtuose do violão (na foto abaixo) antecipou inovações harmônicas e rítmicas consolidadas anos mais tarde pela geração da bossa nova.

Por meio de depoimentos (Paulinho da Viola, João Gilberto, Roberto Menescal, Paulo Bellinati e Zé Menezes, entre vários outros), o filme credita o papel essencial de Garoto na modernização da música popular brasileira. Mas o que surpreende nesse documentário é a sólida construção da narrativa a partir de fotos, gravações de programas de rádio e até anotações das agendas pessoais de Garoto, que as usava como diários de suas realizações musicais.

A narrativa é tão rica em imagens, registros musicais e outros elementos que, provavelmente, muitos espectadores nem vão perceber que o protagonista do documentário só é visto e ouvido, em movimento, uma única vez. Trata-se de uma cena do filme “Serenata Tropical” (Down Argentine Way, de 1940), onde Garoto dedilha seu violão, em segundo plano, atrás de Carmen Miranda, que canta “Bambu, Bambu”. 

Essa cena foi filmada durante a viagem aos Estados Unidos, que Garoto fez para acompanhar a cantora, como integrante do conjunto Bando da Lua, no final dos anos 1930. Frustrado por ser tratado como coadjuvante, o violonista retornou ao Brasil. Chegou a receber propostas para voltar, meses depois, mas não foi. A morte precoce, aos 39 anos (vítima de um infarto), o impediu de realizar o desejo de se estabelecer como músico solista, na terra do jazz. 

O pianista, compositor e arranjador Dom Salvador – paulista de Rio Claro, que completa 82 anos neste sábado (12/9)  – também tinha esse sonho e conseguiu realizá-lo. Expoente do samba-jazz, na década de 1960, e pioneiro das fusões do samba com o soul e o funk à frente de seu grupo Abolição, no início dos anos 1970, ele desembarcou com a cara e a coragem, em Nova York, em 1973. Até se tornar reconhecido na cena do jazz, batalhou muito. Chegou a ficar 30 anos sem tocar em palcos brasileiros.

Artur Ratton e Lilka Hara, brasileiros que vivem em Nova York, enfrentaram um duplo desafio ao filmar e dirigir o documentário “Dom Salvador & Abolition”. Além da difícil tarefa de sintetizar em 88 minutos as seis décadas da diversificada carreira musical de Salvador, a dupla também decidiu registrar, nos últimos anos, cenas de seu cotidiano – do trabalho diário no sofisticado restaurante River Café (onde começou a tocar em 1977) até questões familiares.

Especialmente comoventes são as cenas de Salvador com a cantora Mariá, parceira musical e de vida, com qual se casou, em 1965, e teve dois filhos. Desde 2004, quando ela começou a exibir sintomas de demência, até os últimos meses de vida de sua amada (que morreu em abril deste ano), Salvador fez questão de cuidar dela sozinho.

O acesso ao acervo pessoal do pianista permitiu que os cineastas pudessem incluir na trilha sonora do filme algumas gravações inéditas, como trechos da primeira sessão de ensaio da banda Abolição. Ou uma sessão de gravação de Salvador com o percussionista norte-americano Steve Thornton, que conheceu quando se tornou diretor musical da banda do cantor e ator Harry Belafonte, pouco tempo depois de se instalar em Nova York.

Expoentes de diferentes épocas da música popular brasileira, os inovadores Garoto e Dom Salvador merecem ser mais conhecidos e ouvidos pelas gerações mais jovens. Estes documentários certamente podem contribuir para isso.

Veja os documentários do 12.º In-Edit Brasil (com ingressos a R$ 3), neste link: https://br.in-edit.org/ 



Bossa 60: projeto do Sesc homenageia o estilo musical que conquistou o mundo

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                                                                O violonista Roberto Menescal e a cantora Wanda Sá 

Aos 60 anos, ela ainda não perdeu seu espírito juvenil e poético, muito menos a elegância musical que continua a seduzir fãs de várias gerações. Moderna maneira de interpretar o velho samba que conquistou o mundo, a bossa nova será homenageada em vários eventos do “Bossa 60” – projeto idealizado e produzido pelo Sesc 24 de Maio, em São Paulo.

A programação começa com o reencontro de três astros da bossa, nos dias 23 e 24/1. A cantora Wanda Sá, uma das mais conceituadas intérpretes desse estilo musical, reencontra o violonista Roberto Menescal e o tecladista Marcos Valle – dois dos maiores compositores dessa vertente. Nesse show, eles relembram clássicos da bossa, além de sucessos assinados por Menescal e Valle.

Conhecida desde a década de 1990 como vocalista da banda de rock Pato Fu, Fernanda Takai tem demonstrado sua intimidade com a bossa e a MPB, nos últimos anos. Depois do tributo que rendeu à cantora e musa da bossa Nara Leão, agora ela dedica um show inteiro à obra de Tom Jobim (1927-2004), interpretando canções da fase inicial do grande compositor e maestro da bossa, no dia 25/1 (em dois horários).

O cancioneiro de Tom Jobim também serve de ponto de partida para os shows do violonista e arranjador Dante Ozzetti, que aceitou o convite da equipe de programação do Sesc 24 de Maio para participar da série “Tirando de Letra”, nos dias 26 e 27/1. Ele encara o desafio de interpretar conhecidas canções de Jobim, em arranjos instrumentais que enfatizam contrapontos, texturas sonoras e timbres incomuns. Ao lado de Ozzetti estarão craques da música instrumental, como Nivaldo Ornelas (sax), Gabriel Grossi (gaita) e Mestrinho (acordeom), entre outros.

Amigas desde a década de 1960, quando se tornaram embaixadoras da bossa nova na noite paulistana, as cantoras Claudette Soares e Alaíde Costa se reencontram em dois shows, nos dias 30 e 31/1. No repertório, entram alguns dos sucessos mais solares da bossa, como “O Barquinho” (de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) e “Ela É Carioca” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), além de canções mais românticas, como “Ilusão à Toa” (Johnny Alf) e “Morrer de Amor” (de Oscar Castro-Neves e Luvercy Fiorini).

A série de shows do projeto “Bossa 60” termina com o reencontro do saxofonista americano Paul Winter com o violonista e compositor carioca Carlos Lyra, dias 1º, 2 e 3/2. Os dois revisitam o repertório do álbum “The Sound of Ipanema”, que gravaram juntos em 1964, época em que a bossa nova explodiu internacionalmente. Uma histórica parceria que, por sinal, confirma o fato de que a influência inicial do jazz sobre a bossa se tornou recíproca.

Num projeto como esse também não poderia faltar João Gilberto, o hoje recluso cantor e compositor, que sintetizou a essência da bossa nova na batida de seu violão e no seu jeito natural de cantar. Depoimentos de artistas que conviveram com ele, como a cantora Miúcha, o pianista João Donato e os compositores Marcos Valle e Roberto Menescal, estão entre os momentos mais saborosos de “Onde Está Você, João Gilberto?”, filme do franco-suíço Georges Gachot, que já realizou elogiados documentários sobre Maria Bethânia e Nana Caymmi. Exibições nos dias 30/1, 31/1 e 3/2.

Venda de ingressos e outras informações no site do Sesc SP

Stefano Bollani: pianista italiano cultiva paixões pelo jazz e pela MPB no CD 'Que Bom'

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                                                                                     Foto de Valentina Cenni/Divulgação

A paixão de Stefano Bollani pela música brasileira, tudo indica, não vai esfriar tão cedo. O pianista italiano descobriu a cadência do samba ainda na adolescência e agora, aos 45 anos, lança o álbum “Que Bom”, com participações especiais de Caetano Veloso e João Bosco, além de uma compacta seleção de craques da música instrumental brasileira. 

Um dos músicos europeus de maior prestígio na cena atual do jazz, Bollani tem reforçado durante a última década sua intimidade com as harmonias e os ritmos do Brasil. Em 2007, gravou o álbum “Carioca” no Rio, com músicos locais. Já em 2013, dividiu o CD “O Que Será” com o bandolinista Hamilton de Holanda, que também está no novo disco do italiano. 

“Hoje eu sei que existe muita música brasileira que eu ainda não conheço”, diz Bollani, com certa modéstia, falando à Folha por telefone. Quando a conversa se volta para os pianistas brasileiros que admira, por exemplo, ele desfia uma lista extensa: de mestres do choro, como Radamés Gnattali e Carolina Cardoso de Menezes, a expoentes de nossa moderna música instrumental, como João Donato e César Camargo Mariano.

Bollani já tocava piano, aos 15 anos, quando ouviu o clássico disco de bossa nova que João Gilberto gravou com o jazzista Stan Getz (“Getz/Gilberto”, 1963). “Me apaixonei pelas harmonias, parecidas com as do bebop e as do cool jazz, das quais eu já gostava muito”, relembra, em bom português.

“Mais tarde, quando fui ao Brasil para gravar meu disco ‘Carioca’, encontrei o choro, o samba, o forró e outras músicas brasileiras”, diz o italiano, que fez questão de voltar a tocar com Armando Marçal (percussão), Jurim Moreira (bateria) e Jorge Helder (baixo), nas gravações de “Que Bom” (selo Alobar/Biscoito Fino). Esse mesmo trio vai acompanha- lo na turnê de lançamento, além de Thiago da Serrinha (percussão).

No repertório de seu saboroso álbum, Bollani exibe 14 composições próprias, quase todas instrumentais. Inclui também a conhecida “Nação” (de João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc), cantada pelo próprio Bosco, e “Michelangelo Antonioni”, que Caetano Veloso, o autor, interpreta em italiano.

“Adoro Caetano cantando em italiano. Ele pode até cantar os itens de uma lista telefônica que eu vou gostar”, brinca o pianista. “No projeto original, ele iria cantar outras coisas em português, mas, na véspera da gravação, escrevi uma letra para a instrumental ‘La Nebbia a Napoli’. Caetano gostou, aprendeu rapidamente e a gravou”.

Bollani lança seu álbum nesta terça (14/8), no Bourbon Street, em São Paulo. Depois toca em Belo Horizonte (15/8) e faz duas apresentações pelo festival Sesc Jazz, no interior paulista, em Ribeirão Preto (17/8) e Jundiaí (18/8). Também toca em Brasília (20/8) e no Rio (21/8).

“Nos shows, tudo é mais improvisado do que no disco. É um grande prazer estar no palco com esses músicos incríveis. Ainda quero tocar muito com eles”, diz o italiano, que voltará a se apresentar com sua banda carioca, na Europa, em novembro.

Bourbon Street Music Club (r. dos Chanés, 194, Moema). Terça (14/8), às 21h30. Couvert artístico: de R$ 95,00 a R$ 150,00. 

(Texto publicado parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 14/8/2018)







Jaques Morelenbaum: trio faz viagem sentimental pelo passado do samba

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Muitos trios instrumentais brilharam na história da bossa nova e do samba-jazz, mas nenhum com a singular formação do CelloSambaTrio. Criado em 2004 pelo violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum, esse grupo, que destaca também o violão de Lula Galvão e a percussão de Rafael Barata, parece já ter nascido clássico.

No esperado álbum de estreia do trio, "Saudade do Futuro, Futuro da Saudade" (lançamento Mirante), 
o violoncelista carioca e seus parceiros fazem uma viagem sentimental pelo passado do samba: do gingado choro de Jacob do Bandolim, “Receita de Samba”, ao sestroso “Eu Vim da Bahia” (de Gilberto Gil), em versão calcada na gravação de João Gilberto, cujo “álbum branco” (lançado em 1973) inspirou a criação do próprio CelloSambaTrio.

Faixas autorais, como a lírica “Maracatuesday” (de Morelenbaum) ou o samba “Abaporu” (do violonista Lula Galvão), indicam que esse trio tem um futuro promissor à sua frente. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 25/10/2014)





Tributo a Tom Jobim: "Coleção Folha" homenageia o grande compositor da bossa e da MPB

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Bancas e livrarias de São Paulo já começaram a receber os primeiros volumes da "Coleção Folha Tributo a Tom Jobim", que chega ao resto do país até domingo. Os 20 CDs-livretos dessa série destacam discos de carreira, as parcerias de Jobim com Vinicius de Moraes, João Gilberto, Dorival Caymmi, Elis Regina e Edu Lobo, registros de seus shows históricos. E incluem duas compilações com suas canções gravadas por alguns dos maiores intérpretes brasileiros, como Gal Costa, Caetano Veloso, Nana Caymmi e Ney Matogrosso.

Além de ter escrito os livretos dos volumes "Tom Canta Vinicius", "Elis & Tom", "Getz/Gilberto" e "Antonio Carlos Jobim and Friends", para mim foi um grande prazer editar essa coleção, na qual pude contar com as colaborações de alguns dos mais conceituados críticos e repórteres especializados em música popular brasileira: Tárik de Souza, Antônio Carlos Miguel, Lauro Lisboa Garcia, Mauro Ferreira e Lucas Nobile.


Também foi um privilégio passar os últimos meses revendo a trajetória desse grande compositor e artista, além de reouvir suas gravações. Ao contrário de tantas figuras públicas que nos envergonham diariamente, neste país repleto de absurdos, Tom Jobim continua a ser um motivo de orgulho para muitos brasileiros.


Outras informações no site www.folha.com.br/tomjobim

Rosa Passos: afastada dos palcos, cantora retoma a carreira com o álbum "É Luxo Só"

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O ano de 2011 já se aproximava de seu final, quando o lançamento do álbum “É Luxo Só” (pela gravadora Biscoito Fino) veio acompanhado por uma ótima notícia: depois de três anos de afastamento dos palcos, a doce cantora, violonista e compositora Rosa Passos está retomando sua carreira musical.

Nesse álbum em homenagem à eclética Elizeth Cardoso (1920-1990), uma das grandes intérpretes da música popular brasileira, Rosa imprime seu sofisticado estilo vocal, entre o jazz e a bossa nova, a clássicos de Cartola (“As Rosas Não Falam”, “Acontece”), Noel Rosa (“Ultimo Desejo”, “Três Apitos”), Ary Barroso (“É Luxo Só”) e Zé Ketti ("Diz que Fui por Aí").

Nesta entrevista, ela conta o que a levou a interromper a carreira musical, comenta detalhes dessa homenagem a Elizeth e revela seus próximos projetos, incluindo um disco com canções de Djavan e possíveis parcerias com os jazzistas Ron Carter e Kenny Barron. Rosa também comenta o fato de cantoras das novas gerações já não se preocuparem mais com a afinação ou outros detalhes essenciais numa gravação.

Sua carreira internacional estava a todo vapor, no final de 2008, quando você se afastou da música. O que aconteceu?

Rosa Passos - Tive “síndrome de burnout”, uma estafa muito grande provocada por excesso de trabalho. O pianista Keith Jarrett ficou três anos sem tocar pelo mesmo motivo. Quinze anos atrás minha carreira deslanchou no exterior e eu passei a viajar muito. Como entrei num processo de desgaste e continuei trabalhando, meu organismo começou a reclamar. Eu já estava fazendo tudo mais pela obrigação do que pelo coração, nem conseguia mais olhar para o meu violão. Cheguei a ficar mais tempo viajando, do que em casa. Então tive que parar tudo, por recomendação médica. Fiquei baianíssima, só na rede, em casa, cuidando de três gatos e quatro cachorros (risos).

O que a levou a gravar um tributo a Elizeth Cardoso?

Rosa - Foi presente de um amigo, que sugeriu essa homenagem. Eu me animei com a ideia, pesquisei bastante o repertório e os discos da Elizeth, mas não queria fazer nada óbvio. Coloquei algumas músicas no disco, como uma homenagem pessoal. Escolhi músicas que a maioria das pessoas nem sabe que ela gravou, como “Palhaçada” (Haroldo Barbosa/Luis Reis), “Diz Que Fui Por Aí” (Zé Ketti) e “Acontece”, que Cartola fez para ela. Elizeth abraçou toda a música brasileira, não tinha um repertório característico ou limitado. Ela gravou tudo.

O estilo vocal da Elizeth era bem diferente do seu. O que atrai você na obra dela? Rosa - A versatilidade dela como intérprete, algo que sempre admirei muito. Aprendi a gostar da Elizeth com meu pai, aos oito ou nove anos de idade. Ela tinha aquela elegância, foi uma grande intérprete, que sempre esteve à frente de sua época. Outra coisa que me encantou muito nela foi a decisão de cantar as “Bachianas”, de Villa-Lobos. Ou quando gravou o disco “Canção do Amor Demais” (1958), cantando Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que tem João Gilberto tocando violão, já com aquela coisa do começo da bossa nova. Ali, mais uma vez, ela estava à frente.

Mas o fato de seu estilo vocal e o dela serem diversos não tornou mais difícil se aproximar do repertório dela? 

Rosa - Sempre gostei de desafios. Já fiz um disco muito difícil, o “Amorosa”, em homenagem a João Gilberto. Tudo bem, ele é meu ídolo, teve uma grande influência na minha maneira de tocar e cantar, mas, no caso da Elizeth, eu me identifico com a ousadia dela como grande intérprete que foi. Anos atrás a Zezé Motta já homenageou Elizeth, cantando o repertório mais clássico dela. Minha ideia foi trazer a lembrança da Elizeth, mas fazendo uma homenagem mais pessoal. Eu nem saberia como cantar algumas canções mais conhecidas do repertório dela, como “Barracão” ou a “Canção do Amor Demais”.

Quando você gravou o “É Luxo Só”?  

Rosa - Gravei esse disco entre 1º e 5 de março de 2011, em Brasília, com Lula Galvão (violão e arranjos) e Jorge Helder (baixo acústico), meus amigos e parceiros de muitos anos. Foi muito gostoso porque eles ficaram hospedados em minha casa. Eu fazia comidinha para eles e, à tarde, íamos para o estúdio. O show de lançamento também será em Brasília, dias 2 e 3 de março (de 2012), no Teatro Oi. Depois quero fazer São Paulo e, devagarzinho, viajar pelo Brasil. Estou bem animada com esse recomeço. Tenho recebido um carinho muito grande de meus fãs, especialmente pelo Facebook.

O que você acha dessas cantoras de gerações mais recentes, que já não atentam mais aspectos essenciais do canto, como a afinação ou a dicção? 

Rosa - Pois é, a afinação deveria vir em primeiro lugar (risos). Hoje, gravar um disco é a coisa mais fácil do mundo. Existe toda uma tecnologia para isso, que permite até afinar a voz do cantor numa gravação. Então as pessoas não estão mais preocupadas com a técnica da interpretação, com a divisão, com a respiração e a dicção. Acho que essa mudança tem uma razão cultural. Nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas têm aulas de música desde criança, nas escolas. Aqui no Brasil não existe mais isso. Os poucos que têm acesso à formação musical devem isso a seus pais. Eu fui feliz, porque meu pai colocou aulas de música na educação que eu e meus irmãos recebemos. Aqui no Brasil, a criança, o adolescente e o jovem crescem com informação musical da pior qualidade. Só ouvem música de consumo imediato, música popularesca em excesso. Quando dou aulas ou oficinas de música, sempre ressalto o cuidado que você deve ter com a interpretação, com a respiração e a dicção. A estética da música é algo muito importante, que os professores de canto deveriam ensinar.

Você já tem planos para outro disco?  

Rosa - O próximo será uma homenagem ao Djavan, com certeza. Eu amo Djavan de paixão! Quero gravar os clássicos dele com a minha leitura. Quem sabe, ele até dá uma música inédita pra mim (risos). Estou muito feliz, porque cheguei numa fase de minha vida profissional em que me sinto realizada. Em 2008, recebi o título de doutora honoris causa da Berklee School. Já gravei com Ron Carter, gravei e viajei com Yo Yo Ma, toquei com meu amigo Paquito D’Rivera. Me sinto tranquila para poder voltar ao trabalho mais madura.

Como andam os convites para projetos no exterior?  

Rosa - Como plantei meu trabalho com muito carinho e amor, essas portas continuam abertas para mim. Recebi convite para um show com o Wynton Marsalis, em Nova York, em abril, mas não pude ir. Mesmo assim, ele me disse que podemos fazer esse show quando eu quiser. Ron Carter já demonstrou interesse em fazer outro disco comigo. Também recebi a proposta de gravar com outro músico que eu amo de paixão: o pianista Kenny Barron. Ele viria para o Brasil, gravar com músicos brasileiros, e eu seria a cantora convidada. Se isso acontecer mesmo, vou ficar muito feliz, porque ele é um dos meus pianistas preferidos. 

(entrevista publicada parcialmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", na edição de dezembro de 2011)

 

Gal Costa: caixa "Gal Total" reúne 15 primeiros discos da cantora e 28 gravações raras

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Já está nas lojas “Gal Total”, caixa que reúne os 15 primeiros álbuns da carreira de Gal Costa. Do bossa-novista “Domingo” (1967), que ela gravou em parceria com Caetano Veloso, ao popular “Baby Gal” (1983), disco que marcou o final de seu contrato com a gravadora Philips (hoje Universal), essa edição resgata, por meio da voz privilegiada dessa intérprete, um dos períodos mais criativos da música popular brasileira, com destaque para a fase tropicalista.

Além dos 15 álbuns, essa caixa também inclui um CD duplo com 28 gravações raras, extraídas de compactos, de discos de festivais ou de projetos especiais. Muitas dessas faixas estavam inéditas até hoje em CD, como “Dadá Maria” (que Gal gravou em duo com o compositor Renato Teixeira) e “Bom Dia” (de Gilberto Gil e Nana Caymmi), ambas produzidas para o LP “3º Festival da Música Popular Brasileira”, lançado em 1967.

A seguir, uma entrevista com a cantora, que fala de sua paixão pela bossa de João Gilberto e relembra o episódio da canção “Divino Maravilhoso” (veja o video abaixo), marco de uma nova atitude em sua carreira, estimulada pelas inovações da Tropicália. Finalmente, Gal anuncia para 2011 a gravação de seu novo álbum com repertório inédito assinado por Caetano Veloso.

Como foi a sensação de ver as duas primeiras décadas de sua obra musical sintetizadas em “Gal Total”?
Gal Costa - Fiquei muito feliz, porque muitos dos meus discos estavam fora de catálogo. É importante que uma obra tão rica como essa seja registrada, inclusive para os jovens de hoje que se interessam tanto por minha história como pela história do Tropicalismo.

No encarte da caixa, você comenta que resistiu muito à idéia de cantar iê-iê-iê (o rock dos anos 60), apesar da insistência de seu produtor, Guilherme Araújo. Por quê?
Gal - Como eu era totalmente apaixonada por João Gilberto, tinha uma tendência a não gostar de quase mais nada. Eu até gostava de Roberto Carlos, mas não me via cantando aquilo. Era uma questão de postura. Para mim, João Gilberto era um deus e a bossa nova era a maior música que existia no mundo.

O que a fez mudar de atitude?
Gal - Convivendo com Caetano Veloso e Gilberto Gil, fui absorvendo toda aquela discussão do Tropicalismo. Ouvia Jimi Hendrix e Janis Joplin com Gil e aquilo começou a entrar em mim. Quando fui cantar “Divino Maravilhoso” (no Festival de MPB da TV Record, em 1968), Gil perguntou como eu queria fazer. Então disse a ele que queria cantar de uma maneira bem diferente, com um arranjo extrovertido, para fora. Eu queria o oposto do que eu era. Até Caetano, que não participou do ensaio, tomou um susto quando me viu cantar (risos).

Seus fãs mais saudosistas ainda cobram que você mantenha aquela atitude transgressiva dos tempos da Tropicália?
Gal - Essa cobrança já foi feita por muito tempo, mas eu acho que hoje ninguém mais cairia no ridículo de cobrar que eu mantenha aquela postura revolucionária, que eu seja hoje o que eu era na época do Tropicalismo. Se essa cobrança ainda acontecer um dia, vou dar muita gargalhada.

Você sente saudade dos anos 60 ou 70?
Gal – Não sou uma pessoa saudosista. Posso ter saudade da época em que minha mãe era viva, mas não sinto que aquele tempo é melhor do que este. Estou num momento maravilhoso, continuo cantando muito pelo mundo todo. Minha voz está ótima, perfeita. Não perdi nada, só ganhei.

No encarte, você relembra que gravava os vocais de seus discos muitas vezes, no início da carreira. Esse perfeccionismo também tinha a ver com a admiração por João Gilberto?
Gal – Totalmente, tinha tudo a ver com João Gilberto. Não me lembro mais qual, mas sei que cheguei a gravar mais de 25 vezes uma mesma canção para o disco “Domingo”. No final, quando ouvimos, a primeira era a melhor. Com o tempo isso foi se dissipando, esse perfeccionismo exagerado acabou. Hoje, eu gravo a canção quatro ou cinco vezes e escolho a que mais gosto. Às vezes sai direto, logo na primeira vez.

Qual será seu próximo projeto? Vai mesmo gravar em 2011 o disco que Caetano Veloso prometeu produzir?
Gal - Sim, e o grande barato desse projeto é que Caetano está compondo todas as canções. Seis já estão prontas, até já tirei o tom. As músicas são lindas. Considero esse projeto uma homenagem, um presente muito especial de Caetano para mim. Ele é um irmão, temos uma grande identidade musical. Foi João Gilberto que nos uniu.

(Entrevista publicada parcialmente no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 29/10/2010)


Luciana Souza: outras boas doses de samba e jazz com sotaque brasileiro, em "Tide"

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                                                                                                                                      Foto: Gabriel Rinaldi

Um ano após o lançamento no exterior, chega ao mercado brasileiro “Tide” (Verve/Universal), oitavo álbum de Luciana Souza. Radicada há duas décadas nos EUA, onde desfruta de grande prestígio na área do jazz, a cantora e compositora paulistana volta a contar nesse álbum com o violão de Romero Lubambo, seu antigo parceiro, e com o baixo e a produção de Larry Klein, seu marido. Outros jazzistas de renome participaram das gravações, como Larry Goldings (piano e órgão) e Vinnie Colaiuta (bateria).

Filha do compositor e violonista Walter Santos e da letrista Tereza Souza, autores de vários sucessos da bossa nova criada em São Paulo, Luciana retoma no repertório de “Tide” vertentes que marcam seus trabalhos anteriores. Com a sensibilidade e a técnica impecável de sempre, ela relê clássicos da bossa, como “Eu Quero Um Samba” (de Janet de Almeida) e “Sorriu Pra Mim” (de Garoto e Luis Claudio), interpreta poemas musicados de E.E. Cummings e Paulo Leminski, e canta composições inéditas que fez em parceria com Larry Klein e David Batteau.

Falando por telefone de Los Angeles, na Califórnia, onde vive, Luciana relembrou a dificuldade de produzir esse disco, no mesmo período em que perdeu os pais e viu nascer seu filho. Comenta também que a música brasileira continua prestigiada no exterior. E revela que planeja gravar um álbum em homenagem a Walter e Tereza, seus pais.

Esse CD transmite uma sensação de serenidade que não havia em seus primeiros discos. Isso tem a ver com sua experiência recente de maternidade ou com a maturidade dos 44 anos?
Luciana Souza - O processo de feitura desse disco coincidiu com a morte dos meus pais e com o nascimento do Noah, meu filho. Não foi fácil encarar quase ao mesmo tempo dois momentos tão tristes da minha vida e uma das coisas mais lindas que eu poderia experimentar. Sempre conversei com meus pais sobre meus trabalhos. Desta vez, sem os dois, tive que encontrar algo dentro de mim, um centro, para poder continuar, no meio também dessa depressão geral que tomou conta da economia. Apesar de todos os altos e baixos, foi muito legal a sensação de ter conseguido seguir em frente.

Como você escolheu o repertório? 

Luciana - Decidi com o Larry [Klein, baixista e produtor do CD] gravar as coisas que mais gosto: clássicos da bossa nova, sempre homenageando João Gilberto e meu pai, algumas canções originais e poemas de Paulo Leminski e E.E. Cummings. Não sei se esse disco tem a ver com maturidade, mas posso dizer que ele é muito honesto, no sentido de representar tudo o que eu faço ao vivo. Eu canto samba, bossa nova, jazz, canções mais abstratas e uma do Paul Simon, sem letra.

Você abre esse disco com “Adeus América”, samba de Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques, que fala de um brasileiro que vive nos EUA e morre de vontade de voltar. Essa escolha foi casual ou a saudade apertou mesmo? 

Luciana - Tenho saudade de tudo que vivi no Brasil, mas é saudade de um Brasil utópico, que já não existe mais. O samba que eu conheci 30 anos atrás, por exemplo, já é outra coisa hoje. Vou morrer com essa saudade, mas não penso em voltar. Não por não gostar do país, mas porque nunca me dediquei a construir uma carreira no Brasil.

Como você é classificada hoje, nos EUA, como artista?

Luciana - Acho que ainda sou considerada uma cantora de jazz, por causa dos músicos com os quais me associo ou pelas indicações ao Grammy que recebi nessa área. Não é à toa que me chamam de “cantora brasileira de jazz”. Meu lado brasileiro sempre será o mais forte, é a linguagem mais pura que eu tenho.

A música brasileira foi favorecida pelo aumento do prestígio do Brasil no mundo? 

Luciana - Por onde eu tenho circulado, o Brasil é favorecido. A música brasileira ainda é encarada como “world music”, mas ela é uma coisa distinta. Tanto é que aqui não se inclui o Brasil na música latino-americana. Quando faço shows na Europa, percebo que as pessoas sabem quem é Marisa Monte, Rosa Passos, Céu, Vanessa da Mata, Chico Pinheiro.

Você dedicou “Tide” aos seus pais. Já pensou em gravar um álbum só com canções dos dois?

Luciana - Pensei e gostaria muito. Seria uma homenagem ao meu pai, não só com composições dele, mas também com canções que refletem o que ele e minha mãe gostavam na música: Tom Jobim, Luiz Bonfá, Francis Hime, Chico Buarque. Para os arranjos de cordas eu chamaria Vince Mendoza e Johnny Mandel. Esse disco já está pronto na minha cabeça. Só tem um pequeno problema (risos): ele custaria uns 100 mil dólares.

(Entrevista publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 27/08/2010)



 

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