Está chegando às bancas de revistas e
livrarias a “Coleção Folha O Melhor de Elis Regina”. Composta por 25
CDs-livretos, ela inclui os discos essenciais, assim como
gravações raras ou menos conhecidas, dessa grande intérprete que muitos consideram ser a maior cantora brasileira de todos os tempos.
Foi um prazer, como editor e autor de 14 volumes dessa coleção,
contar com as colaborações de Tárik de Souza, Lauro Lisboa Garcia, Mauro
Ferreira e Arthur de Faria, jornalistas e críticos musicais que eu
admiro. E na área do design, mais uma vez, o talento de
Rodrigo Disperati e Erika Tani Azuma, do Collecta Estúdio. O projeto
geral é da editora Mediafashion.
Passar alguns meses ouvindo novamente os
discos de Elis e lendo suas inúmeras entrevistas, só me fez admirar mais
ainda essa artista brilhante e perfeccionista, que não tinha medo de
dizer o pensava, mesmo que tivesse de enfrentar os militares da ditadura
ou até os colegas de profissão.
Outras informações no site www.folha.com.br/elis
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Elis Regina: "Coleção Folha" reúne gravações essenciais da cantora
Marcadores: arthur de faria, cesar camargo mariano, coleção folha o melhor de elis regina, lauro lisboa garcia, mauro ferreira, mediafashion, MPB, samba, tárik de souza, zimbo trio | author: Carlos CaladoFestival Amazonas Jazz: Ron Carter e Dave Liebman vêm para a sétima edição do evento
Marcadores: 2012, dave liebman, Eumir Deodato, festival amazonas jazz, gilson peranzzetta, guinga, instrumental, jazz, joyce, mauro senise, pau brasil, roberto sion, ron carter, rui carvalho, zimbo trio | author: Carlos CaladoJá estabelecido como um dos melhores eventos de jazz e música instrumental do país, o Festival Amazonas Jazz anuncia sua sétima edição, de 24 a 29 deste mês, em Manaus. Como em anos anteriores, a programação principal de concertos ocupará o palco do cultuado Teatro Amazonas, onde, tradicionalmente, também é realizado o Festival Amazonas de Ópera.
A programação deste ano reúne um número maior de atrações brasileiras do que em outros anos. Os grupos Pau Brasil e Zimbo Trio, os duos de Gilson Peranzzetta e Mauro Senise, de Roberto Sion e Itamar Collaço, além da cantora Joyce e do quinteto do pianista e arranjador Eumir Deodato, prometem um panorama variado de estilos de música instrumental brasileira da melhor qualidade.
Dois astros do jazz moderno norte-americano completam o elenco: o contrabaixista Ron Carter (na foto acima), que trará seu quarteto, e o saxofonista Dave Liebman (na foto abaixo), que terá a seu lado dois brasileiros: o violonista e compositor Guinga e o saxofonista Marcelo Coelho. Além de serem músicos brilhantes, que desenvolveram sólidas carreiras no universo do jazz, Carter e Liebman têm algo notável em comum: integraram bandas do trompetista Miles Davis, nos anos 1960 e 1970, respectivamente.
Um dos dois concertos de Liebman, no evento, será como solista da Amazonas Band. Prata da casa, essa afiada big band regida pelo maestro e diretor artístico do festival, Rui Carvalho, tem se apresentado todos os anos, com sucesso. Desta vez a Amazonas Band também fará o concerto de abertura, na noite do dia 24, tendo como convidados o tecladista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise.
Idealizado não apenas com a intenção de oferecer música de alta qualidade ao público local, o Festival Amazonas Jazz investe também na formação dos estudantes de música e profissionais da área, por meio de uma programação pedagógica. Vários dos músicos que se apresentarão no Teatro Amazonas também transmitirão suas experiências pessoais e técnicas em workshops e oficinas.
O encerramento do evento, no domingo (29/7), destaca o quinteto do pianista e arranjador Eumir Deodato. Neste ano, o festival será transmitido ao vivo pela Radio Nacional de Brasília, para várias emissoras do país. Alguns dos shows serão veiculados em vídeo pelo canal Amazon Sat, inclusive em sua página no Facebook.
Confira a programação do evento no site do Festival Amazonas Jazz.
Debora Gurgel: pianista paulista revela maturidade e elegância em CD solo
Marcadores: amilton godoy, césar camargo mariano, chick corea, dani gurgel, daniel d'alcântara, debora gurgel, debussy, pixinguinha, sidiel vieira, thiago rabello, vitor alcântara, zimbo trio | author: Carlos Calado
Photo by Dani Gurgel/Divulgação
Atuante na cena da música instrumental de São Paulo, a pianista e arranjadora Debora Gurgel lança seu primeiro álbum solo (distribuido pela Tratore), com dez composições próprias. O trio com o baixista Sidiel Vieira e o baterista Thiago “Big” Rabello é reforçado, em algumas faixas, por outros músicos talentosos, como o trompetista Daniel D’Alcântara e o saxofonista Vitor Alcântara.
O jazzístico choro “Pros Mestres”, dedicado pela pianista a Amilton Godoy (Zimbo Trio), César Camargo Mariano, Chick Corea e Pixinguinha, já revela suas influências. O lirismo de “Reencontro”, colorida por um naipe de sopros, o contagiante sotaque latino de “Das Américas” e o inusitado maracatu “Clara da Luna”, com citações de “Clair de Lune” (Debussy), chamam atenção de cara.
Debora ainda inclui no repertório a canção “Despedida” e o samba “Encrenca”, parcerias com Dani Gurgel, sua filha, que também contribui com os vocais. Um álbum elegante e maduro, que só poderia ter nascido com a experiência e a evidente paixão pela música.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 30/6/2012)
Atuante na cena da música instrumental de São Paulo, a pianista e arranjadora Debora Gurgel lança seu primeiro álbum solo (distribuido pela Tratore), com dez composições próprias. O trio com o baixista Sidiel Vieira e o baterista Thiago “Big” Rabello é reforçado, em algumas faixas, por outros músicos talentosos, como o trompetista Daniel D’Alcântara e o saxofonista Vitor Alcântara.
O jazzístico choro “Pros Mestres”, dedicado pela pianista a Amilton Godoy (Zimbo Trio), César Camargo Mariano, Chick Corea e Pixinguinha, já revela suas influências. O lirismo de “Reencontro”, colorida por um naipe de sopros, o contagiante sotaque latino de “Das Américas” e o inusitado maracatu “Clara da Luna”, com citações de “Clair de Lune” (Debussy), chamam atenção de cara.
Debora ainda inclui no repertório a canção “Despedida” e o samba “Encrenca”, parcerias com Dani Gurgel, sua filha, que também contribui com os vocais. Um álbum elegante e maduro, que só poderia ter nascido com a experiência e a evidente paixão pela música.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 30/6/2012)
Zimbo Trio: Amilton Godoy fala sobre novos projetos do lendário trio instrumental
Marcadores: amilton godoy, bossa nova, instrumental, jazz, samba, zimbo trio | author: Carlos CaladoEm atividade desde 1964, sem interrupções, o Zimbo Trio é um dos grupos musicais mais antigos no mundo. “Ainda não fizemos tudo”, diz o pianista e compositor paulista Amilton Godoy (à esquerda, na foto acima, com Itamar Collaço e Rubinho Barsotti), hoje com 70 anos, revelando que ele e seus parceiros já estão pensando em como vão comemorar o 50º aniversário do trio, em 2014.
“Zimbo Trio Autoral” (lançamento DG Produções) é o primeiro CD do trio com composições de sua autoria. Por que só fizeram um projeto como esse agora?
Amilton Godoy - O Zimbo sempre se serviu do que havia de melhor na música brasileira. Depois de tanto tempo tocando compositores que apreciamos, como Tom Jobim, Milton Nascimento ou Chico Buarque, estava na hora de eu ganhar uma colher de chá. Talvez eu ainda tenha futuro como compositor (risos). Este CD foi gravado ao vivo, no Teatro Fecap, em 2010. Além do Rubinho [Barsotti, baterista que fundou o trio com o baixista Luiz Chaves, morto em 2007], participam desta fase do Zimbo o baixista Marinho Andreotti e o baterista Percio Sapia.
No DVD “Zimbo Trio 45 Anos” (gravado em 2009 e também lançado agora pela Arte Viva), chamam atenção releituras de Bach e Rimsky-Korsakov. Como a música clássica entrou no universo musical do trio?
Godoy - Essas músicas faziam parte do disco “Opus Pop - Clássicos com Bossa”, que gravamos em 1972. André Midani, diretor da Phonogram, nos pediu um disco de obras eruditas tocadas com suingue brasileiro. Eu fiz os arranjos e o maestro Cyro Pereira fez as orquestrações. Rubinho e Luiz foram muito felizes ao conduzir ritmicamente essas músicas. Esse disco vendeu muito e abriu portas para o trio no exterior.
Qualquer música pode ser tocada em ritmo de bossa nova?
Godoy - Você precisa gostar da música que vai interpretar; depois, tem que experimentar. Acho que vários gêneros musicais podem ser adaptados ao suingue da bossa nova, que já se tornou uma linguagem mundial.
Na década de 60, nacionalistas xenófobos criticavam a “influência nociva” do jazz. O Zimbo também sofreu esse tipo de preconceito?
Godoy - Isso jamais nos trouxe problemas. Nunca escondemos que fazíamos um jazz brasileiro, mas por que tocar música americana se podíamos improvisar sobre a nossa música? Já a partir do terceiro disco, gravamos Johnny Alf, Chico Buarque, Milton Nascimento. Quem ia ter coragem de dizer que esses compositores eram jazzistas?
Hoje o Zimbo Trio é um dos grupos musicais mais antigos em atividade no mundo. Como explica essa longevidade?
Godoy - Continuamos tocando porque achamos que ainda não fizemos tudo. Após a saída do Luiz Chaves, demos muita sorte com a entrada do Itamar Collaço, que ainda tocou com a gente na gravação do DVD. O entrosamento tem que continuar fora do palco. Num grupo como o Zimbo, não há lugar para vaidades. É toda uma vida voltada para a música instrumental.
Vocês já têm planos para festejar os 50 anos do trio, em 2014?
Godoy - Queremos lançar em CD nossos discos antigos. O produtor Marcelo Fróes já conseguiu liberar os seis primeiros, que gravamos pela RGE, na década de 1960. A idéia é que eles saiam ainda neste ano. Depois pretendemos relançar os discos que fizemos pelo selo Clam. Queremos que as pessoas tenham mais acesso à nossa história.
(entrevista publicada no “Guia Folha – Livros, Disco e Filmes”, em 24/6/2011)
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