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Aretha Franklin: voz poderosa da 'rainha do soul' rompeu fronteiras entre gêneros musicais

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“Que voz é essa”? Muitos ouvintes que escutaram pela primeira vez a voz cortante e poderosa de Aretha Franklin – interpretando sucessos como “Think”, “Call Me” ou “I Say I Little Prayer”, na programação das rádios comerciais durante as décadas de 1960 e 1970 – devem ter se feito essa pergunta. 

Quando a ouviu, em 1960, o experiente produtor norte-americano John Hammond não pensou duas vezes para contratá-la. “Meu Deus, é a voz mais bonita desde Billie Holiday!”, surpreendeu-se o executivo da gravadora Columbia.

Com uma rara extensão de quase quatro oitavas, a voz de Aretha soava como algo fora do comum, uma força da natureza. Poucos são os cantores que, como ela, tinham o poder de arrepiar seus ouvintes – e ela fazia isso com naturalidade.

No caso de Aretha, não se tratava apenas de um atributo físico ou técnico. Como grande intérprete que era, ela transmitia uma dose de sinceridade em suas gravações e performances, que conquistava o ouvinte logo na primeira audição. Bastava ouvir alguns versos de uma balada dolorida, de uma canção de protesto ou mesmo de um hino religioso, para que o ouvinte se sentisse, imediatamente, um confidente daquela intérprete tão carismática.

Com sua voz incomparável, Aretha conseguiu romper as supostas fronteiras entre a soul music, o rhythm & blues, o gospel, o jazz e o rock, numa época em que essas divisões pareceriam reproduzir a segregação racial que predominava na sociedade norte-americana. Seu talento natural e a habilidade como improvisadora lhe permitiam transformar até uma fútil canção pop em algo sedutor e convincente.

Um dos mais influentes e cultuados cantores e compositores da música negra norte-americana, Otis Redding (1941-1967) foi obrigado a se curvar frente ao poder musical da “Queen of Soul” (rainha do soul). Seu sucesso “Respect” alcançou uma repercussão muito maior ao ser regravado por ela.

Ampliado pela voz de Aretha, o efeito dessa canção ganhou duplo sentido ao exigir em seus versos “um pouco de respeito”. “Respect” transformou-se em hino espontâneo da luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. E logo foi adotado pelas ativistas do movimento feminista.

Vale lembrar que, mesmo sem ter tido uma educação formal de música, Aretha aprendeu o que precisava em casa e na igreja do pai para seguir a carreira musical. Ali conviveu com grandes intérpretes da música gospel, como Mahalia Jackson e Clara Ward, cujas vozes a estimularam a querer ser cantora.

Embora tenha se dedicado a diversos gêneros musicais, a essência de seu canto estava no gospel. Não foi à toa que, depois de lançar alguns de seus discos mais cultuados, como “I Never Loved a Man” (1967), “Spirit in the Dark” (1970) ou “Young, Gifted and Black” (1971), Aretha gravou “Amazing Grace” (1972). Um retorno revelador às suas raízes musicais.

(Texto publicado na “Folha de S. Paulo”, em 17/8/2018, por ocasião da morte de Aretha Franklin)

New Orleans Jazz Fest 2018: será que Aretha Franklin vai aparecer desta vez?

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Desde que a produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival divulgou a programação oficial de sua 49ª edição, que será realizada de 27/4 a 6/5, os admiradores de Aretha Franklin (a maior intérprete da soul music, na opinião de críticos conceituados) já começaram a se perguntar: “Será que desta vez ela vai aparecer mesmo”?

A dúvida se justifica, já que a cantora (hoje com 75 anos) cancelou apresentações anunciadas nesse festival em 2009 e 2010. Para tranquilizar os frustrados fãs locais, Quint Davis, produtor do evento, avisou que desta vez ela reservou quatro dias de hotel na cidade e que terá a seu lado, no show do dia 28/4, uma banda grande com seção de sopros, piano de cauda, órgão e alguns vocalistas. Mais um detalhe importante: como Aretha tem medo de viajar de avião, segundo Davis, ela fará o percurso Detroit-New Orleans de ônibus.

A programação desta edição do Jazz Fest (é assim que a população de New Orleans o chama) destaca outros nomes de peso na área da soul music e do rhythm & blues, como o veterano compositor e cantor Smokey Robinson, a cantora Anita Baker, a banda Maze e o cantor e compositor Charlie Wilson (ex-The Gap Band). Sem falar em Irma Thomas, estrela local conhecida como “rainha do soul de New Orleans”. É ela quem abre o vídeo de divulgação do Jazz Fest 2018, cujo link está ao final deste texto.

Se você nunca esteve em New Orleans, ao ler entre os destaques do festival os nomes de vários medalhões da pop music e do rock, como Aerosmith, Sting, Jerry Lee Lewis, David Byrne, Beck, Jack White, Steve Miller Band ou Jack Johnson, pode ficar com uma impressão errada. Embora destine grande parte da programação de seus dois palcos maiores a atrações de rock e pop, o Jazz Fest reserva outros oito palcos ao jazz, ao blues, ao gospel, ao soul e ao rhythm and blues, à música caribenha, ao zydeco e outros ritmos da Louisiana -– ou seja, a todas as manifestações musicais que fazem parte da herança afro-americana nos Estados Unidos.

Por isso, entre os mais de 400 shows desta edição, há astros de vários gêneros da música negra: como os jazzistas Ron Carter, Dianne Reeves, Archie Shepp, Charles Lloyd, Marcus Miller, Terence Blanchard e Ellis Marsalis; os bluesmen Buddy Guy, John Mayall e a banda The Fabulous Thunderbirds; ou ainda carismáticas bandas locais, como Galactic, Dirty Dozen Brass Band, Soul Rebels, Big Sam’s Funky Nation, Bonerama e a Rebirth Brass Band, entre outras, que misturam vários ritmos em seus repertórios.

Aliás, é impressionante a variedade de gêneros musicais que são cultivados na cosmopolita New Orleans, quase sempre com alta qualidade. Não é à toa que mais de 90% da programação do Jazz Fest é reservada a atrações locais: do hip-hop da divertida banda Tank & The Bangas ao jazz contemporâneo do excelente quarteto Astral Project; do blues moderno de Walter “Wolfman” Washington ao irresistível funk da Ivan Neville’s Dumpstaphunk, que também estarão no programa desta edição.

No ano em que New Orleans comemora 300 anos, o Jazz Fest vai reservar seu último domingo para festejar essa efeméride. Também vai contar com o Pavilhão do Intercâmbio Cultural, onde acontecerá uma programação diária de shows, exposições e degustação de pratos típicos que remetem à influência de povos europeus, orientais e hispânicos na formação cultural da cidade. 


Atualização (em 16/3/2018): A produção do New Orleans Jazz & Heritage Festival anunciou hoje que Aretha Franklin cancelou sua apresentação. Segundo a nota oficial, "extremamente desapontada", a cantora foi obrigada por seu médico a abandonar as viagens e descansar por pelo menos dois meses. Aretha será substituída, no show de 28/4 em New Orleans, pelo cantor Rod Stewart. 

Conheça a programação completa e outras informações sobre o 49º New Orleans Jazz & Heritage Festival no site oficial do evento: www.nojazzfest.com



Soul Train: compilação do pioneiro programa de TV de música negra sai em caixa de DVDs

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Na década de 1970, os jovens e adolescentes norte-americanos que curtiam soul music, rhythm & blues ou funk não o perdiam por nada. Transmitido pela TV, nas manhãs de sábado, “Soul Train” foi o primeiro programa de grande alcance exclusivamente dedicado à música negra. Exibia apresentações e entrevistas de astros do gênero, como James Brown, Stevie Wonder , Al Green
(no video abaixo), Curtis Mayfield, Isaac Hayes, Chaka Khan, Jackson Five e Temptations.

Outra atração que os fãs adoravam era a Soul Train Gang, divertida trupe de bailarinos que a cada semana exibia novas danças, criando modismos, com seus cabelões afros e calças boca-de-sino (veja o clipe abaixo). Vídeos com trechos do programa, que ficou no ar durante três décadas, já circulam há tempos pela internet, mas agora é possível apreciar um número bem maior de preciosidades de seu arquivo, com o lançamento da caixa “The Best of Soul Train” (à venda no site www.timelife.com).

São oito DVDs, com mais de 13 horas de duração, que trazem o que o programa exibiu de melhor durante os anos 1970. Só o elenco reunido no primeiro volume – Aretha Franklin, Marvin Gaye, Gladys Knight, Earth, Wind & Fire, Isley Brothers e Barry White – já é capaz de deixar qualquer fã de música negra com muita água na boca.

(texto publicado na revista "Homem Vogue", nº 30 

41º New Orleans Jazz & Heritage Festival: mais algumas cenas do evento

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                                                                             Fotos: Carlos Calado

Bom humor - "Obrigado, Aretha", dizia o cartaz de uma fã bem humorada durante o show da banda Earth, Wind & Fire, que substituiu Aretha Franklin. Não houve vaias na platéia, mas depois de dois cancelamentos consecutivos quem ainda pode acreditar que a Lady Soul (que tem medo de viajar de avião) quer mesmo se se apresentar em New Orleans? 

Tributos - Morta prematuramente, em março deste ano, a cantora Marva Wright foi homenageada com a inclusão de sua imagem ao lado de outros músicos ilustres da cidade que já se foram, além de um concerto-tributo com Davell Crawford e Papa Grows Funk.


Firme no gospel - Também conhecido entre o público paulistano depois de várias temporadas no Bourbon Street Music Club, o cantor e pianista Davell Crawford comandou uma emocionante apresentação na Tenda Gospel com o coro feminino de sua igreja.



Sucesso - Os olhares de admiração dos fãs, que fizeram fila para pedir autógrafos e tirar fotos com o trompetista Kermit Ruffins, mostram que a série de TV "Tremé" conseguiu, enfim, que norte-americanos de outras regiões do país se interessem por New Orleans.
O dia seguinte - Na manhã posterior ao encerramento do festival, a Louisiana Music Factory, loja de discos favorita dos músicos e dos fãs da música local, prosseguia com sua série de pocket shows. Em New Orleans, a música e a diversão quase não param.

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Billie, Ella, Aretha, Marvin e Simonal: "Cinco Grandes Vozes Negras" em videos

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Como prévia do novo curso que vou dar na Casa do Saber, a partir de 25 de fevereiro, aqui vão alguns vídeos com cinco dos maiores intérpretes da música negra norte-americana e brasileira: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Marvin Gaye e Wilson Simonal. Divirta-se!
















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41º New Orleans Jazz & Heritage Festival: evento anuncia Aretha Franklin em sua próxima edição

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Aretha Franklin, grande diva da soul music, será um dos destaques da próxima edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que vai acontecer entre 23 de abril e 2 de maio. Eclética como de hábito, a programação do evento inclui também o jazz de Wayne Shorter, Dee Dee Bridgewater (com um tributo a Billie Holiday), Joe Lovano, Terence Blanchard, Nicholas Payton, Marcus Miller e Stanley Clarke, entre outros.
 

Não faltam também astros da black music. O elenco do festival (com cerca de 500 atrações) inclui o funk de George Clinton, o soul e o R&B de Take Six, Ledisi, Anita Baker, Lionel Ritchie e Clarence Carter, o blues de B.B.King, o gospel contemporâneo de Kirk Franklin ou o afropop de King Sunny Adé. Sem falar em carismáticos figurões da cena musical de New Orleans, como os Neville Brothers, Dr. John, Irma Thomas, Allen Toussaint, Astral Project, Davell Crawford e Jon Cleary, entre muitos outros.
 

E para os fãs da música pop e do rock, o festival anuncia Simon & Garfunkel, Elvis Costello, Allman Brothers Band, Pear Jam, Van Morrison, Jose Feliciano e Richie Havens. Se você ainda não conhece New Orleans, está esperando o quê? Essa será a melhor época do ano para visitar a cidade mais musical, mais relaxada, mais divertida e menos norte-americana dos Estados Unidos...

(Veja a programação completa no site do New Orleans Jazz & Heritage Festival)

 

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