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Amazonas Green Jazz: festival de Manaus volta rebatizado ao seu palco

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                  O centenário Teatro Amazonas, palco do Amazonas Green Jazz Festival / Foto: Divulgação

Após um hiato de dois anos provocado pela pandemia, o Festival Amazonas Jazz – um dos mais conceituados eventos do gênero em nosso país – retorna ao palco do centenário Teatro Amazonas, em Manaus, de 22 a 30 deste mês de julho. Rebatizado de Amazonas Green Jazz Festival, o evento entra em nova fase, mas mantém sua essência e a direção artística do maestro Rui Carvalho, que o coordena desde sua primeira edição, em 2006.

Segundo Carvalho, o Amazonas Green Jazz tem dois eixos fundamentais. “Além dos concertos realizados no Teatro Amazonas, que buscam a formação de uma plateia para esse gênero musical em Manaus, o festival também contribui para a sedimentação do conhecimento através de uma enorme e variada gama de workshops e palestras totalmente gratuitos e abertos a todos”, explica o maestro.

Os pianistas Aaron Parks, Edsel Gomez e Amilton Godoy, os trompetistas Randy Brecker, Keyon Harrold e Ed Sarath, o trombonista John Fedchock, o baterista Jeff “Tain” Watts, a cantora Leila Pinheiro, o Trio Corrente e o duo Gilson Peranzzetta e Mauro Senise se destacam no elenco desta edição. A programação também inclui três concertos da Amazonas Band, big band regida pelo maestro Rui Carvalho, com diferentes repertórios.

Num total de 24 eventos didáticos, os workshops e palestras oferecidos gratuitamente pelo festival são dirigidos a músicos profissionais, entusiastas e estudantes de música, dança e outras áreas culturais. Na abertura dessa extensa programação, dia 22/7, o pianista e compositor Edsel Gomez ministra workshop sobre o Latin Jazz.

No dia seguinte, Mauricio Zottareli, baterista brasileiro radicado em Nova York, comanda um workshop sobre bateria e lança seu livro “AM Jazz Drumming”. O saxofonista e pesquisador Marcelo Coelho vai conduzir dois eventos: o workshop Rap e Jazz (em 23/7) e a palestra “Economia Criativa e Mercado Musical” (25/7). Já em 28/7, vou ministrar a palestra "A Explosão dos Festivais de Jazz", esboço do livro homônimo que estou escrevendo para a Sesc Edições.

Venda de ingressos para os concertos do festival e a programação completa de workshops e palestras você encontra no site oficial do festival:
www.amazonasgreenjazzfestival.com.br

 




 

Festival Amazonas Jazz: evento retorna com novidades após hiato de cinco anos

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                                  Randy Brecker, atração do 10.º Festival Amazonas Jazz / Foto de divulgação

Um dos grandes festivais de jazz e música instrumental em nosso país volta à ativa após um hiato de cinco anos. A 10ª edição do Festival Amazonas Jazz vai oferecer durante nove dias de programação (de 21 a 29/3), na cidade de Manaus, 16 concertos com renomados músicos do gênero. O evento inclui também uma extensa série de atividades educativas, todas gratuitas, num total de 33 workshops, oficinas e palestras.

Entre expoentes dessa vertente musical que vão se apresentar no imponente Teatro Amazonas destacam-se os trompetistas Randy Brecker, Keyon Harrold e Ed Sarath, o baterista Jeff “Tain” Watts, os pianistas Aaron Parks e Edsel Gomez, o saxofonista Frode Gjerstad e o trombonista e arranjador John Fedchock. Os ingressos para os concertos e shows variam entre R$ 20 e R$ 80.

O elenco nacional também é de alto quilate. O duo do pianista Gilson Peranzzetta com o flautista Mauro Senise, o Trio Corrente, o saxofonista Marcelo Coelho e seu grupo McLav.in, o trio do pianista Amilton Godoy com o gaitista Gabriel Grossi e o quarteto do trompetista Daniel D’Alcântara garantem música instrumental brasileira da melhor qualidade. Bem representadas pela cantora Leila Pinheiro, a bossa nova e a MPB também têm um merecido espaço na série de concertos e shows.

Idealizador e diretor artístico do festival desde a primeira edição, o maestro Rui Carvalho estará mais uma vez à frente da Amazonas Band 
 conceituada big band de Manaus, que vai se apresentar nas noites de abertura e de encerramento do evento. Ele conta que o conceito do festival começou a ser desenvolvido um ano antes de sua estreia (em 2006), com a realização de um projeto intitulado Amazonas Band Convida.

“A ideia era trazer a Manaus músicos de alto calibre, que fomentassem o jazz junto à plateia local, oferecendo espetáculos de alto nível”, relembra Carvalho. “Além disso, esses músicos também deveriam realizar workshops que contribuíssem para aumentar o nível dos estudantes e músicos daqui. Logo percebemos que seria interessante ampliar o escopo dessas atividades”.

Assim surgiu um festival de jazz e música instrumental brasileira, que desde a primeira edição investiu bastante na formação de uma plateia para esse gênero musical, assim como no aprimoramento técnico dos instrumentistas da região 
 uma característica essencial, que o diferencia da maioria dos festivais de jazz brasileiros.

“Além das palestras, workshops e masterclasses no campo específico da música, logo no primeiro festival já tivemos um curso sobre áudio, ministrado pelo engenheiro de gravação Clement Zular, que surgiu em decorrência da necessidade de aprimorar o nível dos nossos técnicos de som”, comenta Carvalho, ressaltando também a iniciativa de o festival focalizar em diversas palestras as relações e afinidades do jazz com outras áreas da cultura, como o cinema, o teatro, a dança ou a pintura.

Uma novidade na edição deste ano é a transformação da Casa das Artes (localizada ao lado do Teatro Amazonas, no centro de Manaus), em Casa do Jazz. Esse espaço já funciona diariamente, das 9h às 21h, com uma programação gratuita de filmes que dialogam com o jazz, além da exibição de episódios da série documental “Jazz”, de Ken Burns, que registra e discute a evolução desse gênero musical.


Inédita também na programação do festival é a realização do Concurso Jovem Instrumentista. Os vencedores, eleitos por um júri especializado, vão se apresentar no Teatro Amazonas, dia 24, antes do show do saxofonista norueguês Frode Gjerstad.

Outras informações no site do Festival Amazonas Jazz



Discos de 2019: música instrumental e jazz do Brasil em 50 álbuns recomendados

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Já que o ano passado foi tão marcado por polarizações e antagonismos ideológicos, decidi extrapolar por uma boa causa: minha lista de recomendações de álbuns lançados no último ano é dedicada exclusivamente à música instrumental brasileira e suas eventuais conexões com o jazz.

Tomei essa decisão por dois motivos. Como em anos anteriores, as listas de “melhores” discos já publicadas ou postadas tendem a esnobar a música instrumental. Quase todas elas concentram-se em vertentes como o chamado pop “indie”, o hoje hegemônico rap, o combalido rock ou a porção mais alternativa da MPB. Uma exceção, nessas listas, é a eventual presença do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda.

Não se trata apenas de defender a merecida inclusão do som instrumental entre o que se faz de melhor na cena musical de hoje, mas também de afirmar a alta qualidade musical dessa vertente. Quem se der a oportunidade de ouvir ao menos alguns dos discos listados e comentados a seguir vai perceber que a produção instrumental brasileira esbanja diversidade musical, beleza, refinamento sonoro e contemporaneidade.

Como as vendas de CDs já não são as mesmas de outros tempos, quase todos esses músicos selecionados aqui disponibilizam seus discos (ou pelo menos algumas faixas) no YouTube. Se você clicar no título de cada um, na lista abaixo, pode conhecer esses discos, assim como se familiarizar com alguns desses instrumentistas. Se gostar, tenho certeza de que esses músicos vão ficar felizes se você comprar seus discos ou for ouvi-los ao vivo, na próxima vez em que eles se apresentarem em sua cidade.

Tomara que esta lista ajude você a ampliar o repertório musical que vai frequentar seus ouvidos e sua sensibilidade em 2020. Aproveite! 

Ademir Cândido - “Ritmos do Brasil” (independente) – Guitarrista e compositor gaúcho, Ademir viveu 20 anos na Suíça antes de voltar ao país. Seu quinto álbum celebra a diversidade da música brasileira, em composições próprias como o samba-jazz “O Fino da Bossa”, o xote “Enxotando” e o samba “Pakito na Gafieira”. Participações de Jaques Morelenbaum (cello) e Marcelo Martins (sax soprano), entre outros.

Alexandre Caldi e Itamar Assiere - “Afro+Sambas” (Biscoito Fino) – Ao reler o cultuado álbum “Os Afro-Sambas” (1966), de Baden Powell e Vinicius de Moraes, o saxofonista e o pianista tomam a liberdade de acrescentar aos oito sambas do disco original outros três de Baden: “Labareda”, “Samba Novo” e “Consolação”. Essa liberdade se estende também ao tratamento harmônico dos arranjos e aos improvisos do duo.  


Alexandre Carvalho Quartet - “Rio Joy” (independente) – O jazzístico arranjo da bossa nova que dá nome a este álbum revela as referências musicais do excelente guitarrista e compositor carioca, que também desenvolve carreira nos EUA. À frente de seu quarteto, Alexandre recria clássicos da música instrumental brasileira, como “The Dolphin” (de Luiz Eça) e “Samba Jazz” (JT Meirelles), e exibe temas autorais.

Alfredo Dias Gomes - “Solar” (independente) – Depois de tocar com figurões do instrumental brasileiro, o baterista e tecladista carioca tem lançado discos que demonstram sua grande afinidade com o jazz-rock. Autoral, seu novo álbum o reaproxima da música brasileira, em faixas como o baião “Viajante” e a percussiva “Solar”. É praticamente um projeto “eu comigo mesmo”, com participação do saxofonista Widor Santiago.

André Magalhães - “Para Ti - Batuques e Melodias dos Cantos” (Circus) – Um ensaio autobiográfico e étnico-musical. É assim que o produtor e baterista paulista, hoje com 51 anos, define seu primeiro álbum. André criou uma trilha sonora de suas vivências musicais de pesquisador, em composições instrumentais que misturam batuques, vozes, sons da natureza e cantos indígenas. Música imersiva que emociona e faz pensar.

André Mehmari Trio - “Na Esquina do Clube com o Sol, na Cabeça” (Estúdio Monteverdi) – O prolífero multi-instrumentista já tinha flertado com as canções do Clube da Esquina, em 2011, num disco de piano solo para crianças. Agora, ao lado de Neymar Dias (baixo) e Sergio Reze (bateria), vai mais fundo nas releituras de “Tudo Que Você Podia Ser” (Lô e Márcio Borges) e “Canoa Canoa” (Nelson Ângelo), entre outras.

Banda Urbana - “Relatos Suburbanos” (independente) – Ativa há 13 anos, a big band paulistana, que se dedica à música instrumental, chega ao seu terceiro álbum. As seis faixas incluídas no repertório deste disco foram compostas e arranjadas por integrantes da banda. Destaque para o baião “Do Mar” (do saxofonista Raphael Ferreira), que conta com participação especial do acordeonista Toninho Ferragutti.

                                           


Benjamim Taubkin & Ivan Vilela - “Encontro” (Núcleo Contemporâneo) – O pianista paulista e o violeiro mineiro cultivam neste duo um repertório que viaja por diferentes paisagens sonoras, tanto urbanas como interioranas. Belezas de sobra, em composições próprias como “Mantendo a Fé” (de Taubkin) ou “Sertão” (de Vilela), assim como nas releituras de “Milagre dos Peixes” e “Cravo e Canela” (Milton Nascimento).


Bruno E. & Coletivo Superjazz - “São Paulo Jazz Rebels” (Urubu Jazz) – Clubes essenciais na cena instrumental e jazzística paulistana, como o Bourbon Street, o Ó do Borogodó e o JazznosFundos, serviram de inspiração para composições do contrabaixista e vocalista goiano radicado em São Paulo. À frente de seu quinteto, Bruno conta com participações do vibrafonista Beto Montag e do cantor Toinho Melodia.

Café Mestiço (independente) – Álbum de estreia do trio paulistano, formado por Michi Ruzitschka (violão de 7 cordas), Ricardo Araújo (guitarra portuguesa) e Beto Angerosa (percussão). A instrumentação inusitada tem tudo a ver com o repertório eclético, que vai do choro “Eu Quero É Sossego” (de K-Ximbinho) ao novo tango de Piazzolla (“Oblivion”), passando por pérolas musicais de Cabo Verde e do Paraguai.

Carol Panesi - “Em Expansão” (Blaxtream) – Segundo álbum da talentosa multi-instrumentista e vocalista carioca, cujo quarteto inclui Fábio Leal (guitarra), Jackson Silva (baixo) e Guegue Medeiros (bateria). Seguidora da “música universal” de Hermeto Pascoal, Carol exibe uma nova safra de composições próprias recheadas de referências espirituais, como “Transmutação Violeta”, “Cordão Astral” e “Somos Todos Um”.

Cristian Sperandir - “Bons Ventos” (independente) – Álbum de estreia do pianista e tecladista gaúcho. Acompanhado por Antônio Flores (violão e guitarra), Caio Maurente (contrabaixo), Sandro Bonato (bateria) e Bruno Coelho (percussão), Cristian toca composições de sua autoria, como “Aquífero”, “Passeio de Notas” e “Tiro de Brazuca”, que combinam influências da música popular brasileira e do jazz.

Danilo Brito & André Mehmari - “Nosso Brasil” (independente) – Uma pena que o atormentado Brasil de hoje não demonstre a mesma alegria revelada por este duo inspirador. Recriando antigos choros, como “Amoroso” (de Garoto) e “Sedutor” (Pixinguinha), ou a valsa “Terna Saudade” (Anacleto de Medeiros), Brito, ao bandolim, e Mehmari, ao piano, referem-se com afeição a um país que já foi mais sonhador e solidário.

Daniel Murray - “Universo Musical de Egberto Gismonti” (Carmo/ECM) – Um dos grandes violonistas da cena instrumental de hoje, o músico carioca faz seu tributo a Gismonti, cuja obra já frequenta seus concertos há muito tempo. Entre as 13 faixas, 11 arranjos de Daniel para violão solo de preciosidades como “Forrobodó”, “Maracatu”, “Frevo” e “Água e Vinho”. A produção é assinada pelo próprio Gismonti. 


 
                                                 

Duofel, Carlos Malta e Robertinho Silva - “Duo + Dois” (Sesc) – Quem já assistiu a algum show desse inventivo quarteto deve ter notado a alegria que esses instrumentistas de alto quilate demonstram ao tocarem juntos. Entre 13 clássicos da bossa e da MPB, as releituras de “Maracangalha” (Dorival Caymmi), “Água de Beber” (Tom Jobim) e “Canto de Yemanjá” (Baden Powell) são especialmente contagiantes.

Fábio Gouvea - “Decênio” (Blaxtream) – O guitarrista e compositor paulista (integrante do Trio Curupira) criou uma extensa peça instrumental em quatro movimentos, inspirada por suas memórias afetivas da última década. Nas gravações, Fábio tem a seu lado Dô de Carvalho (saxofones e flauta), Gustavo Bugni (piano), Felipe Brisola (contrabaixo), Cleber Almeida (bateria, percussão e vocais) e Amanda Mara (vocais).

Fernando TRZ - “Solstício” (Maion) – Primeiro álbum solo do pianista, compositor e produtor paulista, que já tocou com as bandas Cérebro Eletrônico e Liniker e os Caramellows. As sete faixas são autorais. “Janeiro” remete às trilhas sonoras de filmes da “blacksploitation” dos anos 1970. O baião “Gira” mistura sons eletrônicos com um naipe de sopros. O momento lírico do disco vem em “Flores Noturnas”.

Giba Estebez – “Omni” (independente) – Ativo na cena instrumental de São Paulo, o pianista e compositor sintetiza no genérico título de seu álbum (“tudo”, em latim) as diversas influências que sua música engloba. Em “Dance”, Giba revela afinidades com o jazz elétrico dos anos 1970. Eletrificado também é o seu suingado “Samba da Hora”. Já a romântica “Ballad for Nina” destaca o sax tenor de Nina Novoselecki.  


Gilson Peranzzetta e Mauro Senise - “Cinema a Dois” (Fina Flor) – Parceiros há quase três décadas, o pianista e o flautista dedicam este álbum a temas de clássicos do cinema, como “Over the Rainbow” (do filme “O Mágico de Oz”), “Cinema Paradiso” ou “When You Wish Upon a Star” (de “Pinocchio”). Jazzistas sensíveis que são, Peranzzetta e Senise sabem equilibrar emoção e criatividade nas suas releituras.  


Hamilton de Holanda - “Harmonize” (Brasilianos) – Mesmo depois de lançar quatro discos em 2018, o bandolinista carioca não deixou o ano seguinte passar em branco. Ao lado de Daniel Santiago (violão), Thiago do Espírito Santo (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), craques do gênero, Hamilton exibe dez composições próprias que flertam com o jazz, até com a música pop, sem abrir mão do samba e do choro.

Hércules Gomes - “Tia Amélia Para Sempre” (Sesc) – O pianista capixaba homenageia a lendária "pianeira" e compositora goianiense Amélia Brandão Nery, a Tia Amélia (1922-1980). Entre as 14 faixas, Hércules interpreta choros como “Saracoteando” e “Cheio de Truques”, em solos de piano. Em outras conta com craques do choro, como Nailor Proveta (clarinete), Izaías (bandolim) e Gian Correa (violão de 7 cordas).

Igor Willcox Quartet - “Live at The Jazz Room” (Room 73) – O quarteto paulista gravou ao vivo este álbum durante turnê pelo Canadá, em 2019. O líder (bateria), Glécio Nascimento (baixo), Vini Morales (piano e teclados) e Wagner Barbosa (sax tenor) tocam repertório próprio, que destaca o jazz-funk “Brotherhood” (de Willcox), as líricas “Piano Intro” e “Brad Vibe” (Morales) e o jazz-rock “U.F.O” (Willcox).

João Taubkin Grupo - “Kandra” (independente) – Paralelamente à parceria que tem desenvolvido com a cantora moçambicana Lenna Bahule, o contrabaixista e compositor paulistano lança mais um álbum autoral, agora à frente de um quarteto que inclui Rodrigo Bragança (guitarra), Sérgio Reze (bateria) e Zé Godoy (piano). Faixas como “Outlander” e “Miragem” revelam influências do jazz e do rock alternativo. 

                                                  

Joel Nascimento & Fábio Peron - “Jacob do Bandolim 100 Anos: Sentimento & Balanço” (Sesc) – Dois brilhantes bandolinistas de diferentes gerações cultuam a obra desse expoente do choro e compositor carioca, que adotou o bandolim até em seu nome artístico. Joel e Fábio relembram joias do mestre, como “Doce de Coco”, “Gostosinho”, “Assanhado” e “Santa Morena”. Os arranjos são assinados pelo cavaquinista e violonista Henrique Cazes.

Lelo Nazário - “Projeto MI²” (Utopia) – Um dos criadores do experimental Grupo Um, o pianista e compositor paulistano ressalta que produziu este álbum solo integralmente em seu estúdio – das gravações à capa. Tocando teclados e sintetizadores, Lelo exibe oito composições inéditas que utilizam diversas linguagens de vanguarda. Participações especiais do pianista Felix Wagner e da flautista Andrea Ernest Dias.

Letieres Leite Quinteto - “O Enigma Lexeu” (Rocinante) – O compositor e arranjador baiano, líder da cultuada Orkestra Rumpilezz, comanda o primeiro disco de seu quinteto. Autor das sete composições, da encantatória “Casa do Pai” à intensa “Mestre Moa do Katendê”, Letieres toca flautas e saxofones. A percussão de Luizinho do Jejê também é essencial neste projeto de ascendência africana em formato jazzístico.

Ludere - “Live at Bird’s Eye” (Blaxtream) – Gravado ao vivo num clube de jazz de Basel (Suíça), em 2018. Philippe Baden Powell (piano), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (baixo) e Daniel de Paula (bateria) tocam temas próprios, como a balada “Mirante” (de Rubinho) e o samba “Afro-Tamba” (de Philippe). O mestre do violão Baden Powell (1937-2000) é homenageado nas releituras de “Igarapé” e “Sermão”. 


Maiara Moraes Quinteto - “Cabeça de Vento” (Blaxtream) – Catarinense radicada em São Paulo, a flautista e compositora desponta em seu primeiro álbum autoral, acompanhada por Josué dos Santos (saxofones e flauta), Guilherme Ribeiro (piano), Igor Pimenta (contrabaixo) e Pedro Henning (bateria). Lirismo e diversidade rítmica convivem em belezas como “Maracatu”, “Choro pro Pê” e “Caminho de Volta”.

Manoel Cruz - “Brazilian News” (independente) – A afinidade que o contrabaixista e compositor radicado em São Paulo tem com o chamado “latin jazz” traz sabor especial a seu álbum. Para isso conta também a presença do trompetista italiano Gabriel Rosati. Na faixa “Samba D Boa” e na bela releitura da toada “Lamento Sertanejo” (de Dominguinhos e Gilberto Gil), Manoel mostra a face mais brasileira de seu jazz.

Maogani - “Álbum da Califórnia” (Biscoito Fino) – Engavetado durante uma década, este álbum que o criativo quarteto de violões carioca gravou em Los Angeles, com produção de Sérgio Mendes, finalmente está disponível. No repertório, arranjos de standards do jazz e releituras de clássicos da MPB, como “Chovendo na Roseira” (Tom Jobim), “Folhas Mortas” (Ary Barroso) e “Bananeira” (João Donato e Gilberto Gil).

Mário Sève (Kuarup) – Gravado em 2011, num show em São Paulo, este álbum do saxofonista e flautista carioca foi lançado agora para comemorar seus 60 anos. Ao lado de Gabriel Geszti (acordeom), Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo) e Sérgio Reze (bateria), Sève toca 10 composições autorais. Três delas são canções em parceria com a cantora argentina Cecilia Stanzione, que também participou dessa gravação.  


Nenê Trio - “Primavera” (Blaxtream) – Um dos grandes bateristas do país, o gaúcho Realcino “Nenê” Lima Filho finaliza com este disco sua quadrilogia “Quatro Estações”, iniciada com o álbum “Outono” (2009). Talvez o fato de tocar há mais de uma década com o pianista Írio Júnior e o contrabaixista Alberto Luccas possa explicar a impressionante unidade sonora desse trio ao tocar as abstratas composições do líder.  
                                        


Neymar Dias - “Minhas Canções Instrumentais” (independente) – Ao batizar este álbum, o talentoso violeiro e compositor paulista não estava brincando. Acompanhado por Igor Pimenta (baixo elétrico), Agenor de Lorenzi (piano e teclados) e Gabriel Altério (bateria e percussão), Neymar apresenta, nas 11 faixas autorais, doces e singelas melodias, que estão praticamente pedindo letras para se tornarem canções.

Odésio Jericó - “Disco do Jericó” (independente) – Em 65 anos de carreira, o trompetista pernambucano fez parte de conceituadas orquestras e big bands, como a Banda Mantiqueira, que integra desde os anos 1990. Para seu primeiro disco solo, escolheu clássicos da bossa nova e do samba, como “O Que É Amar” (Johnny Alf) e “Devagar com a Louça” (Haroldo Barbosa e Luiz Reis). Música saborosa para ouvir ou dançar.

Projeto Unknown - “Projeto Unknown II” (independente) – Bruno Migotto (baixo elétrico), Cuca Teixeira (bateria), Djalma Lima (guitarra) e Gustavo Bugni (teclados), craques da cena instrumental paulistana, formam este grupo cujo segundo álbum reúne nove composições autorais. Marcadas por influências do jazz e do rock, elas remetem à chamada “fusion”, estilo eletrificado de jazz que dominou a década de 1970.

Quatro a Zero - “Mesmo Outro” (independente) – O 5.º álbum deste quarteto paulista, que começou tocando choro, em 2001, reflete sua evolução e amadurecimento. Releituras dos chorões Jacob do Bandolim (“Receita de Samba”) e Radamés Gnattali (“Papo de Anjo”) dividem o repertório com composições próprias, como “Nós e Ele” (parceria com Hermeto Pascoal) ou “Ferraguttiana” (do violonista Eduardo Lobo).

Ricardo Herz & Camerata Romeu - “Nova Música Brasileira Para Cordas” (independente) – Uma beleza o encontro do violinista paulistano com essa orquestra feminina de cordas de Cuba. Herz, que assina os arranjos e composições do álbum, explora um aspecto incomum na música clássica: o suingue. No baião “Mourinho”, por exemplo, as violinistas, violistas e violoncelistas da orquestra percutem seus instrumentos.

Rogério Caetano & Gian Correa – “7” (independente) – Por ocasião do centenário de Dino Sete Cordas (1918-2006), grande instrumentista e referência na música brasileira em relação à técnica e à linguagem do violão de sete cordas, dois craques desse instrumento – o goiano Rogério e o paulista Gian – exibem sete composições autorais para prestar tributo ao mestre. Difícil imaginar homenagem mais pertinente.

Salomão Soares Trio - “Colorido Urbano” (Blaxtream) – Uma das grandes revelações desta década na cena instrumental, o pianista e compositor paraibano comanda seu trio, que inclui o baixista Thiago Alves e o baterista Paulo Almeida. Da nervosa “Ponto Cego” à sensível “Ponto de Luz”, Salomão exibe oito temas autorais que afirmam sua inventividade. Inclui também releitura do standard “My Favorite Things”.

San-São Trio - “Novos Caminhos” (Maritaca) – O sensível saxofonista Harvey Wainapel, de San Francisco (EUA), se uniu à flautista Léa Freira e ao pianista Amilton Godoy, brilhantes músicos e compositores de São Paulo. Mais que um simbólico encontro do jazz com a música brasileira, o que se ouve aqui é uma inspiradora e descontraída conversa entre duas das tradições musicais mais ricas e criativas do mundo.

Semiorquestra - “Jogos e Quitutes” (independente) – O bem-humorado álbum de estreia desta compacta orquestra paulistana de formação incomum foi produzido por Cris Scabello (da banda Bixiga 70). O repertório é autoral e eclético: vai do baião “Iguarias do Milho” (de Luca Frasão) ao bolero “Curinga da Canastra” (Fernando Sagawa); da guitarrada “Dibrando” (João Sampaio) ao afoxé “Revoada” (Rodrigo Lima).

Silibrina - “Estandarte” (independente) – Liderado pelo pianista e compositor Gabriel Nóbrega, este septeto paulista é uma boa surpresa na cena instrumental dos últimos anos. O segundo álbum do grupo traz, em faixas como “Frevo Maligno”, “Paratema” e “Rochedo”, todas autorais, contagiantes misturas de ritmos brasileiros com influências do jazz e da música pop. Ao vivo, o Silibrina soa melhor ainda.   
                                                   

Teco Cardoso, Bebê Kramer e Swami Jr. - “Dança do Tempo” (Sesc) – Este trio não nasceu por acaso. Convidado pelo Sesc Pompeia a fazer um show de instrumentistas com os quais ainda não havia tocado, o violonista Swami Jr. formou com Teco (sopros) e Bebê (acordeom) um trio que parece tocar junto há décadas. Faixas como “Dois”, “Choro Esperança” ou “Angulosa” confirmam a empatia que une esses novos parceiros.

Thiago Carreri - “Transição” (Blaxtream) – O guitarrista de São Carlos (SP) não esconde, em entrevistas, que a fonte de seu quarto álbum foi a música do mineiro Toninho Horta. Ao lado de Márcio Bahia (bateria), Breno Mendonça e Marcelo Toledo (saxofones), Rubinho Antunes (trompete) e Bruno Barbosa (baixo), Thiago mostra belos temas sua autoria, como “Obrigado” e “Caminhos”, que parecem pedir letras.

Thiago Espírito Santo - Pra Te Fazer Sonhar” (independente) – Um dos grandes baixistas da nova geração, Thiago tem neste álbum a companhia de Bruno Cardoso (piano e teclados) e Cuca Teixeira (bateria). Do samba “Fogo Baixo, Chapa Quente” (com vocais de Filó Machado) à jazzística balada “Giselle” (com participação do gaitista Grégoire Maret), passando pelo jazz-rock “Classe A”, o repertório é todo autoral.

Toninho Horta & Orquestra Fantasma - “Belo Horizonte” (Minas) – Para comemorar seus 50 anos de carreira, o violonista e compositor mineiro não deixou por menos: lançou este álbum duplo com composições inéditas e alguns de seus sucessos, como “Beijo Partido” e “Aqui Ó” (parceria com Fernando Brant). Entre diversos convidados, a cantora Joyce Moreno, o saxofonista Nivaldo Ornelas e o percussionista Robertinho Silva.

Trio Corrente - “Tem Que Ser Azul” (Abeat) – Gravado na Itália, em 2018, segundo os próprios Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo acústico e elétrico) e Edu Ribeiro (bateria), este álbum resume os 18 anos desse premiado trio paulistano. Clássicos da bossa nova, como “Só Tinha Que Ser com Você” (Tom Jobim) e “Eu e a Brisa” (Johnny Alf), ganham criativas releituras, ao lado de composições próprias.

Trio in Uno - “Ipê” (independente) – As primeiras notas da contagiante “Bate Coxa” (composição de Marco Pereira) já revelam um trio de sonoridade incomum. Radicados na França, os brasileiros José Ferreira (violão de 7 cordas) e Pablo Shinke (violoncelo), mais a italiana Giulia Tamanini (sax soprano), recriam com personalidade pérolas musicais como “Forrobodó” (Egberto Gismonti) e “Cine Baronesa” (Guinga).

Tulio Araujo & Daniel Grajew - “Quantum” (Savassi Festival) – O álbum do pandeirista mineiro com o pianista paulista tende ao onírico. Daniel contribui com “Rios Voadores” e “Choro Vermelho”, entre outros temais autorais. Túlio criou uma colagem inusitada: “Óleo Branco” mistura “Oleo” (do jazzista Sonny Rollins) com as melodias de “Asa Branca” (Luiz Gonzaga) e “Tico Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu).   

Ubaldo Versolato - “Portal” (Kuarup) – Músico da Banda Mantiqueira há mais de 20 anos, o experiente saxofonista paulista já fez centenas de gravações com outros músicos, mas só se aventurou agora a gravar o primeiro disco solo. Do samba-jazz “Tubo de Ensaio” (de sua autoria) à romântica balada “Fefê” (do filho Léo Versolato), Ubaldo reafirma seu conhecido talento musical. Que venham outros discos! 


4.º POA Jazz: festival gaúcho se consolida como evento de padrão internacional

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                                                 Gilson Peranzzetta, Zeca Assumpção e João Cortez, no POA Jazz

Em meio à crise econômica que tem devastado a produção cultural brasileira e, na área musical, já provocou o cancelamento de vários eventos similares pelo país, o POA Jazz Festival merece muitos aplausos. Não só pelo fato de ter conseguido realizar sua quarta edição, com atrações musicais de alta qualidade, mas também pelo requinte de sua produção -- da curadoria ao cuidadoso trabalho da equipe técnica, que resultou em um evento de padrão internacional. Isso já estava evidente na primeira noite do festival (9/11), que contou com a impactante apresentação do saxofonista Rudresh Mahanthappa, além dos shows do trio vocal argentino Bourbon Sweethearts e do quarteto gaúcho Marmota Jazz. 

Dois trios comandados por veteranos instrumentistas brasileiros se destacaram no programa de encerramento (domingo, 11/11), em Porto Alegre. O pianista e compositor carioca Gilson Peranzzetta, muito bem acompanhado por Zeca Assumpção (baixo acústico) e João Cortez (bateria), fechou a noite tocando grande parte do repertório jazzístico de seu recente álbum “Tributo a Oscar Peterson” (selo Fina Flor), recheado de composições de Cole Porter e Leonard Bernstein. Também relembrou sua belíssima composição “Obsession” (parceria com Dori Caymmi). E provocou sorrisos ao colorir o standard “It’s All Right With Me” (Porter) com ritmo de baião.

Quem esperaria que o cultuado gaitista e compositor carioca Maurício Einhorn (hoje com 86 anos) pudesse fazer uma apresentação tão divertida? Tanto que o guitarrista Nelson Faria, seu parceiro, chegou a sugerir, rindo, que se tratava de um show de “stand-up”. Além de contar causos engraçados, Einhorn (na foto acima) também destilou seu humor fazendo inusitadas citações durante os solos -- como ao introduzir trechos do “Hino Nacional Brasileiro” e do “Bolero” (de Ravel) no improviso da clássica bossa “Samba de Uma Nota Só” (Tom Jobim e Newton Mendonça). Contando com o suíngue de Faria e do baixista Guto Wirtti, Einhorn também homenageou o gaitista Toots Thielemans, seu ídolo, ao tocar a conhecida valsa-jazz “Bluesette”, de autoria do músico belga. 


A noite de domingo começou com o saboroso show do quinteto gaúcho Instrumental Picumã, formado por Paulinho Goulart (acordeon), Texo Cabral (flauta), Matheus Alves (violão), Miguel Tejera (baixo) e Bruno Coelho (percussão). Composições próprias como “Vanerão Chorado”, “Chacareta” e “Milonguera” já revelam nos próprios títulos o projeto do grupo: fundir ritmos regionais com as linguagens do jazz e da música instrumental brasileira.

Os improvisos do jazz e a diversidade rítmica da música instrumental brasileira também conviveram na noite de sábado (10/11). À frente de um quinteto de formação incomum, com Guilherme Ribeiro (acordeom), Daniel D’Alcântara (trompete e flugelhorn), Bruno Migotto (baixo elétrico) e Fernando Corrêa (guitarra), o baterista e compositor Edu Ribeiro (na foto ao lado), catarinense radicado em São Paulo, deliciou a plateia com o repertório de seu álbum “Na Calada do Dia” (de 2017). Calcadas em ritmos e gêneros musicais brasileiros, como o choro, o maracatu, o frevo e o baião, suas composições exploram sonoridades não usuais, como a opção de dobrar as melodias com o acordeom e o trompete. O prazer de tocar que esse quinteto demonstra no palco é contagiante. 

Antes se apresentou o afiado quinteto do trompetista argentino Mariano Loiácono (na foto ao lado), com Sebastian Loiácono (sax tenor), Ernesto Jodos (piano), Jerônimo Carmona (baixo acústico) e Eloy Michelini (bateria). Vestidos à caráter, como se estivessem tocando em um clube de jazz no final dos anos 1950, os irmãos Loiácono recriam com perfeição a estética sonora do hard bop. Entre os highlights do show desse quinteto, duas sensíveis baladas: “Soul Eyes” (de Mal Waldron) e “You Don’t Know What Love Is” (Gene de Paul e Don Raye). Destaque também para as criativas intervenções de Jodos, ao piano.

A programação do sábado foi aberta pelo quarteto do jovem pianista paulista Vitor Arantes. Ao vencer o Concurso Novos Talentos do Jazz, que é organizado pelos festivais POA Jazz, Sampa Jazz (SP) e Savassi Festival (MG), ele ganhou a oportunidade de se apresentar nesses eventos. Ao lado de Matheus Mota (guitarra), Jackson Lourenço (baixo acústico) e Jonatan Goes (bateria), Vitor exibiu temas autorais, com assumidas influências de expoentes do world jazz atual (como Avishai Cohen ou Shai Maestro), mas também demonstrou personalidade em releituras de “My Favorite Things” (Rodgers e Hammerstein) e “Bebê” (Hermeto Pascoal).

Tomara que as já prenunciadas dificuldades para o setor cultural, no próximo ano, não venham a comprometer a trajetória ascendente do POA Jazz Festival. A cena musical brasileira precisa de eventos com esse padrão de qualidade. 

(Cobertura realizada a convite da produção do festival)

4.º POA Jazz: festival gaúcho traz uma prévia de suas atrações musicais a São Paulo

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                                                       O trio argentino Bourbon Sweethearts / Foto de divulgação 

Os paulistas poderão ouvir antes dos gaúchos duas atrações internacionais do próximo POA Jazz Festival. Um dos melhores do gênero no país, esse evento vai oferecer nove shows em sua quarta edição (de 9 a 11 de novembro, no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre), além de masterclasses, oficinas musicais e lançamento de livros.

A primeira edição do POA Jazz em São Paulo (no dia 7/11, às 21h, no Bourbon Street Music Club) destaca a apresentação de Rudresh Mahanthappa (na foto abaixo), brilhante saxofonista e compositor de origem indiana radicado nos Estados Unidos, além do jovem trio argentino Bourbon Sweethearts, formado por instrumentistas e vocalistas.

Quem teve a oportunidade de ouvir Mahanthappa ainda como integrante do quarteto do pianista Vijay Iyer – em 2008, no extinto festival Bridgestone Music, em São Paulo – certamente ficou impressionado por seu estilo contemporâneo, calcado em improvisos viscerais. Os críticos da revista norte-americana “Down Beat” o elegeram melhor sax alto do ano, nos períodos 2009-2013 e 2015-2018. 

 
Já as garotas do trio Bourbon Sweethearts fazem música de época. Com uma formação instrumental incomum, Mel Muñiz (violão tenor e ukelele), Agustina Ferro (trombone) e Cecilia Bosso (baixo acústico) recriam o jazz tradicional e o swing das primeiras décadas do século 20, em arranjos inspirados em clássicos conjuntos vocais como as Andrew Sisters e os Mills Brothers.

Entre as outras sete atrações que vão se apresentar em Porto Alegre destacam-se também o quinteto do trompetista argentino Mariano Loiácono e conceituados instrumentistas brasileiros, como o pianista e compositor Gilson Peranzzetta, o baterista Edu Ribeiro e o trio formado pelo gaitista Maurício Einhorn com o violonista Nelson Faria e o baixista Guto Wirtti.

O elenco musical do 4º POA Jazz inclui dois destaques da cena musical gaúcha: o quarteto Marmota Jazz e o quinteto Instrumental Picumã. E ainda o quarteto do pianista paulista Vitor Arantes, vencedor do concurso Novos Talentos do Jazz 2017, cujos integrantes tocam também na Orquestra Jovem Tom Jobim.

Neste ano, o festival homenageia o jornalista e escritor Zuza Homem de Melo, que vai autografar seus livros. Já os músicos Edu Ribeiro, Nelson Faria e Gilson Peranzzetta vão ministrar masterclasses de bateria, improvisação e arranjos, respectivamente.

A curadoria do festival é assinada pelo músico e produtor Carlos Badia, com assessoria do produtor Carlos Branco e do músico Rafael Rhoden. Mais informações no site do evento: www.poajazz.com.br/





 

Savassi Festival 2016: evento de música instrumental terá noite de gala com Edu Lobo

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                              O percussionista Sergio Krakowski, tocando para crianças, no Savassi Festival

Dezenas de shows e concertos em teatros, museus, praças, parques e restaurantes de Belo Horizonte (MG), de 24/6 a 4/7, chamam atenção no programa do 14º Savassi Festival, mas esse evento oferece bem mais. Um dos maiores e mais diversificados festivais brasileiros dedicados à música instrumental e ao jazz, ele também promove workshops, lançamentos de discos, apresentações de DJs e concursos de novos talentos e de fotografia.

A “noite de gala” em homenagem a Edu Lobo (na foto abaixo), em 25/6, promete ser uma das atrações mais disputadas na edição deste ano. Acompanhado pela Orquestra Ouro Preto, o cantor e compositor carioca, expoente da MPB, também terá a seu lado o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise – duo instrumental que já lançou um disco dedicado à sua obra.  


Entre os shows já confirmados também se destacam: o do cellista carioca Jaques Morelenbaum e seu CelloSam3aTrio;
o quarteto do guitarrista paulista Chico Pinheiro; o trio do pianista mineiro Rafael Martini; o sexteto do contrabaixista paulista Marcos Paiva; o quarteto do pianista mineiro Zé Namen; o trio do pianista capixaba Hercules Gomes; o trompetista alagoano Joatan Nascimento e o violonista mineiro Geraldo Vianna, entre outros.

Como já fez em edições anteriores, o festival volta a apresentar duos formados por instrumentistas estrangeiros com brasileiros, como o do pianista norte-americano Kevin Hays com o pandeirista Sergio Krakowski (brasileiro radicado em Nova York), ou o duo do pianista israelense Alon Yavnai com o percussionista carioca Joca Perpignan.

Um dos sucessos do ano passado, a programação musical para crianças, agendada para a tarde de 3/7, na praça Floriano Peixoto, também promete atrair um grande público: além dos shows “O Jazz de Snoopy e Charlie Brown”, com o Cliff Korman Quartet, e “Hermeto Pascoal para Crianças de Todas as Idades”, com o multiinstrumentista Felipe José, o pianista Benjamim Taubkin (na foto abaixo) vai exibir releituras instrumentais de canções de Chico Buarque. Nessa noite, Taubkin também se apresenta com seu quarteto, o Trio+1, na Praça da Liberdade.
 

Já neste final de semana, duas atrações antecipam a programação principal do evento, em Belo Horizonte. Ministrado pelo músico e educador Zé Gabriel, no Centro Cultural Venda Nova (sábado, 14/5), o workshop “Raízes do Jazz” oferece vivência de ritmo, expressividade e percepção musical para crianças. Em três shows no Memorial Minas Vale (de 14 a 16/5), a flautista paulista Léa Freire e o pianista mineiro José Namen vão se apresentar em duo.

Vale lembrar que o Savassi Festival também costuma levar atrações para outras cidades de Minas, ou mesmo para outros estados do país. Neste ano ele se estende às cidades de Nova Lima (28 e 29/5) e Uberlândia (28/5), além de programar uma semana de eventos no Rio de Janeiro (de 23 a 30/6).  


Na capital fluminense, a programação destaca shows do Joana Queiroz Sexteto (25/6) e de três duos instrumentais: Gilson Peranzzetta e Mauro Senise (26/6), Kevin Hayes e Sérgio Krakowski (28/6) e Clarice Assad e André Muato (30/6), que fará uma homenagem a Milton Nascimento.

Mais informações no site oficial do festival: http://www.savassifestival.com.br/

 

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