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Romero Lubambo e Dianne Reeves: uma noite muito inspirada no clube Bourbon Street

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                                  O violonista Romero Lubambo, Dianne Reeves e o contrabaixista Sidiel Vieira 

Quando alguém gritou “Bridges”, na plateia, os olhos de Dianne Reeves brilharam. Sorrindo, a cantora olhou para o violonista Romero Lubambo e, um instante depois, os dois presentearam os fãs com uma bela versão de “Travessia”, a canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, que ela gravou em inglês, no final dos anos 1990. Isso logo depois de terem emocionado a plateia com a melancólica “Tarde”, outra beleza composta por Milton (e Marcio Borges), que Dianne fez questão de cantar em português.

Essas foram apenas duas entre várias surpresas que o grande instrumentista e sua convidada muito especial ofereceram aos felizardos que foram ouvi-los no clube Bourbon Street, em São Paulo, na noite de ontem. Parceiros em shows e gravações há mais de vinte anos (“Romero é meu irmão com outra mãe”, ela costuma dizer), os dois podem se dar ao luxo de escolher no palco boa parte do repertório de suas apresentações.

Inspirado pelo Dia dos Pais, comemorado ontem nos Estados Unidos, Lubambo abriu o show com "Luiza", composição dedicada a uma de suas filhas, e a emendou com o alegre baião “Pro Flavio”, que compôs para homenagear seu pai. Dianne não deixou por menos: visivelmente emocionada, dedicou a seu pai — tinha apenas dois anos quando o perdeu — a canção “I Remember” (de Patsy Moore). 

Surpreendente também, ao menos para eventuais fãs de Pat Metheny que ainda não conheciam o repertório de Dianne, foi a versão de “Minuano”, composição instrumental do guitarrista americano. Já a contagiante releitura da canção “Love for Sale” (de Cole Porter), em ritmo de samba, foi um dos veículos para que o carioca Lubambo e seus parceiros paulistas — o baixista Sidiel Vieira e o baterista Thiago Rabello — pudessem brilhar nos improvisos. Que noite inspirada!

Cariocas e fluminenses ainda podem aplaudir mais um encontro de Romero Lubambo e Dianne Reeves, nesta semana. Eles voltam a se apresentar na sexta (dia 21/6), no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, com entrada franca.


Mimo Festival 2016: evento desembarca em Portugal com homenagem a Tom Zé

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                                                                           O cantor e compositor baiano Tom Zé 

Após 13 anos de atividades, período em que levou concertos, mostras de filmes, palestras e workshops musicais a cidades históricas como Olinda (PE), Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG), o Mimo Festival vai se tornar internacional.  Um dos maiores eventos brasileiros de música instrumental com programação inteiramente gratuita, esse festival vai realizar sua primeira edição na Europa. 

O duo do contrabaixista Ron Carter (na foto abaixo) com o guitarrista Pat Metheny, expoentes do jazz norte-americano, o cantor e compositor brasileiro Tom Zé e o guitarrista malinês Vieux Farka Touré estarão entre as dezenas de atrações que o Mimo Festival promete levar, de 15 a 17 de julho deste ano, à cidade histórica de Amaranto, no norte de Portugal. 

Além da exibição de filmes, de atividades musicais educativas e de uma exposição comemorativa dos 80 anos de Tom Zé, a plateia de Amarante também será contemplada com a Chuva de Poesia – evento em que milhares de versos de poemas, impressos em papel, serão lançados das torres de igrejas da cidade, em homenagem a poetas lusitanos. 

Quanto à 14ª edição do Mimo no Brasil, a produção do evento vai divulgar, no dia 1º de junho, as datas e a programação das atividades que serão realizadas, neste ano, em Paraty, Olinda, Ouro Preto e Tiradentes (MG), assim como na capital fluminense. 

Para aqueles que, como eu, ficaram interessados no encontro musical de Ron Cartes e Pat Metheny, a produção do festival já avisou que esse concerto só será realizado em Portugal. 

Outras informações no site do Mimo Festival: http://mimo.art.br/

3º BMW Jazz Festival: Pat Metheny traz banda de feras, mas ainda insiste nos robôs

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                         Pat Metheny, Chris Potter e Antônio Sanchez, no show do BMW Jazz Festival

Os fãs de Pat Metheny, que se assustaram ou até se decepcionaram ao ouvi-lo tocar com uma orquestra de instrumentos robotizados, no insólito álbum “The Orchestrion Project”, já podem ficar mais tranquilos. Na abertura do 3º BMW Jazz Festival, ontem, em São Paulo, o guitarrista norte-americano demonstrou que não enlouqueceu: voltou a tocar com músicos de verdade.

São eles Chris Potter (saxofones e clarone), Antonio Sanchez (bateria) e Ben Williams (baixo acústico). Aliás, excelentes instrumentistas e conceituadas feras do jazz, que Metheny apresentou à plateia do HSBC Brasil, enfaticamente, como “três dos melhores músicos do planeta”. Seria um disfarçado “mea culpa”?

Metheny abriu o show sozinho, na penumbra, extraindo da guitarra sintetizada timbres de cítara e harpa. Assim introduziu sua composição “Come and See”, cujo arranjo destaca a rara e grave sonoridade do clarone de Chris Potter, que, pouco depois, também fez seu sax soprano soar quase como um oboé.

Para tocar a bela “New Year”, Metheny trocou a guitarra pelo violão. Ao ouvi-la, quem se lembrou do lirismo e das sofisticadas harmonias do violonista e compositor mineiro Toninho Horta, um dos expoentes do Clube da Esquina, sabe que não se trata de mera coincidência – foi influência direta mesmo.

Relativamente generoso, entre um e outro de seus longos improvisos, o líder da Unity Band abriu espaço para solos de Potter, um assertivo e sanguíneo improvisador, ou de Sanchez, músico capaz de desenvolver criativos solos de bateria, recheados de nuances rítmicas e dinâmicas.

Porém, depois de cerca de 1h15 de música, veio a surpresa: o palco se iluminou, revelando alguns dos instrumentos robotizados que Metheny utilizou em suas gravações com a orquestra mecânica. Felizmente, a “ego trip” do norte-americano durou menos nesse show: apenas alguns minutos, incluindo a participação ativa de seus parceiros de carne e osso.

Não faltou também uma previsível homenagem à música brasileira, por meio de “Insensatez” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), em uma releitura bem livre e jazzística, sem, no entanto, a leveza que caracteriza a bossa nova.

Um bom show, que deixa uma dúvida: será que Metheny vai insistir e também levar seus gélidos robôs aos shows deste sábado, no clube Bourbon Street, ou domingo, no parque do Ibirapuera? Ou ele vai enfim perceber que lugar de robô é em filme de ficção científica?



(crítica publicada na versão eletrônica da "Folha de S. Paulo", em 7/06/2013)



Pat Metheny e Peter Gabriel: tecnologia 3D permite ver shows com maior proximidade

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A tecnologia 3D, que oferece ao espectador a ilusão de ver um filme em três dimensões (altura, largura e, especialmente, profundidade), começa a ficar mais acessível àqueles que gostam de apreciar shows e concertos em casa. Já estão disponíveis, em edições nacionais, blu-rays 3D com performances recentes de dois figurões da música pop e do jazz: o cantor inglês Peter Gabriel e o guitarrista norte-americano Pat Metheny.

Filmado ao vivo, em março de 2011, no HMV Hammersmith Appolo, em Londres, “New Blood” (lançamento Eagle/ST2), de Gabriel, oferece quase tudo que se pode esperar de um concerto em 3D: som em alta definição, a ilusão de se ver em profundidade tudo que acontece no palco ou até algumas cenas em que os músicos parecem quase saltar da tela.

É o que se vê, por exemplo, durante a canção “Signal to Noise”, uma das 22 faixas desse bluray, cujo repertório inclui arranjos orquestrais de composições de Gabriel extraídas de diversas fases de sua carreira, como “Biko”, “In Your Eyes”, “Mercy Street” e “Don’t Give Up”, entre outras.

No lançamento do álbum “The Orchestrion Project”, em 2010, Pat Metheny mencionou em entrevistas que até sua mulher e amigos pensaram que ele enlouquecera, quando decidiu gravar esse disco acompanhado por uma orquestra robotizada. O guitarrista teve essa ideia ainda na infância ao conhecer o piano automatizado de seu avô.

Como uma espécie de cientista aloprado, Metheny toca sozinho, durante mais de duas horas, instrumentos como piano, vibrafone, marimba, baixo e diversas percussões, que ele aciona por meio de sua guitarra.


Diferentemente de “New Blood”, cujas imagens já foram captadas com câmeras que utilizam tecnologia 3D, “The Orchestrion Project”
(Eagle/ST2) apenas simula o efeito da terceira dimensão com um resultado que deixa a desejar. Além disso, o limitado espaço da igreja de St. Elis, em Nova York, onde o show foi filmado, assim como a iluminação sombria do cenário, não favorecem muito o efeito 3D.

Mas esse não é o maior problema deste projeto de Metheny. Passada a surpresa inicial de se ver em ação os instrumentos da orquestra robotizada, a sensação de estranheza e redundância aumenta a cada nova faixa do disco. Nem o virtuosismo do guitarrista impede que a música soe um tanto fria, quase sem emoção.

Impossível não pensar que os longos improvisos de Metheny já soaram bem mais palatáveis quando acompanhados por bateristas e baixistas de carne e osso. Ao menos por enquanto, robôs ainda são incapazes de tocar com suingue, muito menos improvisar – elementos essenciais em qualquer concerto de jazz. 


(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", publicado em 25/5/2013)

BMW Jazz 2013: festival vai trazer músicos conceituados, em novos palcos

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                                                                                             O quarteto de jazz James Farm
Jazzistas bem conhecidos entre os apreciadores desse gênero em nosso país, como Brad Mehldau, Joshua Redman, Esperanza Spalding, Joe Lovano, Egberto Gismonti ou Pat Metheny, destacam-se no elenco do próximo BMW Jazz Festival. A terceira edição desse evento também será realizada em São Paulo (de 6 a 9/6) e no Rio de Janeiro (8 a 10/6), mas os locais dos shows mudaram: o HSBC Brasil será a sede paulista; o palco carioca passará a ser o Vivo Rio.

 “A continuidade é fator fundamental para o seu fortalecimento. E a presença certa no calendário cultural do país tem a função não só de propagar o gênero como também de fazer florescer novos talentos brasileiros, que são estimulados pela visita desses astros do jazz mundial", disse a produtora Monique Gardenberg, em coletiva de imprensa realizada ontem, em São Paulo.

O fato de vários músicos do elenco desta edição já terem se apresentado em outros festivais brasileiros, ou até no próprio BMW Jazz, não significa, necessariamente, redundância. O veterano guitarrista Pat Metheny (na foto abaixo), que vai abrir o evento, em São Paulo, virá com seu novo grupo: a Unity Band, com o saxofonista Chris Potter (que tocou aqui, nos últimos anos, com o baixista Dave Holland e com seus grupos Underground e The Overtone Quartet), o baterista Antonio Sanchez e o baixista Ben Williams.

Um dos destaques da primeira edição do próprio BMW Jazz, dois anos atrás, o saxofonista Joshua Redman retorna ao país como integrante de um quarteto de feras: o James Farm (na foto acima), que inclui o talentoso pianista Aaron Parks, o baixista Matt Penman e o baterista Eric Harland.

Depois de se apresentar em vários palcos do país, a jovem contrabaixista, vocalista e compositora Esperanza Spalding já possui uma legião de fãs locais. Provavelmente a maior revelação do jazz na última década, ela volta acompanhada pela pequena orquestra que formou para gravar seu álbum mais recente, “Radio Music Society”, com destaque para o sax alto da charmosa Tia Fuller.

Bem maior é a Orquestra Corações Futuristas, formada por 21 jovens que vão se apresentar ao lado do compositor, arranjador e multiinstrumentista Egberto Gismonti, um dos músicos brasileiros mais cultuados na cena internacional do jazz.

A parceria do saxofonista Joe Lovano com o trompetista Dave Douglas remonta a 2008, quando eles dividiram a liderança do San Francisco Jazz Collective. Depois formaram o quinteto Sound Prints, com o qual tocam composições próprias e do veterano saxofonista Wayne Shorter. 

Já o pianista Brad Mehldau (na foto ao lado) virá com os mesmos parceiros do telepático trio que o acompanhou outras vezes, o baixista Larry Grenadier e o baterista Jeff Ballard, mas quem acompanha a trajetória desses inventivos jazzistas sabe que suas apresentações costumam ser recheadas de surpresas, inclusive no repertório, que vai de releituras de hits da música pop à música brasileira.

O elenco se completa com o baterista e compositor Johnathan Blake, revelação da cena jazzística nova-iorquina, onde já acompanhou veteranos como Kenny Barron, Oliver Lake e Tom Harrell. Blake vai tocar o repertório de seu primeiro álbum, o elogiado “The Eleventh Hour”, lançado em 2012, com seu quinteto, que destaca também o sax alto de Jaleel Shaw.

Mais informações no site do BMW Jazz Festival

ECM: preciosidades do selo europeu de jazz e música improvisada retornam ao Brasil

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                    Jan Garbarek, Egberto Gismonti e Charlie Haden, na capa do álbum "Mágico" (1979)

Uma ótima notícia para os apreciadores do jazz e da música improvisada contemporânea: o catálogo do conceituado selo ECM – com mais de 1.200 discos de músicos de alto quilate, como Keith Jarrett, Pat Metheny, Charlie Haden, Chick Corea, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos – vai voltar a ser distribuído oficialmente no mercado brasileiro. A iniciativa é da gravadora paulista Borandá, que acaba de estabelecer uma parceria com esse selo europeu e também planeja trazer alguns de seus artistas para apresentações no país.

Fundado em 1969, pelo contrabaixista e produtor alemão Manfred Eicher, o ECM (sigla de Edição de Música Contemporânea) só precisou de alguns anos para ver reconhecido o alto padrão musical de seus projetos. Depois de gravar elogiados álbuns de jazzistas como Mal Waldron, Paul Bley e Jan Garbarek, lançou “Köln Concert” (1975), álbum de Keith Jarrett que ultrapassou a marca de três milhões de cópias vendidas – número inusitado para uma gravação ao vivo de piano-solo.

Não à toa, o elogio de um crítico da revista canadense “Coda” (“o mais belo som próximo do silêncio”) tornou-se uma espécie de slogan informal do selo. Assim como o nova-iorquino Blue Note, cujo catálogo é identificado pelo som enérgico do hard bop dos anos 1950, ou o Impulse!, selo associado à ebulição do free jazz da década de 1960, o ECM desenvolveu uma relativa identidade sonora – em parte graças à música esparsa e melancólica de jazzistas europeus, como John Surman, Terje Rypdal ou Eberhard Weber.

Responsável pela parceria com o ECM, Fernando Grecco, diretor da Borandá, conta que a iniciativa aconteceu casualmente. Fã de gravações do selo europeu, visitou seu estande em uma feira de jazz, em abril último, na Alemanha, onde foi divulgar os discos de sua gravadora. Semanas depois recebeu um e-mail do diretor de vendas do ECM, interessado em um parceiro comercial no Brasil.

“Dizem que as melhores coisas no mundo dos negócios acontecem por acaso”, festeja Grecco, contando que nem imaginava a possibilidade de um dia poder disponibilizar discos do catálogo ECM no Brasil, já que a Borandá tem como prioridade produzir, promover e exportar música brasileira. Mas, o fato de Manfred Eicher ter contribuído para desenvolver a carreira internacional do brasileiro Egberto Gismonti, que já gravou dezenas de discos pelo ECM, torna a parceria mais interessante ainda.

“Além de trabalhar de forma integral o catálogo ECM, no trabalho que iremos desenvolver haverá um grande foco na obra do Gismonti”, explica Grecco, que pretende disponibilizar, já no próximo ano, todos os álbuns do instrumentista e compositor a preços mais atrativos do que os cobrados hoje nas importadoras, que chegam a R$ 70. “Graças ao licenciamento, esse valor pode se aproximar de R$ 40 para o consumidor final”, calcula.

Inaugurando a parceria, já neste mês, dois discos de Gismonti voltam ao mercado brasileiro. O cultuado “Danças das Cabeças”, gravado em duo com o percussionista Naná Vasconcelos, em 1976, inclui alguns clássicos de sua obra, como “Celebração de Núpcias” e “Tango”, além da releitura de “Fé Cega, Faca Amolada” (Milton Nascimento). Lançado em 1991, o CD “Infância” foi gravado com uma formação que combina instrumentos de corda, o piano de Gismonti e os sintetizadores de Nando Carneiro.

Outro destaque desse primeiro suplemento é um álbum inédito de Keith Jarrett: o CD duplo “Rio”, gravado ao vivo, em abril deste ano, no Teatro Municipal carioca. O lançamento praticamente imediato se deve a um fato inusitado: conhecido por seu temperamento blasé, o pianista norte-americano ainda esperava o voo de volta, no aeroporto do Galeão, quando ligou para Eicher, pedindo que ele lançasse logo o registro desse concerto, por achar que havia feito ali uma das melhores apresentações de sua carreira.

O pacote se completa com o relançamento de outros 35 álbuns do catálogo ECM, nos formatos CD, DVD e vinil, assinados por músicos como Pat Metheny, Jan Garbarek, Charlie Haden, Charles Loyd, Chick Corea, Zakir Hissain e Steve Reich.

(reportagem publicada originalmente no caderno “Eu & Fim de Semana” do jornal “Valor Econômico”, em 2/12/2011)


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