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The ABCD of Boogie Woogie: quarteto britânico se diverte com forma pianística de blues

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 Modalidade de blues calcada no piano, o boogie woogie popularizou-se nos anos 1940 ao frequentar o repertório de expoentes do jazz, como os pianistas Count Basie e Fats Waller. Dançante e de essência rítmica, já na década de 1950 ele contribuiu para a gênese do rock’n’roll.

O nome do quarteto britânico The ABC&D of Boogie Woogie pode dar a impressão de que seu álbum de estreia (lançamento da gravadora ST2) seja uma introdução didática a esse estilo musical, mas, de fato, trata-se apenas de uma sigla com os nomes de seus integrantes. O que os pianistas Axel Zwingenberger e Ben Waters, Charlie Watts, o veterano baterista e membro original da banda Rolling Stones, e o baixista Dave Green querem mesmo é se divertir.

Gravado ao vivo no clube parisiense Duc des Lombards, em 2010, o descontraído CD destaca apenas um clássico do boogie woogie, “Roll’em Pete” (de Pete Johnson e Big Joe Turner), mas composições do grupo, como “Bonsoir Boogie”, “Duc de Woogie Boogie” e “Encore Stomp”, reproduzem bem a forma e a excitação desse estilo musical. 

(resenha publicada originalmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 27/10/2012) 


Eric Clapton: guitarrista e cantor dá uma lição de dignidade em seu novo álbum

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Ao contrário de muitos de seus fãs, Eric Clapton jamais levou a sério a fama de “deus” da guitarra que herdou ainda na década de 1960. E está longe de ser um desses patéticos roqueiros com mais de 30 anos, que insistem em posar de adolescentes. Em "Clapton" (lançamento Warner), seu 19º álbum, o guitarrista e cantor britânico, que já polarizou tantas vezes as atenções no universo do rock e do pop, mostra que está envelhecendo com dignidade. Esse é um de seus melhores discos.

Como em outros momentos essenciais de sua obra, Clapton voltou ao blues, sua maior fonte de inspiração. Na verdade, foi até mais fundo: no eclético repertório desse álbum, mistura relíquias do blues rural e urbano com alguns clássicos da canção norte-americana e pérolas obscuras do rhythm & blues. Ele abre o disco com “Travelin’ Alone”, vibrante blues do texano Melvin Jackson (1915-1976). Mas é a versão bem relax e acústica de “Rocking Chair”, a canção folk de Hoagy Carmichael popularizada por Louis Armstrong durante décadas, que melhor sintetiza a atmosfera geral de Clapton.


Entre as surpresas do álbum destacam-se duas canções do repertório do gaiato jazzista Fats Waller (1904-1943). Descontraído, Clapton ironiza a própria fama, em “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, e interpreta “My Very Good Friend The Milkman” com igual dose de humor. Em ambas, as participações do trompetista Wynton Marsalis, do pianista Allen Toussaint e do trombonista “Shorty” Andrews, entre outros músicos da Louisiana, trazem o tempero sonoro típico de New Orleans.

Inusitadas também são as releituras das baladas “How Deep Is the Ocean” (de Irvin Berlin) e, especialmente, “Autumn Leaves” (Kosma e Mercer), que Clapton interpreta com uma serenidade rara de se ouvir em suas gravações. E o solo de guitarra não fica atrás, em elegância e discrição. Seu antigo parceiro J.J. Cale (autor dos hits “Cocaine” e “After Midnight”) também participa. Além de contribuir com vocais e a guitarra, ele assina dois charmosos blues: o sombrio “River Runs Deep” e o quase gospel “Everything Will Be Alright”, ambos em arranjos tingidos pelas cordas da London Session Orchestra.


Com pegada suficiente para tocar no rádio, o dançante blues-rock “Run Back to Your Side” é a única faixa composta por Clapton. Nem precisava. Só como intérprete, o bluesman britânico já garante um álbum delicioso. E dá, aos 65 anos, uma lição de integridade artística. 

(resenha publicada na revista "Bravo!", edição de novembro de 2010)



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