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Luciana Souza e Trio Corrente: uma parceria muito especial em show e disco

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                                O pianista Fabio Torres, do Trio Corrente, e a cantora Luciana Souza 

Essa é uma parceria musical que pode ser considerada fora de série. Luciana Souza, uma das cantoras brasileiras mais conceituadas na cena internacional do jazz, gravou um disco com o brilhante grupo instrumental paulistano Trio Corrente. Lançado em agosto pelo selo nova-iorquino Sunnyside, “Cometa” já ostenta uma indicação para o prêmio Grammy 2024, na categoria melhor álbum de jazz latino.  

O prazer e a alegria que essa nova parceria está proporcionando aos quatro artistas era evidente no show de lançamento do álbum (em 15/12, no Sesc 24 de Maio), em São Paulo. Ao cumprimentar a plateia, o pianista Fabio Torres chamou atenção para um detalhe que contribui para que esse show seja tão especial. Diferentemente da maioria dos cantores, que costumam ficar postados à frente dos músicos nos palcos, Luciana faz questão de cantar ao lado deles.  

Nada mais adequado, já que ela não é apenas uma grande intérprete vocal. Essa paulistana radicada há décadas nos Estados Unidos é também, na verdade, uma inventiva instrumentista, que utiliza sua voz privilegiada para improvisar, exatamente como fazem os músicos do Trio Corrente. Essa proximidade, no palco, permite que Luciana interaja com seus parceiros durante todo o show, especialmente quando estão improvisando. Como sugeriu o pianista, assim o trio se transforma em quarteto.

O repertório do show foi escolhido, principalmente, entre as faixas do álbum “Cometa”. Além de releituras de clássicas canções de Dorival Caymmi (“Você Já Foi à Bahia?”), Tom Jobim & Vinicius de Moraes (“Sem Você”) e Paulinho da Viola (“Rumo dos Ventos”), entram também composições autorais de Luciana e seus parceiros: Fabio, o contrabaixista Paulo Paulelli e o baterista Edu Ribeiro.

Para quem perdeu esses preciosos shows, Luciana deixou uma boa notícia, na apresentação de sexta. Após uma extensa turnê de shows pelos Estados Unidos que ela e o Trio Corrente farão no primeiro semestre de 2024, seguida por uma turnê europeia, há planos de mais shows pelo Brasil, no segundo semestre. Vale lembrar também que o álbum “Cometa” já está disponível em algumas plataformas. Jazz brasileiro de alto quilate!


Amazonas Green Jazz: concerto de Randy Brecker foi o clímax do festival de Manaus

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                         O trompetista Randy Brecker e o saxofonista Rodrigo Ursaia, com a Amazonas Band 


Pelas ruas do centro de Manaus já se viam poucas máscaras nos rostos das pessoas que circulavam pela cidade, nos últimos dias de julho de 2022. No entanto, outras marcas do longo e difícil período que enfrentamos durante a pandemia ainda estavam presentes no palco e nos bastidores do Amazonas Green Jazz Festival, evento que ofereceu durante nove dias (de 22 a 30/7) dezenas de concertos, palestras e workshops musicais.

Nos corredores e na plateia do centenário Teatro Amazonas, assim como nas dependências do Juma Ópera (hotel que hospedou os músicos e convidados desse festival), sensações se misturavam: a insegurança quanto a poder voltar a abraçar amigos e conhecidos; a incerteza em relação ao uso da máscara numa fase em que a pandemia já parece menos preocupante (viva a vacina!); a animação por poder desfrutar depois de tanto tempo o prazer de ouvir música ao vivo, em um dos mais belos teatros do mundo.

Após os dois anos de distanciamento social imposto pela pandemia, as pessoas estavam ali reativando as memórias de quando podiam participar livremente de um dos rituais mais prazerosos para quem gosta de música, em especial de jazz e música instrumental. Nada melhor do que um festival para conhecer novos músicos do gênero, presenciar “jams” e “canjas” em bares da cidade, rever amigos e colegas, conhecer e degustar a culinária local.

Menções aos efeitos da pandemia foram ouvidas durante vários shows, no Teatro Amazonas. No sábado (30/7), o talentoso pianista e compositor norte-americano Aaron Parks agradeceu aos produtores do festival pela insistência em trazê-lo a Manaus neste ano, lembrando que deveria ter tocado na edição de 2020, mas ela foi cancelada dias antes da estreia. Ao abrir o concerto com sua composição “Rising Mind” (Mente em Ascensão), Parks parecia fazer alusão às lições que aprendeu durante os meses de distanciamento social.


                                                                        A cantora Leila Pinheiro

Última atração do festival, a cantora Leila Pinheiro foi mais explícita. Depois de interpretar alguns clássicos da bossa nova, muito bem acompanhada pela Amazonas Band, ela sentou-se a um teclado. Antes de cantar, comentou que, graças às dezenas de “lives” que realizou durante o período mais duro da pandemia, conseguiu manter seu equilíbrio mental. Então, visivelmente emocionada, interpretou “Trem-Bala”, de Ana Vilela. “Segura teu filho no colo / Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui / Que a vida é trem-bala, parceiro / E a gente é só passageiro prestes a partir”, diz a letra dessa pungente canção. Na plateia, outras pessoas também se emocionaram.

Já o trompetista Daniel D’Alcântara escolheu um contagiante tema jazzístico para abrir a apresentação de seu quinteto, na sexta (29/7). Quem acompanha a carreira desse conceituado músico e educador paulista sabe que “Canção Para Tempos Melhores” (composição instrumental do pianista Gustavo Bugni, que já integrou esse quinteto) emprestou seu título a um álbum que D’Alcântara lançou em 2015. Se, naquela época, o tom otimista desse tema já o fazia soar como um lenitivo musical, hoje ele ressoa mais poderoso e necessário ainda. Para isso também conta o talento dos craques que completam esse quinteto: Vitor Alcântara (sax tenor), Edson Sant’anna (piano elétrico), Cuca Teixeira (bateria) e Bruno Migotto (baixo acústico).

Aliás, a música instrumental brasileira esteve muito bem representada nesta edição. O pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise, que se apresentam em duo há três décadas, tocaram delicadas releituras de temas cinematográficos e de clássicos da canção brasileira. Já o quarteto do guitarrista Bruno Mangueira exibiu um repertório saboroso e pouco usual, que reuniu composições de Sivuca (“Um Tom pra Jobim”), Severino Araújo (“Espinha de Bacalhau”) e Lupicínio Rodrigues (“Felicidade”), além de composições próprias.

Parceria muito feliz do baixista Paulo Paulelli com o baterista Edu Ribeiro e o pianista Fabio Torres, o Trio Corrente deliciou a plateia com seu samba-jazz descontraído e tiradas bem-humoradas. Não menos aplaudido, o trio do grande pianista Amilton Godoy (com o mesmo Ribeiro à bateria e Sidiel Vieira no baixo) também provocou sorrisos ao transformar em sambas algumas melodias clássicas de compositores eruditos. 


                                                                                               O baterista Jeff "Tain" Watts

Além do lirismo e das belas melodias do já citado Aaron Parks, três outros jazzistas norte-americanos exibiram trabalhos bem diversos durante os últimos dias desse festival. Um dos bateristas mais criativos das últimas décadas, o energético Jeff “Tain” Watts abriu seu show com uma saborosa releitura de “Brilliant Corners” (do genial Thelonious Monk). E surpreendeu seus admiradores ao trazer em seu grupo o suíço Grégoire Maret – craque da gaita, que soaria bem melhor com o grupo de Parks .

Conceituado trombonista, John Fedchock demonstrou ao lado de seu sexteto (com destaque para o trompete de Scott Wendholt e o sax tenor de Troy Roberts) porque também é reconhecido como um excelente arranjador. Sua releitura da clássica balada “Nature Boy” (de Eden Ahbez) foi um dos grandes momentos de sua apresentação.

No entanto, para aqueles como eu, que já acompanhavam a cena do jazz nos anos 1970 e 1980, o grande destaque desta edição do festival foi mesmo o encontro do trompetista Randy Brecker com a Amazonas Band, regida pelo maestro Rui Carvalho, incluindo participações dos saxofonistas Rodrigo Ursaia e Felipe Salles. Os sorrisos do norte-americano ao ouvir os arranjos de “Some Skunk Funk” e outras de suas intrincadas composições, que se confundem com a era da chamada jazz-fusion, sinalizaram sua aprovação. Sem dúvida, essa big band amazonense já atingiu um padrão de qualidade internacional.

Tive o privilégio de cobrir para a “Folha de S. Paulo” a primeira edição do Festival Amazonas Jazz, em 2006, no mesmo Teatro Amazonas. Depois também fui a Manaus para acompanhar as edições de 2007 e 2011. Portanto, ao reencontrar agora esse evento rebatizado como Amazonas Green Jazz Festival, me sinto seguro para afirmar que a essência desse evento continua a mesma. Até porque o maestro Rui Carvalho, que idealizou e produz esse festival desde a primeira edição, continua a comandá-lo.


                                            Rui Carvalho rege a Amazonas Band, no concerto de Randy Brecker

É natural que as afinidades musicais de um produtor ou de um diretor artístico acabem por se refletir no perfil do festival que organizam. Além de sua paixão pelas big bands, Carvalho já era educador havia 14 anos quando trocou São Paulo por Manaus, em 2001, para reger a Amazonas Band. Não à toa, o Festival Amazonas Jazz já adotava desde suas primeiras edições um viés educacional calcado em workshops, oficinas e palestras, além da programação de concertos,

Diferentemente de festivais mais ecléticos, que se abrem para outros gêneros musicais como o pop ou a black music, o Amazonas Green Jazz mantém um perfil mais focado no jazz e na música instrumental brasileira. Ao montar o elenco de cada edição, Carvalho reúne músicos consagrados e novos talentos desse gênero, mas também prioriza alguns solistas, tanto internacionais como brasileiros, que possam dividir seu conhecimento técnico com os estudantes de música e instrumentistas locais.

Foi o caso, neste ano, de conceituados músicos como o pianista porto-riquenho Edsel Gomez, os trompetistas Ed Sarath, Daniel Barry e Daniel D’Alcântara, o trombonista John Fedchock, os saxofonistas Rodrigo Ursaia, Felipe Salles e Marcelo Coelho, o guitarrista Bruno Mangueira ou os bateristas Celso de Almeida e Maurício Zottarelli, que ministraram masterclasses e workshops sobre seus instrumentos ou vertentes musicais que cultivam, além de participarem da programação de concertos e shows, no Teatro Amazonas.

Tomara que o Amazonas Green Jazz Festival volte a ser realizado com regularidade, nos próximos anos. E que sua excelente edição de 2022 seja um sinal de que a cena dos festivais de jazz e música instrumental tornará a crescer em nosso país. 



Amazonas Green Jazz: festival de Manaus volta rebatizado ao seu palco

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                  O centenário Teatro Amazonas, palco do Amazonas Green Jazz Festival / Foto: Divulgação

Após um hiato de dois anos provocado pela pandemia, o Festival Amazonas Jazz – um dos mais conceituados eventos do gênero em nosso país – retorna ao palco do centenário Teatro Amazonas, em Manaus, de 22 a 30 deste mês de julho. Rebatizado de Amazonas Green Jazz Festival, o evento entra em nova fase, mas mantém sua essência e a direção artística do maestro Rui Carvalho, que o coordena desde sua primeira edição, em 2006.

Segundo Carvalho, o Amazonas Green Jazz tem dois eixos fundamentais. “Além dos concertos realizados no Teatro Amazonas, que buscam a formação de uma plateia para esse gênero musical em Manaus, o festival também contribui para a sedimentação do conhecimento através de uma enorme e variada gama de workshops e palestras totalmente gratuitos e abertos a todos”, explica o maestro.

Os pianistas Aaron Parks, Edsel Gomez e Amilton Godoy, os trompetistas Randy Brecker, Keyon Harrold e Ed Sarath, o trombonista John Fedchock, o baterista Jeff “Tain” Watts, a cantora Leila Pinheiro, o Trio Corrente e o duo Gilson Peranzzetta e Mauro Senise se destacam no elenco desta edição. A programação também inclui três concertos da Amazonas Band, big band regida pelo maestro Rui Carvalho, com diferentes repertórios.

Num total de 24 eventos didáticos, os workshops e palestras oferecidos gratuitamente pelo festival são dirigidos a músicos profissionais, entusiastas e estudantes de música, dança e outras áreas culturais. Na abertura dessa extensa programação, dia 22/7, o pianista e compositor Edsel Gomez ministra workshop sobre o Latin Jazz.

No dia seguinte, Mauricio Zottareli, baterista brasileiro radicado em Nova York, comanda um workshop sobre bateria e lança seu livro “AM Jazz Drumming”. O saxofonista e pesquisador Marcelo Coelho vai conduzir dois eventos: o workshop Rap e Jazz (em 23/7) e a palestra “Economia Criativa e Mercado Musical” (25/7). Já em 28/7, vou ministrar a palestra "A Explosão dos Festivais de Jazz", esboço do livro homônimo que estou escrevendo para a Sesc Edições.

Venda de ingressos para os concertos do festival e a programação completa de workshops e palestras você encontra no site oficial do festival:
www.amazonasgreenjazzfestival.com.br

 




 

Passion4Jazz: podcast aproxima ouvintes do universo do jazz e gêneros afins

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                                                                  O multiinstrumentista e compositor Hermeto Pascoal  

Gosta de jazz e música instrumental brasileira? Então tenho um convite para você: já está disponível no Spotify, no YouTube, na Apple TV e em outras plataformas de streaming o primeiro episódio do podcast Passion4Jazz. Dirigido não só aos fãs do jazz e gêneros afins, mas também àqueles que desejam se iniciar nesse inventivo universo musical, o P4J estreia com um episódio dedicado à música e ao legado da grande cantora e ativista negra Nina Simone (1933-2003), com participações especiais das cantoras Leila Maria e Alma Thomas.

Com oito episódios, a primeira temporada do Passion4Jazz destaca também: a música universal do “bruxo” Hermeto Pascoal comentada por três de seus discípulos; as fusões do jazz contemporâneo com o hip hop assinadas pelo pianista e compositor Robert Glasper; o samba-jazz de ontem e de hoje, com participações especiais do Trio Corrente e do pianista Amilton Godoy; o legado musical do grande maestro pernambucano Moacir Santos; a história e os causos da criativa dupla Airto Moreira e Flora Purim; um panorama da nova geração do jazz em Londres; e um balanço da impactante e mística obra do saxofonista e compositor John Coltrane.

Deu para sentir até onde queremos chegar nessa primeira temporada? Além da conversa descontraída e repleta de informações relevantes, que se espera dos melhores podcasts, contamos ainda com uma atração exclusiva: um quarteto formado pelos craques Gustavo Bugni (piano), Bruno Migotto (baixo), Vitor Cabral (bateria) e Jota P. (sopros), que tocam releituras de clássicos do jazz, em vários episódios.

Como consultor musical desse projeto (e umas coisinhas a mais), tem sido um grande prazer trabalhar ao lado do pianista Jonathan Ferr e da jornalista Debora Pill, nossos hosts, do designer Oga Mendonça e do jornalista Eduardo Roberto. A produção executiva é de Marcelo Pires e Luciana Pavan, à frente da equipe da produtora PlayGround.


Festival Amazonas Jazz: evento retorna com novidades após hiato de cinco anos

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                                  Randy Brecker, atração do 10.º Festival Amazonas Jazz / Foto de divulgação

Um dos grandes festivais de jazz e música instrumental em nosso país volta à ativa após um hiato de cinco anos. A 10ª edição do Festival Amazonas Jazz vai oferecer durante nove dias de programação (de 21 a 29/3), na cidade de Manaus, 16 concertos com renomados músicos do gênero. O evento inclui também uma extensa série de atividades educativas, todas gratuitas, num total de 33 workshops, oficinas e palestras.

Entre expoentes dessa vertente musical que vão se apresentar no imponente Teatro Amazonas destacam-se os trompetistas Randy Brecker, Keyon Harrold e Ed Sarath, o baterista Jeff “Tain” Watts, os pianistas Aaron Parks e Edsel Gomez, o saxofonista Frode Gjerstad e o trombonista e arranjador John Fedchock. Os ingressos para os concertos e shows variam entre R$ 20 e R$ 80.

O elenco nacional também é de alto quilate. O duo do pianista Gilson Peranzzetta com o flautista Mauro Senise, o Trio Corrente, o saxofonista Marcelo Coelho e seu grupo McLav.in, o trio do pianista Amilton Godoy com o gaitista Gabriel Grossi e o quarteto do trompetista Daniel D’Alcântara garantem música instrumental brasileira da melhor qualidade. Bem representadas pela cantora Leila Pinheiro, a bossa nova e a MPB também têm um merecido espaço na série de concertos e shows.

Idealizador e diretor artístico do festival desde a primeira edição, o maestro Rui Carvalho estará mais uma vez à frente da Amazonas Band 
 conceituada big band de Manaus, que vai se apresentar nas noites de abertura e de encerramento do evento. Ele conta que o conceito do festival começou a ser desenvolvido um ano antes de sua estreia (em 2006), com a realização de um projeto intitulado Amazonas Band Convida.

“A ideia era trazer a Manaus músicos de alto calibre, que fomentassem o jazz junto à plateia local, oferecendo espetáculos de alto nível”, relembra Carvalho. “Além disso, esses músicos também deveriam realizar workshops que contribuíssem para aumentar o nível dos estudantes e músicos daqui. Logo percebemos que seria interessante ampliar o escopo dessas atividades”.

Assim surgiu um festival de jazz e música instrumental brasileira, que desde a primeira edição investiu bastante na formação de uma plateia para esse gênero musical, assim como no aprimoramento técnico dos instrumentistas da região 
 uma característica essencial, que o diferencia da maioria dos festivais de jazz brasileiros.

“Além das palestras, workshops e masterclasses no campo específico da música, logo no primeiro festival já tivemos um curso sobre áudio, ministrado pelo engenheiro de gravação Clement Zular, que surgiu em decorrência da necessidade de aprimorar o nível dos nossos técnicos de som”, comenta Carvalho, ressaltando também a iniciativa de o festival focalizar em diversas palestras as relações e afinidades do jazz com outras áreas da cultura, como o cinema, o teatro, a dança ou a pintura.

Uma novidade na edição deste ano é a transformação da Casa das Artes (localizada ao lado do Teatro Amazonas, no centro de Manaus), em Casa do Jazz. Esse espaço já funciona diariamente, das 9h às 21h, com uma programação gratuita de filmes que dialogam com o jazz, além da exibição de episódios da série documental “Jazz”, de Ken Burns, que registra e discute a evolução desse gênero musical.


Inédita também na programação do festival é a realização do Concurso Jovem Instrumentista. Os vencedores, eleitos por um júri especializado, vão se apresentar no Teatro Amazonas, dia 24, antes do show do saxofonista norueguês Frode Gjerstad.

Outras informações no site do Festival Amazonas Jazz



Discos de 2019: música instrumental e jazz do Brasil em 50 álbuns recomendados

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Já que o ano passado foi tão marcado por polarizações e antagonismos ideológicos, decidi extrapolar por uma boa causa: minha lista de recomendações de álbuns lançados no último ano é dedicada exclusivamente à música instrumental brasileira e suas eventuais conexões com o jazz.

Tomei essa decisão por dois motivos. Como em anos anteriores, as listas de “melhores” discos já publicadas ou postadas tendem a esnobar a música instrumental. Quase todas elas concentram-se em vertentes como o chamado pop “indie”, o hoje hegemônico rap, o combalido rock ou a porção mais alternativa da MPB. Uma exceção, nessas listas, é a eventual presença do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda.

Não se trata apenas de defender a merecida inclusão do som instrumental entre o que se faz de melhor na cena musical de hoje, mas também de afirmar a alta qualidade musical dessa vertente. Quem se der a oportunidade de ouvir ao menos alguns dos discos listados e comentados a seguir vai perceber que a produção instrumental brasileira esbanja diversidade musical, beleza, refinamento sonoro e contemporaneidade.

Como as vendas de CDs já não são as mesmas de outros tempos, quase todos esses músicos selecionados aqui disponibilizam seus discos (ou pelo menos algumas faixas) no YouTube. Se você clicar no título de cada um, na lista abaixo, pode conhecer esses discos, assim como se familiarizar com alguns desses instrumentistas. Se gostar, tenho certeza de que esses músicos vão ficar felizes se você comprar seus discos ou for ouvi-los ao vivo, na próxima vez em que eles se apresentarem em sua cidade.

Tomara que esta lista ajude você a ampliar o repertório musical que vai frequentar seus ouvidos e sua sensibilidade em 2020. Aproveite! 

Ademir Cândido - “Ritmos do Brasil” (independente) – Guitarrista e compositor gaúcho, Ademir viveu 20 anos na Suíça antes de voltar ao país. Seu quinto álbum celebra a diversidade da música brasileira, em composições próprias como o samba-jazz “O Fino da Bossa”, o xote “Enxotando” e o samba “Pakito na Gafieira”. Participações de Jaques Morelenbaum (cello) e Marcelo Martins (sax soprano), entre outros.

Alexandre Caldi e Itamar Assiere - “Afro+Sambas” (Biscoito Fino) – Ao reler o cultuado álbum “Os Afro-Sambas” (1966), de Baden Powell e Vinicius de Moraes, o saxofonista e o pianista tomam a liberdade de acrescentar aos oito sambas do disco original outros três de Baden: “Labareda”, “Samba Novo” e “Consolação”. Essa liberdade se estende também ao tratamento harmônico dos arranjos e aos improvisos do duo.  


Alexandre Carvalho Quartet - “Rio Joy” (independente) – O jazzístico arranjo da bossa nova que dá nome a este álbum revela as referências musicais do excelente guitarrista e compositor carioca, que também desenvolve carreira nos EUA. À frente de seu quarteto, Alexandre recria clássicos da música instrumental brasileira, como “The Dolphin” (de Luiz Eça) e “Samba Jazz” (JT Meirelles), e exibe temas autorais.

Alfredo Dias Gomes - “Solar” (independente) – Depois de tocar com figurões do instrumental brasileiro, o baterista e tecladista carioca tem lançado discos que demonstram sua grande afinidade com o jazz-rock. Autoral, seu novo álbum o reaproxima da música brasileira, em faixas como o baião “Viajante” e a percussiva “Solar”. É praticamente um projeto “eu comigo mesmo”, com participação do saxofonista Widor Santiago.

André Magalhães - “Para Ti - Batuques e Melodias dos Cantos” (Circus) – Um ensaio autobiográfico e étnico-musical. É assim que o produtor e baterista paulista, hoje com 51 anos, define seu primeiro álbum. André criou uma trilha sonora de suas vivências musicais de pesquisador, em composições instrumentais que misturam batuques, vozes, sons da natureza e cantos indígenas. Música imersiva que emociona e faz pensar.

André Mehmari Trio - “Na Esquina do Clube com o Sol, na Cabeça” (Estúdio Monteverdi) – O prolífero multi-instrumentista já tinha flertado com as canções do Clube da Esquina, em 2011, num disco de piano solo para crianças. Agora, ao lado de Neymar Dias (baixo) e Sergio Reze (bateria), vai mais fundo nas releituras de “Tudo Que Você Podia Ser” (Lô e Márcio Borges) e “Canoa Canoa” (Nelson Ângelo), entre outras.

Banda Urbana - “Relatos Suburbanos” (independente) – Ativa há 13 anos, a big band paulistana, que se dedica à música instrumental, chega ao seu terceiro álbum. As seis faixas incluídas no repertório deste disco foram compostas e arranjadas por integrantes da banda. Destaque para o baião “Do Mar” (do saxofonista Raphael Ferreira), que conta com participação especial do acordeonista Toninho Ferragutti.

                                           


Benjamim Taubkin & Ivan Vilela - “Encontro” (Núcleo Contemporâneo) – O pianista paulista e o violeiro mineiro cultivam neste duo um repertório que viaja por diferentes paisagens sonoras, tanto urbanas como interioranas. Belezas de sobra, em composições próprias como “Mantendo a Fé” (de Taubkin) ou “Sertão” (de Vilela), assim como nas releituras de “Milagre dos Peixes” e “Cravo e Canela” (Milton Nascimento).


Bruno E. & Coletivo Superjazz - “São Paulo Jazz Rebels” (Urubu Jazz) – Clubes essenciais na cena instrumental e jazzística paulistana, como o Bourbon Street, o Ó do Borogodó e o JazznosFundos, serviram de inspiração para composições do contrabaixista e vocalista goiano radicado em São Paulo. À frente de seu quinteto, Bruno conta com participações do vibrafonista Beto Montag e do cantor Toinho Melodia.

Café Mestiço (independente) – Álbum de estreia do trio paulistano, formado por Michi Ruzitschka (violão de 7 cordas), Ricardo Araújo (guitarra portuguesa) e Beto Angerosa (percussão). A instrumentação inusitada tem tudo a ver com o repertório eclético, que vai do choro “Eu Quero É Sossego” (de K-Ximbinho) ao novo tango de Piazzolla (“Oblivion”), passando por pérolas musicais de Cabo Verde e do Paraguai.

Carol Panesi - “Em Expansão” (Blaxtream) – Segundo álbum da talentosa multi-instrumentista e vocalista carioca, cujo quarteto inclui Fábio Leal (guitarra), Jackson Silva (baixo) e Guegue Medeiros (bateria). Seguidora da “música universal” de Hermeto Pascoal, Carol exibe uma nova safra de composições próprias recheadas de referências espirituais, como “Transmutação Violeta”, “Cordão Astral” e “Somos Todos Um”.

Cristian Sperandir - “Bons Ventos” (independente) – Álbum de estreia do pianista e tecladista gaúcho. Acompanhado por Antônio Flores (violão e guitarra), Caio Maurente (contrabaixo), Sandro Bonato (bateria) e Bruno Coelho (percussão), Cristian toca composições de sua autoria, como “Aquífero”, “Passeio de Notas” e “Tiro de Brazuca”, que combinam influências da música popular brasileira e do jazz.

Danilo Brito & André Mehmari - “Nosso Brasil” (independente) – Uma pena que o atormentado Brasil de hoje não demonstre a mesma alegria revelada por este duo inspirador. Recriando antigos choros, como “Amoroso” (de Garoto) e “Sedutor” (Pixinguinha), ou a valsa “Terna Saudade” (Anacleto de Medeiros), Brito, ao bandolim, e Mehmari, ao piano, referem-se com afeição a um país que já foi mais sonhador e solidário.

Daniel Murray - “Universo Musical de Egberto Gismonti” (Carmo/ECM) – Um dos grandes violonistas da cena instrumental de hoje, o músico carioca faz seu tributo a Gismonti, cuja obra já frequenta seus concertos há muito tempo. Entre as 13 faixas, 11 arranjos de Daniel para violão solo de preciosidades como “Forrobodó”, “Maracatu”, “Frevo” e “Água e Vinho”. A produção é assinada pelo próprio Gismonti. 


 
                                                 

Duofel, Carlos Malta e Robertinho Silva - “Duo + Dois” (Sesc) – Quem já assistiu a algum show desse inventivo quarteto deve ter notado a alegria que esses instrumentistas de alto quilate demonstram ao tocarem juntos. Entre 13 clássicos da bossa e da MPB, as releituras de “Maracangalha” (Dorival Caymmi), “Água de Beber” (Tom Jobim) e “Canto de Yemanjá” (Baden Powell) são especialmente contagiantes.

Fábio Gouvea - “Decênio” (Blaxtream) – O guitarrista e compositor paulista (integrante do Trio Curupira) criou uma extensa peça instrumental em quatro movimentos, inspirada por suas memórias afetivas da última década. Nas gravações, Fábio tem a seu lado Dô de Carvalho (saxofones e flauta), Gustavo Bugni (piano), Felipe Brisola (contrabaixo), Cleber Almeida (bateria, percussão e vocais) e Amanda Mara (vocais).

Fernando TRZ - “Solstício” (Maion) – Primeiro álbum solo do pianista, compositor e produtor paulista, que já tocou com as bandas Cérebro Eletrônico e Liniker e os Caramellows. As sete faixas são autorais. “Janeiro” remete às trilhas sonoras de filmes da “blacksploitation” dos anos 1970. O baião “Gira” mistura sons eletrônicos com um naipe de sopros. O momento lírico do disco vem em “Flores Noturnas”.

Giba Estebez – “Omni” (independente) – Ativo na cena instrumental de São Paulo, o pianista e compositor sintetiza no genérico título de seu álbum (“tudo”, em latim) as diversas influências que sua música engloba. Em “Dance”, Giba revela afinidades com o jazz elétrico dos anos 1970. Eletrificado também é o seu suingado “Samba da Hora”. Já a romântica “Ballad for Nina” destaca o sax tenor de Nina Novoselecki.  


Gilson Peranzzetta e Mauro Senise - “Cinema a Dois” (Fina Flor) – Parceiros há quase três décadas, o pianista e o flautista dedicam este álbum a temas de clássicos do cinema, como “Over the Rainbow” (do filme “O Mágico de Oz”), “Cinema Paradiso” ou “When You Wish Upon a Star” (de “Pinocchio”). Jazzistas sensíveis que são, Peranzzetta e Senise sabem equilibrar emoção e criatividade nas suas releituras.  


Hamilton de Holanda - “Harmonize” (Brasilianos) – Mesmo depois de lançar quatro discos em 2018, o bandolinista carioca não deixou o ano seguinte passar em branco. Ao lado de Daniel Santiago (violão), Thiago do Espírito Santo (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), craques do gênero, Hamilton exibe dez composições próprias que flertam com o jazz, até com a música pop, sem abrir mão do samba e do choro.

Hércules Gomes - “Tia Amélia Para Sempre” (Sesc) – O pianista capixaba homenageia a lendária "pianeira" e compositora goianiense Amélia Brandão Nery, a Tia Amélia (1922-1980). Entre as 14 faixas, Hércules interpreta choros como “Saracoteando” e “Cheio de Truques”, em solos de piano. Em outras conta com craques do choro, como Nailor Proveta (clarinete), Izaías (bandolim) e Gian Correa (violão de 7 cordas).

Igor Willcox Quartet - “Live at The Jazz Room” (Room 73) – O quarteto paulista gravou ao vivo este álbum durante turnê pelo Canadá, em 2019. O líder (bateria), Glécio Nascimento (baixo), Vini Morales (piano e teclados) e Wagner Barbosa (sax tenor) tocam repertório próprio, que destaca o jazz-funk “Brotherhood” (de Willcox), as líricas “Piano Intro” e “Brad Vibe” (Morales) e o jazz-rock “U.F.O” (Willcox).

João Taubkin Grupo - “Kandra” (independente) – Paralelamente à parceria que tem desenvolvido com a cantora moçambicana Lenna Bahule, o contrabaixista e compositor paulistano lança mais um álbum autoral, agora à frente de um quarteto que inclui Rodrigo Bragança (guitarra), Sérgio Reze (bateria) e Zé Godoy (piano). Faixas como “Outlander” e “Miragem” revelam influências do jazz e do rock alternativo. 

                                                  

Joel Nascimento & Fábio Peron - “Jacob do Bandolim 100 Anos: Sentimento & Balanço” (Sesc) – Dois brilhantes bandolinistas de diferentes gerações cultuam a obra desse expoente do choro e compositor carioca, que adotou o bandolim até em seu nome artístico. Joel e Fábio relembram joias do mestre, como “Doce de Coco”, “Gostosinho”, “Assanhado” e “Santa Morena”. Os arranjos são assinados pelo cavaquinista e violonista Henrique Cazes.

Lelo Nazário - “Projeto MI²” (Utopia) – Um dos criadores do experimental Grupo Um, o pianista e compositor paulistano ressalta que produziu este álbum solo integralmente em seu estúdio – das gravações à capa. Tocando teclados e sintetizadores, Lelo exibe oito composições inéditas que utilizam diversas linguagens de vanguarda. Participações especiais do pianista Felix Wagner e da flautista Andrea Ernest Dias.

Letieres Leite Quinteto - “O Enigma Lexeu” (Rocinante) – O compositor e arranjador baiano, líder da cultuada Orkestra Rumpilezz, comanda o primeiro disco de seu quinteto. Autor das sete composições, da encantatória “Casa do Pai” à intensa “Mestre Moa do Katendê”, Letieres toca flautas e saxofones. A percussão de Luizinho do Jejê também é essencial neste projeto de ascendência africana em formato jazzístico.

Ludere - “Live at Bird’s Eye” (Blaxtream) – Gravado ao vivo num clube de jazz de Basel (Suíça), em 2018. Philippe Baden Powell (piano), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (baixo) e Daniel de Paula (bateria) tocam temas próprios, como a balada “Mirante” (de Rubinho) e o samba “Afro-Tamba” (de Philippe). O mestre do violão Baden Powell (1937-2000) é homenageado nas releituras de “Igarapé” e “Sermão”. 


Maiara Moraes Quinteto - “Cabeça de Vento” (Blaxtream) – Catarinense radicada em São Paulo, a flautista e compositora desponta em seu primeiro álbum autoral, acompanhada por Josué dos Santos (saxofones e flauta), Guilherme Ribeiro (piano), Igor Pimenta (contrabaixo) e Pedro Henning (bateria). Lirismo e diversidade rítmica convivem em belezas como “Maracatu”, “Choro pro Pê” e “Caminho de Volta”.

Manoel Cruz - “Brazilian News” (independente) – A afinidade que o contrabaixista e compositor radicado em São Paulo tem com o chamado “latin jazz” traz sabor especial a seu álbum. Para isso conta também a presença do trompetista italiano Gabriel Rosati. Na faixa “Samba D Boa” e na bela releitura da toada “Lamento Sertanejo” (de Dominguinhos e Gilberto Gil), Manoel mostra a face mais brasileira de seu jazz.

Maogani - “Álbum da Califórnia” (Biscoito Fino) – Engavetado durante uma década, este álbum que o criativo quarteto de violões carioca gravou em Los Angeles, com produção de Sérgio Mendes, finalmente está disponível. No repertório, arranjos de standards do jazz e releituras de clássicos da MPB, como “Chovendo na Roseira” (Tom Jobim), “Folhas Mortas” (Ary Barroso) e “Bananeira” (João Donato e Gilberto Gil).

Mário Sève (Kuarup) – Gravado em 2011, num show em São Paulo, este álbum do saxofonista e flautista carioca foi lançado agora para comemorar seus 60 anos. Ao lado de Gabriel Geszti (acordeom), Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo) e Sérgio Reze (bateria), Sève toca 10 composições autorais. Três delas são canções em parceria com a cantora argentina Cecilia Stanzione, que também participou dessa gravação.  


Nenê Trio - “Primavera” (Blaxtream) – Um dos grandes bateristas do país, o gaúcho Realcino “Nenê” Lima Filho finaliza com este disco sua quadrilogia “Quatro Estações”, iniciada com o álbum “Outono” (2009). Talvez o fato de tocar há mais de uma década com o pianista Írio Júnior e o contrabaixista Alberto Luccas possa explicar a impressionante unidade sonora desse trio ao tocar as abstratas composições do líder.  
                                        


Neymar Dias - “Minhas Canções Instrumentais” (independente) – Ao batizar este álbum, o talentoso violeiro e compositor paulista não estava brincando. Acompanhado por Igor Pimenta (baixo elétrico), Agenor de Lorenzi (piano e teclados) e Gabriel Altério (bateria e percussão), Neymar apresenta, nas 11 faixas autorais, doces e singelas melodias, que estão praticamente pedindo letras para se tornarem canções.

Odésio Jericó - “Disco do Jericó” (independente) – Em 65 anos de carreira, o trompetista pernambucano fez parte de conceituadas orquestras e big bands, como a Banda Mantiqueira, que integra desde os anos 1990. Para seu primeiro disco solo, escolheu clássicos da bossa nova e do samba, como “O Que É Amar” (Johnny Alf) e “Devagar com a Louça” (Haroldo Barbosa e Luiz Reis). Música saborosa para ouvir ou dançar.

Projeto Unknown - “Projeto Unknown II” (independente) – Bruno Migotto (baixo elétrico), Cuca Teixeira (bateria), Djalma Lima (guitarra) e Gustavo Bugni (teclados), craques da cena instrumental paulistana, formam este grupo cujo segundo álbum reúne nove composições autorais. Marcadas por influências do jazz e do rock, elas remetem à chamada “fusion”, estilo eletrificado de jazz que dominou a década de 1970.

Quatro a Zero - “Mesmo Outro” (independente) – O 5.º álbum deste quarteto paulista, que começou tocando choro, em 2001, reflete sua evolução e amadurecimento. Releituras dos chorões Jacob do Bandolim (“Receita de Samba”) e Radamés Gnattali (“Papo de Anjo”) dividem o repertório com composições próprias, como “Nós e Ele” (parceria com Hermeto Pascoal) ou “Ferraguttiana” (do violonista Eduardo Lobo).

Ricardo Herz & Camerata Romeu - “Nova Música Brasileira Para Cordas” (independente) – Uma beleza o encontro do violinista paulistano com essa orquestra feminina de cordas de Cuba. Herz, que assina os arranjos e composições do álbum, explora um aspecto incomum na música clássica: o suingue. No baião “Mourinho”, por exemplo, as violinistas, violistas e violoncelistas da orquestra percutem seus instrumentos.

Rogério Caetano & Gian Correa – “7” (independente) – Por ocasião do centenário de Dino Sete Cordas (1918-2006), grande instrumentista e referência na música brasileira em relação à técnica e à linguagem do violão de sete cordas, dois craques desse instrumento – o goiano Rogério e o paulista Gian – exibem sete composições autorais para prestar tributo ao mestre. Difícil imaginar homenagem mais pertinente.

Salomão Soares Trio - “Colorido Urbano” (Blaxtream) – Uma das grandes revelações desta década na cena instrumental, o pianista e compositor paraibano comanda seu trio, que inclui o baixista Thiago Alves e o baterista Paulo Almeida. Da nervosa “Ponto Cego” à sensível “Ponto de Luz”, Salomão exibe oito temas autorais que afirmam sua inventividade. Inclui também releitura do standard “My Favorite Things”.

San-São Trio - “Novos Caminhos” (Maritaca) – O sensível saxofonista Harvey Wainapel, de San Francisco (EUA), se uniu à flautista Léa Freira e ao pianista Amilton Godoy, brilhantes músicos e compositores de São Paulo. Mais que um simbólico encontro do jazz com a música brasileira, o que se ouve aqui é uma inspiradora e descontraída conversa entre duas das tradições musicais mais ricas e criativas do mundo.

Semiorquestra - “Jogos e Quitutes” (independente) – O bem-humorado álbum de estreia desta compacta orquestra paulistana de formação incomum foi produzido por Cris Scabello (da banda Bixiga 70). O repertório é autoral e eclético: vai do baião “Iguarias do Milho” (de Luca Frasão) ao bolero “Curinga da Canastra” (Fernando Sagawa); da guitarrada “Dibrando” (João Sampaio) ao afoxé “Revoada” (Rodrigo Lima).

Silibrina - “Estandarte” (independente) – Liderado pelo pianista e compositor Gabriel Nóbrega, este septeto paulista é uma boa surpresa na cena instrumental dos últimos anos. O segundo álbum do grupo traz, em faixas como “Frevo Maligno”, “Paratema” e “Rochedo”, todas autorais, contagiantes misturas de ritmos brasileiros com influências do jazz e da música pop. Ao vivo, o Silibrina soa melhor ainda.   
                                                   

Teco Cardoso, Bebê Kramer e Swami Jr. - “Dança do Tempo” (Sesc) – Este trio não nasceu por acaso. Convidado pelo Sesc Pompeia a fazer um show de instrumentistas com os quais ainda não havia tocado, o violonista Swami Jr. formou com Teco (sopros) e Bebê (acordeom) um trio que parece tocar junto há décadas. Faixas como “Dois”, “Choro Esperança” ou “Angulosa” confirmam a empatia que une esses novos parceiros.

Thiago Carreri - “Transição” (Blaxtream) – O guitarrista de São Carlos (SP) não esconde, em entrevistas, que a fonte de seu quarto álbum foi a música do mineiro Toninho Horta. Ao lado de Márcio Bahia (bateria), Breno Mendonça e Marcelo Toledo (saxofones), Rubinho Antunes (trompete) e Bruno Barbosa (baixo), Thiago mostra belos temas sua autoria, como “Obrigado” e “Caminhos”, que parecem pedir letras.

Thiago Espírito Santo - Pra Te Fazer Sonhar” (independente) – Um dos grandes baixistas da nova geração, Thiago tem neste álbum a companhia de Bruno Cardoso (piano e teclados) e Cuca Teixeira (bateria). Do samba “Fogo Baixo, Chapa Quente” (com vocais de Filó Machado) à jazzística balada “Giselle” (com participação do gaitista Grégoire Maret), passando pelo jazz-rock “Classe A”, o repertório é todo autoral.

Toninho Horta & Orquestra Fantasma - “Belo Horizonte” (Minas) – Para comemorar seus 50 anos de carreira, o violonista e compositor mineiro não deixou por menos: lançou este álbum duplo com composições inéditas e alguns de seus sucessos, como “Beijo Partido” e “Aqui Ó” (parceria com Fernando Brant). Entre diversos convidados, a cantora Joyce Moreno, o saxofonista Nivaldo Ornelas e o percussionista Robertinho Silva.

Trio Corrente - “Tem Que Ser Azul” (Abeat) – Gravado na Itália, em 2018, segundo os próprios Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo acústico e elétrico) e Edu Ribeiro (bateria), este álbum resume os 18 anos desse premiado trio paulistano. Clássicos da bossa nova, como “Só Tinha Que Ser com Você” (Tom Jobim) e “Eu e a Brisa” (Johnny Alf), ganham criativas releituras, ao lado de composições próprias.

Trio in Uno - “Ipê” (independente) – As primeiras notas da contagiante “Bate Coxa” (composição de Marco Pereira) já revelam um trio de sonoridade incomum. Radicados na França, os brasileiros José Ferreira (violão de 7 cordas) e Pablo Shinke (violoncelo), mais a italiana Giulia Tamanini (sax soprano), recriam com personalidade pérolas musicais como “Forrobodó” (Egberto Gismonti) e “Cine Baronesa” (Guinga).

Tulio Araujo & Daniel Grajew - “Quantum” (Savassi Festival) – O álbum do pandeirista mineiro com o pianista paulista tende ao onírico. Daniel contribui com “Rios Voadores” e “Choro Vermelho”, entre outros temais autorais. Túlio criou uma colagem inusitada: “Óleo Branco” mistura “Oleo” (do jazzista Sonny Rollins) com as melodias de “Asa Branca” (Luiz Gonzaga) e “Tico Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu).   

Ubaldo Versolato - “Portal” (Kuarup) – Músico da Banda Mantiqueira há mais de 20 anos, o experiente saxofonista paulista já fez centenas de gravações com outros músicos, mas só se aventurou agora a gravar o primeiro disco solo. Do samba-jazz “Tubo de Ensaio” (de sua autoria) à romântica balada “Fefê” (do filho Léo Versolato), Ubaldo reafirma seu conhecido talento musical. Que venham outros discos! 


Trio Corrente e Hamilton de Holanda: encontro musical radiante numa noite triste

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                                             Paulo Paulelli, Fábio Torres, Edu Ribeiro e Hamilton de Holanda

Num dia tão triste para o Brasil (marcado pelo anúncio da iminente prisão do ex-presidente Lula), o show de quatro dos mais talentosos instrumentistas brasileiros serviu de bálsamo para quem estava na plateia do Sesc Vila Mariana, ontem, em São Paulo. Não bastasse a sofisticada musicalidade de Fabio Torres (piano), Edu Ribeiro (bateria) e Paulo Paulelli (contrabaixo), integrantes do Trio Corrente, a noite contou ainda com a participação especial de outro craque da música instrumental: o bandolinista Hamilton de Holanda.

“Esta é uma noite para se tocar muito”, disse Hamilton, sintetizando em poucas palavras a tristeza que muitos ali presentes certamente estavam sentindo. O repertório do show, com destaque para três composições de Tom Jobim, soou especialmente escolhido para a ocasião. Afinal, poucos compositores brasileiros compreenderam tão bem as contradições e belezas deste país quanto esse mestre da bossa nova.

Uma bela versão da melancólica “Retrato em Branco e Preto” e criativas releituras de “Chovendo na Roseira” e “Passarim” deixaram um recado no ar, sem a necessidade de recorrer a palavras. Não faltou também um toque de bom humor, presente na versão do samba “Maracangalha” (de Dorival Caymmi). O que seria de nós sem a música?



Ramsey Lewis: aos 80, pianista estreia em palcos brasileiros, no Gourmet Jazz

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Aos 80 anos, completados no último mês de maio, o pianista e compositor Ramsey Lewis não poderia estar mais satisfeito com os caminhos que seguiu em sua carreira profissional. Com mais de 70 álbuns lançados (“singles” extraídos de três deles ultrapassaram a marca de um milhão de cópias vendidas), esse norte- americano de Chicago continua tocando com frequência em clubes e festivais de jazz pelo mundo. Também já comandou bem-sucedidos programas de rádio e TV.

Não bastasse o fiel fã-clube que o aplaude há décadas, seu prestígio entre os colegas do meio musical é evidente. Num vídeo comemorativo de seu último aniversário, que circula pela internet, Lewis recebe homenagens de grandes astros do jazz, como Herbie Hancock, Quincy Jones, Dianne Reeves e Chick Corea, ou ainda de populares figuras da música negra, como Sharon Jones, Robert Cray e ex-integrantes da banda Earth, Wind & Fire.

“Você deve tocar a música que sai do seu coração. Sempre fiz isso e continuo fazendo até hoje. Isso é algo fundamental para que eu consiga dormir bem à noite. Não tenho do que me arrepender”, disse Lewis em entrevista ao "Valor", por telefone, às vésperas de sua primeira viagem ao Brasil. Vai se apresentar com seu quinteto, no Gourmet Jazz Festival, amanhã (21/11), na estância turística de Águas de São Pedro (SP).

Ao dizer que não se arrepende de nada, ele se refere às críticas que começou a receber em 1965, quando seu álbum “The ‘in’ Crowd” (gravado ao vivo em temporada no clube The Bohemian Caverns, em Washington) extrapolou os círculos dos jazz e atingiu o grande público americano. A contagiante faixa-título, releitura instrumental de um sucesso do cantor de soul Dobie Gray, alçou o Ramsey Lewis Trio às paradas de música pop.

Lewis conta que ainda não conhecia a canção “The ‘in’ Crowd”, quando uma garçonete do Bohemian Caverns lhe sugeriu que a ouvisse lá mesmo, na vitrola do clube. “Achamos que podia ser divertido tocá-la e, após o ensaio, já a incluímos no repertório daquela noite. Quando a tocamos, a plateia quase enlouqueceu: de repente, os caras começaram a balançar os ombros, garotas se levantaram, batendo palmas e dançando. Foi uma grande experiência”, relembra.

Alguns críticos ficaram incomodados ao ouvir Lewis flertar com a música pop. “Eles achavam que o jazz não deveria se afastar dos padrões que Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bud Powell haviam estabelecido. Pensavam que o jazz tinha que se manter puro”, comenta o pianista. “Quando todo mundo começou a comprar ‘The ‘in’ Crowd’, esses críticos, que haviam elogiado nossos discos anteriores, disseram que eu tinha me ‘vendido’. Se eu soubesse como fazer aquilo antes, já teria gravado algo semelhante logo no primeiro álbum”, retruca Lewis.

A reação positiva das plateias e a repercussão do álbum estimularam o pianista e seu grupo a seguirem por esse caminho, buscando um jazz mais leve e dançante, marcadamente rítmico. Releituras de sucessos da soul music produzida pela gravadora Motown – como “Dancing in the Street”, de Marvin Gaye, ou “Uptight”, de Stevie Wonder – entraram em discos posteriores de Lewis, ampliando seu contato com plateias não-iniciadas no jazz.

Cinco décadas após seus primeiros sucessos frequentarem as paradas, Lewis diz que ainda não consegue explicar por que algumas de gravações se tornaram tão populares. Mas admite que sua concepção musical, assim como a maneira percussiva de tocar o piano, têm muito a ver com o fato de grande parte sua formação musical ter ocorrido na igreja.

“Comecei a estudar música clássica aos 4 anos, com meus pais. Aos 9, me tornei pianista do coro gospel da igreja, onde toquei até os 16 anos. O jazz só surgiu depois. Aliás, foi um músico da igreja onde eu tocava, Wallace Burton, que me convidou a substituir o pianista de seu grupo de jazz, The Cleffs, e me ensinou bastante”, reconhece. “A influência da música gospel me acompanha até hoje. Tocando na igreja aprendi que o músico está ali para criar uma ligação com a plateia”.

O sucesso mundial da bossa nova, na década de 1960, também despertou a atenção de Lewis para a música brasileira, que passou a fazer parte de seu repertório. Depois de assistir ao filme “Orfeu Negro”, ambientado em uma favela carioca, incluiu no citado álbum “The ‘in’ Crowd” uma releitura instrumental do samba-canção “A Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

“Adoro ouvir música brasileira. Gosto muito dessa fusão de ritmos africanos e europeus, mas, infelizmente, não sei dançar música brasileira”, lamenta o americano, que voltou a gravar “A Felicidade”, em 1967, num medley com “Manhã de Carnaval” e “Samba de Orfeu” – composições de Luiz Bonfá, que também fazem parte da trilha sonora do filme de Marcel Camus.

Já em 2006, quando adaptou com sucesso seu programa de rádio “Legends of Jazz” para a TV, reunindo dezenas de astros do gênero para tocar e conversar, Lewis dedicou um programa da série ao “jazz brasileiro”, representado por Ivan Lins e Oscar Castro-Neves. “Cada gravação desse programa foi um acontecimento memorável. Esse projeto foi um dos grandes prazeres da minha vida”, conclui o veterano jazzista.   


Mais informações no site do festival: www.gourmetjazzfestival.com.br 

(Entrevista publicada no caderno "Eu & Fim de Semana", do jornal "Valor Econômico", em 20/11/2015)



Gourmet Jazz Festival: evento combina música instrumental e gastronomia em SP

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                                                              O pianista Ramsey Lewis (no centro) e seu quinteto

Três jazzistas norte-americanos de renome, oito grupos nacionais (com repertórios que vão da música instrumental brasileira ao jazz contemporâneo) e uma feira de gastronomia. Essas são as atrações da primeira edição do Gourmet Jazz Festival – de 20 a 22 deste mês de novembro, na estância turística de Águas de São Pedro (SP), a 180km da capital paulista.

Pela primeira vez em palcos brasileiros, o veterano pianista norte-americano Ramsey Lewis vendeu milhões de discos a partir de 1965, quando seu álbum “The ‘in’ Crowd” frequentou a parada pop norte-americana – algo raro, tratando-se de um disco de jazz. Com suas releituras de hits da soul music e do pop, passando até pela bossa nova, Lewis prova que o jazz também é capaz de se comunicar com grandes plateias.

Um dos mais brilhantes jazzistas revelados nos anos 1990, o saxofonista James Carter costuma surpreender ouvintes com seus solos explosivos. Na última década, ele encontrou em seu Organ Trio (destaque para o organista e tecladista Gerard Gibbs) um veículo bem versátil para seu repertório eclético, que vai de baladas românticas ao mais contagiante soul-jazz.

Discípulo do genial Dizzy Gillespie, o trompetista Jon Faddis se estabeleceu na cena do jazz como solista de conceituadas big bands, como a Thad Jones/Mel Lewis Orchestra e a Carnegie Hall Jazz Orchestra. No quarteto que o acompanha, o pianista David Hazeltine também chamará a atenção de muita gente.

Entre as atrações brasileiras, a programação do evento destaca o Trio Corrente, formado pelos talentosos Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (contrabaixo) e Edu Ribeiro (bateria). Quem já conhecia as originais releituras do trio para clássicos da MPB e do choro, sabe que o prêmio Grammy conquistado em parceria com o cubano Paquito D’Rivera, em 2013, não foi por acaso.

O elenco nacional inclui ainda o duo do saxofonista Roberto Sion com o baixista Itamar Collaço, os trios do pianista Hercules Gomes e do guitarrista Daniel Oliva, o sexteto do saxofonista Marcelo Monteiro, o quinteto da pianista Louise Woolley, o grupo do guitarrista Daniel Daibem e a Traditional Jazz Band, que encerra o festival, no domingo.


Detalhe importante: os ingressos para os shows de James Carter e Trio Corrente (no dia 20/11), assim como para as apresentações de Ramsey Lewis e Daniel Daibem (dia 21/11), são exclusivos para hóspedes do Grande Hotel São Pedro, onde estará um dos palcos do festival. Reservas: www.grandehotelsenac.com.br/br/sao-pedro ou pelo tel. 0800 7700 790.

Já os shows dos outros artistas, no Centro de Convenções Municipal, serão gratuitos. Para conseguir ingressos é preciso se cadastrar no site do evento: www.gourmetjazzfestival.com.br/ingressos 

 
No sábado (21/10), o festival também oferece a Feira Gastronômica, no Boulevard Águas de São Pedro. Restaurantes da cidade, em parceria com professores e alunos do Centro Universitário SENAC, desenvolveram dez pratos especialmente para os frequentadores desse evento.

Veja a programação dos shows e outras informações no site do festival: www.gourmetjazzfestival.com.br 


 

Melhores discos de 2014: dez sugestões de jazz, MPB e música instrumental de ótima qualidade

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Como em anos anteriores, aceitei o convite de Juarez Fonseca (crítico musical de Porto Alegre e colega que admiro há décadas) para descascar um imenso abacaxi: escolher os melhores discos lançados no Brasil em 2014. Claro que estou acostumado a participar de enquetes como essa, mas a cada ano que passa essa tentativa se torna mais difícil, graças à crescente pulverização do mercado musical.


Esta é a minha lista (em ordem alfabética), que deixo aqui como uma sugestão para quem quiser aumentar seu repertório de canções brasileiras, jazz e música instrumental de excelente qualidade, ou mesmo para quem quiser conhecer alguns novos e talentosos artistas. Alguns desses álbuns até já foram resenhados neste blog ao longo de 2014. Se quiser ler alguma dessas resenhas , é só clicar no título do CD.


- André Mehmari, “Ernesto Nazareth - Ouro Sobre Azul” (Estúdio Monteverdi)
- David Feldman, “Piano” (independente)
- Jaques Morelenbaum e CelloSambaTrio, “Saudade do Futuro, Futuro da Saudade" (Biscoito Fino)
- Keith Jarrett & Charlie Haden, “Last Dance” (EMC/Borandá)
- Luciano Salvador Bahia, “Abstraia, Baby” (Dubas)
- Marco Pereira e Toninho Ferragutti, “Comum de Dois” (Borandá)
- Marlui Miranda, “Fala de Gente, Fala de Bicho” (Sesc)
- Monica Salmaso, “Corpo de Baile” (Biscoito Fino)
- Paquito D’Rivera e Trio Corrente, “Song for Maura” (Sunnyside/Tratore)
- Ronen Altman, “Som do Bando” (Sonora)

Aqui o link para o resultado dessa enquete, publicada hoje pelo jornal gaúcho "Zero Hora", além das listas dos outros críticos e colegas que participaram: http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/01/criticos-de-musica-do-pais-elegem-melhores-discos-de-2014-4673874.html

Stacey Kent e Trio Corrente: jazz e música clássica na série beneficente da Tucca

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A cantora norte-americana Stacey Kent (na foto acima) e o baixista Israelense Avishai Cohen vão estar entre as atrações da nova série internacional de concertos beneficentes organizada pela TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), que exibe astros do jazz e da música clássica, na capital paulista.

A temporada 2011 da série começa com o concerto da cellista russa Nina Kotova, dia 30/3, na Sala São Paulo. A delicada Stacey Kent e o saxofonista Jim Tomlinson, seu parceiro, serão os convidados do Trio Corrente, um dos melhores grupos da atualidade na cena da música instrumental brasileira, na noite de 4/5. O world jazz de Avishai Cohen será a atração seguinte da série, em 1/6.

Outras informações no site da TUCCA: http://www.tucca.org.br/eventos/musicapelacura.asp




 

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