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Brazilian Grupo: quinteto mistura bossa, jazz e bom humor em sua receita musical

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                   Clayber (esq. para dir.), Giba, Parahyba, Costita e Aluizio, no Estudio Mosh

O título “Oscaravelhos” pode soar politicamente incorreto, por se tratar de um disco de um quinteto de músicos idosos. Porém, quem já esteve com os instrumentistas do Brazilian Grupo, nos estúdios de gravação ou nos bastidores dos palcos em que se apresentam, logo percebe que essa é apenas uma piada entre amigos. O humor e a autogozação fazem parte da convivência desses antigos colegas de profissão. Assim eles se divertem, celebram a própria vida e tocam a música brasileira de alta qualidade, que cultivam há décadas. 

Não seria muito exagero comparar esses músicos a uma veterana seleção de craques do futebol. Em meados da década de 1960, o contrabaixista/gaitista Clayber de Souza, o pianista Aluízio Pontes e o saxofonista Hector Costita já se destacavam na cena musical de São Paulo, como talentosos instrumentistas da primeira geração do samba-jazz – a vertente instrumental da bossa nova.  

Em 1964, Clayber e o então baterista Airto Moreira sentiram que o promissor trio que haviam formado há pouco com o pianista César Camargo Mariano corria um risco. Após o sucesso de uma longa temporada de shows do Sambalanço Trio com o dançarino e cantor Lennie Dale, na boate carioca Zum Zum, César (recém-casado com a cantora Marisa Gata Mansa) comunicou aos parceiros do trio que decidira morar por algum tempo no Rio de Janeiro.  

Para não falharem no compromisso de acompanhar a cantora Flora Purim, em uma série de shows, Clayber e Airto saíram procurando um pianista às pressas. Por acaso, ao passar pela rua Augusta, o baixista entrou na boate Dim Dim, onde ouviu um jovem pianista que chegara há pouco da interiorana Presidente Prudente. Assim o Sambalanço Trio ganhou um novo pianista.   

Ali começou uma longa amizade e parceria musical, que se mantém há mais de 60 anos. “Aluízio morou na minha casa, estudamos juntos e tocamos muito juntos. Ele é um cara tão fantástico em minha vida, que ao final dos nossos shows até nos beijamos na boca”, diverte-se o paulistano Clayber, com seu jeitão gozador.  

Acompanhando astros da MPB 

Aluízio só tocou por cerca de um ano no Sambalanço Trio. Acabou direcionando sua bem-sucedida carreira a escrever arranjos e acompanhar astros da música popular brasileira, como os cantores Agostinho dos Santos, Maysa, Wilson Simonal, Alaíde Costa e Elizeth Cardoso, entre muitos outros. Também desenvolveu um método próprio de ensino de piano e teoria musical, que segue utilizando com seus alunos.  

Clayber continuou apostando no samba-jazz: tocou com outros conceituados grupos do gênero, como o Sambrasa Trio, o Sambossa 5 e o Jongo Trio. Já no final dos anos 1970, não deixou por menos quando decidiu aposentar seu contrabaixo: tornou-se um excelente gaitista, reconhecido até fora do país.    

Descendente de italianos, Hector “Costita” Bisignani nasceu em Buenos Aires, na Argentina. Tinha 23 anos, em 1958, quando veio ao Brasil pela primeira vez como saxofonista da orquestra de Roberto Inglez – um pianista escocês radicado no Chile. Ao final dessa temporada de shows pelo país, decidiu ficar morando no Brasil, em especial por causa de seu interesse musical pela nascente bossa nova.   

O saxofonista argentino se estabeleceu em São Paulo. Por dois anos tocou na boate Baiuca, ao lado de exímios pianistas daquela cena musical, como Moacir Peixoto, Dick Farney e Luiz Mello. Depois foi solista de algumas das orquestras mais populares da época, como as comandadas por Élcio Alvarez, Simonetti e Carlos Pipper.  

Reconhecimento internacional

Já em 1964, o crescente prestígio de Costita lhe rendeu o convite do pianista Sergio Mendes para integrar o Sexteto Bossa Rio, com o qual gravou o álbum “Você Ainda Não Ouviu Nada” – uma das obras-primas do samba-jazz. O reconhecimento internacional veio no ano seguinte, ao fazer uma temporada de shows na Europa. Acabou vivendo por dez anos naquele continente, onde se apresentou em diversos países. Sorte da música instrumental brasileira, que continuou contando com esse músico de alto quilate, quando ele decidiu retornar ao Brasil.   

Embora pertença a uma geração posterior à dos citados colegas do Brazilian Grupo, o percussionista João Parahyba, hoje aos 75 anos, também conserva uma antiga ligação com o samba jazz. Tanto que, em 2011, lançou pelo Selo Sesc o álbum “O Samba no Balanço do Jazz”, no qual reverencia essa vertente instrumental que marcou o início de sua carreira musical. Chegou a conviver com o baterista Milton Banana e os músicos do Tamba Trio e do Zimbo Trio.  

Hoje é compreensível que Parahyba seja mais conhecido pelos apreciadores do suingado samba-rock do Trio Mocotó, do qual foi um dos fundadores por volta do ano de 1968. Naquela época, ele, Nereu e Fritz acompanhavam o cantor e compositor Jorge Ben, em uma fase de grande sucesso, entre outros bambas do samba, na boate paulistana O Jogral. Passadas seis décadas, com exceção de alguns hiatos fora dos palcos, o Trio Mocotó segue na ativa com Parahyba e Nereu, da formação original, para a alegria de seu fã-clube.  

Giba Pinto – o baixista e músico mais jovem do Brazilian Grupo, atualmente com 59 anos – afirma que sente orgulho ao tocar com quatro de seus ídolos musicais. “Até hoje me surpreendo com cada uma das aventuras do passado contadas por eles, verdadeiras pérolas, que merecem ser registradas. Cada um deles representa um pedaço da história da música brasileira”, comenta.  

Paulistano, durante os primeiros anos de sua carreira, Giba desfrutou o privilégio de acompanhar Johnny Alf, o original pianista e precursor da bossa nova. Já cultiva há três décadas a relação musical com João Parahyba, que conheceu pessoalmente nos anos 1990. Tornou-se integrante da banda que acompanha o Trio Mocotó cerca de 25 anos atrás.

Das boates dos anos 1960 aos ouvidos de hoje

O que logo chama atenção nas oitos faixas do álbum do Brazilian Grupo é a variedade de gêneros musicais que compõem o repertório desse quinteto. Algo até natural tratando-se de instrumentistas de gerações que frequentaram a eclética escola dos bailes, assim como os bares e boates de São Paulo durante as décadas de 1950 e 1960. 

A faixa “El Detective” (composição de Hector Costita) abre o disco com uma atmosfera de trilha sonora de filme de suspense. Apresentado pela expressiva sonoridade de um naipe de saxofones, o tema traz uma levada com sabor de jazz latino. Na seção de improvisos, destaque para os solos de Clayber de Souza (gaita), Aluízio Pontes (piano) e do próprio Costita (sax tenor).  

O saxofonista também contribuiu com a faixa que encerra o disco: “Nano”, um simpático samba que ele dedicou décadas atrás a um de seus filhos. O bem-humorado título da composição remete à dificuldade que o garoto ainda enfrentava para pronunciar o próprio nome. “Quando ele tinha três anos, se alguém perguntava seu nome, ele tentava dizer Mariano, mas as pessoas só conseguiam ouvir ‘nano’”, relembra Costita, rindo da situação. 

A sonoridade do sax, com o timbre do vibrafone do convidado Jota Moraes dobrando algumas frases, empresta um charme especial ao “Samba de Improviso” – tema de autoria de Aluízio. Ele também assina o romântico “Meu Bolero”: a melodia foi entregue a Clayber, que a interpreta com emoção, preparando a cena para um breve e elegante solo do pianista.

A gaita de Clayber também brilha em duas composições de sua autoria. “Forrozinho Pro Campeão” é a recriação de um tema que ele escreveu nos anos 1980, intitulado “Forrozinho”. Decidiu rebatizá-lo e escreveu um novo arranjo para homenagear o grande Hermeto Pascoal, que perdemos neste ano. “Fomos tremendamente amigos. Considero o Campeão meu irmão musical”, diz Clayber, lembrando que foram parceiros no Sambrasa Trio. Convidado a participar da gravação, o guitarrista Nathan Marques contribuiu para que essa homenagem seja mais especial ainda.  

“Choro-Jazz”, outra composição de Clayber, traz uma melodia tão cantável, que até parece pedir versos para uma letra. Entre inspirados solos do gaitista e do saxofonista, o vibrafone de Jota Moraes, com seu timbre metálico, adiciona um tempero pouco comum em um choro.  

“Valente” (composição de João Parahyba e Paulo Muniz Kannec) é um sofisticado samba-canção, que abre espaço para emotivos improvisos de Costita (sax tenor), Clayber (gaita) e Aluízio (piano), além do violão de Natan Marques.

Finalmente, “Valseta”, a valsa-jazz de Janja Gomes que fez parte do repertório do álbum “O Samba no Balanço do Jazz” (gravado por João Parahyba em 2011), reaparece aqui em novo arranjo. “A primeira gravação é linda e perfeita, mas esta é mais emotiva. Foi interpretada com muita emoção pelo quinteto”, compara o percussionista.  

Declarando se sentir um “observador aprendiz”, o baixista Giba Pinto faz uma análise de como seus colegas do quinteto se relacionam entre si e com a arte que cultivam. “Todos eles ainda tocam muito bem, são criativos e tem uma energia fora do comum quando tocam. Nos divertimos muito a cada vez que tocamos juntos, mas também vejo admiração e respeito mútuo entre eles. É impressionante a seriedade, o respeito que eles têm pela música”, comenta.

Depois de passar um dia no estúdio Mosh, em Cotia (SP), onde acompanhei as gravações e me diverti com as conversas e causos que ouvi, assim como pude constatar “in loco” o profissionalismo e a profunda dedicação desses músicos e mestres que admiro há décadas, só posso dizer que concordo integralmente com essas palavras de Giba. 

Também assino embaixo do que observa João Parahyba: “É importante que a gente se lembre desses instrumentistas, que não são tão valorizados como deveriam aqui no Brasil. Precisamos passar essas memórias para as novas gerações. É assim que caminha a humanidade”.  

Texto escrito a convite do Selo Sesc 

Passion4Jazz: podcast aproxima ouvintes do universo do jazz e gêneros afins

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                                                                  O multiinstrumentista e compositor Hermeto Pascoal  

Gosta de jazz e música instrumental brasileira? Então tenho um convite para você: já está disponível no Spotify, no YouTube, na Apple TV e em outras plataformas de streaming o primeiro episódio do podcast Passion4Jazz. Dirigido não só aos fãs do jazz e gêneros afins, mas também àqueles que desejam se iniciar nesse inventivo universo musical, o P4J estreia com um episódio dedicado à música e ao legado da grande cantora e ativista negra Nina Simone (1933-2003), com participações especiais das cantoras Leila Maria e Alma Thomas.

Com oito episódios, a primeira temporada do Passion4Jazz destaca também: a música universal do “bruxo” Hermeto Pascoal comentada por três de seus discípulos; as fusões do jazz contemporâneo com o hip hop assinadas pelo pianista e compositor Robert Glasper; o samba-jazz de ontem e de hoje, com participações especiais do Trio Corrente e do pianista Amilton Godoy; o legado musical do grande maestro pernambucano Moacir Santos; a história e os causos da criativa dupla Airto Moreira e Flora Purim; um panorama da nova geração do jazz em Londres; e um balanço da impactante e mística obra do saxofonista e compositor John Coltrane.

Deu para sentir até onde queremos chegar nessa primeira temporada? Além da conversa descontraída e repleta de informações relevantes, que se espera dos melhores podcasts, contamos ainda com uma atração exclusiva: um quarteto formado pelos craques Gustavo Bugni (piano), Bruno Migotto (baixo), Vitor Cabral (bateria) e Jota P. (sopros), que tocam releituras de clássicos do jazz, em vários episódios.

Como consultor musical desse projeto (e umas coisinhas a mais), tem sido um grande prazer trabalhar ao lado do pianista Jonathan Ferr e da jornalista Debora Pill, nossos hosts, do designer Oga Mendonça e do jornalista Eduardo Roberto. A produção executiva é de Marcelo Pires e Luciana Pavan, à frente da equipe da produtora PlayGround.


Marco Bosco: percussionista revê três décadas de música com essência brasileira

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De volta ao país após longa temporada no Japão, o percussionista e compositor Marco Bosco rebobina três décadas de carreira. Para a compilação “33 Works - 1980-2013” (selo Cendi Music), ele selecionou gravações do grupo instrumental Acarú, que o lançou, além de faixas de sete álbuns individuais gravados no Brasil e no Japão. Inclui ainda a inédita composição “33”, em parceria com o tecladista Paulo Calasans.

Como um documentário sonoro, esse CD duplo revela que preconceitos não têm vez na concepção do criativo percussionista. Da contagiante “Aqualouco” (em arranjo de Rogério Duprat) ao lirismo de “Akatombo” (com César Camargo Mariano, nos teclados), passando pelos baiões eletrificados do álbum “Techno Roots” (2001), com participações de Egberto Gismonti, Dominguinhos e Genival Lacerda, o paulista da interiorana Torrinha sintetiza uma obra diversificada e contemporânea, que não abre mão de sua essência brasileira. 
 
O elenco de participações especiais inclui ainda Flora Purim, Airto Moreira, Sebastião Tapajós, Marlui Miranda, Wilson Simoninha, Ruriá Duprat, Walmir Gil, Eiki Nonaka, Casey Rankin, Vicente Barreto, Tsuyoshi Yamamoto, Luhli & Lucina e Belchior, entre outros. O design do album é assinado por Marco Mancini, artista gráfico paulista radicado em Tóquio.

(Resenha publicada parcialmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 28/6/2014)

 

Sandro Albert: guitarrista e jazzista gaúcho, com carreira no exterior, toca em São Paulo

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                                                                                      O guitarrista Sandro Albert


A história pessoal de Sandro Albert poderia render um filme, com um daqueles roteiros de Hollywood temperados com cenas inusitadas e toques de contos de fadas. Não é a qualquer hora que um guitarrista brasileiro, crescido em Porto Alegre (RS) e autodidata, muda-se com a cara e a coragem para os Estados Unidos, onde consegue desenvolver uma carreira musical.

Hoje ele é um instrumentista e compositor respeitado, na competitiva cena do jazz praticado em Nova York. Sandro vive nos Estados Unidos desde 1996, para onde viajou com a intenção inicial de passar seis meses.

“Eu nem falava inglês ao chegar aqui, só sabia contar até dez. Vim com 2.500 dólares no bolso e duas guitarras”, diverte-se, falando de Nova York, pelo Skype. “Meses depois eu estava fazendo meu primeiro show, num cassino de Las Vegas, tocando ao lado de Earth, Wind & Fire, Gap Band e Village People, bandas que ouvi muito enquanto crescia”.

Imagine a cena: um jovem branco e brasileiro, em Los Angeles, disputando com 12 músicos negros a vaga de guitarrista da War – lendária banda californiana de black music, que deixou sua marca na década de 1970.

“Acho que ganhei o emprego porque, no intervalo das audições, comecei a tocar uns choros do Garoto (o violonista e compositor paulista Anibal Sardinha), que aprendi em um livro que ganhei do violonista Paulo Bellinati, antes de embarcar para os Estados Unidos. Os caras ficaram muito impressionados com o que ouviram. Queriam um guitarrista diferente na banda, como eu”.

Sandro passou dois anos na banda War, tocando com regularidade. “Saí pouco depois de ter feito meu show número 150. Aliás, os shows da War sempre estavam lotados. A música dos anos 70 continua muito forte aqui nos Estados Unidos”, comenta o guitarrista.

Em 2001, já mais próximo do jazz, Sandro lançou “Soul People”, seu primeiro disco, que contou com uma participação especial de ninguém menos que Milton Nascimento. Foi desse ídolo, justamente, que recebeu um conselho precioso, numa época em que o cenário para a música instrumental não andava muito promissor por aqui. “Ele me disse para focar mais a minha carreira nos Estados Unidos e na Europa, porque, no Brasil, muitas vezes, santo de casa não faz milagre”.

Hoje, com quatro discos lançados, além de ter se apresentado em alguns dos festivais e clubes de jazz mais importantes dos Estados Unidos e da Europa, Sandro exibe em seu invejável currículo parcerias e colaborações com jazzistas de renome, como Kenny Garrett, Russell Ferrante, Harvey Mason, Peter Erskine, Antonio Sanchez e Terri Lyne Carrington, sem falar em instrumentistas brasileiros de ponta, como Airto Moreira, Toninho Horta e Claudio Roditi.

Dias antes de iniciar mais uma turnê de shows pela Europa, em uma rápida passagem por São Paulo, Sandro Albert vai se apresentar nesta quinta-feira (7/3), no auditório do Sesc Vila Mariana. Para essa ocasião, formou um quarteto com antigos parceiros: Jota Resende (piano), Marco da Costa (bateria) e Rubem Farias (baixo).


Uma rara chance de se ouvir ao vivo um talentoso jazzista brasileiro, elogiado com frequência nos EUA e na Europa, mas que seu país ainda pouco conhece.

Mais informações no site do SESC-SP:

www.sescsp.org.br
 




Jazz na Fábrica: segunda edição do festival terá atrações de EUA e Europa, em setembro

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Livre do congestionamento de festivais de jazz e música instrumental, que tem marcado a programação cultural do primeiro semestre no Sudeste do país, o festival Jazz na Fábrica vai retornar em setembro. Sua segunda edição voltará a ocupar durante quatro semanas os palcos do teatro e da choperia do Sesc Pompéia.

Como no ano passado, o elenco desse evento reúne vários estilos de jazz e música instrumental contemporânea, com músicos e grupos originários de diversos países. Diferentemente do que se tem visto em muitos festivais do gênero no país, os preços dos ingressos serão mais uma vez bem acessíveis, variando entre R$ 8 e R$ 32.

Entre os destaques da programação aparecem o trio do veterano pianista norte-americano Cedar Walton (na foto acima), que abre o festival nos dias 6 e 7/9, o baixista e cantor israelense Avishai Cohen (dias 8 e 9/9), o violinista francês Didier Lockwood (dias 8 e 9/9), o violonista norte-americano Ralph Towner (na foto abaixo; dia 14/9), o trompetista suíço Erik Truffaz (dias 15 e 16/9) e o cantor e violonista John Pizzarelli (dias 22 e 23/9).    

O elenco nacional destaca expoentes da música instrumental brasileira, como o pianista César Camargo Mariano (dia 22/9), o violonista Hélio Delmiro (dia 13/9) e os percussionistas Airto Moreira (dias 29 e 30/9) e Cyro Batista (dias 13 e 14/9), ambos radicados há décadas nos Estados Unidos. Aliás, ao menos uma “canja” de Delmiro com Mariano (parceiros no clássico álbum “Samambaia”, lançado em 1981) seria muito bem vinda.

Se você se interessou, é melhor tentar garantir logo seus ingressos porque os shows de eventos e atrações internacionais, no SESC, costumam se esgotar rapidamente. Confira a programação completa do Jazz na Fábrica e outros detalhes sobre o evento, no site do SESC SP.


4º CopaFest: cenas de um festival de música instrumental brasileira (e algo mais)

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       Arthur Verocai (centro), Luiz Alves, Idriss Boudrioua e Nivaldo Ornelas / Photo by Carlos Calado

À primeira vista, o CopaFest – realizado de 20 a 22/10, no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro – parece um festival voltado exclusivamente à música criada por instrumentistas brasileiros, mas sua quarta edição mostrou que seus curadores, felizmente, não encaram esse perfil musical com rigidez.

No show de abertura, o saxofonista Mauro Senise e o pianista Gilson Peranzzetta, bem acompanhados por Zeca Assumpção (contrabaixo), Rafael Barata (bateria) e um quarteto de cordas, recriaram canções e temas instrumentais de Edu Lobo (expoente da canção brasileira que, vale lembrar, sempre dedicou parte de sua obra à música sem palavras), como o vibrante “Casa Forte” e o cinematográfico “Arpoador”. Já nos números finais, o próprio Edu entrou em cena para cantar algumas de suas obras primas, como "Choro Bandido", "A História de Lily Braun" (parcerias com Chico Buarque) e “Vento Bravo”. (veja os vídeos abaixo)

 
                      Zeca Assumpção (esq. para dir.), Mauro Senise e Edu Lobo/ Photo by Carlos Calado

Só pelo inusitado baile-show planejado para a sexta-feira, esse festival já teria sido um sucesso. A noite começou muito bem, com a apresentação do Clube do Balanço. Comandada pelo guitarrista Marco Mattoli, a banda paulista fez a alegria dos dançarinos mais experientes, tocando uma seleção instrumental de clássicos do samba-rock e do sambalanço, incluindo inusitadas versões do mambo “Tequila” e da jazzística “Café Reggio” (da trilha do filme “Shaft”).

No bis exigido pela plateia, veio uma surpresa: a “canja” do cantor e compositor carioca Orlandivo (que foi crooner da banda do tecladista Ed Lincoln, homenageado da noite), relembrando com a devida malemolência seu clássico “Palladium”.


                                          O guitarrista Marco Mattoli e o cantor Orlandivo / Photo by Carlos Calado

O retorno do tecladista e arranjador Lincoln Olivetti aos palcos cariocas, em seguida, não poderia ter sido mais festivo. As presenças de Jorge Benjor, Fernanda Abreu, Marisa Monte, Daúde, Charles Gavin e Ronaldo Bastos, na plateia, deram uma medida do frisson causado pelo evento.

Sorrindo, ao lado de músicos jovens, como o tecladista Donatinho, o guitarrista Davi Moraes e o baixista Kassin, além de um afiado naipe de sopros, Olivetti relembrou sucessos de sua parceria com o guitarrista Robson Jorge, como “Eva”, “Ginga” e “Aleluia”, reconhecidos de cara pela plateia. Também fez seu tributo a Ed Lincoln, recriando o sambalanço “Palladium”, exibiu um sensacional arranjo de “Spinning Wheel” (hit da banda Blood, Sweat & Tears), em ritmo de samba, e só conseguiu sair do palco depois de bisar três números.


                         Davi Moraes e Donatinho cumprimentam Lincoln Olivetti / Photo by Carlos Calado

Os sorrisos do baixista Luiz Alves, deliciando-se com as surpresas contidas na original “Flying to L.A.”, composição de Arthur Verocai, repetiram-se nos rostos de muita gente, na plateia da terceira e última noite do CopaFest. Alguns, provavelmente, estavam ali ouvindo pela primeira vez a música desse veterano guitarrista e arranjador carioca, que ainda poucos brasileiros conhecem.

“Nunca fiz um show como este aqui no Rio, aqui na minha terra”, disse Verocai, emocionado, tendo a seu lado uma banda repleta de grandes instrumentistas, como o baterista Pascoal Meirelles e os saxofonistas Nivaldo Ornelas e Idriss Boudrioua. Depois de deliciar a plateia com belezas instrumentais de sua autoria, como “Sucuri”, “Balada 45” e “Tudo de Bom”, além de homenagear Copacabana, bairro onde nasceu, com o sinuoso samba “Posto 6”, o compositor ainda chamou ao palco Daíra Sabóia, Clarisse Grova e Sanny Alves, para cantar “Na Boca do Sol”.



                                                    O percussionista Airto Moreira / Photo by Carlos Calado
Figura rara em palcos do país desde o final da década de 60, quando se radicou nos EUA, o percussionista Airto Moreira começou seu show com garra. Relembrou a beleza selvagem de “Lilia” – composição de Milton Nascimento, lançada no cultuado álbum “Native Dancer” (1972), em parceria com o jazzista Wayne Shorter – de cuja gravação original participou.

Pena que a participação da banda Eyedentity, que destaca a cantora Diana Booker (filha de Airto e Flora Purim) e seu marido, o também percussionista Krishna Booker, tenha ficado muito aquém do talento do grande mestre da percussão mundial. Misturando hip hop, baião, rock, trip hop e outras referências musicais, em seus improvisos, essa banda californiana exibiu um som híbrido e viajandão que, ironicamente, carece de identidade.

Um final meio morno para um festival que tem sabido explorar com sucesso toda a riqueza e a diversidade da música instrumental brasileira – sem radicalismo.

(texto parcialmente publicado na “Folha de S. Paulo”, em 24/10/2011)






4º CopaFest: evento terá Airto Moreira e baile com Lincoln Olivetti e Clube do Balanço

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Festival voltado à diversidade da música instrumental, o CopaFest surpreende ao anunciar o programa de sua quarta edição (de 20 a 22 deste mês), no palco do Copacabana Palace Hotel, no Rio de Janeiro. O elenco reúne, mais uma vez, grandes músicos desse gênero, como na noite de estreia, na qual o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise vão reler composições de Edu Lobo (à esquerda, na foto acima, com Senise e Peranzzetta), que fará uma participação especial durante esse show. 


Para a sexta-feira (21/10), os curadores Bernardo Vilhena e Carol Rosman prepararam uma noite inusitada, com um baile ao estilo dos anos 60 e 70. A animação e os grooves ficarão por conta de especialistas nessa modalidade: a banda paulista Clube do Balanço, que vai exibir versões instrumentais de itens de seu repertório dançante, misturando samba-rock, jazz, soul e funk; e o tecladista fluminense Lincoln Olivetti, arranjador muito influente na MPB dos anos 1980, que fará uma homenagem ao organista Ed Lincoln.

Dois cultuados veteranos de nossa música instrumental encerram o evento, no sábado (22/10). Depois de ter feito arranjos para vários astros da MPB, como Elis Regina, Marcos Valle e Ivan Lins, o músico e compositor carioca Arthur Verocai praticamente sumiu da cena musical por três décadas, até ser redescoberto por DJs estrangeiros. Quem fecha essa noite é o percussionista e compositor catarinense Airto Moreira (na foto abaixo), ex-integrante do lendário Quarteto Novo e parceiro de Miles Davis, Herbie Hancock e Wayne Shorter, entre outros expoentes do jazz. 

Nos três dias do CopaFest, os DJs Tuta e Pedro, do coletivo Vinil É Arte, prometem animar a plateia, tocando seleções especiais que incluem pérolas da música instrumental brasileira de acordo com as atrações de cada noite, sempre a partir das 20h.


Mais informações no site do evento: www.copafest.com.br                                                                                                                                                                   Ph

Oscar Castro-Neves: bossa novista encontra outras gerações da MPB em Tóquio

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Radicado há quatro décadas nos EUA, o violonista e compositor carioca Oscar Castro-Neves, 70, foi o anfitrião de um encontro de músicos brasileiros de diversas gerações, que ocupou durante uma semana o clube Blue Note de Tóquio, em 2009, cujo registro está no CD "Live at Blue Note Tokyo" (lançado no Brasil pela gravadora Atração).


A intimidade com a bossa nova, que Castro-Neves viu nascer no Rio de Janeiro e ajudou a divulgar pelo mundo, está bem representada pelas jobinianas “Ela É Carioca”, “Águas de Março” e “Fotografia”. Leila Pinheiro canta a clássica “Rio” (Menescal e Bôscoli), mas relembra também outras vertentes da música brasileira, com o baião “Ponteio” (Edu Lobo e Capinan) e o afro-samba “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinicius de Moraes).

Já Airto Moreira e Marco Bosco, mestres da percussão que vivem no exterior, destacam a riqueza de nosso som instrumental, em “Misturada/Tombo” (Moreira) e “Tatiando” (Bosco). Música de alta qualidade, que hoje os japoneses valorizam mais até do que muitos brasileiros. 

(texto publicado no "Guia Folha - Livros, Discos e Filmes), em 29/10/2010)



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