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Discos de 2019: música instrumental e jazz do Brasil em 50 álbuns recomendados

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Já que o ano passado foi tão marcado por polarizações e antagonismos ideológicos, decidi extrapolar por uma boa causa: minha lista de recomendações de álbuns lançados no último ano é dedicada exclusivamente à música instrumental brasileira e suas eventuais conexões com o jazz.

Tomei essa decisão por dois motivos. Como em anos anteriores, as listas de “melhores” discos já publicadas ou postadas tendem a esnobar a música instrumental. Quase todas elas concentram-se em vertentes como o chamado pop “indie”, o hoje hegemônico rap, o combalido rock ou a porção mais alternativa da MPB. Uma exceção, nessas listas, é a eventual presença do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda.

Não se trata apenas de defender a merecida inclusão do som instrumental entre o que se faz de melhor na cena musical de hoje, mas também de afirmar a alta qualidade musical dessa vertente. Quem se der a oportunidade de ouvir ao menos alguns dos discos listados e comentados a seguir vai perceber que a produção instrumental brasileira esbanja diversidade musical, beleza, refinamento sonoro e contemporaneidade.

Como as vendas de CDs já não são as mesmas de outros tempos, quase todos esses músicos selecionados aqui disponibilizam seus discos (ou pelo menos algumas faixas) no YouTube. Se você clicar no título de cada um, na lista abaixo, pode conhecer esses discos, assim como se familiarizar com alguns desses instrumentistas. Se gostar, tenho certeza de que esses músicos vão ficar felizes se você comprar seus discos ou for ouvi-los ao vivo, na próxima vez em que eles se apresentarem em sua cidade.

Tomara que esta lista ajude você a ampliar o repertório musical que vai frequentar seus ouvidos e sua sensibilidade em 2020. Aproveite! 

Ademir Cândido - “Ritmos do Brasil” (independente) – Guitarrista e compositor gaúcho, Ademir viveu 20 anos na Suíça antes de voltar ao país. Seu quinto álbum celebra a diversidade da música brasileira, em composições próprias como o samba-jazz “O Fino da Bossa”, o xote “Enxotando” e o samba “Pakito na Gafieira”. Participações de Jaques Morelenbaum (cello) e Marcelo Martins (sax soprano), entre outros.

Alexandre Caldi e Itamar Assiere - “Afro+Sambas” (Biscoito Fino) – Ao reler o cultuado álbum “Os Afro-Sambas” (1966), de Baden Powell e Vinicius de Moraes, o saxofonista e o pianista tomam a liberdade de acrescentar aos oito sambas do disco original outros três de Baden: “Labareda”, “Samba Novo” e “Consolação”. Essa liberdade se estende também ao tratamento harmônico dos arranjos e aos improvisos do duo.  


Alexandre Carvalho Quartet - “Rio Joy” (independente) – O jazzístico arranjo da bossa nova que dá nome a este álbum revela as referências musicais do excelente guitarrista e compositor carioca, que também desenvolve carreira nos EUA. À frente de seu quarteto, Alexandre recria clássicos da música instrumental brasileira, como “The Dolphin” (de Luiz Eça) e “Samba Jazz” (JT Meirelles), e exibe temas autorais.

Alfredo Dias Gomes - “Solar” (independente) – Depois de tocar com figurões do instrumental brasileiro, o baterista e tecladista carioca tem lançado discos que demonstram sua grande afinidade com o jazz-rock. Autoral, seu novo álbum o reaproxima da música brasileira, em faixas como o baião “Viajante” e a percussiva “Solar”. É praticamente um projeto “eu comigo mesmo”, com participação do saxofonista Widor Santiago.

André Magalhães - “Para Ti - Batuques e Melodias dos Cantos” (Circus) – Um ensaio autobiográfico e étnico-musical. É assim que o produtor e baterista paulista, hoje com 51 anos, define seu primeiro álbum. André criou uma trilha sonora de suas vivências musicais de pesquisador, em composições instrumentais que misturam batuques, vozes, sons da natureza e cantos indígenas. Música imersiva que emociona e faz pensar.

André Mehmari Trio - “Na Esquina do Clube com o Sol, na Cabeça” (Estúdio Monteverdi) – O prolífero multi-instrumentista já tinha flertado com as canções do Clube da Esquina, em 2011, num disco de piano solo para crianças. Agora, ao lado de Neymar Dias (baixo) e Sergio Reze (bateria), vai mais fundo nas releituras de “Tudo Que Você Podia Ser” (Lô e Márcio Borges) e “Canoa Canoa” (Nelson Ângelo), entre outras.

Banda Urbana - “Relatos Suburbanos” (independente) – Ativa há 13 anos, a big band paulistana, que se dedica à música instrumental, chega ao seu terceiro álbum. As seis faixas incluídas no repertório deste disco foram compostas e arranjadas por integrantes da banda. Destaque para o baião “Do Mar” (do saxofonista Raphael Ferreira), que conta com participação especial do acordeonista Toninho Ferragutti.

                                           


Benjamim Taubkin & Ivan Vilela - “Encontro” (Núcleo Contemporâneo) – O pianista paulista e o violeiro mineiro cultivam neste duo um repertório que viaja por diferentes paisagens sonoras, tanto urbanas como interioranas. Belezas de sobra, em composições próprias como “Mantendo a Fé” (de Taubkin) ou “Sertão” (de Vilela), assim como nas releituras de “Milagre dos Peixes” e “Cravo e Canela” (Milton Nascimento).


Bruno E. & Coletivo Superjazz - “São Paulo Jazz Rebels” (Urubu Jazz) – Clubes essenciais na cena instrumental e jazzística paulistana, como o Bourbon Street, o Ó do Borogodó e o JazznosFundos, serviram de inspiração para composições do contrabaixista e vocalista goiano radicado em São Paulo. À frente de seu quinteto, Bruno conta com participações do vibrafonista Beto Montag e do cantor Toinho Melodia.

Café Mestiço (independente) – Álbum de estreia do trio paulistano, formado por Michi Ruzitschka (violão de 7 cordas), Ricardo Araújo (guitarra portuguesa) e Beto Angerosa (percussão). A instrumentação inusitada tem tudo a ver com o repertório eclético, que vai do choro “Eu Quero É Sossego” (de K-Ximbinho) ao novo tango de Piazzolla (“Oblivion”), passando por pérolas musicais de Cabo Verde e do Paraguai.

Carol Panesi - “Em Expansão” (Blaxtream) – Segundo álbum da talentosa multi-instrumentista e vocalista carioca, cujo quarteto inclui Fábio Leal (guitarra), Jackson Silva (baixo) e Guegue Medeiros (bateria). Seguidora da “música universal” de Hermeto Pascoal, Carol exibe uma nova safra de composições próprias recheadas de referências espirituais, como “Transmutação Violeta”, “Cordão Astral” e “Somos Todos Um”.

Cristian Sperandir - “Bons Ventos” (independente) – Álbum de estreia do pianista e tecladista gaúcho. Acompanhado por Antônio Flores (violão e guitarra), Caio Maurente (contrabaixo), Sandro Bonato (bateria) e Bruno Coelho (percussão), Cristian toca composições de sua autoria, como “Aquífero”, “Passeio de Notas” e “Tiro de Brazuca”, que combinam influências da música popular brasileira e do jazz.

Danilo Brito & André Mehmari - “Nosso Brasil” (independente) – Uma pena que o atormentado Brasil de hoje não demonstre a mesma alegria revelada por este duo inspirador. Recriando antigos choros, como “Amoroso” (de Garoto) e “Sedutor” (Pixinguinha), ou a valsa “Terna Saudade” (Anacleto de Medeiros), Brito, ao bandolim, e Mehmari, ao piano, referem-se com afeição a um país que já foi mais sonhador e solidário.

Daniel Murray - “Universo Musical de Egberto Gismonti” (Carmo/ECM) – Um dos grandes violonistas da cena instrumental de hoje, o músico carioca faz seu tributo a Gismonti, cuja obra já frequenta seus concertos há muito tempo. Entre as 13 faixas, 11 arranjos de Daniel para violão solo de preciosidades como “Forrobodó”, “Maracatu”, “Frevo” e “Água e Vinho”. A produção é assinada pelo próprio Gismonti. 


 
                                                 

Duofel, Carlos Malta e Robertinho Silva - “Duo + Dois” (Sesc) – Quem já assistiu a algum show desse inventivo quarteto deve ter notado a alegria que esses instrumentistas de alto quilate demonstram ao tocarem juntos. Entre 13 clássicos da bossa e da MPB, as releituras de “Maracangalha” (Dorival Caymmi), “Água de Beber” (Tom Jobim) e “Canto de Yemanjá” (Baden Powell) são especialmente contagiantes.

Fábio Gouvea - “Decênio” (Blaxtream) – O guitarrista e compositor paulista (integrante do Trio Curupira) criou uma extensa peça instrumental em quatro movimentos, inspirada por suas memórias afetivas da última década. Nas gravações, Fábio tem a seu lado Dô de Carvalho (saxofones e flauta), Gustavo Bugni (piano), Felipe Brisola (contrabaixo), Cleber Almeida (bateria, percussão e vocais) e Amanda Mara (vocais).

Fernando TRZ - “Solstício” (Maion) – Primeiro álbum solo do pianista, compositor e produtor paulista, que já tocou com as bandas Cérebro Eletrônico e Liniker e os Caramellows. As sete faixas são autorais. “Janeiro” remete às trilhas sonoras de filmes da “blacksploitation” dos anos 1970. O baião “Gira” mistura sons eletrônicos com um naipe de sopros. O momento lírico do disco vem em “Flores Noturnas”.

Giba Estebez – “Omni” (independente) – Ativo na cena instrumental de São Paulo, o pianista e compositor sintetiza no genérico título de seu álbum (“tudo”, em latim) as diversas influências que sua música engloba. Em “Dance”, Giba revela afinidades com o jazz elétrico dos anos 1970. Eletrificado também é o seu suingado “Samba da Hora”. Já a romântica “Ballad for Nina” destaca o sax tenor de Nina Novoselecki.  


Gilson Peranzzetta e Mauro Senise - “Cinema a Dois” (Fina Flor) – Parceiros há quase três décadas, o pianista e o flautista dedicam este álbum a temas de clássicos do cinema, como “Over the Rainbow” (do filme “O Mágico de Oz”), “Cinema Paradiso” ou “When You Wish Upon a Star” (de “Pinocchio”). Jazzistas sensíveis que são, Peranzzetta e Senise sabem equilibrar emoção e criatividade nas suas releituras.  


Hamilton de Holanda - “Harmonize” (Brasilianos) – Mesmo depois de lançar quatro discos em 2018, o bandolinista carioca não deixou o ano seguinte passar em branco. Ao lado de Daniel Santiago (violão), Thiago do Espírito Santo (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), craques do gênero, Hamilton exibe dez composições próprias que flertam com o jazz, até com a música pop, sem abrir mão do samba e do choro.

Hércules Gomes - “Tia Amélia Para Sempre” (Sesc) – O pianista capixaba homenageia a lendária "pianeira" e compositora goianiense Amélia Brandão Nery, a Tia Amélia (1922-1980). Entre as 14 faixas, Hércules interpreta choros como “Saracoteando” e “Cheio de Truques”, em solos de piano. Em outras conta com craques do choro, como Nailor Proveta (clarinete), Izaías (bandolim) e Gian Correa (violão de 7 cordas).

Igor Willcox Quartet - “Live at The Jazz Room” (Room 73) – O quarteto paulista gravou ao vivo este álbum durante turnê pelo Canadá, em 2019. O líder (bateria), Glécio Nascimento (baixo), Vini Morales (piano e teclados) e Wagner Barbosa (sax tenor) tocam repertório próprio, que destaca o jazz-funk “Brotherhood” (de Willcox), as líricas “Piano Intro” e “Brad Vibe” (Morales) e o jazz-rock “U.F.O” (Willcox).

João Taubkin Grupo - “Kandra” (independente) – Paralelamente à parceria que tem desenvolvido com a cantora moçambicana Lenna Bahule, o contrabaixista e compositor paulistano lança mais um álbum autoral, agora à frente de um quarteto que inclui Rodrigo Bragança (guitarra), Sérgio Reze (bateria) e Zé Godoy (piano). Faixas como “Outlander” e “Miragem” revelam influências do jazz e do rock alternativo. 

                                                  

Joel Nascimento & Fábio Peron - “Jacob do Bandolim 100 Anos: Sentimento & Balanço” (Sesc) – Dois brilhantes bandolinistas de diferentes gerações cultuam a obra desse expoente do choro e compositor carioca, que adotou o bandolim até em seu nome artístico. Joel e Fábio relembram joias do mestre, como “Doce de Coco”, “Gostosinho”, “Assanhado” e “Santa Morena”. Os arranjos são assinados pelo cavaquinista e violonista Henrique Cazes.

Lelo Nazário - “Projeto MI²” (Utopia) – Um dos criadores do experimental Grupo Um, o pianista e compositor paulistano ressalta que produziu este álbum solo integralmente em seu estúdio – das gravações à capa. Tocando teclados e sintetizadores, Lelo exibe oito composições inéditas que utilizam diversas linguagens de vanguarda. Participações especiais do pianista Felix Wagner e da flautista Andrea Ernest Dias.

Letieres Leite Quinteto - “O Enigma Lexeu” (Rocinante) – O compositor e arranjador baiano, líder da cultuada Orkestra Rumpilezz, comanda o primeiro disco de seu quinteto. Autor das sete composições, da encantatória “Casa do Pai” à intensa “Mestre Moa do Katendê”, Letieres toca flautas e saxofones. A percussão de Luizinho do Jejê também é essencial neste projeto de ascendência africana em formato jazzístico.

Ludere - “Live at Bird’s Eye” (Blaxtream) – Gravado ao vivo num clube de jazz de Basel (Suíça), em 2018. Philippe Baden Powell (piano), Rubinho Antunes (trompete), Bruno Barbosa (baixo) e Daniel de Paula (bateria) tocam temas próprios, como a balada “Mirante” (de Rubinho) e o samba “Afro-Tamba” (de Philippe). O mestre do violão Baden Powell (1937-2000) é homenageado nas releituras de “Igarapé” e “Sermão”. 


Maiara Moraes Quinteto - “Cabeça de Vento” (Blaxtream) – Catarinense radicada em São Paulo, a flautista e compositora desponta em seu primeiro álbum autoral, acompanhada por Josué dos Santos (saxofones e flauta), Guilherme Ribeiro (piano), Igor Pimenta (contrabaixo) e Pedro Henning (bateria). Lirismo e diversidade rítmica convivem em belezas como “Maracatu”, “Choro pro Pê” e “Caminho de Volta”.

Manoel Cruz - “Brazilian News” (independente) – A afinidade que o contrabaixista e compositor radicado em São Paulo tem com o chamado “latin jazz” traz sabor especial a seu álbum. Para isso conta também a presença do trompetista italiano Gabriel Rosati. Na faixa “Samba D Boa” e na bela releitura da toada “Lamento Sertanejo” (de Dominguinhos e Gilberto Gil), Manoel mostra a face mais brasileira de seu jazz.

Maogani - “Álbum da Califórnia” (Biscoito Fino) – Engavetado durante uma década, este álbum que o criativo quarteto de violões carioca gravou em Los Angeles, com produção de Sérgio Mendes, finalmente está disponível. No repertório, arranjos de standards do jazz e releituras de clássicos da MPB, como “Chovendo na Roseira” (Tom Jobim), “Folhas Mortas” (Ary Barroso) e “Bananeira” (João Donato e Gilberto Gil).

Mário Sève (Kuarup) – Gravado em 2011, num show em São Paulo, este álbum do saxofonista e flautista carioca foi lançado agora para comemorar seus 60 anos. Ao lado de Gabriel Geszti (acordeom), Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo) e Sérgio Reze (bateria), Sève toca 10 composições autorais. Três delas são canções em parceria com a cantora argentina Cecilia Stanzione, que também participou dessa gravação.  


Nenê Trio - “Primavera” (Blaxtream) – Um dos grandes bateristas do país, o gaúcho Realcino “Nenê” Lima Filho finaliza com este disco sua quadrilogia “Quatro Estações”, iniciada com o álbum “Outono” (2009). Talvez o fato de tocar há mais de uma década com o pianista Írio Júnior e o contrabaixista Alberto Luccas possa explicar a impressionante unidade sonora desse trio ao tocar as abstratas composições do líder.  
                                        


Neymar Dias - “Minhas Canções Instrumentais” (independente) – Ao batizar este álbum, o talentoso violeiro e compositor paulista não estava brincando. Acompanhado por Igor Pimenta (baixo elétrico), Agenor de Lorenzi (piano e teclados) e Gabriel Altério (bateria e percussão), Neymar apresenta, nas 11 faixas autorais, doces e singelas melodias, que estão praticamente pedindo letras para se tornarem canções.

Odésio Jericó - “Disco do Jericó” (independente) – Em 65 anos de carreira, o trompetista pernambucano fez parte de conceituadas orquestras e big bands, como a Banda Mantiqueira, que integra desde os anos 1990. Para seu primeiro disco solo, escolheu clássicos da bossa nova e do samba, como “O Que É Amar” (Johnny Alf) e “Devagar com a Louça” (Haroldo Barbosa e Luiz Reis). Música saborosa para ouvir ou dançar.

Projeto Unknown - “Projeto Unknown II” (independente) – Bruno Migotto (baixo elétrico), Cuca Teixeira (bateria), Djalma Lima (guitarra) e Gustavo Bugni (teclados), craques da cena instrumental paulistana, formam este grupo cujo segundo álbum reúne nove composições autorais. Marcadas por influências do jazz e do rock, elas remetem à chamada “fusion”, estilo eletrificado de jazz que dominou a década de 1970.

Quatro a Zero - “Mesmo Outro” (independente) – O 5.º álbum deste quarteto paulista, que começou tocando choro, em 2001, reflete sua evolução e amadurecimento. Releituras dos chorões Jacob do Bandolim (“Receita de Samba”) e Radamés Gnattali (“Papo de Anjo”) dividem o repertório com composições próprias, como “Nós e Ele” (parceria com Hermeto Pascoal) ou “Ferraguttiana” (do violonista Eduardo Lobo).

Ricardo Herz & Camerata Romeu - “Nova Música Brasileira Para Cordas” (independente) – Uma beleza o encontro do violinista paulistano com essa orquestra feminina de cordas de Cuba. Herz, que assina os arranjos e composições do álbum, explora um aspecto incomum na música clássica: o suingue. No baião “Mourinho”, por exemplo, as violinistas, violistas e violoncelistas da orquestra percutem seus instrumentos.

Rogério Caetano & Gian Correa – “7” (independente) – Por ocasião do centenário de Dino Sete Cordas (1918-2006), grande instrumentista e referência na música brasileira em relação à técnica e à linguagem do violão de sete cordas, dois craques desse instrumento – o goiano Rogério e o paulista Gian – exibem sete composições autorais para prestar tributo ao mestre. Difícil imaginar homenagem mais pertinente.

Salomão Soares Trio - “Colorido Urbano” (Blaxtream) – Uma das grandes revelações desta década na cena instrumental, o pianista e compositor paraibano comanda seu trio, que inclui o baixista Thiago Alves e o baterista Paulo Almeida. Da nervosa “Ponto Cego” à sensível “Ponto de Luz”, Salomão exibe oito temas autorais que afirmam sua inventividade. Inclui também releitura do standard “My Favorite Things”.

San-São Trio - “Novos Caminhos” (Maritaca) – O sensível saxofonista Harvey Wainapel, de San Francisco (EUA), se uniu à flautista Léa Freira e ao pianista Amilton Godoy, brilhantes músicos e compositores de São Paulo. Mais que um simbólico encontro do jazz com a música brasileira, o que se ouve aqui é uma inspiradora e descontraída conversa entre duas das tradições musicais mais ricas e criativas do mundo.

Semiorquestra - “Jogos e Quitutes” (independente) – O bem-humorado álbum de estreia desta compacta orquestra paulistana de formação incomum foi produzido por Cris Scabello (da banda Bixiga 70). O repertório é autoral e eclético: vai do baião “Iguarias do Milho” (de Luca Frasão) ao bolero “Curinga da Canastra” (Fernando Sagawa); da guitarrada “Dibrando” (João Sampaio) ao afoxé “Revoada” (Rodrigo Lima).

Silibrina - “Estandarte” (independente) – Liderado pelo pianista e compositor Gabriel Nóbrega, este septeto paulista é uma boa surpresa na cena instrumental dos últimos anos. O segundo álbum do grupo traz, em faixas como “Frevo Maligno”, “Paratema” e “Rochedo”, todas autorais, contagiantes misturas de ritmos brasileiros com influências do jazz e da música pop. Ao vivo, o Silibrina soa melhor ainda.   
                                                   

Teco Cardoso, Bebê Kramer e Swami Jr. - “Dança do Tempo” (Sesc) – Este trio não nasceu por acaso. Convidado pelo Sesc Pompeia a fazer um show de instrumentistas com os quais ainda não havia tocado, o violonista Swami Jr. formou com Teco (sopros) e Bebê (acordeom) um trio que parece tocar junto há décadas. Faixas como “Dois”, “Choro Esperança” ou “Angulosa” confirmam a empatia que une esses novos parceiros.

Thiago Carreri - “Transição” (Blaxtream) – O guitarrista de São Carlos (SP) não esconde, em entrevistas, que a fonte de seu quarto álbum foi a música do mineiro Toninho Horta. Ao lado de Márcio Bahia (bateria), Breno Mendonça e Marcelo Toledo (saxofones), Rubinho Antunes (trompete) e Bruno Barbosa (baixo), Thiago mostra belos temas sua autoria, como “Obrigado” e “Caminhos”, que parecem pedir letras.

Thiago Espírito Santo - Pra Te Fazer Sonhar” (independente) – Um dos grandes baixistas da nova geração, Thiago tem neste álbum a companhia de Bruno Cardoso (piano e teclados) e Cuca Teixeira (bateria). Do samba “Fogo Baixo, Chapa Quente” (com vocais de Filó Machado) à jazzística balada “Giselle” (com participação do gaitista Grégoire Maret), passando pelo jazz-rock “Classe A”, o repertório é todo autoral.

Toninho Horta & Orquestra Fantasma - “Belo Horizonte” (Minas) – Para comemorar seus 50 anos de carreira, o violonista e compositor mineiro não deixou por menos: lançou este álbum duplo com composições inéditas e alguns de seus sucessos, como “Beijo Partido” e “Aqui Ó” (parceria com Fernando Brant). Entre diversos convidados, a cantora Joyce Moreno, o saxofonista Nivaldo Ornelas e o percussionista Robertinho Silva.

Trio Corrente - “Tem Que Ser Azul” (Abeat) – Gravado na Itália, em 2018, segundo os próprios Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo acústico e elétrico) e Edu Ribeiro (bateria), este álbum resume os 18 anos desse premiado trio paulistano. Clássicos da bossa nova, como “Só Tinha Que Ser com Você” (Tom Jobim) e “Eu e a Brisa” (Johnny Alf), ganham criativas releituras, ao lado de composições próprias.

Trio in Uno - “Ipê” (independente) – As primeiras notas da contagiante “Bate Coxa” (composição de Marco Pereira) já revelam um trio de sonoridade incomum. Radicados na França, os brasileiros José Ferreira (violão de 7 cordas) e Pablo Shinke (violoncelo), mais a italiana Giulia Tamanini (sax soprano), recriam com personalidade pérolas musicais como “Forrobodó” (Egberto Gismonti) e “Cine Baronesa” (Guinga).

Tulio Araujo & Daniel Grajew - “Quantum” (Savassi Festival) – O álbum do pandeirista mineiro com o pianista paulista tende ao onírico. Daniel contribui com “Rios Voadores” e “Choro Vermelho”, entre outros temais autorais. Túlio criou uma colagem inusitada: “Óleo Branco” mistura “Oleo” (do jazzista Sonny Rollins) com as melodias de “Asa Branca” (Luiz Gonzaga) e “Tico Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu).   

Ubaldo Versolato - “Portal” (Kuarup) – Músico da Banda Mantiqueira há mais de 20 anos, o experiente saxofonista paulista já fez centenas de gravações com outros músicos, mas só se aventurou agora a gravar o primeiro disco solo. Do samba-jazz “Tubo de Ensaio” (de sua autoria) à romântica balada “Fefê” (do filho Léo Versolato), Ubaldo reafirma seu conhecido talento musical. Que venham outros discos! 


Duduka da Fonseca Trio: tocante homenagem a Dom Salvador, no clube Bourbon Street

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                                                             O baterista Duduka da Fonseca e baixista Guto Wirtti   

A relação entre músicos de diferentes gerações, especialmente no universo do jazz, costuma chamar minha atenção. A admiração que um instrumentista tem por outro mais experiente, que lhe apontou caminhos musicais ou até mesmo o incentivou a se tornar músico profissional, lembra a relação de um discípulo com seu mentor. Quem teve a sorte de conviver com um(a) professor(a) muito especial, que abriu seu horizonte intelectual ou lhe deu o estímulo que faltava para abraçar uma carreira até então inusitada, sabe do que estou falando.

Voltei a pensar nisso durante a apresentação do Duduka da Fonseca Trio, no último domingo (10/11), no clube Bourbon Street, em São Paulo. Grande baterista carioca, radicado em Nova York desde 1975, Duduka aprendeu a tocar acompanhando discos de jazzistas americanos e brasileiros. Por isso, em 1980, quando o pianista e compositor paulista Dom Salvador (pioneiro do samba-jazz, que também já vivia em Nova York) o chamou para substituir o baterista de seu grupo, Duduka, já próximo dos 30 anos, brincou com ele: “Eu toco com você desde os meus 14 anos”. Ali começou uma parceria e uma amizade de quatro décadas, que prossegue até hoje.   


Duduka narra esse episódio no encarte do excelente álbum que gravou em 2018, com 11 composições de Dom Salvador. Nas gravações de “Duduka da Fonseca Trio Plays Dom Salvador” (CD lançado pelo selo Sunnyside), ele já tinha a seu lado o pianista David Feldman (na foto ao lado) e o baixista Guto Wirtti, jovens craques da cena jazzística carioca, que também o acompanharam no Bourbon Street.

Entre várias belezas musicais, os três tocaram “Retrato em Branco e Preto” (de Tom Jobim e Chico Buarque) e “Waiting for Angela” (Toninho Horta), mas a maior parte do repertório do show saiu mesmo do disco dedicado a Dom Salvador: composições como “Gafieira”, “Farjuto” e “Samba do Malandrinho”, que trazem a assinatura rítmica do original pianista de Rio Claro (SP), além da sensível balada “Mariá”, que ele dedicou à sua esposa.

A admiração que Duduka revela ao anunciar as composições de Salvador é inspiradora. Nestes tempos em que o ódio e a violência parecem ter se tornado tão comuns em nosso cotidiano, a homenagem de um músico a outro de uma geração anterior (numa área profissional em que também há muita competição) soa como uma lição de fraternidade e amor. Uma noite especial para quem estava na plateia do Bourbon Street.



Toninho Horta: guitarrista e compositor lança o livro “108 Partituras” em São Paulo

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                                                                              O guitarrista Toninho Horta / Acervo do artista

Não bastasse ser um dos fundadores do influente Clube da Esquina, Toninho Horta é um dos músicos brasileiros mais admirados no mundo. Autor de uma obra personalíssima, que inclui canções de sucesso e composições instrumentais cultuadas nos meios do jazz, esse guitarrista, violonista e cantor de Belo Horizonte (MG) sabe combinar, como poucos, melodias cheias de lirismo com sofisticadas harmonias.

A boa notícia para estudantes de música e fãs de Toninho que também se aventuram como instrumentistas é o lançamento do songbook “108 Partituras”. Esse “livrão” de 330 páginas, com textos em português e inglês, reúne partituras (melodias e cifras) de suas composições, incluindo as populares “Beijo Partido”, “Viver de Amor”, “Aquelas Coisas Todas”, “Pedra da Lua”, “Terra dos Pássaros” e “Diana”, entre outras.

Para facilitar a vida daqueles que desejam se aprofundar na original concepção harmônica de Toninho, o songbook também oferece diagramas de acordes para violão e piano de 40 de suas composições. Graças a esses diagramas se pode reproduzir as inversões exatas de certos acordes que o compositor e guitarrista utilizou em suas gravações e shows.

Mesmo quem não toca algum instrumento pode encontrar, além das partituras, muita informação relevante nesse livro. O compositor dividiu o material por décadas: introduz cada seção com um texto em que relembra diversas fases de sua vida pessoal e da carreira musical, detalhando gravações, parcerias, turnês e muitos encontros com músicos que conheceu no Brasil e no exterior.

A contracapa e as capas internas do livro são ocupadas por depoimentos e comentários de três dezenas de conceituados instrumentistas e cantores de diversos gêneros, como Hermeto Pascoal, Sérgio Assad, Nana Caymmi ou John Pizzarelli. O guitarrista norte-americano Larry Coryell (morto em fevereiro deste ano) declarou: “Nunca esquecerei do apaixonante momento, anos atrás, quando ouvi o seu som em uma incrível re-harmonização de ‘Stella by Starlight’. Que revelação! Qualquer sério improvisador será beneficiado abundantemente folheando este livro”.

Juarez Moreira, outro grande guitarrista e compositor de Minas Gerais, assina um dos capítulos introdutórios. Nesse ensaio, analisa o ambiente em que o colega se formou musicalmente, suas influências e seu estilo. “Toninho tem estilo e originalidade tanto na guitarra elétrica como no violão. São poucos os músicos que conheço que transitam de um para o outro e que têm um som próprio e original, rapidamente identificado”, avaliza.

Outro aspecto que valoriza esse songbook é o farto material fotográfico. Um caderno central inclui fotos do guitarrista e compositor mineiro ao lado de dezenas de colegas de profissão, além das capas de todos seus álbuns e dos discos de outros artistas, nos quais participou com instrumentista, convidado ou diretor musical.

Toninho Horta lança o songbook “108 Partituras” no dia 15/8 (terça), com show no Bourbon Street Music Club, em São Paulo. Acompanhado por Marcelo Soares (baixo), Lisandro Massa (teclado), Sérgio Machado (bateria) e Marquinho Sax (sax alto), vai tocar sucessos de sua carreira, como “Manoel, o Audaz”, “Dona Olímpia” e “Beijo Partido”.

Couvert artístico: R$ 70,00. Mais informações sobre o show no site do Bourbon Street Music Club.
Preço do livro: R$ 150,00.








Malluh Praxedes: livro narra atuação de incentivadora da música instrumental mineira

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               Malluh Praxedes com os músicos Leonardo Brasilino (esq. para dir.), Guinga e Tabajara Belo 

Quem acompanha o universo da música instrumental brasileira, mais especificamente o da cena instrumental de Minas Gerais, sabe da importância de Malluh Praxedes. Produtora de shows e eventos musicais por mais de duas décadas, essa jornalista e escritora mineira ajudou a revelar novos talentos, assim como contribuiu ativamente para que essa vertente musical conquistasse um espaço maior nos meios culturais.

Daí a pertinência do livro “O Som das Minas: nas Anotações de Malluh”, que a editora Mosaico acaba de lançar. Num misto de perfil biográfico e livro-reportagem, o escritor e poeta José Roberto Pereira utiliza o acervo pessoal de Malluh, além de algumas entrevistas, para narrar sua trajetória profissional, desde as colaborações para o jornal “O Estado de Minas”, nos anos 1980, até sua atuação como produtora cultural do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), para o qual criou e desenvolveu vários eventos musicais.

Um dos projetos mais relevantes foi o Prêmio BDMG Instrumental, idealizado por Malluh em 2001, que continua a ser realizado anualmente. Tive o prazer de participar das nove primeiras edições desse evento como integrante do júri, com a missão de eleger os melhores instrumentistas, compositores e arranjadores entre os finalistas selecionados por uma comissão de músicos.

Ao lado do saudoso crítico carioca José Domingos Raffaelli, de colegas da imprensa cultural de Belo Horizonte e músicos do quilate de Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Guinga e Danilo Caymmi, entre outros, tive assim a chance de ouvir pela primeira vez talentos da música instrumental mineira, como o saxofonista Cleber Alves, o violonista Weber Lopes, o baixista Fred Heliodoro, o pianista Rafael Martini ou o multi-instrumentista Antônio Loureiro.

Ainda nessa área, em 2002, Malluh criou o Jovem Instrumentista BDMG, prêmio que concedia bolsas de estudo para estudantes de música, com conceituados instrumentistas que eles mesmos podiam escolher. Aprimorado nas edições seguintes, esse projeto também continua a ser realizado até hoje.

A partir de 2009, quando se desligou do BDMG Cultural, Malluh passou a dedicar mais tempo à sua carreira literária – hoje tem mais de 15 livros publicados. Mesmo assim, não deixou de lado a paixão pela música: suas letras de canções, em parcerias com o compositor e cantor Renato Motha, aparecem em CDs já lançados inclusive no Japão.

Além de esboçar um rápido panorama da música popular cultivada em Minas Gerais durante as últimas décadas, o livro de Pereira indica, principalmente, porque a cena da música instrumental brasileira e seus apreciadores devem muito a Malluh Praxedes.




Toninho Horta e Maurício Takara: inusitado encontro instrumental no Sesc Pompeia

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                            Thiago Alves (da esq. para dir.), Mauricio Takara, Toninho Horta e Lisandro  Massa   
 
Se você é um dos que acompanham os shows da série Encontros Instrumentais desde 2015, em São Paulo, provavelmente pensou, como eu, que este será um dos encontros musicais mais inusitados já realizados no Sesc Pompeia. Até Toninho Horta e Mauricio Takara, músicos que vão se encontrar em um palco pela primeira vez, confessam que, num primeiro momento, estranharam o convite.

Essa surpresa é justificável. Afinal, o que o mineiro Toninho, cultuado guitarrista, arranjador e autor de clássicas canções do Clube da Esquina, teria em comum com o paulista Takara, multi-instrumentista com uma diversificada trajetória musical associada à experimentação e à eletrônica?

“Toninho é um ícone, um monumento da guitarra mundialmente conhecido. No início, fiquei pensando se eu teria mesmo algo para contribuir, se eu conseguiria me expressar dentro de um universo musical tão rico como o dele”, admite Takara. “Fui escutar novamente os discos dele e cheguei à conclusão de que temos uma afinidade: a busca de um universo musical novo e próprio”.

A experiência de tocar com músicos que praticamente desconhecia se tornou recorrente na carreira de Toninho ainda na década de 1980, quando viveu por dois anos nos Estados Unidos. “Em Nova York, você conhece músicos de todo lugar: africano, russo, grego, coreano, austríaco. Já tive relações musicais com gente muito bacana, com concepções bem diferentes”, relembra o autor de canções como “Beijo Partido”, “Viver de Amor” e “Pedra da Lua”.

“Ele tem um universo próprio e muito brasileiro, mas sem aqueles estereótipos que costumam ser associados ao Brasil. Usamos processos totalmente diferentes, mas eu vejo algumas similaridades entre a música do Toninho e a minha”, comenta Takara, conhecido como baterista das bandas Hurtmold e São Paulo Underground, além de desenvolver uma obra autoral, em álbuns como “Puro Osso” e “Mundotigre”.

Bastou um primeiro encontro – ocasião em que se conheceram e esboçaram um ensaio – para os novos parceiros ficarem animados. “O pontapé inicial foi bem bom”, resume Takara, que até compôs um material especialmente para o show. “Fiquei surpreso ao ver um cara estabelecido e tão importante, como ele, se mostrar tão aberto e interessado pelo meu universo musical”, comenta o paulista.

“O resultado me agradou tanto que fiquei a fim de gravar esse encontro musical. A vibração de experimentar um som novo foi muito prazerosa”, comemora Toninho, contente com as releituras de composições de sua autoria, como “Dona Olímpia” e “O Vento”, que estarão no repertório. E como experiente arranjador que é, para ampliar as possibilidades sonoras, decidiu convocar o pianista Lisandro Massa e o baixista Thiago Alves a participarem do show.

Takara também confia no material que prepararam juntos. “Acho que vai ser interessante até para quem acompanha o trabalho do Toninho há bastante tempo. Acho que conseguimos criar uma atmosfera nova, tanto para as músicas dele, como para as minhas”. 
 


Venda de ingressos e outras informações no site do Sesc SP.   

(Texto escrito a convite da equipe de programação do Sesc Pompeia, que organiza a série de shows Encontros Instrumentais)

 

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