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Jaques Morelenbaum: trio faz viagem sentimental pelo passado do samba

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Muitos trios instrumentais brilharam na história da bossa nova e do samba-jazz, mas nenhum com a singular formação do CelloSambaTrio. Criado em 2004 pelo violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum, esse grupo, que destaca também o violão de Lula Galvão e a percussão de Rafael Barata, parece já ter nascido clássico.

No esperado álbum de estreia do trio, "Saudade do Futuro, Futuro da Saudade" (lançamento Mirante), 
o violoncelista carioca e seus parceiros fazem uma viagem sentimental pelo passado do samba: do gingado choro de Jacob do Bandolim, “Receita de Samba”, ao sestroso “Eu Vim da Bahia” (de Gilberto Gil), em versão calcada na gravação de João Gilberto, cujo “álbum branco” (lançado em 1973) inspirou a criação do próprio CelloSambaTrio.

Faixas autorais, como a lírica “Maracatuesday” (de Morelenbaum) ou o samba “Abaporu” (do violonista Lula Galvão), indicam que esse trio tem um futuro promissor à sua frente. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 25/10/2014)





Swami Jr.: violonista une elegância e virtuosismo em arranjos encantadores

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Quando recebeu o convite para participar de uma gravação da cantora cubana Omara Portuondo, em 2003, Swami Jr. nem poderia imaginar que estava prestes a iniciar uma longa e intensa viagem musical. Nos sete anos seguintes, acompanhou a mundialmente conhecida diva da trupe Buena Vista Social Club por diversos países, como diretor musical e violonista. Durante essas turnês, as horas solitárias nos quartos de hotéis o estimularam a criar composições e arranjos que surgem agora no álbum “Mundos e Fundos” (lançamento Borandá), trabalho que o consolida como um dos instrumentistas mais versáteis e criativos na cena musical de hoje. (ouça duas faixas nos videos abaixo)

“Anos atrás, li uma frase do escritor francês Balzac que ficou em minha cabeça: ‘Uma obra de arte deve conter vários mundos’. Por volta de 2008, quando notei que já tinha várias composições nascidas em diversos lugares, durante as turnês que fiz com a Omara, pensei que elas poderiam resultar em um disco interessante”, comenta o músico, que decidiu intitulá-lo com uma expressão popular. “Mundos e fundos quer dizer ‘tudo’, ‘muito’. Acho esse título poético. E tem a ver com a ideia de a arte conter vários mundos”, explica.


Quem acompanha a carreira desse brilhante violonista, baixista, arranjador e produtor, nascido em São Paulo, sabe que mundos musicais aparentemente separados, como o do choro, o da MPB ou o do jazz, convivem há muito tempo em sua obra. Em três décadas de carreira profissional, Swami já tocou choro com a banda Xoro Roxo; forró, samba e outros ritmos dançantes brasileiros com a banda Mexe com Tudo. Acompanhou cantores e compositores de MPB, como Ná Ozzetti, Virgínia Rosa, Chico César e Zé Miguel Wisnik. Tocou jazz e releituras de clássicos da música brasileira com a cantora Luciana Souza e com os guitarristas Chico Pinheiro e Anthony Wilson.


“Viver na França durante quatro anos foi uma experiência que abriu minha cabeça”, ele conta, referindo-se ao período em que morou em Paris, no início da década de 1980, quando era integrante do Xoro Roxo. “No início, só tocávamos choro, mas, com o tempo, abrimos o repertório com Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Dominguinhos. O choro foi uma escola muito importante para mim, uma viagem profunda, mas eu não queria ficar apenas ali. Fui ouvir jazz, música africana, muitas orquestras. Ao voltar ao Brasil, fiz trabalhos que refletiram as experiências que vivi na Europa”.


Nada mais natural, portanto, que Swami abra o álbum “Mundos e Fundos” com uma composição que fez em Paris, dedicada a um de seus mestres chorões: o violonista carioca Dino Sete Cordas. “Aprendi muito viajando e tocando com ele, nos camarins. O Dino foi um músico da maior importância”. Mas não se trata de uma homenagem convencional. “Paladino” é um choro vibrante e contemporâneo, cujas baixarias (as frases que o violão de sete cordas costuma exibir nesse gênero) revelam influências jazzísticas. A formação do quinteto que Swami articulou para essa faixa também está longe de soar tradicional, graças ao berimbau e aos efeitos do percussionista Guilherme Kastrup.


Há outras homenagens no disco. A sensível “El Puro”, composta por Swami em Cuba, em 2006, é quase uma canção que dedicou a seu pai. “Ele foi o cara que me colocou na música. A primeira lembrança que eu tenho de criança é meu pai tocando violão”, relembra. Outra composição na qual o violonista mergulha fundo na emoção é a delicada “Helena”, que dedicou à filha pouco após seu nascimento, em 2003. “Você pode fazer uma turnê com uma grande cantora, um trabalho bacana, mas todos os quartos de hotéis, no fundo, são iguais. Nessas horas, há momentos solitários, em que a música brota. As composições deste disco nasceram em momentos como esses. Talvez tenham uma profundidade que vem desses momentos introspectivos”, reflete.


A funkeada “Abraço”, que Swami fez em parceria com o violonista Chico Pinheiro, em 2001, também entra no disco como uma espécie de homenagem ao parceiro e amigo, que participa da gravação. “Praticamente, o Chico subiu pela primeira vez, num palco, comigo e o Zé Miguel Wisnik, em 1993. Ele tinha 18 anos. Hoje é um irmão pra mim, mas é meio filho também. Ele tem um talento absurdo”, comenta Swami, lembrando que já produziu dois discos dele.


Dois compositores brasileiros que Swami também admira muito estão presentes no repertório. A inusitada versão do samba “Saudade da Bahia”, de Dorival Caymmi, já começa num improviso – a melodia só surge bem depois. “É uma brincadeira”, diverte-se o violonista, que tem a seu lado, nessa faixa, o pandeirista Amoy Ribas e o violonista Marco Pereira, outro antigo parceiro, com o qual começou a tocar em 1989. “O Marco é um músico maravilhoso, um mestre”.


Swami também não economiza elogios ao se referir ao grande instrumentista e compositor e Jacob do Bandolim, do qual interpreta o choro “Vibrações” com a maior elegância e total controle do violão de sete cordas. “Acho que o Jacob é um dos maiores compositores brasileiros, mas pouco valorizado. Ele é mais reconhecido como instrumentista. Acho que esse tema está à altura dos maiores standards da música mundial. É espetacular”.


Há ainda mais uma releitura, no álbum, que certamente vai surpreender muitos ouvintes. Mostrando ser um grande intérprete, Swami extrai uma beleza inesperada da marchinha carnavalesca “Cabeleira do Zezé” (de João Roberto Kelly e Roberto Faissal), transformando-a em uma peça cheia de lirismo. “Gosto muito de brincar com melodias mais simples ou, aparentemente, banais. Já fiz arranjo até para o hino do Palmeiras”, revela.


Faixa que se destaca pela influência da música flamenca, “Tenda” foi composta pelo violonista Tuco Marcondes, que a mostrou a Swami já no estúdio. “Trabalhei muito com o Tuco e com o Mário Manga, e queria que eles também estivessem no disco. Quando ouvi essa musica, achei que ela tinha familiaridade com as minhas composições, com os contrapontos do violão, mesmo indo por outro caminho ao incorporar a influência do flamenco”, comenta.


Composta por Swami, em um quarto de hotel de Istambul, por volta de 2003, “Valsa de Areia” mimetiza, de certa forma, a aridez do clima daquela região. “É uma valsa meio desconjuntada, que vai mudando de compasso e, no final, tem uma parte meio atonal. Do ponto de vista violonístico, é uma das mais difíceis do álbum de se executar”, analisa o compositor.


Já o choro “Virou Fumaça”, composto por ele em 2009, em Barcelona, foi feito especialmente para completar o repertório do álbum. “Eu queria um choro diferente, com uma harmonia mais contemporânea e um fraseado jazzístico, mas que mantivesse a raiz desse gênero”, explica Swami, que tem nessa gravação a companhia de Milton Mori (bandolim) e Douglas Alonso (pandeiro).


“Jurupari”, que encerra o álbum, nasceu em Maceió, em janeiro deste ano. Swami a compôs logo depois de ler o romance homônimo, escrito por seu amigo e conceituado violeiro Paulo Freire, que também participa da gravação. A melodia singela confirma uma característica de quase todas as composições de Swami: são cantáveis e fluentes, como se só estivessem à espera de uma letra para assumirem de vez a forma completa de uma canção.


“Acho que tenho esse perfil que o Luiz Tatit define como cancionista. Sempre gostei de canção. Mesmo quando componho uma peça para violão solo, gosto que ela seja quase cantável”, comenta Swami, consciente do papel essencial que a melodia exerce em suas composições. Aliada ao toque elegante e virtuoso de seu violão, essa é uma qualidade que contribui ativamente para que sua música seja tão encantadora.


(texto por ocasião do lançamento do álbum "Mundos e Fundos", que escrevi a pedido da gravadora Borandá)



Relançamentos: bons títulos do selo Kuarup voltam ao mercado

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Nas décadas de 80 e 90, encontrar o selo Kuarup, na capa de um disco de vinil ou de um CD, praticamente garantia que se tratava de música brasileira de boa qualidade. Criada em 1977, no Rio de Janeiro, essa gravadora independente formou um catálogo com mais de 200 títulos, inicialmente centrado em obras de Villa-Lobos e choros. Com o tempo, seu mentor e produtor Mario de Aratanha decidiu investir também na “cultura brasileira de raiz”, gravando música caipira, sambas e música nordestina.

Desativada em 2009, a Kuarup foi adquirida pelos empresários Arthur Fitzgibbon e Alcides Ferreira, que acertaram uma parceria com a Sony Music para reeditar títulos do acervo. O primeiro pacote destaca nove CDs que sintetizam bem a diversidade musical desse catálogo. Inclui ainda o álbum de estréia da cantora Luciana Pires, primeiro lançamento inédito do selo, nesta nova fase.

Uma das jóias do pacote é o CD “Noites Cariocas - Ao Vivo no Municipal” (1988), que reúne uma constelação de astros do choro, como Paulo Moura, Altamiro Carrilho, Paulinho da Viola e Chiquinho do Acordeom, para interpretar clássicos de Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Radamés Gnattali.

Foi tamanha a repercussão desse encontro que, 15 anos depois, o cavaquinhista Henrique Cazes decidiu revivê-lo com outras feras do choro, em “Noites Cariocas - A Alegria do Improviso” (2003). Cazes também co-assina a produção de “Sempre Jacob” (1996), álbum no qual a obra de Jacob do Bandolim é interpretada por Joel Nascimento, Nó em Pingo D’Água e Déo Rian.

Campeão de vendas da Kuarup, “Ao Vivo em Tatuí” (1992) registra o encontro do compositor e cantor Renato Teixeira com a singela dupla vocal Pena Branca e Xavantinho. No repertório, sucessos do universo caipira, como “Amanheceu, Peguei a Viola” e “Romaria”. Teixeira também protagoniza outros CDs do pacote: “Ao Vivo no Rio - 30 Anos de Romaria” (1998) e “Renato Teixeira e Rolando Boldrin” (2004). Mais recente também é “No Balanço do Balaio” (1999), do cantor e compositor mineiro Vander Lee. 


Finalmente, também não poderia faltar nesse pacote de relançamentos a obra magistral de Villa-Lobos, representado pela primeira gravação integral de seus choros (“Os Choros de Câmara”, de 1977), com diversos intérpretes, e “A Floresta do Amazonas” (1988), com Wagner Tiso, João Carlos Assis Brasil e Ney Matogrosso. Tomara que outras preciosidades da Kuarup voltem logo ao mercado.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos e Filmes", em 24/6/2011)



Maíra Freitas: filha de Martinho da Vila troca recitais eruditos por samba e choro

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Pianista de formação clássica, ela não resistiu: trocou o sonho de ser concertista pela carreira de cantora de música popular. Filha do sambista Martinho da Vila, Maíra Freitas acaba de lançar um disco que merece atenção.

No repertório, muito bem escolhido, destacam-se um samba-afro do maestro Moacir Santos, clássicos da MPB e do samba assinados por Chico Buarque, Paulinho da Viola, Joyce e Martinho da Vila, além de composições próprias. E ela ainda se dá a luxo de tocar um intrincado choro de Jacob do Bandolim, no piano.

Nesta entrevista, ela conta que queria ser concertista,  fala sobre as gravações de seu CD ("Maíra Freitas", selo Biscoito Fino), revela suas influências musicais e lembra como começou a compor.

Com uma família tão ligada ao samba, como você se envolveu com a música erudita?

Maíra Freitas - As pessoas podem estranhar, mas isso é normal para mim. Estudo piano desde os sete anos. Fiz conservatório e faculdade, cursos de música clássica na Alemanha, na Bulgária e nos Estados Unidos. Minha meta, até uns três anos atrás, era ser concertista. Toquei com orquestra, fiz recitais. Enquanto estudava música clássica, desfilava todo ano na escola de samba, ouvia Chico Buarque, Djavan, Maria Bethânia e ia aos shows do meu pai e da Mart’nália [a irmã cantora, que produziu o disco]. Sempre achei tudo isso normal.

Como seu pai reagiu à sua inclinação pelo piano clássico?
Maíra - Ele sempre teve muito orgulho de dizer que tem uma filha que toca piano e estuda música clássica. Quando eu precisava de alguma partitura que só existia na Europa, ao viajar ele a trazia pra mim, todo orgulhoso. Meu pai sempre me deu todo apoio.

Você gravou “Maracatu, Nação do Amor”, composição do maestro Moacir Santos. Já conhecia a obra dele antes de gravar seu disco?
Maíra - Sempre ouvi muita música instrumental e choro, por isso gosto bastante dos discos do Moacir. Essa música é muito bonita e também traz a coisa da negritude. A idéia do disco é retratar quem eu sou: ele começa com a pianista, passa pelo jazz, pelo samba e pela música instrumental.

Quem ouvir seu disco, sem conhecer sua história, provavelmente vai se surpreender com a primeira faixa: o choro “O Vôo da Mosca”, de Jacob do Bandolim. Foi sua a idéia de abrir o CD com uma faixa instrumental?
Maíra - Eu quis gravar essa música para mostrar meu lado pianista, mas a idéia de abrir e terminar o disco com uma música instrumental foi do meu pai. Aliás, a coisa mais fácil de fazer nesse disco foi gravar. Demoramos muito mais tempo para decidir a ordem das faixas ou a capa do disco.

Entre suas composições, “Corselet” chama atenção pela leveza e pela letra bem humorada. Quando você começou a compor?
Maíra - Não faz muito tempo, uns cinco anos. Faço música quando estou sentindo alguma coisa, tenho vários pedaços de música em casa. Foi um processo gradual passar de pianista clássica até tocar choro e começar a compor. Minhas músicas têm uma coisa de mulherzinha, porque eu sou bem mulherzinha (risos). Desde criança eu gosto de me emperequetar. Também tenho um lado engraçado, um lado moleca. Gosto muito de brincar, mas tem dia que eu vou pra Lapa, que eu bebo.

Outra faixa que se destaca é o samba “O Show Tem que Continuar” (de Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila), numa versão entre o blues e o jazz. O arranjo é seu?
Maíra - Essa música é muito tocada nos pagodes e o Luiz Carlos da Vila tem uma ligação muito forte com minha família. Eu estava no meio de um pagode, quando tive a idéia de fazer uma releitura mais lenta, porque essa música tem uma melodia muito bonita. Depois a Mart’nália fez o arranjo vocal.

Você também gravou os sambas-canções “Só o Tempo” (Paulinho da Viola) e “Se Queres Saber” (Peter Pan). Alguns rejeitam esse estilo de samba por ser melancólico, pesado. Você gosta?
Maíra - Eu e a Mart’nália adoramos a Nana Caymmi, somos fãs incondicionais dela, e essa música é a cara da Nana Caymmi. Quase gravei “Medo de Amar”, do Vinicius de Moraes. Acho que gosto desse tipo de música porque eu também sou meio velha (risos).

Você ainda tem ídolos musicais?
Maíra - Como minha formação foi bastante variada, tenho muitos ídolos. Admiro muito Bach, Beethoven, Chopin, Brahms, Schumann, Villa-Lobos, Tom Jobim, Chico Buarque, Maria Bethânia. Em casa, eu também ouvia música americana e jazz. Por isso também admiro Ella Fitzgerald, Ray Charles, Stevie Wonder.

E os pianistas? Tem afinidade com algum, em especial?
Maíra - Tive muitas influências. É difícil escolher, mas sou muito fã do Nelson Freire. Quando vou aos concertos, choro e peço autógrafo. Também gosto de outros pianistas estrangeiros, como o Horowitz ou o Ashkenazy. Na faculdade de música, a gente estuda tudo.

No show de lançamento de seu disco, vai tocar piano o tempo todo?
Maíra - O piano é fundamental nesse disco. Com certeza, vou ter um piano de verdade no show, nada de teclado. Vou tocar a maior parte do tempo. Em alguns momentos, vou ser só a cantora, mas o piano é meu porto seguro.


(entrevista parcialmente publicada no “Guia Folha – Livros, Discos, Filmes”, em 29/4/2011)



Yamandu Costa e Valter Silva: um inspirado encontro de violões

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O título mínimo e a capa em preto e branco do CD ''YV" (lançamento MP,B/Universal) expressam bem a simplicidade deste encontro de duas gerações do violão brasileiro. O gaucho Yamandú Costa, 30, e o carioca Valter Silva, 70, conheceram-se em 2004, na casa do também violonista e produtor Marcello Gonçalves. A química da primeira reunião foi tão especial que decidiram registrá-la em estúdio, no ano passado.


A bordo de violões de sete cordas, o duo desfia uma saborosa seleção de antigos choros, sambas e serestas, que destaca temas menos batidos, como o vertiginoso “Arabiando” (de Esmeraldino Salles), o nostálgico “Cinco Companheiros” (Pixinguinha) ou o brejeiro “Implicante” (Jacob do Bandolim). Um encontro muito feliz, repleto de lirismo e beleza.

(resenha publicada no "Guia da Folha - Livros, Discos e Filmes", em 25/06/2010)

 

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