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Gravadora Kuarup: mais um pacote de CDs com preciosidades fora de catálogo

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Descontinuada em 2009, depois de investir por três décadas em um catálogo musical de alta qualidade (choro, samba, ritmos do Nordeste, até música caipira), a gravadora Kuarup voltou a distribuir suas gravações no mercado em 2011.

Seu novo pacote de reedições é precioso, especialmente para fãs da música instrumental. “Raphael Rabello & Dino 7 Cordas” (1991) reúne dois expoentes do violão brasileiro, em criativas releituras de choros e sambas de João Pernambuco, Pixinguinha e Garoto, entre outros. Repertório semelhante ao que Baden Powell, outro gigante desse instrumento, dedilha com garra, em “Ao Vivo no Rio Jazz Club” (1990).

Mestre da sanfona, o paraibano Sivuca reencontrou, em 2004, as cordas do Quinteto Uirapuru. Com lirismo e sensibilidade, toca suas parcerias com Glória Gadelha, além de homenagear Astor Piazzolla e Tom Jobim.

Gravado em 1978, em São Paulo, “Cartola ao Vivo” registra o último show do sambista carioca. Ao lado do Regional do Evandro, ele revisita, com a voz ainda em boa forma, alguns de seus sambas mais populares, como “Acontece” e “O Mundo É um Moinho”.


Em “Cida Moreyra Canta Chico Buarque” (1993), a intérprete paulista empresta sua bagagem teatral a 18 canções e sambas do compositor carioca, como “Gota d’Água” e “Geni e o Zepelin”, com arranjos de Gil Reyes.

Finalmente, em “Viola Caipira” (2002), o violeiro mineiro Chico Lobo interpreta modas e toadas de sua autoria. Também rende homenagens às suas influências, abrindo espaço para grupos regionais de catira e folias de reis. Pérolas da diversidade brasileira.

Resenha publicada originalmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 22/2/2014

Relançamentos: bons títulos do selo Kuarup voltam ao mercado

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Nas décadas de 80 e 90, encontrar o selo Kuarup, na capa de um disco de vinil ou de um CD, praticamente garantia que se tratava de música brasileira de boa qualidade. Criada em 1977, no Rio de Janeiro, essa gravadora independente formou um catálogo com mais de 200 títulos, inicialmente centrado em obras de Villa-Lobos e choros. Com o tempo, seu mentor e produtor Mario de Aratanha decidiu investir também na “cultura brasileira de raiz”, gravando música caipira, sambas e música nordestina.

Desativada em 2009, a Kuarup foi adquirida pelos empresários Arthur Fitzgibbon e Alcides Ferreira, que acertaram uma parceria com a Sony Music para reeditar títulos do acervo. O primeiro pacote destaca nove CDs que sintetizam bem a diversidade musical desse catálogo. Inclui ainda o álbum de estréia da cantora Luciana Pires, primeiro lançamento inédito do selo, nesta nova fase.

Uma das jóias do pacote é o CD “Noites Cariocas - Ao Vivo no Municipal” (1988), que reúne uma constelação de astros do choro, como Paulo Moura, Altamiro Carrilho, Paulinho da Viola e Chiquinho do Acordeom, para interpretar clássicos de Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Radamés Gnattali.

Foi tamanha a repercussão desse encontro que, 15 anos depois, o cavaquinhista Henrique Cazes decidiu revivê-lo com outras feras do choro, em “Noites Cariocas - A Alegria do Improviso” (2003). Cazes também co-assina a produção de “Sempre Jacob” (1996), álbum no qual a obra de Jacob do Bandolim é interpretada por Joel Nascimento, Nó em Pingo D’Água e Déo Rian.

Campeão de vendas da Kuarup, “Ao Vivo em Tatuí” (1992) registra o encontro do compositor e cantor Renato Teixeira com a singela dupla vocal Pena Branca e Xavantinho. No repertório, sucessos do universo caipira, como “Amanheceu, Peguei a Viola” e “Romaria”. Teixeira também protagoniza outros CDs do pacote: “Ao Vivo no Rio - 30 Anos de Romaria” (1998) e “Renato Teixeira e Rolando Boldrin” (2004). Mais recente também é “No Balanço do Balaio” (1999), do cantor e compositor mineiro Vander Lee. 


Finalmente, também não poderia faltar nesse pacote de relançamentos a obra magistral de Villa-Lobos, representado pela primeira gravação integral de seus choros (“Os Choros de Câmara”, de 1977), com diversos intérpretes, e “A Floresta do Amazonas” (1988), com Wagner Tiso, João Carlos Assis Brasil e Ney Matogrosso. Tomara que outras preciosidades da Kuarup voltem logo ao mercado.
(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos e Filmes", em 24/6/2011)



 

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