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Brazilian Grupo: quinteto mistura bossa, jazz e bom humor em sua receita musical

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                   Clayber (esq. para dir.), Giba, Parahyba, Costita e Aluizio, no Estudio Mosh

O título “Oscaravelhos” pode soar politicamente incorreto, por se tratar de um disco de um quinteto de músicos idosos. Porém, quem já esteve com os instrumentistas do Brazilian Grupo, nos estúdios de gravação ou nos bastidores dos palcos em que se apresentam, logo percebe que essa é apenas uma piada entre amigos. O humor e a autogozação fazem parte da convivência desses antigos colegas de profissão. Assim eles se divertem, celebram a própria vida e tocam a música brasileira de alta qualidade, que cultivam há décadas. 

Não seria muito exagero comparar esses músicos a uma veterana seleção de craques do futebol. Em meados da década de 1960, o contrabaixista/gaitista Clayber de Souza, o pianista Aluízio Pontes e o saxofonista Hector Costita já se destacavam na cena musical de São Paulo, como talentosos instrumentistas da primeira geração do samba-jazz – a vertente instrumental da bossa nova.  

Em 1964, Clayber e o então baterista Airto Moreira sentiram que o promissor trio que haviam formado há pouco com o pianista César Camargo Mariano corria um risco. Após o sucesso de uma longa temporada de shows do Sambalanço Trio com o dançarino e cantor Lennie Dale, na boate carioca Zum Zum, César (recém-casado com a cantora Marisa Gata Mansa) comunicou aos parceiros do trio que decidira morar por algum tempo no Rio de Janeiro.  

Para não falharem no compromisso de acompanhar a cantora Flora Purim, em uma série de shows, Clayber e Airto saíram procurando um pianista às pressas. Por acaso, ao passar pela rua Augusta, o baixista entrou na boate Dim Dim, onde ouviu um jovem pianista que chegara há pouco da interiorana Presidente Prudente. Assim o Sambalanço Trio ganhou um novo pianista.   

Ali começou uma longa amizade e parceria musical, que se mantém há mais de 60 anos. “Aluízio morou na minha casa, estudamos juntos e tocamos muito juntos. Ele é um cara tão fantástico em minha vida, que ao final dos nossos shows até nos beijamos na boca”, diverte-se o paulistano Clayber, com seu jeitão gozador.  

Acompanhando astros da MPB 

Aluízio só tocou por cerca de um ano no Sambalanço Trio. Acabou direcionando sua bem-sucedida carreira a escrever arranjos e acompanhar astros da música popular brasileira, como os cantores Agostinho dos Santos, Maysa, Wilson Simonal, Alaíde Costa e Elizeth Cardoso, entre muitos outros. Também desenvolveu um método próprio de ensino de piano e teoria musical, que segue utilizando com seus alunos.  

Clayber continuou apostando no samba-jazz: tocou com outros conceituados grupos do gênero, como o Sambrasa Trio, o Sambossa 5 e o Jongo Trio. Já no final dos anos 1970, não deixou por menos quando decidiu aposentar seu contrabaixo: tornou-se um excelente gaitista, reconhecido até fora do país.    

Descendente de italianos, Hector “Costita” Bisignani nasceu em Buenos Aires, na Argentina. Tinha 23 anos, em 1958, quando veio ao Brasil pela primeira vez como saxofonista da orquestra de Roberto Inglez – um pianista escocês radicado no Chile. Ao final dessa temporada de shows pelo país, decidiu ficar morando no Brasil, em especial por causa de seu interesse musical pela nascente bossa nova.   

O saxofonista argentino se estabeleceu em São Paulo. Por dois anos tocou na boate Baiuca, ao lado de exímios pianistas daquela cena musical, como Moacir Peixoto, Dick Farney e Luiz Mello. Depois foi solista de algumas das orquestras mais populares da época, como as comandadas por Élcio Alvarez, Simonetti e Carlos Pipper.  

Reconhecimento internacional

Já em 1964, o crescente prestígio de Costita lhe rendeu o convite do pianista Sergio Mendes para integrar o Sexteto Bossa Rio, com o qual gravou o álbum “Você Ainda Não Ouviu Nada” – uma das obras-primas do samba-jazz. O reconhecimento internacional veio no ano seguinte, ao fazer uma temporada de shows na Europa. Acabou vivendo por dez anos naquele continente, onde se apresentou em diversos países. Sorte da música instrumental brasileira, que continuou contando com esse músico de alto quilate, quando ele decidiu retornar ao Brasil.   

Embora pertença a uma geração posterior à dos citados colegas do Brazilian Grupo, o percussionista João Parahyba, hoje aos 75 anos, também conserva uma antiga ligação com o samba jazz. Tanto que, em 2011, lançou pelo Selo Sesc o álbum “O Samba no Balanço do Jazz”, no qual reverencia essa vertente instrumental que marcou o início de sua carreira musical. Chegou a conviver com o baterista Milton Banana e os músicos do Tamba Trio e do Zimbo Trio.  

Hoje é compreensível que Parahyba seja mais conhecido pelos apreciadores do suingado samba-rock do Trio Mocotó, do qual foi um dos fundadores por volta do ano de 1968. Naquela época, ele, Nereu e Fritz acompanhavam o cantor e compositor Jorge Ben, em uma fase de grande sucesso, entre outros bambas do samba, na boate paulistana O Jogral. Passadas seis décadas, com exceção de alguns hiatos fora dos palcos, o Trio Mocotó segue na ativa com Parahyba e Nereu, da formação original, para a alegria de seu fã-clube.  

Giba Pinto – o baixista e músico mais jovem do Brazilian Grupo, atualmente com 59 anos – afirma que sente orgulho ao tocar com quatro de seus ídolos musicais. “Até hoje me surpreendo com cada uma das aventuras do passado contadas por eles, verdadeiras pérolas, que merecem ser registradas. Cada um deles representa um pedaço da história da música brasileira”, comenta.  

Paulistano, durante os primeiros anos de sua carreira, Giba desfrutou o privilégio de acompanhar Johnny Alf, o original pianista e precursor da bossa nova. Já cultiva há três décadas a relação musical com João Parahyba, que conheceu pessoalmente nos anos 1990. Tornou-se integrante da banda que acompanha o Trio Mocotó cerca de 25 anos atrás.

Das boates dos anos 1960 aos ouvidos de hoje

O que logo chama atenção nas oitos faixas do álbum do Brazilian Grupo é a variedade de gêneros musicais que compõem o repertório desse quinteto. Algo até natural tratando-se de instrumentistas de gerações que frequentaram a eclética escola dos bailes, assim como os bares e boates de São Paulo durante as décadas de 1950 e 1960. 

A faixa “El Detective” (composição de Hector Costita) abre o disco com uma atmosfera de trilha sonora de filme de suspense. Apresentado pela expressiva sonoridade de um naipe de saxofones, o tema traz uma levada com sabor de jazz latino. Na seção de improvisos, destaque para os solos de Clayber de Souza (gaita), Aluízio Pontes (piano) e do próprio Costita (sax tenor).  

O saxofonista também contribuiu com a faixa que encerra o disco: “Nano”, um simpático samba que ele dedicou décadas atrás a um de seus filhos. O bem-humorado título da composição remete à dificuldade que o garoto ainda enfrentava para pronunciar o próprio nome. “Quando ele tinha três anos, se alguém perguntava seu nome, ele tentava dizer Mariano, mas as pessoas só conseguiam ouvir ‘nano’”, relembra Costita, rindo da situação. 

A sonoridade do sax, com o timbre do vibrafone do convidado Jota Moraes dobrando algumas frases, empresta um charme especial ao “Samba de Improviso” – tema de autoria de Aluízio. Ele também assina o romântico “Meu Bolero”: a melodia foi entregue a Clayber, que a interpreta com emoção, preparando a cena para um breve e elegante solo do pianista.

A gaita de Clayber também brilha em duas composições de sua autoria. “Forrozinho Pro Campeão” é a recriação de um tema que ele escreveu nos anos 1980, intitulado “Forrozinho”. Decidiu rebatizá-lo e escreveu um novo arranjo para homenagear o grande Hermeto Pascoal, que perdemos neste ano. “Fomos tremendamente amigos. Considero o Campeão meu irmão musical”, diz Clayber, lembrando que foram parceiros no Sambrasa Trio. Convidado a participar da gravação, o guitarrista Nathan Marques contribuiu para que essa homenagem seja mais especial ainda.  

“Choro-Jazz”, outra composição de Clayber, traz uma melodia tão cantável, que até parece pedir versos para uma letra. Entre inspirados solos do gaitista e do saxofonista, o vibrafone de Jota Moraes, com seu timbre metálico, adiciona um tempero pouco comum em um choro.  

“Valente” (composição de João Parahyba e Paulo Muniz Kannec) é um sofisticado samba-canção, que abre espaço para emotivos improvisos de Costita (sax tenor), Clayber (gaita) e Aluízio (piano), além do violão de Natan Marques.

Finalmente, “Valseta”, a valsa-jazz de Janja Gomes que fez parte do repertório do álbum “O Samba no Balanço do Jazz” (gravado por João Parahyba em 2011), reaparece aqui em novo arranjo. “A primeira gravação é linda e perfeita, mas esta é mais emotiva. Foi interpretada com muita emoção pelo quinteto”, compara o percussionista.  

Declarando se sentir um “observador aprendiz”, o baixista Giba Pinto faz uma análise de como seus colegas do quinteto se relacionam entre si e com a arte que cultivam. “Todos eles ainda tocam muito bem, são criativos e tem uma energia fora do comum quando tocam. Nos divertimos muito a cada vez que tocamos juntos, mas também vejo admiração e respeito mútuo entre eles. É impressionante a seriedade, o respeito que eles têm pela música”, comenta.

Depois de passar um dia no estúdio Mosh, em Cotia (SP), onde acompanhei as gravações e me diverti com as conversas e causos que ouvi, assim como pude constatar “in loco” o profissionalismo e a profunda dedicação desses músicos e mestres que admiro há décadas, só posso dizer que concordo integralmente com essas palavras de Giba. 

Também assino embaixo do que observa João Parahyba: “É importante que a gente se lembre desses instrumentistas, que não são tão valorizados como deveriam aqui no Brasil. Precisamos passar essas memórias para as novas gerações. É assim que caminha a humanidade”.  

Texto escrito a convite do Selo Sesc 

Ilhabela in Jazz: festival gratuito leva música de alta qualidade ao litoral norte paulista

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                                       Hamilton de Holanda encerra o 4º lhabela in Jazz com seu Baile do Almeidinha  
 
Não bastassem as praias e cachoeiras de Ilhabela, que costumam atrair as atenções de muitos turistas, essa privilegiada cidade do litoral norte paulista vai oferecer outras belezas a seus frequentadores durante o próximo feriadão. De 12 a 15/10, a quarta edição do festival Ilhabela in Jazz reúne atrações musicais de alto quilate em um palco instalado à beira mar. Melhor ainda: com entrada franca.

Música instrumental brasileira e jazz dão o tom geral da programação selecionada pelo pianista e curador Paulo Braga, mas mesmo os fãs de outras vertentes musicais poderão encontrar alternativas entre os 12 shows anunciados – de dançantes ritmos afro-cubanos a releituras de clássicos da canção brasileira.

Duas atrações vindas de outros países já estiveram por aqui, em festivais do gênero. O carismático baixista e cantor camaronês Richard Bona (foto abaixo) vem acompanhado pelo Mandekan Cubano -– sexteto com o qual trava um diálogo entre suas raízes africanas e a diversidade rítmica caribenha, sem deixar de lado as influências jazzísticas.  


Mais frequentes têm sido as turnês de Stanley Jordan pelo país. Tanto que esse guitarrista norte-americano já se apresenta mais de uma década com os brasileiros Ivan “Mamão” Conti, baterista do veterano grupo Azymuth, e Dudu Lima, no baixo acústico e elétrico. Clássicos do jazz e da bossa nova, além de sucessos dos Beatles, se misturam no repertório desse trio.

Vários brasileiros do elenco do 4° Ilhabela in Jazz também frequentam o circuito dos festivais internacionais. É o caso do pianista e compositor César Camargo Mariano, grande expoente da música instrumental brasileira, que vive nos EUA desde os anos 1990. Vai se apresentar com um quarteto que inclui jovens craques da cena musical paulistana: Conrado Goys (violão), Sidiel Vieira (contrabaixo) e Thiago Rabelo (bateria).

Com uma carreira que tem se tornado mais internacional a cada ano, o bandolinista Hamilton de Holanda traz seu projeto Baile do Almeidinha, acompanhado por outros craques da cena instrumental carioca, como Eduardo Neves (sax e flauta), Marcelo Caldi (acordeom) e Guto Wirtti (baixo), entre outros. No repertório, naturalmente, pérolas do choro, do samba e da MPB, em arranjos dançantes. E ainda a participação especial do cantor Ed Motta.

Outros mestres do instrumental brasileiro se destacam no elenco. O pianista e arranjador Nelson Ayres comanda sua irresistível big band, rearticulada em 2015. Com o mesmo formato e repertório de essência jazzística que já cultivava durante a década de 1970, essa orquestra paulistana tem servido de exemplo para a formação de outras jovens big bands, nos últimos anos.   


O jazz também marcou a formação musical do trombonista e compositor carioca Raul de Souza, hoje com 82 anos. Depois de se destacar entre os instrumentistas da bossa nova e do samba-jazz durante os anos 1960, na década seguinte ele se mudou para os Estados Unidos, onde desenvolveu uma carreira de sucesso. Raul (na foto abaixo) vai se apresentar com seu quinteto, no festival de Ilhabela.

Outros talentosos instrumentistas de diferentes gerações e estilos estão na programação, como o jovem quarteto do baterista paulista Edu Ribeiro, que inclui Gian Correa (violão), Guilherme Ribeiro (acordeom) e Bruno Migotto (contrabaixo). Edu também faz parte do Vento em Madeira, quinteto paulistano cultuado por seus sofisticados arranjos, que reúne Léa Freire (flautas), Teco Cardoso (sax e flautas), Tiago Costa (piano) e Fernando De Marco (contrabaixo).

De formação tanto erudita como jazzística, o violinista Ricardo Herz cultiva com seu trio, que inclui Michi Ruzitschka (violão de 7 cordas) e Pedro Ito (bateria), um repertório calcado em ritmos brasileiros. Finalmente, o trio do pianista e compositor Robson Nogueira vai representar sua cidade natal, Ilhabela, no festival.

E para os que sabem apreciar cantoras que tratam suas vozes como instrumentos, há ainda duas atrações imperdíveis. Mônica Salmaso interpreta um repertório eclético, que vai do popular Noel Rosa ao clássico Johannes Brahms, acompanhada pelos clarinetes do quinteto Sujeito a Guincho –- e ainda participa do show do quinteto Vento em Madeira. Revelação recente, a talentosa cantora Vanessa Moreno relê conhecidas canções do tropicalista Gilberto Gil, acompanhada pelo baixo de Fi Maróstica.

Com atrações musicais desse nível, não faltam motivos para se pegar a estrada e passar alguns dias em Ilhabela, no próximo feriadão. Até mesmo para quem não é muito fã de praia ou de cachoeiras.

Confira a programação e outras informações no site do festivaI lhabela in Jazz

Marco Bosco: percussionista revê três décadas de música com essência brasileira

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De volta ao país após longa temporada no Japão, o percussionista e compositor Marco Bosco rebobina três décadas de carreira. Para a compilação “33 Works - 1980-2013” (selo Cendi Music), ele selecionou gravações do grupo instrumental Acarú, que o lançou, além de faixas de sete álbuns individuais gravados no Brasil e no Japão. Inclui ainda a inédita composição “33”, em parceria com o tecladista Paulo Calasans.

Como um documentário sonoro, esse CD duplo revela que preconceitos não têm vez na concepção do criativo percussionista. Da contagiante “Aqualouco” (em arranjo de Rogério Duprat) ao lirismo de “Akatombo” (com César Camargo Mariano, nos teclados), passando pelos baiões eletrificados do álbum “Techno Roots” (2001), com participações de Egberto Gismonti, Dominguinhos e Genival Lacerda, o paulista da interiorana Torrinha sintetiza uma obra diversificada e contemporânea, que não abre mão de sua essência brasileira. 
 
O elenco de participações especiais inclui ainda Flora Purim, Airto Moreira, Sebastião Tapajós, Marlui Miranda, Wilson Simoninha, Ruriá Duprat, Walmir Gil, Eiki Nonaka, Casey Rankin, Vicente Barreto, Tsuyoshi Yamamoto, Luhli & Lucina e Belchior, entre outros. O design do album é assinado por Marco Mancini, artista gráfico paulista radicado em Tóquio.

(Resenha publicada parcialmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 28/6/2014)

 

Mostra Tom Jobim EMESP: Gonzalo Rubalcaba toca em evento com feras do jazz mundial

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                                                              O pianista cubano Gonzalo Rubalcaba / Divulgação
 
O formato, com concertos em diversos teatros e auditórios da capital paulista, lembra o dos festivais de jazz de Nova York e Montreal. E o elenco musical, que destaca jazzistas do primeiro time, como o pianista Gonzalo Rubalcaba e a band leader e arranjadora Maria Schneider, é de fazer inveja a muitos eventos do gênero.

Depois dos shows do pianista César Camargo Mariano e da cantora cubana Yusa durante a noite de abertura, a terceira edição da Mostra Tom Jobim Emesp (Escola de Música do Estado de São Paulo) prossegue com a apresentação do cubano Gonzalo Rubalcaba, hoje, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Com improvisos inventivos e seu toque sutil (veja alguns videos abaixo), esse pianista radicado nos EUA já lançou mais de vinte discos individuais. Em suas composições, influências do jazz moderno e da música clássica convivem com a diversidade rítmica da melhor tradição afro-cubana.

A mostra se estende até dezembro, com destaque para as apresentações da orquestra regida pela norte-americana Maria Schneider, formada por alguns dos melhores instrumentistas de São Paulo, como o saxofonista Vinícius Dorin e o acordeonista Toninho Ferragutti, no Sesc Pinheiros (em 7 e 8/12). Compositora criativa, desta vez ela promete exibir material inédito.

Outra atração de peso, na Mostra da Emesp, é o duo da vocalista Maria João com o pianista Mário Laginha, ambos portugueses, que fecham o evento no Museu da Casa Brasileira (em 12/12). Essa parceria mujsical, iniciada em 1994, já rendeu diversas gravações. A cumplicidade e a abertura para correr riscos são marcas dessa inventiva dupla. 


                                                                Paulo Braga, pianista e curador da Mostra da EMESP

Intercâmbio musical e pedagógico - Falando por telefone à Folha, de Nova York, Paulo Braga, pianista e curador da mostra, chama atenção para uma parceria estabelecida pela Emesp com a conceituada Juilliard School. Além de dar aulas para os alunos do departamento de jazz dessa escola, ele e seu quarteto vão gravar um CD e tocar no festival Vozes da América Latina, do Carnegie Hall, no próximo dia 20/11.

“É o início de uma série de parcerias. Já falamos com o Conservatório de Amsterdã, que também se interessou. Nosso sonho é ver alunos estrangeiros estudando em São Paulo, assim como nossos alunos poderem se aprimorar fora do país. A música brasileira é uma forte moeda de troca”, diz Braga, que vai tocar em Nova York acompanhado por Edu Ribeiro (bateria), Eduardo Neves (sax e flauta) e Mario Andreotti (baixo).

Os quatro músicos e professores da Emesp vão passar uma semana ensaiando com os alunos da Juilliard, para a gravação do CD. “Chamaram a gente especialmente para tocar música brasileira”, conta o pianista. No repertório escolhido pelo quarteto para a gravação e o concerto na programação do Carnegie Hall devem entrar composições de Moacir Santos, Villa-Lobos, Nelson Cavaquinho e Mané Silveira, além de composições próprias.

“Se já temos uma escola de música forte, que trata bem a música brasileira e conta com muitas feras entre os professores, o aluno que vier da Dinamarca, do Japão ou de outros lugares, para estudar um tempo em São Paulo, certamente vai voltar com uma pronúncia diferente do que ele conseguiria fazendo um curso de música em Boston, por exemplo”, comenta o pianista e curador da mostra.


Mais informações no site da Mostra Tom Jobim EMESP


(texto publicado na "Folha de S. Paulo", parcialmente, em 16/11/2012)


Debora Gurgel: pianista paulista revela maturidade e elegância em CD solo

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                                                                               Photo by Dani Gurgel/Divulgação
Atuante na cena da música instrumental de São Paulo, a pianista e arranjadora Debora Gurgel lança seu primeiro álbum solo (distribuido pela Tratore), com dez composições próprias. O trio com o baixista Sidiel Vieira e o baterista Thiago “Big” Rabello é reforçado, em algumas faixas, por outros músicos talentosos, como o trompetista Daniel D’Alcântara e o saxofonista Vitor Alcântara.

O jazzístico choro “Pros Mestres”, dedicado pela pianista a Amilton Godoy (Zimbo Trio), César Camargo Mariano, Chick Corea e Pixinguinha, já revela suas influências. O lirismo de “Reencontro”, colorida por um naipe de sopros, o contagiante sotaque latino de “Das Américas” e o inusitado maracatu “Clara da Luna”, com citações de “Clair de Lune” (Debussy), chamam atenção de cara.


Debora ainda inclui no repertório a canção “Despedida” e o samba “Encrenca”, parcerias com Dani Gurgel, sua filha, que também contribui com os vocais. Um álbum elegante e maduro, que só poderia ter nascido com a experiência e a evidente paixão pela música. 

(resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 30/6/2012)

Stevie Wonder: versões brasileiras da compilação "Letra & Música" nem sempre convencem

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Versões de canções de um mesmo autor nas vozes de diversos intérpretes: esse é o conceito da série Letra & Música (lançamento Coqueiro Verde), que agora dedica um volume a Stevie Wonder. De cara, as 19 faixas sugerem o quanto esse original artista, um dos grandes astros da música negra norte-americana, tem sido cultuado no Brasil desde os anos 70, mas o resultado desta compilação soa como uma colcha de retalhos que nem sempre se sustenta.

Começa com a simpática versão (meio bossa nova) de Celso Viáfora para “My Cherie Amour”, na voz de Ivan Lins. Há outros acertos, como “Pé na Tábua” (“Ordinary Pain”), gravada por Marina Lima, ou “Send One Your Love”, na releitura do pianista César Camargo Mariano. Já as versões roqueiras de Márcio Biaso (“Superstition") e Pietros (“Isn’t She Lovely”) disputam a liderança na categoria dispensáveis.

(Resenha publicada no “Guia da Folha – Livros, Discos e Filmes”, em 30/10/2009) 


  

 

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