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Festival BB Seguros e FAM Festival: blues, jazz e música instrumental de graça em São Paulo

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                                  Banda de metais e a plateia do Festival BB Seguros de Blues e Jazz em 2018

Se você vive na cidade de São Paulo e gosta de blues, de jazz ou de música instrumental não pode reclamar de falta de programas neste último final de semana de julho. Shows gratuitos com músicos conceituados estão na programação de dois festivais que serão realizados em parques paulistanos.

Em sua 5.ª edição, o Festival BB Seguros de Blues e Jazz retorna ao Parque Villa-Lobos, no sábado (27/7), com um cardápio musical de boa qualidade. A principal atração é o guitarrista e cantor americano Robert Cray, um dos grandes responsáveis pela revitalização do blues a partir dos anos 1980.

A música instrumental brasileira está muito bem representada pelo trio do violinista Ricardo Herz e pelo baixista Thiago Espírito Santo, que terá como convidado especial o gaitista Mauricio Einhorn. Os fãs do rock não foram esquecidos: além do encontro dos veteranos guitarristas Sérgio Dias e Luiz Carlini, o programa inclui um tributo ao guitarrista e bluesman Eric Clapton.

Mais diversificada é a programação do 4.º FAM Festival, que será realizado no Parque Burle Marx, no sábado e no domingo (27 e 28/7). Entre várias performances e intervenções artísticas, a programação musical de domingo chama mais atenção. Tem música instrumental com o Septeto Emesp e, na sequência, com o acordeonista Toninho Ferragutti. Mais ligado ao jazz, o saxofonista Marcelo Coelho e seu grupo McLav-In recebem como convidada a talentosa cantora Vanessa Moreno.

Também se destacam no programa uma homenagem ao lendário grupo cubano Buena Vista Social Club, com o pianista Pepe Cisneros e a cantora Teresa Morales. No show de encerramento, a cantora Alma Thomas interpreta clássicos da soul music de Aretha Franklin, com participação especial do cantor Ed Motta.  


Mais blues

Muito recomendável também para os fãs do blues é o show do pianista, compositor e cantor Adriano Grineberg, neste sábado (27/7), no teatro do Sesc Belenzinho. Um dos expoentes desse gênero musical em nosso país, ele lança o álbum “108”, que leva adiante o conceito do anterior “Blues for Africa” (2013). Algumas das novas composições de Grineberg resultam de viagens à Índia, ao Paquistão e ao Oriente Médio.

Outras informações nos sites do Festival BB Seguros de Blues e Jazz e do FAM Festival

 

Marcelo Coelho: saxofonista e compositor se divide entre os palcos e o empreendedorismo

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                                                                     O saxofonista e educador musical Marcelo Coelho 

Foi-se o tempo em que um músico profissional podia se dar ao luxo de se preocupar apenas com seu aprimoramento técnico – eventualmente, lecionar ou até seguir uma carreira acadêmica. Hoje, as dificuldades do mercado musical impõem ao artista a necessidade de aderir ao empreendedorismo para viabilizar sua carreira nos palcos.

O saxofonista e compositor Marcelo Coelho encarou esse dilema, em meados desta década. Ao completar seu pós-doutorado em Composição na USP, que sucedeu seu doutorado na Unicamp e o mestrado em Jazz Performance na Universidade de Miami, o mineiro de Itabira (MG) radicado em São Paulo foi convidado a lecionar em várias universidades brasileiras. Decidido a se dedicar mais à sua carreira de instrumentista e compositor, mesmo sem saber ainda se seria possível sustentá-la, declinou os convites.

Coelho vislumbrou um caminho ao assistir a um debate sobre financiamento privado para música. Ali conheceu o engenheiro e músico Thiago Lobão, sócio de um fundo de investimento em agronegócio, que tinha interesse em atuar no mercado musical. Os dois decidiram continuar a conversa e, depois de alguns encontros, esboçaram uma metodologia de organização e planejamento de carreiras musicais. O passo seguinte foi promover workshops gratuitos de capacitação empreendedora para colegas do saxofonista.

Em dezembro de 2016, já como sócios diretores da Acelerarte, uma aceleradora com o intuito de capacitar e conectar músicos a potenciais investidores e parceiros estratégicos, Coelho e Lobão participaram de um painel da SIM (Semana Internacional de Música) – o mesmo evento onde haviam se conhecido, um ano antes, em São Paulo.

“O impacto foi grande”, diz Coelho. “O pessoal da música não estava acostumado a ouvir alguém do mercado financeiro usar uma linguagem tão próxima à linguagem dos músicos. Muita gente nos procurou depois daquele evento – não só artistas, mas também produtores de gravadoras, que queriam que a gente participasse de seus projetos de alguma maneira”.

Já em 2017, para poder suprir a demanda de artistas interessados e para que os diretores da empresa pudessem continuar a trabalhar em suas atividades principais, a Acelerarte passou a contar com mais um sócio: Silvio Junqueira, recém-saído do mercado financeiro. Naturalmente, Coelho se tornou o primeiro “case” da aceleradora. “Agora já estou conseguindo viabilizar minha carreira musical, por meio de captação de recursos, com organização e planejamento de equipe”, comemora o músico.

Segundo Coelho, cerca de 500 artistas e produtores (incluindo nomes conhecidos na cena musical paulista, como a cantora Vanessa Moreno, o violonista Gian Corrêa e o pianista Leandro Cabral) participaram das sessões de capacitação empreendedora que a Acelerarte tem realizado em diversos locais do país. Com o tempo, a empresa passou também a organizar eventos dirigidos a investidores.

“Ainda estamos tateando nesse trabalho de busca de investidores, porque essa atividade é muito nova”, admite Coelho. “Há investidores que só se interessam em atuar como mecenas, eventualmente, mas o nosso objetivo é contar com investidores fidelizados. Alguns deles praticamente não se interessam pelo retorno financeiro: são investidores mais atraídos pelo impacto cultural do trabalho de um artista”.

Quem ouve Coelho falar como empreendedor sobre os objetivos de sua empresa, sem conhece-lo ainda como artista e educador, dificilmente consegue imaginar o arrojo de sua obra musical. A gênese das pesquisas que ele desenvolve há cerca de duas décadas está no livro “Suíte I Juca Pirama” (lançado em 2013 pela editora Fames), baseado na tese de doutorado que defendeu na Unicamp, em 2008.

Nesse projeto, ele propõe um sistema de composição musical a partir de pesquisas desenvolvidas por dois músicos educadores que o influenciaram diretamente: os estudos polirrítmicos de José Eduardo Gramani e a harmonia modal aplicada ao jazz por Ron Miller. Para pôr em prática esses conteúdos, Coelho utilizou o poema “I-Juca Pirama”, do poeta romântico e teatrólogo Gonçalves Dias (1823-1864).

“Inicialmente, o que despertou minha atenção nesse poema foi sua imagética. Ao contar a história de um índio, ele funcionava como um filme para mim. Só mais tarde fui entender que o mais interessante estava na rítmica dos versos”, conta o pesquisador. Ao desenvolver uma técnica para extrair ritmos da construção dos versos do poema, que resultaram em uma partitura, Coelho criou um sistema de composição que pode ser aplicado a qualquer gênero musical.

Um conceituado jazzista que logo percebeu a originalidade desse projeto foi o saxofonista e compositor Dave Liebman. Coelho o conheceu quando ainda concluía seu mestrado, em Miami, ao frequentar um curso de férias ministrado pelo americano. “Liebman me disse que o que eu estava fazendo ainda era muito disruptivo. Minhas músicas eram intensas demais, mas na opinião dele isso era típico de um compositor em formação. Eu ainda não tinha encontrado a dosagem certa, mas o conteúdo estava pronto”, relembra o brasileiro.

A relação entre Coelho e Liebman evoluiu e os dois já chegaram a dividir o palco algumas vezes, como no Festival Amazonas Jazz de 2012, em Manaus, quando tiveram a companhia do violonista e compositor carioca Guinga. “Não me contento em ficar dentro do idioma jazzístico. Sei fazer e faço quando necessário, mas esse não é o meu perfil musical”, reflete Coelho. “Estou bem próximo da linha de improvisação do Liebman, que me impactou, não no conteúdo, mas no conceito”.

Se até agora as composições e os oito álbuns assinados por Coelho ainda circulam entre plateias e ouvintes de jazz e música instrumental, o saxofonista empreendedor está prestes a lançar um projeto que pode ampliar bastante o seu público. No final de 2018, ao aplicar seu sistema de composição a um poema do rapper paulista Crônica Mendes, Coelho logo percebeu o potencial dessa parceria. Os dois já estão preparando a gravação de um disco, com produção do DJ Raffa, curiosamente, filho do compositor de música contemporânea e regente Cláudio Santoro (1919-1989).

“Esse projeto pode chamar até a atenção de investidores de impacto, porque ele tem legitimidade social e artística”, anima-se o saxofonista, que promete convidar o parceiro rapper para participar de seu próximo show com o grupo McLav.In, no dia 7/5, no clube paulistano Bourbon Street. “Nosso público é misturado, mas tende a ser gente que gosta de inovação tecnológica e de música intensa, pessoas que querem viver uma experiência estética. Como fazemos um som transgressor, de certa maneira, a turma mais jovem é a que embarca primeiro”.

Marcelo Coelho & McLav.In

Dia 7/5, às 21h30, no Bourbon Street Music Club (rua dos Chanés, 127, tel. 5095-6100, Moema, São Paulo). Couvert artístico: R$35. Com 
Saulo Martins (piano), Glécio Nascimento (baixo) e Abner Paul (bateria)

(Texto publicado em 3/5/2019, no caderno de cultura do jornal "Valor Econômico") 

Ilhabela in Jazz: festival se consagra com aposta na música instrumental brasileira

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                                            O pianista Cesar Camargo Mariano, no festival Ilhabela in Jazz

Num ano marcado por tantas dificuldades econômicas, em que alguns dos principais festivais brasileiros de jazz, blues ou música instrumental sofreram cortes, adiamentos ou até foram cancelados, o Ilhabela in Jazz realizou uma edição que chega a ser surpreendente. O saldo artístico de suas quatro noites de shows (12 a 15/10) não poderia ser mais positivo.

Gratuito, o evento conta com uma estrutura rara comparada às de outros festivais do gênero no país. Assim como o palco instalado à beira-mar, no centro histórico da cidade de Ilhabela (SP), a área destinada à plateia é totalmente coberta, incluindo mesas, cadeiras e serviço de bar. Graças a essa estrutura os shows não foram prejudicados pelas chuvas eventuais –- bem fortes, aliás, na segunda noite do evento.

Ironicamente, enquanto outros festivais brasileiros perderam os patrocínios de grandes empresas neste ano, a quarta edição do festival de Ilhabela foi bancada somente pela prefeitura local. Essa cidade litorânea paulista goza de uma situação financeira bem diferente da enfrentada pelas cidades da bacia de Campos (RJ). Graças aos royalties recebidos pela exploração de gás natural, além do pré-sal, a arrecadação do município tem crescido de maneira expressiva nos últimos anos.  


É claro que um orçamento graúdo não garante por si só a qualidade artística e o sucesso de um festival. Para isso foi fundamental também a visão musical do curador, o pianista e professor Paulo Braga, que soube encontrar o necessário equilíbrio entre os gêneros que podem ser incluídos, sem grandes choques estéticos, no amplo rótulo do jazz.

Some-se a isso a decisão de não fazer concessões para atrair mais público, com a inclusão no elenco de artistas que nada teriam a ver com a essência de um festival de jazz. O recente episódio da desastrosa participação da cantora Paula Fernandes, no concerto do tenor italiano Andrea Bocelli, em São Paulo, é um exemplo perfeito de como o oportunismo comercial pode prejudicar um evento artístico.

A curadoria de um festival de jazz também precisa contar com uma boa dose de ousadia para assumir, por exemplo, o risco de incluir uma atração mais sofisticada, ou mesmo inusitada, que desafie a sensibilidade da plateia. Foi o que Braga fez ao programar a apresentação da cantora Mônica Salmaso com o quinteto Sujeito a Guincho (na foto acima). Um concerto de voz e cinco clarinetes, com arranjos camerísticos de clássicos da música popular brasileira (de Noel Rosa, Hermeto Pascoal, Wilson Batista e Ataulfo Alves, entre outros) ou até do “Hino Nacional Brasileiro”, seria um programa mais adequado para um teatro, mas a atenção da plateia e seus aplausos entusiasmados mostraram que vale a pena correr riscos, especialmente  quando se trata de música de alta qualidade, interpretada com emoção.

A apresentação da talentosa dupla Vanessa Moreno e Fi Maróstica, ainda pouco conhecida fora do circuito alternativo, também agradou à plateia de Ilhabela. Manter a atenção de tantos ouvintes por mais de uma hora, com muitos improvisos de voz e contrabaixo, foi uma proeza. Claro que o repertório do show –- extraído do recém lançado álbum da dupla, com releituras de canções de Gilberto Gil –- ajudou bastante.

Ainda na categoria revelação, a apresentação do trio do pianista Robson Nogueira, que abriu o evento, não poderia ser mais feliz. Suas composições calcadas em ritmos brasileiros, além da versão em samba do clássico “Tune Up” (de Miles Davis), provaram que esse músico “prata da casa” merecia estar no elenco do festival mesmo que não tivesse vivido nessa cidade.

Discorrer agora sobre os artistas mais conhecidos e experientes do elenco seria, de certo modo, chover no molhado. Qualquer ouvinte que acompanha a cena musical de hoje sabe que o pianista César Camargo Mariano, o guitarrista Stanley Jordan, o trombonista Raul de Souza ou a Nelson Ayres Big Band, todos muito aplaudidos em suas apresentações, podem brilhar em qualquer festival de jazz no mundo.
 

Desse grupo também fazem parte, naturalmente, o bandolinista Hamilton de Holanda e o baixista camaronês Richard Bona (na foto ao lado), que protagonizaram um episódio inesperado. O baile de gafieira de Hamilton, programado para encerrar o festival, não chegou a contagiar muitos dançarinos: grande parte da plateia preferiu acompanhar sentada os saborosos improvisos do bandolinista e dos craques de sua banda. Curiosamente, na noite anterior, o carismático Bona e sua banda Mandekan Cubano logo incendiaram a plateia com seus ritmos afro-cubanos, transformando o show em uma festa dançante.

Importante destacar ainda, no elenco musical do Ilhabela in Jazz, a alta qualidade das apresentações de outros três grupos instrumentais de São Paulo – todos eles bastante aplaudidos. A beleza das composições e dos arranjos do quinteto Vento em Madeira (com participação especial de Mônica Salmaso, nos vocais), os improvisos contagiantes do “power trio” comandado pelo violinista Ricardo Herz e o criativo mergulho do quinteto do baterista Edu Ribeiro na diversidade rítmica brasileira (com ênfase em ritmos do sul do país) também figuraram entre os momentos mais saborosos do festival.

Bem organizado, com evidente aprovação da plateia durante as quatro noites de shows, o festival paulista se consolida como um dos melhores do pais. E deixa uma lição: contando com apenas duas atrações estrangeiras entre as 12 de seu elenco musical, o Ilhabela in Jazz demonstrou ser possível fazer um evento de sucesso apostando, antes de tudo, na riqueza da música instrumental brasileira, que vive nesta década uma grande fase.

A cobertura do 4º Ilhabela in Jazz foi realizada a convite da produção do festival.


Ilhabela in Jazz: festival gratuito leva música de alta qualidade ao litoral norte paulista

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                                       Hamilton de Holanda encerra o 4º lhabela in Jazz com seu Baile do Almeidinha  
 
Não bastassem as praias e cachoeiras de Ilhabela, que costumam atrair as atenções de muitos turistas, essa privilegiada cidade do litoral norte paulista vai oferecer outras belezas a seus frequentadores durante o próximo feriadão. De 12 a 15/10, a quarta edição do festival Ilhabela in Jazz reúne atrações musicais de alto quilate em um palco instalado à beira mar. Melhor ainda: com entrada franca.

Música instrumental brasileira e jazz dão o tom geral da programação selecionada pelo pianista e curador Paulo Braga, mas mesmo os fãs de outras vertentes musicais poderão encontrar alternativas entre os 12 shows anunciados – de dançantes ritmos afro-cubanos a releituras de clássicos da canção brasileira.

Duas atrações vindas de outros países já estiveram por aqui, em festivais do gênero. O carismático baixista e cantor camaronês Richard Bona (foto abaixo) vem acompanhado pelo Mandekan Cubano -– sexteto com o qual trava um diálogo entre suas raízes africanas e a diversidade rítmica caribenha, sem deixar de lado as influências jazzísticas.  


Mais frequentes têm sido as turnês de Stanley Jordan pelo país. Tanto que esse guitarrista norte-americano já se apresenta mais de uma década com os brasileiros Ivan “Mamão” Conti, baterista do veterano grupo Azymuth, e Dudu Lima, no baixo acústico e elétrico. Clássicos do jazz e da bossa nova, além de sucessos dos Beatles, se misturam no repertório desse trio.

Vários brasileiros do elenco do 4° Ilhabela in Jazz também frequentam o circuito dos festivais internacionais. É o caso do pianista e compositor César Camargo Mariano, grande expoente da música instrumental brasileira, que vive nos EUA desde os anos 1990. Vai se apresentar com um quarteto que inclui jovens craques da cena musical paulistana: Conrado Goys (violão), Sidiel Vieira (contrabaixo) e Thiago Rabelo (bateria).

Com uma carreira que tem se tornado mais internacional a cada ano, o bandolinista Hamilton de Holanda traz seu projeto Baile do Almeidinha, acompanhado por outros craques da cena instrumental carioca, como Eduardo Neves (sax e flauta), Marcelo Caldi (acordeom) e Guto Wirtti (baixo), entre outros. No repertório, naturalmente, pérolas do choro, do samba e da MPB, em arranjos dançantes. E ainda a participação especial do cantor Ed Motta.

Outros mestres do instrumental brasileiro se destacam no elenco. O pianista e arranjador Nelson Ayres comanda sua irresistível big band, rearticulada em 2015. Com o mesmo formato e repertório de essência jazzística que já cultivava durante a década de 1970, essa orquestra paulistana tem servido de exemplo para a formação de outras jovens big bands, nos últimos anos.   


O jazz também marcou a formação musical do trombonista e compositor carioca Raul de Souza, hoje com 82 anos. Depois de se destacar entre os instrumentistas da bossa nova e do samba-jazz durante os anos 1960, na década seguinte ele se mudou para os Estados Unidos, onde desenvolveu uma carreira de sucesso. Raul (na foto abaixo) vai se apresentar com seu quinteto, no festival de Ilhabela.

Outros talentosos instrumentistas de diferentes gerações e estilos estão na programação, como o jovem quarteto do baterista paulista Edu Ribeiro, que inclui Gian Correa (violão), Guilherme Ribeiro (acordeom) e Bruno Migotto (contrabaixo). Edu também faz parte do Vento em Madeira, quinteto paulistano cultuado por seus sofisticados arranjos, que reúne Léa Freire (flautas), Teco Cardoso (sax e flautas), Tiago Costa (piano) e Fernando De Marco (contrabaixo).

De formação tanto erudita como jazzística, o violinista Ricardo Herz cultiva com seu trio, que inclui Michi Ruzitschka (violão de 7 cordas) e Pedro Ito (bateria), um repertório calcado em ritmos brasileiros. Finalmente, o trio do pianista e compositor Robson Nogueira vai representar sua cidade natal, Ilhabela, no festival.

E para os que sabem apreciar cantoras que tratam suas vozes como instrumentos, há ainda duas atrações imperdíveis. Mônica Salmaso interpreta um repertório eclético, que vai do popular Noel Rosa ao clássico Johannes Brahms, acompanhada pelos clarinetes do quinteto Sujeito a Guincho –- e ainda participa do show do quinteto Vento em Madeira. Revelação recente, a talentosa cantora Vanessa Moreno relê conhecidas canções do tropicalista Gilberto Gil, acompanhada pelo baixo de Fi Maróstica.

Com atrações musicais desse nível, não faltam motivos para se pegar a estrada e passar alguns dias em Ilhabela, no próximo feriadão. Até mesmo para quem não é muito fã de praia ou de cachoeiras.

Confira a programação e outras informações no site do festivaI lhabela in Jazz

 

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