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Marlui Miranda: álbum de recriações ressalta a beleza de cantos indígenas

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                                                                                            Foto: Gal Oppido/Divulgação

Cantora, violonista e compositora, que há mais de três décadas vem se dedicando à pesquisa e divulgação da música indígena, Marlui Miranda selecionou 15 cantos da tradição Juruna -- oito são cantigas de ninar -- para o repertório do álbum “Fala de Bicho, Fala de Gente” (lançamento do selo SESC). Não se trata de um mero registro sonoro, mas de um projeto de recriação desses cantos, adaptados com a aprovação de membros da tribo. 

Acompanhada por Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Caíto Marcondes (percussão) e o inglês John Surman (sax soprano, clarone e flautas), Marlui também usa sua voz expressiva para improvisar junto com o quarteto, na melhor tradição da música instrumental brasileira e do jazz. Um diálogo entre tradição e modernidade, que ressalta a beleza desses cantos indígenas e os aproxima dos ouvidos contemporâneos. 

(Resenha publicada no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", edição de 27/9/2014)

 

Marco Bosco: percussionista revê três décadas de música com essência brasileira

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De volta ao país após longa temporada no Japão, o percussionista e compositor Marco Bosco rebobina três décadas de carreira. Para a compilação “33 Works - 1980-2013” (selo Cendi Music), ele selecionou gravações do grupo instrumental Acarú, que o lançou, além de faixas de sete álbuns individuais gravados no Brasil e no Japão. Inclui ainda a inédita composição “33”, em parceria com o tecladista Paulo Calasans.

Como um documentário sonoro, esse CD duplo revela que preconceitos não têm vez na concepção do criativo percussionista. Da contagiante “Aqualouco” (em arranjo de Rogério Duprat) ao lirismo de “Akatombo” (com César Camargo Mariano, nos teclados), passando pelos baiões eletrificados do álbum “Techno Roots” (2001), com participações de Egberto Gismonti, Dominguinhos e Genival Lacerda, o paulista da interiorana Torrinha sintetiza uma obra diversificada e contemporânea, que não abre mão de sua essência brasileira. 
 
O elenco de participações especiais inclui ainda Flora Purim, Airto Moreira, Sebastião Tapajós, Marlui Miranda, Wilson Simoninha, Ruriá Duprat, Walmir Gil, Eiki Nonaka, Casey Rankin, Vicente Barreto, Tsuyoshi Yamamoto, Luhli & Lucina e Belchior, entre outros. O design do album é assinado por Marco Mancini, artista gráfico paulista radicado em Tóquio.

(Resenha publicada parcialmente no "Guia Folha - Livros, Discos, Filmes", em 28/6/2014)

 

Pau Brasil: grupo instrumental paulista lança seu 'Caixote' com 8 CDs, DVD e livreto biográfico

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                                                                                                                          Photo by Dani Gurgel

Com shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, neste final de semana (dias 30 e 31/3), o grupo Pau Brasil, referência da melhor música instrumental feita em nosso país, comemora três décadas de carreira com o lançamento de seu "Caixote". Esse box, patrocinado pela Petrobrás, reúne seus primeiros oito álbuns, do primogênito "Pau Brasil" (de 1983, ainda inédito em CD) até "2005" (CD que marcou o retorno do grupo, em 2005, após um hiato). 

O "Caixote" inclui ainda um DVD com registro do show "Babel" (1996), e um livreto sobre a trajetória do grupo, incluindo saborosos relatos dos músicos de suas várias formações, que tive o prazer de escrever. Reproduzo abaixo a breve introdução desse livro, aliás, ricamente ilustrado, que também pode ser lido no site do Pau Brasil:
http://www.grupopaubrasil.com/historia.php

Pau Brasil: três décadas de música instrumental brasileira

No futuro, quando algum pesquisador tomar para si a essencial tarefa de narrar e analisar a história da música instrumental brasileira, certamente dedicará um capítulo dessa obra ao grupo Pau Brasil. Nada mais justo: a exemplo de outros expoentes desse gênero musical que o precederam, como o Tamba Trio e o Zimbo Trio, ou de grupos liderados por grandes compositores e improvisadores ainda na ativa, felizmente, como Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, o Pau Brasil tornou-se uma referência para várias gerações de apreciadores e músicos.
Nas gravações reunidas nesta caixa, realizadas ao longo das últimas três décadas, é fácil perceber como a obra do Pau Brasil reflete, com personalidade, as inquietações estéticas e as transformações sonoras da moderna música instrumental produzida no país – gênero que alguns preferem chamar de jazz brasileiro. Em suas diversas formações, o Pau Brasil sintetizou a busca de uma música essencialmente brasileira e moderna, que utiliza a improvisação sem recorrer aos clichês ou aos standards do jazz norte-americano. Para isso, seus integrantes buscaram novas formas musicais, criando um repertório próprio e original.
O reconhecimento da importância desse grupo musical de São Paulo, tanto pela crítica especializada, como pelo público, foi imediato. Seu álbum de estreia, Pau Brasil (1983), recebeu elogios dos principais órgãos da imprensa nacional, assim como suas gravações posteriores. Sucesso que logo se estendeu à Europa, onde o grupo realizou extensas turnês anuais pelos principais clubes de jazz e festivais de música, além de apresentações nos Estados Unidos e no Japão, exportando o que há de melhor na música instrumental brasileira. E hoje, com uma bagagem musical ainda mais ampla e diversificada, o Pau Brasil segue ativo e criativo, com o mesmo bom humor que sempre o identificou.

 

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