O instrumentista e regente Nivaldo Ornelas (à frente), no Savassi Festival, em 2015
Em tempo de pandemia e distanciamento social, um dos maiores festivais brasileiros dedicados à música instrumental e ao jazz opta neste ano por uma edição online e mais compacta. O Savassi Festival (de Belo Horizonte) vai oferecer durante cinco dias de programação – de 10 a 14 de novembro – shows, lançamentos de obras musicais inéditas, mesas-redondas, entrevistas e podcasts.
Entre os músicos escalados para shows estarão: o pianista Rafael Martini com a clarinetista Joana Queiroz (dia 13/11, às 20h); o Jamba Trio (Eneias Xavier, Neném e Irio Junior, 13/11, às 20h30), o Duo Mitre (14/11, às 20h); e o pianista DeAngelo Silva (14/11, às 20h30).
Uma novidade da 18.ª edição do Savassi Festival será o Congresso Pensar Música – projeto de perfil acadêmico, que foi organizado pelo professor e flautista Mauro Rodrigues (da Escola de Música da UFMG) e pelo educador e pianista Cliff Korman.
Revezando-se nas mesas-redondas e apresentações musicais, estarão Jovino Santos Neto, Manuel Falleiros, Rafael Pansica, Diogo Monzo, Rafael Martini e Rafael Gonçalves. Esse evento inclui também entrevistas com o saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas, com a flautista e compositora Léa Freire e Bruno Golgher, idealizador e diretor do Savassi Festival.
Gratuitos, todos os eventos serão transmitidos pelo canal do Savassi Festival no YouTube: https://www.youtube.com/savassifestivaljazz
A programação completa pode ser acompanhada pelo site do festival, neste link: www.savassifestival.com.br
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Savassi Festival: evento mineiro de música instrumental assume formato online
Marcadores: Bruno Golgher, Cliff Korman, deangelo silva, Duo Mitre, instrumental, Irio Junior, Jamba Trio, joana queiroz, mauro rodrigues, Nivaldo Ornelas, rafael martini, savassi festival | author: Carlos CaladoFestivais em 2020: roteiro de eventos de jazz, blues, bossa e música instrumental no Brasil
Marcadores: Bento Jazz & Wine, Bonito Blues, Buena Vista Jazz, Canoa Blues, Fest Bossa & Jazz, Festivais em 2020, festival amazonas jazz, Festival EMESP, Nublu Festival, Poços É Jazz, Rio das Ostras Jazz, savassi festival | author: Carlos Calado
Aqui você encontra um roteiro com as atrações musicais dos principais festivais brasileiros já anunciados para 2020. É atualizado regularmente para que fãs do jazz, do blues, da música instrumental brasileira, da bossa nova, do choro, do soul, do r&b e da black music possam se programar com antecedência.
10.º Festival Amazonas Jazz
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Manaus (AM)
Atrações: Randy Brecker & Amazonas Band; Edsel Gomez Triunvirate; Aaron Parks Little Big; Leila Pinheiro & Amazonas Band; Trio Corrente; Ed Sarath; John Fedchock Sextet; Jeff "Tain" Watts Quartet; Frode Gjerstad Trio; Keyon Harrold Quintet; Mauro Senise & Gilson Peranzzetta; Amilton Godoy Trio & Gabriel Grossi; Marcelo Coelho & McLav; Bruno Mangueira Quarteto; Daniel D'Alcântara Quarteto; Karine Aguiar & Jungle Jazz
www.festivalamazonasjazz.com.br
Bento Jazz & Wine Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Bento Gonçalves (RS)
Atrações: Bixiga 70; Filó Machado; Renato Borghetti; Sambaranda e outras a serem anunciadas
https://www.facebook.com/bentojazzwine/
Buena Vista Jazz & Blues Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Sete Lagoas (MG)
Atrações: Doctor Ray Blues Band; Thulio Viegas em "Beatles in Blues"; Blues Sem Seda
www.sympla.com.br/buena-vista-jazz--blues-festival---sete-lagoas-2020__747627
17.º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival
Quando e onde: adiado para dezembro de 2020 (de 11 a 13/12), em Rio das Ostras (RJ)
Atrações: Roberto Fonseca, Vasti Jackson, Takuya Kuroda e outras a serem anunciadas
facebook.com/rostrasjazzblues/
7.º Bonito Blues & Jazz Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Bonito (MS)
18.º Savassi Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Belo Horizonte (MG)
Atrações: Antônio Adolfo Quinteto, Carol Panesi & Grupo, Marcos Paiva, Antonio Loureiro, Jamba Trio, Cliff Korman Trio, Jazz Trio Explorer, Daniel Grajew, Ellen Oléria & Alma Thomas, Chico Amaral, Cléber Alves, Juarez Moreira e Ari Borger Trio, entre outras
https://savassifestival.com.br/home/
Fest Bossa & Jazz
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Belo Horizonte (MG)
Atrações: Antônio Adolfo Quinteto, Carol Panesi & Grupo, Marcos Paiva, Antonio Loureiro, Jamba Trio, Cliff Korman Trio, Jazz Trio Explorer, Daniel Grajew, Ellen Oléria & Alma Thomas, Chico Amaral, Cléber Alves, Juarez Moreira e Ari Borger Trio, entre outras
https://savassifestival.com.br/home/
Fest Bossa & Jazz
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, na Praia da Pipa (RN) e em São Miguel Gostoso (RN)
Atrações: a serem divulgadas
www.festbossajazz.com.br
Poços É Jazz Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Poços de Caldas (MG)
Atrações: a serem divulgadas
www.pocosejazz.com.br
Canoa Blues
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Fortaleza (CE)
Atrações: a serem anunciadas
www.canoablues.com.br/o-festival2/
Festivais realizados em 2020:
21.º Festival Jazz & Blues
Quando e onde: de 22 a 25/02/2020, em Guaramiranga (CE); dias 22 e 23/02/2020, em Aquiraz (CE); dia 27/02/2020, em Maracanaú (CE); de 27 a 29/02/2020, em Fortaleza (CE)
Atrações: Trio Corrente; Amaro Freitas Trio; Zélia Duncan & Jaques Morelenbaum; Nando Cordel; Yamile Burich & Ladies Jazz; Antonio Carlos Bigonha, Jorge Helder e Jurim Moreira; Duo Mitre,Nonato Lima & Sergio Groove, entre outras
facebook.com/festivaljazzeblues/
5.º Gravatá Jazz Festival
Quando e onde: de 22 a 25/02/2020, em Gravatá (PE)
Atrações: Lorenzo Thompson, Breezy Rodio, JJ Thames, Derico, Serial Funkers, Mark Lambert, Tony Gordon, Moda de Rock com Ricardo Vignini, Bruno Marques e Di Steffano, Dudu Lima, Uptpown Band e outras atrações locais
www.facebook.com/gravatajazzfestival/
Festival EMESP de Jazz e Música Brasileira
Quando e onde: de 9 a 13/03/2020, no Theatro São Pedro, em São Paulo (SP)
Atrações: Mary Lou Williams Ensemble, Nailor Proveta (com Alessandro Penezzi), André Mehmari e Hércules Gomes
www.facebook.com/events/203158114106685/
10º Nublu Festival
Quando e onde: de 12 a 15/03/2020, no Sesc Pompeia (em São Paulo/SP) e no Sesc São José dos Campos (SP)
Atrações: Femi Kuti & The Positive Force, Yasiin Bey (Mos Def), John Cale, Nublu Jams (Ilhan Ersahin e músicos brasileiros), Goatface!, Otis Trio 7 & Negra Li, Juçara Marçal e Ifá
www.sescsp.org.br/programacao/27616_NUBLU+JAZZ+FESTIVAL#/content=programacao
Atrações: a serem divulgadas
www.festbossajazz.com.br
Poços É Jazz Festival
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Poços de Caldas (MG)
Atrações: a serem divulgadas
www.pocosejazz.com.br
Canoa Blues
Quando e onde: novas datas a serem anunciadas, em Fortaleza (CE)
Atrações: a serem anunciadas
www.canoablues.com.br/o-festival2/
Festivais realizados em 2020:
21.º Festival Jazz & Blues
Quando e onde: de 22 a 25/02/2020, em Guaramiranga (CE); dias 22 e 23/02/2020, em Aquiraz (CE); dia 27/02/2020, em Maracanaú (CE); de 27 a 29/02/2020, em Fortaleza (CE)
Atrações: Trio Corrente; Amaro Freitas Trio; Zélia Duncan & Jaques Morelenbaum; Nando Cordel; Yamile Burich & Ladies Jazz; Antonio Carlos Bigonha, Jorge Helder e Jurim Moreira; Duo Mitre,Nonato Lima & Sergio Groove, entre outras
facebook.com/festivaljazzeblues/
5.º Gravatá Jazz Festival
Quando e onde: de 22 a 25/02/2020, em Gravatá (PE)
Atrações: Lorenzo Thompson, Breezy Rodio, JJ Thames, Derico, Serial Funkers, Mark Lambert, Tony Gordon, Moda de Rock com Ricardo Vignini, Bruno Marques e Di Steffano, Dudu Lima, Uptpown Band e outras atrações locais
www.facebook.com/gravatajazzfestival/
Festival EMESP de Jazz e Música Brasileira
Quando e onde: de 9 a 13/03/2020, no Theatro São Pedro, em São Paulo (SP)
Atrações: Mary Lou Williams Ensemble, Nailor Proveta (com Alessandro Penezzi), André Mehmari e Hércules Gomes
www.facebook.com/events/203158114106685/
10º Nublu Festival
Quando e onde: de 12 a 15/03/2020, no Sesc Pompeia (em São Paulo/SP) e no Sesc São José dos Campos (SP)
Atrações: Femi Kuti & The Positive Force, Yasiin Bey (Mos Def), John Cale, Nublu Jams (Ilhan Ersahin e músicos brasileiros), Goatface!, Otis Trio 7 & Negra Li, Juçara Marçal e Ifá
www.sescsp.org.br/programacao/27616_NUBLU+JAZZ+FESTIVAL#/content=programacao
Seamus Blake: saxofonista até cantou em português na sua primeira turnê brasileira
Marcadores: benny golson, bruno migotto, Edu Ribeiro, EMESP Tom Jobim, gustavo bugni, jazz, samba, savassi festival, seamus blake, Sesc Pinheiros, vinicius gomes | author: Carlos Calado
O saxofonista Seamus Blake, com Vinicius Gomes (guitarra) e Bruno Migotto (baixo)
Em sua primeira turnê pelo Brasil, o saxofonista Seamus Blake se apresentou ontem à noite (14/8), no auditório do Sesc Pinheiros, em São Paulo, depois de tocar no Savassi Festival, em Belo Horizonte (MG). A seu lado também estava o quarteto do guitarrista Vinicius Gomes, que inclui outros talentosos músicos da cena instrumental paulistana: Edu Ribeiro (bateria), Bruno Migotto (contrabaixo) e Gustavo Bugni (piano).
Inglês crescido no Canadá, Blake radicou-se em Nova York, onde conquistou prestígio como integrante da Mingus Band, além de tocar ao lado de craques do jazz, como John Scofield e Dave Douglas. Versátil, mostrou no show de ontem que, além de ser um improvisador enérgico e criativo, também é um compositor inspirado, ao exibir sua balada “Gracia” e o jazzístico samba “Betty in Rio” (cuja harmonia ele assume, sorrindo, ter emprestado de “Along Came Betty”, conhecida composição do saxofonista Benny Golson).
Declarando-se fã da música brasileira, Blake mencionou Tom Jobim e João Gilberto entre seus favoritos. E surpreendeu a plateia do Sesc ao cantar, em português, sua canção “A Beleza que Vem”. Tomara que essa breve turnê do saxofonista e compositor – que também vai comandar um workshop nesta sexta-feira (16/8), às 14h, no auditório da EMESP Tom Jobim, em São Paulo – seja a primeira de uma série.
Em sua primeira turnê pelo Brasil, o saxofonista Seamus Blake se apresentou ontem à noite (14/8), no auditório do Sesc Pinheiros, em São Paulo, depois de tocar no Savassi Festival, em Belo Horizonte (MG). A seu lado também estava o quarteto do guitarrista Vinicius Gomes, que inclui outros talentosos músicos da cena instrumental paulistana: Edu Ribeiro (bateria), Bruno Migotto (contrabaixo) e Gustavo Bugni (piano).
Inglês crescido no Canadá, Blake radicou-se em Nova York, onde conquistou prestígio como integrante da Mingus Band, além de tocar ao lado de craques do jazz, como John Scofield e Dave Douglas. Versátil, mostrou no show de ontem que, além de ser um improvisador enérgico e criativo, também é um compositor inspirado, ao exibir sua balada “Gracia” e o jazzístico samba “Betty in Rio” (cuja harmonia ele assume, sorrindo, ter emprestado de “Along Came Betty”, conhecida composição do saxofonista Benny Golson).
Declarando-se fã da música brasileira, Blake mencionou Tom Jobim e João Gilberto entre seus favoritos. E surpreendeu a plateia do Sesc ao cantar, em português, sua canção “A Beleza que Vem”. Tomara que essa breve turnê do saxofonista e compositor – que também vai comandar um workshop nesta sexta-feira (16/8), às 14h, no auditório da EMESP Tom Jobim, em São Paulo – seja a primeira de uma série.
Temporada de jazz: festivais ampliam experiência das plateias na era dos smartphones
Marcadores: Bourbon Festival Paraty, copenhagen, festivais de jazz, free jazz, guaramiranga, heineken concerts, montreal, montreux jazz, new orleans, newport, Rio das Ostras Jazz & Blues, savassi festival, Umbria Jazz, vienne | author: Carlos Calado
O guitarrista Lucky Peterson, no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival
A chegada do verão, no hemisfério norte, não traz apenas sol, calor e dias mais longos. Para muitos apreciadores de música, é neste período do ano que começa a temporada dos grandes festivais de jazz. Embora mais concentrados na América do Norte e na Europa, hoje esses eventos são realizados nos mais diversos cantos do planeta.
Como tem feito nas últimas décadas, a “Down Beat” (publicação especializada em jazz, blues e gêneros musicais afins) destacou em sua edição de maio um roteiro intitulado “204 grandes festivais de verão”. O fato de o número de eventos incluídos nesse levantamento crescer a cada ano é sintomático.
Megafestivais de jazz, como os de Copenhagen (Dinamarca), Vienne (França), Montreal (Canadá) ou Nova Orleans (EUA), realizados ao ar livre, costumam atrair centenas de milhares de frequentadores. A estratégia desses eventos, que chegam a durar até duas semanas, é oferecer centenas de shows simultâneos em diversos palcos.
Para atrair tamanhas multidões, o cardápio desses festivais tornou-se diversificado, incluindo soul, R&B, funk, hip-hop, reggae, rock, pop, música africana ou caribenha, entre outras vertentes musicais. Há quem critique essa aparente diluição do foco musical, mas é fato que, ao longo de mais de um século de evolução, o jazz tem absorvido influências de todos esses gêneros. Essa hibridez faz parte de sua essência.
Na década de 1990, festivais mais puristas, como o italiano Umbria Jazz, ainda resistiam a se abrir. O diretor artístico Carlo Pagnota orgulhava-se de programar somente jazz, com raras exceções feitas a um ou outro artista do universo pop, como Sting ou Caetano Veloso. Isso foi mudando e, na edição deste ano, o jazz de Joshua Redman e Brad Mehldau vai disputar as atenções dos frequentadores com o pop de David Byrne e a música eletrônica da banda Massive Attack.
Sting e Byrne também participaram há pouco do Jazz & Heritage Festival, em Nova Orleans. Realizado há 49 anos, esse tradicional megaevento, que prioriza vertentes da música afro-americana em seus 12 palcos, foi bastante criticado quando começou a incluir medalhões do rock e do pop, mesmo reservando palcos exclusivos ao jazz moderno, ao jazz tradicional e ao blues.
Engana-se quem pensa que os festivais de jazz derivam de lendários eventos de rock, como o Monterey Pop (1967) ou Woodstock (1969). Criado em 1954 pelo pianista e produtor George Wein, o pioneiro Newport Jazz Festival teve como sede a cidade de Rhode Island, balneário norte-americano onde é realizado até hoje.
No Brasil, apreciadores do jazz tiveram que esperar até 1978 para desfrutar seu primeiro festival. Uma parceria com o evento suíço Montreux Jazz permitiu a realização do Festival Internacional de Jazz de São Paulo, que ainda realizou uma segunda edição em 1980. A transmissão ao vivo desses shows para outras regiões do país, por meio da TV Cultura, contribuiu para a formação de novas plateias para o gênero.
Nas décadas de 1980 e 1990, vieram o Free Jazz Festival e o Heineken Concerts, concentrados, basicamente, no eixo Rio-São Paulo. Já neste século, dezenas de eventos de jazz e blues se estabeleceram em outras regiões do país, formando um circuito que abrange quase todo o ano. O mais antigo é o cearense Festival Jazz & Blues, realizado há 19 anos durante o carnaval, nas cidades de Guaramiranga e Fortaleza.
Alguns desses eventos, como os fluminenses Rio das Ostras Jazz & Blues (cuja 15ª edição termina neste domingo, 17/6) e o Bourbon Festival Paraty (que realizou a 10ª edição em maio), têm relação estreita com as prefeituras dessas cidades. São festivais idealizados como meios para incrementar o turismo nessas regiões, além de estimular a formação cultural dos moradores.
Já o Savassi Festival, que desde 2003 é realizado nas ruas e em teatros de Belo Horizonte (MG), tem um perfil diferente. Em vez de programar jazzistas de renome, o produtor Bruno Golgher optou por estabelecer uma relação direta com os músicos da cena instrumental mineira. Ele incentiva a composição de obras pelos músicos locais e também parcerias com estrangeiros.
Não foi à toa que o número de festivais de jazz cresceu muito desde o início deste século, tanto no exterior como no Brasil, e ainda pode aumentar mais. Esses eventos redefiniram a experiência que as plateias tinham nos clubes ou em teatros: a descontração dos concertos ao ar livre e a possibilidade de se assistir a diversas atrações musicais em um único dia pesam a favor dos festivais.
No caso do jazz, há um diferencial a mais: ver e ouvir um músico, cantor ou instrumentista, em carne e osso, usar o improviso como ferramenta de criação artística. Nesta época em que passamos tantas horas diárias olhando para telinhas de smartphones e tablets, essa é uma experiência especial que nos faz sentir mais vivos.
A chegada do verão, no hemisfério norte, não traz apenas sol, calor e dias mais longos. Para muitos apreciadores de música, é neste período do ano que começa a temporada dos grandes festivais de jazz. Embora mais concentrados na América do Norte e na Europa, hoje esses eventos são realizados nos mais diversos cantos do planeta.
Como tem feito nas últimas décadas, a “Down Beat” (publicação especializada em jazz, blues e gêneros musicais afins) destacou em sua edição de maio um roteiro intitulado “204 grandes festivais de verão”. O fato de o número de eventos incluídos nesse levantamento crescer a cada ano é sintomático.
Megafestivais de jazz, como os de Copenhagen (Dinamarca), Vienne (França), Montreal (Canadá) ou Nova Orleans (EUA), realizados ao ar livre, costumam atrair centenas de milhares de frequentadores. A estratégia desses eventos, que chegam a durar até duas semanas, é oferecer centenas de shows simultâneos em diversos palcos.
Para atrair tamanhas multidões, o cardápio desses festivais tornou-se diversificado, incluindo soul, R&B, funk, hip-hop, reggae, rock, pop, música africana ou caribenha, entre outras vertentes musicais. Há quem critique essa aparente diluição do foco musical, mas é fato que, ao longo de mais de um século de evolução, o jazz tem absorvido influências de todos esses gêneros. Essa hibridez faz parte de sua essência.
Na década de 1990, festivais mais puristas, como o italiano Umbria Jazz, ainda resistiam a se abrir. O diretor artístico Carlo Pagnota orgulhava-se de programar somente jazz, com raras exceções feitas a um ou outro artista do universo pop, como Sting ou Caetano Veloso. Isso foi mudando e, na edição deste ano, o jazz de Joshua Redman e Brad Mehldau vai disputar as atenções dos frequentadores com o pop de David Byrne e a música eletrônica da banda Massive Attack.
Sting e Byrne também participaram há pouco do Jazz & Heritage Festival, em Nova Orleans. Realizado há 49 anos, esse tradicional megaevento, que prioriza vertentes da música afro-americana em seus 12 palcos, foi bastante criticado quando começou a incluir medalhões do rock e do pop, mesmo reservando palcos exclusivos ao jazz moderno, ao jazz tradicional e ao blues.
Engana-se quem pensa que os festivais de jazz derivam de lendários eventos de rock, como o Monterey Pop (1967) ou Woodstock (1969). Criado em 1954 pelo pianista e produtor George Wein, o pioneiro Newport Jazz Festival teve como sede a cidade de Rhode Island, balneário norte-americano onde é realizado até hoje.
No Brasil, apreciadores do jazz tiveram que esperar até 1978 para desfrutar seu primeiro festival. Uma parceria com o evento suíço Montreux Jazz permitiu a realização do Festival Internacional de Jazz de São Paulo, que ainda realizou uma segunda edição em 1980. A transmissão ao vivo desses shows para outras regiões do país, por meio da TV Cultura, contribuiu para a formação de novas plateias para o gênero.
Nas décadas de 1980 e 1990, vieram o Free Jazz Festival e o Heineken Concerts, concentrados, basicamente, no eixo Rio-São Paulo. Já neste século, dezenas de eventos de jazz e blues se estabeleceram em outras regiões do país, formando um circuito que abrange quase todo o ano. O mais antigo é o cearense Festival Jazz & Blues, realizado há 19 anos durante o carnaval, nas cidades de Guaramiranga e Fortaleza.
Alguns desses eventos, como os fluminenses Rio das Ostras Jazz & Blues (cuja 15ª edição termina neste domingo, 17/6) e o Bourbon Festival Paraty (que realizou a 10ª edição em maio), têm relação estreita com as prefeituras dessas cidades. São festivais idealizados como meios para incrementar o turismo nessas regiões, além de estimular a formação cultural dos moradores.
Já o Savassi Festival, que desde 2003 é realizado nas ruas e em teatros de Belo Horizonte (MG), tem um perfil diferente. Em vez de programar jazzistas de renome, o produtor Bruno Golgher optou por estabelecer uma relação direta com os músicos da cena instrumental mineira. Ele incentiva a composição de obras pelos músicos locais e também parcerias com estrangeiros.
Não foi à toa que o número de festivais de jazz cresceu muito desde o início deste século, tanto no exterior como no Brasil, e ainda pode aumentar mais. Esses eventos redefiniram a experiência que as plateias tinham nos clubes ou em teatros: a descontração dos concertos ao ar livre e a possibilidade de se assistir a diversas atrações musicais em um único dia pesam a favor dos festivais.
No caso do jazz, há um diferencial a mais: ver e ouvir um músico, cantor ou instrumentista, em carne e osso, usar o improviso como ferramenta de criação artística. Nesta época em que passamos tantas horas diárias olhando para telinhas de smartphones e tablets, essa é uma experiência especial que nos faz sentir mais vivos.
(Texto publicado no caderno Ilustríssima, da "Folha de S. Paulo", em 17/06/2018)
Novos Talentos do Jazz: inscrições para grupos instrumentais vão até 30/4
Marcadores: Belo Horizonte, Festival de Jazz & Blues, Florianópolis, guaramiranga, jazz, música instrumental, Novos Talentos do Jazz, POA Jazz Festival, Sampa Jazz Fest, savassi festival, TUM Sound Festival, vitor arantes | author: Carlos CaladoAlguns dos principais festivais brasileiros de jazz e música instrumental organizaram um concurso que incentiva o cultivo dessas vertentes musicais entre os jovens. Com inscrições abertas até 30/4, o Novos Talentos do Jazz 2018 é dirigido a grupos instrumentais de residentes em todo o território nacional, formados por músicos com até 30 anos de idade.
Promovido pela Rede Nacional de Festivais de Jazz e Música Instrumental, essa competição oferece a possibilidade de os selecionados exibirem sua música em cinco conceituados eventos nacionais: Savassi Festival (Belo Horizonte, MG), Sampa Jazz Fest (São Paulo, SP), POA Jazz Festival (Porto Alegre, RS), Festival de Jazz & Blues (Guaramiranga, CE) e TUM Sound Festival (Florianópolis, SC).
Mais informações neste link: Edital - Novos Talentos do Jazz 2018
Savassi Festival 2015: evento cresce apoiando a cena instrumental de Minas Gerais
Marcadores: andré mehmari, antônio loureiro, Bruno Golgher, Cliff Korman, frederico heliodoro, Guillermo Klein, instrumental, jazz, joão bosco, mike moreno, Nivaldo Ornelas, savassi festival, Sergio Krakowski | author: Carlos CaladoUm dos maiores festivais de jazz e música instrumental do país, o Savassi Festival concluiu sua 13ª edição, no último domingo (12/7), em Belo Horizonte (MG), confirmando ser diferente da maioria dos eventos desse gênero. Em vez de exibir um elenco de vistosas atrações internacionais, buscando atrair mais turistas para a cidade, o Savassi Festival cresceu ao longo dos anos estabelecendo uma relação direta com os músicos locais e com a vida cultural da capital mineira.
“Muitas vezes o turismo cultural está ligado a grandes nomes e estrelas que têm uma reverberação mais ampla entre o público. O Savassi Festival não possui essa agenda”, observa o produtor Bruno Golgher, que vem realizando esse evento anualmente desde 2003. “Claro que eu posso trazer uma Esperanza Spalding, por exemplo, mas o festival busca, conscientemente, ser mais orgânico, criar uma relação com a cena musical e as pessoas daqui”.
Antes de criar o Savassi Festival, que neste ano ocupou 24 espaços entre praças, teatros, cafés e bares da cidade, Golgher chegou a produzir dois festivais de jazz menores, também em Belo Horizonte, no início da década passada. Em ambos, seu Café com Letras – misto de café com música ao vivo e espaço para eventos, localizado no bairro central de Savassi – já funcionava como palco.
Segundo Golgher, a estratégia de curadoria do Savassi Festival está diretamente ligada à relação constante que mantém com os músicos da cidade. Isso significa acompanhar os projetos atuais e futuros desses artistas, para poder viabilizá-los como atrações do evento.
Como exemplo, cita o delicioso show de João Bosco, um dos destaques da edição deste ano, que interpretou alguns standards do jazz, como “Blue in Green” e “My Favorite Things”. O cantor, violonista e expoente da MPB tinha a seu lado um sexteto de formação tipicamente jazzística, com destaque para o guitarrista Alexandre Carvalho e o baterista Jimmy Duchowny, norte-americano radicado em Belo Horizonte.
“Essa foi uma ideia do Jimmy, uns cinco anos atrás. Eu trabalho com ele há 19 anos, desde o início do Café com Letras, e os nossos filhos estudam na mesma escola”, conta Golgher. “É de relacionamentos contínuos como esse que surge o diferencial do nosso festival. Esse é nosso jeito de fazer”.
Outra excelente atração deste ano recebeu o título carinhoso de Jazzinho – uma série de três shows idealizados para o público infantil, ao ar livre, na praça Floriano Peixoto. Após a apresentação do espetáculo musical “Cantigas do Bem Querer”, com a Orquestra Ouro Preto, o pianista André Mehmari hipnotizou crianças e adultos com seus improvisos bastante livres, inspirados em canções do Clube da Esquina, como “Ponta de Areia” (Milton Nascimento e Fernando Brant) ou “Cravo e Canela” (Milton Nascimento).
Fechando a última noite do festival, o pianista Cliff Korman e o saxofonista Nivaldo Ornelas (na foto acima) revisitaram lúdicas melodias do genial Thelonious Monk, como a balada “Ruby My Dear” e a abstrata “Trinkle Tinkle”. Para terminar, uma aparição-surpresa do explosivo pandeirista Sergio Krakowski (ex-integrante grupo Tira Poeira, hoje radicado nos Estados Unidos). Uma ideia tão boa que deveria ser retomada no próximo ano.
Mehmari também brilhou na noite de estreia de seu "Concerto Duplo para Piano, Vibrafone e Orquestra", composto com a intenção de "borrar as fronteiras entre a música popular e a música clássica" (nas palavras do próprio autor). Interpretada por Mehmari, ao lado do vibrafonista Antonio Loureiro e da Sinfônica de Minas Gerais, com regência de Marcelo Ramos, a peça chama atenção por suas cadências repletas de improvisação – algo raro no universo da música sinfônica.

Ainda muito pouco conhecido por aqui, o compositor e pianista Guillermo Klein (na foto à esquerda) certamente surpreendeu as plateias que acompanharam seus dois concertos no festival –- aliás, suas primeiras apresentações no Brasil. As melodias sedutoras e os ritmos complexos de composições como “Mariana”, “Venga” ou “Amor Profundo” sugerem que esse argentino radicado nos Estados Unidos é um dos nomes para se acompanhar com muita atenção na cena do jazz e da música instrumental contemporânea.
Emocionante também foi o concerto comandado pelo saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas, que regeu a Jazz Mineiro Orquestra – formada por outros craques de diversas gerações da música instrumental mineira, como os guitarristas Juarez Moreira e Magno Alexandre, os saxofonistas Cleber Alves e Chico Amaral, o flautista Mauro Rodrigues, o baixista Kiko Mitre e o baterista Neném, entre outros, além da participação especial do guitarrista Toninho Horta. Em composições de Ornelas, como "Colheita do Trigo", "Eterna Amizade" ou "Choratta Quatuor", se ouviu a essência do lirismo da música de Minas Gerais.
A música mineira também foi devidamente cultuada pelo guitarrista norte-americano Mike Moreno (na foto abaixo), que exibiu belas releituras de clássicos de Milton Nascimento (“Outubro”) e Toninho Horta (“Manuel, o Audaz”), tendo a seu lado o talentoso baixista Frederico Heliodoro, no show intitulado “NY Meets Minas” (Nova York Encontra Minas).
Outras associações entre músicos estrangeiros e locais, como o duo do baixista dinamarquês Jasper Høiby com o percussionista e compositor Antônio Loureiro ou a parceria do saxofonista Tiago Barros com o argentino Guillermo Klein (seu professor de composição), entre outras, só confirmaram o fato de que Belo Horizonte ostenta hoje uma das cenas de música instrumental mais prolíficas e criativas do país.
Vale ressaltar que o Savassi Festival tem colaborado ativamente para o fortalecimento dessa cena musical, seja por meio dos workshops e residências artísticas que promove anualmente, assim como tem incentivado bastante o diálogo dos músicos locais com os estrangeiros.
Essencial também para o desenvolvimento das carreiras dos instrumentistas de Minas é a iniciativa de realizar edições do Savassi Festival em Nova York (como já se deu em 2013 e 2014), por meio de intercâmbios com escolas de música e universidades norte-americanas, como a Columbia University e a New York University Steinhardt. A edição nova-iorquina deste ano já está confirmada.
Essa internacionalização do festival, segundo Bruno Golgher, não vai se limitar aos Estados Unidos. Depois de contatos iniciais com o Instituto Cultural da Dinamarca, ele já está preparando um intercâmbio com o Norte Europeu. “Para se fazer um único show na Dinamarca são necessários cinco anos de trabalho. Se fôssemos ricos, isso certamente seria mais rápido, mas somos obrigados a usar estratégias de país de periferia. É o nosso jeito de fazer da pobreza uma virtude”, conclui o produtor, com a característica modéstia dos mineiros.
No vídeo abaixo a homenagem de André Mehmari ao compositor Fernando Brant (1946-2015), em seu concerto no Palácio das Artes, na 13ª edição do Savassi Festival:
Savassi Festival: evento mineiro leva música instrumental brasileira a Nova York
Marcadores: antônio loureiro, brazilian trio, Cliff Korman, frederico heliodoro, instrumental, jazz, joana queiróz, Juarez Moreira, leonardo cioglia, paulo moura, rafael martini, sandro albert, savassi festival | author: Carlos Calado
O violonista Juarez Moreira / Foto de Leandro Couri
Começa hoje a primeira edição do Savassi Festival em Nova York. Até dia 23/9, alguns dos principais clubes de jazz dessa metrópole norte-americana, como o Smalls, o Poisson Rouge, o Jazz Gallery e o Cornelia Street, vão exibir shows de instrumentistas consagrados e novos talentos da música instrumental brasileira.
Entre os destaques, no elenco desse festival, estarão: o trio do violonista mineiro Juarez Moreira; o Brazilian Trio, grupo radicado em Nova York que reúne o pianista Hélio Alves, o baixista Nilson Matta e o baterista Duduka da Fonseca; e o Cliff Korman Ensemble, que fará um tributo ao clarinetista Paulo Moura (1932-2010).
Vários talentos da nova geração de instrumentistas de Minas Gerais também vão participar do evento, como os pianistas Rafael Martini e Antônio Loureiro, a clarinetista Joana Queiroz e o baixista Frederico Heliodoro, além de outros brasileiros radicados nos EUA, como o guitarrista gaúcho Sandro Albert e o baixista brasiliense Leonardo Cioglia.
Projeto do produtor Bruno Golger, que já realizou 11 edições do Savassi Festival em Belo Horizonte (MG), a versão nova-iorquina desse festival também vai promover workshops com os músicos do evento, estabelecendo intercâmbios com as universidades de Nova York e Columbia.
Confira a programação no site do Savassi Festival: http://www.savassifestival.com.br/new-york
Começa hoje a primeira edição do Savassi Festival em Nova York. Até dia 23/9, alguns dos principais clubes de jazz dessa metrópole norte-americana, como o Smalls, o Poisson Rouge, o Jazz Gallery e o Cornelia Street, vão exibir shows de instrumentistas consagrados e novos talentos da música instrumental brasileira.
Entre os destaques, no elenco desse festival, estarão: o trio do violonista mineiro Juarez Moreira; o Brazilian Trio, grupo radicado em Nova York que reúne o pianista Hélio Alves, o baixista Nilson Matta e o baterista Duduka da Fonseca; e o Cliff Korman Ensemble, que fará um tributo ao clarinetista Paulo Moura (1932-2010).
Vários talentos da nova geração de instrumentistas de Minas Gerais também vão participar do evento, como os pianistas Rafael Martini e Antônio Loureiro, a clarinetista Joana Queiroz e o baixista Frederico Heliodoro, além de outros brasileiros radicados nos EUA, como o guitarrista gaúcho Sandro Albert e o baixista brasiliense Leonardo Cioglia.
Projeto do produtor Bruno Golger, que já realizou 11 edições do Savassi Festival em Belo Horizonte (MG), a versão nova-iorquina desse festival também vai promover workshops com os músicos do evento, estabelecendo intercâmbios com as universidades de Nova York e Columbia.
Confira a programação no site do Savassi Festival: http://www.savassifestival.com.br/new-york
Kenny Werner: expert em improvisação, pianista se apresenta em MG e SP
Marcadores: Ari Hoenig, casa do núcleo, jazz, joão carlos assis brasil, johannes weindemueller, kenny werner, savassi festival, victor assis brasil | author: Carlos Calado
Kenny Werner, no Buenos Aires Jazz Fest 2011 / Photo by Carlos Calado
Ainda pouco conhecido no Brasil, o pianista Kenny Werner,
59, é um caso típico do que se costuma chamar de “músico dos músicos”. Mas o
fato de ser elogiado por colegas do alto escalão do jazz e da música
instrumental, como o megaprodutor Quincy Jones e o gaitista Toots Thielemans, não
significa que sua música seja hermética ou cerebral.
Werner – atração de hoje (26/7), na Casa do Núcleo, em São Paulo – é, literalmente, um especialista em criatividade e improvisação. Seu livro “Effortless Mastery” (maestria sem esforço), publicado em 1996, costuma ser recomendado por conceituadas universidades de vários países, não só em cursos de música.
Em entrevista à "Folha de S. Paulo", por telefone, músico o norte-americano revelou que suas investigações no campo da criatividade passaram pelo Brasil. No início da década de 1970, ao cursar a Berklee School of Music, em Boston, fez amizade com o lendário saxofonista Victor Assis Brasil (1945-1981), que o convidou a visitar o Rio de Janeiro. Assim conheceu o pianista João Carlos Assis Brasil, irmão gêmeo de Victor que marcou sua concepção musical.
“Naquela época eu ainda tocava de forma muito tensa. João já tinha desenvolvido uma abordagem mais pessoal, uma maneira quase zen, muito relaxada de tocar. Ele ajudou a mudar meu toque ao piano, corrigindo o modo como eu estudava”, relembra.
Foi nessa viagem também que Werner se aproximou da música brasileira. “Ela é o meu grande amor. A música que faço costuma ser original, não tem a ver com um repertório estabelecido. Mesmo assim toco com muita alegria a música de Tom Jobim ou a de Chico Buarque. Ao tocar música brasileira, não sinto desejo de inovar. Toco apenas para apreciar os acordes e as belas harmonias”.
Premiada com uma bolsa da Fundação Guggenheim, a composição “No Beginning, No End” (lançada em CD pela Half Note, em 2010) é considerada a obra mais ambiciosa de Werner. Escrita para quarteto de cordas, grupo de sopros e coro, num total de 70 músicos participantes, essa peça nasceu a partir de uma tragédia pessoal vivida pelo músico: a morte da filha de 16 anos, Katheryn, em acidente de carro, em 2006.
Após o concerto de ontem (25/), no 10º Savassi Festival, em Belo Horizonte (MG), onde tocou ao lado da Sinfônica de Minas Gerais, Werner traz a São Paulo seu inventivo trio, que destaca o baterista Ari Hoenig e o baixista Johannes Weidenmueller, músicos mais jovens com os quais toca há mais de uma década.
Werner mostra-se bem otimista, ao se referir à cena atual do jazz. “Este é o momento mais criativo que presenciei em toda minha vida. Os músicos jovens que estão aparecendo são deslumbrantes, não só porque tocam muito bem, mas porque são muito criativos. Não dá para comparar com o que aconteceu no jazz dos anos 40, 50 e 60, porque este é outro momento, mas de alguma maneira a música de hoje soa mais avançada. Isso me estimula muito”, conclui o pianista.
Werner – atração de hoje (26/7), na Casa do Núcleo, em São Paulo – é, literalmente, um especialista em criatividade e improvisação. Seu livro “Effortless Mastery” (maestria sem esforço), publicado em 1996, costuma ser recomendado por conceituadas universidades de vários países, não só em cursos de música.
Em entrevista à "Folha de S. Paulo", por telefone, músico o norte-americano revelou que suas investigações no campo da criatividade passaram pelo Brasil. No início da década de 1970, ao cursar a Berklee School of Music, em Boston, fez amizade com o lendário saxofonista Victor Assis Brasil (1945-1981), que o convidou a visitar o Rio de Janeiro. Assim conheceu o pianista João Carlos Assis Brasil, irmão gêmeo de Victor que marcou sua concepção musical.
“Naquela época eu ainda tocava de forma muito tensa. João já tinha desenvolvido uma abordagem mais pessoal, uma maneira quase zen, muito relaxada de tocar. Ele ajudou a mudar meu toque ao piano, corrigindo o modo como eu estudava”, relembra.
Foi nessa viagem também que Werner se aproximou da música brasileira. “Ela é o meu grande amor. A música que faço costuma ser original, não tem a ver com um repertório estabelecido. Mesmo assim toco com muita alegria a música de Tom Jobim ou a de Chico Buarque. Ao tocar música brasileira, não sinto desejo de inovar. Toco apenas para apreciar os acordes e as belas harmonias”.
Premiada com uma bolsa da Fundação Guggenheim, a composição “No Beginning, No End” (lançada em CD pela Half Note, em 2010) é considerada a obra mais ambiciosa de Werner. Escrita para quarteto de cordas, grupo de sopros e coro, num total de 70 músicos participantes, essa peça nasceu a partir de uma tragédia pessoal vivida pelo músico: a morte da filha de 16 anos, Katheryn, em acidente de carro, em 2006.
Após o concerto de ontem (25/), no 10º Savassi Festival, em Belo Horizonte (MG), onde tocou ao lado da Sinfônica de Minas Gerais, Werner traz a São Paulo seu inventivo trio, que destaca o baterista Ari Hoenig e o baixista Johannes Weidenmueller, músicos mais jovens com os quais toca há mais de uma década.
Werner mostra-se bem otimista, ao se referir à cena atual do jazz. “Este é o momento mais criativo que presenciei em toda minha vida. Os músicos jovens que estão aparecendo são deslumbrantes, não só porque tocam muito bem, mas porque são muito criativos. Não dá para comparar com o que aconteceu no jazz dos anos 40, 50 e 60, porque este é outro momento, mas de alguma maneira a música de hoje soa mais avançada. Isso me estimula muito”, conclui o pianista.
(texto publicado na "Folha de S. Paulo", em 26/7/2012)
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