O percussionista Sergio Krakowski, tocando para crianças, no Savassi Festival
Dezenas de shows e concertos em teatros, museus, praças, parques e restaurantes de Belo Horizonte (MG), de 24/6 a 4/7, chamam atenção no programa do 14º Savassi Festival, mas esse evento oferece bem mais. Um dos maiores e mais diversificados festivais brasileiros dedicados à música instrumental e ao jazz, ele também promove workshops, lançamentos de discos, apresentações de DJs e concursos de novos talentos e de fotografia.
A “noite de gala” em homenagem a Edu Lobo (na foto abaixo), em 25/6, promete ser uma das atrações mais disputadas na edição deste ano. Acompanhado pela Orquestra Ouro Preto, o cantor e compositor carioca, expoente da MPB, também terá a seu lado o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise – duo instrumental que já lançou um disco dedicado à sua obra.
Entre os shows já confirmados também se destacam: o do cellista carioca Jaques Morelenbaum e seu CelloSam3aTrio; o quarteto do guitarrista paulista Chico Pinheiro; o trio do pianista mineiro Rafael Martini; o sexteto do contrabaixista paulista Marcos Paiva; o quarteto do pianista mineiro Zé Namen; o trio do pianista capixaba Hercules Gomes; o trompetista alagoano Joatan Nascimento e o violonista mineiro Geraldo Vianna, entre outros.
Como já fez em edições anteriores, o festival volta a apresentar duos formados por instrumentistas estrangeiros com brasileiros, como o do pianista norte-americano Kevin Hays com o pandeirista Sergio Krakowski (brasileiro radicado em Nova York), ou o duo do pianista israelense Alon Yavnai com o percussionista carioca Joca Perpignan.
Um dos sucessos do ano passado, a programação musical para crianças, agendada para a tarde de 3/7, na praça Floriano Peixoto, também promete atrair um grande público: além dos shows “O Jazz de Snoopy e Charlie Brown”, com o Cliff Korman Quartet, e “Hermeto Pascoal para Crianças de Todas as Idades”, com o multiinstrumentista Felipe José, o pianista Benjamim Taubkin (na foto abaixo) vai exibir releituras instrumentais de canções de Chico Buarque. Nessa noite, Taubkin também se apresenta com seu quarteto, o Trio+1, na Praça da Liberdade.
Já neste final de semana, duas atrações antecipam a programação principal do evento, em Belo Horizonte. Ministrado pelo músico e educador Zé Gabriel, no Centro Cultural Venda Nova (sábado, 14/5), o workshop “Raízes do Jazz” oferece vivência de ritmo, expressividade e percepção musical para crianças. Em três shows no Memorial Minas Vale (de 14 a 16/5), a flautista paulista Léa Freire e o pianista mineiro José Namen vão se apresentar em duo.
Vale lembrar que o Savassi Festival também costuma levar atrações para outras cidades de Minas, ou mesmo para outros estados do país. Neste ano ele se estende às cidades de Nova Lima (28 e 29/5) e Uberlândia (28/5), além de programar uma semana de eventos no Rio de Janeiro (de 23 a 30/6).
Na capital fluminense, a programação destaca shows do Joana Queiroz Sexteto (25/6) e de três duos instrumentais: Gilson Peranzzetta e Mauro Senise (26/6), Kevin Hayes e Sérgio Krakowski (28/6) e Clarice Assad e André Muato (30/6), que fará uma homenagem a Milton Nascimento.
Mais informações no site oficial do festival: http://www.savassifestival.com.br/
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Savassi Festival 2016: evento de música instrumental terá noite de gala com Edu Lobo
Marcadores: benjamim Taubkin, Chico Pinheiro, edu lobo, gilson peranzzetta, Jaques Morelenbaum, jazz, kevin hays, Léa Freire, marcos paiva, mauro senise, rafael martini, savassi, Sergio Krakowski, zé namen | author: Carlos CaladoSavassi Festival 2015: evento cresce apoiando a cena instrumental de Minas Gerais
Marcadores: andré mehmari, antônio loureiro, Bruno Golgher, Cliff Korman, frederico heliodoro, Guillermo Klein, instrumental, jazz, joão bosco, mike moreno, Nivaldo Ornelas, savassi festival, Sergio Krakowski | author: Carlos CaladoUm dos maiores festivais de jazz e música instrumental do país, o Savassi Festival concluiu sua 13ª edição, no último domingo (12/7), em Belo Horizonte (MG), confirmando ser diferente da maioria dos eventos desse gênero. Em vez de exibir um elenco de vistosas atrações internacionais, buscando atrair mais turistas para a cidade, o Savassi Festival cresceu ao longo dos anos estabelecendo uma relação direta com os músicos locais e com a vida cultural da capital mineira.
“Muitas vezes o turismo cultural está ligado a grandes nomes e estrelas que têm uma reverberação mais ampla entre o público. O Savassi Festival não possui essa agenda”, observa o produtor Bruno Golgher, que vem realizando esse evento anualmente desde 2003. “Claro que eu posso trazer uma Esperanza Spalding, por exemplo, mas o festival busca, conscientemente, ser mais orgânico, criar uma relação com a cena musical e as pessoas daqui”.
Antes de criar o Savassi Festival, que neste ano ocupou 24 espaços entre praças, teatros, cafés e bares da cidade, Golgher chegou a produzir dois festivais de jazz menores, também em Belo Horizonte, no início da década passada. Em ambos, seu Café com Letras – misto de café com música ao vivo e espaço para eventos, localizado no bairro central de Savassi – já funcionava como palco.
Segundo Golgher, a estratégia de curadoria do Savassi Festival está diretamente ligada à relação constante que mantém com os músicos da cidade. Isso significa acompanhar os projetos atuais e futuros desses artistas, para poder viabilizá-los como atrações do evento.
Como exemplo, cita o delicioso show de João Bosco, um dos destaques da edição deste ano, que interpretou alguns standards do jazz, como “Blue in Green” e “My Favorite Things”. O cantor, violonista e expoente da MPB tinha a seu lado um sexteto de formação tipicamente jazzística, com destaque para o guitarrista Alexandre Carvalho e o baterista Jimmy Duchowny, norte-americano radicado em Belo Horizonte.
“Essa foi uma ideia do Jimmy, uns cinco anos atrás. Eu trabalho com ele há 19 anos, desde o início do Café com Letras, e os nossos filhos estudam na mesma escola”, conta Golgher. “É de relacionamentos contínuos como esse que surge o diferencial do nosso festival. Esse é nosso jeito de fazer”.
Outra excelente atração deste ano recebeu o título carinhoso de Jazzinho – uma série de três shows idealizados para o público infantil, ao ar livre, na praça Floriano Peixoto. Após a apresentação do espetáculo musical “Cantigas do Bem Querer”, com a Orquestra Ouro Preto, o pianista André Mehmari hipnotizou crianças e adultos com seus improvisos bastante livres, inspirados em canções do Clube da Esquina, como “Ponta de Areia” (Milton Nascimento e Fernando Brant) ou “Cravo e Canela” (Milton Nascimento).
Fechando a última noite do festival, o pianista Cliff Korman e o saxofonista Nivaldo Ornelas (na foto acima) revisitaram lúdicas melodias do genial Thelonious Monk, como a balada “Ruby My Dear” e a abstrata “Trinkle Tinkle”. Para terminar, uma aparição-surpresa do explosivo pandeirista Sergio Krakowski (ex-integrante grupo Tira Poeira, hoje radicado nos Estados Unidos). Uma ideia tão boa que deveria ser retomada no próximo ano.
Mehmari também brilhou na noite de estreia de seu "Concerto Duplo para Piano, Vibrafone e Orquestra", composto com a intenção de "borrar as fronteiras entre a música popular e a música clássica" (nas palavras do próprio autor). Interpretada por Mehmari, ao lado do vibrafonista Antonio Loureiro e da Sinfônica de Minas Gerais, com regência de Marcelo Ramos, a peça chama atenção por suas cadências repletas de improvisação – algo raro no universo da música sinfônica.

Ainda muito pouco conhecido por aqui, o compositor e pianista Guillermo Klein (na foto à esquerda) certamente surpreendeu as plateias que acompanharam seus dois concertos no festival –- aliás, suas primeiras apresentações no Brasil. As melodias sedutoras e os ritmos complexos de composições como “Mariana”, “Venga” ou “Amor Profundo” sugerem que esse argentino radicado nos Estados Unidos é um dos nomes para se acompanhar com muita atenção na cena do jazz e da música instrumental contemporânea.
Emocionante também foi o concerto comandado pelo saxofonista e compositor Nivaldo Ornelas, que regeu a Jazz Mineiro Orquestra – formada por outros craques de diversas gerações da música instrumental mineira, como os guitarristas Juarez Moreira e Magno Alexandre, os saxofonistas Cleber Alves e Chico Amaral, o flautista Mauro Rodrigues, o baixista Kiko Mitre e o baterista Neném, entre outros, além da participação especial do guitarrista Toninho Horta. Em composições de Ornelas, como "Colheita do Trigo", "Eterna Amizade" ou "Choratta Quatuor", se ouviu a essência do lirismo da música de Minas Gerais.
A música mineira também foi devidamente cultuada pelo guitarrista norte-americano Mike Moreno (na foto abaixo), que exibiu belas releituras de clássicos de Milton Nascimento (“Outubro”) e Toninho Horta (“Manuel, o Audaz”), tendo a seu lado o talentoso baixista Frederico Heliodoro, no show intitulado “NY Meets Minas” (Nova York Encontra Minas).
Outras associações entre músicos estrangeiros e locais, como o duo do baixista dinamarquês Jasper Høiby com o percussionista e compositor Antônio Loureiro ou a parceria do saxofonista Tiago Barros com o argentino Guillermo Klein (seu professor de composição), entre outras, só confirmaram o fato de que Belo Horizonte ostenta hoje uma das cenas de música instrumental mais prolíficas e criativas do país.
Vale ressaltar que o Savassi Festival tem colaborado ativamente para o fortalecimento dessa cena musical, seja por meio dos workshops e residências artísticas que promove anualmente, assim como tem incentivado bastante o diálogo dos músicos locais com os estrangeiros.
Essencial também para o desenvolvimento das carreiras dos instrumentistas de Minas é a iniciativa de realizar edições do Savassi Festival em Nova York (como já se deu em 2013 e 2014), por meio de intercâmbios com escolas de música e universidades norte-americanas, como a Columbia University e a New York University Steinhardt. A edição nova-iorquina deste ano já está confirmada.
Essa internacionalização do festival, segundo Bruno Golgher, não vai se limitar aos Estados Unidos. Depois de contatos iniciais com o Instituto Cultural da Dinamarca, ele já está preparando um intercâmbio com o Norte Europeu. “Para se fazer um único show na Dinamarca são necessários cinco anos de trabalho. Se fôssemos ricos, isso certamente seria mais rápido, mas somos obrigados a usar estratégias de país de periferia. É o nosso jeito de fazer da pobreza uma virtude”, conclui o produtor, com a característica modéstia dos mineiros.
No vídeo abaixo a homenagem de André Mehmari ao compositor Fernando Brant (1946-2015), em seu concerto no Palácio das Artes, na 13ª edição do Savassi Festival:
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