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Jazzmin's Big Band: o disco de estreia da pioneira orquestra feminina de SP

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                                                    A Jazzmin's Big Band, em show no Sesc Consolação, em São Paulo 

Se você acompanha a cena do jazz e da música instrumental em nosso país, na certa já viu e ouviu algumas delas, tocando em outras formações. Agora as 17 instrumentistas da Jazzmin’s – a primeira big band formada só por mulheres no Brasil – lançam seu primeiro disco, em show online.

Com direção artística da saxofonista Paula Valente e da pianista Lis de Carvalho, o CD “Quando Eu Te Vejo” (produção independente) inclui arranjos de composições de Tom Jobim, Dorival Caymmi, Rodrigo Morte e do baterista Nenê, além de duas faixas assinadas pela baixista da banda, Gê Cortes.

O show online será neste sábado (22/5), às 16h30, neste canal do You Tube: Casa Museu Ema Klabin. Já na próxima quinta-feira (dia 27/5), às 17h, Lis de Carvalho e Paula Valente vão participar de um debate sobre o tema “Mulheres e Big Bands: presença, visibilidade e estereótipos”. O evento será veiculado pela plataforma zoom e para participar é preciso se inscrever no site da Casa Museu: https://emaklabin.org.br

Se você ainda não teve a oportunidade de ouvir a Jazzmin’s, nas apresentações que ela vem fazendo já há alguns anos, não perca o show do sábado. Essa big band está repleta de craques.

Gustavo Bombonato: a estreia promissora de um talento da música instrumental

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Quem acompanha de perto o cenário musical de nosso país já deve ter percebido que sua vertente instrumental vive hoje uma fase brilhante. Diferentemente do que se ouve na cena da canção brasileira, que, com raras exceções, tem se revelado pouco inspiradora durante os últimos anos, a música instrumental não só se renovou ao longo deste século, como atravessa um período de intensa produção, diversidade e alta qualidade.

A música do pianista e compositor paulista Gustavo Bombonato exemplifica bem esse rico período da música instrumental produzida em nosso país. Seu disco de estreia – “Novos Horizontes Apontam”, lançamento independente distribuído pela Tratore – traz uma coleção de composições originais que revelam a consistente formação desse músico, com destaque para assumidas influências jazzísticas.

Nas nove faixas desse álbum, Gustavo comanda diversas formações instrumentais, tendo a seu lado uma seleção de craques do gênero, como os contrabaixistas Alberto Luccas, Enéas Xavier e Sérgio Frigério ou os bateristas Lincoln Cheib e Rodrigo “Digão” Braz. Sem falar nas participações de dois fenomenais bateristas: o gaúcho Nenê (ex-parceiro de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, entre outros) e o mineiro Esdra “Neném” Ferreira, que toca há décadas com Milton Nascimento e Toninho Horta.

Nascido na interiorana cidade paulista de Votuporanga (a 521km da capital), Gustavo cursou o Conservatório Dramático e Musical de Tatuí (SP), instituição que já formou vários talentos da música instrumental brasileira. Ali estudou por cinco anos com André Marques, o talentoso pianista que integra o grupo de Hermeto Pascoal há mais de duas décadas. Depois aprofundou seus conhecimentos com o maestro Cláudio Leal Ferreira e outros dois craques do piano: Irio Júnior, do Nenê Trio; e Fabio Torres, do Trio Corrente.

“Quando tive aulas particulares com o Irio, eu era obrigado a estudar dobrado porque as aulas aconteciam na casa do Nenê. De vez em quando ele vinha tomar um chá e se sentava ao lado da gente”, conta Gustavo, referindo-se à pressão que sentia por ter que tocar na presença do baterista e compositor, do qual é fã declarado. “Já assisti a mais de 30 shows dele”, conta.

É o mesmo Nenê que atesta, na contracapa do álbum “Novos Horizontes Apontam”, a evolução musical de Gustavo. “A qualidade artística de sua música, tanto instrumental quanto na canção, me surpreendeu pela beleza e complexidade das melodias e o encadeamento harmônico de extremo bom gosto e refinamento”, comenta o veterano baterista e compositor, que toca em cinco faixas desse disco.

Para a evolução de Gustavo como instrumentista também foi importante a experiência de passar quatro anos, tocando diariamente um repertório musical bem diversificado, em navios de cruzeiro. De 2011 a 2015 ele trabalhou em sete navios diferentes, sem férias, em rotas pelo Caribe, pelo Oceano Atlântico e pelos mares Báltico e Mediterrâneo.

“Foi uma escola muito louca. O repertório era mais comercial, mas também participei de um trio de jazz, com baixo elétrico e uma cantora. Tocávamos clássicos do jazz, música brasileira, choro. Toquei também com uma banda dominicana, fazendo bolero, mambo e bachata”, relembra Gustavo, que enfrentou momentos difíceis, nesse período. “Era uma solidão imensa, mas foi assim que comecei a escrever letras de canções que tinham a ver com o que eu vivenciei”.

Para enfrentar a melancolia e a saudade durante os quatro anos passados no mar, Gustavo mergulhou na música. Calcula ter composto nesse período cerca de cinquenta temas instrumentais e trinta canções. Ao retornar ao Brasil, em 2015, já tinha finalizado até os arranjos para “Um Respiro” – o disco de canções já gravado, que planeja lançar no segundo semestre de 2017.

Outra experiência incomum foram os dois meses que passou na Noruega, entre um cruzeiro e outro. “É muito triste morar lá, no meio dos fiordes. É muito gelado”, comenta o pianista, que sente ter sido influenciado em alguma medida pela música escandinava. “Eu ia para as montanhas buscar paz. Aquelas melodias medievais com saltos em quintas, que eu ouvia nas ruas, foram entrando em mim”, reconhece.  


O disco

“Novos Horizontes Apontam”, composição que empresta seu título ao álbum de Gustavo (à esquerda, reprodução da capa com ilustração assinada pelo grafiteiro Edgard Andreatta) começa com um instigante solo de bateria de Nenê. “Fiz essa música em uma fase bem tensa, durante a crise que enfrentei no navio. Eu não conseguia sair da cama, praticamente, porque a saudade da minha família era muito grande”, relembra o pianista. Quem o ajudou a superar essa fase foi Wilson Ribeiro, saxofonista paraibano, com o qual dividia o quarto no navio. “A gente ficava ensaiando durante a madrugada. Aliás, essa faixa tem a ver com o pôr do sol que víamos todos os dias”.

Composto pelo pianista em 2007, o jazzístico tema “Cone de Fogo” abre o álbum com beleza e sofisticação. A melodia, tocada em uníssono por Rafael Ferreira (sax tenor) e Fernando Corrêa (guitarra), é seguida por improvisos dos integrantes do quinteto, que inclui ainda Alberto Luccas (contrabaixo) e Nenê (bateria). “Pensei em um ritmo de jazz meio solto, mas o Nenê sempre faz outras coisas no estúdio. Ele dizia: ‘Me deixa ser feliz’”, diverte-se Gustavo.

Outra faixa do álbum com marcante ascendência jazzística é “Mr. Spaik”, que destaca o trompete com surdina de André Lagoin. “Eu estava ouvindo muito McCoy Tyner, na época em que compus esse tema. Ele tem essa coisa de ficar muito tempo em um acorde menor”, observa Gustavo, que também cita o trompetista Miles Davis e os pianistas Herbie Hancock e Bill Evans, todos grandes compositores, entre suas influências no universo do jazz. Já entre os mestres da música instrumental brasileira, aos quais dedicou muitas horas de escuta atenta, o pianista menciona Hermeto, o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo e o saxofonista Vinícius Dorin, do qual também foi aluno.

O ritmo vertiginoso do tema “Convidando a Meninada pra Festa”, tocado em trio, é antecedido por um etéreo solo do contrabaixista Alberto Luccas. Na bateria aparece Rodrigo “Digão” Braz, que Gustavo conheceu quando ainda estudavam em Tatuí, uma década atrás. “Ele foi supergeneroso comigo. Montou a bateria dele para gravar só uma música”, comenta o pianista.

A lírica balada “Gradativo e Constante” introduz o trompete de Diego Garbin, outro ex-colega de Gustavo em Tatuí. Essa composição nasceu durante um dos cruzeiros, numa fase em que Gustavo era obrigado a tocar muita música pop, de Madonna a Michael Jackson, quase todas as noites. Por isso, ele conta, jamais perdia uma oportunidade para tocar essa composição no navio. Outra balada que conta com participação de Garbin, dessa vez ao flugelhorn, é “Deixou Saudades”. Em seu solo, o trompetista empresta à gravação um sabor de bossa nova, inclusive fazendo uma rápida citação da clássica “Amor em Paz” (de Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

Em “Sala de Espera”, um contagiante samba em ritmo acelerado, Gustavo toca escaleta e piano elétrico. A seu lado estão dois talentos da cena instrumental de Belo Horizonte: o baixista Enéias Xavier e o baterista Lincoln Cheib. “Tenho bastante contato com o mundo espiritual. Às vezes, quando aparecem vários espíritos de uma vez e fica aquela confusão na cabeça, eu brinco: ‘Calma aí, na sala de espera. Um de cada vez’”, diverte-se o compositor, explicando a origem do inusitado título desse tema.

Já na meditativa “Lá pras Bandas do Guará, Conhecimento Vou Buscar” – a faixa mais extensa do álbum, também tocada em trio – quem assume a bateria é Neném, veterano craque do som instrumental mineiro. Esse tema é dedicado por Gustavo a Jaime Barbosa, seu primeiro professor de piano, cujas aulas frequentava em Campinas (SP). “Foi ele quem corrigiu a minha técnica”, reconhece.

Outra homenagem textual de Gustavo está na balada “Dá um Relax, né Bicho!”, cuja bela melodia é exposta pelo baixo fretless de Sérgio Frigério e, mais adiante, reapresentada pelo trompete de Diego Garbin. O título dessa composição, explica o pianista, se refere ao baterista Nenê, que costuma repetir essa expressão com frequência.

Em meio a um período tão difícil como o que vivemos hoje no Brasil, é estimulante ver um músico jovem como Gustavo Bombonato estrear em disco com performances e composições de alto quilate, ao lado de conceituados instrumentistas que referendam seu talento. É muito bom saber que ainda resta algo do que nos orgulhar neste país, que já foi tão admirado mundialmente pela grandeza de sua música.


(Texto escrito a convite da produção do artista)





Hermeto, Nenê e Arismar: reencontro na Virada Cultural foi prejudicado por som deficiente

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A longa fila em torno do Theatro Municipal, por volta da meia-noite do sábado, sinalizava uma das atrações mais disputadas da Virada Cultural. Só o carisma de Hermeto Pascoal, que completa 79 anos hoje (22/06), já seria suficiente para atrair tanta gente. Melhor: o “bruxo” alagoano iria comandar, minutos depois, um trio de gigantes da música instrumental que poucos viram tocar no Brasil.

Ele, o baixista paulista Arismar do Espírito Santo e o baterista gaúcho Nenê (antigo parceiro de Hermeto, nos anos 1960 e 70) formaram esse trio em 1993, para realizar uma turnê de 40 shows pela Europa. Ainda chegaram a fazer alguns shows pelo Brasil, em 1995, mas desde então não tocaram mais juntos, nem gravaram um disco.

A plateia que ocupou aos gritos, num instante, as 1500 poltronas do Municipal, não reclamou dos 35 minutos de atraso. Como se estivesse em um estádio de futebol, parte dela se divertiu fazendo “olas”. E ao ver Hermeto entrar no palco, ovacionou o craque dos mil instrumentos como um campeão.

Dois dias antes do show, ao se referir à música de Hermeto, o bem humorado Arismar cunhou uma expressão que também soa bem apropriada para sintetizar o que o trio ofereceu à plateia: “dinamite com dinâmica”.

Explosões criativas pipocaram durante todo o show, que começou com uma carinhosa citação de Hermeto em homenagem à cidade: “Êh São Paulo” (sucesso da dupla caipira Alvarenga e Ranchinho), seguido pelo clássico samba “Na Baixa do Sapateiro” (de Ary Barroso).

Durante a elástica releitura da bossa “Wave” (Tom Jobim), esticada por “scats” (vocalizações sem palavras) de Arismar, os sorrisos e caretas do baixista sinalizavam as liberdades que Hermeto tomou com a harmonia dessa canção, em seus improvisos.

“Este trio é muito lindo porque não gosta de ensaiar”, divertiu-se Hermeto, referindo-se aos dois parceiros, em um de seus costumeiros repentes. Também elogiou o talento do baixista Thiago do Espírito Santo, filho de Arismar, que entrou de surpresa no palco, para uma “canja”.

Pena que um incômodo ruído, no sistema de som do palco, tenha prejudicado parte da apresentação. Graças a ele, a plateia foi impedida de ouvir a bela versão da balada “Round Midnight” (de Thelonious Monk), que Hermeto esboçou e logo interrompeu, visivelmente irritado.

Não voltou a tocá-la, mas exibiu todo seu lirismo, minutos depois, em uma delicada releitura da jazzística “Autumn Leaves”. Para alegria geral, também relembrou clássicos de sua obra, como “Bebê” e “Chorinho Pra Ele", em versões cheias de rupturas melódicas, assim como o samba “Trem das Onze”, do paulista Adoniran Barbosa – revitalizados pela inventiva condução rítmica de Nenê.

Talvez a frustração provocada pela sonorização deficiente explique o fato de o trio ter feito um show relativamente curto para os padrões de Hermeto – cerca de 70 minutos, incluindo o bis, com o samba “O Morro Não Tem Vez” (Jobim e Vinicius de Moraes).

Não chegou a ser um show histórico, como se esperava, mas quem sabe seja um recomeço para um trio de músicos tão brilhantes, que poucos ouviram tocando juntos.


(Texto publicado parcialmente na "Folha de S. Paulo", em 22/06/2015)

Hermeto, Arismar e Nenê: trio leva “dinamite com dinâmica” à Virada Cultural paulistana

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Um trio de gigantes da música instrumental brasileira, que poucos tiveram o privilégio de ouvir ao vivo no Brasil, volta a se reunir duas décadas depois. Hermeto Pascoal (piano e teclados), Nenê (bateria) e Arismar do Espírito Santo (baixo elétrico) prometem um histórico concerto na Virada Cultural 2015, à meia-noite deste sábado, no Teatro Municipal de São Paulo.

“Vinte anos depois, o som desse trio pode ser até mais interessante. Hoje estamos mais maduros”, comenta Arismar, em uma entrevista informal a este blog. “Esse trio tem uma pressão diferente. Rola um rock’n’roll com nona”, diverte-se o baixista (na foto abaixo), fazendo referência aos complexos acordes das composições de Hermeto, que o trio tocava nos anos 1990.

Em meio a vários shows da Virada Cultural, que vão reviver repertórios de discos cultuados por fãs da música brasileira – como “São Paulo no Balanço do Choro” (1980), do pianista Laércio de Freitas; “Depois do Fim” (1983), da cantora Jane Duboc e banda Bacamarte; ou “Tamba Tajá” (1976), da cantora Fafá de Belém –, ironicamente, esse trio instrumental não chegou a gravar um disco.  


Formado para uma turnê de 40 shows pela Europa, em 1993, o trio comandado por Hermeto só fez algumas apresentações eventuais pelo país. Por sorte, restou o registro doméstico de uma delas, em Belo Horizonte (MG), em 1995, que pode ser encontrado no YouTube (veja esse vídeo no link abaixo).

Excitado pelo reencontro, Arismar conta que até deixou o piano, o violão e a guitarra um pouco de lado, nas últimas semanas, para voltar a praticar o baixo elétrico. “Também vou levar uma guitarra misteriosa, que parece uma cítara. Se eu sentir que tem espaço, vou usar os dois instrumentos”, promete.

A dois dias do show, Arismar não sabia se Hermeto iria preparar alguma surpresa para o reencontro do trio, mas uma coisa é certa: não haverá ensaio. “Ele só disse pra gente se encontrar uma hora antes da apresentação. Hermeto não gosta de ensaiar, o que é maravilhoso, uma dádiva”.

No repertório, segundo o baixista, devem entrar clássicos da obra do “bruxo” alagoano, como “Bebê” ou “Chorinho Pra Ele”. “Essas músicas são hits. Os moleques de hoje tocam esses temas do Hermeto como se fossem desafios”, comenta, referindo-se ao costume do próprio Hermeto de acelerar ao máximo o andamento dessas composições.  


"Nós tocamos com muita intensidade, inclusive nas baladas. Teve gente que até chegou a chorar, quando tocávamos uma valsa. A gente se entrega mesmo”, observa Arismar.

Como seria de se esperar, no caso de músicos tão criativos, não há qualquer intenção de reviver a música feita pelo trio no passado. “Hoje em dia há outros códigos musicais. O piano do Hermeto está mais lírico, foi para outros lados, tem uma energia única. Dinamite com dinâmica”, define Arismar, com seu habitual humor de músico. “E o Nenê é um monge, que toca uma maravilha de bateria”, conclui.


 

Pau Brasil: grupo instrumental paulista lança seu 'Caixote' com 8 CDs, DVD e livreto biográfico

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                                                                                                                          Photo by Dani Gurgel

Com shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, neste final de semana (dias 30 e 31/3), o grupo Pau Brasil, referência da melhor música instrumental feita em nosso país, comemora três décadas de carreira com o lançamento de seu "Caixote". Esse box, patrocinado pela Petrobrás, reúne seus primeiros oito álbuns, do primogênito "Pau Brasil" (de 1983, ainda inédito em CD) até "2005" (CD que marcou o retorno do grupo, em 2005, após um hiato). 

O "Caixote" inclui ainda um DVD com registro do show "Babel" (1996), e um livreto sobre a trajetória do grupo, incluindo saborosos relatos dos músicos de suas várias formações, que tive o prazer de escrever. Reproduzo abaixo a breve introdução desse livro, aliás, ricamente ilustrado, que também pode ser lido no site do Pau Brasil:
http://www.grupopaubrasil.com/historia.php

Pau Brasil: três décadas de música instrumental brasileira

No futuro, quando algum pesquisador tomar para si a essencial tarefa de narrar e analisar a história da música instrumental brasileira, certamente dedicará um capítulo dessa obra ao grupo Pau Brasil. Nada mais justo: a exemplo de outros expoentes desse gênero musical que o precederam, como o Tamba Trio e o Zimbo Trio, ou de grupos liderados por grandes compositores e improvisadores ainda na ativa, felizmente, como Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, o Pau Brasil tornou-se uma referência para várias gerações de apreciadores e músicos.
Nas gravações reunidas nesta caixa, realizadas ao longo das últimas três décadas, é fácil perceber como a obra do Pau Brasil reflete, com personalidade, as inquietações estéticas e as transformações sonoras da moderna música instrumental produzida no país – gênero que alguns preferem chamar de jazz brasileiro. Em suas diversas formações, o Pau Brasil sintetizou a busca de uma música essencialmente brasileira e moderna, que utiliza a improvisação sem recorrer aos clichês ou aos standards do jazz norte-americano. Para isso, seus integrantes buscaram novas formas musicais, criando um repertório próprio e original.
O reconhecimento da importância desse grupo musical de São Paulo, tanto pela crítica especializada, como pelo público, foi imediato. Seu álbum de estreia, Pau Brasil (1983), recebeu elogios dos principais órgãos da imprensa nacional, assim como suas gravações posteriores. Sucesso que logo se estendeu à Europa, onde o grupo realizou extensas turnês anuais pelos principais clubes de jazz e festivais de música, além de apresentações nos Estados Unidos e no Japão, exportando o que há de melhor na música instrumental brasileira. E hoje, com uma bagagem musical ainda mais ampla e diversificada, o Pau Brasil segue ativo e criativo, com o mesmo bom humor que sempre o identificou.

 

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