Sesc Jazz 2021: quinteto Pau Brasil festeja 40 anos, enfim, ao vivo
Marcadores: jazz, música instrumental, nelson ayres, pau brasil, paulo bellinati, ricardo moska, rodolfo stroeter, Sesc Jazz 2021, Teco Cardoso | author: Carlos CaladoA plateia foi chegando aos poucos, meio ressabiada. Em outras épocas, uma apresentação do brilhante quinteto Pau Brasil certamente teria lotado o teatro do Sesc Vila Mariana, provocando até uma descontraída balbúrdia, antes da abertura da sala. Ontem à noite, um sábado, o saguão de espera estava vazio. Outros como eu, que passaram cerca de 20 meses distantes dos shows ao vivo, por causa das necessárias restrições de enfrentamento da pandemia, também devem ter achado esse retorno um tanto estranho.
Já no teatro, um pouco mais de 50% das poltronas estavam cobertas por capas, indicando que as pessoas só poderiam se sentar nos lugares pré-determinados. Além dessa medida para garantir o necessário distanciamento social, vale lembrar, ao entrar na unidade do Sesc todos tiveram que mostrar seus certificados de vacinação contra a Covid-19 e estavam usando máscaras de proteção.
“Gente, que saudade disso tudo”, disparou o saxofonista Teco Cardoso, quebrando de vez o gelo, logo após uma fusão do samba-canção “No Rancho Fundo” (de Lamartine Babo e Ary Barroso) com a clássica “Ária da Bachiana n.º 4”, de Heitor Villa-Lobos. Foi com essa inusitada associação musical que Teco, o pianista Nelson Ayres, o baixista Rodolfo Stroeter, o violonista Paulo Bellinati e o baterista Ricardo Mosca -- evidentemente emocionados -- abriram o show, incluído na programação do festival Sesc Jazz.
“Tocar para celular é horrível. E assistir ‘live’ de pijama, em casa, vocês também não aguentavam mais, não é?”, seguiu Teco, provocando mais risos. E ao comentar que o quinteto está comemorando 40 anos de atividade musical, o bem-humorado saxofonista fez até seus parceiros rirem de si mesmos. “Depois da pandemia tomamos uma decisão muito sábia. A gente não tem mais produtora, agora temos cuidadora”.
Pronto! Após uma explosão geral de risadas, já estávamos mais à vontade para nos deliciarmos com uma combinação de clássicos e belezas do repertório que o grupo acumulou durante essas quatro décadas, como o contagiante “Caixote” (xote de Ayres), a criativa releitura jazzística de “O Pulo do Gato” (composição de Bellinati) ou a lírica “Cidade Encantada” (de Nelson e Milton Nascimento).
E a festa musical não parou por aí. Também entrou no repertório material mais recente que o quinteto paulistano já tinha experimentado em alguns shows. Além do samba “Levada da Breca” (parceria de Rodolfo com seu filho baixista Noa Stroeter), o baião “Juazeiro” (de Luiz Gonzaga) ganhou como introdução a delicada “Aboio” (outra de Rodolfo e Noa), com Teco ao sax alto e ao pífano.
Que bela noite para se comemorar o tão esperado retorno dos shows ao vivo, em São Paulo. Salve o Pau Brasil! Salve o Sesc Jazz!
Esse show foi gravado e está disponível online neste link:
https://www.youtube.com/watch?v=14arLXs65DE&t=4497s
Sesc Jazz 2021: festival retoma shows com presença de plateia em São Paulo
Marcadores: Alissa sanders, amaro freitas, Frank Salis, hamilton de holanda, Jazz das Minas, José Quevedo, joyce, Lelo Nazario, Nabou Claerhout, pau brasil, raul de souza, romero lubambo, Sesc Jazz, Tania Maria, trio curupira | author: Carlos CaladoO pianista Amaro Freitas, atração da noite de abertura do Sesc Jazz 2021
Na estreia do evento, em 15/10 (sexta), o pianista pernambucano Amaro Freitas – uma das grandes revelações da cena musical de nosso país nos últimos anos – leva ao Teatro do Sesc Pompeia os parceiros Hugo Medeiros (bateria), Jean Elton (baixo), Lucas dos Prazeres (percussão), Henrique Albino (sax e flautas) e Laís Assis (violão). Seu repertório destaca composições de Moacir Santos, Wayne Shorter, Milton Nascimento e Johnny Alf, além de composições próprias.
A cantora e compositora Joyce Moreno (em show com participação especial do pianista João Donato), o trio do guitarrista e violonista Romero Lubambo (que vive há décadas nos Estados Unidos), o trio do bandolinista Hamilton de Holanda, o sexteto do violonista Toninho Horta, o quinteto instrumental Pau Brasil (que está festejando seus 40 anos) e o Trio Curupira estão entre os destaques da programação com mais de duas dúzias de shows de jazz e música instrumental, nos teatros das unidades Pompeia, Vila Mariana, Pinheiros e Consolação do Sesc SP.
Quase todos os shows serão oferecidos em formato híbrido: além das apresentações para uma plateia com até 30% da lotação dos teatros (medida exigida para se manter o necessário distanciamento social do público, além das máscaras), esses eventos também serão transmitidos online.
A venda dos ingressos começa nos dias 12/10, a partir das 14h (online), e 13/10, das 14h às 19h (presencial), nas bilheterias das unidades onde serão realizados esses shows. Os ingressos custam R$ 40 (inteira, para o público geral) ou R$ 20 (público com Credencial Plena ou meia-entrada). Já os ingressos para os shows no Sesc Consolação, que fazem parte da série Instrumental Sesc Brasil, são gratuitos. Para assistir aos shows presenciais é necessário apresentar comprovante de vacinação contra a Covid-19.
Os shows do quarteto do pianista suíço Frank Salis, o da big band do violonista espanhol José Quevedo Bolita, o do quarteto do trombonista belga Nabou Claerhout e o da big band da pianista dinamarquesa Kathrine Windfeld só serão transmitidos online. Já as apresentações da cantora norte-americana Alissa Sanders (com participação da cantora Anelis Assumpção), do multi-instrumentista moçambicano Otis Selimane Remane e do contrabaixista cubano Aniel Someillan serão presenciais, assim como transmitidas online.
Eclética como em edições anteriores, a programação do Sesc Jazz mistura diversos estilos de jazz e música instrumental, como a fusion e a black music da baixista Ana Karina Sebastião (com participação do cantor Michel Sebá), o samba e outros ritmos afro-brasileiros do quinteto Jazz das Minas (liderado pela pianista Maíra Freitas), o afrobeat da Funmilayo Orchestra, o free jazz do Conde Favela Sexteto ou o som experimental do quarteto MARV, com participação especial do tecladista Lelo Nazário, do lendário Grupo Um.
Dois expoentes do jazz brasileiro na cena internacional vão receber homenagens. Raul de Souza (1934-2021), mestre do trombone, será lembrado pelo quarteto que o acompanhava, em show com participações especiais do saxofonista Hector Costita e dos trombonistas Bocato e Sergio Coelho. Já a grande cantora e pianista Tania Maria, que vive há décadas na Europa, será homenageada com o lançamento do álbum “Parabéns Tânia” (Selo Sesc), projeto idealizado pelo baterista Lael Medina.
Agendada de 15 a 31/10, a programação de shows também inclui o quinteto do saxofonista Vinícius Chagas, o sexteto do percussionista Gabi Guedes (com participação da cantora Ellen Oléria), o duo Bufo Borealis, o sexteto Hurtmold (com participações do percussionista Paulo Santos e do cantor Jorge Du Peixe) e o Duo Rádio Diápora.
Além de aulas-shows, masterclasses e mostras de filmes e audiovisuais, o Sesc Jazz 2021 oferece ainda a série Sotaques do Jazz, que reúne cinco mesas de debates, com participações de músicos como o uruguaio Ruben Rada, a cubana Cláudia Rivera, a nigeriana Okwei Odili e os brasileiros Amilton Godoi, Filó Machado, Arismar do Espírito Santo, Lilian Carmona, Robertinho Silva e Fernando Alabê, entre outros.
Consulte a programação completa e horários do Sesc Jazz 2021 no site do evento:
https://sescjazz.sescsp.org.br/
eFestival 2021: você já pode incentivar talentos da música brasileira
Marcadores: canção brasileira, eFestival, mauro ferreira, música instrumental brasileira, música popular brasileira, ruriá duprat, tuco marcondes | author: Carlos Calado![]() |
Já estão disponíveis, no site oficial do eFestival, as listas dos músicos finalistas desse concurso, que tem revelado e apoiado talentos musicais há duas décadas. Quem vai definir os vencedores dessa competição é o público, incluindo você, que também pode votar nos seus favoritos.
Tive o prazer de participar da comissão que selecionou esses finalistas, ao lado do maestro e produtor Ruriá Duprat, do multi-instrumentista e compositor Tuco Marcondes e do jornalista e crítico musical Mauro Ferreira – profissionais de prestígio e reconhecida competência em suas áreas.
Ao avaliar os candidatos e candidatas, seguimos critérios objetivos, como originalidade, criatividade, interpretação e performance musical, entre outros, assim como a qualidade técnica dos vídeos. Além disso, tentamos contemplar a diversidade racial e de gêneros das candidatas e candidatos, assim como as diferentes regiões geográficas do país nas quais eles vivem.
Preocupada em balancear todos esses critérios, infelizmente, a comissão de curadores se frustrou ao ver alguns de seus indicados falharem em quesitos técnicos ou infringirem algum item do regulamento do concurso, que os levou a serem desclassificados. Gostaríamos de ver mais mulheres na seleção de finalistas, assim como mais candidatos do Norte e do Nordeste do país, sem que fôssemos obrigados a deixar os critérios musicais em segundo plano.
Esperamos que todos os candidatos não-selecionados voltem a se inscrever, em 2022, na próxima edição do eFestival. E que as candidatas e os candidatos inscritos dediquem um pouco mais de tempo à análise do regulamento do concurso, para não serem desclassificados por motivos extramusicais.
Agora é com você. Vote em seus favoritos e ajude a eleger os vencedores do eFestival 2021, neste link: www.efestival.com.br
BDMG Instrumental: evento transmitido online premia talentos da música mineira
Marcadores: deangelo silva, música brasileira, música instrumental brasileira, Prêmio BDMG Instrumental | author: Carlos CaladoAdiada por um ano em função da pandemia, a 20ª edição do
Prêmio BDMG Instrumental será realizada durante este final de
semana, pela primeira vez com transmissão online. Doze selecionados vão disputar
essa que é a principal premiação para a música instrumental criada em Minas
Gerais.
Tive a oportunidade de acompanhar o nascimento e a consolidação desse prêmio, como integrante da comissão julgadora em várias edições. Nos anos seguintes, foi um prazer ver músicos premiados pelo BDMG brilharem no cenário da música instrumental de nosso país, como Rafael Martini, Antônio Loureiro, Frederico Heliodoro, Weber Lopes, Enéias Xavier, Cleber Alves ou Luísa Mitre, entre outros. Por isso, vai ser muito bom voltar a colaborar com esse prêmio, quando ele festeja 20 anos.
Hoje (sexta), a partir das 20h, apresentam-se o Assanhado
Quarteto, o baixista Nô Corrêa, o pianista Gustavo Figueiredo, o baixista Pedro
Gomes, o Duo Foz e o baixista Aloízio Horta. Amanhã (sábado), a partir das 18h,
tocam o guitarrista Daniel Souza, o percussionista Abel Borges, o baterista
Felipe Continentino, o pianista Dudu Viana, o violonista Felipe José e o
violeiro Max Sales.
Já no domingo, às 18h, os seis finalistas voltam a se
apresentar no palco do Teatro SesiMinas, em Belo Horizonte. Finalmente, às
21h20, o pianista e compositor Deangelo Silva, vencedor do Prêmio Marco Antonio
Araújo 2021, fará um compacto show de encerramento, enquanto o júri formado por músicos e jornalistas define os vencedores.
Para acompanhar as apresentações, clique neste link:
https://www.youtube.com/watch?v=glYlz98-HlY
Jazzmin's Big Band: o disco de estreia da pioneira orquestra feminina de SP
Marcadores: dorival caymmi, Gê Cortes, Jazzmin's Big Band, Lis de Carvalho, nenê, Paula Valente, Rodrigo Morte, tom jobim | author: Carlos CaladoSe você acompanha a cena do jazz e da música instrumental em nosso país, na certa já viu e ouviu algumas delas, tocando em outras formações. Agora as 17 instrumentistas da Jazzmin’s – a primeira big band formada só por mulheres no Brasil – lançam seu primeiro disco, em show online.
Com direção artística da saxofonista Paula Valente e da pianista Lis de Carvalho, o CD “Quando Eu Te Vejo” (produção independente) inclui arranjos de composições de Tom Jobim, Dorival Caymmi, Rodrigo Morte e do baterista Nenê, além de duas faixas assinadas pela baixista da banda, Gê Cortes.O show online será neste sábado (22/5), às 16h30, neste canal do You Tube: Casa Museu Ema Klabin. Já na próxima quinta-feira (dia 27/5), às 17h, Lis de Carvalho e Paula Valente vão participar de um debate sobre o tema “Mulheres e Big Bands: presença, visibilidade e estereótipos”. O evento será veiculado pela plataforma zoom e para participar é preciso se inscrever no site da Casa Museu: https://emaklabin.org.br
Se você ainda não teve a oportunidade de ouvir a Jazzmin’s, nas apresentações que ela vem fazendo já há alguns anos, não perca o show do sábado. Essa big band está repleta de craques.
Sabor & Som: festival combina atrações musicais e eventos gastronômicos
Marcadores: dante ozzetti, Festival Sabor & Som, gisella gonçalves, patrícia bastos, sandra fidalgo, sérgio santos, Toninho Ferragutti | author: Carlos Calado“Cozinhar e ouvir música se mostraram, provavelmente, as atividades mais relevantes na vida cotidiana de todos nós ao longo de todo esse tempo, unindo e nutrindo o espírito humano nesse já longo período em que, por força das circunstâncias, nos vimos obrigados a viver (e conviver) em nossa própria casa”, argumenta a produtora cultural.
Nos três dias de programação, as atividades começam numa cozinha (às 15h) e terminam num estúdio de gravação (a partir das 19h). As chefs Fabiana Badra, Cintia Sanchez e Elenice Altman vão executar, passo a passo, três cardápios completos. Já a programação musical oferece três atrações: a dupla Patrícia Bastos (voz) e Dante Ozzetti (violão), o violonista e cantor Sérgio Santos e a dupla Sandra Fidalgo (voz) e Toninho Ferragutti (acordeom).
Mais informações no site do evento: www.festivalsaboresom.com.br
New Orleans: WWOZ FM reúne gravações de grandes shows de música negra
Marcadores: Allen Toussaint, charles mingus, Dr. John, ellis marsalis, Galactic, jazz fest, jazz festing in place, miles davis, milton nascimento, música negra, new orleans, terence blanchard, the meters, WWOZ FM | author: Carlos CaladoUm dos maiores eventos do gênero no mundo, o Jazz Fest (como é chamado pelos moradores de New Orleans) comemorou sua 50.ª edição em 2019. No ano seguinte, os ingressos já estavam à venda, quando o festival foi cancelado por causa do distanciamento social necessário para combater a pandemia.
Como já fez em 2020, a WWOZ FM vai transmitir a série Jazz Festing in Place nos mesmos dias e horários em que o Jazz Fest deste ano deveria ocorrer: de 22 a 25/4 (quinta a domingo) e de 29/4 a 2/5, das 13h às 21h (horário de Brasília).
A programação está recheada de expoentes da cena musical de New Orleans, como os pianistas Allen Toussaint, Henry Butler, Ellis Marsalis e Dr. John, os cantores John Boutté, Leah Chase e Irma Thomas, os trompetistas Terence Blanchard e Kermit Ruffins, além das bandas Galactic, Dirty Dozen Brass Band, Preservation Hall Jazz Band e a lendária The Meters (em show gravado no Jazz Fest de 1970), entre outras.
Também não faltam grandes nomes internacionais do jazz, do blues e da música negra americana, como Stevie Wonder e Ella Fitzgerald (em uma inusitada parceria no festival de 1977), as cantoras Dianne Reeves, Shirley Horn e Mahalia Jackson, o trompetista Miles Davis, o baixista Charlie Mingus, o saxofonista Sonny Rollins, o pianista e band leader Duke Ellington e a violinista Regina Carter. Ou até astros da música pop e do rock, como James Taylor, Carole King e Joe Cocker, já que o Jazz Fest costuma oferecer um elenco eclético.
Há também uma atração imperdível para os fãs da música popular brasileira: o show que Milton Nascimento fez no Jazz Fest de 1991 está entre os destaques da série para o próximo domingo. Aliás, como a programação ainda não está totalmente fechada, outras surpresas ainda serão anunciadas nos próximos dias. Para não perder seus shows favoritos, você pode baixar um PDF com os horários dos oito dias de programação, no site da WWOZ, onde também vai encontrar o link para ouvir a série:
https://www.wwoz.org/642501-cubes-jazz-festing-place-2021



